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Vila Isabel faz ensaio de bateria na Sapucaí e Macaco Branco celebra: ‘Maior enredo que a escola já teve’

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Responsável por fechar o desfile das escolas de samba em 2022, a Vila Isabel foi à Marquês de Sapucaí nesta terça-feira para ensaio no setor 11. A pouco mais de uma semana para a apresentação oficial, a agremiação fez um treino com bateria e carro de som para ajustar os últimos detalhes. Mestre da Swingueira de Noel, Macaco Branco falou sobre o retorno do Carnaval após a pandemia e comentou a importância do trabalho com os ritmistas no Sambódromo antes do desfile.

“Parecia uma história sem fim esse Carnaval. Ficamos naquela incerteza de ‘será que vai ter? vai chegar abril e adiar de novo?’, mas agora está tudo se normalizando, com todo mundo vacinado, e vamos poder fazer a coisa que mais gostamos, que é o desfile das escolas de samba. Como o Perlingeiro disse, o desfile das escolas de samba não precisa ser no Carnaval. O Carnaval é do calendário católico, o desfile é tipo um ‘Rock In Rio’, é um mega evento, o maior espetáculo da terra. E não tem preço estar aqui novamente. Estão todos aqui emocionados e doidos para entrar na Avenida”, disse Macaco Branco, que completou:

“O ambiente aqui é tudo, o som, distância, arquibancada, tudo isso influencia. Mas só de estar aqui, ter uma noção do trabalho, é muito importante, é como se fosse treinar no Maracanã antes de um jogo. A 28 de setembro é estreita, não conseguimos colocar todos os instrumentos, aqui é diferente, já dá para trazer todo mundo. Minha esposa até brinca comigo e diz que eu estou morando no barracão. Está muito lindo, o trabalho do Edson é maravilhoso. A Vila Isabel está falando de Martinho, que é o maior ícone vivo da história da escola, e na minha opinião é o maior enredo que a Vila já fez. Agora tomara que traga mais um caneco pra gente também”, emendou.

macaco branco

Macaco Branco levará para o Sambódromo 276 ritmistas, com uma paradinha e três bossas planejadas, sendo uma delas reproduzindo o jeito cadenciado de Martinho da Vila. Em 2020, a Swingueira de Noel obteve nota máxima e o mestre da Vila Isabel quer repetir o feito este ano. O Carnaval de 2022 também será marcado pela introdução do metrônomo, que irá medir os bpm’s das baterias na Sapucaí. Macaco Branco explicou como o aparelho será utilizado.

“Os jurados explicaram pra gente que já utilizavam o metrônomo, a diferença é que antes era no celular, em aplicativo, e agora é o aparelho mesmo, digital, para todo mundo. Não vai ser usado para pegar lá da largada até o final, mas sim para o jurado ver o andamento da bateria no campo de visão dele. Se a bateria entrou com um andamento e saiu com outro, se a paradinha oscilou, se acelerou ou desacelerou, é mais para a análise naquele curto espaço de tempo na frente deles. Muita gente estava com medo achando que ia ser do início ao fim, mas não é”, explicou o mestre.

Há dois anos, a Vila Isabel ficou na 8ª colocação, com enredo ‘Gigante Pela Própria Natureza: Jaçanã e Um Índio Chamado Brasil’ e vai em busca do tetracampeonato na próxima semana. Os três títulos da escola foram conquistados em 1988, 2006 e 2013. Quem também marcou presença no ensaio foi a rainha de bateria Sabrina Sato, que esbanjou carisma e samba no pé. À frente do carro de som, Tinga demonstrou otimismo pelo desfile da Vila Isabel na próxima semana.

“A gente esperou tanto por esse Carnaval, então é uma alegria imensa e uma emoção muito grande. Vai ser um Carnaval de muita emoção, da gente agradecer muito pelo que a gente já passou. Ensaiar é sempre bom, ainda mais com o Macaco Branco e essa bateria maravilhosa. A gente veio aqui hoje afinar algumas coisas, sem as alas, baianas, velha guarda, pra gente saber se estamos no caminho certo. Dia de tirar todas as dúvidas pra quando chegar o grande dia a gente estar pronto”, disse Tinga, que finalizou:

tinga

“A expectativa é das melhores, um samba maravilhoso, comunidade comprou o samba, além desse enredo lindo, que faz uma homenagem ao nosso grande mestre. Tenho certeza que vamos fazer um grande desfile, a Vila Isabel está linda, fantasias maravilhosas, e alegorias muito bonitas. Vamos em busca de mais um título”, encerrou o intérprete.

