Daniel Werneck e Taciana Couto, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Grande Rio, estão animados para tentar conquistar o bicampeonato para a escola de samba. Em uma entrevista ao site CARNAVALESCO, o casal compartilhou suas expectativas para o carnaval de 2024, falou sobre a parceria de seis anos e deram suas opiniões sobre o quesito.
A Grande Rio vem esse ano com o enredo “Nosso Destino É Ser Onça”, criado e desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com uma reflexão sobre o significado da onça na cultura brasileira, abordando temas como antropofagia e encantaria. A escola desfilará como a quarta a cruzar a Avenida no domingo de carnaval, dia 11 de fevereiro, pelo Grupo Especial, buscando conquistar o segundo título de campeã do Carnaval do Rio de Janeiro.
“É um ano de desafios, cada ano é uma proposta nova e esse ano a gente vem se arriscando mais um pouco, a gente está muito feliz com o que a gente vem fazendo, com o trabalho que a escola vem desenvolvendo. Acredito que vai ser um carnaval mágico e muito importante para a gente”, afirmou Taciana.
Daniel também expressou suas expectativas para o Carnaval de 2024, dizendo: “É muito importante para nós, estamos ensaiando bastante. O enredo é lindo, a comunidade o abraçou, estamos ansiosos. É só isso. Não temos palavras para descrever”.
Sobre a longa parceria com Daniel, Taciana comentou: “Não somos dois, aqui na Avenida nós somos um só, um só coração, focados em um só objetivo, então a gente vai além dessa parceria da Avenida, a gente vai para a amizade, a gente vai para o carinho, o amor, o respeito, sempre pensando um no outro, sempre pensando no que vai ser melhor e mais confortável para o outro e sentindo quando o outro não está bem, quando o outro está bem para a gente conseguir ir ajustando e passar bem na Avenida, que a gente sabe que no decorrer do caminho podem vir acontecendo coisas, mas esse olhar carinhoso, esse cuidado que a gente tem um com o outro é muito importante para que a gente consiga levar o trabalho que a gente propôs para a Avenida”.
A porta-bandeira comentou sobre a polêmica em torno do quesito e destacou que ter uma direção coreográfica é fundamental, pois traz um olhar externo que pode identificar aspectos que os próprios integrantes do grupo não conseguem perceber, essa visão externa ajuda a corrigir falhas e a aprimorar o trabalho como um todo. Também ressaltou a importância da coreografia, explicando que se trata de movimentos organizados. E mencionou a necessidade de encontrar um equilíbrio entre o tradicional e a inovação dentro desses movimentos, para criar uma apresentação impactante na Avenida. Ao final, ela deixou claro que é a favor e adepta à utilização da coreografia, reforçando sua importância no contexto do carnaval.
“É super importante nessa direção coreográfica ter alguém, o olhar de fora, naquele momento ali que a gente não está conseguindo se enxergar, é alguém que olha além do que a gente está podendo ver, então nos ajuda a corrigir, nos ajuda a caminhar no trabalho. E quando é coreografia, coreografia nada mais é do que movimentos organizados, então a gente coloca o tradicional, coloca um pouquinho da inovação dentro desses movimentos organizados e é o que a gente chama de coreografia e traz para a Avenida, a gente é super a favor e adepto à coreografia”.
Daniel também deixou sua opinião sobre o assunto: “Eu acho que tem que ter, sim, uma direção artística até para ter esse olhar de fora, porque a gente, como está dentro, a gente acaba não tendo a visão de quem está assistindo, é sempre bom um olhar de fora, um olhar técnico, até para a gente poder corrigir certos tipos de braço, porque é tudo uma amplitude com a fantasia, a tendência é a gente diminuir um pouco, mas tudo isso a gente tem essa importância. Agora, com a evolução de coreografia, eu acho que isso enriquece ainda mais a dança do ensaio da porta-bandeira, lógico que jamais pode se perder o tradicional da dança, que é o cortejo, dançar para a porta-bandeira, ser o protetor e o guardião do pavilhão, isso é sempre muito importante, mas eu acho que é bom sempre ter algo a mais para enriquecer ainda mais a nossa dança”.
Em 2023 no seu quinto carnaval, a União do Parque Acari, conquistou o inédito acesso à Série Ouro e o direito de desfilar na Sapucaí pela primeira vez depois de se classificar em terceiro lugar na Série Prata.
