Canto da comunidade é o destaque do ensaio técnico da Independente
A pouca intensidade do cantor no primeiro setor da Independente assustou no começo do ensaio técnico da Tricolor, iniciado já nos primeiros minutos do sábado, no Anhembi. O que parecia ser um problema, entretanto, tornou-se um destaque tão logo o abre-alas chegava. Ouvida do Largo do Paissandu para o mundo, como canta o carro de som da agremiação, a escola também teve uma grata surpresa vinda da Ritmo Forte, bateria da escola que apresentará o enredo “Samba no Pé, Lança na Mão, Isso é uma Invasão!” logo no primeiro horário da sexta-feira de carnaval.
Comissão de Frente
Entrando na passarela já com três minutos de ensaio técnico, a coreografia da comissão de frente foi mais rápida que o normal, o que permitiu à agremiação recuperar tal tempo. Os componentes vieram fantasiados, com uma fantasia composta por uma roupa marrom e chifres. Sempre com cara séria, eles pareciam ser os artífices da invasão proposta pelo enredo. Em dado momento, os componentes davam um berro que chegou a assustar uma integrante do staff da escola – o que também está de acordo com o tema proposto.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Jeff Antony, mestre-sala da escola, dançava claramente no máximo, com o pé deslizando bastante. Girando no sentido anti-horário e com uma indumentária (e não fantasia) que remetia à Grécia Antiga, em dado momento, Jeff jogou um coroa de louros que estava na nuca dele ao chão. Na visão dele, nada que preocupe: “Era algo esperado. Ela foi improvisada, só para hoje. Mas, no desfile, temos um ateliê bastante maravilhosa. Nem contamos com essa hipótese. É mais fácil eu cair inteiro que cair só o adereço da cabeça”, pontuou.
Na dança, tanto ele quanto Thais Paraguassu traziam dinamismo e força para um setor que parecia não estar animado quanto o restante da escola. Nem mesmo os famosos ventos do Anhembi causaram erros na coreografia. A porta-bandeira foi direta ao falar sobre o desempenho do casal da Independente e falou do desgaste que o vento impõe a quem carrega o pavilhão das agremiações. “Foi bom, mas nunca está 100%. Até no dia do desfile a gente ensaia, então ainda tem bastante coisa para acrescentar na dança para trabalharmos. O vento prejudica muito, porque, no nosso regulamento, o pavilhão tem que estar desfraldado. Querendo ou não, tem algumas rajadas de vento em alguns locais da avenida. Aí tem que segurar no braço”, confessou. Jeff aproveitou para se solidarizar: “O vento é algo que prejudica mais a porta-bandeira, sempre tento passar força e vibração para ela”, destacou.

Jeff também aproveitou para exaltar as condições climáticas do primeiro ensaio técnico, sem grandes percalços por conta de chuvas: “É sempre válido ter margem para erro no primeiro ensaio, temos mais dois para corrigir além dos específicos. Nem sempre vamos sair satisfeitos e isso é bom: no dia que sairmos satisfeitos, vamos direto para a avenida. Nós nos cobramos muito, gravamos, sentamos e analisamos. Sempre tentamos inovar e sempre vamos encontrar defeitos. Foi maravilhoso por ser o primeiro, a noite esteve linda e São Pedro colaborou. Aguarde no dia 17, a escola está linda e maravilhosa”, afirmou.
Harmonia
O primeiro setor da escola preocupou. Com a comissão de frente focada na coreografia e a ala das baianas cantando em tom baixo, a harmonia parecia ser um quesito bastante desafiador para a agremiação. Tudo mudou a partir do carro abre-alas. Com componentes bastante animados, a Independente teve um desempenho bem acima da média. Os segundo e terceiro setores passaram longe de ter os erros do começo da escola no quesito, sem pontos de preocupação – e deixando os torcedores bastante animados.