Leonardo Antan: ‘Força das escolas nos ensaios técnicos mostra disputa acirrada pro carnaval’

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A cada fim de semana, desde o dia 12 de março, as escolas de samba voltaram a ocupar o solo sagrado da Marquês de Sapucaí. Reencontro mais que esperado após mais de dois anos de silêncio. Ocupar o centro da cidade com batuque, festa e arte é um ato fundamental. Envolve o grito de resistência dessas instituições culturais, que há exatos 90 anos estão se transformando e afirmando sua importância a cada folia.

Nos últimos carnavais, os ensaios técnicos foram cancelados algumas vezes. Um erro imperdoável. Já que o evento ajuda a divulgar os cortejos oficiais e a conectar a cidade com suas agremiações. Logo, voltar à Sapucaí tem muitas camadas políticas e culturais também nesse sentido. Ocupar a Sapucaí é voltar para a nossa casa, seja na pista ou na arquibancada.

Lembro até hoje do meu primeiro ensaio técnico, foi em 2007, lembro de chegar cedo na arquibancada com minha mãe no Setor 3. Naquela época, cada agremiação passava pela pista pelo menos duas ou três vezes. Os ambulantes passavam vendendo todo dia de coisa. Desde que foram criados nos meados da década passada, esses treinos são um momento especial onde as agremiações se conectam com um público que não consegue estar nos desfiles oficiais. Uma demonstração de que as escolas de samba continuam instituições populares em muitos sentidos.

A cada final de semana, as arquibancadas são lugares de reencontro, de afeto, de tupperwares recheados de salgadinhos, de isopores cheios de latões de cerveja. Nem só de desfiles podem viver as agremiações, é necessário muitos ensaios, finais de sambas, eventos que a cada dia e semana renovam nosso amor pela festa. Tudo é inesperado, surpreendente, afetivo, mágico.

Mas dito isso. Não é à toa que esses treinos ganharam o termo “técnico” no nome. Para além de toda a afetividade, se tornam um encontro importante entre público e escola, uma espécie de termômetro do dia oficial. Afinal, para que serve reunir todo o contigente de uma agremiação, sem fantasias e alegorias, só cantando o samba e evoluindo na pista? A dúvida nos vale numa questão mais anterior e que é definitiva pra festa e por isso mesmo impossível de responder: o que é uma escola de samba? Que magia faz uma?

Escola de samba é um corpo, uma arte coletiva, uma comunidade, uma rede. Mesmo sem fantasias, há ali uma escola de samba, na voz de seu intérprete, na batida de seus tambores, no bailar do seu pavilhão e seus defensores, no sambar e no evoluir de seus componentes. Pensando isso, diz o senso comum que se pode julgar num ensaio ao menos alguns quesitos, como samba, bateria, harmonia, evolução e um pouco de casal de mestre-sala e porta-bandeira.

Mas talvez esse evento realmente não tenha nada de “ensaio” ou até mesmo de “técnico”. Já que ele derrama tanto afeto, como disse nos parágrafos acima. Para além de marcar um reencontro, um flerte, em voltar a ocupar à Pista. O ensaio tem um caráter simbólico importante. Acho que hoje, a principal pergunta desse tipo de treino é: como tal escola vai se comportar?

É um momento de ver a energia da agremiação, de como ela pode se comportar na pista, tirar dúvidas sobre o rendimento de um samba, ou de o quanto a comunidade está envolvida com enredo e samba. A cada carnaval, diversos fatores vem se tornado decisivos para levar uma escola ao título. É assim, que a cada ensaio temos uma noção do que prepara cada escola ,e do nível de engajamento dos seus componentes.

Passadas as doze agremiações do especial e quinze do acesso também, vimos aqui um nível excelente nos ensaios técnicos. A maioria das agremiações fez ensaios com qualidades, que mostra uma disputa acirrada em todos os níveis da tabela, do campeonato ao rebaixamento.

Esses desfiles serviram para gerar debates e promover reavaliações de algumas agremiações e seus quesitos. Por exemplo, das que tinham seus sambas mais criticados até aqui, Portela e Mangueira, souberam manter um nível de ótimo rendimento nos seus treinos. Em especial, a azul e branco teve um ensaio com uma excelente harmonia. A bateria e carro de som conseguiram tirar do samba tudo de melhor que ele podia oferecer. Já a verde e rosa, mostrou uma garra sobre forte chuva e apostou na força de um enredo que fala de sua própria gente.