Para o carnaval de 2024, ano que marca sua estreia abrindo os desfiles da Série Ouro, o Parque Acari anuncia como enredo “Ilê Aiyê, 50 Anos de Luta e Resistência”, que homenageia a história do primeiro bloco afro do Brasil.
O diretor de carnaval da escola, Xande Ribeiro, não mediu palavras ao expressar toda a sua felicidade e emoção de desfilar na Sapucaí e o orgulho do primeiro ensaio técnico.
“Eu não tenho palavras, isso é uma coisa que todos almejavam já há muito tempo e agora o sonho se tornou realidade… Foi para mim um ensaio muito produtivo, não só para mim como para toda a comunidade, a gente esperava realmente isso, a gente está vindo trabalhando para isso e mostrando que a escola veio e veio pra ficar”.
Era nítida a emoção dos moradores da comunidade que sempre acompanharam a escola e estão vivendo esse momento inesquecível de desfilar na Sapucaí pela primeira vez. O site CARNAVALESCO ouviu duas componentes que são da comunidade e contaram sobre esse momento.
“É um prazer! Maior satisfação, é muito bom! Desde pequena, desde garota eu desfilo aqui e agora meus filhos, meus netos e todo mundo está aqui. Muito orgulho!”, disse Enilda Modesto Ferreiro.
“É uma emoção muito grande, o coração bate muito forte e é muito gostoso! Eu desfilo na escola desde quando fui criada, nós nascemos na comunidade”, comentou Carmem Celia.
O ensaio técnico na Sapucaí também foi a primeira noite para o novo mestre-sala da escola, Vinicius de Jesus, que brilhou ao lado da porta-bandeira Layne Santos.
“Eu estou muito feliz, a escola vem dando todo o suporte para mim e para minha porta-bandeira. Meu primeiro ano como mestre-sala da União do Parque Acari, estou muito feliz! A Layne já estava e eu cheguei para dar todo suporte para ela também e todo apoio. A gente vem fazendo uma parceria super especial, não tenho o que reclamar, ela vem me dando todo o suporte”.
A escola conta com um samba enredo animado como pede o tema, leve e com uma melodia bem para cima, trazendo uma abordagem muito rica, o Bloco Ilê Aiyê desempenhou um papel importante na cultura afro-brasileira e na celebração da diversidade. Reconhecido como patrimônio a cultura da Bahia, o objetivo é lutar contra o racismo e dar representatividade às raízes africanas com a divulgação da arte em geral.
“É a primeira vez que o Parque Acari está na avenida estreando, e a gente tem que agradecer a toda comunidade pelo trabalho, o desempenho, é difícil chegar aqui, mas a escola está fazendo um bom trabalho, a comunidade veio alegre, veio leve, cantou, é um samba leve e a gente vai estar na avenida isso aí ó, levinho”, citou o intérprete Leozinho Nunes.
Dona de uma das discografias mais sólidas deste século, a Beija-Flor de Nilópolis vem vivendo um jejum de títulos que pode completar seis anos em 2024. Mas se a Deusa da Passarela não é campeã desde 2018 isso certamente não se deve aos sambas-enredo que tem apresentado na avenida. Ao menos se formos usar o critério das notas aplicadas no quesito desde 2018. Levantamento realizado pelo site CARNAVALESCO para a série ‘De olho nos quesitos‘ apontou que a azul e branca só perdeu três décimos com os julgadores escolhidos pela Liesa para analisar o samba-enredo em 2024.
Foto: Divulgação/Rio Carnaval
O desempenho é tão forte que a média de perda de décimos nos últimos desfiles é inferior a um por ano. Com os julgadores de 2024 a Beija-Flor obteve nove notas 10, um 9,9 e uma 9,8, o que a coloca como a escola de melhor desempenho neste quesito nos últimos anos. Viradouro e Mocidade são outras agremiações com excelente desempenho nas notas. Ambas perderam apenas quatro décimos nos últimos anos. O Salgueiro é quem obteve o pior rendimento, perdendo 16 décimos, uma elevada média de quatro décimos perdidos por ano.
Julgador estreante em 2024
A Liesa optou por um estreante no desfile do Grupo Especial de 2024. Cyro Delvizio irá julgar samba-enredo pela primeira vez. O jurado é violonista, compositor e pesquisador musical. Ele se junta aos já conhecidos Alfredo Del-Penho, que está no júri desde 2019, Alice Serrano, julgando desde 2020 e Alessandro Ventura, que estreou em 2022.