Para Pica-Pau, um dos diretores, uma das surpresas da Ritmo Forte teve destaque. “Por ser o primeiro o ensaio, acho que foi satisfatório, tanto o canto como a evolução, mas com a consciência de que há coisas para melhorar e chegar bem no dia do desfile. Vamos ensaiar o apagão para surtir o efeito que a gente quer junto com a arquibancada que vem junto com a escola”, destacou.
Outro diretor de harmonia, Douglas Neto, complementou: “Mais um pouquinho de treino, o primeiro deu para sentir um pouquinho da comunidade e agora vamos trabalhar o próximo dia para fazer um grande desfile”.
Samba-Enredo
Se a obra não é um dos sambas mais populares no pré-carnaval paulistano, a Pê Santana, intérprete da escola, chamou os tricolores para cantar o samba com diversos cacos e teve um resultado muitíssimo satisfatório: os integrantes mostraram bastante garra. A invasão citada no enredo foi forte na passarela. A Ritmo Forte também ajudou no quesito graças à força dos ritmistas, que batucaram muito forte os respectivos instrumentos.

O próprio intérprete elogiou o desempenho da escola no ensaio. “O ensaio a gente tira como positivo. Foi o primeiro ensaio técnico, a gente vem de uma série de ensaios bem forte em nossa quadra. Domingo passado fizemos um ensaio bem forte de rua e tínhamos expectativa de chegar com um contingente legal. Conquistamos esse objetivo e agora é analisar e ver o que tem de ser consertado, mas a grosso modo foi um belíssimo ensaio”, destacou.
Evolução
Já com três minutos de ensaio técnico, a escola permanecia sem sair da concentração – fato que foi percebido até por um dos diretores de Harmonia da agremiação. Logo no primeiro setor, chamava atenção o espaço entre comissão de frente, casal de mestre-sala e porta-bandeira e a ala das baianas – que veio à frente do carro abre-alas. Após os primeiros componentes, a escola usou diversas bexigas, trazendo dinamismo para o ensaio. Vale destacar que, ao contrário de outras escolas, as alas sem coreografia são maioria. Em movimento sempre desafiador, a entrada da bateria no recuo foi bastante rápida e com o espaço sendo preenchido de maneira igualmente célere – o melhor movimento no recuo da noite.

Outros Destaques
– Com 210 ritmistas, a Ritmo Forte chamou atenção pelos “apagões” – momento em que todos os ritmistas param de tocar e deixam a escola e o carro de som cantar. Mestre Cassiano afirmou que elas se farão presentes na noite do desfile: “Com toda a certeza os apagões vão acontecer para todo mundo evoluir nos refrões, que são bem fortes. A gente joga junto com o time, a bateria tem que estar pronta para tudo”, destacou.

– O diretor de bateria, por sinal, não se deixou levar pelos elogios da atuação dos comandados: “Sempre dá para melhorar. Graças a todos os ensaios, a gente vem com muito mais certeza. A gente vem para acertar e, no seguinte, acertar ainda mais. Estamos bem confiantes, com um trabalho bem sério e ensaios toda terça-feira. Na bateria, temos que trabalhar todos juntos e evoluir junto com a escola”, afirmou.
– Por fim, Cassiano elencou o principal ponto de preocupação. “A equalização da bateria está tranquila. Precisamos, agora, ver os pontos de jurados, o campo de visão dele. Os diretores estão lá no meio para isso e eles vão me dar o feedback nesse primeiro ensaio. Eles que seguram a bronca”, finalizou.

– Ao contrário de todas as outras escolas da noite, todas as cuícas tinham revestimento – muitos ritmistas utilizavam o instrumento apenas com as bases.
– O abre-alas da escola veio com um tripé com o símbolo da escola à frente e chamou atenção pela largura.
Colaborou Will Ferreira
Ensaio? Peruche dá aula de chão em apresentação quase sem erros no Anhembi
Terceira escola a desfilar no ensaio técnico do último sábado, a Unidos do Peruche teve pouquíssimos erros no Anhembi. Com a comunidade verde e amarela cantando forte e com a agremiação inteira afiada, a Filial do Samba impressionou em diversos aspectos quem assistiu à apresentação. Com o enredo “A Essência Que Me Seduz”, a instituição será a oitava a desfilar no Grupo de Acesso II, no dia 11 de fevereiro.
Harmonia
O samba-enredo, elogiado pela crítica carnavalesca, rendeu muito bem no ensaio técnico. Muito bem cantado, ele colaborou para a empolgação de boa parte dos componentes. Se houve irregularidade no canto, ela se deve nos níveis “ótimo” e “muito bom”, já que as alas cantavam com efusividade. Até mesmo as destaques da bateria cantavam com força a canção. O chão da Filial do Samba foi um dos grandes destaques do ensaio técnico. Mesmo no último setor os componentes mostravam-se bastante animados.

