Início Site Página 1235

Portela reúne torcidas organizadas do carnaval em ensaio show

0

A Portela vai promover nesta sexta-feira, 25, uma grande festa com as torcidas organizadas do carnaval. O evento começa às 21h e vai reunir torcedores de agremiações da Série Ouro e do Grupo Especial. Os ingressos já estão à venda pelo site: https://www.ingressocerto.com/sextou-portela-ensaio-show-portela-convida-uniao-da-ilhaencontro-das-torcidas-organizadas. Para animar ainda mais a noite, quem comprar uma mesa vai levar de brinde um balde de cerveja!

torcida
Foto: Diego Mendes/Divulgação

 

A Majestade do Samba abre a noite com seu show completo, com a participação de mestre Nilo e sua Tabajara do Samba, acompanhada pela voz inconfundível de Gilsinho. Além disso, teremos ainda a presença dos casais de mestres-sala e porta-bandeiras, Velha Guarda, baianas, passistas e participação de outros segmentos. Em seguida, as torcidas organizadas vão desfilar pela quadra acompanhadas pelos sambas de suas escolas, que serão interpretados pelo grupo Samba Enredo de Raiz.

á confirmaram presença a Nação Portelense, Família Portelense, Grito Altaneira, Guerreiros da Águia, Sangue Azul, SoberanoS, Raiz Mangueirense, Nação Mangueirense, Amigos da Águia, Nação Verde e Rosa, Independentes Mocidade, Família Tijucana, Apaixonados pela Santa Cruz, Guardiões da Águia, Explode Coração e Equipe Machine. Não fique de fora dessa!

Para participar do evento será necessário comprovar a vacinação contra a Covid-19. A comprovação poderá ser feita através do certificado de vacinação digital – disponível no aplicativo ConecteSUS -, pela caderneta de vacinação ou ainda pelo comprovante de vacinação, seguindo o calendário oficial do município, disponível em: https://coronavirus.rio/comprovacao/31196/ .

Serviço:

“Ensaio Show da Portela com encontro de Torcidas Organizadas do Carnaval”
Data: Sexta-feira, 25 de março
Horário: A partir das 21h
Local: Quadra da Portela (Rua Clara Nunes 81, Madureira)
Ingressos:
Ingresso Individual Antecipado– R$ 15,00
Ingresso Individual na Hora – R$ 20,00
Mesas – R$ 100,00
Camarotes Superior – R$ 600
Camarotes Inferior – R$ 400

Colorado do Brás é a atração do ‘ensaio turbinado’ nesta sexta no Rosas

0

A Sociedade Rosas de Ouro está promovendo ensaios pré-Carnaval com a presença de várias escolas coirmãs do grupo Especial e o próximo terá como atração a Colorado do Brás. O convite foi feito pela presidente Angelina Basílio, no último domingo (20/03), durante o esquenta do ensaio técnico da Colorado.

ensaio turbinado
Foto: Igor Cantanhede/Divulgação

“Estamos num ano átipico para o Carnaval por conta dos adiamentos causados pela pandemia do coronavírus, porém um ano muito especial para a nação Azul e Rosa que está vivendo o “Jubileu de Ouro”. São 50 anos de história, cultura e resistência e estamos convidando a querida Colorado do Brás para abrilhantar nosso evento na quadra”, afirma Angelina Basílio, presidente da Rosas.

Todo elenco da escola, ritmistas da Bateria Ritmo Responsa, coordenada pelo mestre Allan Meira, time de canto liderado pelo cantor oficial Chitão Martins, ala dos casais de mestres-sala e portas-bandeira, baianas, passistas e demais setores, estão presentes para esse encontro especial.

“Vamos fazer uma grande festa na quadra da Roseira. Aceitei o convite da presidente Angelina na mesma hora. Somos amigos, parceiros, estamos sempre nos ajudando e nossas comunidades são muito amigas. Será uma honra para nós poder festejar o cinquentenário dessa escola tão charmosa, que é uma referência para todos os sambistas e para o Carnaval do Brasil.”, declara Antônio Carlos Borges, carinhosamente chamado de presidente Ká.

Além do show da Colorado do Brás, a Rosas de Ouro ainda terá roda de samba com os compositores da casa com a participação especial dos amigos do “Samba do Tatu” e o pocket de MPB com a cantora Glaucia Nasser. A quadra social fica na Rua Coronel Euclides Machado, 1066, com abertura dos portões às 21h.

Serviço:
Onde: Quadra da Rosas de Ouro
Endereço: R. Cel. Euclides Machado, 1066, Freguesia do Ó
Quando: 25 de março (sexta-feira)
Horário: abertura dos portões a partir das 21h

Finalizada! Fábrica do Samba é totalmente entregue aos sambistas de São Paulo

867

Enfim, o sonho se concretizou. Com a presença de autoridades municipais e integrantes das escolas de samba, os sete barracões que faltavam ser concluídos na Fábrica do Samba da cidade de São Paulo foram entregues pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) em cerimônia realizada na manhã desta sexta-feira. O local, que já abriga sete escolas do Grupo Especial, nas próximas semanas será ocupado pelas demais agremiações que desfilam na elite do Carnaval paulistano em 2022.

fabrica inaugurasp1
Fotos: Lucas Sampaio/Site CARNAVALESCO

Sambistas comemoram a conclusão da Fábrica do Samba: ‘um sonho’

O clima era de euforia entre os sambistas que marcaram presença no evento, que contou também com a participação da bateria da Águia de Ouro. Os ritmistas conduziram até o palco o prefeito, seu casal de mestre-sala e porta-bandeira e a côrte do carnaval ao som dos seus instrumentos. Questionado sobre a importância da entrega dos barracões, o cantor Tobias da Vai-Vai exaltou a história do carnaval paulistano até chegar neste momento.

“Tudo isso é amostra da preocupação do poder público, do reconhecimento do poder público com a nossa cultura. Esse trabalho que vem de lá trás dos nossos ancestrais, das sementes que eles plantaram. Quem diria. É viver um sonho estar com essa estrutura toda”, disse.

fabrica inaugurasp2

A presidente da Rosas de Ouro, Angelina Basílio, era a cara da alegria no palco, e falou para o site CARNAVALESCO com bastante otimismo sobre o futuro do carnaval paulistano.

“Você ter um galpão de 8 metros, com todas essas instalações, almoxarifado e todos os itens de segurança. Todos os ateliês aqui. Aqui é o futuro. A Fábrica do Samba vai ser um dos maiores polos turísticos e culturais de São Paulo e do país inteiro. Além de ter os barracões de alegorias, vai ter show, exposições e outros eventos aqui dentro. Estou muito feliz. Estou há 50 anos no carnaval, 50 de Rosas de Ouro. Aqui é um sonho que se tornou realidade”, comentou.

As palavras de Angelina dão o tom da expectativa de que o Carnaval de São Paulo alcançará um outro patamar de excelência. “Aqui é um barracão adaptado, adequado, para que sejam confeccionadas as fantasias e as alegorias”.

Gratidão e ‘coragem’ fazem parte dos discursos dos presidentes da Liga e da Câmara

Em discurso realizado durante o evento, o presidente da Liga-SP Sidnei Carriuolo relembrou a trajetória percorrida até a conclusão das obras. “Gostaria de agradecer ao prefeito por concluir essa obra. Nós sambistas sabemos como é importante se fazer um desfile com paridade. Estamos dando um grande passo, e isso vai fortalecer o carnaval, quando todas as 14 escolas do grupo especial estiverem nesse espaço para fazer aquele trabalho maravilhoso. É uma luta que vem de vários anos. A gente espera retribuir na cidade de São Paulo com um carnaval maravilhoso. Sabemos o quanto está difícil fazer o carnaval esse ano, mas a vida está voltando ao normal e se Deus quiser, daqui pra frente, será muito melhor do que era antes”, disse.

fabrica inaugurasp3

O presidente da Câmara Municipal, vereador Milton Leite (DEM), exaltou a “coragem” da prefeitura, além de falar da importância da Fábrica do Samba para o carnaval da cidade. “Para investir no carnaval na pandemia tem que ter coragem. Para realizar essa obra, estávamos em dificuldade. O recurso federal não foi passado, e tivemos que fazer um apelo ao prefeito. Hoje temos uma casa de cultura. A Fábrica do Samba é uma fábrica de sonhos. É um espaço digno que traz o carnaval de São Paulo para outro patamar”, discursou.