O trio de julgadores aplicou um total de 112 notas desde 2019 no quesito samba-enredo. Foram 52 notas 10 nas obras apresentadas na avenida, uma porcentagem de 46% de notas máximas. O índice de 10 aplicados às escolas da segunda noite de desfiles bateu os 60%.
Alice Serrano é a única que possui um índice superior aos 50% de notas 10 em relação ao total. 19 de suas 37 notas foram 10. Os demais julgadores possuem um desempenho muito semelhante no quesito, demonstrando que pensam parecido, até com justificativas muito próximas entre si. Alfredo Del-Penho deu 22 notas 10 (43%) entre 2019 e 2023 e Alessandro Ventura 11 (46%) a partir de 2022.
Melodia domina justificativas
O samba-enredo é julgado através de dois sub-quesitos: letra, onde o jurado observa a adequação ao enredo, a beleza da letra e se a mesma pode ser vista no projeto apresentado na avenida e melodia, onde se considera se ela favorece o canto e a dança dos componentes, se é criativa e possui nuances melódicas diferenciadas. O samba-enredo é o quesito mais prejulgado do carnaval.
Nas justificativas encontradas pela reportagem do CARNAVALESCO o aspecto melódico domina as pontuações. A principal delas é quando a melodia não favorece o canto da obra no desfile. Pode ser em relação ao andamento adotado no dia do desfile ou pela própria estrutura melódica da música. Outra citação encontrada é quando há uma espécie de desencadeamento melódico entre partes do samba, isto é, há uma ruptura muito radical da estrutura de um trecho para outro da obra. A falta de nuances melódicas em um samba também é motivo de atenção para as escolas, de acordo com as justificativas encontradas.
Em relação à letra dos sambas o julgamento se torna mais factível. O principal fator de desconto é sobre a beleza da letra do samba. Recentemente os julgadores vêm sendo exigentes com a qualidade semântica das composições. Excesso de terminações iguais e classes de palavras repetidas foram citadas mais de uma vez nos últimos anos. A facilidade ou dificuldade de se cantar a letra também é um fator de atenção dos jurados. É sabido que existem samba com termos de difícil assimilação pelos componentes. E por fim a falta de criatividade na construção poética, além da ausência de partes significativas da letra em trechos do desfile, também são motivos para punir as escolas de samba.
Pelo terceiro ano consecutivo, Carnaval e sustentabilidade vão dar samba na Avenida. Isso porque a Águas do Rio distribuirá 140 mil ecocopos reutilizáveis ao público que for ao Sambódromo nos seis dias de desfiles. Com a iniciativa, 2,3 toneladas de lixo plástico deixarão de ser produzidas ao final da folia. Além disso, a concessionária terá pontos de hidratação em todos os setores da Sapucaí.
Ao todo, quando forem somadas as ações realizadas nesses três anos, os copos ecológicos deixarão de gerar 6,3 toneladas de resíduos no Maior Espetáculo da Terra. A conta é simples: considerando que o ecocopo será usado aproximadamente cinco vezes, as 140 mil unidades distribuídas pela Águas do Rio neste 2024 vão eliminar 700 mil descartáveis. Serão, em média, menos 2,3 mil kg de lixo, já que cada copinho pesa cerca de 3,3 gramas. Vale lembrar que os copos descartáveis podem levar até 400 anos para se decompor.
“O Carnaval é uma festa que envolve milhões de pessoas e é uma grande oportunidade para levar a mensagem de sustentabilidade. A prova disso são os inúmeros enredos que promoveram a consciência da preservação e foram campeões. O intuito de distribuir os ecocopos está nesse sentido, de causar um impacto imediato em prol da natureza e levar às pessoas a reflexão de que cada uma deve fazer a sua parte. Essa é uma das missões da Águas do Rio”, destacou o presidente da empresa, Alexandre Bianchini.
Para incentivar o reuso e promover ainda mais o consumo consciente, a concessionária, em parceria com a Meu Copo Eco, empresa pioneira na produção de copos reutilizáveis, preparou uma ação especial: o folião que levar seu ecocopo da Águas do Rio dos Carnavais anteriores (2022 e 2023) até os estandes da Praça de Alimentação (Setor 2) ou do Setor 9, ganhará de brinde um cordão porta-copo personalizado. A dica é levar o mais cedo possível, já que o estoque é limitado.