Samba
Simples e facilmente decorável, a canção caiu nas graças do componente – que, como dito acima, corresponderam com bastante força. A torcida da escola presente no Anhembi também apoiou, e diversos torcedores cantaram nas arquibancadas. Alex Soares, intérprete da agremiação da Zona Norte e de atuação segura, sequer precisou de muitos cacos para animar componentes e torcedores.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Girando no sentido horário, Kawe Lacorte e Nathalia Bete seguem evoluindo na escola. Promovidos à primeiro casal a partir do desfile de 2020 advindos do terceiro posto entre os casais da verde-e-amarelo da Zona Norte, foi possível notar bastante sincronia, interação com o samba, comunicação entre os integrantes, leveza, sorrisos e muitos giros – mais que a média dos casais. Ambos olhavam fixamente para a cabine de jurados não apenas ao se apresentes para as torres, mostrando confiança. Foi notado um único (e sutil) erro: ao abrir o pavilhão em frente à Arquibancada Monumental, uma rajada de vento bateu e Kawe (de dança bastante firme, deslizando bastante o pé e indo até o limite no bailado) tomou um tempo extra para exibi-la.

Comissão de Frente
Sem fantasias, mas com uniformidade na parte superior do corpo (com uma roupa dourada com detalhes pretos idêntica a todos) e com vestimentas pretas na parte de baixo, a comissão de frente perucheana teve majoritariamente mulheres de aparência jovem. Uma dela, por vezes, se distanciava para fazer uma coreografia solo. Atrás dos integrantes, três pessoas carregavam um pano – provavelmente identificando um tripé. Não foram identificados erros em uma exibição bastante segura, mas que não chamou atenção como o canto da escola, por exemplo – o que ajuda a ganhar pontos no quesito.

Evolução
Quando a sirene para o começo do desfile foi soada, a escola ainda estava executando um samba de quadra – o que a faria perder pontos no dia do desfile. Como citado anterior, a evolução da Comissão de Frente pareceu um pouco morosa, o que foi ajustado conforme o ensaio técnico evoluía. A saída dos primeiros componentes da passarela, porém, não afetou o ritmo da evolução perucheana. Alas com pompons (como a posicionada atrás da Velha Guarda) ajudavam no quesito. Ao contrário de outras escolas, havia equilíbrio entre alas coreografadas e mais soltas.

