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Unidos de Padre Miguel ensaia sexta na Guilherme da Silveira

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Após realizar dois ensaios no local mais conhecido de Padre Miguel, o Ponto Chic, a Unidos de Padre Miguel levará sua comunidade para treinar em outro ponto do bairro. A partir da próxima sexta, 25 os treinos do Boi Vermelho acontecerão na Guilherme da Silveira. A concentração está marcada para às 21h, na Praça da Guilherme e a direção de carnaval convoca todos os segmentos.

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Foto: Divulgação

Vale lembrar que a agremiação ainda está recebendo inscrições de componentes para suas alas de comunidade. Interessados podem se inscrever todas as sextas, antes do ensaio de rua, com direção de Harmonia, basta levar 2 fotos 3x 4, xerox do RG, xerox do comp. residência e carteirinha de vacinação, além da taxa de R$35,00.

No carnaval de 2022, a Unidos de Padre Miguel levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “IROKO – é tempo de Xirê”, que contará a história da Árvore-Orixá, de autoria do carnavalesco Edson Pereira. A UPM será a quinta escola a se apresentar, na quinta-feira, dia 21 de abril.

Mangueira oferece 2.100 vagas gratuitas para a prática de esportes

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Oportunidade de vagas gratuitas para a prática de esportes na Vila Olímpica da Mangueira. Através do seu Programa Socioambiental, a Petrobras firmou uma parceria com o Instituto Mangueira do Futuro que irá atender crianças, adolescentes, jovens e pessoas com deficiência. O projeto visa garantir a democratização do acesso ao esporte e o exercício na formação da cidadania.

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Foto: Denise Esteves/Divulgação

São 2100 vagas, para crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, para atender às famílias do Morro da Mangueira e bairros adjacentes, nas modalidades: judô, jiu jitsu, atletismo, levantamento de peso, basquete feminino e masculino, futebol, futsal, ginástica rítmica e dança, natação e natação para pessoas com deficiência.

Os pais e responsáveis interessados em matricular os futuros alunos devem comparecer na secretaria da Vila Olímpica, aberta de segunda à sexta, das 8h às 17h, munidos de cópia da carteira de identidade ou certidão de nascimento do menor, comprovante escolar, uma foto 3×4, atestado médico e cópia da identidade do responsável. Acima de 12 anos apresentar o comprovante de vacinação contra a Covid-19 (opcional). A Vila Olímpica da Mangueira fica à Rua Santos Melo, 73, São Francisco Xavier.

Feijoada do Cordão da Bola Preta acontece no dia 2 de abril

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O Cordão da Bola Preta abre as portas de sua sede no sábado, dia 2 de abril, para a Feijoada do Bola. O tradicional evento volta a acontecer depois de dois anos de intervalo por causa da pandemia de Covid-19, com uma saborosa feijoada e os melhores shows.

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Foto: Divulgação

Essa edição começa com a roda de samba do Grupo Exaltação ao Samba Enredo, que traz os maiores sucessos das rodas e das quadras. A festa segue com a Banda do Cordão da Bola Preta entoando as tradicionais marchinhas do carnaval. O encerramento fica por conta da bateria da Escola de Samba Império Serrano, levando os clássicos da escola e o melhor do samba.

A Feijoada do Bola é tradicional do bloco Cordão da Bola Preta e faz parte do calendário carioca. Acontece sempre no primeiro sábado de cada mês, na sede do bloco, na Lapa.

Feijoada do Bola:

Sede Cordão da Bola Preta – Rua da Relação, 3 – Lapa. Das 12h às 19h. Ingresso R$ 20 | Mesa com 4 lugares R$ 10 | Feijoada R$ 30. Reservas através do número 21 2221-1162 ou whastapp 21 99558-1918.

Série Barracões: Lins Imperial levará história de Mussum em seu retorno a Sapucaí

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De volta ao Sambódromo da Marquês de Sapucaí após 10 anos de hiato, a Lins Imperial prepara uma grande homenagem para o próximo carnaval. “Mussum pra sempris – traga o mé que hoje com a Lins vai ter muito samba no pé!” é o enredo que será desenvolvido pelos carnavalescos Eduardo Gonçalves e Rai Menezes. O retorno da escola para o templo sagrado do carnaval carioca significa o reencontro da agremiação com o seu público. Nos últimos anos a escola segue uma linha de reverenciar grandes figuras negras, em 2020 ela faturou o título da antiga Série B, na Intendente Magalhães, com uma apresentação que homenageou Pinah, a “Cinderela negra”, além de já ter contado a história de Bezerra da Silva no carnaval de 2019. A ideia do enredo surgiu do pertencimento do Mussum ao Morro da Cachoeirinha, comunidade em que a Lins está situada, a escola pretende mostrar a identificação dele com essa comunidade, em entrevista ao CARNAVALESCO, o carnavalesco Eduardo Gonçalves destaca a importância da escola homenagear um dos seus maiores representantes.

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“Lembro de um desfile dele pela Lins em 1993, quando o enredo foi o Beto Carrero, uma repórter chegou para ele e perguntou se ele estava se sentindo em casa por a Lins ter as mesmas cores da Mangueira, na hora ele respondeu que estava feliz porque a Lins de fato era a casa dele, na entrevista ele diz que nasceu na Cachoeirinha, conhece a comunidade, fala o nome das pessoas que ele realmente conhece”, disse Eduardo.

A Lins Imperial quer levar para a avenida todas as vertentes de Mussum, o filho, o pai e o artista. A história desse grande personagem se mistura com a de muitos brasileiros, um homem negro, vindo de origem humilde, que graças ao seu próprio esforço conseguiu conquistar o seu espaço, por esse motivo a identicação tão forte dos componetes da escola com esse enredo. Durante o desfile um momento muito bonito promete emocionar quem estiver acompanhando, Mussum aprendeu a ler e escrever para que pudesse alfabetizar a mãe, Dona Malvina, pensando nisso, as baianas da escola terão um papel fundamental no desfile, a ala representará essa mãe que foi extremamente importante na vida do Mussum, outro simbolismo desse momento é o fato de que quando desfilava, Mussum quase sempre estava próximo das matriarcas do samba.

Durante a pesquisa de enredo para este carnaval, o carnavalesco Eduardo Gonçalves se surpreendeu com o fato de Mussum ter conseguido passar pelas barreiras do preconceito já nas décadas de 60 e 70, sua carreira artística começou com a formação dos Originais do Samba, grupo de MPB que se tornou atração em casas noturnas do Rio de Janeiro, chamando a atenção de músicos e produtores da época, ali, o Carlinhos do Reco Reco começou a chamar atenção do grande público e é isso que a escola pretende mostrar logo nos primeiros setores do desfile.

“Até hoje é muito difícil vermos atores, cantores e artistas em geral conseguirem ter espaço, imagina naquela época, principalmente na televisão, que é um veículo de comunicação que não pede muita licença, Mussum entrava, conquistava e agradava um público que não é tão fácil de se agradar, que é o público infantil. É preciso ter um humor muito próprio, ter coisas próprias e ele tinha isso”, conta Eduardo.

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A lembrança mais forte que os carnavalescos têm do Mussum é justamente no seu início de carreira nos Originais do Samba, o grupo fez sucesso levando algo novo para o cenário musical da época, é o que conta Eduardo Gonçalves. “Eles produziram dentro do samba algo que não muito visto, eram golas exageradas, a calça boca de sino, e propriamente os requebros, as piruetas, o malabarismo que eles criaram com os Originais do Samba foi inédito para aquela época, isso me chamava bastante atenção, as músicas e a linguagem visual que eles me traziam eram diferente de tudo que estava passando, principalmente na televisão. Naquele momento eles eram os reis do visual e do show business, óbvio que amo Os Trapalhões, mas essa época dele como cantor me marcou muito”, pontua Eduardo.