Distribuição de água
Para manter o público bem hidratado, a Águas do Rio distribuirá água em todos os setores do Sambódromo. Para aqueles que estiverem nas arquibancadas, haverá pontos de hidratação em todos os 13 setores da Passarela do Samba. Para quem for desfilar, a água estará garantida na concentração e dispersão.
Com apenas 19 anos, Lara Mara, é a diretora de carnaval mais jovem do Brasil. Criada no mundo samba, a jovem vai encarar uma maratona épica durante os dias de folia no Rio de Janeiro. Além de liderar o desfile do Boi Vermelho da Zona Oeste, esla também estará presente em mais três escolas no Grupo Especial.
Fotos: Divulgação
A maratona carnavalesca de Lara começa no sábado de carnaval, no desfile da Unidos de Padre Miguel, escola do Grupo de Acesso que almeja uma vaga na elite do maior espetáculo da Terra. Para Lara, é mais do que um desfile, é uma oportunidade de mostrar a garra e a paixão que movem a comunidade da Unidos de Padre Miguel.
“Vamos mostrar toda a nossa garra e paixão pelo carnaval e mostrar ao mundo o que somos capazes de fazer”, comenta Lara sobre a expectativa para o desfile da agremiação.
No domingo, Lara será um dos destaques da Imperatriz Leopoldinense, onde representará uma cigana, origem de sua família e tema principal do enredo da escola de Ramos.
“Representar uma cigana no desfile da Imperatriz é mais do que uma honra, é uma conexão com minhas raízes, com a essência da minha família”, revela Lara.
Mas a jornada da jovem diretora não termina aí. Na segunda-feira, o ritmo será ainda mais acelerado, Lara será destaque na Mocidade Independente de Padre Miguel e na sequência no desfile da Unidos de Vila Isabel. Uma verdadeira maratona de samba e alegria que só quem é apaixonado pelo carnaval consegue entender.
“São emoções diferentes em cada escola. Na Vila Isabel, sinto um amor profundo pela tradição e história da agremiação. Já na Mocidade Independente, é uma alegria imensa desfilar na vizinha e sentir a energia contagiante da comunidade”, enfatiza Lara.
O hotel Ibis Styles Anhembi está pronto para atender ainda mais demandas. Novamente, a gerente de contas do local, Aline Santos conversou com o CARNAVALESCO e deu detalhes sobre o restaurante, falou das opções de alimentação, preços e bebida alcoólica. De fato, é notório que lendo as demais matérias da parceria com o CARNAVALESCO, o café da manhã é um ponto forte do hotel.
Uma boa parte do público do carnaval sempre gosta daquela bebida ‘alegre’. Aline diz que apesar de o hotel não fornecer drinks autorais, oferece cervejas e gins em latas para atender a demanda. “Aqui nessa unidade o perfil dos hóspedes é mais viajante. Nós não temos um bar específico, mas se a pessoa solicitar uma cerveja ou um drink especial o nosso bar pode estar preparando também. Atualmente a gente só recebe gin em lata e cervejas, mas drinks autorais nós não temos”, contou.
A gerente deu mais detalhes do café da manhã. Em outras matérias foi citada toda variedade no cardápio. Agora, a profissional explica a forma de pagamento que o local proporciona. “O café da manhã pode estar incluso na diária. Quem comprar, a tarifa especial direto com vocês, do site CARNAVALESCO, vai ter o café da manhã incluso, mas caso algum amigo queira visitar, também é possível se alimentar fazendo o pagamento de R$ 45,00 + 5% de taxas”, disse.
O ator Nando Cunha acaba de se tornar o mais novo passista do Acadêmicos do Salgueiro para o Carnaval 2024. O convite partiu do coreógrafo da escola e diretor da Ala de Passistas, Carlinhos Salgueiro, em virtude da importância de Cunha para o atual cenário cultural brasileiro, além de sua alegria e paixão pelo carnaval. De acordo com Carlinhos, o convite surgiu de uma brincadeira que foi super aprovada pelo presidente da agremiação, André Vaz, e o segredo foi mantido a sete chaves, até o momento da entrega da fantasia de Nando.
Foto; Reprodução de TV
Ao falar sobre o convite, Carlinhos revela uma mistura de admiração, entusiasmo e um toque de humor característico do universo do samba. Ele destaca a importância de Nando Cunha no contexto do desfile, referindo-se a ele como um amigo que tem uma ligação especial com o mundo do samba.