Outros Destaques
– Mauro Xuxa, carnavalesco da escola, borrifava perfume na avenida (em virtude do enredo)
– Bateria Rolo Compressor começou o desfile executando poucas bossas, mas fez três convenções no final do ensaio – talvez comemorando a grande exibição dos ritmistas de Mestre Acerola.
– Na bateria, havia equilíbrio entre cuícas com e sem revestimento – as anteriores tinham predominância de instrumentos sem revestimento.
– Chamou atenção o alto número de ritmistas na Rolo Compressor.
– Ao contrário do que é muito comum no carnaval paulistano, os ritmistas não encerraram o desfile. Até mesmo um carro alegórico e um casal de mestre-sala e porta-bandeira veio depois da bateria.
– A ala das baianas veio fantasiada e girando bastante
Ala musical e bateria ditam o primeiro ensaio técnico da Rosas de Ouro
A escola de samba Rosas de Ouro realizou o seu primeiro ensaio técnico visando o carnaval de 2023. O treino foi marcado pela grande apresentação da comissão de frente, que foi marcada por três momentos diferentes. Destaque também para a ala musical comandada pelo intérprete Royce do Cavaco e a ‘Bateria com Identidade’ de mestre Rafa. Ambos colocaram o samba-enredo resgatado das eliminatórias de 2005 para valer na pista.
A agremiação da Brasilândia mostrou estar engajada com a causa do enredo para combater o racismo e todo o preconceito. Em vários momentos notou-se referências de luta contra as discriminações.
Comissão de frente
Foi o quesito destaque da escola. Houve uma mistura muito grande de significados na dança. Teve o momento do improviso afro, onde os componentes faziam passos de hip-hop. Na apresentação, era feita uma espécie de ‘break’ onde os integrantes executavam uma roda batendo palmas e outros iam para o meio e realizavam os passos. Teve cambalhotas que arrancaram aplausos da torcida presente nas arquibancadas. Após, os integrantes saudavam o público com palmas e, para fechar, realizaram uma corrente de braços dados em filas, remetendo uma escravidão com negros acorrentados. A roupa usada era comum da própria agremiação.
Harmonia
O canto da comunidade da Brasilândia cresceu a partir do segundo setor. Apesar de o samba ter uma melodia menos acelerada do que a agremiação tem escolhido nos últimos anos, os componentes estão lidando de forma satisfatória. Vale destacar a ‘Ala Nação’, que foi o conjunto que mais soltou a voz no treino. Porém, há alguns ajustes a se fazer no último setor. Além disso, os integrantes que compunham as marcações das alegorias, pouco entoavam o hino.
O diretor de carnaval, Evandro Souza, analisou o treino. “Acho que o saldo é positivo. É o primeiro teste, a primeira vez que a gente reúne todo o grupo que vai entrar na avenida. A escola cantou bem, evoluiu bem, e agora é acertar alguns detalhes, o que é normal. É até legal errar, ter alguns erros para acender o alerta e trabalharmos em cima dos erros. É mais coisa de espaçamento de ala, um pouquinho do andamento. Coisa normal de acontecer quando junta todo mundo que ainda não está acostumado com o andamento que a escola vai imprimir no desfile”, disse.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Everson Sena e Isabel Casagrande, que já estão firmando uma parceria cada vez mais longeva, optaram por fazer uma dança de certa forma ‘lenta’ na maioria do tempo. As coreografias foram executadas com êxito. Houve muita sincronia nos olhares e toques entre as mãos. Também mostraram carisma com muitos sorrisos. Sua dança mostrando o pavilhão para o público arrancou aplausos, especialmente no setor B. Ambos vestiram um tom azul-marinho bem escuro com detalhes brilhantes durante a apresentação.

“Como é o primeiro ensaio técnico, a gente sente o andamento da escola. Uma coisa é o ensaio específico, somente eu e a Isabel, e a outra é sentir o andamento da escola na pista. Acredito que seja esse o ajuste a se alinhar. Não que a escola esteja errado ou que a gente esteja errado, mas, nesse primeiro momento, temos que sentir para ajustar e ter essa expertise para esse alinhamento”, comentou o mestre-sala.
“Treino é treino e no dia do desfile é que vale. É adaptação, sempre. Adaptação com o samba, com a escola, com o andamento. Sempre tem pontos para melhorar, sempre vamos querer o melhor”, completou a porta-bandeira.
Evolução
Foi um desempenho regular. Algumas alas se destacaram. Assim como na harmonia, a ‘ala Nação’ foi o destaque no quesito. Não pararam um segundo durante o ensaio. Vale ressaltar a ótima ideia de inserir os punhos cerrados no verso “Kindala! É uma questão de resistir e dar valor”. É o nome do enredo e, esse símbolo de resistência da negritude que ficou famoso nos últimos anos, foi colocado dentro do samba. No refrão do meio os versos “Arrasta pra lá e faz trabalhar… A religião vem beirando o mar”, os componentes de todas as alas evoluíram de um lado para o outro da pista. Porém, alguns (poucos) componentes não se mexiam durante a passagem da escola no treino. É algo que a escola deve se atentar.

