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Caramba! Ilha têm Ito incorporado, surpresa da bateria e canto forte em último treino antes do ensaio na Sapucaí

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A Estrada do Galeão foi palco para o último ensaio de rua da União da Ilha antes de voltar à Marquês de Sapucaí para o treino oficial de preparação para o desfile da Série Ouro. No Grupo de Acesso, depois de 11 carnavais no Grupo Especial, a Azul, Vermelha e Branca insulana reuniu um bom público e um bom número de componentes no Cacuia, apesar de no mesmo horário acontecer a primeira partida da final do Carioca entre Flamengo e Fluminense. Por isso, a escola veio um pouco menor como imaginava o presidente, mas com muita garra e muita vontade de voltar ao Especial cantando muito o samba, impulsionado por Ito Melodia que incorporou, mais uma vez, e animou todo mundo.

A “Baterilha”, dos mestres Keko e Marcelo, trouxe para o ensaio uma surpresa que a dupla pretende apresentar na Sapucaí. Em um enredo religioso como esse, homenageando Nossa Senhora Aparecida, nada mais sonoro e dentro do contexto do que um grandioso sino, igual aqueles de igreja. E, ele era utilizado em uma das bossas. O presidente Ney Filardi era um dos mais empolgados com o artifício, e comentou em entrevista ao site CARNAVALESCO, antes do início do ensaio.

“Olha, a expectativa é muito boa, é evidente que em função do jogo, provavelmente vai tirar alguns componentes. O que não vai acontecer nem no ensaio técnico e nem no desfile oficial. Hoje, prestem atenção na bateria que teremos uma surpresinha hoje”.

Já o diretor de carnaval, Dudu Azevedo colocou o trabalho em equipe da escola como grande destaque do ensaio que terminou no estacionamento da quadra da União da Ilha do Governador.

“Gostei muito do ensaio. Canto da escola muito forte. Escola quase completa, muito bem preparada para ir sábado lá para Marquês de Sapucaí. Como destaque, eu acho que a gente está fazendo um trabalho de equipe tão grande, que é difícil a gente destacar algo. Se eu pegar desde o começo da escola, eu dou destaque para a comissão de frente, contagiando todos que assistiam, Danielle e Marlon, que dança maravilhosa que eles estão fazendo. Bateria toda redondinha e encaixado com o carro de som, com o Ito Melodia, hoje a gente estaríamos preparados para fazer um grande desfile. O samba abraçado por toda a comunidade. O Ito e a bateria inflamam a escola para cantar”.

A comissão de frente, de Priscila Motta e Rodrigo Negri, esteve presente ao ensaio. Antes do samba, Ito e o carro de som cantaram a música “Nossa Senhora” e trocaram o trecho que pede a santa para cuidar da “minha vida”, para “minha Ilha”.

Harmonia e Samba-enredo

O canto da escola foi muito bom. A comunidade da Ilha do Governador cantou com emoção, intensidade, impulsionada por Ito com seus famosos cacos, todos dentro do momento e que eram importantes para trazer aos componentes a responsabilidade de não deixar cair o samba. Talvez, algum ponto mínimo de correção seja nas alas após o segundo casal, algumas coreografadas que cantavam menos, mas nada que possa comprometer, e bastante fácil de corrigir.

A comissão de harmonia da escola é formada pelo quarteto Lucas Martins, Nancy Martins, Marcelo Marques e Vinícius Nogueira. Lucas e Nancy falaram à reportagem do CARNAVALESCO sobre a avaliação do canto da comunidade e o entrosamento com o carro de som.

“Sempre pode melhorar né? A gente teve dois ensaios de rua, a gente tem procurado compactar bastante a escola, puxar o canto do pessoal, a gente está satisfatoriamente bem no canto, mas ainda temos que fazer alguns ajustes. E sábado, com a proteção de Deus e Nossa Senhora Aparecida, nós vamos dar um show na Avenida”, entende Nancy.

“O Ito ajuda muito, ele chama o componente, ele levanta o público, levanta os componentes a fazer a evolução deles, a cantar forte”, completa Lucas Martins.

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Ito Melodia, mais uma vez, se entregou de corpo e de alma no ensaio. Ele avaliou o trabalho realizado com a comunidade e os próximos passos. “Muito feliz por tudo que está acontecendo. Carro de som pesadíssimo. Hoje recebemos também a Gi (Guedes) do Grupo Entre Elas, que vai estar se juntando ao grupo do carro de som, voz fantástica. Então, assim, a comunidade está cantando muito. Os componentes mostrando o amor pela escola, por esse samba e por esse enredo. Eu tenho certeza que as pessoas na Sapucaí vão chorar, vão se emocionar, vão querer descer da arquibancada para desfilar pela Ilha, porque será um ensaio técnico como no desfile oficial. A União da Ilha vai mostrar o porquê ela tem que voltar para o Especial e está preparada para isso”, finaliza Ito.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Com bastante elegância com a roupa predominantemente na cor azul, Marlon Flores e Danielle Nascimento não se pouparam e fizeram um ensaio com bastante intensidade. Em uma bossa que lembrava um Ijexá, os dois realizaram um passo de dança de religião de matriz africana. Marlon também chamou a atenção por um leque vermelho que usava para cortejar Danielle em movimentos suaves e entrosados.

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Marlon comentou sobre a importância do treino na rua para a preparação para o desfile. “Hoje, o nosso segundo ensaio de rua, para nós mestre-sala e porta-bandeira, é muito bom, pois nós podemos estar executando um trabalho para a cabine de jurados, aqui a gente consegue fazer o nosso tempo de desfile, consegue fazer a situação de todas as paradas técnicas e onde a gente consegue ver se tem ainda alguma coisa para ajustar e levar o que tem de melhor para o desfile. É onde a gente consegue sentir o parâmetro, ver se o público está gostando da nossa evolução, ver onde a gente pode trabalhar, onde o público gostou, insistir, e abraçar a proposta da escola e levar para a Sapucaí”, explica.

Danielle falou sobre em que nível está a preparação do casal. “Agora a gente está limpando só alguns movimentos, limpando as finalizações. Ensaiamos com a fantasia já, a fantasia está linda, maravilhosa, boa de se dançar, fiquei muito feliz ontem”, revelou.

Bateria

A “Baterilha” trouxe o sino como grande surpresa, bem marcado dentro do andamento e da bossa, mas não foi o único trunfo dos ritmistas comandados pelos mestres Keko e Marcelo. No trecho do samba que diz “Banhei seu rosário com axé, Na gira de candomblé, com Oxum na cachoeira”, os ritmistas tocavam um Ijexá. E no refrão principal, em alguns momentos, a bateria parava, marcando o tempo só com as baquetas e deixando os componentes cantarem. E, no trecho “Salve Imaculada Conceição”, a bateria prestava uma reverência a Nossa Senhora, com os ritmistas abaixando.