“Eu já tinha vontade de convidar o Nando para vir com a ala, mas, a vontade aumentou mesmo após assistir ao filme Mussum, onde Nando interpretou o Grande Otelo. Ali eu percebi sua afinidade com o samba, senti que era necessário trazer essa personalidade com o nosso time. Eu levei essa ideia ao presidente André, que super aprovou. Não contamos a ninguém é fizemos um segredinho durante um tempo, até o Nando experimentar a fantasia e perceber que o convite era real! Ele está super feliz e eu também”, comemorou.
Esta oportunidade surge em um momento de grande sucesso e reconhecimento para Nando Cunha, após um ano de 2023 repleto de conquistas notáveis. Seu talento foi reconhecido no cinema, especialmente por sua atuação no filme “Nosso Sonho”, uma cinebiografia sobre Claudinho e Buchecha, onde interpretou Souza, pai de Buchecha. Sua performance nesse papel lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Cinema de Los Angeles, solidificando ainda mais sua posição como um dos talentos mais promissores da indústria cinematográfica brasileira. Além disso, Nando Cunha brilhou nas telas como Grande Otelo no filme “Mussum, Forevis” e como o carismático dançarino e garçom Joel na novela “Travessia”.
O convite para se juntar à Ala de Passistas do Salgueiro é, portanto, um testemunho de sua conexão profunda com o mundo do samba e da cultura afro-brasileira. Nando Cunha, que já desfilou como passista na Mocidade e na Vila Isabel antes da fama, está emocionado por retornar à sua escola de coração, especialmente após desfilar em 2020 com um enredo que tanto o tocou, interpretando Benjamim de Oliveira.
Em suas próprias palavras, ele expressa sua alegria e gratidão: “Estou muito feliz em voltar ao Salgueiro e sambar no chão que é minha origem”. Sua identificação com a história e a tradição da escola, e sua paixão pelo samba, tornam essa experiência ainda mais significativa para ele.
Em 2024, o Acadêmicos do Salgueiro vai levar para a Avenida a história e a luta do povo Yanomami com o enredo Hutukara, de autoria do carnavalesco Edson Pereira. A Academia do Samba faz um alerta em defesa da Amazônia e em particular dos Yanomami, que sofrem efeitos da ação de garimpeiros na sua região. Hutukara significa “a floresta construída dos yanomami”. O enredo é baseado no livro “A Queda do Céu”, de Davi Kopenawa, xamã e líder político do povo yanomami. O Salgueiro é a terceira escola a desfilar no domingo, dia 11/02.
Cerca de 150 pessoas com deficiência vão contar com recursos audiovisuais, por meio da tradução em Libras e da audiodescrição ao vivo, para acompanhar os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. Pelo quinto ano consecutivo, o serviço será prestado diretamente da Marquês de Sapucaí pela empresa All Dub, que atua com acessibilidade na comunicação de grandes eventos como Rock in Rio, The Town, Lollapalooza, Mita Festival e Bienal do Livro. Informações sobre enredos, sambas, alas, passistas, fantasias e o que acontece de frente para a cabine são transmitidas.
Foto: Divulgação/Riotur
“Para nós, profissionais, intérpretes e audiodescritores, é fundamental nos atualizarmos. Fazer o Carnaval nos permite ganhar experiência para aprimorar nossa atuação em eventos culturais, entregar sempre o melhor pelo acesso de pessoas com deficiência à cultura. É um grande desafio e aprendizado traduzir o que acontece de mágico nesses dias. É emocionante. Tentamos passar o que é mais deslumbrante e essencial para a compreensão de algo tão imenso”, afirma a CEO da All Dub, Ana Lúcia Motta.
Uma equipe de atendimento, audiodescritores, técnicos e intérpretes de Libras estará disponível todos os dias de desfiles, entre 9 e 12 de fevereiro, e no Desfile das Campeãs, programado para o dia 17. Para cada dia, 300 ingressos são distribuídos para pessoas com deficiência e um acompanhante.
Em área reservada no setor 13 do Sambódromo, o público recebe rádio transmissores para ouvir em tempo real o áudio narrado por profissionais que trabalham simultaneamente dentro de uma cabine. Próximo ao público, os intérpretes de Libras se posicionam para comunicar informes e detalhes do espetáculo.
A All Dub também faz audiodescrição nos desfiles do Anhembi, em São Paulo.
Sobre a All Dub
A All Dub tem mais de oito anos de atuação no mercado como empresa de dublagem. Com a missão de garantir acessibilidade para todos os públicos, a All Dub oferece também a tradução em Libras e audiodescrição para programas e eventos ao vivo e pré-gravados.