Adiamento dos desfiles e dificuldades no processo de carnaval

A pandemia de Covid-19 pegou todos de surpresa no ano de 2020 e com isso impossibilitou a realização dos desfiles no ano seguinte. As dificuldades de realização de um desfile na Série Ouro já são complicadas por natureza, em um pré carnaval marcado pela incerteza não foi diferente. Para a reportagem do site CARNAVALESCO, Eduardo Gonçalves falou sobre os desafios de se construir um carnaval nessas circunstâncias.

“A dificuldade eu acho que para todas as escolas foi a mesma, primeiro eu acho que ter um tema, ter um projeto há dois anos, a gente sempre teve o costume de fazer o trabalho em oito ou nove meses, entre apresentar o enredo e ter o desfile acontecendo. Esse a gente não apresentou, estamos ajustando até chegar o momento que poderemos mostrar na avenida”, desabafou Eduardo.

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Em janeiro deste ano saiu a notícia de que o carnaval seria adiado para o feriado de Tiradentes, em abril. A decisão causou polêmica no mundo do samba, muitos foram contra, alegando que não havia necessidade visto o controle da pandemia no estado do Rio, já outros viram como uma oportunidade para que as escolas aprimorassem seu barracão. Sobre esse assunto, Eduardo tem a seguinte opinião: “As pessoas falam que teve tempo, eu não sei a questão é tempo, eu acho que primeiramente temos o problema financeiro, tivemos uma pandemia, situação caótica economicamente para todos os profissionais, sejam eles de barracão ou ateliê, principalmente para os gestores. Manter isso tudo em dia não é fácil, prazos de pagamento, fora as dificuldades de verbas que as escolas de samba já passam normalmente. O adiamento causa indecisão, são processos criativos que demandam mais demanda, elaborações que acabamos mudando. Não sei é bom, são coisas que devemos questionar até que ponto isso foi bom ou não”, justificou o carnavalesco.

Proposta visual do desfile

A Lins Imperial promete muito esmero e cuidado em suas fantasias e alegorias, de acordo com os carnavalescos, o conceito do projeto se dividiu em dois momentos, as fantasias possuem uma linguagem vintage, que relembra as décadas de 70 e 80, com uma pegada conceitual de uma época que o Mussum desfilou na Mangueira, carnavais antigos da escola serão representados em fantasias, como “O mundo encantado de Monteiro Lobato”, de 1967, e “Caymmi Mostra Ao Mundo o Que a Bahia e a Mangueira Têm”, de 1986. A linguagem vintage promete formar uma narrativa contemporânea com as alegorias, a ideia é que elas sejam cenários, com uma linguagem moderna. Apesar de todo o conceito, os carnavalescos prometem um carnaval de fácil leitura, segundo os carnavalescos, as pessoas olharão para as alas e logo saberão do que se tratam.

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“De fantasia nós estamos prometendo, estamos com um trabalho muito bom, com o adiamento nós podemos modificar e aprimorar algumas coisas, nosso destaque é a moda da época do Mussum, o detalhe das roupas, as calças boca de sino, os cortes, então eu acho que em matéria de fantasia e alegoria estamos bem, todo nosso trabalho está sendo feito com muito cuidado, com muito capricho, para aquele povão da Sapucaí ver uma grande carnaval”, pontuou Rai Menezes.

Família e presença dos Trapalhões

Assim como Mussum, sua família também possui forte ligação com a Lins Imperial, assim que surgiu a ideia de que ele fosse o enredo da escola a família imediatamente embarcou na proposta, quando o projeto foi apresentado eles se sentiram extremamente felizes. “Eles amaram, ficaram muito felizes, é muito importante lembrar de um membro da família como foi o Antônio Carlos, como foi o Mussum, que se imortalizou, que é sucesso na internet, jovens de 20 anos conhecem ele através dos memes, os filhos estão muito emocionados, todos vão desfilar, afinal de contas é o pai deles que vai estar sendo reverenciado ali”, pontuou Eduardo.

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Antes mesmo de serem convidados, muitos amigos e atores de Mussum se propuseram a desfilar com a Lins neste carnaval, os mais aguardados são Renato Aragão e Dedé Santana, ambos marcaram toda uma geração com os Os Trapalhões, programa de televisão humorístico brasileiro, estrelado pelo grupo cômico de mesmo nome, composto por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, cada um desenvolveu um personagem distinto.

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“Não sei dizer se vão de fato desfilar, mas muitos confirmaram, sei que o Renato Aragão quer desfilar, falou que pretende vir, o Dedé também, assim como todos os que pertencem a esse momento de televisão, de cinema, então eu acho que há essa comoção entre a classe artística e a família”, informou Rai Menezes.

Entenda o desfile:
A Lins Imperial terá a missão de ser a primeira escola a desfilar no dia 21 de abril, quinta-feira, pela Série Ouro. A escola levará para a avenida cerca de 2100 componentes, distribuídos em 24 alas, três alegorias e um tripé.

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“O primeiro setor é propriamente o Carlinhos da Cachoeirinha, é o morro sendo retratado de uma forma lúdica, como se os barracos fossem construídos de patchwork de tecidos bordados pelas mulheres costureiras do morro. No final essas mulheres bordam o rosto de seus filhos, é uma surpresa que levaremos para avenida com o intuito de homenagear a mãe do Mussum”.

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“No segundo temos o Carlinhos do Reco Reco, com a criação dos Originais do Samba, tem um tripé que irá representar esse momento, com as músicas de sucesso, as fantasias representam algumas dessas músicas”.

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“No terceiro setor temos o Mussum da Mangueiris, o Mussum que representa essa paixão em verde e rosa, e também pelo Flamenguis, é o momento que o público vai se identificar bastante, o povão na hora vai enxergar isso. Neste setor teremos também alguns de seus personagens, como a Branca de Nevis e Tina Tanis”.

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“O final é o é quando o Carlinhos vira Mussum, faremos uma ligação com o presente, que é quando muitos jovens passam a conhecer o Mussum através de seus memes, todos esses memes e personagens estarão girando no último carro, causando identificação direta com o público”.

Série Barracões: Estácio homenageia a apaixonada torcida do Flamengo buscando fugir da estética óbvia de futebol

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“Parabéns dessa galera, campeã da nova era”, a modificação nos versos antes do refrão principal, realizada pela Estácio de Sá dá o tom de que a releitura do enredo de 1995 traz atualizações importantes, principalmente, ao se falar de um clube que de 2019 para cá ganhou títulos importantes e está hoje no pedestal do futebol brasileiro. A Estácio está longe de apenas querer celebrar as grandes conquistas no âmbito esportivo de Gabigol e companhia. É também a intenção do enredo, mas acrescentar a paixão da torcida pelo rubro-negro que aguardou alguns anos de “vacas magras” sem abandonar o time, enquanto o clube se ajeitava financeiramente.