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“Graças a Deus a bateria mais uma vez está em peso, e é muito bom, porque a gente consegue aqui acertar os últimos detalhes, de bossa, de andamento. Hoje, por exemplo, nós vamos ensaiar uma bossa que nós ainda não tínhamos conseguido ensaiar na rua, uma bossa que vai ter um efeito interessante, que tem a ver com o enredo. E, além disso, é bom para o bairro, porque hoje virou uma tradição do bairro, o ensaio de rua movimenta o comércio, e fica todo mundo feliz”, explicou mestre Marcelo alguns minutos antes do ensaio para a reportagem do CARNAVALESCO.

Mestre Keko revelou que foi ao barracão da escola e se surpreendeu com o resultado. O comandante da “Baterilha”, junto com mestre Marcelo, também avaliou como positivo o ensaio. “Hoje mesmo foi o primeiro dia que eu estive no barracão e estou maravilhado com o que eu vi lá dentro. Quando a gente sai do Especial, é uma renovação, é um novo ciclo, mas Graças a Deus a gente sempre teve o pé no chão, a gente é bastante consciente da nossa estabilidade. A bateria vem trabalhando já dos estados de quadra, aqui na escola há bastante tempo, e como a gente tem uma bateria que eu posso dizer de 70 a 80 por cento da galera Insulana, da Ilha, isso já me conforta. É lógico que eu não vou dar nota 10, porque que seria eu para dar isso, mas estou confiante, é sempre que a gente tem que querer mais, a gente só vê de verdade no dia da Avenida, no dia da Avenida a gente incorpora, e acredito que a gente vai fazer um carnaval de uma forma bem positiva”.

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Evolução

O ensaio foi realizado em um dos sentidos da Estrada do Galeão, e apesar de ser um pouco apertado, as alas, comissão de frente e casal conseguiram evoluir bem. O único problema em alguns momentos era a grande quantidade de gente que acompanhava no canteiro e às vezes atravessava um pouco a pista, o que de certa forma é comum em ensaio de rua e difícil de evitar. Quase todas as alas carregavam algo na mão, o que dava um bonito efeito com as cores da escola, em geral muitas vezes era uma espécie de cajado ou lança. Mais para os últimos setores deu para perceber a presença de alas coreografadas se utilizando destes cajados para a realização da coreografia.

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Para o diretor de carnaval, Dudu Azevedo, a escola gabaritou tanto harmonia quanto evolução e está preparada para dar continuidade ao trabalho para o desfile. “A gente treina muito na rua harmonia e evolução e eles têm sido 100 por cento, vamos ver agora sábado, creio que a escola está muito bem preparada e faremos um grande ensaio na Marquês de Sapucaí”, promete o diretor.

A União da Ilha vai realizar seu ensaio oficial na Marquês de Sapucaí no próximo sábado, sendo a segunda escola da noite a desfilar no sambódromo. Com o enredo “o vendedor de orações”, a agremiação insulana será a quinta a desfilar na primeira noite da Série Ouro.

Beija-Flor de Nilópolis se torna patrimônio cultural imaterial do Rio

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A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) decidiu transformar, no último dia 22, a Beija-Flor de Nilópolis num patrimônio cultural imaterial do estado do Rio de Janeiro. Proposto pelo deputado estadual Charlles Batista (PSL), o projeto de lei de número 5627/2022 justifica a medida pela “relevante importância (da Beija-Flor) no cenário cultural do Rio de Janeiro, reconhecida nacional e internacionalmente”.

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A iniciativa começou a partir de uma demanda da população nilopolitana, vocalizada pelo presidente da agremiação, Almir Reis, e levada ao conhecimento da classe política por meio do vereador Anderson Campos (Republicanos), de Nilópolis. O parlamentar foi quem levou o pedido à Alerj, com o suporte de Reis.

“A Beija-Flor de Nilópolis tem seguido em sua trajetória vitoriosa, trazendo alegria, cultura e diversão para toda a população de Nilópolis bem como a todo o estado do Rio de Janeiro”, diz trecho do projeto, que já está vigorando.

Entrevistão com mestre Caliquinho: ‘O que eu tenho feito é um trabalho de base. A gente tem que formar ritmistas em casa’

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Desde 2011 à frente da Fiel Bateria, quando ainda dividia o comando dos ritmistas com mestre Gil, e de 2018 para cá sozinho, mestre Caliquinho é “cria” e até hoje morador do Santa Marta o que talvez tenha lhe dado um olhar mais apurado para descobrir talentos que surgem não só nesta comunidade, mas nos outros morros da Zona Sul. O ritmista, hoje mestre da bateria da Preta e Amarela, é também coordenador do projeto social Spantinha, que aproxima crianças e jovens do Santa Marta, uma versão para esta faixa etária do Bloco Carnavalesco Spanta Neném.

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Em entrevista ao site CARNAVALESCO, mestre Caliquinho explica como realiza o trabalho de base de percussão com as crianças e adolescentes das áreas carentes da Zona Sul, as dificuldades nas próprias relações com as famílias de alunos, fala de sua relação com a São Clemente e com o presidente Renatinho, além de revelar as preferências dentro do trabalho na Fiel Bateria.

O que representa para você estar à frente da bateria da São Clemente?

Mestre Caliquinho: “Caramba, representa muita coisa, eu não queria ser, mas quando foi ver, não é que caiu no meu colo, eu fiz por onde para chegar ao mérito de ser mestre e dei continuidade àquele trabalho que ‘os coroas’ que a gente fala, o Tião Belo, ‘Vivi’, Renatinho, dei continuidade no trabalho que eles deixaram. Modificou alguma coisa? Modificou de repente, hoje o jurado exige muito na afinação. Então a afinação a gente teve uma mudança, em 2013 nós mudamos a afinação, que a afinação era do agudo para o grave, hoje em dia é do grave para o agudo, e um pouco o que mudou também foi a evolução das paradinhas, que a gente ficou mais chatinho para fazer mais paradinha, isso aí que mudou um pouquinho”.

O seu trabalho é muito elogiado. O que foi feito desde que você assumiu o comando da bateria?

Mestre Caliquinho: “O que eu tenho feito é um trabalho de base. Desde que a gente assumiu temos feito um grande trabalho lá na comunidade do Santa Marta e adjacências, que é o Leme, tem o pessoal lá da Cidade de Deus, lá na descida do Humaitá, que é o Gil, eu e o Tião Belo fazendo um grande trabalho no Santa Marta junto com o Pezão que é meu irmão, tem o Jhonny, garoto bom lá, meu sobrinho Patrick, uma galera que também na São Clemente tem feito bastante aula de percussão aqui, que foi uma das primeiras escolas a começar com aula de percussão, depois que gerou essa parada toda aí das outras escolas fazerem. Quando se fala Grêmio Recreativo Escola de Samba, a gente tem que dar aula para a galera, formar ritmistas em casa. Então, a gente forma muito ritmista em casa e tem dado bastante resultado. Tem dados resultados muito bons, 2015 a gente emplacamos nos 40 quando eram quatro jurados, e de lá pra cá a gente não deixou a peteca cair, continuamos fazendo um grande trabalho. Aí teve um ano que oscilou, tomamos um 9,9 , mas procuramos saber onde a gente errou, e a gente fica ali em cima da galera para a gente não errar mais. E, não tem só aquela coisa de fazer o gosto do jurado, mas a gente faz um grande espetáculo que é para o público, a gente faz bossa para o público, a gente faz paradinha para o público, a gente faz ritmo para o público da Sapucaí, e ritmo também para manter a pulsação da escola”.

