Início Site Página 672

Freddy Ferreira analisa a bateria da Estácio de Sá no desfile

0

Uma apresentação excelente da bateria “Medalha de Ouro” da Estácio de Sá, comandada por mestre Chuvisco. Uma conjunção sonora impecável foi produzida, com equilíbrio e fluência entre todos os naipes. Bossas com bastante integração musical, em especial a com coreografia do refrão principal, levantaram o público do sambódromo por onde o ritmo estaciano passou.

Uma parte de trás do ritmo da Estácio com sua tradicional afinação de surdos mais pesada foi notada. Surdos de primeira e segunda foram precisos e firmes durante o desfile. Surdos de terceira contribuíram com um envolvente balanço. Assim como repiques de imensa qualidade técnica tocaram de modo integrado a um naipe de guerras esplêndido. Com sua peculiar batida com levada de partido alto, é possível dizer que as caixas estacianas simplesmente brilharam. A cozinha da bateria da “Medalha de Ouro” ainda contou com o auxílio luxuoso de atabaques, que atuaram tanto no ritmo, quanto em bossas.

A cabeça da bateria da Estácio apresentou um grande naipe de tamborins, que executou um desenho rítmico simples, mas eficiente, totalmente integrado ao belo samba-enredo da vermelha e branca do morro do São Carlos. Um naipe de agogôs com uma convenção baseada na melodia do samba contribuiu no preenchimento da sonoridade das peças leves, junto de uma ala de chocalhos de virtude musical, além de um cuícas seguras e coesas.

As bossas da Estácio se aproveitavam das variações melódicas da linda obra para consolidar seu ritmo. Destaque para toda a interação popular envolvendo a paradinha do refrão principal, onde ritmistas dançavam para um lado e para o outro, curvados, como se fossem “Vovó Cambinda” e “Vó Maria Conga”, atrelando a sonoridade produzida ao enredo da agremiação.

A apresentação para a primeira cabine (módulo duplo) foi simplesmente apoteótica, arrancando aplausos de todos os julgadores, além de deixar a plateia eufórica. Na segunda cabine outra boa e segura apresentação, embora menos impactante que a inicial. Na última cabine, com tempo próximo de estourar, só foi possível fazer uma única bossa, mas executada de forma eficiente e fechando com chave de ouro o grande desfile da bateria da Estácio de Sá, dirigida por mestre Chuvisco.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Inocentes de Belford Roxo no desfile

0

Um bom desfile da bateria “Cadência da Baixada” da Inocentes de Belford Roxo, no retorno de mestre Washington Paz. Um ritmo marcado pelo andamento confortável e equilíbrio entre os naipes. Com bossas bem integradas ao samba-enredo, a concepção criativa praticamente intuitiva auxiliou no ritmo produzido.

inocentes desfiles24 21

Uma parte de trás do ritmo com boa afinação foi notada. Surdos de primeira e segunda tocaram de modo seguro, assim como surdos de terceira contribuindo dando um bom balanço aos graves. Repiques ressonantes tocaram de forma interligada a um naipe de caixa de guerras consistente.

Nas peças leves, um naipe de tamborins com bom volume executou um desenho rítmico simples, que pontuava as nuances melódicas do samba da escola. Uma ala de chocalhos de nítida virtude sonoro também auxiliou no preenchimento da sonoridade da cabeça da bateria “Cadência da Baixada”. Assim como um naipe de cuícas seguro tocou com solidez.

Bossas com boa integração musical com o samba-enredo da escola de Belford Roxo, se baseavam nas variações melódicas da obra para consolidar o ritmo. O destaque ficou por conta do impacto sonoro provocado pelo bom balanço da bossa do refrão do meio. Sua concepção criativa bem intuitiva ajudou na conexão com o samba da agremiação.

A apresentação na primeira cabine (módulo duplo) foi correta. Já a apresentação na segunda cabine foi, sem dúvida, a mais segura e produtiva do desfile. E na última, mais uma boa e enxuta exibição finalizou o bom desfile da bateria “Cadência da Baixada” da Inocentes de Belford Roxo, sob o somando de mestre Washington Paz.