A dupla de carnavalescos Wagner Gonçalves e Mauro Leite trabalha junta pela primeira vez com a missão de reconduzir a Vermelha e Branco de volta ao Grupo Especial depois do rebaixamento em 2020. Experiente, Wagner Gonçalves tem como principais trabalhos, o desfile da Mangueira de 2011 “O Filho Fiel, Sempre Mangueira”, que conquistou um terceiro lugar no Grupo Especial desenvolvendo o carnaval com Mauro Quintaes, e o título da Série A de 2012 como o enredo “Corumbá – Ópera Tupi Guaikuru” pela Inocentes de Belford Roxo, que rendeu um acesso para a escolar a elite do carnaval em 2013. E. Mauro Leite, que foi efetivado como carnavalesco da Estácio após integrar a equipe de Rosa Magalhães por 34 anos, inclusive no desfile “Pedra” de 2020.

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Wagner conta que a ideia do enredo veio da direção da escola e que os artistas buscaram trazer uma visão diferente do que foi abordado especificamente em 1995. “Primeiro foi uma sugestão da escola, o enredo não é meu, nem é do Mauro, nós recebemos uma ligação do presidente, nós sabíamos dessa possibilidade entre os possíveis enredos, e ele bateu o martelo de que seria. E, a gente achou interessante, eu particularmente já queria fazer um enredo de futebol, que eu acho que os enredos de futebol são muito taxados, estética muito determinada, e eu achei que a gente tinha uma oportunidade de fazer uma coisa diferente. E, quando a gente começou a discutir a criação, o Mauro compartilhava da mesma ideia. Eu falei, Mauro vamos fazer carnaval com fantasia de carnaval, uma história mais consistente, e aí deu super certo”, revela Wagner Gonçalves.

O carnavalesco Mauro Leite explica que a paixão do torcedor rubro-negro será o fio condutor do desfile a partir de uma visão lúdica e da representação de uma narrativa fictícia para, a partir daí, trazer os fatos mais históricos para o enredo.

“A gente partiu do princípio de incluir nessa história o torcedor também. Eu acho que isso é que faz o diferencial do enredo. Porque a gente não está só contando a história do time, a gente incluiu o torcedor como um personagem, e a gente está tentando mostrar o Flamengo pelo lado da paixão do torcedor também. É a visão daquela pessoa que é apaixonada pelo time, que tem a história que a gente construiu no enredo, que seria uma pessoa que está nascendo no ano que a Estácio fez o desfile de 1995. A pessoa estaria ainda na barriga da mãe na verdade. E com 27 anos, ela que vai contar essa história. E a barriga dá até essa conotação da bola”, explica Mauro Leite.

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Mauro complementa e ratifica que a dupla buscou não ficar presa a uma visão histórica e uma citação apenas de fatos relevantes sobre o Flamengo. “Eu acho que tem uma coisa importante também, é que não é uma visão muito histórica, no começo a gente tem um pouquinho da história do Flamengo, mas eu acho que a ideia é que seja mais uma comemoração. Não é exatamente uma ‘contação’ de história, um documentário, uma coisa com uma cara documental assim. É como se fosse realmente uma comemoração de uma vitória, uma celebração de uma paixão”, entende Mauro.

A ideia é trazer o desfile de 1995 como uma jóia na história da Estácio estabelecendo essa relação que se iniciou há 27 anos e que hoje é retomada de onde parou. “Temos uma metalinguagem de usar vários trechos do samba da Estácio, porque na verdade quem pode fazer o Flamengo, que é um novo Flamengo, não é o mesmo de 1995, é a própria Estácio, porque ela já fez, então ela é meio que a dona desse time. Então, é a Estácio olhando o passado, o presente, e o futuro. Então, o enredo tem uma conotação metalinguística também. É um enredo falando de enredo também. Como que ela olha para o seu enredo, como que ela pode reescrever essas possibilidades. E tornou isso mega interessante e atemporal que a gente tem um mundo de possibilidades”, acredita Wagner Gonçalves.

Carnavalescos prometem fugir da estética mais comum de futebol

Enredos de futebol sempre voltam à pauta dos desfiles das escolas de samba. Há quem não goste, mas é compreensível entender que o carnaval como uma festa e uma manifestação cultural que traz conhecimento e explanação sobre todo o tipo de assunto, também tenha o interesse em falar de uma das maiores paixões do brasileiro. Da Beija-Flor de 1986, “O mundo é uma bola”, passando pela própria Estácio de 1995, com a Tijuca em 1998 homenageando o centenário do Vasco da Gama, comemorando o pentacampeonato da seleção brasileira e a narrativa de superação de Ronaldo, contadas pela Tradição em 2003, ou a celebração da vida e carreira de Zico pela Imperatriz em 2014, entre outros que trouxeram alguma parte do esporte mais popular do brasil para Avenida, há sempre um temor pelas agremiações ficarem um pouco limitadas pela estética que acaba recorrendo a signos muito iguais.

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A dupla de carnavalescos da Estácio promete que o desfile desse ano será bem diferente do que já foi visto sobre futebol no carnaval. “Eu acho que o que pesou e o que se tornou interessante foram os desafios que a gente foi construindo para a gente mesmo. Porque nós tínhamos um tema sobre um time, tem uma cor muito forte, temos uma linguagem de carnaval pré-estabelecida. Futebol, meia, essa coisa toda. E nós sabíamos que nós queríamos coisas diferentes e nós nunca tínhamos trabalhado juntos. E o que é diferente para mim, pode não ser diferente para ele. Já que nós tínhamos liberdade, construímos essa narrativa como se fosse uma partida de futebol, então é no compasso de uma bola, ela vai e volta na história, e não é uma história linear”, explica Wagner.

O carnavalesco da Estácio de Sá mais experiente complementa ao discorrer sobre a paleta de cores. “A gente poderia contar essa história a partir de impressões e dos signos que nós já tínhamos na mão. E, eu acho que o que se tornou mais interessante foram esses signos estéticos. Por exemplo, as fantasias, nós poderíamos ter toda a escola vermelho e preto, e não é vermelho e preto assim, acho que predomina o vermelho, mas tem todas as cores. À medida que nós formos trabalhando esse figurino, aí entra o coral, entra o roxo, entra um mundo de possibilidades com o vermelho agrupando isso. Acho que o desafio, foi o desafio estético mesmo, em termos de história é essa história mesmo da paixão do torcedor e desse clube que todo mundo conhece e que tem mais de 100 anos”, esclarece Wagner Gonçalves.

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A preferência pela temática surge em um universo de dificuldades financeiras, em que o futebol apresenta algumas relações estéticas se tornando bastante viável do ponto de vista econômico, é o que acredita Wagner Gonçalves. O artista afirma que entende esse lado, mas preferiu buscar uma outra roupagem que, segundo o carnavalesco, surpreendeu e vem agradando a escola.

“Os enredos de futebol, sobretudo no Acesso, a opção de fazer essas coisas de uniforme, é uma opção de ser mais barata, a gente entende isso também, não é crítica, ou achando que a gente está fazendo uma coisa que é melhor ou pior. E, nós tínhamos também a opção de buscar opções mais baratas, mas fazer um carnaval surpreendente. A gente, achou que nesse caso específico, fazer um carnaval com cara de carnaval em um enredo de futebol, sobretudo do time mais popular do país, seria essa reversão de expectativa, porque é o que todo mundo espera, ‘ah, a fantasia vai vir vestida de futebol’, e toma juíz, e toma bola, todo mundo esperava, e isso na nossa concepção seria uma concepção preguiçosa, ou então, trivial, então a gente apostou de criar reversão de expectativa. E tem dado certo, porque até a própria escola estranhou, ela ficou meio ‘caramba, está bonito, está diferente ‘, e depois entendeu e abraçou”.