As soluções da All Dub – de dublagem, legendagem, tradução, locuções e acessibilidade – já beneficiaram a audiência de eventos – como Carnaval do Rio na Sapucaí, Bienal do Livro, Rock in Rio e The Town, Lollapalooza e Mita Festival, entre outros – e de mais de 1.500 projetos entregues para empresas renomadas com produções em plataformas como Amazon Prime, Globoplay, Netflix e Disney Plus.
Com consultorias e projetos em acessibilidade, a empresa já trabalhou para o Museu do Flamengo, Museu do Ministério Público Federal, Azul Linhas Aéreas, aeroportos de Confins e de Viracopos, Teatros Prudential, Riachuelo, Theatro Municipal e Orquestra Sinfônica Brasileira.
O barracão do Império Serrano recebeu uma visita muito especial no final da tarde de quarta-feira, no Centro do Rio. A Mãe Márcia Marçal, ialorixá e neta de Eloy Antero Dias, o Mano Eloy, um dos fundadores da escola, foi recepcionada pelo carnavalesco Alex de Souza e viu de perto os últimos detalhes das alegorias que a escola vai apresentar no próximo sábado, na Marquês de Sapucaí.
Foto: Pedro Siqueira/Divulgação
Pela primeira vez em sua história, o Império Serrano vai se aprofundar na mitologia africana. O Reizinho de Madureira irá apresentar os orixás como grandes reis e rainhas do antigo Império de Oyó, com o enredo intitulado de “Ilú-ọba Ọ̀yọ́: a gira dos ancestrais”, seguindo a ordem de apresentação do xirê. Com DNA imperiana, Mãe Márcia Marçal ficou encantada com o que viu e confirmou presença no desfile:
“O Império Serrano é a minha escola. Pude vir apreciar essa beleza que está sendo preparada para a gente. Aceitei o convite para desfilar, pois é a agremiação que eu amo e é a da minha família. Estaremos todos lá na Sapucaí cantando esse samba maravilhoso porque imperiano de fé não cansa”, disse a ialorixá.
O carnavalesco Alex de Souza fez questão de exaltar a importância da família de Mãe Márcia para a história do Império Serrano e deste enredo. Segundo ele, a presença dela vai engrandecer ainda mais a apresentação que o Reizinho de Madureira promete fazer no sábado:
“A Mãe Márcia Marçal é uma pessoa muito importante e respeitada no candomblé. Tê-la conosco é muito bom, pois ela tem nas veias o sangue imperiano através de sua família. Mano Eloy foi um dos primeiros a gravar cânticos de orixás, era babalorixá e de certa forma ajudou, através de sua história, este enredo. Ela, acima de tudo, estará representando essa figura tão fundamental da história do Império Serrano”, afirmou Alex de Souza.
O Reizinho de Madureira vai fechar os desfiles da Série Ouro no próximo sábado (10). O Reizinho de Madureira será a oitava escola a cruzar a Marquês de Sapucaí em busca do título e o retorno ao Grupo Especial.
Embalada na busca de voltar para briga na parte de cima do Grupo Especial, a Mocidade Independente de Padre Miguel levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Pede Caju que Dou… Pé de Caju que Dá!”, do carnavalesco Marcus Ferreira. Repleta de brasilidade, a Verde e Branca promete tratar a história do país e as diversas simbologias da fruta nativa com bastante informação e historicismo.
Fotos: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO
Responsável por abrir a segunda noite de desfiles da elite do carnaval carioca, a estrela-guia da Zona Oeste aposta no samba e no enredo como trunfos, através de uma obra que resgata o perfil da escola e é marcada pelo bom humor, além da fácil leitura, sensualidade e – no protagonismo de tudo isso – a força e a alegria da comunidade independente, como conta o carnavalesco da agremiação.
“Entendemos este momento de reposição e retomada para que pudéssemos transmitir a alegria, primeiramente, para dentro da escola. Frutas já foram enredo, mas acredito que o caju foi escolhido para a Mocidade por permitir a brasilidade, tropicalidade e subversão de uma fruta que o próprio brasileiro desconhece. É tudo o que o caju nos propõe como simbologia brasileira. Todos esses atributos estão presentes no enredo, e acredito que o independente conseguiu se olhar e enxergar o perfil da Mocidade”, explica Marcus.
