Por Luan Costa e fotos de Nelson Malfacini
A Unidos de Vila Isabel foi a terceira escola a passar pela avenida na noite de desfiles do Grupo Especial. Conduzida pela força e emoção da reedição de Gbala, a escola entrou na avenida com uma sucessão de quesitos bem defendidos e entrou na briga pelo campeonato. A força do enredo se provou a medida que a escola avançou na Sapucaí, assim como samba atemporal de Martinho da Vila que foi defendido com valentia pela comunidade, o início do desfile foi avassalador, emocionante e impactou o público presente. A comissão de frente trouxe a figura de Oxalá, o criador da humanidade, e as crianças, que representam a esperança deste mundo. Porém, o grande destaque da noite foi a técnica de desfile aliado a um canto explosivo. O único senão ficou por conta de falhas no efeito de luzes durante apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira.

Apresentando o enredo “Gbala – Viagem ao Templo da Criação”, desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros, a azul e branca recontou a história ancestral sobre a esperança de Oxalá pelas crianças. A agremiação terminou sua apresentação com 68 minutos.
Comissão de Frente
A comissão de frente coreografada pela dupla Alex Neoral e Márcio Jahú foi intitulada “Pra salvar a geração, só esperança e muito amor!”. A apresentação foi repleta de emoção, bom gosto visual, surpresas e utilização excepcional da luz cênica da Sapucaí. O enredo foi sintetizado de maneira exemplar, a apresentação expôs as mazelas do mundo, trouxe a representação de Oxalá e as crianças que são a esperança.

O início foi marcado pela presença de Oxalá doente e perturbado por aqueles que insistem em destruir, uma criança, que representou todas as crianças do mundo, encontrou Oxalá sendo perturbado por esses seres destrutivos e, através da sua inocência e do seu amor, livra o criador de seus algozes. Os emissários da destruição abandonam seu caminho, dando espaço ao florescer da criança. Todas as apresentações mexeram com o público, que foi ao êxtase com a presença das crianças.

Mestre-sala e Porta-bandeira
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira Marcinho Siqueira e Cristiane Caldas inovaram mais uma vez na Sapucaí, se no ano passado houve uma troca de roupa em frente aos jurados, no desfile desta noite, eles utilizaram uma fantasia com leds, eles iniciaram a apresentação com efeitos de iluminação que mostraram como a desordem está se sobrepondo à humanidade e à criação de Oxalá.

Porém, durante a apresentação, essa desordem foi substituída por uma iluminação dotada de poder e energia, passando, assim, a reproduzir uma espécie de centelha da esperança. A mudança de cor foi o ponto alto da apresentação, porém, um problema técnico fez com que a calça de Marcinho passasse apagada pelos setores seis e 10. A dança dosou a intensidade de Marcinho, com a delicadeza de Cris, a dupla, em plena sintonia, passou pela avenida com muito vigor e movimentos arriscados, mas que foram bem executados, como a pegada de bandeira invertida realizada pelo mestre-sala.

Enredo
A Vila Isabel levou para avenida a reedição do enredo “Gbala – Viagem ao Templo da Criação”, originalmente concebido em 1993 por Oswaldo Jardim, dessa vez teve a assinatura de Paulo Barros. O enredo contou uma história ancestral na Sapucaí, de fácil entendimento e com leitura clara, ele foi pautado sob a ótica das religiões de matriz africana: no início do tempo, o deus supremo Olorum delegou para o seu assistente Oxalá que ele criasse os homens. O mundo precisava de alguém que pudesse zelar por essa criação pelo mundo, como a gente conhece: as folhas, as plantas, os animais e as águas do mar. Mas, depois de algum tempo, o homem passou a tratar mal aquilo que ele deveria cuidar. Os orixás reuniram crianças de todo mundo para que elas pudessem ir ao templo da criação.

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Alegorias e Adereços
O carnavalesco Paulo Barros derramou novamente toda sua criatividade e talento na concepção do conjunto alegórico da azul e branca, ao todo, foram para a avenida seis alegorias e dois tripés, todas as características que fizeram do carnavalesco uma referência no quesito estiveram presentes nos carros da Vila, criatividade, surpresas, efeitos cênicos, elementos humanos, tudo contribuiu para a excelência visual.

O primeiro tripé apresentou o título do enredo e o símbolo da Unidos de Vila Isabel, a alegoria que abriu os caminhos foi intitulada “Quando acaba a criação, desaparece o criador”, ela retratou o caos e a ganância, dividido em dois chassis, o carro impactou ao simular um incêndio em plena avenida. A segunda alegoria, “E a inocência entrou no templo da criação…”, a alegoria apresentou alguns seres fantásticos habitantes do Templo. Na sequência, o tripé “O mundo fantástico das águas” transportou o público para o fundo mar, ao maior estilo Paulo Barros, uma grande baleia se movimentada no centro tripé e peixes adornavam, causando um ótimo efeito.