Samba e carros voltados para a paixão rubro-negra são trunfos dos carnavalescos

Uma possível vantagem para a Estácio é o samba de 1995, já conhecido da comunidade e que se expandiu e chegou às torcidas organizadas do homenageado, o Flamengo. O carnavalesco Mauro Leite acredita que essa relação escola mais nação rubro-negra pode facilitar um pouco as coisas para o sucesso do desfile.

“Eu acho que a gente tem que tirar partido também de que o samba é quase um grito de guerra, grito de torcida. E eu acho que se isso já aconteceu na Avenida, espero que aconteça de novo, é um trunfo”, entende Mauro.

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Wagner Gonçalves acrescenta que a energia que já se pode identificar da comunidade nos ensaios que têm sido realizados é outro ponto que indica o sucesso da obra para o desfile.

“O que o Mauro quer dizer que se a gente fizesse um samba novo, e o samba fosse aclamado, é uma possibilidade, você não sabe como ele vai funcionar na Avenida, esse samba já funcionou em 1995, ele cada vez vem crescendo mais, e o torcedor já abraçou. Teve flamenguista que falou ‘esse é o samba?’, achei que era o hino da torcida. A gente acredita que ele vai ser um sacode nesse carnaval da Série Ouro, que é um carnaval popular, que tem muitos torcedores, a gente acredita até pelos ensaios, que a gente já viu que a energia é outra, é muito forte mesmo”.

Aliás, essa relação, torcida e time, vai ser bastante retratada tanto no final quanto no início do desfile da Estácio de Sá. Mauro revela que o fato do rubro-negro ser conhecido como um time de massa, de torcida popular, que chega muito às camadas mais pobres da população, também foi explorado, pois o carnaval também é uma festa popular, é uma festa de todos, mas que evidencia também os mais pobres, os coloca no ponto mais alto. Mauro aposta que no final essa relação que vem retratada também no último carro vai tocar o coração dos rubro-negros.

“Eu acho que isso (relação desfile e flamenguistas) vai acontecer no final, pois tem uma comemoração de uma vitória, e aí eu acho que o torcedor vai se identificar mais. Lá para o último setor da escola”.

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Já para o carnavalesco Wagner Gonçalves, essa emoção já vai acontecer no início do desfile quando os rubro-negros verem o abre-alas nas cores do clube, valorizando os símbolos da Estácio e do Flamengo.

“O Mauro acha que vai tocar o torcedor no final, e eu acho que já é no começo com o abre-alas vermelho e preto. O Vermelho e preto é um signo universal, pode representar outra coisa, mas remete ao Flamengo. ‘Tá vestido de vermelho e preto, tá vestido de Flamengo?’, ‘Tu é flamenguista?’ Acho que a gente convencionou usar o vermelho e preto para uma série de signos, a gente pesquisou e configurou isso no abre-alas, acho que já vai chamar a atenção”.

Nova era de conquistas do Flamengo terá lugar especial no desfile

É bem compreensível entender que o novo momento do Flamengo, campeão da Taça Libertadores da América em 2019, bicampeão brasileiro em 2019 e 2020, além de títulos da Supercopa do Brasil e Recopa Sul-americana, campeonato estadual, também foram decisivos para a Estácio pensar em uma releitura daquele carnaval de 1995. O apelo é bastante grande, e a torcida anda bastante orgulhosa nos últimos anos.

“Esse novo Flamengo de 2019 para cá virá representado sim. Esse é um dos motivos para que nós fizéssemos essa narrativa nova para incluir esse feito do Flamengo depois de 1995. O título da Libertadores, tem essa paixão da torcida, como a torcida participou. Tem essa coisa de festa, como festa na favela que é uma gíria totalmente contemporânea. Esse Flamengo atual, o Flamengo ganhou e é ‘festa na favela’ ”.

Entenda o desfile

Para o enredo “Cobra-coral, Papagaio Vintém, #VestirRubroNegro não tem pra ninguém”, a Estácio de Sá vai trazer 3 alegorias, um tripé, 22 alas e cerca de 2500 componentes. Wagner Gonçalves comentou que a escola buscou se manter grande após passar pelo Grupo Especial em 2020.

“Vamos com o número máximo da Série Ouro, como aqui na Estácio a gente veio do Grupo Especial, está na Cidade do Samba, a gente criou os encaixes para os carros continuarem grandes, é a nossa intenção de manter o impacto. A gente conhece a realidade do Acesso, então a gente sabe que essa decisão de não ter acoplamento é uma decisão inteligente para também não ter um desnível muito grande, mas a Estácio vai aproveitar ao máximo o que ela pode, porque chassi nós tínhamos”.

A dupla de carnavalesco decidiu não realizar a divisão por setores. Através do que foi apresentado na entrevista e através da leitura da sinopse, imagina-se que a escola esteja dividida desta forma:

Primeiro Setor: “Pré-jogo”
Escola traz a história do bebê que desfilou na barriga da mãe em 199 no desfile do ensaio, fio condutor, que aos 27 anos em 2022 vai dar um novo olhar para o desfile de 1995. Símbolos da Estácio e do Flamengo vão vir representados nesse setor, onde deve predominar o vermelho e preto.

Segundo Setor: “Apita o árbitro”
“Num passe de mágica, a poesia enfeitada de luar: Adílio toca para Domingos da Guia…. Zico… Fio Maravilha… Everton Ribeiro-Zizinho -acompanha-de-perto-Júnior-toca-para-Castillo-Gabigol fintou o primeiro, avançouprapequenaárea… UM LANÇAMENTO NO COSTADO DA ZAGA-OLHAOQUEELEFEZ-OLHA-O-QUE-ELE-FEZ, Gabriel Barbosa, GabiGooooooooool é o nome da emoção! Foi um gol de anjo um verdadeiro gol de placa. Apite comigo, galera!” (Trecho retirado da Sinopse)

Terceiro Setor: “Show do intervalo”
“Notem! É o jogador número 12 do Flamengo está no meio do campo. É ele quem finaliza na grande área das oficinas e das fábricas e quem comanda a equipe através do radinho a pilha. Herói que chacoalha pelos trens, que xinga e berra nas mesas dos botecos. Seu coração é o tambor que emociona a galera!” (Trecho retirado da Sinopse)

Último Setor: “Errrrrrgue o braço (e a taça!)”
“Festa na Favela”, a gíria representa a presença maciça de torcedores rubro-negros entre as camadas mais pobres da população, sinal de time mais popular do país. Haverá a celebração por uma grande vitória do rubro-negro.

Ficha técnica do Barracão:
Diretor de Barracão: Roni Jorge
Chefe de Adereços e Alegorias: Júnior Serqueira, Fafá, Bruna Bee
Escultor: Gilberto França
Pintor: Gilmar

Império Serrano comemora 75 anos com festa na quadra

O dia 23 de março é uma data emblemática para o Império Serrano. Nesta quarta-feira, a escola da Serrinha completa 75 anos de fundação. E para festejar a data mais do que especial, o Reizinho de Madureira receberá os seus torcedores numa noite de muito samba, a partir das 20h, em sua quadra, com entrada franca.

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Foto: Emerson Pereira/Divulgação

Antes da festa, ocorre a bênção com o Padre Ubiratan, com o tradicional baile de aniversário em seguida. A banda Copa 7 e os segmentos da escola vão embalar a família imperiana com muita animação e samba-enredo. O presidente Sandro Avelar comemora poder realizar o aniversário da escola novamente recebendo os componentes e torcedores.