Forte chuva que atingiu também a Paraíso do Tuitui, que não desanimou e se valeu de uma boa comunicação com a arquibancada. Foi um dos ensaios mais animados da temporada, pelo menos da arquibancada do Setor 2. Caráter explosivo que também deu a largada pro Salgueiro, quando o público puxou o samba da Academia antes mesmo que ele fosse entoado pelos cantores da alvirrubra.

Salgueiro e Beija-Flor levaram contingentes enormes para Avenida, sendo prejudicadas pela falta de sonorização da pista. Um assunto polêmico a cada domingo, aliás, que eu confesso entender ambos os lados. De um lado, estão os contrários a utilização da sonorização padrão do desfile por matar a possibilidade de ouvir o canto da escola. Do os outros, a críticas de que a qualidade do som e seu alcance prejudica os ensaios.

Da ótima safra de enredos e sambas ninguém duvida, mas o que temos vistos a cada dia é muita garra e vontade dos foliões de ocupar da pista da Sapucaí. A saudade é força motora de cada desfile técnico. A Imperatriz, por exemplo, se valeu dela em seu samba e enredo. Uma agremiação que vem fazendo todos os seus deveres de casa e se posicionando de maneira forte, emocionada e motivada. É bonito ver a escola assim. E não bastasse tudo isso, no último domingo, o Loolamacumba, mostrou a força de duas agremiações com sambas fortes e potentes. Grande Rio e Mocidade fizeram um show.

Encerrando a temporada, a Viradouro se valeu já da sonorização completa da pista e uma nova iluminação, mais cênica, nos setores do meio da pista. A atual campeã mostrou a força da sua comunidade, além do já conhecido entrosamento entre seu carro de som e sua bateria, que imprimiu um ritmo mais acelerado ao seu samba.

É difícil até pontuar a que melhor ensaiou, na minha visão. É impressionante o que as escolas fazem a cada semana na Sapucaí. Até aqui, bons ensaios de todas do Especial, com pequenos erros aqui e ali. Todo mundo matando a saudade da pista com vontade. É uma disputa muito acirrada que se desenha, a ser decidida a cada décimo. Foi uma excelente temporada de ensaios técnicos. E resta chegar os dias de desfiles e a magia que só aquela pista tem.

Eliminada do BBB22, Natália recebe a bandeira e convite para desfilar na Beija-Flor

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Após ser eliminada do Big Brother Brasil 22, da TV Globo, na noite desta terça-feira, a mineira Natália recebeu a bandeira da Beija-Flor e recebeu oficialmente o convite para desfilar na escola de Nilópolis.

“Você foi convidada para desfilar na Beija-Flor representando o BBB em uma situação super especial”, revelou o apresentador Tadeu Schmidt.

Com 83,43% dos votos, Natália deixou a casa, mas mostrou muita emoção com o convite para desfilar na Beija-Flor. “Meu Deus. Estou arrepiada e muito honrada”, disse.

Alberto João: ‘O que esperar do desfile da Imperatriz no Carnaval 2022?’

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Site CARNAVALESCO apresenta novo colunista de bateria para os desfiles da Série Ouro e Grupo Especial do Rio

Com coreografias, bateria do Sossego ensaia na Sapucaí e mestre Laion projeta: ‘Fechar o primeiro dia com chave de ouro’

O Acadêmicos do Sossego realizou o último grande teste antes do desfile da próxima semana. Nesta segunda-feira, a escola de Niterói fez um trabalho específico de bateria no setor 11 do Sambódromo. Com direito a duas coreografias, a Swing da Batalha fez bom ensaio, e mestre Laion, que vai para o terceiro ano no comando da bateria, comentou sobre a importância do treino na Marquês de Sapucaí.