Estácio de Sá: fotos do desfile no Carnaval 2024

0

Camisa Verde e Branco: Fotos do desfile no Carnaval 2024

0

Barroca Zona Sul: fotos do desfile no Carnaval 2024

0

Inocentes de Belford Roxo: fotos do desfile no Carnaval 2024

0

Camisa Verde e Branco conta com ótimo conjunto musical para abrir desfiles do Grupo Especial de São Paulo

0

Por Will Ferreira e fotos de Fábio Martins

Doze anos após o último desfile no pelotão especial do carnaval paulistano, o Camisa Verde e Branco, enfim, cumpriu a promessa feitas nos longos anos no Grupo de Acesso I e homenageou Oxossi ao retornar para o Grupo Especial. Abrindo a primeira divisão da folia de São Paulo com o enredo “Adenla – O Imperador nas terras do Rei”, idealizado pelos carnavalescos Renan Ribeiro e Leonardo Catta Preta, a agremiação. contou com uma ótima apresentação da Furiosa, histórica bateria da agremiação e uma das mais celebradas da folia na maior cidade da América do Sul. O Trevo da Barra Funda, entretanto, teve dificuldades em outros quesitos na apresentação, encerrada em 01h02.

camisaverdeebranco desfile24 62

Comissão de Frente

Destaque nos ensaios técnicos da agremiação e intitulada “Os Súditos De Oxossi e o Pedido de Passagem Para As Terras Do Rei”, o segmento comandado por Gabriela Goulart já se destacou por não apresentar tripé algum durante o percurso no Anhembi. Com uma dança forte e expressiva, dois personagens ganham destaque – um representando Oxossi, outro fazendo o papel de Exu. Apresentando claramente o enredo da escola, com a entidade yorubá das florestas pedindo licença ao guardião (como relata o samba-enredo), o segmento, embora estivesse com menos impacto que nos ensaios técnicos, foi bastante seguro ao se apresentar e não teve erros a se apontar.

camisaverdeebranco desfile24 3

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Enquanto Alex Malbec fazia mais uma representação de Oxossi na avenida, Jessika Barbosa encarnou Oxum, esposa do orixá e tido como um dos casais mais importantes de toda a mitologia de religiões de matriz africana. No primeiro módulo, para sentir a passarela, ambos buscaram a segurança – e conseguiram. Nos segundos e terceiro módulos, entretanto, desafios aconteceram. Na hora em que ambos estavam se apresentando na segunda cabine, os ventos começaram a soprar (bem) mais forte que o normal, e Jessika sentiu a dificuldade para defender o histórico Trevo – uma enrolada parcial foi notada. Já no terceiro, eles seguiram evoluindo enquanto o restante da escola havia parado para não abrir espaços durante o recuo da bateria – e, novamente, com forte presença dos ventos. Buscando se recuperar, Alex e Jessika voltaram com giros mais morosos no último jurado – e conseguiram sustentar bem a dança em tal momento.

camisaverdeebranco desfile24 69

Enredo

Criticado inicialmente ao ser revelado, a história contada pelo Trevo ao longo de toda a avenida é, antes de mais nada, um reencontro da agremiação com si própria. Explica-se: doze anos depois, o Camisa Verde e Branco, nove vezes campeã do carnaval paulistano e quarta maior instituição em número de títulos no Grupo Especial, fez uma promessa quando ainda estava no Grupo de Acesso I. O comprometimento dizia respeito ao primeiro enredo ao voltar para o pelotão de elite, que deveria ser sobre Oxossi – orixá que guia os caminhos do Camisa. E assim foi feito. A temática, entretanto, também homenageia outras figuras – que, no desenvolvimento do enredo, são regidos pela entidade: Faraó Piye (primeiro líder negro do Antigo Egito), Mansa Musa (antigo imperador do Mali reconhecido como o homem mais rico dos últimos mil anos) e Adriano (ex-centroavante de Flamengo, São Paulo, Corinthians, Internazionale, Roma e Seleção Brasileira). Ao exaltar cada uma de tais figuras, a história foi bem desenvolvida ao longo de todo o desfile, com fantasias de fácil assimilação.