“A festa de 75 anos é especial pois marca a volta de um evento tradicional da escola. No ano passado, infelizmente, não pudemos realizá-la desta forma pois havia a necessidade do isolamento social diante da Covid-19, o que nos limitou a uma live. Desta vez, será ao contrário. Sentiremos a energia dos imperianos numa data especial e em grande reencontro”, destaca Avelar.

Serviço
Aniversário de 75 anos do Império Serrano
Data: 23 de março
Horário de início: 20h
Atrações: Banda Copa 7 e elenco show do Império Serrano
Entrada franca
Endereço: Av. Edgard Romero, 114

Donas do samba no pé! Dandara Oliveira, Evelyn Bastos e Mayara Lima falam sobre representatividade no carnaval

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Na última semana, o vídeo de Mayara Lima, princesa de bateria da Paraíso do Tuiuti, viralizou nas redes sociais por conta da sincronia que a musa possui com os ritmistas da escola. No último domingo (20), a beldade encantou o público, mais uma vez, ao desfilar, debaixo de muita chuva, à frente da bateria durante o ensaio técnico na Marquês da Sapucaí. A repercussão foi tão grande que muitas pessoas se perguntaram porque Mayara era princesa e não rainha. Ela, que é da comunidade, começou como passista desde muito cedo, tem samba no pé e esbanja carisma. Porém, no Tuiuti, quem ocupa o posto de rainha é a empresária e cirurgiã dentista, Thay Magalhães.

A representatividade se faz necessária no carnaval, afinal, não é possível falar em escola de samba sem pensar em sua comunidade, já que, em suas origens, o samba nasceu da luta do povo negro, pobre e marginalizado. Para o próximo carnaval, das 12 escolas que desfilam no Grupo Especial, apenas quatro possuem rainhas com raízes fincadas em suas comunidades, são elas: Bianca Monteiro, na Portela, Evelyn Bastos, na Mangueira, Raíssa Oliveira, na Beija-Flor e Raphaela Gomes, na São Clemente. Porém, a representatividade não se resume apenas ao cargo de rainha de bateria, as musas e passistas que se destacam dentro do carnaval fazem com que milhares de meninas possam sonhar em brilhar pela sua escola do coração.

Mais do que uma sambista, Dandara Oliveira é uma figura extremamente importante para o samba, são mais de 25 anos dedicados ao samba, todos eles desfilando pela Vila Isabel, a musa conta que o domínio da arte de sambar não é para qualquer pessoa, é preciso muita dedicação, disposição e amor.

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Foto: Divulgação/Liesa

“Boa parte é dom, gente que é da comunidade, aprende desde criança visualizando desde cedo, mas dá pra aprender, não como o nosso, mas dá, o samba tem suas características, seus passos principais, mas acho que cada um tem o seu, principalmente o sentimento, aquele que a gente ouve a bateria, ouve o intérprete e sente, ouvir o samba, se apaixonar e deixar levar”, conta a musa.

Ao longos dos anos, a sociedade se modificou, e consequentemente o samba sofreu com essas mudanças, o carnaval ganhou ares de espetáculo e isso refletiu no lado comercial, Dandara acredita que a participação do morro no dia a dia das escolas de samba diminuiu e em contrapartida, o asfalto ganhou mais espaço.

“O samba modificou, quando eu comecei há 25 anos atrás, o samba era diferente, a comunidade participava mais, a gente tinha o asfalto, mas era em proporção menor, hoje em dia em algumas escolas tem muito mais asfalto que morro, então as escolas vão se modificando, mas quando você tem amor, pouco importa se você é do morro ou do asfalto, se mora na zul ou não. Mas não podemos esquecer quem fez tudo isso acontecer, que foi o morro e comunidade”, ressalta Dandara.

A musa, que em 2018 desfilou à frente da bateria ao lado de Sabrina Sato, fala sobre essa experiência e sobre o sonho de muitas meninas que almejam chegar nesse lugar: “Hoje em dia, graças a Deus, nós estamos vendo mais rainhas da comunidade do que há uns seis, sete anos, mas ainda é triste olhar pra isso, eu sou de comunidade e já tive a oportunidade de vir na frente da bateria junto com a Sabrina, é uma experiência maravilhosa, sei que é o sonho de 90% das meninas que sambam numa ala de passistas, elas tem o sonho de ser rainha, de ser musa”, explica a sambista.

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Foto: Divulgação/Liesa

Rainha da Mangueira desde 2014, Evelyn Bastos carrega a missão de representar todas as mulheres periféricas, quando uma menina vê que mulheres da comunidade estão ocupando postos de destaque dentro das escolas de samba, ela percebe que o sonho dela está mais próximo. Evelyn usa o espaço que tem para servir de inspiração para toda uma geração que a acompanha de perto em sua comunidade. Sobre o samba no pé, Evelyn acredita que sempre é possível aprender, mas o DNA do sambista faz toda diferença.

“Aqui a gente conta um pouco da nossa história, então a gente canta a dança favelada, a dança do subúrbio, o carnaval é isso, se tem um corpo que pode mostrar muito samba e muita resistência, esse corpo é o da mulher preta!”, destaca a rainha.

Destaque na segunda noite de ensaios técnicos no templo sagrado do carnaval, Mayara Lima tem 24 anos e desfila pelo Paraíso do Tuiuti desde 2011, quando a escola ainda fazia parte da terceira divisão do Carnaval carioca. Ela começou no mundo do samba na Aprendizes do Salgueiro, com 10 anos de idade. Lá, chegou a integrar a ala de passistas do Salgueiro, sob o comando de Carlinhos Salgueiro. No Tuiuti ela já foi passista e musa, até ser alçada ao posto de princesa da bateria. Mayara é professora de samba e acredita que qualquer um pode aprender a sambar.

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Foto: Allan Duffes

“Acho que é um pouquinho dos dois, tem gente que nasce com o dom, mas tem gente que pode aprender também. Costumo dizer que cada samba tem sua personalidade, aprendendo a técnica e colocando personalidade cada um constrói o seu próprio jeito de sambar”, comenta a sambista.

Fazer Carnaval em meio à crise não é fácil para nenhuma escola de samba, e como dito por Dandara acima, nos últimos anos as escolas de samba se afastaram um pouco de suas origens e isso se refletiu no cargo mais cobiçado do carnaval, o de rainha da bateria, alguns dirigentes viram nesse cargo uma oportunidade de arrecadar dinheiro para a escola, sobre isso Mayara tem a seguinte opinião: “o cargo hoje em dia é elitizado, eu acho que esse é a maior motivo de não ter muitas rainhas de comunidade no cargo”.

No último domingo Mayara foi ovacionada pelo público durante toda sua passagem pela avenida, a princesa se emocionou com tanto carinho e repetiu sua famosa “dancinha” com os integrantes da bateria de Mestre Marcão. “Tô muito feliz, de verdade, eu não imaginava que ia acontecer isso, chorei do início ao fim, tô muito emocionada e com muita gratidão no meu coração”, disse Mayara.

Dos palcos para a avenida! Thiago Soares revela expectativa para estreia como coreógrafo da Imperatriz

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Ramos tem motivos de sobra para celebrar a chegada do carnaval 2022. Além do retorno de Rosa Magalhães para a escola, juntamente à uma direção competente, a comissão de frente recebe Thiago Soares, o bailarino mais premiado do mundo para comandar os trabalhos. Único a conquistar o ouro no principal concurso de dança clássica do mundo, o Concurso Internacional de Ballet do Bolshoi, o também professor vibra com a sua estreia na festa carioca. Soares revela à reportagem do CARNAVALESCO que o sentimento é de emoção. Ele, que já participou como bailarino de outras comissões de frente no passado, garantiu que o desejo de contribuir com a festa vem há alguns anos.