“É gratificante demais estar aqui. Foram dois anos nessa saudade muito grande. Para nós sambistas, isso aqui é nossa maior paixão. Foi muito difícil todo esse tempo de pandemia, perdemos muitos amigos. Ainda ocorreu esse adiamento, e a preparação que já estava rolando ficou incerta. Atrapalhou um pouco o planejamento, a logística, porque tem muita gente que vem de fora também. Mas agora não tem mais isso, faltam poucos dias para o nosso Carnaval. É otimismo total para o desfile”, disse Laion, antes de completar:

mestre laion

“Hoje foi só acertar pequenos detalhes, o trabalho está pronto. No nosso ensaio técnico vimos algumas coisas que precisávamos consertar. No ensaio de rua também oscila muito o número de ritmistas, então é muito importante fazer esse ensaio aqui. Conseguimos colocar aqui hoje todo o time de chocalho, de cuíca, ala de marcação. Aqui a galera dá uma importância maior também, é como se fosse um ensaio técnico 2. Agora vamos chegar para o desfile semana que vem com total confiança”, emendou o mestre da Sossego.

Desde 2017 na Série Ouro, o Acadêmicos do Sossego fez a melhor apresentação na história em 2020, quando ficou na oitava colocação. Neste ano, a escola levará para a Avenida o enredo ‘Visões Xamânicas’. A Swing da Batalha levará 230 ritmistas para o desfile no dia 20, com três bossas planejadas e uma subida na cabeça do samba. Mestre Laion projetou o desfile da agremiação e demonstrou otimismo na apresentação do Sossego.

“O projeto de Carnaval da Sossego eu acho que é o maior que a escola já fez até hoje. Tenho certeza que vai brigar pelo título. Com relação a bateria, estamos vindo em uma crescente de bons resultados. O primeiro ano foi de bons resultados, o segundo melhor ainda, e agora o objetivo são os 40 pontos. As ideias estão bem elaboradas e ousadas, que fazem parte da minha linha. Nós vamos fechar o primeiro dia dos desfiles com chave de ouro”, finalizou o mestre.

Quem também esteve presente no ensaio foi a equipe do carro de som, comandada por Nino do Milênio. Em conversa com o CARNAVALESCO, o intérprete falou sobre o retorno do Carnaval após a pandemia do coronavírus e também demonstrou otimismo pelo desfile do Sossego.

nino

“Nos últimos meses, o Carnaval ficou numa situação muito indefinida que chegava até doer o coração da gente que é apaixonado por isso aqui. Muitos vivem disso aqui e eu também. No dia do ensaio técnico foi como se tivesse acontecido pela primeira vez, parecia que eu tinha desaprendido. Foi uma situação muito difícil para o mundo todo, mas ainda bem que está se normalizando. E ainda tinha muita hipocrisia, porque várias coisas podiam ocorrer, mas o nosso Carnaval não. Mas está tudo caminhando bem agora”, comemorou Nino, antes de finalizar:

“Todo ensaio é muito importante. Além desse aqui hoje, ainda teremos mais um na quarta-feira, que será o último antes do nosso desfile. Hoje acertamos algumas coisas que mestre Laion pediu, e eu também com a minha equipe do carro de som. Estou muito feliz com a repercussão do samba, com os elogios e com o barracão da escola também. Vocês podem esperar um Acadêmicos do Sossego maravilhoso. Como dizia nosso samba em 2020, ‘Pra Sossego fazer história’. Então esse ano, vamos fazer história”, completou o intérprete.

Liga-RJ começa venda de arquibancadas para os desfiles da Série Ouro

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A Liga-RJ começa nesta quarta-feira, dia 13 de abril, a partir das 10h até 16h, a venda das arquibancadas para os desfiles da Série Ouro. Os ingressos para os setores 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8 custam R$ 25. O ingresso para o setor 9 está R$ 50. O pagamento tem que ser feito em espécie sem limitação de quantidade/pessoa.

Os interessados podem adquirir no stand de atendimento localizado na passarela do samba, atrás do setor 11, de segunda a sexta-feira, de 10h às 16h. Rua Salvador de Sá (embaixo da Elevada de São Sebastião)

serie ouro

Vila Cultural lança primeiro podcast de sambistas do carnaval

O Departamento Cultural da Unidos de Vila inovou em mais um grande projeto. Após o sucesso do documentário “Kizomba – 30 anos de um grito negro na Sapucaí”, em homenagem ao desfile campeão de 1988, com o enredo “Kizomba – A festa da raça”, a equipe oficializou o lançamento do Vila Cultural Podcast.

cultural vila

A iniciativa reúne os nomes mais marcantes da trajetória da Azul e Branco para debates com foco total nos grandes carnavais da agremiação. Nos primeiros episódios, o compositor André Diniz, o carnavalesco Edson Pereira e o diretor de Carnaval Moisés Carvalho foram os convidados para o bate-papo.