camisaverdeebranco desfile24 18

Alegorias

Todos os carros do Camisa estavam muito adequados ao enredo, e um dos momentos em que a agremiação mais mexeu com o público foi justamente durante a passagem de Adriano, um dos homenageados no enredo, na última alegoria. Sem erros de acabamento ou de execução, houve, entretanto, um grande pecado: no setor C, o abre-alas, que tinha dois chassis acoplados, desacoplou. Até o quarto módulo, apesar dos esforços para que os merendeiros tentassem o reacoplamento, tudo estava sendo em vão. O mesmo abre-alas, em alguns instantes, tinha algumas oscilações na iluminação – que, por ora, apagavam e reacendiam.

camisaverdeebranco desfile24 37

Fantasias

É bem verdade que as fantasias estavam com materiais simples e sem tantos luxos em costeiros e adornos, mas é necessário ressaltar o ótimo acabamento de absolutamente todos os agrupamentos do Camisa Verde e Branco. Não foram notados erros de execução ou de finalização, bem como houve uniformidade ao longo de todo o desfile. Também é importante ressaltar as duas últimas alas antes do último carro alegórico: a 15, das Crianças, “O Sonho de Meninos e Meninas”, com o uniforme da Seleção Brasileira estilizado com a camisa 7 (a utilizada por Adriano no auge da sua carreira, como na Copa do Mundo de 2006); e a 16, “O Campo de Batalha Para Vencer Na Vida”, com um campo de futebol estilizado em cada fantasia.

camisaverdeebranco desfile24 42

Harmonia

Ao longo de todo o desfile, foi nítido que a imensa maioria dos componentes estava cantando o samba-enredo de maneira evidente e uniforme – o que, por si só, já faz com que descontos na nota sejam difíceis na apuração. É importante destacar, também, que todas as alas, carros e segmentos apresentavam volume na passarela – o que colabora com o relato anterior. É necessário apontar, entretanto, que a empolgação da agremiação ao colaborar com o canto parecia menor que em ensaios de quadra e técnicos do Trevo visitados pela reportagem – o que, é bom frisar, não interfere na nota do julgador.

camisaverdeebranco desfile24 67

Samba-enredo

Das obras mais aclamadas do carnaval paulistano, a canção, composta por Biel, Fabiano Sorriso, Marquinhos, Aquiles da Vila, Salgado Luz, Tomageski, Chanel Rigolon, Diogo Corso, Marcio André e André Cabeça, teve ótima condução por parte de Igor Vianna – também dos intérpretes mais elogiados no ciclo do carnaval da cidade de São Paulo. Cantando Oxossi e seus filhos de maneira bastante animada e de forma leve, a canção ajudou bastante também na Harmonia, facilitando o canto dos componentes. Também vale destacar o desempenho da Furiosa, das baterias mais históricas da cidade de São Paulo, há anos comandada por mestre Jeyson Ferro, que sustentou muito bem a obra, teve ótimo desempenho nas bossas e contou com o característico toque da caixa rufada – citado, inclusive, no samba-enredo.

camisaverdeebranco desfile24 15

Evolução

A agremiação começou a apresentação de maneira bastante cadenciada, sem se apressar tanto. A chega da bateria ao recuo, por exemplo, foi acontecer com cerca de vinte e oito minutos – tempo pouco alto em comparação ao de outras coirmãs de grupos inferiores. A Furiosa, por sinal, optou por paralisar os movimentos em paralelo ao box, girar o corpo dos ritmistas de maneira uniforme e, só então, caminhar para chegar ao destino. O movimento durou pouco mais de dois minutos, e a agremiação ficou inteira sem se movimentar – com exceção do Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, como já relatado, o que causou um espaço maior que o normal entre eles a Ala das Baianas, intitulada “O Pássaro Raro”. No final da apresentação do Trevo, a agremiação acelerou discretamente o passo para não ter grandes problemas com o cronômetro – algo que não aconteceu.

camisaverdeebranco desfile24 46

Outros Destaques

Historicamente uma das mais aclamadas baterias de São Paulo, a Furiosa, comandada por Mestre Jeyson Ferro, usou e abusou das convenções na frente da Arquibancada Monumental – o Setor B. Foi, certamente, um dos pontos em que o Camisa mais fez o que mais sabe: mexer com o público. À frente dos ritmistas, por sinal, estava Sophia Ferro, a rainha, e um pandeirista.

camisaverdeebranco desfile24 59

Estácio de Sá celebra a rica cultura do povo negro na Avenida com o abre alas representando a “África- Congo-Angola”

0

Estacio Esp01001A Estácio de Sá mergulhou nas diásporas africanas e celebrou a rica cultura do povo negro. O desfile foi uma reverência às mulheres negras e à sabedoria transmitida por elas através da história, arte e fé, destacando o aprendizado e o letramento racial. O abre-alas representava a “África – Congo-Angola”, sendo a alegoria uma representação da força e da magia da nação Congo-Angola. Trazendo o leão, que é a grande marca da escola, e um carro todo vermelho em referência ao solo dessa região, com muitas palhas, os búzios e bem sofisticado, trazendo uma visão mais moderna da África.