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Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

“Sempre fiquei esperando, o telefone nunca tocou até que a Rosa e a Cátia Drumond esse ano me chamaram. Eu estava morando fora, porém após o convite parei tudo para dar prioridade, afinal, era uma coisa que eu sempre quis fazer. Estou muito agradecido de ter essa entrada, emocionado mesmo e ser tão bem recebido”, disse.

Em meio à sua estreia, o coreógrafo não poupou elogios em relação ao tratamento que recebeu desde que chegou na Imperatriz, destacando que a escola o ajuda a cuidar de cada passo, como uma grande família. “Eles estão me puxando pela mão, me ensinando. É um belo processo de aprendizado. É uma sensibilidade muito grande esse carinho e integração de todos comigo”, afirma Soares.

Embora o carnaval seja uma competição, lidar com pressão é algo inerente na carreira do artista. “Sempre tive que aprender a conviver com essas questões. Eu venho do ballet clássico que é competição todos os dias, sempre em busca da perfeição e já estou acostumado”, completou.

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Com o retorno dos desfiles na Sapucaí após dois anos, o professor ressalta que todos os ensaios são muito especiais, afinal, o carnaval é a festa do Brasil e a celebração cultural mais popular do mundo, fazendo com que todas as pessoas aguardassem ansiosamente por esse retorno. Soares assumiu o comando da comissão de frente em setembro do ano passado após a saída de Renato Vieira, que deixou o trabalho devido incompatibilidade de agenda.

“Eu conheço o Renato, tenho um grande carinho por ele e não sabia das suas ideias para o desenvolvimento da coreografia. Quando fui chamado, ele já não estava mais no trabalho. A gente até se falou depois, trocou um pouco de afeto. Foi um momento muito bonito, temos esse espaço de carinho e admiração mútua. Quando eu cheguei peguei uma folha branca para poder imprimir a minha identidade”, disse o coreógrafo.

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No processo de preparação para a sua estreia no carnaval, o profissional conta com a ajuda de sua equipe que o ajuda a administrar compromissos e cronogramas, visto que ele está sempre viajando entre o Brasil e exterior. Soares afirma que não costuma olhar muito para o trabalho de outros coreógrafos por conta desse nervosismo inicial. “Prefiro respeitar cada um executando o seu e eu sigo de cabeça baixa, fazendo o meu na maior humildade de que estou pisando aqui pela primeira vez. Tem muita gente fera e que já fez coisas incríveis. Muito respeito por pessoas que passaram por esse lugar como Fábio de Melo, por exemplo, além de outros. Vou focar no que estou sentindo. Apesar de ser uma competição, também é muito familiar porque nos conhecemos”, ressaltou Soaresao citar os colegas coreógrafos.

Além desse momento de estreia, o artista comenta que estar na escola em que Rosa Magalhães assina o enredo é uma honra enorme, mas carregada também com uma grande pressão. “A questão é tentar aprender com quem sabe fazer muito bem. A Rosa é uma estrela, realmente uma professora e é muito bom poder estar perto dela, sentir o cheiro desse DNA. Quero fazer a minha contribuição com muito respeito aos que já fizeram e foram premiados”, finalizou.

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Para o enredo de 2022, Soares está empolgado e confiante com o trabalho da sua equipe, porém, garantiu que os segredos serão revelados apenas na sexta-feira, dia 22 de abril.

“Eu senti que é uma volta de todos nós. Estamos respaldados na trajetória de um artista que é o Arlindo e respaldados na trajetória da escola que tem muito orgulho, amor e emoção do lugar que ela está agora. Tenho um elenco muito especial e com uma mensagem que é bem clara e relevante para o mundo em que a gente vive hoje. Temos uma narrativa muito clara aí, mas é uma divisão dessa emoção da volta, esse momento que perdemos dois anos das nossas vidas. Perdemos pessoas e isso mexeu com todos nós. Foi um período para se reavaliar, se olhar no espelho, se empoderar e trazer o melhor de nós. Acho que o espírito do trabalho está por aí”, completou.

De acordo com ele, haverá a presença de elemento cenográfico (tripé) na composição da comissão de frente da escola de Ramos. O artista afirma se agarrar muito nos códigos que também já foram testados por outros coreógrafos e deram muito certo, afinal, fazem parte da essência e da modernidade do carnaval. Entretanto, Soares ressalta buscar também no passado algumas inspirações.

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“Eu vi muitas comissões, coisas incríveis, de grandes coreógrafos e que fizeram muito sucesso. Realmente existem mais trabalhos que vi na internet, muito antigos para mergulhar na história. Óbvio que hoje existem muitos ganhadores e que são estrelas do carnaval, que tenho muita admiração. Gosto de buscar, pesquisar. Vi coisas do Fábio de Melo e percebi que realmente é incrível a sensibilidade daarte e dos detalhes simples que fazem a diferença. Eu fui beber ali em algum lugar”, finalizou.

A Imperatriz Leopoldinense é a primeira escola a desfilar na abertura do Carnaval 2022 do Grupo Especial. Até lá, a equipe comandada por Thiago segue trabalhando de forma incansável para buscar as quatro notas dez no quesito e deixar a agremiação ainda mais próxima do tão sonhado título.

Série Barracões: Beija-Flor quer voltar aos desfiles volumosos sem perder o foco na mensagem do enredo

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Quem viu a “Deusa da Passarela” da primeira década do século XXI, sabe o quanto a Beija-Flor de Nilópolis tem o poder de impressionar seja pelo tamanho de alegorias, seja pelo volume e luxo de fantasias, ou seja, o seu estilo de fazer carnaval. Por exemplo, na dobradinha 2007, 2008, o bicampeonato, quando Áfricas e Macapá foram enredos. Mas não precisa ir muito longe não, em 2015 mesmo, no enredo sobre a Guiné Equatorial, a escola já havia apresentado um grande conjunto alegórico e de fantasias. O título de 2018 passou por uma ideia diferente da escola, mais teatralizado, mais crítica. Nos últimos anos, principalmente, após o décimo primeiro lugar em 2019, há uma expectativa por esse retorno a uma produção mais volumosa e luxuosa da Azul e Branca de Nilópolis. Em 2020, a escola ainda não atingiu aquele nível, mas as expectativas se renovaram para o desfile de 2022, quando a escola decidiu levar para a Sapucaí mais do que apenas um desfile, mais do que um carnaval para competição, uma grande mensagem.

“Empretecer o pensamento, é ouvir a voz da Beija-Flor” está sendo produzido pelo carnavalesco Alexandre Louzada e por André Rodrigues, integrante equipe de criação da Beija-Flor. Em razão da visita do site CARNAVALESCO ao barracão da Beija-Flor, Alexandre Louzada explicou de que forma se colocou na produção de um enredo que é uma oportunidade, um lugar de fala para todos que sentem na pele o racismo.

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“Eu tinha feito um enredo que estava mais voltado para aquele momento que a gente estava vivendo, de início de pandemia. Até que surgiu essa ideia, me propuseram, abracei de bom grado, existia já uma prévia feita pelo João Gustavo Melo, com uma linha de raciocínio muito bem escrita por sinal. E, eu não mexi na ideia central, lógico que ele me deu a liberdade de trazer para o meu entendimento, para a minha ótica sobre esse tema. Por ser branco, era um desafio para mim. Então, eu preferi me colocar em um lugar de intérprete plástico, e preferi ouvir a voz das pessoas que viveram na pele cada situação desse racismo estrutural que existe não só no Brasil, como no mundo”, explica.

