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Fé, samba e representatividade! Lavagem do Sambódromo emociona os sambistas e abre os caminhos para o Carnaval 2024

A Marquês de Sapucaí foi palco, na noite do último sábado, da tradicional lavagem, que ocorre anualmente antes dos desfiles. O ritual em que se pede proteção aos orixás para os desfiles vindouros foi marcado pela expressão de fé, devoção e religiosidade de diversos integrantes das escolas de samba do Rio de Janeiro. Ao início, uma saudação a Oxóssi, seguida dos toques de atabaques para Exú, Iemanjá e Omolu, com a presença de duas pessoas, uma representando Exú e outra Iemanjá, numa roda de orixás, que encantou aos presentes.

Foto: Vitor Melo/Divulgação Rio Carnaval

O presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro, discursou agradecendo a presença do prefeito Eduardo Paes, citando os quarenta anos do Sambódromo e relembrando que a lavagem é um momento de fé, esperança e religiosidade para todas as agremiações que desfilam na Marquês de Sapucaí.

Em seguida, em um momento ecumênico, o Padre Antonio, da Igreja de São Jorge da rua da Alfândega, e do Barreto, rezou o Pai-Nosso pedindo para que o carnaval da Sapucaí seja abençoado e protegido, em especial nesta comemoração de quarenta anos. Milton Cunha assumiu o palco com a cantora lírica Nanda Soprano que entoou a Ave Maria enquanto o carnavalesco recitava um texto escrito pelo jornalista Cláudio Vieira para a homenagem aos quarenta anos do Sambódromo, ressaltando a importância matriarcal no samba, referenciando a figura das mães baianas que ensinam as novas gerações e descortinam o caminho para o futuro.

Foto: Alexandre Vidal/Divulgação Rio Carnaval

“E lá se vão quarenta carnavais. É hoje, mas parece que foi ontem. Eu lembro da primeira vez que as senhoras baianas emolduraram com a barra de suas saias a recém inaugurada Praça da Apoteose, a praça que se esvaiu do delírio, mas as saias das mães baianas continuam rodando de sonhos e sonhos, perpetuando as lutas pela liberdade, justiça, igualdade e dignidade”, assim iniciava o texto lido por Milton.

Gabriel David, diretor de Marketing da Liga, falou sobre a importancia da lavagem para os sambistas em geral: “É um dia muito importante que a gente, que é Sambista e vive isso todos os anos, há muito tempo, aguarda todo o novo ciclo de carnaval. É o momento da gente jogar as nossas melhores energias na avenida, das mães baianas literalmente abrirem caminho para que a gente possa ter um grande carnaval. Mas acima de tudo, que a gente possa fazer desse lugar sagrado um lugar de felicidade, um lugar de amor, um lugar de boa energia e emanar isso para o mundo”.

Foto: Alexandre Vidal/Divulgação Rio Carnaval

Luciana Milagres, umas das baianas preparadas para lavar a Sapucaí, comentou um pouco sobre esse momento tão especial da preparação da maior festa do planeta: “​​​​​​É pura energia, amor, acolhimento, paz. Vamos abrir aí os caminhos, os trabalhos para a gente ter um carnaval só de amor, felicidade. Chega de briga, chega de impasses, vamos perdoar, vamos aceitar o próximo”. Ela complementou com a emoção de estar presente pela primeira vez na Lavagem da avenida: “​​​​Tem uma questão pessoal, familiar. Estou aqui agradecendo cura. Estou me despedindo de pessoas que se foram e eu já desfilo na Vila Isabel, já não, só há dois anos e já tive a honra de ser convidada a participar aqui da lavagem e estou muito feliz, muito realizada, muito emocionada”.

Já Sueli da Fonseca, outra dentre as baianas que lavaram a passarela, falou da emoção e do cortejo da lavagem: “É uma paz, é uma coisa linda, linda de se ver, de fazer e de estar presente também. Tanto a lavagem como o desfile em si é muito lindo, é muito emocionante, muito bonito”.