“O Vila Cultural, como é conhecido o nosso departamento, é responsável por produzir, valorizar e preservar a memória da Unidos de Vila Isabel, bem como facilitar o acesso dos torcedores e demais interessados à essa memória, além de promover os aspectos culturais da escola”, explica Nathalia Sarro, diretora cultural da agremiação.
“É mais um projeto que nos enche de orgulho e seguiremos trabalhando muito para exaltar a nossa cultura e, principalmente, o nosso pavilhão”, comentou Tathiane Queiroz, integrante do departamento.

O conteúdo é exclusivo e disponibilizado no canal da equipe no YouTube e nas principais plataformas de streaming. Conheça os canais do Vila Cultural:

Instagram: instagram.com/vilacultural/
Twitter: twitter.com/VilaCultural_
YouTube: youtube.com/channel/UCvlRrOCh95RXAj_O0Ms87vw
Spotify: https://open.spotify.com/show/152NMJyhF348zo12nYTXa6?si=XXCL6e1BS-61t-qNEGNl7A&nd=1

Samba brilha em último ensaio de rua do Tuiuti, impulsionado por comunidade e SuperSom de mestre Marcão

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Por Lucas Santos e Marina Perdigão

O Paraíso do Tuiuti realizou seu último ensaio de rua antes do desfile oficial e depois de longos meses de trabalho, de preparação para o grande dia na Passarela do Samba, a comunidade não demonstrou cansaço, cantou o elogiado samba da agremiação de São Cristóvão que valoriza a negritude, empurrada por uma grande atuação da SuperSom de mestre Marcão e do carro de som comandado pelos intérpretes oficiais Celsinho Mody e Grazzi Brasil. O carnavalesco Paulo Barros prestigiou o treino acompanhando a evolução à frente da escola, assim como o presidente Renato Thor. A comissão de frente da coreógrafa Cláudia Mota mostrou um pouco do que vai levar para a Avenida. O Tuiuti caprichou na preparação e o treino, que teve seu encerramento na porta da quadra da agremiação, durou cerca de duas horas.

“Foi um belíssimo ensaio, foi uma noite maravilhosa, quero agradecer a toda comunidade, a todas as alas coreografadas. Hoje eu tive representantes dos carros. A ansiedade está muita, a gente não vê a hora desse desfile. Não só o Tuiuti, mas todos estão muito ansiosos para o dia. Mas, o Tuiuti tem feito um trabalho muito grande, muito especial e vamos sim tentar alcançar aquele décimo que a gente perdeu lá em 2018. Vamos chegar com tudo na Avenida, com garra, com força, com chão, gritando muito Ogunhê que abra nossos caminhos”, diz André Gonçalves, diretor de carnaval do Tuiuti.

Harmonia e Samba

O samba já vem funcionando há algum tempo com a comunidade. Os componentes cantam bastante principalmente os dois refrãos. Em diversas vezes, quando mestre Marcão fazia uma bossa em que apenas os surdos sustentam o ritmo, o canto do refrão principal pelo povo acabava se sobressaindo, o que demonstrava o quão forte os desfilantes se comprometeram com a harmonia.

Outros trechos como “Nas veias do povo preto do meu Tuiuti”, ou “Para vencer a opressão, com a força da melanina”, que chamam à valorização da negritude, o samba era gritado pela comunidade de forma valente, sempre acompanhado de gestos de orgulho como o punho erguido ou a mão tocando a própria pele.

carrodesom tuiuti

Importante destacar o experiente carro de som que além de contar com os intérpretes oficiais Celsinho Mody e Grazzi Brasil, que já contava com Ciganerey e Hudson no apoio, agora também tem Alessandro Tinganá, intérprete da Camisa Verde e Branco em São Paulo, e agora voltando a participar dos desfiles no Rio de Janeiro depois do convite da diretoria do Tuiuti.