E a alegria proposta pela escola parece ter ultrapassado as barreiras da Zona Oeste e do próprio Carnaval. Com um samba-enredo que se tornou hit de verão no Rio de Janeiro, o caju caiu nas graças dos sambistas e até de quem não acompanha os desfiles. A obra, assinada por Paulinho Mocidade, Marcelo Adnet e companhia, lidera, desde dezembro, o ranking carioca de músicas mais tocadas nas plataformas digitais de áudio. Com o estouro, rapidamente a tropicalidade independente foi parar nas rádios e até nos blocos de rua da cidade.
Para o carnavalesco, o grande sucesso do samba-enredo é essencial para o momento de retomada da escola e será um grande diferencial para o desfile. O artista também ressalta a importância de que isso se repita todos os anos para elevar o nome do espetáculo do Carnaval.
“A Mocidade tem se extrapolado de maneira muito natural. A gente faz carnaval porque o samba existe. Se somos uma escola de samba, acredito que ele tem que ser a primeira coisa erguida enquanto patrimônio da agremiação. Graças a Deus tivemos essa alegria e a popularidade do samba da Mocidade. Como artista do Carnaval, acredito que todos os sambistas devam torcer para que isso aconteça todos os anos, porque assim teremos o nome do carnaval carioca lá em cima. Tem sido um grande ânimo neste momento de retomada e recuperação da escola e estamos tratando este desfile com muita ansiedade e felicidade, por tudo que fizemos durante o ano. É um samba que está sendo cantado pelas crianças”, destaca.
Para um hino que atendesse a proposta do enredo, a direção de carnaval pontuou aos compositores quatro conceitos que vão marcar o desfile da agremiação: alegria, conteúdo, bom humor e sensualidade. A fácil leitura do enredo deixou a disputa de samba acirrada, mas resultou em um desfile que será coroado por uma obra que faz sucesso dentro e fora da Avenida.
“Quando fizemos a leitura da sinopse, lembro que houve um silêncio entre os compositores – não houve dúvidas. Essa fala direta que o enredo permitiu é algo que pontuo. O samba campeão atingiu o que a gente queria: a felicidade que a escola tanto precisa. Foi uma safra diversa e até difícil para a diretoria, mas a escola fez a escolha certa e o fruto disso é essa alegria que o samba tem transmitido nos ensaios e nas redes sociais. Ele é muito importante para o carnaval carioca, e ver meu trabalho ser coroado me deixa muito feliz e ansioso. Gera muita ansiedade para ver como isso se tornará real no desfile oficial, mas tenho certeza que será um sucesso. A Mocidade vai se recolocar como uma escola que não pode figurar na parte de baixo. Temos trabalhado o ano inteiro para isso”, afirma Marcus.
Enredo
Abrir a noite de desfiles é uma grande responsabilidade para qualquer agremiação. Por outro lado, a Mocidade foi a última escola a divulgar o enredo – o que, para o carnavalesco, possibilitou que a escola se diferenciasse das coirmãs. A ideia de falar sobre o caju, segundo Marcus, surgiu quando estava na praia e foi abordado por um vendedor de castanhas. De início, o tema causou estranheza, mas foi rapidamente abraçado pela diretoria e a comunidade.
“O vendedor me contou a história do caju em dois minutos. Achei muito bacana e subversivo, e acreditei que o enredo teria a minha personalidade e a da escola. Passei a ideia para o Fábio Fabato (pesquisador), que achou maravilhosa. É uma fruta subversiva e que desconhecemos a história. O caju acompanhou a evolução brasileira e está presente desde os nossos povos originários. Acredito que a Mocidade está escrevendo a história do caju para o mundo. É o entendimento e o passar da informação com historicismo, brasilidade, sensualidade, aroma, sabor e tudo aquilo que a fruta permeia”, detalha o carnavalesco.
O caju caiu como algo divino. A partir do trabalho de pesquisa, um dos pontos mais interessantes para a equipe foi a relação histórica entre a fruta e o país. “O que eu encontrei de mais interessante foi essa subversão que o caju nos dá. A fruta não é em si o corpo carnudo, é a castanha em si. É uma fruta que não é barata, nasce de cabeça para baixo e foi um dos primeiros produtos levados por Cabral em 1506. São vários atributos diferentes da nossa história – enquanto brasileiros – que achei um barato. Pensei em permear isso com todo o bom humor que a fruta carrega”.