‘Não sei sambar, mas sei cantar’

Com direito até a uma roda de samba improvisada, o prefeito Ricardo Nunes iniciou seu discurso brincando com os sambistas que estavam próximos ao palco. Chamou os icônicos cantores Ernesto Teixeira e Tobias da Vai-Vai para cantarem junto com ele versos de ‘O Samba da Minha Terra’, de Dorival Caymmi. “É um momento muito importante para a história da cidade de São Paulo, para nosso estado e para o nosso país, onde as imagens são transmitidas para o mundo todo. Vocês têm uma participação muito importante para a imagem, da visão que o mundo tem da nossa cidade”, exaltou o prefeito.

fabrica inaugurasp4

Ao falar sobre o andamento das obras, Nunes criticou o Governo Federal por não cumprir com sua parte no envio de verbas. “Tem momentos na vida que precisamos bater a mão na mesa e decidir. A obra era feita com recursos do Governo Federal e do municipal, e em um certo momento que até o momento desconhecemos o porquê pararam de vir os recursos federais. A obra foi ficando parada, se degradando e a gente com a necessidade de entregar essa obra. A gente optou por colocar recursos da prefeitura para concluir a obra, e hoje estamos entregando para vocês”, declarou.

Entrevistão com Luis Carlos Magalhães: ‘Meu grande orgulho é você encontrar uma Portela democratizada’

0

O presidente Luis Carlos Magalhães já está marcado na tradicional escola de Madureira ao tirar a Águia de um jejum de mais de 30 anos sem títulos, com a conquista do carnaval de 2017. Chegando ao final de seu segundo mandato, após muitos desafios, entre eles, ter substituído uma presidente com tanto apelo e respeito do portelense, como Marcos Falcon, Luis Carlos conversou com o site CARNAVALESCO.

portela abertura carnaval 22

Ele falou sobre sua relação com o portelense, o pagamento de dívidas, a democratização da escola, seus projetos para o departamento cultural da Liga do Grupo Especial, ao qual é diretor cultural, sua relação com os carnavalescos de renome que passaram pela Portela nos últimos anos, a frustração com o resultado do último carnaval, além das ações programadas para o centenário da Azul e Branca de Madureira em 2023.

O seu mandato está acabando, qual o balanço que você fez dessas duas gestões na Portela?

Luis Carlos Magalhães: “Eu posso começar pelo meu orgulho. Claro que a vitória no carnaval é o mais importante de tudo. É o mais emocionante, é o mais inesquecível, é o que vai botar meu nome nessa confusão toda. Mas, o meu grande orgulho é você encontrar uma escola democratizada. Se você concorrer, dentro das normas estatutárias, e tiver um voto a mais do que eu, você vai me derrotar! E mais importante do que isso, você vai governar. Que é diferente! Uma coisa é você ganhar, outra coisa é você governar. Estou falando isso em geral. Esse é o meu maior orgulho. Eu acho que o mérito que eu tive nisso foi, que é muito difícil você substituir um presidente. Ainda mais substituir um presidente como o Falcon. Com a liderança que ele tinha, com o carisma que ele tinha. Se você tem algo contra a escola, você bate lá na minha porta que eu vou ouvir. Então, foi muito difícil essa virada. Você administrar democraticamente, dividindo responsabilidades. Eu conquistei o que eu conquistei na minha vida pessoal fazendo isso, administrando democraticamente. E a pacificação da escola. Quando eu entrei havia treze brigas importantes. Não eram brigas de duas passistas no banheiro, não! Eram brigas de pessoas importantes da escola em cima do palco. A transição Falcon para mim, que foi uma transição muito difícil, por mais que se dê todo o mérito ao Falcon de ter recolocado a Portela no trilho, era uma situação difícil, porque eu não sou o Falcon, somos completamente diferentes. A questão da quantidade de dívidas que nós pagamos, das negociações que nós estamos fazendo. O IPTU nunca havia sido pago. Nós fizemos uma negociação. Dívidas é claro que a escola tem, mas todas administradas, a gente sabe quem a escola deve, quanto deve. E por fim, manter essa marca, a Portela é uma escola de ano inteiro, não sou eu que digo isso não, é uma ideia da administração, o ano inteiro você tem que ter Portela, e incentivando as atividades do departamento cultural que foi muito prejudicado pela pandemia, dando força a todos os sambistas de fora daqui, nos consulados. E o Monarco, que estava feliz, ia de tarde para sua salinha. A gente saber que nossa administração estava agradando o Monarco, isso é uma grande virtude nossa.

portela abertura carnaval 20

Você viu de dentro da escola de samba e antes era comentarista. A realidade é muito diferente quando a pessoa vive ativamente o dia a dia de uma escola?

Luis Carlos Magalhães: “É uma outra realidade, tem coisa que eu não aguento ouvir, tem coisa que eu não aguento ler. Claro que tem muita coisa boa, que houve uma renovação muito boa. E deve haver sempre. Mas, tem coisas que chega a doer. ‘Ah, porque a Portela fez isso e isso’. Pô, mas eu paguei do meu bolso (risos), entendeu? Mas tem coisa que chega a doer. Até porque a crônica carnavalesca é lugar de muito maluco, não é a crônica carnavalesca não, a comunicação carnavalesca. É uma coisa muito maluca. O cara lá da Bahia pode xingar sua mãe que você nunca vai encontrar com ele (risos). Então, o cara fala ali o que ele quer. Mas, o bom é não ver. Eu não vejo. Quando tem alguma coisa mais complicada, porque tem as vezes, aí a minha mulher me passa, eu olho e tal. Mas, é difícil você ficar olhando aquilo ali”.

O que representou para você o título de 2017?

Luis Carlos Magalhães: “Para mim é engraçado, porque eu nunca tive esse sonho de levar a Portela ao título, eu nunca achei que eu ia ser presidente da Portela. Eu nunca achei nem que eu ia ser diretor cultural. Como eu nunca achei que ia ser benemérito da Liesa. Eu estava satisfeito com o CARNAVALESCO (era comentarista do site). Uma coisa que me orgulha muito, é as pessoas me cobrarem que eu volte. Eu já fui padrinho de criança de leitor meu. Aquilo deu certo mesmo”.

Doeu muito ficar fora das campeãs em 2020?

Luis Carlos Magalhães: “ Ah, doeu! Doeu porque a escola estava muito bonita, cara. Foi um dos carnavais mais bonitos que eu vi da Portela. Claro que tem a questão técnica do julgamento, que é ali na sintonia fina. O cara achou isso. Claro que a comissão de frente não foi bem. Aquela coisa do Gilsinho até hoje eu não sei o que ele achou ali no carro de som. Até hoje eu não sei. Alguma coisa das fantasias. É uma questão pessoal. Eu acho que o julgamento não tem solução. Ah, se discutiu muito agora se fecha os envelopes no domingo e fecha depois na segunda, acho que nada disso é solução. Qual é a dificuldade toda? Acho que é uma coisa muito pessoal. Então, não adianta”.

portela ensaiotecnico2022 10

Os portelenses questionam demais a comissão de frente ser o “calcanhar de aquiles”. Por que é tão complicado esse quesito para Portela?

Luis Carlos Magalhães: “Essa é uma pergunta que eu não consigo responder. Não consigo responder. Teve até comissões de frente que eu achei legal. Isso, porque isso também faz parte da maluquice do carnaval. Você vê, o Carlinhos de Jesus ganhou prêmio, e tirou nota baixa dos jurados. Quando eu vi que o nosso ‘calcanhar de aquiles’, que o nosso pavor, que é a comissão de frente, aí vi que a comissão de frente ganhou prêmio, eu falei ‘somos campeões’. Veio aquela surpresa que foi aquela nota, foi o primeiro carnaval dele, nós mantivemos o Carlinhos, mas é o ‘calcanhar de aquiles’. Esse ano também. É sempre um problema. Agora, vamos ver como vai ser. Não sei te responder isso, só sei que é o ‘calcanhar de aquiles’ “.

Vamos falar de disputa de samba-enredo. Todo mundo tem uma polêmica. É muito difícil ter um novo modelo e que no fim o samba campeão seja o consenso geral?