Samba-enredo
Um samba resgatado das eliminatórias de 2005, todos tinham a curiosidade de ver como ele seria executado na pista. Era uma época totalmente diferente, onde o andamento era menos acelerado. Já estava rendendo nos ensaios de quadra, mas o fato é que no sambódromo o olhar é diferente. A ‘Bateria com Identidade’ de mestre Rafa deu um ótimo andamento e a ala musical comandada pelo intérprete Royce do Cavaco, conciliou para resultado satisfatório que a trilha sonora teve no Anhembi. As partes mais cantadas foram os refrões, principalmente o principal, que dá um ar ‘explosivo’.

O intérprete Royce do Cavaco avaliou o seu desempenho. “A gente não tem uma visão geral da escola, como foram as alas, o desenvolvimento delas e tal. Nosso trabalho aqui no carro de som ainda tem um detalhezinho para acertar, coisa mínima, como os finais de frase. Na quadra, o som é diferente e não conseguimos perceber o pessoal cantando. Aqui, temos uma percepção melhor. Para o primeiro ensaio, foi sensacional. Vai ter muito vídeo na internet, vamos assistir e ver o que melhorar. A bateria foi bem, fez mudanças nas bossas e assimilou legal. Harmonicamente, está tudo fechado, basicamente. Com relação ao canto, harmonia de cordas e à bateria, está tudo perfeito. A gente assimilou todas as bossas, e tudo o que o Rafa e os diretores criaram foi assimilado, são muitos desenhos de contratempo. Isso é inovador, mas estamos muito ligados com ele. Hoje foi o termômetro e deu tudo certo, e a tendência no desfile é ficar totalmente redondo. A bateria do Rafa dispensa comentários: é sensacional, a mais premiada do carnaval, e merece todo o respeito”, disse.

Royce também comentou sobre o samba da Rosas de Ouro. “Muita gente se lembra dele na disputa de samba-enredo de 2006, mas hoje em dia tudo é muito transitório. Acredito que de 30% a 35% da Rosas de Ouro lembra e conhece desse samba. Quem está chegando agora está aprendendo agora, e ele sofreu algumas alterações para refletir o enredo desse ano. O fato de não ter eliminatória trouxe o pessoal mais antigo, e quem estava mais distante da escola nos últimos meses está pegando agora. Esse é mais um motivo para eu acreditar nos segundo e terceiro ensaios técnicos”, completou.
Outros destaques
Como dito anteriormente, a bateria de mestre Rafa teve um ótimo desempenho. Foram várias bossas executadas de forma sincronizadas. Os chocalhos e a frigideira são os instrumentos destaque da ‘Bateria com Identidade’. A rainha de bateria Ana Beatriz Godoi sambou animada com uma vestimenta toda dourada.

“Eu não vou dizer que é perfeita, mas foi acima do que buscamos entregar. Na semana estávamos limpando bossas, cortando, tiramos aqui, colocamos ali, fomos reparando, cortando, e aqui era o teste, e o teste foi muito bom. Foi um baita ensaio. Andamento legal, as bossas lindas. O único ponto negativo que posso colocar assim é que eu, como mestre de bateria tenho, é que o meu recuo que faço tradicional demorou para entrar e sair, e de repente pode ter causado alguma coisa no andamento da escola. Fora isso, em se tratando de ritmo, para mim foi maravilhoso e estamos no caminho, vamos trabalhar. Foi bom, e a gente pode melhorar ainda mais”, declarou mestre Rafa.