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Você trabalha muito com os meninos e meninas da comunidade. Como isso é feito?

Mestre Caliquinho: “O bom das comunidades, de ter um professor da comunidade é que você conhece realmente o fundamento de cada criança. Quando a criança chega um pouco revoltada você já sabe o porquê. O porquê da mãe que de repente é usuária de drogas, ou se não o pai, ou o pai que é revoltado, que bate nas crianças, e a gente abraça essas crianças como se a gente fosse um segundo pai, como se a gente tivesse apadrinhado o menino e a menina. E a gente vai na casa para entender, já que eu sou nascido e criado lá, fica mais fácil de abordar o pai e a mãe, e perguntar o porquê de a criança estar revoltada, ou por estar faltando. E, tem mãe que não deixa porque se faltar ao colégio, a mãe não deixa ir para a percussão. Porque eles são assim, querem faltar ao colégio e ir para a percussão. Não, eu falo que se faltar ao colégio não vai vir para a percussão. Então, de antemão, eu falo que tem que estudar para depois vir aqui para a percussão. E, o trabalho é árduo, porque, conforme eu falei, tem uns garotos revoltados, mas que hoje em dia tem garoto que era revoltado, mas hoje está como meu diretor aqui, e diretor em outros blocos também, porque a gente tem que levar a garotada para todos os blocos para passar um pouco da comunidade, para passear um pouco. Não adianta você também ficar lá o tempo todo só dando aula, e ficar lá. Não, você tem que mostrar o mundo conforme fizeram comigo, o Tião Belo me levou para o ‘Suvaco do Cristo’, para o ‘Espanta’, os blocos da Zona Sul que a gente tem lá, e me levou para outros lugares, para as escolas de samba, para eu reconhecer a batida de cada escola e eu fui aprendendo, ele foi me dando aula e eu fui tendo esse conhecimento de cada batida e também eu absorvi isso tudo e passei para frente para a galera toda. E a galera sabe fazer uma batida da Mocidade, sabe fazer uma batida da Unidos da Tijuca, sabe fazer partido alto, sabe da Mangueira, sabe fazer afinação, sabe montar e desmontar um instrumento, sabe a importância da afinação de cada instrumento, o carinho que a gente tem que guardar o instrumento, e saber como é que é a vida fora de uma comunidade. Nem tudo que está lá que eles pensam que é certo, eles têm que aprender aqui fora também que a gente tem que mostrar a grande sociedade para a garotada da comunidade”.

O que foi mais difícil quando você assumiu e teve que enfrentar o Grupo Especial do Rio de Janeiro?

Mestre Caliquinho: “O maior desafio era não ser conhecido. Tipo assim ‘quem é esse mestre aí?’. Ainda bem que eu vim, não é que na aba do Gil mais o Renato, eu comecei junto com o Gil. O Gil sempre me deu um suporte, tenho o maior carinho por ele, comecei junto com uma galera forte pra caramba, e os caras me deram a oportunidade de botar na frente da bateria. E, era uma coisa que eu não queria, não queria nem ser diretor, minha parada sempre foi ser ritmista e os caras viram o meu tamanho, o meu gesto, a minha dedicação em cada instrumento, o meu carinho pela bateria, então, fui, assumi aí. Quando eu assumi mesmo foi em 2018, mas até então vim no carnaval até 2018 junto com o Gil, depois eu assumi sozinho. Mas eu não estava sozinho, eu não sou sozinho, existe uma diretoria por trás de você, o Pezão, o Maraca, o Jhonny, Rafaelzinho, William que está agora no chocalho, o Lolo, o Léo, uma rapaziada que me dá o maior apoio, me dá a maior força e me dá o maior suporte para a Fiel Bateria tocar do começo ao final da Sapucaí”.

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Quem é sua referência em bateria no carnaval? E por qual motivo?

Mestre Caliquinho: “A minha referência sempre foi o Renatinho. O Renatinho foi mestre de bateria, não sei se todo mundo sabe, durante 19 a 20 anos. Minha maior referência foi ele. Também o Tião Belo pela tranquilidade para comandar a bateria e o mestre Celinho que ficou na Unidos da Tijuca por muitos anos, que montou aquela bateria, a bateria maravilhosa que é a Pura Cadência da Unidos da Tijuca”.

Como você enfrentou esses dois anos sem desfiles?

Mestre Caliquinho: “Foi bravo cara, se a gente não tem amigos, gente que colabora com a gente. Teve muitos amigos que graças a Deus colaborou com cesta básica da comunidade para segurar a onda porque parou foi tudo, não teve show, não teve samba, não teve desfile, não teve evento, e como é que faz isso se a gente depende disso, se a gente é músico? Ficou complicado, mas graças a Deus perante os amigos, a própria São Clemente fez doação de cesta básica. As escolas de samba se moveram, o Ritmo Solidário do China da Sapucaí também ajudou, então deu para segurar a onda devido a essa galera está ajudando, mas também a galera não deixou a peteca cair, foi lá, a galera rodou de bicicleta, trabalhou nos aplicativos para ganhar um dinheirinho. Porque se não fosse isso, a galera estaria meio que ‘ferrada’”.

Incomoda quando você ouve todo ano que a São Clemente é cotada para cair? Qual é a resposta?

Mestre Caliquinho: “Agora eu fico rindo, né? Eu fico rindo! Porque desde 2011 a gente está lá no Especial, quando sempre descia duas era cogitada a São Clemente e mais uma, e nunca foi. A gente fez um carnaval sem dinheiro, a gente não tem grandes patrocinadores, a gente não tem ‘bicheiro’, a gente é na garra. Aqui não é só bateria, a bateria ajuda no carro alegórico, a bateria ajuda na limpeza da quadra, a bateria ajuda trazer componentes, cada um traz dois componentes para desfilar na escola, e aqui a gente vem cantando à vera, não é escola de samba ‘modinha’, mas aqui, a gente vem na garra. A gente é cotada para descer porque falam que a gente é da Zona Sul e é playboy, né? E aqui não é bateria nem de playboy, e nem é escola de samba de playboy. E as comunidades que estão na Zona Sul? As comunidades sofridas que descem para caçar o pão de cada dia e depois vir no ensaio? Mesmo cansado? Estamos aí desde 2011 no Grupo Especial, e acho que vai ter que aturar mais um pouquinho, cara. Pela dedicação das comunidades que descem e vem aqui fortalecer a São Clemente, porque a São Clemente é da Zona Sul sim, mas também é das comunidades que estão na Zona Sul”.

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Como funciona o trabalho de vocês da bateria com o carro de som da São Clemente?