Luis Carlos Magalhães: “Mas consenso geral de quem? O que é consenso geral? Nós dois, nós três? Não há isso. A escolha de samba-enredo tem que ser, ou deveria ser uma escolha técnica. Não emocional. Ah, então vamos fazer três concursos? Vamos escolher um samba-enredo que a gente leve para casa, abra uma cerveja e uma sardinha frita para ficar escutando. Aí é um samba-enredo. Eu fiz isso com aquele samba do Martinho de 2010 do Noel Rosa, que foi um polêmico samba-enredo também. Então, eu não gostava. Rapaz, até que um dia eu entrei em uma roda de cavaco, aquele samba cantado no cavaco, só o cavaco, falei ‘que maravilha’. Mas esse é o samba para você ouvir comendo uma sardinha e tomando uma caipirinha. Tem um outro samba que invade a sua alma como é o ‘Sinha Olímpia’. Esse samba não tem uma vez que eu ouça que eu não me emocione. Como é o samba mais político de todos que eu conheci na minha vida, que foi o da Mangueira de 1988 ‘Liberdade, Ilusão’. Aquilo é o samba mais impactante politicamente, até hoje, eu não sei se vai ter outro. Que diz a verdade exata. Você tem o ‘ Kizomba’, que te pega como um furacão. Você tem o samba da Portela de 1985 ‘Gosto que me enrosco’, que me emociona para caramba. Você tem o samba do André e do Bocão ‘Muito prazer eu sou a Vila’, que me remete a minha infância em Vila Isabel. Esse é o samba que eu levaria para uma ilha deserta, para ficar ouvindo até morrer. Agora, é uma coisa muito pessoal também. Uma coisa é você escolher um samba, ter um samba preferido para ir para arquibancada e ver aquilo tudo. O carnavalesco tem uma visão diferente da sua, porque ele quer ver o enredo, ele está vendo as fantasias, a carnavalesca também, o Nilo Sérgio está pensando qual é o samba que favorece fazer umas bossas, o Gilsinho pensa ‘Ih mas esse samba vai cair aqui’, e você está todo emocionado. E ele vai para casa já pensando o que vai fazer para melhorar o samba, e ele faz mesmo, ele é danado. Então, tem uma porção de condicionantes para você escolher o samba. E, por outro lado, tem a questão do compositor, que existem compositores que acham que o samba deles é melhor. Tem outros que tem certeza (risos). É difícil. É difícil você aceitar, mas tem que aceitar. É democrático”.

lcm

Incomoda para você que é apaixonado por samba-enredo ter os problemas com Noca, Marquinhos de Oswaldo Cruz e agora o Samir e Neyzinho?

Luis Carlos Magalhães: “Vou dizer qual é a filosofia da coisa. Eu vou sempre às reuniões de compositores e o que eu digo é o seguinte: o dia que eu quiser fazer uma escolha de samba-enredo em paz, tranquila, eu vou fazer lá no mosteiro de São Bento. Agora, não é assim. A vida do sambista não é assim. Então, vamos fazer na Portela, vale tudo! Só não vale três coisas: ofender, agredir e tentar agredir. Todo mundo sabe disso e todo ano eu falo isso. E o que que houve lá naquela primeira briga? Houve agressão. Houve tentativa de agressão comigo. E, houve caso de expulsão, houve caso de suspensão e houve caso de cortar prêmio. O futuro a gente não sabe, porque, agora é o centenário da escola. O compositor da escola ser afastado no momento de fazer o samba do centenário é uma punição brava, complicada”.

Você trabalhou com Paulo Barros, Rosa Magalhães e Renato e Márcia Lage. O que pode falar da relação de trabalho com eles?

Luis Carlos Magalhães: “Eu diria que isso para mim, para um cara como eu que tem a cabeça que eu tenho, a minha cabeça é voltada para emoção e cultura, o melhor de tudo é conviver com o artista. Não é você acompanhar o artista e bater palma para ele da arquibancada. É você viver o momento da criação. É diferente de você ver o serviço pronto. Você não imagina quando uma pessoa tem uma dificuldade e apresenta solução para aquilo. Isso que difere o artista de eu e de você. É muito bom ver o Paulo Barros fazer isso, a Rosa Magalhães fazer isso, ver agora o Renato e a Márcia fazendo isso. Eu digo que é o melhor momento. Agora, há as dificuldades também. Até hoje, o portelense não perdoa pelo desfile da Clara Nunes não ter sido campeão. Foi um momento muito difícil isso. Esse embate do presidente com a carnavalesca. Que aí, você tem que entender que o artista é ela. Agora, quem sabe do resultado que a comunidade quer sou eu. Então, a visão que a Rosa tinha da Clara Nunes, não era a visão que a escola tinha. A visão do artista era diferente da do sambista. A Rosa entendeu de botar ali um pouco da semana de arte moderna. E, isso ficou bonito, ficou, mas não era 100% Clara Nunes como o pessoal queria. Isso até hoje (risos), me cobram. E o desfile ficou bonito pra caramba, eu me emocionei, vejam aquele desfile. Agora, aquela era a Clara da Rosa, mas não era a Clara da Portela”.

lcm

Na sua cabeça e do seu grupo, qual é a ideia para a eleição na Portela?

Luis Carlos Magalhães: “Como todo concorrente a ideia é ganhar (risos). Eu gostaria muito de manter o trabalho, porque a Portela é complicada, e a Portela fica em Madureira que é um baú de ouro, e você sabe que hoje as escolas estão sofrendo influências. Da outra vez eu ia concorrer com o Escafura, ele ia bater chapa comigo, e nós entendemos que o importante era fortalecer a Portela. E assim fizemos. Ele abriu mão da candidatura dele para mim, em função das circunstâncias que ele também concordou, e agora é outra realidade, vamos esperar passar o carnaval, já vamos começar, mas a ideia nossa, nós não estamos falando em nomes. Vai chegar um momento que nós vamos sentar e ver qual é o melhor nome”.

Após sua saída da presidência o Luis Carlos Magalhães volta a ser comentarista ou vai descansar?

Luis Carlos Magalhães: “Eu não gostaria mais de comentar carnaval. Não sou nenhum garotão. Você ficar a noite inteira acordado, porque de manhã você não dorme, tenho filho pequeno, pô! Tem claridade, você não dorme. Eu tive que abrir mão, eu desfilei no Cordão do Bola Preta 25 anos seguidos. Então, eu tive que abrir mão porque não dá para você ficar comentando carnaval do Acesso, se você tem que acordar no sábado de manhã e você tem que chegar lá cedinho. Olha que eu tinha regalia pela minha história, pela relação que eu tenho com o Bola Preta, eu tenho regalia de ir lá em cima. Eu chego ali (risos), um segurança daqueles enormes me pega pelos fundilhos e me põe lá em cima. Mas, eu tinha que acordar muito cedo e aí você acaba perdendo. Então, eu não gostaria, agora, podemos discutir alguma outra coisa (risos)”.

lcm coluna

Você é diretor cultural da Liesa. Como melhorar e trazer o sambista para mais perto do carnaval nessa parte cultural?