O diretor de bateria também falou sobre as bossas. “Está tudo aí já. Agora eu quero inventar alguma coreografia. Estamos no processo de limpeza, e agora a gente quer inventar. Vê se agacha, dá cambalhota. A bateria está fazendo uma coreografia muito básica numa bossa ali, e a gente não gosta de básico não. A gente gosta de inventar, e vamos ver se conseguimos inventar alguma loucura até o grande dia”, finalizou.
Ala das baianas foram segurando arrudas e evoluindo o tempo todos com passos da direita para a esquerda. As mães do samba da comunidade da Brasilândia estavam muito animadas.
Chamou atenção para a última ala que levou várias pessoas com necessidade especial. Uma grande campanha inclusiva da Rosas de Ouro.
Colaboraram Lucas Sampaio e Will Ferreira
Inocentes de Belford Roxo erra em evolução em ensaio técnico com destaque positivo para bateria e samba-enredo
A Inocentes de Belford Roxo foi a segunda escola a pisar na Sapucaí no último sábado, primeiro dia de ensaios técnicos da Liga-RJ. A bateria de mestre Juninho trouxe um bom andamento e realizou bossas complexas para o samba que foi bem executado, mas a Caçulinha da Baixada pecou demais no quesito evolução, abrindo buracos entre a ala a frente do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeir,a que se apresentou em uma posição mais próxima do meio do desfile e não logo depois da comissão de frente. O treino oficial da agremiação teve duração de cerca de 50 minutos. Em 2023, a Inocentes de Belford Roxo vai encerrar a segunda noite de desfiles da Série Ouro, com o enredo “Mulheres de Barro” que está sendo produzido pelo carnavalesco Lucas Milato e vai contar a história das paneleiras de Goiabeiras, artesãs do Espírito Santo que herdaram o saber da confecção das panelas de barro de suas ancestrais. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
“O balanço positivo do ensaio é o que estamos buscando desde lá da quadra e nas ruas de Belford Roxo, é o canto da escola. Deu pra notar que ele está em uma crescente a escola está cantando, estamos buscando isso. Um ajuste que acho importante, por exemplo, o rádio, falhou, a comunicação quando ela falha, eu que estou aqui na frente no andamento do desfile uma palavra mal colocada atrapalha, lógico, não é esse no desfile, mas atrapalhou em certos momentos, é uma coisa boba. Tem que melhorar a evolução sim, a escola tem que explodir mais, já explodiu aqui hoje, melhor que no último, mas o que estou falando: Nós vamos chegar no dia do desfile, não vou dar arma para ninguém, eu tenho certeza que vamos chegar no dia, respeitando as coirmãs, sempre respeito todas, sempre falo que a campeã, sai do quesito avenida. No ensaio eu quero que dê problema para poder ajustar isso, porque se sair daqui tudo bem a gente entra na zona de conforto e eu não quero entrar nessa zona”, explicou Saulo Tinoco, diretor de carnaval.
Evolução
A Caçulinha da Baixada optou por colocar o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Machado e Jaçanã Ribeiro, em uma posição mais próxima do meio do desfile, o que pode ter impactado na evolução da agremiação. Sem a dupla para preencher o espaço logo após a comissão de frente, na cabeça da escola, nos momentos de apresentação dos integrantes em frente ao módulo de julgadores, principalmente na segunda cabine, ocorria um espaço muito grande até a primeira ala que demorava para preencher.
Mas o principal problema aconteceu à frente do primeiro casal, que vinha atrás de pelo menos cinco alas depois da comissão de frente e uma antecedendo da bateria. Quando a dupla se preparava para entrar tanto na primeira quanto na segunda cabine de jurados, a ala a frente não parou, gerando um grande buraco que foi maior em frente ao módulo 1, com o tamanho em equiparação a uma distância maior que de um suporte de som da Avenida para o outro.

A evolução durante boa parte do treino foi um problema, algumas alas bastante abertas, sem muita sincronia no deslocamento, quase gerando espaços e o início do desfile corrido. De positivo, pode-se destacar a animação principalmente das alas que vinham do meio para o final da apresentação que evoluíam sambando e dançando de forma espontânea.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Juntos para o carnaval 2023, o primeiro casal Matheus Machado e Jaçanã Ribeiro mostrou já um bom entrosamento, se buscando bastante durante o bailado com sincronia de movimentos e optando por um estilo mais clássico da dança. Matheus se destacou bastante pela postura corporal em que realizava os passos e no sorriso sempre no rosto. Jaçanã mostrou intensidade nos movimentos com o pavilhão sempre de forma precisa. A questão da evolução da escola, com a ala que seguiu se deslocando e abrindo buraco em frente ao casal em pelo menos dois módulos, não interferiu na eficiência do casal, ainda que em alguns momentos pela fisionomia, obviamente havia preocupação na dupla.