Entre as diversas curiosidades sobre o desfile, o carnavalesco deu detalhes sobre o segundo carro alegórico: ele terá quase mil mudas de cajueiro, doadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa. Ao final, as plantas serão distribuídas para a comunidade independente. “É um cajueiro que eles estudaram e apropriaram cientificamente. É uma árvore que começa a frutificar daqui a um ano e meio”, explica.
Fácil leitura e linguagem popular
Marcus Ferreira está no mundo do carnaval há mais de 20 anos. Assinou seu primeiro trabalho como carnavalesco em 2009, na Intendente Magalhães, pela Mocidade de Vicente de Carvalho. Com passagens por agremiações da Série Ouro e até em carnavais de outros estados, se destacou no Império Serrano – em 2017 – quando levou a escola ao Grupo Especial com o enredo “Meu quintal é maior do que o mundo”, e na Inocentes de Belford Roxo – em 2019 – com o “Frasco do Bandoleiro”. No ano seguinte, estreou no Especial como carnavalesco da Viradouro, ao lado de Tarcísio Zanon, e garantiu o campeonato com enredo “Viradouro de Alma Lavada”.
Para ele, o popular é a característica em comum entre esses trabalhos e que não pode ficar de fora do desfile da estrela-guia da Zona Oeste. “Desde o acesso, trabalhei com vários temas regionais – no Império Serrano, na Inocentes com o ‘Frasco do Bandoleiro’ e também no campeonato da Viradouro com o Tarcísio. É uma marca que mantive, mas com essa nova roupagem da alegria e sensualidade que a Mocidade trará. Acredito que essa popularização das escolas de samba deve existir, e de início é o enredo. Quero manter essa leitura fácil, porque acredito que essa linguagem direta com o sambista é o que sempre tive e devo manter, mas sempre trazendo algo diferente”, revela.
Conheça o desfile da Mocidade
A Verde e Branca vai abrir a segunda-feira de desfiles e levará para a Avenida cinco alegorias, três tripés e um elemento cenográfico da comissão de frente. Ao todo, serão 25 alas e cerca de 3300 componentes.
Setor 1: Carne de caju: “Começamos com o tropicalismo, com a música que Caetano Veloso escreveu para Torquato Neto em homenagem a sua partida prematura. A canção refaz essa antropofagia, e a Mocidade apresenta o caju através do tropicalismo. Vamos refazer a nossa brasilidade mostrando que o caju é a nossa fruta nativa”.
Setor 2: Anacardium Occidentale: “A gente fala da lenda dos primeiros povos originários – os Tupis – em torno da fruta. Um velho sábio pajé, o Tamandaré, se apropriou da lenda das castanhas que eram utilizadas para contar os anos de cada indivíduo da tribo. É uma lenda mais lúdica em torno dos índios tupis, e que neste momento o invasor chega ao Brasil e leva um dos nossos primeiros tesouros – que é o caju”.
Setor 3: Caju-rei: “A gente valoriza o cajueiro em si, enquanto apelido de polvo que ele ganha. É a disputa dos maiores dois cajueiros do mundo: Delta do Parnaíba, no Piauí, e Pirangi, no Rio Grande do Norte. Existe essa disputa e que agora não sabemos qual é o maior. A Mocidade provoca e fala que não importa, porque o maior é brasileiro. É um carro mais marítimo, em que os cajueiros se apropriam dessa questão paradisíaca brasileira”.
Setor 4: Caju-brasuca: “É o caju artístico e como o melhor amigo do brasileiro. É o caju sendo pintado por Tarsila do Amaral e por Debret – que colocou o caju sem protagonismo em suas gravuras. A Mocidade recria esse imaginário da fruta como a melhor amiga do brasileiro. Tem xilogravura, Macunaíma, Tarsila do Amaral, Debret. A gente traz esse mosaico de brasilidade dos artistas que enxergaram e colocaram o caju na tela”.
Setor 5: Geleia geral: “A geleira geral que é ser brasileiro e caju. É o caju brasileiro no nosso cotidiano. Com muito sabor e estamparia, a Mocidade coroa a fruta como uma de nossas estrelas tropicais – o caju na moda – já que é a fruta do verão -, com drink e a batida mais quente ao final, que é a associação a nossa bateria. Encerramos essa apoteótica ao caju mostrando que ele é a nossa estrela tropical. A gente bebe da fonte da Mocidade de maneira muito feliz, apoteótica e de sigmas do caju no nosso cotidiano, para coroá-lo como nossa estrela tropical”.