Luis Carlos Magalhães: “Isso aí também é uma coisa complicada de se entender. Porque, eu quando vim para cá, para ser diretor cultural, eu achei que eu ia fazer o que a equipe de direção cultural fazia na Portela. Que a minha praia é a área cultural. Nós fizemos um trabalho ali, de primeira. Elogiadíssimo. Quando eu vim para cá, eu constatei que aqui não é o departamento cultural. Aqui é um departamento de documentação. É muito diferente. A gente tem que documentar o carnaval, abrir isso aqui para pesquisadores, não é exatamente um departamento cultural. A Liesa é muito para dentro, a Liesa é das 12 escolas. Ela está ali representando o interesse das 12 escolas. E, ela faz tudo nesse sentido. Estou conversando aí com a diretoria nova, com os meninos, com o Pedro e com o Helinho, com o Perlingeiro (Jorge) também, para a gente fazer alguma coisa para fora. Ali tem um auditório lindo, quais são os projetos que eu tenho, que eu preciso amadurecer? Por exemplo, agora seria hora de você chamar o Leandro, por exemplo, da Mangueira, botar em uma mesa, ‘Ô Leandro, o que você quer do carnaval da Mangueira? Pegar o puxador da Mangueira e cantar o samba. E os compositores. Você fazer uma imersão em cada escola. Entendeu? Eu acho que isso seria bonito para caramba. A outra coisa é você no período fora do carnaval, pegar livros, por exemplo, o Simas (Luiz Antônio), escreveu um livro sobre não sei o que, o Leonardo Bruno escreveu um livro sobre não sei o que, o Felipe Ferreira também, traz aqui, faz um ‘happy hour’. ‘Olha Felipe, porque você falou sobre isso? ‘Ô Léo Bruno, porque você falou sobre isso’? Como você pesquisou isso? E botar o livro para vender ali, para eles ganharem o dinheirinho deles. É isso que eu pretendo fazer em termos de Liesa. A outra coisa é fazer uma coisa que é um sonho, que é fazer uma coisa mais moderna de comunicação com o desfile com quem está ouvindo, vendo o desfile, do que está se passando ali. É mais ou menos o “Roteiro dos Desfiles”, do Marcos Roza, aquilo ali é uma beleza, é um livreto. Se você é um aficionado, você quer saber detalhes. A ideia é fazer uma coisa mais moderna, mais comunicativa do ponto de vista da ciência e da informática. É difícil, mas vamos perseguir essa ideia. Eu queria também, mas é uma coisa pessoal, fazer também, cursos de história do samba lá para a Intendente. Só para os desfilantes, de graça. Quem sabe a Liesa dá um certificado. Às vezes você pega um garoto deles lá e ele não sabe quem foi Cartola. Eu dou aula disso em pós-graduação, e as pessoas ficam encantadas com aquilo. Você precisa levar esse tipo de informação para as pessoas, para que elas se orgulhem disso, projeto tem para caramba”.

Falando em finanças. A pandemia foi avassaladora. Qual foi o tamanho do impacto para a Portela?

Luis Carlos Magalhães: “Olha, impactou. Aí também a Portela é diferente, porque a Portela são gerações. De repente você barra um cara no camarote que está cheio pra caramba no camarote, só cabem 30 pessoas, e o ar-condicionado pifa. Aí vem uma pessoa que você barra e ele fala assim ‘quem é você para me barrar? Você sabia que eu sou neto do Tinhãozinho de Oliveira?’. Entendeu? Se você deixa essas pessoas não receberem, é diferente de não deixar uma pessoa que você não conhece. É a mesma coisa, mas é diferente. Porque aí tem uma pressão familiar. Teve esse impacto de a gente deixar o nosso pessoal sem pagamento durante um tempo, mas nós pagamos, atrasado, mas pagamos. Até de ajuda que nós recebemos para a escola, nós tiramos um pedaço para pagar o pessoal, dividimos ali direitinho. O impacto absoluto de ter perdido tantas pessoas e pessoas tão queridas, tão importantes para a escola. Esse foi o impacto, o mais é adaptação porque a gente acaba se adaptando. Ficamos com a quadra fechada, não podia ter feijoada, não podíamos alugar, vender os nossos shows. Isso, financeiramente, foi muito ruim. Agora, a gente vai se adaptando. Tá aí, o carnaval se fosse em fevereiro, a Portela estava pronta. Não sei se todas estavam, mas a Portela estava pronta”.

Sem o apoio público é impossível fazer um desfile competitivo?

Luis Carlos Magalhães: “Sem dúvida, e eu acho que tem que ser assim mesmo. Eu acho que uma coisa é o carnaval de Porto Alegre, aí a prefeitura dá uma ajudazinha, outra coisa o carnaval de Maceió, a prefeitura ajuda, bota uma decoração ali, agora o carnaval do Rio de Janeiro transcende a cidade. Ele alcança o Brasil e ultrapassa as fronteiras do Brasil e vai para o mundo inteiro. Tem que ser uma festa desse tamanho. Não adianta dizer que o carnaval é a maior festa do Brasil, que os desfiles de escola de samba são a maior festa do Brasil, e você não dá a estrutura que a escola precisa. Acho que tem que ter ajuda federal, estadual e municipal, não precisa ser muito não, precisa ser mais regular do que quantitativo. Você precisa saber que em março você vai receber tanto. Junho você vai receber tanto, novembro você vai receber tanto, e janeiro, se você receber isso, você pode planejar. Agora, como foi no tempo do Crivella, você ligava para a Rosa Magalhães e falava ‘Rosa nós vamos te pagar tanto’. Aí quando chegava em junho ele dizia que não ia pagar nada. E, eu tinha que dizer para a Rosa ‘olha, Rosa, eu tava brincando hein’ (risos). Tá entendendo? Era uma maluquice. Para ser um desfile na dimensão do que é dito sobre ele, do que ele atrai de turismo, do que ele fortalece a rede hoteleira, do que ele traz de recurso para a cidade, é preciso que seja uma festa de verdade. Não pode ser uma festa só popular. Porque a gente tem que ter banheiros limpos, tem que ter as alegorias firmes, as fantasias bonitas, os artistas bem pagos, aí precisa de dinheiro”.

lcm pavao portela

O que sentiu quando adiaram os desfiles de fevereiro para abril?

Luis Carlos Magalhães: “Eu me senti muito contrariado. Porque uma coisa é o leigo, outra coisa é um ser bem informado. Na Portela nós tínhamos isso. O nosso vice-presidente, diretor de carnaval, Fábio Pavão, se eu quiser saber alguma coisa sobre pandemia, eu ligo para a casa dele. Porque ele sabe tudo. Aqueles números, vai ter essa progressão aqui. Ele sabe isso tudo. Nós achávamos que podia ter o carnaval em lugar fechado que você tivesse controle como tem na Portela. Você quer fantasia? Cadê a vacinação completa? Aí ela ganha fantasia. E, no carnaval também tem que ter isso, tanto para quem vai desfilar como para quem vai vender guaraná, cafezinho, sanduíche. Nós acreditamos que no carnaval poderia ser feito isso. Carnaval da Sapucaí, carnaval de escola de samba. Agora se decidiu isso, a plenária das escolas de samba com os técnicos, médicos da prefeitura, vai ter desfile porque está seguro. Conclusão, o que era seguro não vai ter, e o que não era seguro, vai ter. Como é complicado você ser o prefeito em uma hora dessas. E a gente sabe, nós que estudamos o carnaval, que é o enredo da Viradouro, toda vez que o carnaval é adiado, ele acontece duas vezes. A gente está careca de saber disso. Como vai segurar um bloco de Benfica? Você segura um bloco de Ipanema que você conversa, agora um bloco de Benfica, de Cascadura, do Morro do Pinto vai sair. Vai ter festa fechada. Como tem jogos de futebol, como tem as raves, como tem festa da Anitta, o problema, é que quando é o poder público, ele pode dizer para não ter. Estabelecer multa, mas o particular não, ele chega e faz. É muito complexo isso tudo”.

Com o falecimento do Monarco a Portela ficou sem presidente de honra. Terá alguma eleição? E quem você gostaria de indicar para assumir?

Luis Carlos Magalhães: “Nunca teve eleição. É uma coisa natural. Não pensamos ainda, que é muito recente. Assim chutando aqui, estou pensando nisso agora, nesse momento, porque eu estou com ela na cabeça, que é Dona Olinda, de repente a gente convida Dona Olinda para ser a presidenta. Não sei, isso aqui eu estou inventando agora. Pura maluquice minha. Mas não estamos pensando em fazer eleição, pode ser que surja naturalmente o nome. No passado nós tínhamos muitos nomes, hoje os grandes pais fundadores da Portela estão mortos, um dos últimos foi o Monarco, ainda que não seja um pai fundador, mas é um carregador, é um homem que se atribuiu a missão de contar a história da Portela, de seus baluartes, pela importância que ele tinha diante de nós. Ele foi um nome natural”.

Por fim, o que espera do ano do centenário portelense, o que a escola pensa de ações durante o ano e o que não poderá faltar no enredo?