Mestre Caliquinho: “Sempre foi maravilhoso. Eu lembro que em 2004 era o Anderson Paz, ele entrou para fazer o carnaval de 2001, ficou até 2004, depois entrou o Clóvis Pê, depois o Leonardo Bessa, e sempre teve um vínculo com a Fiel Bateria, e sempre batemos um papo tranquilo, nunca teve um querer ser mais do que o outro. Porque não adianta só a bateria tirar 10, e o canto não tirar 10. Harmonia, carro de som. Aqui é um pelo outro. Aqui nós somos escola de samba. Aqui se a gente não receber, a gente vai continuar vindo. Tem escola aí que se o cara não receber, o cara vai fazer corpo mole. Então, quando a São Clemente está bem, pode-se dizer que os componentes vão estar bem, os funcionários vão estar bem. Se está mal, mas está todo mundo ali na hora do ‘osso’. Eu falo para o presidente, ‘presidente, na hora do osso a gente vai chegar junto, mas na hora do filé, a gente também vai estar junto com aqueles que chegaram na hora do osso’. Faltou falar do grande Igor Sorriso, que começou comigo lá no Santa Marta, mas já tinha começado comigo aqui, eu sou fundador da escola de lá, existe uma escolinha lá também, Mocidade Unida do Santa Marta, depois trouxemos o Igor para cá. Aí deu aquele show na Avenida em 2015 e nos outros anos, o Igor Sorriso, pô, hoje em dia está em São Paulo graças a Deus, e graças ao empenho e à dedicação dele. Leozinho é um garoto maravilhoso que também comigo deu o maior suporte, e hoje em dia está o Leozinho e o Maninho, grande garoto lá do Vidigal que está arrebentando aí no carro de som junto com o Leozinho”

Qual a preferência do Caliquinho? Bossas ou passa reto? E por qual motivo?

Mestre Caliquinho: “Uma bossa para apresentar para os jurados e pulsação mantendo o ritmo para a escola se manter cantando, manter mesmo o ritmo para a escola. Eu prefiro isso, eu amo bossas, sou o cara que quando entrou aqui novo pra caramba, só pensava em bossas, mas depois eu fui tendo um freio do presidente, fui tendo um freio da galera, falando ‘não é só bossa, Caliquinho, é ritmo’, então a gente vai aprendendo, né? Não é que a gente sabe tudo, a gente vai aprendendo cada vez mais e, eu prefiro ritmo, uma bossa mais para se apresentar para o público, e também para se apresentar para os jurados”.

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A bateria tem que fazer coreografia ou não?

Mestre Caliquinho: “Depende muito do enredo. Se for um enredo afro, a gente vai fazer a dança afro, se for um enredo alegre, a gente vai parar a bateria, como houve de 2016, a gente fazia uma bossa reverenciando os palhaços, fazia uma palhaçada, tinha uma ala que veio atrás da gente com 200 componentes e fazendo aquele panelaço. E, é tudo de acordo com o enredo que eu penso que tem que fazer, e, até a própria bossa tem que ser de acordo com a melodia do samba”.

Sobre fantasia, como foi até hoje a conversa com os carnavalescos que passaram pela escola e como está sendo agora com o carnavalesco para o desfile de 2022?

Mestre Caliquinho:”Tens uns medalhões que passaram que eles não perguntavam muito não, botavam a fantasia, tanto que teve um ano aí que a fantasia estava pesadíssima, eu expliquei para o presidente, ‘presidente está fantasia além de estar pesada o acústico dela faz segurar o som todinho da bateria ‘, então conforme for com roupa mais leve, mais ritmo sai, e os ritmistas se sentem menos sufocados. Por exemplo, tem que colocar uma fantasia luxuosa, beleza, eu concordo, mas contanto que ela seja leve e dê para o componente da bateria ficar à vontade, e mandar até dancinha ou coreografia dentro da bateria. Para 2022 vai vir leve, vai ser uma coisa engraçada porque quem vai fazer esse carnaval é um grande parceiro, Thiago Martin, ‘parceirão’, tem 10 anos de São Clemente e então a gente fez uma grande amizade, e tudo fica muito mais fácil de se trabalhar, tanto carro de som e carnavalesco, como harmonia, que é o Marquinho Harmonia que está há muito tempo na escola, eu nascido e criado na escola, então fica tudo mais fácil de lidar com essa galera”.

O presidente Renatinho tendo vindo da bateria ele dá muito puxão de orelha?

Mestre Caliquinho:”Ah, ele dá muita apitada. Toda hora ele está ali, ele desfila comigo lá na frente. Ele fala na hora que tem que fazer bossa, tem momento que ele quer a bossa que não está na hora e eu falo ‘calma, que vai chegar’, então a gente ali é como se fosse pai e filho. Vou na casa dele e converso com ele, ele também vai na minha casa na comunidade do Santa Marta, é um cara diferenciado, se está bom ele fala na rede social, se está ruim ele também vai lá reclamar, mas a gente entende a preocupação dele, que é uma escola de samba que veio do falecido Ivo que é o pai dele, e ele tem uma grande paixão por essa escola aqui, que é uma escola de família”.

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O som da Avenida é alvo de reclamação de todos os mestres. Qual sua análise?

Mestre Caliquinho:”Eu também já reclamei muito, fui lá na plenária da Liesa já reclamei bastante porque eu fui penalizado por causa do som da Avenida, o som da Avenida, tipo assim, oscilando, oscilando muito, então não dava para fazer a convenção, tinha que levar reto, o carro de som estava com uma pegada e as caixas da Avenida estavam em outra. Mas, a Fiel Bateria teve como segurar porque nós cantamos pra caramba o samba, e teve como passar, esse último ano de 2020 foi meio que um sufoco, mas deu para passar. Mas, tem como melhorar, eu acho que tem como melhorar”.

Qual foi seu desfile inesquecível na São Clemente? E qual gostaria de esquecer?

Mestre Caliquinho:”Inesquecível foi o 2015, ali, por mais que a nossa fantasia não fosse lá essas coisas, a fantasia não era lá essas coisas, mas o ritmo era impecável. E, o que eu queria esquecer era o de 2017, poderia ser melhor, aquela questão que eu estava falando, a roupa, a roupa atrapalhava muito, então poderia ser melhor”.

Referências no quesito comissão de frente, Rodrigo Negri e Priscilla Motta prometem emocionar os mangueirenses no desfile

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No carnaval do Rio de Janeiro, não há como falar de comissão de frente sem citar o casal de coreógrafos Rodrigo Negri e Priscilla Motta, que revolucionaram o quesito, em 2010, no título da Unidos da Tijuca, com “Segredo” e a comissão que fazia diversas trocas de roupa na avenida. Em seu terceiro carnaval na Estação Primeira de Mangueira, a dupla promete emocionar os mangueirenses com a comissão do enredo que homenageia três ícones da escola: Jamelão, Delegado e Cartola.

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Fotos: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

O enredo Mangueira, “Angenor, José & Laurindo” , desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira, busca homenagear três grandes figuras da Estação Primeira de Mangueira, do morro da Mangueira e do carnaval, retratando-os também como figuras do cotidiano da nossa sociedade, um baleiro, um engraxate e um camelô. Diante de tamanha responsabilidade, ao ter que falar de figuras históricas da verde e rosa, que há tempos eram aguardadas como enredo, Priscilla e Rodrigo dizem se sentirem honrados por estarem vivendo esse momento na Mangueira.

