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Imperatriz da Paulicéia tem início de desfile vibrante, mas peca em acabamento de escultura do segundo carro

Comissão de frente e bateria foram o destaques positivos do desfle

Por Eduardo Frois e fotos de Fábio Martins

Terceira escola a se apresentar nesta noite de desfiles do Grupo de Acesso II do Carnaval São Paulo, a Imperatriz da Paulicéia fez uma vibrante apresentação. A exibição da comissão de frente e o desempenho da bateria foram os destaques da escola, porém o capricho estético das alegorias acabou comprometido por uma escultura do segundo carro que passou sem a metade de seu braço esquerdo. Com o enredo “Maracatu – Bendito é o seu rito”, a Azul e Branco da Zona Leste encerrou sua passagem pelo Anhembi aos 46 minutos.

Comissão de Frente

Coreografados por Diogo Ferraz, os quinze integrantes da comissão de frente da Imperatriz vieram divididos em três grupos: cinco homens, cinco mulheres e cinco membros da corte do maracatu. Dentro do enredo, a fantasia dos bailarinos representava a “Nação Imperatriz”.

A apresentação do grupo foi extremamente dinâmica, vibrante e bem sincronizada em seus movimentos. Entre os integrantes da corte do maracatu, além do rei e da rainha, vieram dois portas-estandarte e a “Dama do Paço”, que carregava consigo uma boneca.

O segmento utilizou muito bem todo o espaço da avenida para representar a cultura do maracatu, intercalando o lado do sambódromo para qual iriam se apresentar. No trecho do samba-enredo que diz “Abram alas pro meu estandarte passar” o integrante com o estandarte da “Nação Imperatriz” avançava e exibia o adereço de mão para os jurados e o público.

Mestre-sala e Porta-bandeira 

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Ronaldo Ferreira e Leila Cruz, apresentou o pavilhão da Imperatriz da Paulicéia com muita desenvoltura e segurança. Com um bailado sincronizado através do olhar, a dupla mostrou alegria ao riscar o chão da passarela do samba paulista.

Durante a coreografia o casal chegou a fazer uma sutil referência ao toque dos tambores do maracatu. A fantasia de Ronaldo e Leila possuía as cores azul e dourado, repleta de penas azuis na saia da porta bandeira e no costeiro do meste-sala. A passagem da dupla ocorreu sem contratempos que comprometessem a dança.

Enredo

Inspirados pela cultura do maracatu, a comissão de carnaval da Imperatriz, formada por Wagner Miranda, o Bimbo, Deuseni Ignotti e Clayton Kaomi (in memorian), trouxe ao sambódromo do Anhembi um pouco deste tradicional festejo pernambucano. A escola escolheu focar o seu enredo nos ritos do maracatu nação, que também é conhecido como baque virado.

O setor inicial da agremiação da Zona Leste fez referência aos desfile das agremiações do maracatu na cidade de Recife, colorindo toda a passarela. Após o primeiro carro, as alas seguintes foram baseadas nas antigas tradições de cortejos de coroação dos reis e rainhas do Congo.

A “Noite dos Tambores Silenciosos” foi representada no segundo e último setor da Imperatriz da Paulicéia, em que a escola fez uma visita ao Recife Antigo e a toda a sua ancestralidade negra. Trata-se de um ritual ecumênico que ocorre na noite da segunda-feira de carnaval.

Após o desfile dos maracatus, essas agremiações se reúnem no Pátio do Terço, em Recife, onde juntos cessam as batidas dos tambores para louvarem a Virgem do Rosário, padroeira dos negros, e fazerem orações na língua iorubá para saudar os ancestrais africanos escravizados durante o período colonial.

Alegorias

O luxuoso carro abre-alas da Imperatriz causou um impacto positivo na abertura do desfile da escola. A alegoria azul e dourada recebeu o nome de “Meu maracatu com as bençãos de Dona Santa”. Além do letreiro com o nome da escola, o carro trazia esculturas de bonecas pretas, cabeças de elefante e uma enorme coroa giratória no topo. Destaque para o cuidado que eles tiveram com a iluminação, realçando a beleza da alegoria.

Já o segundo carro, chamado de “A noite dos tambores silenciosos”, não conseguiu o mesmo efeito por conta do braço quebrado de umas das esculturas superiores, que representavam a liberdade do negro. A alegoria que trazia Iansã na parte frontal passou pelo Anhembi danificada, comprometendo o padrão visual estético da Imperatriz que era apresentado até então.

Fantasias

A Imperatriz da Paulicéia trouxe um elegante conjunto de fantasias ao longo das suas dez alas. A primeira delas, após a elegante velha guarda , veio simbolizando o recife antigo, com trajes coloridos que traziam na parte de trás da roupa a bandeira e a arquitetura de Pernambuco.

A ala das baianas desfilou com uma indumentária predominantemente azul bebê, com as senhoras carregando nos braços bonecas com a mesma fantasia que elas, proporcionando um belo efeito na avenida. A roupa delas transmitia uma sensação de leveza ao girar na passarela.

O uso de adereços de mão foi uma constante nas alas da Imperatriz. A ala 4 – Baque Virado, em tons de azul branco e grená, trouxe seus integrantes segurando tambores. A ala 7 – “Encontro de Maracatus” veio nas cores de um dia ensolarado, vermelho e amarelo, enquanto a ala 8 – “A lua alumia”, passou em cores azul e roxo, que remetiam a noite. Ambas traziam estandartes mão.

Harmonia

A comunidade da Zona Leste mostrou na pista de desfiles toda a potência da Imperatriz da Paulicéia. Os cerca de 700 componentes cantaram o samba da escola com intensidade, sobretudo nos dois refrões do samba-enredo. Uma das alas que apresentaram um canto vigoroso e constante durante a avenida foi a 6, que representou os primeiros terreiros de candomblé. Seus integrantes mostraram empolgação ao entoar o hino da escola para o carnaval 2024. Mérito também do belo entrosamento entre o carro de som e a bateria.

Samba-enredo

O samba-enredo da Imperatriz da Paulicéia teve um desempenho satisfatório durante o desfile, especialmente por conta do belo trabalho realizado pela ala musical. O intérprete Tiganá contribuiu bastante para impulsionar o canto da comunidade da Zona Leste, incentivando os componentes a manter o canto na avenida. A obra foi composta por André Ricardo, Cauê Ricci e Caio Ricci.

Evolução

A Azul e Branco da Gamelinha evoluiu de forma correta e coesa ao longo de toda a sua passagem pela pista do Anhembi, sem apresentar buracos ou alas emboladas. O desfile manteve-se no mesmo andamento até o final, sem a necessidade de que os componentes acelerassem o passo para passar dentro do tempo.

Outros Destaques

Outro grande destaque da Imperatriz da Pauliceia foi a exibição da bateria, liderada pela mestra Rafaella Rocha. Mestra Rafa que é a única mulher a comandar uma bateria que desfila no sambódromo do Anhembi. Os integrantes vieram trajados de ogã. A Rainha de bateria Ariê veio com uma luxuosa fantasia de penas vermelhas.

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