Luis Carlos Magalhães: “ Olha, não pode faltar Portela (risos). Isso é complicado. Portelense é um bicho danado porque você faz um samba de terreiro, um samba do cotidiano, do dia a dia ali da escola, dos casos, dos romances. Outra coisa é o samba exaltação, que você fala do Paulo (da Portela), do Caetano e do Rufino, fala do Candeia, não adianta, você explicar para os caras, samba de terreiro, é samba de terreiro, porque todo mundo faz samba exaltação. Só fala da Portela. Se acontece isso com o samba de terreiro, imagina no samba do centenário. Não pode o cara chegar e fazer um samba assim ‘Porque saí da casa do Candeia, fui para a casa do Manacéia, e depois fui para a casa do Walter Rosa, encontrei com Rufino…’, não pode isso. Agora, eu não sei nem qual vai ser a leitura do enredo. De repente, deixar por conta do compositor. Centenário, se vira. Entendeu? Mas, eu acho que o que não pode faltar é um histórico. Eu me lembro de um samba da Renascer de Jacarepaguá que falava sobre o Candeia, feito pelo Claudio Russo, Moacyr Luz e Tereza Cristina, era um samba tão bonito, e falava sobre a alma do Candeia, não falava ‘Candeia foi um policial truculento, e depois levou os tiros e transformou sua cabeça’. Não é isso. A Teresa Cristina conhece muito o Candeia. Eles fizeram o samba com tal profundidade da alma, porque eu estou falando isso, porque de repente você consegue traçar um painel da Portela sem contar a história da Jaqueira, onde a Portela foi fundada, sem falar do Paulo, Caetano e Rufino, sem falar da bandeira que representava a bandeira japonesa, e depois foi copiada por todas as escolas, você faz um panorama, não é superficial, é uma coisa sentimental da Portela e vai ficar muito mais bonito do que um samba desses descritivos. Pensamos em ações do centenário o ano todo. Nós vamos começar agora, quando começa o ano do centenário, algumas coisas nós já fizemos, a sala de troféus não deixa de ser já uma programação do centenário, a coisa do Monarco que nós fizemos, aquele painel, e nós vamos contratar um grande profissional para fazer uma festa da cidade. Que não é só uma festa em Madureira, não é só uma festa na Rua Clara Nunes, nós queremos que seja uma festa da cidade, e que seja uma festa que englobe todas as escolas, que quando você fala em 100 anos da Portela, você está falando de 100 anos do desfile. Você está englobando todas as escolas, então nós vamos conversar com todas as escolas para elas poderem participar também. Mas, de repente vai ter coisa em Copacabana, aí é por conta do profissional”.

Série Barracões: Inocentes de Belford Roxo e ‘A Meia-Noite dos Tambores Silenciosos’

0

A Inocentes de Belford Roxo vem de um carnaval que empolgou todos que estavam na Marquês de Sapucaí. Com um enredo desenvolvido por Jorge Caribé, homenageando uma das melhores jogadoras de futebol feminino no mundo, a rainha Marta, a escola fez um desfile vibrante. Para o carnaval de 2022, a Caçulinha da Baixada fez algumas mudanças e apostou no jovem carnavalesco, Lucas Milato. Ele juntamente com seu amigo pesquisador, Leandro Thomaz, desenvolveram o enredo: “A Meia-Noite dos Tambores Silenciosos”. Curiosidade! É a palavra que define como chegaram no processo de desenvolvimento do enredo. Por meio de uma música do Lenine, o carnavalesco começou a pesquisar sobre “a noite dos tambores silenciosos” já emergindo na temática. Que tem como um dos objetivos buscar entender o que é essa noite e retratar o povo preto, mas não da forma convencional.

barracao inocentes22 1

“Um dos principais objetivos é retratar o povo preto, porém não da forma convencional e sim com as heranças que eles trouxeram para o Brasil com a diáspora africana. Óbvio que tem toda uma história de luta e resistência que será mostrada, mas vamos mostrar todas essas histórias por meio dessas heranças”, conta o carnavalesco.

Ele também ressalta que é importante compreender e entender o que são essas heranças e a importância desse enredo. “É impossível não falar disso, é um enredo que tem como norte, direcionamento e principal fundamento a ancestralidade. Tivemos um estudo muito forte da ancestralidade presente na noite dos tambores silenciosos. É isso que eu achei muito importante durante toda a pesquisa e desenvolvimento do tema”.

barracao inocentes22 2

Mesmo com algumas dificuldades que a escola enfrenta para realizar o carnaval, Lucas Milato considera todo o trabalho feito como algo muito especial. Desde a confecção de fantasias, a montagem e preparação dos carros alegóricos. Segundo o artista, o conjunto do desfile é considerado o grande trunfo do que está sendo realizado. Desde do início da preparação, eles buscaram tentar colocar tudo no mesmo nível de qualidade, do abre alas até o último carro.

“Obviamente, o abre-alas vem maior e com mais detalhes, mas estamos tentando dentro do possível e dentro das dificuldades que são inúmeras, deixar o desfile bem compacto em nível de qualidade. A gente tem o abre alas muito bem detalhado, mas o carro que vem lá no final do setor também é especial e muito bem cuidado”, afirma Lucas.

barracao inocentes22 3

Além disso, ao falar dentro da temática do enredo, Lucas também contou que gosta muito do tripé, pois ele vem retratando duas matriarcas da noite dos tambores silenciosos. São elas: Dona Santa e Mãe Badia, que eram as filhas de Oxum. Em entrevista para o site CARNAVALESCO, ele diz que o último carro é o que mais fala sobre o que é o enredo, pois sintetiza na leitura deles do que é o “Pátio do terço”. Esse carro possui um pertencimento grande e conta com todo um tipo de iluminação e detalhes para acontecer na avenida.

barracao inocentes22 4

O carnavalesco da agremiação deixa muito claro ao ressaltar a importância da equipe de trabalho na Inocentes: “Todo mundo trabalha na mesma sintonia, no mesmo objetivo que é fazer com que o desfile da escola aconteça com louvor e que dê muito orgulho para a comunidade belforroxense. É uma escola que tem uma ligação muito forte com a comunidade e tudo isso culmina para o resultado final. É uma responsabilidade grande, pois a escola vem de um desfile grande, e a ideia é manter o mesmo nível e também tentar fazer até melhor em conjunto de desfile. A Inocentes não fazia um enredo afro bem forte já faz algum tempo. A comunidade abraçou muito o enredo e o samba. Estamos sentindo uma diferença muito grande no canto, porque ele melhorou muito”.

barracao inocentes22 5

A pandemia de covid-19 fez com que todas as escolas de samba parassem com as suas atividades e funcionamentos dos barracões. Ficar um ano sem carnaval foi algo que mexeu com milhares de sambistas e profissionais deste segmento. Quando tudo foi liberado, mas mesmo assim mantiveram os adiamentos dos desfiles, se tornou um desafio desenvolver o que estava planejado. Para as escolas da Série Ouro, as dificuldades foram muitas, desde o financeiro até o desgaste mental de todas as pessoas envolvidas para fazer dar certo este carnaval. A Inocentes de Belford Roxo, mesmo com uma boa estrutura, passou por alguns apertos. O carnavalesco da agremiação, Lucas Milato, desabafou sobre essa questão de dificuldade.:

“Foi muito complexo, porque além da dificuldade financeira que existe na Série Ouro, os adiamentos mexem muito com o psicológico dos profissionais e com as estruturas das escolas. Porque tivemos que nos adaptar e readaptar diversas vezes”.

barracao inocentes22 6

Por conta dos adiamentos, a maioria das escolas também teve que diminuir o quadro de funcionários e com a Inocentes não foi diferente. De acordo com o carnavalesco, o carnaval foi muito difícil porque tiveram que lidar com adiamentos e isso influencia diretamente na vida das pessoas que dependem disso para sobreviver. “Estávamos com o barracão lotado de funcionários e a gente teve que reduzir o quantitativo e fazer toda uma readaptação para esse novo prazo. E não prejudicar nenhum funcionário nosso, pois todo mundo depende muito disso para sobreviver. Acham que o carnaval é só festa, mas não entendem toda a necessidade, todo o fundamento e importância do processo de execução que essa
festa que exerce na vida de milhares de pessoas, relata Lucas”.

Entenda o desfile

Para a montagem deste desfile, a escola rebobinou a fita e buscou entender como tudo aconteceu e surgiu. Mas sem especificar data ou algo do tipo, e sim como a noite dos tambores silenciosos se tornou um grande evento cultural atualmente.