“Eu estou ainda em êxtase, uma felicidade tremenda, já queria voltar para cá, então surgiu essa oportunidade do Tuiuti, a diretoria resolveu me dar essa oportunidade e eu estou voltando para fazer o meu melhor, matar a saudade de casa, e tirar onda e se divertir. “Estou em um momento muito complicado, onde eu tenho duas casas para levantar do zero, a casa da minha mãe, a casa dos meus filhos, mas Papai do Céu vai ajudar, meus orixás também vão ajudar. E aí para a gente manter a felicidade é cantando, extravasar. Cantando a gente consegue ficar mais feliz, aí volta para casa e resolve tudo”, afirmou Tiganá ao site CARNAVALESCO.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Raphael e Dandara estava vestido em um amarelo bastante vibrante, ele com um terno de gala e ela com um vestido que reluzia principalmente o dourado da parte de cima. Na dança, o experiente casal mais uma vez não se poupou, mesmo faltando poucos dias para o desfile, e mais uma vez o que se destacou na apresentação foi uma presença de alguns elementos de dança de religiões de matriz africana principalmente no momento do refrão do meio a partir do “Ê Dandara”, mas isso não tirou a leveza e a sincronia dos movimentos tradicionais, nas giradas e no contato sempre buscado pelo casal. A dupla era sempre aplaudida incessantemente pelo público nas calçadas depois de cada apresentação que levava em média dois minutos e meio.

casal tuiuti

“A expectativa é gigante! Todo sambista está muito emocionado, a gente quer mostrar a força da nossa cultura, a força do samba, a resistência que nós somos.
Então, estamos todos empenhados em cumprir essa missão com muita alegria, com muito sorriso, que é o que a gente sabe fazer de melhor. A principal mensagem da Tuiuti hoje é essa: vamos exaltar os nossos com muito sorriso e com muita alegria que a gente conquista”, comentou a porta-bandeira.

“Vai ser um espetáculo maravilhoso! É o que a Dandara falou, a gente está muito emocionado, a gente está nervoso por voltar, querendo voltar logo à Sapucaí, depois desse tempo todo, depois desses dois anos parados. Porque a gente é isso, a gente é o carnaval, a gente é o samba, a nossa vida gira em torno disso, o Rio de Janeiro gira em torno disso, está todo mundo ansioso, é uma ansiedade tamanha e se Deus quiser nós iremos
fazer um bom trabalho”, completou o mestre-sala.

Bateria

Mestre Marcão está muito à vontade no comando da SuperSom e a bateria tem a sua cara, com bom ritmo e realizando muitas bossas, convenções e até coreografia. Em uma das bossas no refrão principal do samba, na primeira vez os surdos sustentavam o ritmo para o apogeu do canto dos componentes se sobressair, voltando o restante dos instrumentos no bis. Essa bossa no refrão principal revezava neste mesmo momento da obra com uma pegada de batida mais ancestral. Já no trecho na primeira do samba que vai a partir do “Sou Alabé gungunando o tambor” até quase no final da estrofe “Inundou um oceano até a Pedra do Sal”, os ritmistas faziam bossas e convenções marcando e valorizando de acordo com a métrica do samba neste pedaço da música. A parte de coreografia muitas vezes ia seguindo o balanço das convenções e se intensificava na ala de chocalhos com passo mais marcado.

mestre marcao

A frente da SuperSom de mestre Marcão, estava a princesa da bateria, Mayara Lima, que além de muito samba no pé, esbanjou muita simpatia e foi “tietada” pela comunidade antes e depois do ensaio com muitos pedidos de fotos. A bela estava vestida toda de dourado, valorizando o amarelo do Tuiuti.

“Hoje, como é o último ensaio, essa semana nós já entregaremos as fantasias dos componentes, dá uma sensação de dever cumprido. Ainda não acabamos de cumpri-lo, que temos que passar na avenida ainda, mas, 89,9% já está tudo resolvido”, afirmou mestre Marcão.

Evolução

A escola evoluiu bem. Mais uma vez chamou a atenção a presença de dança um pouco mais coreografada em diversas alas, mas que não fez a escola perder a espontaneidade, pois os movimentos estavam bastante de acordo com o enredo, trazendo para a evolução uma ginga bem africana, sendo realizado em alguns momentos chaves do samba e do ensaio, não tirando a alegria e a liberdade dos componentes para brincar durante o desfile. O principal foi perceber que os passos eram realizados de forma natural, apesar de bem sincronizados. O único ponto de atenção que a escola deve ter é no final da apresentação da comissão de frente para dar início à apresentação do casal. Neste último ensaio, houve um rápido momento em que se gerou um espaço logo no início da escola, entre os dois quesitos, mas a equipe de harmonia agiu de forma veloz e não chegou a ser um buraco. No início da apresentação, em outros momentos, em algumas alas se viu algum espaçamento um pouquinho maior no início, mas rapidamente corrigido ao longo do caminho sem gerar maiores problemas.