”Honra, privilégio e sorte de estar vivendo neste tempo, neste momento e estar na Mangueira neste momento é muito especial. É um enredo feliz, é um enredo que, depois de dois anos e tudo que a gente viveu, a sociedade brasileira principalmente, a gente vem pra lavar a alma e essa chuva veio realmente pra lavar”, afirmou Priscilla. ”É, como a Pri falou, um privilégio”, completou Rodrigo.

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Mas, apesar de toda honra e emoção de retratar os três baluartes da Estação Primeira de Mangueira, Priscilla e Rodrigo relatam maior dificuldade em projetar um trabalho de comissão de frente em enredos que abordam homenageados. “É mais difícil, mas eu acho que depois que a gente engatou na ideia, é um prazer e uma honra tão grande que o trabalho deslanchou. Então, a gente está muito feliz com o resultado”, garantiu Rodrigo.

Sem querer adiantar muitos detalhes, sobre o que não pode faltar para esse enredo ou se os homenageados estarão já na comissão de frente, “sem spoiler”, Rodrigo e Priscilla falaram sobre o fator que consideram principal no trabalho realizado para o carnaval de 2022: a emoção. Classificado pelos dois como o projeto que mais os emocionou, o casal trata a comissão como um “presente para o mangueirense”.

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”A gente não pode falar, mas assim, vai trazer muita emoção. As pessoas podem esperar que é um dos trabalhos que mais tocou o nosso coração e pode ter certeza que vai ter muita gente emocionada”, disse Rodrigo.

No ensaio técnico na Sapucaí, o casal brindou o público com uma apresentação de comissão de frente formada por 15 homens, vestidos com roupas verde e rosa e chapéu “estilo Delegado” e uma bela dança, com muito samba no pé. O casal garante ter um entrosamento de primeira com o carnavalesco Leandro Vieira, que está em seu sétimo ano na escola.

“A relação é a melhor do mundo. O Leandro é um amigo, um parceiro, a gente se fala todo dia no barracão e depois no telefone em casa, o tempo todo junto, a gente curtindo o que ele faz, ele curtindo o que a gente faz, é sucesso”, comentou Priscilla. ”A gente já tem uma parceria, é o terceiro ano, então assim, o Leandro é um parceiro, está o tempo inteiro conosco nos ensaios”, afirmou Rodrigo.

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Por fim, o casal revelou um único detalhe da apresentação da comissão de frente da Mangueira no carnaval de 2022: a utilização de um elemento cenográfico, tripé, o maior usado por eles na escola, até aqui. Além de estar inserido no contexto do enredo, o elemento cenográfico será usado pelo casal como “backstage”, espaço de bastidor que pode ser usado para trocas de roupa, guardar materiais, esconder integrantes que não estejam participando da cena no momento e dentre outras coisas.

“Vamos utilizar o elemento cenográfico, que é um elemento de apoio para que a gente consiga colocar nossas ideias em prática”, explicou Priscilla. “Eu acho que o elemento bem inserido dentro do enredo é super válido. Ele serve de backstage, então assim, é o primeiro ano na Mangueira, que a gente vem trazendo um elemento cenográfico, nos outros anos nós trouxemos um tripé menor e esse também não é tão grande, mas é um elemento cenográfico que vai servir de backstage pra gente”, completou Rodrigo.

Com o casal de coreógrafos super gabaritados no quesitos e promessa de muita emoção, a Mangueira tem tudo para abrilhantar ainda mais a primeira noite de desfiles, dia 22 de abril, com uma bela comissão de frente e o enredo “Angenor, José & Laurindo”, em homenagem aos mestres Cartola, Jamelão e Delegado.

Série Barracões: Império da Tijuca projeta desfile com muita expectativa da comunidade no enredo e samba

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O Império da Tijuca desde o carnaval de 2013, vem arrancando muita expectativa e curiosidades do público quanto aos seus desfiles. Depois da merecida subida ao Grupo Especial com o enredo: “Negra, Pérola Mulher”, a escola vem mostrando um ótimo trabalho e desempenho, que muito se deve também à sua administração e ótima escolha de profissionais. Apesar da chegada triunfal ao Grupo Especial no carnaval de 2014, a escola logo foi rebaixada novamente ao Grupo de Acesso, atual Série Ouro. O rebaixamento foi tão inesperado que repercute comentários até hoje, não só dos componentes da escola, mas sim por todos os sambistas.

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Fotos de Isabelly Luz/Site CARNAVALESCO

O jovem carnavalesco Guilherme Estevão é o responsável pelo desenvolvimento do desfile de 2022. O enredo “Samba de Quilombo – A Resistência pela Raiz” gerou muita expectativa não só na comunidade, mas também no próprio artista. “Eu comecei no carnaval virtual com 13 anos, onde eu ganhei três vezes no Grupo Especial, e isso acabou chamando atenção das pessoas no carnaval real. No carnaval real eu trabalhei da série de avaliação até o Grupo Especial como assistente e como figurinista, e fui fazendo como assistente e projetista alegórico várias outras cidades: Uruguaiana, Belo Horizonte, Vitória, Porto Alegre, etc. Em 2018, quando eu de fato viro assistente do Jaime Cezário no Porto da Pedra, isso abre uma porta fundamental e então eu chego no Grupo Especial como assistente na União da Ilha, e no mesmo ano faço a Independentes de Olaria como carnavalesco, resultando na vitória da escola e diversos prêmios. A partir desse trabalho o Império da Tijuca me convida e hoje estou há três anos no Império da Tijuca com um desfile só. Eu costumo brincar aqui que eu sou o carnavalesco mais longe da escola com um desfile só. Estamos indo para o segundo ano, o primeiro ano foi um ano também atípico porque eu chego na escola já com tema de enredo definido, tema da Educação, eu tive que desenvolver. Esse ano vai ser o primeiro carnaval com um tema meu apresentado a escola, por isso é um carnaval com muita expectativa”.

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O Império da Tijuca levará para o Avenida, no dia 22 de abril, o enredo sobre “Quilombo”. Durante a entrevista, Guilherme Estevão contou ser um dos enredos favoritos do público, já era uma vontade sua de muito tempo, e que na verdade essa vontade teria sido descoberta através de uma pesquisa por até então outro enredo sobre Solano Trindade.