Os componentes do abre alas em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO expressaram a emoção e orgulho, destacando a ancestralidade e a garra da comunidade, com a esperança de um bom desfile e a vaga no Grupo Especial.

Estacio Esp01002“Esse carro representa a ancestralidade, misturada com as cores da escola. Eu me apaixonei pela Estácio, frequentava as feijoadas e eu nunca saí. Está sendo uma experiência maravilhosa, eu acho que a escola fala dessa ancestralidade, mas ao mesmo tempo não tem esse peso da escravidão e eu espero que a escola faça um bom desfile, estou super ansioso. Esse carro é maravilhoso, está cheio de detalhes, esse vermelho muito atraente, ao mesmo tempo com essa ponte com a África, as palhas, os búzios e bem sofisticado, eu estou bem empolgado, espero que a Estácio faça um desfile brilhante”, comentou Márcio André Santana Vaz de 48 anos.

O leão que é um símbolo muito marcante do pavilhão da Estácio de Sá, como sempre conduzindo e apresentando a escola na Avenida, veio esse ano todo vermelho, com detalhes em branco, mostrando o vermelho que remete ao solo e representa as cores da escola.

“É, a escola está… Ela vai levar para a avenida o chão de ancestralidade, um chão muito forte, uma comunidade muito guerreira. E vovó Maria Conga, Cambinda que são as patronas da escola e a gente está nessa garra para a gente poder ir para o grupo especial. Esse carro significa muito, esse abre alas está lindíssimo, lindíssimo. O leão é maravilhoso, é a marca da escola, é o que vem na frente da escola e assim, e a gente não desfila sem esse leão, se não tivesse leão a gente não vai para a avenida. Eu estou estreando na Estácio, mas assim, é uma coisa de energia, uma energia muito boa. Tem um chão maravilhoso que me encantou e hoje eu estou aqui no abre alas representando essa comunidade maravilhosa”, contou Leonardo Marçal de 34 anos.

De Debret aos dias de hoje, Inocentes exalta a história dos camelôs na Sapucaí

0

Inocentes Esp01003A Inocentes de Belford Roxo trouxe para a avenida o enredo “Debret pintou, camelô gritou: Compre 2, leve 3! Tudo para agradar o freguês”, exaltando a figura dos camelôs e comerciantes ambulantes de todo o país. Trazendo a história desde os trabalhadores de ganho, e chegando aos camelôs atuais que encontramos na rua, nos ônibus, e trens, a escola de Belford Roxo homenageou cada trabalhador informal que aquece a economia diariamente.

O site CARNAVALESCO conversou com alguns integrantes da escola antes do desfile começar, onde eles falaram da importância dos camelôs no dia a dia, e também ao longo da história, citando sobre as fantasias das alas que representam.

“O camelô é uma coisa histórica no Brasil, desde o tempo do Brasil escravagista as pessoas estavam na rua vendendo, mercando, comercializando. O camelô não tem nada de novidade, o que tem hoje é um novo nome, e talvez a função dele hoje seja mais clemente do que antigamente, porque dava-se para sobreviver, hoje está muito mais difícil, tem muito mais restrições, licenças, uma série de coisas, mas é uma coisa necessária. É uma função que vale a pena ser mantida, porque todo mundo compra em camelô. Eu também compro”, contou Luiz Monteiro, ator, e desfilante na ala dos mercadores judeus. “As peças que nós carregamos simbolizam essa mercadoria que era vendida por eles: O tacho de cobre, as colheres de madeira, que é muito do comércio ambulante também”, concluiu ele.