andre tuiuti

Outros destaques

Celsinho Mody, antes de iniciar a arrancada do samba-enredo do Tuiuti 2022, apresentou ao público a chegada de Alessandro Tingana. No esquenta, mais uma vez foi cantado o samba em honra ao padroeiro São Sebastião e a obra de 2018, desfile que inspira a escola a alçar voos mais altos e tentar superar sua melhor marca. O último ensaio da agremiação contou com a presença de um grande público. Antes do desfile, a equipe de harmonia teve que pedir para que as pessoas liberassem a pista para que o desfile pudesse se iniciar. A comissão de frente trouxe um elenco com mais de 15 componentes, que dançaram com uma pegada de dança ancestral, realizando a apresentação para quem estava na calçada. A comissão também chamou a atenção cantando com bastante vibração o hino do Tuiuti para 2022. Os passistas desfilaram bem elegantes, todos de branco, homens e mulheres, com camisa social e chapéu de sambista.

comissao tuiuti

Com o enredo “Ka ríba tí ÿe – Que nossos caminhos se abram” , o Tuiuti abre a segunda noite de desfiles do Grupo Especial no sábado, dia 23 de abril, feriado de São Jorge.

Sem medo da concorrência, União da Ilha informa que está pronta desde fevereiro

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A União da Ilha realizou uma coletiva de imprensa no seu barracão na Cidade do Samba. Na coletiva estiveram presentes o carnavalesco Cahê Rodrigues e o diretor de carnaval Dudu Azevedo. Após longo período de portas fechadas, a escola convidou a imprensa para um bate-papo a respeito de como foi a preparação para o desfile de 2022, passando pela escolha do enredo, adaptação do barracão sem a presença do carnavalesco Severo Luzardo e expectativas para o carnaval de 2022. Também foram levantados temas como a evolução da escola nesta reta final para o desfile. Para Dudu Azevedo, mesmo que pudesse haver desconfiança a respeito de como a União da Ilha estaria para o carnaval, internamente a equipe estava confiante sobre o projeto.

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“A escola vinha recebendo críticas, mas internamente nós não tínhamos dúvidas sobre o trabalho. Depois do que foi apresentado no ensaio técnico o que mudou é que mudaram a forma de ver a escola, mas nós nos planejamos e ensaiamos muito o samba. Até porque tivemos momentos de dúvida, teve momento do auge da covid que existiam alas com menos da metade de componentes e isso assustava a gente. De uma semana para outras mais de 150 pessoas vieram informar que estavam desistindo de desfilar, mas ainda acreditávamos no planejamento, só faltavam as pessoas para realizar o desfile, até que depois de um tempo elas foram surgindo. Já no ensaio de rua antes de irmos para a Sapucaí, nós percebemos que a escola estava cantando forte, evoluindo bem e com boas nuances”, disse Dudu Azevedo.

Dudu também afirmou que a escola não sofreu grandes impactos com o adiamento do carnaval, porque na verdade a Ilha já estava pronta para desfilar em fevereiro. Sendo assim, a diferença ocasionada foi o amadurecimento do chão da escola e discussões saudáveis com o carnavalesco Cahê Rodrigues que teve dificuldades em fazer novas ideias pararem de surgir ao longo dos dois meses de adiamento. O diretor de carnaval também comentou sobre como a escola encara o favoritismo do Império Serrano.

“É lógico que todo ano vão cotar o Império, assim como vão cotar a Estácio, mas quanto ao Império, se formos fazer uma comparação será que deixamos a desejar? Deixamos a desejar em equipe? Eu acredito que não. Deixamos a desejar em escola? Também não, nós somos grandes como o Império. Agora é avenida, tem que entrar para saber quem vai ganhar”.

Outro tema que merece destaque na coletiva foi a adaptação do cotidiano no barracão da Ilha após o falecimento do carnavalesco Severo Luzardo que fazia dupla com Cahê Rodrigues. “Todo processo criativo foi feito por nós dois. Hoje, com a ausência dele, toda a minha luta dentro do barracão é para a gente preservar a memória dele e suas ideias iniciais. É claro que aconteceram modificações, porque a partir do momento que se tem duas pessoas e uma delas não está mais, nós passamos a ter que tomar algumas decisões, mas nada que mudasse a ideia, roteiro e rumo do desfile. Não era muito uma questão de criar, era questão de enfeite e finalização de projeto”, disse Cahê.