“Esse enredo já está guardado na minha gaveta tem uns anos. Eu comecei a descobrir a história do Quilombo pesquisando outro tema, que era Solano Trindade, um importante poeta negro, e com isso acabei descobrindo que Solano havia sido enredo em 1982 de uma escola chamada Quilombo, a qual eu ainda não conhecia. Quando fui descobrir que diacho de escola de samba era aquela, eu pensei: Caramba, que história incrível! A partir disso, me abriu um leque enorme. Obviamente eu tinha alguns receios, até porque o Quilombo é uma escola de samba contra esse processo que a gente vive hoje, a disputa. O Quilombo não disputava carnaval, ele era manifesto contra algumas questões do carnaval. Mas ao passo que eu fui pesquisando Quilombo, eu fui encontrando uma série de similaridades com o Império da Tijuca, então isso foi cada vez mais agregando valor e me sinalizando de que eu deveria trazer esse tema que foi logo abraçado pela diretoria da escola e depois pelos componentes, e eu acho que por todo o grupo de sambistas que amam o carnaval e reconhecem a importância de trazer um enredo como quilombo nesse momento em que estamos vivendo”.

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Quando perguntado sobre o que mais o fascinou na pesquisa pelo enredo, o artista do Império da Tijuca citou: “Eu acho que foram esses pontos de encontro com o Império. Primeira questão que eu achei incrível foi um elo espiritual que eu nem conhecia, o Império da Tijuca e o Quilombo são do mesmo dia, 8 de dezembro. Também possuem a mesma padroeira (Nossa Senhora da Conceição- Oxum), então ali já dizia que elas tinham que estar juntas. O Quilombo querendo ou não, não é uma história antiga, a gente está falando de uma história com menos de 50 anos e que muita gente não conhece, além de ter envolvido muito baluartes do carnaval, pessoas que são fundamento e raiz da história do samba e do carnaval e que a história foi omitida e negligenciada durante esse período. Até o conteúdo do Quilombo foi difícil de encontrar, fui buscar através de tese de doutorado e documentários. Quando vamos descortinando os desfiles do Quilombo, porque até mesmo se falar do Quilombo, se lembrava muito do período em que Candeia era vivo. Candeia fundou a escola em 1975 e ficou até 1978. Mas o Quilombo desfila até 1985, então tem uma serie de personagens e de movimentos da cultura afro brasileira de exaltações que o Quilombo fez, que foram muito enriquecedores de descobrir durante essa pesquisa. E mais do que isso, identificar músicas que as pessoas cantam em rodas de samba que elas nem sabem que eram samba enredo do Quilombo. Martinho da Vila, Luiz Carlos da Vila, Nei Lopes. Quando a gente passa a encaixar as peças, as coisas ganham um olhar e uma importância ainda maior”, relatou o carnavalesco.

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Não é de hoje e nem segredo para ninguém a discrepância financeira entre o Grupo Especial para a Série Ouro e o quanto essa diferença implica na qualidade do desfile. Por conta da falta de verba, muitas escolas possuem dificuldade seja para se manter no Acesso ou para se manter no Grupo Especial quando sobem. O que já era difícil em tempos normais, se tornou ainda mais complicado em momentos de pandemia.

“A gente está sempre tendo que se adaptar à realidade que é muito dura aqui na Série Ouro, eu diria até que no último carnaval foi ainda pior, porque a gente não teve subvenção alguma, foi um carnaval de milagre aqui no Império da Tijuca, trouxemos notas e um desfile digno. Esse ano a dificuldade também é enorme, querendo ou não você passa dois anos dentro de um projeto em que você repetidas vezes para e anda. Até janeiro as perspectivas eram uma, depois você muda as perspectivas quando mais uma vez interrompe o ciclo e adia o carnaval. Você tem mudança de regulamento justamente pela realidade em que o país e consequentemente o carnaval enfrenta. Foi um carnaval muito cansativo em todos os sentidos. A realidade financeira nos obriga a criar soluções. Aqui no Império a gente buscou fornecedor de vários lugares diferentes para conseguir dar conta de trazer material bom para esse lugar, porque a gente passa por uma crise de produção muito séria aqui no Rio de Janeiro e no país depois da pandemia. Os valores dos produtos estão muito altos por causa do dólar. A gente já tem uma dificuldade muito grande em relação ao calendário do repasse de verba, é uma indefinição muito grande sobre as coisas, e aí a gente tem toda essa incerteza sobre a realização ou não do carnaval. Acho que no final a gente quer muito que esse carnaval saia não só para mostrar o nosso trabalho, mas também para dar uma pausa na cabeça, porque é um cansaço imenso durante esses dois anos de ciclo. Foi talvez o ciclo mais desgastante para todo mundo, não só para o Império da Tijuca, mas sim para todo o Acesso e Intendente, onde esse processo com certeza foi ainda pior”.

Enredo e samba

Mesmo com todos os empecilhos, a escola promete não só para a comunidade do Morro da Formiga, e sim para todo o público um ótimo espetáculo. No barracão, junto ao carnavalesco Guilherme Estevão, outras figuras importantes lutam apelos últimos ajustes para o desfile da escola, destaque para o diretor de barracão Luan Telles e o chefe dos aderecistas Rafael Furtado. A escola conta com 1500 componentes, 20 alas, 3 carros e 2 tripés, sendo um da comissão de frente.

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O Império da Tijuca é sempre reconhecido por seus belíssimos sambas por consequência de enredos muito bons. O carnavalesco defende a importância social do enredo da escola para a sociedade, além de prometer um desfile trazendo a verdadeira essência cultural do samba, exaltando a personalidade negra e a tornando protagonista da festa.

“Eu acho que o grande trunfo do desfile é ser verdadeiro com aquilo que é a essência do samba. A gente vive um momento que é delicado, é o momento da transformação do carnaval, de desgaste de muitas formas, desgaste do processo que o carnaval vivia em termos de mercado, em termo de gigantismo. A gente passou agora dois anos sem carnaval, estamos vivendo uma nova realidade, que de alguma maneira obrigou as escolas de samba a se reaproximarem do seu próprio público, da sua própria comunidade, nas ações sociais, na ajuda ao enfrentamento da pandemia, nos problemas e nas dificuldades que a gente teve para os trabalhadores do carnaval. Acho que trazer um enredo que fala da essência fundamental do carnaval, que é o samba de verdade, é o reconhecimento e protagonismo negro na festa, a cultura afro brasileira essencialmente eu acho que é um trunfo muito grande para a gente. Estamos falando de raiz e de identidade, todo mundo que estava vivendo ali, sobretudo no Grupo de Acesso que é uma coisa mais povão, mais verdadeira, o caráter emocional da coisa ganha uma proporção muito maior, então eu acho que essa verdade que vai estar inserida tanto no desfile quanto no samba, é o grande trunfo que a gente tem, mais do que um elemento x ou y”.

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Quanto ao impacto social do desfile, Guilherme Estevão afirma: “Esse enredo é importante justamente para a gente passar a se renxergar como escola de samba, como movimento cultural negro, entender o protagonismo do artista negro na festa, se reexergar também não só como objeto de mercado. A gente entende que hoje o carnaval é uma grande cadeia produtiva, gera bilhões para o estado e para a cidade, além de milhares de empregos, mas a gente também precisa entender a lógica fora do mercado do carnaval. É ruim a gente sempre só exaltar a questão financeira para justificar a sociedade que é importante ter desfile de escola de samba. É muito importante exaltar isso, é claro, mas a gente não pode perder de vista o caráter cultural, histórico e ancestral que envolve a escola de samba. Eu acho que esse enredo é justamente olhar para si novamente e entender o que é raiz e fundamento. Foi isso que o Quilombo fez em forma de protesto. Quando se cria a escola de samba é um protesto justamente contra esse novo olhar de mercado, isso lá na década de 70 e a gente segue vivendo isso agora em 2022”.