Mas, o elogio fica por conta da concentração que o casal apresentou, mesmo com os problemas, para a conclusão da exibição em toda a pista. Matheus carregava um lenço que lhe dava mais elegância nos movimentos. Eles estavam vestidos de traje de gala em um tom de vermelho mais escuro. Em um momento da coreografia executaram um giro de forma elegante e muito bem sincronizado.
“O ensaio foi maravilhoso, muito bom. É a minha estreia com a Jaçanã aqui na Inocentes de Belford Roxo e estamos felizes demais. O ensaio foi lindo. O trabalho está sendo feito e se Deus quiser chegaremos no desfile trazendo nota máxima pra escola”, disse Matheus.
“Hoje fizemos o ensaio técnico. Aqui sentimos o calor e realmente qual vai ser a energia do desfile. Pra gente, é extremamente valoroso. A previsão é que tudo se melhore. Não é a coreografia oficial e vamos criar ainda mais coisas até o carnaval para ficar tudo lindo”, comentou Jaçanã.
Comissão de Frente
A coreógrafa Juliana Frathane trouxe para este ensaio uma proposta bastante relacionada com o enredo e de fácil entendimento dos movimentos. Apesar dos problemas já citados por conta da evolução da ala que vinha logo atrás, quando os bailarinos se apresentavam nos módulos, durante a coreografia de deslocamento, os componentes da comissão de frente utilizavam muito bem o espaço da Sapucaí, preenchendo bastante a pista com dança e movimentos com sincronismo.

Na coreografia, havia mulheres com saias em um tom marrom escuro, talvez, remetendo ao próprio enredo, dando efeito de barro, que realizavam movimentos bem sincronizados apresentando um interessante efeito ao se unirem e dando ideia de maior volume preenchido no espaço por conta da saia. Havia também um elemento caracterizado de indígena entre as bailarinas, que hora a coreografia das mulheres o escondia, hora ele era destacado. O grupo de mulheres também parecia realizar alguns passos de danças típicas da região da Goiabeira ao qual o enredo é situado geograficamente.
Samba-Enredo
De volta à Caçulinha da Baixada, escola por onde passou no carnaval de 2012, o intérprete Thiago Brito iniciou o samba de 2023 na arrancada com uma bonita vocalização realizada pelo carro de som até o próprio cantor abrir no “Eu preciso falar de um Brasil”. No restante da apresentação o “ooô” vinha logo depois dos dois primeiros versos de forma pertinente pela melodia e sem prejudicar a boa condução que a equipe fez da obra.

O andamento acordado e realizado pela bateria “Cadência da Baixada”, de mestre Juninho, ajudou bastante na condução do samba, com características mais melódicas que esteve sempre confortável para o canto da comunidade e agradável para quem acompanhava o ensaio, sem ficar arrastado ou agressivo a quem ouvia.
Ainda que o canto da agremiação não tem sido tão satisfatório e inspire um maior trabalho com a comunidade até o desfile, os trechos da obra que tiveram maior desempenho foram o refrão principal “É na renda, é na palha”, o refrão do meio “É no barreiro do vale do mulembá” e um outro bis na segunda do samba que começava com o “Tambor de Congo”.
Harmonia
O bom desempenho do samba por parte do carro de som, sustentando bem o ritmo e com correção no desempenho das vozes não se refletiu no canto da escola que precisa melhorar em alguns setores, principalmente nas alas de início. Do meio para o fim, algumas alas se destacaram com uma intensidade interessante e constância no canto . Para citar algumas, as alas número 10, 16 e a que vinha logo a frente da bateria “Cadência da Baixada”. Alguns componentes em diversas alas se contentavam apenas em cantar o refrão principal e o Ôôô que vinha logo depois do primeiro verso da cabeça do samba. Nas demais partes, o canto destes desfilantes citados desaparecia, fortalecendo a suspeita de que não conheciam a letra.