A terceira alegoria, “A natureza e seus encantos”, teve referência ao filme Moana. A alegoria que retratou a criação do homem foi aguardada por todos e entregou um ótimo conceito na avenida, sem componentes, o carro foi todo preenchido por manequins. O penúltimo carro, “Omolu – O valor da cura do corpo e do espírito” trouxe componentes coreografados encenando um ritual de cura e saúde com passos característicos do orixá. Para finalizar, a escola apresentou o carro “O sagrado batismo”, representou o sagrado batismo das crianças nas águas do Templo da Criação.

Fantasias
A Vila Isabel levou para a avenida 28 alas, característica de Paulo Barros, a fácil leitura dos figurinos foi mais uma vez observada, assim como efeitos especiais, como o visto na ala de abertura, “Fogo que Devasta as Florestas”, em que os componentes carregavam leques que simulavam a chama. Em detrimento do luxo, as fantasias da escola priorizam materiais alternativos, mas que em nada tirou o brilho do conjunto. A fantasia “Terra, Planeta Lixo”, “Cavalos Marinhos” e “Estrutura Muscular” são exemplos do uso de materiais que fizeram com que a leitura fosse clara.

Harmonia
Se existia alguma dúvida de que o samba reeditado de 1993 seria capaz de levar a comunidade a ter um canto explosivo neste carnaval, a resposta veio logo nos primeiros versos entoados pelo intérprete Tinga. O ritmo inicial foi avassalador, a escola entrou na avenida demonstrando um vigor impressionante, ao longo do cortejo o que se viu foi uma escola extremamente feliz, com o samba na ponta da língua e cantando com intensidade. A bateria “Swingueira de Noel” teve a missão de fazer com que o samba atendesse as características atuais de desfile e fez com maestria, a tão elogiada parceria com o carro de som comandado por Tinga mostrou mais uma vez que segue intacta.

Samba-Enredo
A obra original de Martinho da Vila tinha um grande desafio neste carnaval, apesar de ser um clássico do carnaval carioca, a reedição do mesmo poderia ser um risco, visto que o quesito samba-enredo mudou ao longo dos anos, porém, a avenida teve o prazer de presenciar novamente o hino imortalizado desta vez na voz de Tinga. Por ser um samba mais curto, havia o temor de que ele pudesse cansar, visto que a repetição seria maior, na verdade, a obra passou de forma avassaladora e mostrou que é atemporal.

Evolução
A Vila Isabel passou pela avenida tecnicamente perfeita, do início ao fim foi um desfile sem erros, a escola passou pela avenida com muita desenvoltura e organização, as alas, em sua totalidade estavam muito compactas e os componentes evoluíram com extrema organização, mas sem perder a espontaneidade. O único senão ficou por conta de um espaço maior que o normal em frente a bateria durante a apresentação da mesma no setor três.

Outros Destaques
A rainha de bateria Sabrina Sato veio representando a corrente sanguínea, a apresentadora que possui enorme identificação com a comunidade da Vila passou pela avenida aclamada pelo público.


Atravessar a Sapucaí homenageando uma baluarte do Brasil já é emocionante, quando essa baluarte é também da sua escola, a emoção transborda e haja concentração. Os componentes da Mangueira contaram ao site CARNAVALESCO a emoção de homenagear Alcione em vida e a relação de cada um com sua obra.
A voz de diversas canções de amor que emociona o Brasil há décadas, Alcione é uma unanimidade artística, todos conhecem ou, ao menos, sabem cantarolar um refrão da Marrom. Com os componentes do desfile da Mangueira, não é diferente.
A Elma Prudencio quase desistiu de desfilar este ano, mas quando descobriu que a Alcione seria enredo, ela logo se rematriculou na ala e veio desfilar.
Com o enredo “Gbalá – Viagem ao templo da criação!”, a Unidos de Vila Isabel foi a terceira agremiação a desfilar na Marquês de Sapucaí na noite desta segunda-feira de Carnaval. O abre-alas da escola foi batizado de “Quando acaba a criação, desaparece o criador”. Dividido em dois chassis, ele retratou o caos do mundo em meio aos problemas sociais e ambientais que, no contexto do enredo, adoecem Oxalá.
“O samba descreve que Oxalá está doente porque a sua criação adoeceu. O abre-alas retrata alguns dos males do planeta, mostrando o porquê do planeta estar doente. O material dele é uma base extremamente trabalhada para o sentido carnavalesco. Em resumo, é o ambiente de Oxalá, mas que está meio desgastado – já que no nosso enredo ele está adoentado. É um problema social, que é o rico e o pobre em meio a essa desigualdade – não só do Brasil, mas no mundo inteiro. E isso também causa o desgaste da natureza”, explica Paulo Barros.
“É um grande jantar, que tem pessoas do agronegócio, empresariado, milionários – os magnatas lá no topo. Enquanto a elite está lá em cima jantando, quem está embaixo come os restos. Iniciamos o desfile mostrando para a sociedade o que fizemos com o nosso mundo e o adoecimento de Oxalá em vista do que a sua criatura fez com a humanidade. O Paulo Barros foi genial, porque já começa o desfile dando um ‘soco no estômago”, disse Vinícius.
Já o segundo chassi da alegoria retratou os danos ao meio ambiente, como a floresta em chamas – um dos motivos para o adoecimento do criador. Na parte de trás do carro, os contornos de uma fábrica simbolizavam os impactos causados pelo consumo desenfreado. Composição do chassi, a influenciadora digital Anna Retonde, 25 anos, representou o fogo das queimadas.
O carnavalesco Paulos Barros apresentou, nesta segunda-feira (12), no segundo dia de desfiles do Grupo Especial do Rio, mais um Carnaval com a Unidos de Vila Isabel. O artista refez seu enredo de 1993, denominado “Gbala – Viagem ao Templo da Criação”, realçando o importante papel das crianças para criar um futuro melhor.
A narrativa retoma uma antiga lenda, interpretada pelas lentes das religiões de matriz africana, onde Olorum, a entidade máxima, confia a Oxalá a tarefa de moldar os seres humanos nas origens do mundo. Essa nova criação demandava cuidadores para suas belezas naturais, tais como a flora, a fauna e os oceanos.
Com o decorrer do tempo, a humanidade deixou de cumprir seu dever de proteger essas dádivas. Frente a esse descuido, os orixás convocaram crianças de várias partes do planeta para se dirigirem ao templo da criação.
A Vila Isabel foi a terceira escola a desfilar, nesta segunda-feira (12), no segundo dia de apresentação do Grupo Especial do Rio. A escola, com o enredo “Gbala – Viagem ao Templo da Criação”, no seu quarto carro apresentou a alegoria “A criação do homem”, representando o “corpo humano como uma criação de Oxalá”