Primeiro setor: “A gente inicia com o ápice do ritual que é meia-noite, quando as alfaias do maracatu se iniciam, com as louvações aos eguns. Esse é o nosso primeiro setor, o ápice do ritual, que é quando se inicia a louvação ao Oiá Ibalé que é o orixá responsável, a deusa dos mortos. Responsável por conduzir os Oguns do iae para Orum. É o setor que a gente faz menção aos ogãs, que falamos justamente sobre essa ligação de ogum e aie e sintetiza todo o desfile. A gente tem a figura de Oiá Ibalé, dos babalorixás que rege todo esse ritual. Falamos muito sobre essa ancestralidade presente nesse momento do ritual”, explica Milato.

barracao inocentes22 7

Segundo setor: “Retratamos a chegada do povo negro aqui no Brasil com a diáspora africana. Como é retratado? Falando sobre as heranças que trouxeram com eles aqui para o país. É o setor que citamos o sincretismo religioso, a irmandade dos homens negros, as coroações dos reis do congo. Por meio dessas heranças, a gente dialoga com a chegada deles aqui no Brasil e todo o processo de resistência e luta que eles enfrentaram”.

Terceiro setor: “Falamos sobre a evolução dessas heranças, que culmina com o surgimento das Maracatu Nações que são de extrema importância para a noite dos tambores silenciosos. Caracterizamos nas nossas alas e no nosso carro, o Maracatu Nação. É um setor que a gente busca elementos dos maracatus pra contar um pouquinho da história deles. Trazemos a figura da Calunga, falamos do porta estandarte, do rei e da rainha do Maracatu”.

Tripé: “O tripé que fala sobre a Dona Santa e Mãe Badia. Dona Santa, rainha do maracatu e gigantesca. Ele retrata a Dona Santa que é de extrema importância para a noite, uma das matriarcas das noites dos tambores silenciosos. E tentamos retratar nesse tripé, a passagem de bastão dela para Mãe Badia. Como diz no samba: ‘Chama Dona Santa o espelho de Badia’. Mãe Badia tinha Dona Santa como uma referência, porque quando Dona Santa se foi ela passou o bastão para Mãe Badia tocar essa parte mais ancestral da noite”.

Quarto setor: “A gente retrata a noite dos tambores silenciosos como ela é hoje, falando dessa ligação do sagrado e do profano presente na noite. A gente fala de toda a luta do povo negro atualmente, citando esse grito que rompe o silêncio da manifestação. Esse grito pedindo o fim de todo esse preconceito que permeia a história do povo negro. É o setor que clamamos por dias melhores e tudo isso exaltando o negro. Finalizamos com o último carro, o “pátio do terço” como disseminador da cultura afro-brasileira, que é o que ele é hoje”.

Ficha Técnica
Número de alegorias: 1 tripé na comissão de frente, 1 tripé durante o desfile, e 3
alegorias.
Número de alas: 17 alas
Carnavalesco: Lucas Milato
Diretora de barracão: Sandra Pinheiro
Diretora artística: Luana Rios
Diretor de carnaval: Saulo Tinoco
Pintores: Andrey e Itamar Terra
Ferreiro: Marcelo
Carpinteiro: Bira
Iluminação: Wagner
Equipe de Parintins: Mega e sua turma
Escultor: Kataki

Grande Rio faz ensaio de bateria com quesitos específicos na Sapucaí e Fafá comenta: ‘União em busca do título’

0

A Grande Rio deu mais um passo em busca do título inédito no carnaval. Na última quinta-feira, a escola voltou à Sapucaí após mais de dois anos para fazer o ensaio de bateria. No Setor 11, a agremiação de Caxias fez bom trabalho e a bateria promete grande desfile no dia 23 de abril. Mestre Fafá comemorou o retorno ao Sambódromo e falou sobre a importância do treino na Passarela do Samba.

“Sensação é de gratidão de voltar aqui. Eu trabalhei na linha de frente ali na escola no auxílio com cesta básica, então sei o quanto foi difícil e doloroso perder pessoas queridas dentro da escola. Felicidade de estar aqui com meus amigos, ritmistas, que são minha segunda família. Viemos aqui hoje corrigir algo que ficou pendente no ensaio de rua, por conta de acústica e outros motivos. Conversei com a direção de carnaval para que viesse só a bateria, comissão e casal, que são quesitos, para que houvesse essa união. Estamos trabalhando muito em conjunto para alinhar e descobrir o que falta para esse tão sonhado título”, disse, antes de emendar:

“Apesar do setor 11 ser só um pedaço da Sapucaí, é aberto. Ainda bem que temos esse espaço. Abrimos o cabine de jurados, temos uma pessoa lá filmando. Depois vamos ver como o som está chegando até lá, se a bossa está entrando limpa, isso que é o mais importante. Saber como o som está na pista não importa, o que vale é o que está chegando para os jurados. Sobre o metrônomo, acho que temos que esperar para ver como vai ser utilizado, se vai ser na frente, em uma largada, em uma retomada de bossa, abrange muitas coisas. Mas tem a questão do sentimento também, cada bateria tem uma característica. É uma discussão sem fim, mas vamos aguardar pra saber como vai ser usado, e partir daí entender o que temos que fazer na frente dos jurados”, completou Fafá.

No último Carnaval, a Grande Rio bateu na trave novamente e ficou na segunda colocação, assim como em 2006, 2007 e 2010. A tricolor caxiense levará para a Sapucaí 270 ritmistas, com quatro bossas, sendo duas delas para a comunidade soltar a voz. Uma das paradinhas contará com atabaques e timbal. Fafá comentou que os componentes está cantando como nunca para impulsionar a escola rumo ao campeonato.

“A escola está pulsando muito. Deixo aqui uma mensagem de carinho e gratidão pela comunidade, o que eles tem feito pela Grande Rio é surreal. Estamos fazendo duas paradinhas para deixar os componentes cantarem, literalmente. A comunidade está ensaiando três vezes por semana, e estamos revezando ritmistas para poder ensaiar junto com eles. A Grande Rio vem com muita humildade e temos a total noção que o Carnaval vai ser muito mais disputado que o de 2020. Os dias de desfiles estão muito equilibrados. Acho que para escola ser campeã, tem que estar unida, não adianta eu pensar na bateria, Hélio e Beth pensarem na comissão, Evandro pensar no carro de som. Se a gente estiver unido, tenho certeza que vai ser mais fácil almejar o campeonato. Já conversei com a diretoria para não deixar o oba-oba desse bom samba tomar conta, na minha bateria não tem salto alto. Vamos com muita humildade tentar beliscar esse caneco, acho que chegou a nossa hora”, encerrou o mestre.

No Setor 11, os segmentos presentes deram show e mostraram a força da agremiação de Caxias para 2022. Quem também fez grande trabalho na Sapucaí na última segunda foi Evandro Malandro. O intérprete conduziu o samba com maestria e mostrou mais uma vez a potência da voz no Sambódromo. O cantor também falou sobre a emoção de retornar à Avenida e projetou o desfile da Grande Rio no mês que vem.

“É um misto de muita alegria com apreensão. É um lugar de muita choradeira, poder estar aqui na Sapucaí de novo. Todo sambista que passar aqui pela Sapucaí tem que fazer um belo desfile, porque a gente perdeu muita gente no meio da pandemia. É uma responsabilidade ainda maior, de defender esses sambistas que se foram e mostrar que aqui é o nosso lugar”, comentou Evandro, antes de finalizar.

“Aqui é o palco oficial, então é muito importante estar aqui na Sapucaí, foram dois anos sem vir. Temos que pisar aqui, ver como funciona, acústica, carro de som, sentir a estrutura. A gente precisa disso pra deixar tudo ajustado para o ensaio técnico e para o desfile. A Grande Rio vem muito bem. Com todo respeito a nossa co-irmã Viradouro, mas estamos confiantes que vamos buscar esse caneco. Vamos aproveitar esse bom momento que a escola vive, em todos os setores. Nosso barracão está muito lindo. Sabe criança esperando o Natal e Páscoa, sou eu aguardando esse Carnaval, com muita ansiedade e expectativa”, concluiu.