O artista complementa citando também o protagonismo como lugar de fala do enredo de André Rodrigues, que também é carnavalesco da Acadêmicos do Sossego. “O que eu posso dizer como intérprete plástico de tudo isso, e porque escolhi o André que é o meu assistente como o meu lugar de fala, é porque eu não posso bater no peito e dizer uma coisa que eu não vivi de verdade. Não é um sinal de grandeza minha, mas é um sinal de inteligência e de coerência para que o enredo possa passar a verdade”, esclarece Louzada.

Com o objetivo de tentar reescrever uma história de luta e de muita contribuição intelectual e artística do povo preto para a humanidade, o desfile da Beija-Flor seguirá um fio temático bastante amarrado com cada ala sendo importante para a construção da mensagem que a escola quer passar.

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“Não é um enredo de curiosidades, esse carnaval da Beija-Flor não é um carnaval de encontro de pérolas. É um desfile que tem um propósito. Eu acho que o mais interessante deste enredo foi a gente se encontrar, se enxergar dentro dele. E a gente conseguir fazer com que outras pessoas pudessem se enxergar dentro dele nesse desenvolvimento de carnaval. Toda pesquisa que a gente ia fazendo sobre cada pessoa, ou sobre o trabalho de determinada pessoa, falava muito sobre a gente. O mais importante de tudo isso, eu acho que é que a gente consiga reproduzir o mesmo processo. Da mesma forma que a gente pesquisou, conheceu, leu a produção de determinada pessoa para entender esse processo de ‘empretecimento’, a gente espera dar isso para as pessoas”, indica André Rodrigues.

O grande trunfo da Beija-Flor para André será justamente aquilo que a escola vai deixar na cabeça de cada um que acompanhar o desfile. “A mensagem, o debate deste carnaval. É uma Beija-Flor novamente cutucando a sociedade, cutucando as pessoas. É um carnaval provocativo. E essa provocação que vai levar a gente aos debates. E a gente começar a debater de novo coisas que são importantes para gente”.

Grande personalidades serão citadas no desfile

A Beija-Flor não pretende trazer para Sapucaí uma grande lista de homenagens, não quer focar nas pessoas, mas sabe da importância de trazer personalidades pretas que tenham realizado grandes contribuições para humanidade, mantendo dessa forma a intenção de reescrever as narrativas e valorizar aqueles que muitas vezes tem seu lugar na história relegado a segundo plano.

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“O mais importante não são as pessoas que serão citadas, nós temos muitas citações, mas o mais importante é pegar essas pessoas e fazer com que a produção delas faça sentido dentro desse carnaval. Não é uma lista de pessoas que serão homenageadas. Dentro da ideia de cada setor, existem produções de pessoas que fazem sentido com aquilo. E esse sentido junto com o próximo ou o anterior formam a gente. A linha de pensamento desse enredo é muito amarrada. Uma ala não faz sentido sem a outra. Tem pessoas que são extremamente importantes como Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus, mas não é a pessoa, mas a produção dela”, define André Rodrigues.

A ideia é formar na cabeça de quem está acompanhando o desfile, o tamanho da contribuição histórica que veio dos negros e que muitas vezes foi apagada no passado por aqueles que carregavam o poder nas mãos. “A gente fala desses artistas de que nada é por acaso, a gente não deve negar nossas origens. A gente chama esse setor de atravessamento dos ancestrais. Você aceitar que você sofre influência de alguma entidade, para você ser um jornalista, é porque você se inspira em alguém e você absorve energias quem vem de alguma entidade que inspira você para uma determinada carreira. É o caso de você aceitar e se orgulhar da sua ancestralidade. Enquanto o desfile vai discorrendo, a gente na verdade está formando o pensamento das pessoas seja qual etnia que seja”, revela Alexandre Louzada.

Laíla também será homenageado como grande referência preta para o carnaval.

Falecido no ano passado, com mais de 30 anos de Beija-Flor somando suas três passagens, Laíla não poderia ficar de fora em um enredo que aborda a contribuição intelectual do negro para todas as esferas, e obviamente, uma das mais festejadas, é a cultural, especificamente, o carnaval. Nem Louzada, nem André revelam especificamente o lugar onde o grande diretor de carnaval, de harmonia, músico, e etc, virá neste desfile. Mas, Louzada dá algumas pistas do tamanho da homenagem que será realizada para Laíla.

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“Ele é uma figura importante nesse contexto todo, na formação da própria Beija-Flor, e nada mais justo, eu acho que não é só a Beija-Flor que deveria homenagear o Laíla, não só pelas escolas que ele passou, mas pelo o que ele ensinou, para ter ouvido para escolher um bom samba, para fazer arranjos, eu que trabalhei com ele posso falar isso, quanto eu aprendi com ele quando eu nem trabalhava com ele. Só quem conviveu com ele é que entende bem aquela cabeça, aquele pensamento. O Laíla deu o tom da Beija-Flor. Ele terá uma homenagem explícita, não só pelo legado para a escola, mas para a posteridade de todos os diretores de carnaval”, informa o Louzada.

André Rodrigues também prefere não revelar qual o espaço destinado para a homenagem, mas coloca Laíla em um patamar filosófico dentro da festa que ele mesmo ajudou a desenvolver. “Obviamente, não posso dizer onde ele virá. Mas será homenageado. Laíla é um intelectual do carnaval, assim como outros intelectuais do carnaval serão homenageados”.

Carnaval volumoso, mas sem esquecer a mensagem

Como citamos no início da matéria, o mundo do carnaval sente um pouco de saudade de ver a Beija-Flor naquele patamar do início do século, ou em 2015 mesmo. É claro que nos últimos anos muita coisa dificultou essa intenção, passando pelas dificuldades financeiras causadas pela falta de apoio do governo Crivella, até a própria pandemia, e o título de 2018 que trouxe uma Beija-Flor diferente, mais teatralizada e crítica. Quem vai ao barracão da escola, percebe pouco espaço para se movimentar, sinal de grandiosidade para carros em um processo já adiantado, pois alguns já estão até cobertos. As fantasias de alas foram todas produzidas e já guardadas para o desfile. O trabalho vem sendo mais dedicado à vestimenta de destaques. Por isso, a perspectiva é muito boa, a escola parece querer voltar a esses tempos de gigantismo, mas com um enredo que traz uma mensagem social tão importante.

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André Rodrigues alerta que a escola procura não só impressionar pela plástica, mas pelo envolvimento da comunidade e pelo discurso. “Existe uma realidade disso, o desfile é gigantesco. O carnaval é muito grande, acho que o Louzada é um cara que gosta de alegorias grandes, eu sou um cara que colaboro nessa criação, também gosto de carnavais grandes, gosto de peças grandes, e eu acho que isso super casa com o estilo da Beija-Flor. Eu acho que o principal fator de ver a Beija-Flor de volta, não é só a questão da plástica, mas eu acho que é um combo, de ser uma escola que faz as pessoas pensarem, de ser uma escola provocativa, de também ser escola grande, mas ser uma escola aguerrida com propriedade daquilo que está falando, eu acho que é um combo de várias coisas que a Beija-Flor sempre foi”, entende André.