Outros integrantes presentes também se emocionaram com a realização de mais um ano da efeméride. O terceiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Viradouro, João Oliveira e Duda Martins, representou a escola durante o desfile da lavagem.

Para João, foi um momento essencial de limpeza e purificação: “Carnaval é um meio difícil de se dar, de se trabalhar, é muito trabalho, muita competição o tempo todo, infelizmente, mas é ossos do ofício. E a lavagem ela vem para literalmente limpar e harmonizar todo esse momento para fazer um grande espetáculo”. Duda complementa: “Acho que a gente se sente limpo, exatamente. O carnaval é um meio de energias que envolve tanto as coisas boas quanto as coisas ruins, então a lavagem vem limpando e renovando a energia de todo mundo”.

O CARNAVALESCO também falou com a deputada estadual Martha Rocha, filiada ao PDT, partido de Brizola e Darcy Ribeiro, idealizadores da Passarela do Samba, que leva o nome do último. A deputada relembrou deles, e da importância do carnaval como um espaço de cultura e inclusão:

“Esse carnaval vai ser diferente, é muito importante para todos nós. São quarenta anos de sambódromo, esse espaço cultural, a maior expressão da civilidade, da cultura brasileira, que foi concebido exatamente por Leonel Brizola, Darcy Ribeiro e Oscar Niemeyer. Então é fundamental que a gente esteja aqui vivenciando esse momento de união, de diversidade, de dignidade”.

Sobre a lavagem, a deputada ressaltou a energia, e contou que sempre que pode vai ao Sambódromo: “É com muita alegria que a gente está assistindo aqui à lavagem com essas mulheres maravilhosas que abrem o samba com toda essa boa energia. Sempre que eu posso eu estou no sambódromo para assistir o carnaval e cada vez que a gente passa aqui o coração da gente dispara como se você a primeira vez, quando batem os primeiros sinais, quando a bateria dá o anúncio que vai entrar e aqui a gente sai renovada”. Por fim, Martha Rocha ressaltou a pluralidade religiosa da festa como caminho de paz: “Então que simbologia dessa união de várias crenças, do sagrado e do profano, que essa sintonia seja uma sintonia de paz para todos os cariocas e para todos os brasileiros”.

Os espectadores presentes também falaram sobre o impacto do ritual. Keire Bento, de 43 anos, veio pela primeira vez para a lavagem da avenida, falou do momento como um ponto de culto a ancestralidade para as religiões de matriz africana, e ressaltou a beleza e a importância da liberdade religiosa: “É bacana a gente ver, é um misto de crenças, mas é importante também a gente não desacreditar da fé e da religião das outras pessoas. Ter o respeito, porque o respeito é importante. Acho que é um marco para o carnaval, faz toda a diferença. Aqui é para abençoar a avenida, para que o carnaval seja perfeito, seja maravilhoso, que todo mundo possa se divertir e ser feliz porque carnaval é isso”.

Tiago Brito, de 40 anos, também veio pela primeira vez para a lavagem, e gostou muito dos ritos que abriram os caminhos para o Carnaval 2024: “Eu gostei bastante, é uma energia muito forte, e eu estou achando muito maior do que eu esperava. É realmente emocionante, porque ano passado, eu vim ao Sambódromo, mas eu fiquei na frisa. Então, esse ano, descendo aqui, parece completamente diferente”.

A passagem do cortejo foi ao som de sambas de enredo clássicos, inicando com “Aquarela brasileira” do Império Serrano, “Atrás da Verde e Rosa só não vao quem já morreu” da Mangueira, “Kizomba, a festa da raça” da Vila Isabel, “Um Mouro no Quilombo” do Tuiuti, entre outros, que guiaram as baianas durante toda a lavagem. Conduzida por Mestre Casagrande, a bateria foi formada por diversos integrantes de diferentes escolas de samba, e contou com o prefeito Eduardo Paes e Gabriel David, entre os componentes.

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