Componentes do Paraíso do Tuiuti vivem expectativa em 2022 por reviver ou superar grande desfile de 2018

0

É provável que se você perguntar para dez torcedores do Paraíso do Tuiuti, pelo menos nove vão colocar o desfile de 2018 como o grande carnaval da escola. Isso por diversos motivos: o vice-campeonato, melhor colocação da história da escola, com o título escapando por um décimo. O samba que foi entoado por todo o mundo do samba e até hoje é lembrado e pedido. A volta por cima depois de ter terminado em último lugar em 2017, atrás da Unidos da Tijuca que havia passado por um problema semelhante ao do Tuiuti, e mesmo assim a diferença de 22 décimos, em um ano sem rebaixamento. Ou, o simples fato de aquele carnaval, além de ter sido muito bonito e criativo, ter apresentado discursos muito fortes contra o racismo, a escravidão e a exploração do trabalhador.

tuiuti ensaiotecnico2022 35

Quatro anos depois, a escola está consolidada no Grupo Especial e vai para o seu quinto desfile seguido na elite do carnaval carioca. E, após o décimo primeiro lugar em 2020 com o desfile sobre o padroeiro São Sebastião, a escola tem diversos motivos para sonhar em voltar a fazer um carnaval não só visando o desfile das campeãs, mas também a disputa do título.

Seja a chegada de mestre Marcão que já começou os trabalhos sacudindo a Cidade do Samba e depois o Sambódromo. Ou, a escolha de uma temática que volte a tocar na valorização das contribuições do negro para a humanidade, em conjunto com o discurso contra todas as formas de racismo. Ou, com certeza, o retorno de um artista consagrado, inovador de desfiles, quatro vezes campeão do Especial, como Paulo Barros, que iniciou sua carreira em 2003 no Paraíso do Tuiuti antes de surpreender o mundo do samba na Unidos da Tijuca em 2004.

componente tuiuti3

Esse clima de confiança e esse bom astral foi claramente percebido pela reportagem do site CARNAVALESCO ao conversar com alguns componentes da escola de São Cristóvão. Para o passista do Tuiuti, Bruno Ferraz, que trabalha como sushiman, o fato de Paulo Barros nunca ter feito um enredo afro é mais um motivo para que ele faça um trabalho espetacular, mostrando que é capaz de produzir carnaval sobre qualquer tema.

“Eu acho que ele vai trazer bastante inovação, porque ele nunca fez um enredo afro. Então, eu acho que ele apostou tudo nesse enredo para mostrar que ele também é capaz de fazer. Eu acho muito bacana ele voltar para escola depois de estar consagrado, acho ele muito profissional e ele traz uma chance a mais para a gente pensar em título”, declarou o passista.

Já para o senhor Sidney de Oliveira, integrante da velha guarda da escola, de 61 anos, a chegada de Paulo Barros está dando para a escola uma confiança maior pela capacidade criativa do profissional. Ele também entende que o samba de 2022 arrepia e pode funcionar na Sapucaí tanto quanto o de 2018.

“Eu sou da velha guarda, então, pela experiência de desfiles que a gente participa, tem duas coisas importantes, é o enredo e o samba-enredo. Então, o carnavalesco cria o tema, propõe o tema, a escola aceita e o grupo de compositores pega a ideia e transforma tudo em arte, assim como a arte sai em forma de música e o carnavalesco coloca as coisas de forma plástica. Então, está todo mundo feliz com tudo. É muito importante isso. Então, é como um time de futebol, muitas vezes um jogador importante que entra pode mudar a história de um campeonato. Tudo incentiva. Assim a vinda dele (Paulo Barros) pode mudar muita coisa. Todos nós sentimos confiança. A percepção que eu tenho é essa. E há semelhança com 2018 porque o samba arrepia. Se o samba arrepia a gente, provavelmente arrepiou o carnavalesco e ele vai criar muito mais”.

componente tuiuti2

Dona Noelma Luiza, assistente social e baiana do Tuiuti, que desfila há 7 anos na escola, respondeu sobre se o enredo e o samba de 2022 podem ajudar a escola a igualar ou superar seu melhor carnaval em 2018.

“Com certeza, com certeza, até por conta do samba, dos autores do samba que são os mesmos do carnaval em que nós ficamos em segundo lugar, tem tudo para estar lá em cima, entre as campeãs. E ter o Paulo Barros nos dá as melhores possibilidades possíveis. Espero me surpreender muito com o desfile. Por conta da pandemia a gente não tem tido muito contato, não sabe como está a evolução da escola a nível barracão, mas acho que na Avenida vai superar, vai ser uma surpresa muito grande”, acredita Dona Noelma.

componente tuiuti

Outra componente confiante é Dona Maria Vitória, mais conhecida como Vitórinha, presidente da velha guarda do Paraíso do Tuiuti, de 74 anos, que vê semelhanças entre o enredo de 2022 e o de 2018, e tem muita confiança que Paulo Barros possa levar a escola ao título.

“Esse enredo vem falando muito da nossa cor, vem falando dos orixás, uma coisa importante para gente. Esse enredo vai arrebentar. Nós estamos esperando que ele nos conceda o décimo que nós perdemos em 2018. Então, esse enredo é excelente, o Paulo Barros está de parabéns. Ele é o homem da novidade, o homem que está sempre fazendo mudanças nas escolas que ele vai, e acho que na nossa não vai ser diferente. Eu acho que ele voltou para a nossa escola para galgar o campeonato com a gente, porque nós estamos esperando muito”, declarou confiante a presidente da velha guarda.

Com o enredo “Ka Riba Tí Ye – Que Nossos Caminhos se Abram”, o Paraíso do Tuiuti vai abrir a segunda noite de desfiles do Grupo Especial no dia 23 de abril.

Governador do Rio anuncia obras de revitalização da Vila Olímpica do Salgueiro

1

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, esteve na quadra do Salgueiro, na noite da última quinta-feira, para anunciar o início das obras de revitalização da Vila Olímpica. Em publicação nas redes sociais o político comemorou o trabalho social feito pela escola de samba na formação de crianças, jovens e adultos.

salgueiro governador2
Foto: Divulgação

“É nesse ambiente de muita alegria que anunciamos hoje o início das obras de revitalização da Vila Olímpica do Salgueiro. Quando a gente trabalha sério e com amor, as coisas vão dando certo com projetos que fazem a diferença na vida de cada um, como este importante trabalho social na formação de crianças, jovens e adultos e na revelação de atletas, beneficiando toda a comunidade. É investindo nas pessoas que teremos um Estado cada vez mais forte”, disse o governador.

Através de suas páginas nas redes sociais a direção do Salgueiro também celebrou o anúncio das obras na Vila Olímpica.

“Uma gestão comprometida com suas promessas e com transparência. Foram três anos em busca desta vitória e ela chegou. Vem aí uma Vila Olímpica novinha pra vocês”, publicou o Salgueiro nas redes sociais.

Série Barracões São Paulo: Com Pequeno Príncipe no Sertão, Tom Maior está pronta para o desfile

1

O site CARNAVALESCO visitou o barracão da Tom Maior e conheceu de perto o projeto da escola que busca seu título inédito no carnaval de São Paulo com uma temática forte na literatura mundial: “O Pequeno Príncipe”. A ideia de fazer o enredo na Tom surgiu do diretor de carnaval, Judson Sales. O carnavalesco Flávio Campello revelou que também tinha o sonho antigo e tentou fazer no carnaval da X-9 em 2013.

tom barracao22 9

Apesar de inicialmente ser um enredo da literatura francesa, mas lida pelo mundo inteiro, o carnavalesco adaptou para o Brasil: “Queria transformar a história em algo mais regional, ufanista, e quando peguei esse livro em cordel, do Josué Limeira e Vladimir Barros, que me encantou. Pela linguagem, ilustrações, até o que me inspirou na verdade para conceder toda parte plástica e virtual, foram as ilustrações Wladimir Barros. Até porque a história do José Limeira é a mesma do Saint-Exupéry só que uma linguagem cordelista, ele não mudou nada na história. As ilustrações que nos remetiam ao imaginário mais nordestino”.

tom barracao22 8

Com essa transformação, o enredo da Tom Maior vem com a temática ligada ao cordel, e a força do Nordeste junto com a importância da história do livro: ‘O Pequeno Príncipe’. E essa junção será interessante: “Na logo utilizamos O Pequeno Príncipe como Vladimir Barros idealizou, com chapeuzinho nordestino, com traje totalmente adaptado ao nordeste, uma casaquinha diferenciada. Utilizamos essa essência que o Vladimir produziu na figura do Pequeno Príncipe em todo viés do nosso carnaval”.