Entenda o desfile

Setor 1: “O primeiro setor do Império a gente começa apresentando as bases e os fundamentos do Quilombo, o que orienta esse projeto de escola de samba, que é a ancestralidade, a tradição, a resistência do povo preto e a proteção da cultura negra, arte negra. A gente abre com esses fundamentos para mostrar o que o Candeia chamava de nova escola”.

Setor 2: “Passamos para o segundo setor, onde vamos mostrar quais eram as bandeiras de luta desse Quilombo. O Quilombo está inserido no processo da década de 70, que é um momento de ressurgimento do movimento negro, que estava sendo clandestino e oprimido durante a ditadura militar, e aí nesse processo surgem vários núcleos de pensamentos políticos, culturais e sociais da cultura negra e um movimento unificado negro que dentro desse processo estava o Quilombo. Então o Quilombo tinha várias bandeiras de luta, era o reconhecimento da negritude brasileira, do papel político do negro, o processo quanto a essa mercantilização do carnaval e contra esse embranquecimento do carnaval. Ou seja, esse afastamento do protagonismo negro e valorização dos artistas plásticos que não são da comunidade e não vieram da comunidade”.

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Setor 3: “No terceiro setor, a gente mostra que o Quilombo era um centro de artes negras, como diz o próprio nome da escola, então era o lugar onde as práticas folclóricas e culturais negras eram exaltadas, como a capoeira, o jongo, maracatu, afoxé, samba de caboclo e rituais afro religiosos. E a gente encerra o desfile trazendo todos os desfiles do Quilombo, os quais tinham como obrigação homenagear heróis, momentos ou lutas da cultura afro brasileira. Então esses desfiles trouxeram Zumbi dos palmares, Solano Trindade, os 90 anos da abolição, os cinco séculos de resistência”.

Setor 4: “E então encerramos isso tudo unindo essas duas resistências, a resistência negra do Império da Tijuca com a resistência negra do Quilombo, que tem um elo para além de resistência e de cor por se reconhecerem escolas pretas, tem um elo espiritual que é o elo da padroeira Oxum, então as escolas tem algo muito íntimo e muito forte que une as
duas agremiações e em todos os sentidos”.

Site CARNAVALESCO entrevistas SP | Luciana Silva, presidente da Tom Maior

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Gaviões da Fiel se posiciona sobre agressão sofrida por carnavalesco

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O carnavalesco dos Gaviões da Fiel, Zilkson Reis, está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa em São Paulo após ter sofrido uma agressão no fim de semana. Segundo o Boletim Médico, divulgado na terça-feira, o artista ele está com um coágulo na cabeça e um pulmão perfurado.

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Confira abaixo a nota oficial dos Gaviões da Fiel:

“Desde domingo (27), estamos apurando, como entidade, uma suspeita de abuso, que o até então carnavalesco, Zilkson, cometeu. Ouvimos a vítima, uma mulher, em estado de vulnerabilidade que nos relatou os momentos de constrangimento que passou. A fim de protegê-la fisicamente, psicologicamente e evitar um maior desgaste emocional, estamos prestando todo o apoio a ela, desde o momento da realização do boletim de ocorrência, até agora.

Mensuramos também, por conta desse fato e para proteger a vítima, Zilkson foi agredido quando ela gritou por socorro. Sabemos que a lei existe para punir indivíduos que cometem crimes, não compactuamos com nenhum tipo de violência, entretanto, para defendê-la naquele momento de constrangimento, se deu o ocorrido.

O prestador de serviços que cometeu as agressões, está afastado da entidade, até que tudo seja esclarecido.
Por conta da situação, entramos em contato com a família do Zilkson, a fim de trazê-los para São Paulo, onde prestaremos assistência, para que possam acompanhar a recuperação dele e uma eventual investigação acerca deste fato.

Quanto ao suspeito, não prestará serviços para a entidade. Essa decisão se dá porque nos Gaviões da Fiel Torcida, não há espaço para situações como esta e qualquer outra forma de desrespeito com a mulher.
NÃO É NÃO. DIRETORIA GAVIÕES DA FIEL TORCIDA”.

Bateria do Império Serrano prepara surpresa para desfile e mestre Vitinho revela: ‘Uma pimentinha a mais na Sapucaí’

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Duas semanas após brilhar no ensaio técnico da Sapucaí, o Império Serrano voltou à Sapucaí nesta terça-feira, desta vez para trabalhar a bateria no setor 11. A Sinfônica do Samba fez ótimo treino no Sambódromo e prepara grande show, com variedade de instrumentos e coreografias, além da eficiência implementada por Vitinho. O mestre falou sobre a importância do ensaio com os ritmistas na Avenida e destrinchou algumas surpresas que levará para o desfile oficial.

“Tivemos a oportunidade de ser uma das primeiras escolas a voltar para a Sapucaí e fazer o ensaio técnico, e foi uma emoção muito grande. Ver todos os componentes da escola emocionados foi muito bacana. Aqui é a nossa casa, então poder pisar aqui para poder tirar dúvidas, limpar e se preparar para o dia do espetáculo é uma realização. Nada melhor do que treinar no campo onde você vai jogar a final. A acústica aqui ajuda bastante, a formação aqui também é diferente da que é feita na quadra. Eu fiz questão de ter esse ensaio aqui, porque a gente se prepara ainda mais. As pessoas elogiaram muito o ensaio técnico, mas eu sou chato, bastante crítico”, disse Vitinho, que emendou:

“Em 2020, eu não tive oportunidade de ensaiar aqui com a Ponte, e faz muita diferença. Aqui é muito importante não só para a bateria, mas para o carro de som também. Dentro do ritmo, eu sou suspeito para falar, mas a bateria está pronta. Sempre tem algo para melhorar. Algo que me incomodou um pouquinho foi a formação no ensaio técnico. Então eu pedi esse ensaio aqui não pelo ritmo, porque estamos bem encaminhados, com os naipes de caixa, afinação dos surdos, colocamos vários repiniques. O balanço está bacana. O treino hoje é para a formação e para a capoeira, que é uma pimentinha a mais que eu vou trazer para o desfile”, completou o mestre do Império Serrano.

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Vitinho fará o primeiro carnaval como mestre de bateria do Império Serrano, escola do coração do músico. O comandante da Sinfônica revelou que a ideia da bossa da capoeira veio após um sonho, e será realizada com os agogôs reproduzindo o som dos berimbaus. Os surdos de terceira vão substituir os atabaques para dar ainda mais a ideia da capoeira, esporte no qual Mangangá, enredo da escola, ficou notabilizado. Além desta, a bateria do Império deve fazer também outras três bossas.