Alexandre Louzada confirma a busca pelo trabalho volumoso, e também ratifica a relação entre comunidade e enredo. “Pode pensar em uma Beija-Flor volumosa com uma comunidade que já tem naturalmente uma grande força, mas que esse enredo toca muita gente. Desde que ele foi lançado, é até horrível dizer isso nesse desgaste que nós tivemos com a pandemia, deu o tempo necessário para você ver até onde pode alcançar um enredo. Até outro dia atrás mais coisas estavam sendo acrescentadas”.

Louzada e André esperam que escola possa deixar algo para a posteridade

Com um tema tão importante para a sociedade como um todo, é significativo entender e prever que o que vai passar na Sapucaí em abril quando a Beija-Flor vai fechar a primeira noite de desfiles não pode também se encerrar apenas naquele templo sagrado do samba.

“Acho que nós estamos fazendo na verdade, não vou dizer que a Beija-Flor vai fazer uma sequência, mas a gente está fazendo a parte um. O que é preciso fazer. Tomara que sempre tenha alguém para fazer a dois, e depois alguém para fazer a três. Por que tem muita coisa para contar, tem muitas vozes para serem ouvidas”, espera Louzada.

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Já André Rodrigues acredita que a mensagem que a Beija-Flor vai deixar será ouvida e poderá sim mudar um pouco a mentalidade das pessoas. “Vai ser possível através do desfile porque já é possível através do samba. Esse desfile vai ser importante para a gente dar um novo marco no carnaval, na minha opinião, sobre as produções de carnavais que tenham a negritude como tema principal. Isso é um dos pontos. Outro ponto é você respeitar essas individualidades de representações negras no carnaval. Quanto mais a gente conseguir tocar as pessoas, é legal, mas, o mais interessante é ver como as pessoas vão reagir pós esse desfile. Porque não é possível que as pessoas não vão assistir esse carnaval, e aí vai ser interessante a gente enxergar depois desse desfile e pensar ‘não é possível que o fulano está fazendo isso’, entendeu?”

Entenda o desfile

Para o desfile de 2022, a Beija-Flor vai trazer 6 carros e um tripé, com 31 alas e cerca de 3000 componentes. André Rodrigues e Alexandre Louzada explicaram um pouco do que virá em cada setor.

Primeiro setor
“É esse retorno a África, e na verdade o entendimento da grandiosidade da África. Entender que o ponto de partida da história do negro brasileiro não é a escravidão”, revela André Rodrigues.

“E, a gente mostra a grandiosidade das civilizações africanas como a Egípcia que a própria história, os filósofos gregos até mudaram o nome para Egito, em terra que se chamava ‘Kemet’, que significa ‘terra negra’”, explica Louzada.

Segundo setor
“Fala sobre produção intelectual de pensamento, fala sobre filosofia. A partir do processo de escravidão, onde o colonizador diz ‘corpo preto para ser escravizado’ como justificativa de que ele era sem alma por não ser cristão, e não era um corpo inteligente. Quando ele diz isso, ele tira da gente o poder de entender que nós produzimos pensamento”, apresenta André.

“A gente mostra através de exemplos que até mesmo a filosofia já existia na África, muito antes da Grécia ser dada como mãe da filosofia. A gente levanta questão porque os ícones gregos são esculpidos em mármore e uma escultura esculpida em ébano não tem o mesmo valor?”, questiona Louzada.

Terceiro setor
“São os atravessamentos ancestrais. É a gente aceitar como essa ancestralidade atua através da gente nas nossas produções”, aponta André.

“A gente fala desses artistas de que nada é por acaso, a gente não deve negar nossas origens. Você aceitar que você sofre influência de alguma entidade, porque você se inspira em alguém e você absorve energias quem vem de alguma entidade”, explica Louzada.

Quarto setor
“Fala sobre a gente pegar o papel e a caneta e escrever a nossa própria história. Falando principalmente sobre o apagamento e silenciamento das produções literárias pretas do país”, esclarece André.

“A gente revela quantos escritores pretos no Brasil que foram expandidos na capa de livro sobre pseudônimos, o próprio fundador da academia brasileira de letras Machado de Assis era preto, era conhecido no meio como o bruxo do Cosme Velho, e sempre com uma máscara”, conta Louzada.

Quinto setor
“Fala sobre a ocupação dos palcos. A ocupação da mídia, sobre nós estarmos ocupando lugares de visibilidade”, apresenta André.

“A gente coloca o preto como protagonista nesse teatro. Por essa igualdade. É uma disparidade de você ter as artes cênicas somente com os melhores papéis para brancos. Cada um tem o seu palco para brilhar e a gente dá luz a essas pessoas que sempre viveram na coxia do teatro”, revela Louzada.

Sexto setor
“Mesmo a gente chegando em um ponto onde nós somos vistos, ainda assim a gente vive em um país racista. O último setor fala sobre as mudanças que são necessárias para que esse país se entenda como um país preto. Isso é o ‘empretecimento do pensamento’ ”, afirma André.

“No final, a gente pergunta, será que vocês estão preparados? Será que vocês entenderam tudo isso que a gente está falando? Você está preparado para ‘empretecer’ seu pensamento? Se não tiver, a Beija-Flor vai te mostrar que ela é uma verdadeira representante desde que ela foi fundada por um preto em um lugar distante, em uma comunidade pobre que não tinha acesso a nada, e que foi formando um verdadeiro quilombo de resistência”, explana Louzada.

Ficha técnica do barracão:

Responsável de barracão: David Tigorofi
Aderecistas de fantasia: Rodrigo Pacheco , Fabinho Santos, Valéria, Simone, Bete, Michelle, Filipe Monstrinho, Aderecistas de carro: Aílton, Bebeto, Isaac, Eliseu.
Carpinteiro: João
Ferreiro: Cláudio e Paulo
Placa de acetato: Baixinho
Escultura e Movimentos: Alex Salvador
Escultura: William Mansur e João Sorriso
Fibra: Bolinha
Pintor: Leandro
Empastelação: Cara Preta
Almoxarifado: Evandro, Wagner e Pagodinho
Iluminação: Dedé
Neon: Marquinhos e Muralha
Porteiro: Edgar, Élcio, Kléber

Ex-presidente da Liesa questiona cobertura da TV Globo e diz preferir ensaios técnicos do que os desfiles

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Durante o papo com Jorge Perlingeiro, no podcast “Só se for agora”, o ex-presidente da Liesa, Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, questionou a cobertura feita pela TV Globo para os desfiles de 2022. Confira trechos da conversa.

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TV Globo
“Achei que a Rede Globo não correspondeu com aquilo que fazia todos os anos. Esse ano até agora não vi nada de vinheta e outras coisas. Dizem que vai começar, mas quando começar já acabou o carnaval. Como havia aquela carta que ela (TV Globo) só pretendia fazer o Carnaval 2022, isso é uma coisa para você pensar, não vi essa receptividade. Fomos sempre parceiros. Esse ano não senti ainda, pode ser que minha palavra seja leviana, e a partir de amanhã veja. É isso que chama o povo e desperta”.

Ensaio melhor do que o desfile
“O ensaio na parte de canto e animação é dez vezes melhor do que o carnaval. No ensaio técnico vai o cara que gosta de samba e no carnaval vai o cara que tem o dinheiro para comprar”.

Filho no samba
“Falo para ele aproveitar esse pouquinho que a gente tem. Não sei quantos anos de vida ainda tenho. Já tive 80 anos. Sou filho de pais pobres, nascido na Vila Valqueire, nem existia o bairro”.

Mudança
“Temos que levar a sede da Liga para Cidade do Samba. A Praça Mauá está virando um pólo de museus. A Cidade do Samba tem que ser melhor aproveitada”.