Vantagem no projeto desde 2020

Enredo definido em 2020 e trabalhado desde então, entre dúvidas do carnaval em 2021 de acontecer ou não, Campello vê vantagem: “O lado positivo que é o lado onde você começa a incrementar coisas, tem tempo para isso, até conceder coisas diferenciadas que dois anos atrás não faria. E ao mesmo tempo essa angustia que nós que trabalhamos carnaval, não vemos a hora de ver algo novo”.

tom barracao22 1

Escola pronta e pequenos ajustes devido adiamento

Sem mexer nas raízes do projeto, o carnavalesco revelou: “Estamos 100% (pronto). Podemos levar a Tom Maior hoje, se quiser desfilar aqui na Fábrica, podemos. Só estamos fazendo algumas alterações no carro da comissão de frente. Que apesar de já estar decorado, pronto, é uma alegoria que a gente está usando sempre para ensaiar com comissão. Ajustes esses que possivelmente que se tivéssemos em um cronograma comum, não seriam possíveis de fazer, e a gente tem tempo para executar isso. Então hoje temos o tempo todo dedicado aos ajustes, ou a incrementar ao projeto”.

tom barracao22 3

Estreia e busca pelo título

Com dois anos de espera, Campello finalmente vai estrear na Tom Maior que bateu na trave em 2018: “Não tem algo melhor para um carnavalesco de poder proporcionar uma comunidade que nunca teve de ter um título inédito. Tatuapé foi assim em 2017, levar aquela taça de escola campeã para dentro da quadra, você vê as pessoas chorando, sem palavras para demonstrar a gratidão dela por aquilo ali. É algo fantástico, não tem preço, talvez seja a maior experiência em vida para qualquer profissional do carnaval, essa questão do primeiro título”.

tom barracao22 2

Fantasias feitas quase totalmente no barracão

Produção em casa, toda feita pela Tom Maior na Fábrica do Samba, algo não tão comum, mas que é uma das causas da pandemia nas escolas de samba… Falta de materiais nas lojas, obrigou solução: “Praticamente 100% da escola está com tecidos estampados por nós. Não chegamos na loja e pegamos rolo de tecido pronto e colocou na fantasia, pois não tínhamos. Você consegue comprar hoje em uma loja, 10 metros, 15 metros de tecido. Mas não 150, 300 metros que a gente está acostumado”.

tom barracao22 6

Com aposta colorida na fantasias, e como disse Campello: “as fantasias, todas estão associadas a um personagem, seja ele vivo, ou da natureza”. Ele contou sobre três fantasias em específico: “A gente tem por exemplo, a ala que representa o baobá, é a maior preocupação do pequeno príncipe, se um dia nascesse baobá dentro do planeta dele, que não deixaria a rosa sobreviver. Colocamos dentro do desfile monstruosos baobás, que foram inspirados em um baobá do Rio Grande do Norte que também inspirou o próprio escritor francês. Em um período da segunda guerra mundial, ele (escritor francês) esteve na base americana aqui no Rio Grande do Norte, Natal, Paramirim. Ele se deparou com esse baobá, então o baobá que ele colocou na história, não é o africano, foi um baobá que ele viu aqui no Brasil. Tenho a fantasia que apresenta o aviador, a bateria, e vem com uma imensidão de cores, vamos formar um arco-íris na avenida com a bateria. Super difícil de fazer, pois temos o segmento do desfile que não tem intenção de participar do desfile, diretamente falando no sentido visual, apenas na constância de ritmo. Conseguimos inserir na bateria, que é o coração da nossa escola, com uma homenagem ao escritor do livro”.

tom barracao22 4

“A baiana que é uma ala emblemática de todas as escolas, ela representa toda essa questão do feminismo, o acalento. Que a gente fez, pegou grande amor do pequeno príncipe, e a baiana vem representando as rosas, a gente conseguiu transformar no nosso desenvolvimento, esses elementos que tem simbologia forte, marcante, tanto para a história, nos unimos com a simbologia marcante, importante, com a escola de samba”.

tom barracao22 5

Conheça o desfile:

Mas com alegorias prontas, todas estão totalmente encapadas… Mistério que só na avenida descobriremos! Apostando em movimento nos carros, o carnavalesco diz que a presença do Pequeno Príncipe em todas alegorias foi sua opção. “Nós estávamos falando de uma história onde o protagonista é o pequeno príncipe e o aviador, eu quis manter viva a essência do Pequeno Príncipe em todas alegorias”.

Setor 1
Com um abre alas gigantesco, como gosta o carnavalesco Flavio Campello, e que pretende entrar para a história, vira como: “O Pequeno Príncipe com a famosa Espadinha dele”.

Setor 2
Com pássaros nos lados da alegoria e sempre com grandeza. “É o carro da viagem do pequeno príncipe, uma revoada de asas brancas, ele está pilotando uma nave”.

Setor 3
“A gente tem no carro 3, ele no Nordeste, então ele está apontando para o céu mostrando para a raposa que também está olhando para o céu. Onde era o planeta dele, que a raposa nossa sofreu uma adaptação, que colocamos a raposa como lobo guará que é um animal totalmente brasileiro. Fomos pegando personagens da história e transformando dentro da nossa realidade”, diz o carnavalesco.

Setor 4
“No último carro, ele está em uma forma diferenciada desses três. Porque como eu falei, é o livro do reencontro, é o carro do reencontro do pequeno príncipe com o aviador. No último carro tem o pequeno príncipe abraçado com o aviador. Ele estará presente em todos os momentos de nosso desfile”.

Ficha técnica
Alegorias: 4
Componentes: 1.700
Alas: 16
Diretor de barracão: Carlos Alves
Supervisão de fantasias: Equipe Ulisses Bara
Ateliê: Equipe Ulisses Bara

Salgueiro treina bateria na Sapucaí e mestre Guilherme projeta: ‘Vamos fazer um grande ensaio técnico no domingo’

0

De olho no ensaio técnico do próximo domingo, o Salgueiro treinou a bateria nesta quarta-feira, no setor 11 da Sapucaí. Além da Furiosa, a escola também levou carro de som, mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente e a ala coreografada Maculelê. Os mestres Guilherme e Gustavo comentaram comentaram o retorno ao Sambódromo após dois anos e falaram sobre a importância do ensaio dos ritmistas na Avenida.

“Sensação de voltar aqui é boa demais. Estava comentando com pessoal hoje, de quanto tempo a gente não montava o caminhão para vir pra cá. A importância desse ensaio aqui é total, porque fora daqui, a gente não trabalha nas medidas da Sapucaí. Com a bateria completa, pra sentir o peso dela, afinação, desenho, alinhar as fileiras e passar essa energia para os componentes. Expectativa é muito boa pra fazer um grande ensaio técnico no domingo e um ótimo desfile”, comentou Guilherme.

“Foi fo** pra car**! Só parabenizar essa galera que está com a gente. Já se vai quase um ano de trabalho aí. E hoje a gente pode estar aqui é emocionante. Domingo estamos aqui mais uma vez e o bicho vai pegar de novo. Muitos mestres choraram ao voltar aqui, porque a gente vive isso aqui. A gente luta também contra esse preconceito contra o samba. Vai ter Carnaval! Vai ter desfile!. O Salgueiro vai vir pra brigar, pode ter certeza que todo mundo vai se emocionar”, disse Gustavo.

A Furiosa deve levar de 270 a 280 ritmistas para o desfile oficial, no dia 22 de abril, com três bossas programadas. Presente na Sapucaí, Emerson Dias, também falou sobre retornar ao Sambódromo e a expectativa da escola para domingo e para o desfile oficial.

“É de arrepiar poder voltar aqui. Foi uma sensação de solidão todo esse tempo que não estivemos aqui. Estou muito ansioso para o ensaio de domingo. A gente agora já está no ‘campo de jogo’. Viemos ver a reverberação da bateria, como ela vai se comportar aqui dentro, para as arquibancadas. Foi muito importante esse teste hoje, principalmente para os mestres”, disse Emerson, antes de emendar:

“A expectativa para o ensaio técnico é a melhor possível. Durante a semana, nossos grupos de segmentos já estavam ansiosos, falando ‘É a nossa semana’. Tem muita gente falando que o Salgueiro não é candidato a nada. Estamos quietos, fazendo nosso trabalho, da nossa forma, pra fazer um grande carnaval”, finalizou o intérprete.