“Eu acho que é uma fonte de renda, principalmente agora, no Carnaval, eu estava vendo uma reportagem falando que muitas pessoas ganham uma grana extra. Eu acho importante. Assim, todo mundo fala muito, mas eu não tenho nada contra, juro, até eu queria vender”, pontuou Eloisa Raimundo, desfilando pela primeira vez pela agremiação, que continuou falando que costuma fazer compras nos trabalhadores informais: “Compo! Acabei de comprar, com a minha irmã, cerveja. Não sei se eles são cadastrados, mas eu acho que é válido”. Sobre o desfile, ela vem na ala 8 representando os trabalhadores de ganho.

Inocentes Esp01001“A importância dos camelôs que estamos representando, é que são o início de toda parte comercial, porque se não tivesse sido eles fazendo isso, trazendo, popularizando, hoje nós não teríamos o comércio que nós temos.É impossível hoje em dia não comprar em camelô”, disse Luciano Feitosa, que desfila há cinco anos na escola da baixada, que continuou falando sobre a fantasia: “Eu venho na ala nove, do mercador chinês, que representa esses mercadores e produtos asiáticos”, ele finalizou.

“Hoje em dia a gente vê que tem um nível muito grande de desemprego no Brasil, então o trabalho informal é a fonte principal de renda de muitas pessoas, principalmente na baixada. Então trazer esse tema na Sapucaí ajuda a conscientizar outras pessoas da importância que a renda informal tem na vida dessas pessoas. Costumo comprar bastante neles, porque são muitas oportunidades, e a gente pensa ‘já tá aqui, na minha mão, praticamente’, então a gente sempre acaba comprando.”, falou Camila Menezes, professora que está estreando na avenida, na Inocentes. Ela vem na ala do Rapa – o bicho papão dos camelôs, e explicou sobre a ala: “A gente entende que existem muitas mercadorias que não são legalizadas, mas justamente ter essa conscientização, da importância que tem, e até facilitar a vida do trabalhador informal de ter acesso a mercadorias legalizadas, porque as pessoas estão em busca de se manter de uma forma honesta”, a desfilante de vinte e dois anos iniciou, “Então, eu acredito que essa questão da polícia correr atrás e tirar, e às vezes partir para violência, é uma questão muito complicada, entendeu?”.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Vigário Geral no desfile

0

Uma ótima apresentação da bateria da Acadêmicos de Vigário Geral, dirigida por mestre Luygui. Uma conjunção sonora de alto impacto sonoro foi exibida, com destaque para o peso das marcações e para as bossas conectadas ao samba-enredo da agremiação.

vigario geral desfile24 23

Uma bateria da Vigário com afinação de surdos acima da média foi notada. É possivelmente uma das baterias mais pesadas do grupo e que faz valer o peso das afinações em seus arranjos musicais. Surdos de primeira e segunda foram firmes e precisos durante todo o cortejo. O bom balanço envolvendo os surdos de terceira ficou evidente, tanto em ritmo, quanto em bossas. Repiques coesos e de qualidade tocaram integrados a um naipes de caixas de guerra bastante ressonante.

Na cabeça da bateria “Swing Puro”, um naipe de tamborins de nítida técnica musical executou uma convenção com certa complexidade, de modo firme. Tudo interligado com uma ala de chocalhos musicalmente fabulosa. Uma ala de cuícas segura auxiliou no complemento das peças leves, assim como agogôs executaram com segurança um desenho simples, mas eficaz.

Bossas que se aproveitavam das nuances melódicas do samba da Vigário embalavam o ritmo da “Swing Puro”. Com destaque para o balanço dançante e envolvente da paradinha da segunda do samba com levada repleta de nordestinidade. Além do molejo inestimável obtido na bossa do refrão principal, em ritmo junino, num arranjo que contou sobretudo com a impacto sonoro envolvendo a pressão dos surdos. Um leque de arranjos musicais denso e de invariável bom gosto, principalmente pela conexão praticamente intuitiva com a obra da Vigário Geral.

As apresentações em módulos foram seguras e precisas. Mesmo não entrando no segundo recuo, por causa do tempo apertado, ainda assim a exibição no último módulo foi a mais firme e contagiante, com os arranjos provocando impacto sonoro, graças à pressão dos surdos. A última apresentação deixou o clima lá no alto, fechando o ótimo desfile da bateria “Swing Puro” da Vigário Geral, comandada por mestre Luygui.