“É emocionante estar trabalhando no Império, é a minha escola, da minha família. O presidente está sendo incansável, se esforçando o tempo todo para atender os nossos pedidos. Às vezes você não consegue fazer um trabalho por causa de recursos. E aqui, a gente tem isso, então só depende de nós. Os carros estão lindos, minha fantasia já está comigo há dois meses. O público pode esperar uma bateria com andamento bom, com o swing do agogô, caixa bem tocada e o repinique que é uma marca muito forte do Império Serrano. A ideia é passar para os jurados um bom som, e para o público um grande espetáculo com algumas surpresas na Sapucaí, porque é disso que se trata o Carnaval, cultura, alegria e diversão”, encerrou Vitinho.

A Sinfônica do Samba levará para a Sapucaí 254 ritmistas e também vai preparar uma bossa de baixo para impulsionar o canto no verso ‘Sou eu Império da patente de Ogum’. Além da bateria, o Império Serrano também levou para o ensaio do setor 11, a Comissão de Frente, casal de mestre-sala e porta-bandeira, a ala coreografada ‘Exu’ e o carro de som. Os intérpretes Igor Vianna e Nêgo comentaram o trabalho no setor 11 e se mostraram otimistas pelo retorno da escola ao Grupo Especial.

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“Cada momento aqui está sendo especial, ainda mais agora que estamos mais perto de entrar na Avenida. Vai ser um momento muito especial. Hoje são os últimos detalhes, é uma parte muito importante do processo. Vocês podem esperar uma escola muito feliz por estar voltando à Sapucaí. Estamos muito unidos e fortes. O presidente está fazendo de tudo para honrar a grandiosidade do Império Serrano e com certeza o povo de Carnaval vai ser emocionar com a escola na Avenida”, declarou Igor Vianna.

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“Quando assumiu, Sandro Avelar me trouxe para cá por toda identificação que eu tenho com a escola. E tem sido muito boa essa volta. Para mim foi muito importante também, ganhei dos estandartes aqui. Esse ensaio aqui hoje é muito bom, porque o Império Serrano precisa fazer um grande desfile. O lugar do Império não é na Série Ouro, com todo respeito às outras escolas, mas o Império tem que estar no Grupo Especial. Uma agremiação desse tamanho, com esse nome, não pode se conformar de estar no segundo grupo. A escola tem toda estrutura para fazer um grande desfile e vamos em busca do acesso”, comentou Nêgo.

Alerj vai conceder Medalha Tiradentes para mestre Dudu

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A Assembleia Legislativa do Rio vai homenagear Carlos Eduardo Arcanjo de Oliveira, o Mestre Dudu, que há mais de 10 anos comanda a bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel, vai receber a Medalha Tiradentes. Maior honraria concedida pela Casa, a entrega da medalha foi proposta pelo deputado Átila Nunes (PSD) e aprovada por unanimidade. No ensaio técnico, os ritmistas da “Não existe mais quente”, apelido dado a bateria da escola, mostraram um pouco do que vão levar para a Sapucaí neste Carnaval. Em alguns momentos dos desfiles, eles param de tocar todos os instrumentos e viram para o público simulando as flechas de Óxossi, homenageado pelo enredo deste ano.

“A comenda representa o reconhecimento pelo trabalho e dedicação do mestre Dudu à frente da bateria da escola de Padre Miguel há mais de 10 anos. A homenagem é mais que merecida. Ele tem um papel importante no desempenho da Mocidade, que é uma das favoritas ao título deste ano. Importante destacar que o enredo da agremiação nos ajuda a divulgar a liberdade religiosa e o combate ao preconceito no estado ao falar de Óxossi’, defendeu o deputado Átila Nunes.

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Camarote Rio Praia vai para além do Sambódromo e faz feijoada antes do carnaval

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O Camarote Rio Praia deu mais um passo para fora da Marquês de Sapucaí. Já conhecida do público, a marca, além de possuir uma marca de roupas e acessórios, agora está indo para a linha de eventos durante o ano. Na tarde do último domingo, aconteceu a primeira feijoada Rio Praia. O evento reuniu cerca de 400 pessoas no salão do Hotel Pestana Rio Atlântica, em Copacabana, para aproveitar os shows do grupo Vou Zuar, Bateria do Império Serrano e também Mumuzinho, que será atração do camarote em 2022. Uma convidada que também marcou presença foi Mayara Lima, princesa do Tuiuti, que viralizou nas últimas semanas ao sambar com muito gingado no ritmo da bateria.

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Igor Figueiredo é arquiteto, começou a fazer o projeto do camarote em 2018 e no ano seguinte assumiu a direção de logística e produção do camarote. Ele explicou que em quatro anos de Sapucaí é o primeiro evento fora e que se sentiu surpreso com o resultado positivo. “O nosso objetivo é ir para além do Sambódromo, queremos expandir a marca Rio Praia fazer feijoadas antes e depois do carnaval e também queremos uma festa de Réveillon”, revelou. Ele também avaliou sobre o público da feijoada ser bastante variado, com jovens amigos, famílias e idosos. Na Sapucaí o mesmo acontece, inclusive, o Camarote tem o dia Rio Prainha, que funciona nos desfiles das escolas mirins.

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A Grace Freitas é biomédica, torcedora da Grande Rio e está com Daniel há 19 anos. O casal é veterano de camarotes na Sapucaí e irão ao Rio Praia pela primeira vez em 2022. “Se for como está sendo a feijoada será maravilhoso. Eu adoro Mumuzinho, ainda vai ter Belo no dia que eu vou”.

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Alan Vitor, relações públicas do Rio Praia, falou das atrações que costumam movimentar o camarote desde o começo da operação, em 2018. “A gente recebeu grandes atrações nesse tempo, como Preta Gil, Mumuzinho e Chiclete com Banana. Neste carnaval nós teremos Belo, Matheus Fernandes, Diogo Nogueira, Thiago e Rodolfo e ainda uma atração surpresa”, revelou.

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O Rio Praia tem sempre a temática do Rio de Janeiro e toda a sua exuberância de praia, mar, sol, mas neste ano terá uma iluminação especial que acompanhará as cores das agremiações que estiverem desfilando na Marquês de Sapucaí. O camarote fica localizado em frente ao segundo recuo de bateria. Inclusive, é possível assistir aos shows e assistir aos desfiles ao mesmo tempo, já que o espaço dos shows é virado para a avenida. O camarote conta com lounge e frisa para 400 pessoas.

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As amigas Mayara e Larissa vieram em família para curtir a feijoada. Elas devem ir ao Rio Praia em uma noite de avenida, mas elogiaram o serviço da feijoada e estão animadas para o carnaval. “A gente espera que seja muito divertido, com bastante bebida e inclusive picolé, que eu amo”, brincou Mayara.

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Alan Vitor também reforçou que a mudança para abril foi positiva, pois permitiu que o público consiga se organizar para ir aos desfiles e acredita que as vendas, que hoje estão em 50%, vão estourar no período do carnaval e ainda dá tempo de comprar, parcelando em até 6 vezes”, explicou.

O sucesso da feijoada foi tanto, que os organizadores estão avaliando se farão uma segunda feijoada na semana do carnaval, em abril.