A Vila Isabel foi a terceira escola a desfilar, nesta segunda-feira (12), no segundo dia de apresentação do Grupo Especial do Rio. A escola, com o enredo “Gbalá – Viagem ao Templo da Criação”, no seu terceiro carro apresentou a alegoria “A natureza e seus encantos”, representando a importância de cuidar da “mãe natureza”.
O carro trouxe signos da natureza, como a fauna e a flora. Predominantemente verde, a alegoria tem uma escultura central representando a mãe na natureza, inspirada no filme Moana. Animais ficam na parte de baixo do carro. A fantasia das componentes é uma flor roxa, com detalhes verdes e uma borboleta na altura do ombro.
A águia da Portela é um símbolo marcante não só para a Portela, mas também para todo o Carnaval, sua importância reside na representação da força, da nobreza e da tradição da escola, além de simbolizar a identidade cultural e a história do samba. A presença da águia nos desfiles e eventos da Portela reforça a conexão da escola com suas raízes e com o povo brasileiro. Além disso, a águia é frequentemente associada à liberdade e ao poder, agregando um significado ainda mais profundo à sua representação na cultura da Portela.
Viviane Costa Moura de 43 anos, desfila na Portela desde os seus 15 anos e contou a importância da águia e o ritual que elafaz todo ano antes de entrar na Avenida: “Eu achei que está maravilhosa, eu cheguei aqui e tive uma crise de choro, é linda, a Portela, ela toda África, faz todo o sentido. Isso aqui está lindo, traduz completamente o livro. E é lindo a gente resgatar tudo isso pelo carnaval, pela força que o carnaval tem, pela relevância que a Portela tem para a sociedade, para o Carnaval Carioca. Eu cheguei aqui, eu desfilo, sei lá, desde os 15 anos, eu cheguei aqui chorando e liguei para minha mãe que também é Portela da vida inteira. E a gente chorou junto. Esse ano eu estou na penúltima ala, estou na Paz e Amor. Eu venho na águia antes de me posicionar porque eu chego aqui na concentração todo ano e venho pedir bênção à águia e depois eu vou para pensar e começar o meu desfile, vai ser lindo.”
“Eu achei que ela está muito bonita, ela está diferente, não só pela palha, mas a estampa, as raízes na ponta da asa dela. É algo que todo portelense espera, o momento de ver a Águia e saber como é que a Águia vai ficar. E, graças a Deus, os meninos arrasaram. É o grande momento da Portela, só de ver eu já estou emocionada, quando começar o barulho, então, a gente começa a chorar. As expectativas para esse carnaval estão grandes, a escola está muito bonita, todas as fantasias, todos os carros. Eu acho que é para lavar a alma do portelense depois do último desfile. Eu estou na escola desde 2009, quando eu comecei a desfilar mesmo pela aula das crianças, mas eu estou na escola mesmo com a minha mãe desde que eu nasci, desfilei com a minha mãe na barriga, no caso.” Alexandra Cruz Martins de 24 anos, componente da ala dos Voduns, dos irmãos de nascimento.