“Achei muito proveitoso (o ensaio). Bem bacana. O andamento da bateria onde a gente queria, a gente largou onde queríamos. É normal a gente largar um pouquinho na frente para chegarmos aonde queremos, porque se a gente largar muito para trás, quando chegar no segundo recuo aqui no final vai estar pagodão. Temos tudo para fazer um grande desfile. Hoje foi uma prévia, não é o som oficial. Curti bastante, acho que estamos em um caminho super certo para brigar por esse. “Eu acho que esse samba tem alguns momentos muito fortes. Tanto refrão, refrão do meio (“É no barreiro no Vale do Mulembá”) e a cabeça do samba (“Eu preciso falar de um Brasil, ôô, ôô”)”, garantiu o intérprete Thiago Brito.
Outros destaques
A bateria mostrou boa desenvoltura ao produzir um andamento confortável para o samba e no desenvolvimento de bossas como no refrão principal em que havia um destaque para a ala de chocalhos. A escola veio bem arrumada com todos os componentes com a camisa do enredo 2023, diversas alas levavam bolas de encher nas cores da Inocentes e algumas alas traziam um balão transparente com um coração dentro.

No esquenta, o intérprete Thiago Brito cantou o samba de 2020 que homenageou a jogadora Marta, recebendo uma boa recepção do público que cantou principalmente o refrão principal “É a Marta, é a deusa”. O coreógrafo Carlinhos Salgueiro esteve presente no ensaio em uma ala coreografada em que os componentes se juntavam e lambuzavam o sambista com o produto, gerando um efeito que remetia a criação humana e ao mesmo tempo ao trabalho homenageado no enredo da fabricação de panelas de barro.
Por Gabriel Gomes, Augusto Werneck, Cristiano Martins, Luisa Alves e Victor Pinho
Leão rugiu forte! Canto da comunidade e casal no ensaio técnico mostram poder da Estácio de Sá para o Carnaval 2023
Terceira e última escola a entrar na Marquês de Sapucaí na noite de ensaios técnicos no último sábado, a Estácio de Sá provou na avenida que possui fortes quesitos na disputa pela Série Ouro. O canto da comunidade estáciana, o samba-enredo e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, Feliciano Junior e Alcione Carvalho, se destacaram na apresentação da Vermelha e Branca. A comissão de frente, comandada por Ariadne Lax, e a “Medalha de Ouro”, de mestre Chuvisco, também realizaram belas apresentações. A evolução da escola não apresentou problemas durante os 53 minutos de ensaio. A Estácio de Sá levará para a avenida o enredo “São João, São Luís, Maranhão! Acende a Fogueira do Meu Coração” no carnaval de 2023. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
No esquenta, a Estácio de Sá já demonstrou toda a disposição do canto para entrar na Marquês de Sapucaí. Durante a apresentação do samba-exaltação e do samba-enredo do título de 1992, o público presente nos setores 2 e 3 acompanhou a plenos pulmões a letra das obras entoadas pelo intérprete Tiganá, que estreia na escola no próximo carnaval.
“Super positivo o balanço do ensaio. A gente costuma dizer: é jogar e treinar no campo de jogo. Hoje foi um treino, mas é um treino que tecnicamente para a gente vale muito. A gente corrige os defeitos para chegarmos prontos no dia 17 de fevereiro. Para a gente foi muito bom. Quando a gente chama para a responsabilidade, essa comunidade não tem jeito. A gente vai trabalhar um pouco mais no canto, um pouco mais na harmonia. Pessoal da harmonia está de parabéns. O caminho é esse, a gente vai chegar. Falta um pedacinho para melhorar, mas é isso mesmo, nós vamos chegar prontos”, disse Edvaldo Fonseca, diretor de carnaval.
Comissão de Frente
Comandada pela coreógrafa Ariadne Lax, a Comissão de Frente estáciana brindou o público presente com um belo espetáculo, com direito a trocas de roupas. Ao longo da apresentação, os quinze bailarinos, vestidos em uma roupa preta com detalhes coloridos, faziam movimentos remetentes à cultura maranhense, retratada no enredo da Estácio de Sá. No meio da coreografia, bailarinas mulheres colocavam saias estampadas e um bailarino representava movimentos de um certo “ritual”. Ao final da apresentação, o bailarino era envolto na bandeira da escola, em referência ao trecho do samba “Eu vou embora e levo o Leão pra mim”.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Um dos grandes destaques da apresentação da Estácio de Sá na primeira noite de ensaios técnicos foi o experiente casal de mestre-sala e porta-bandeira, Feliciano Junior e Alcione Carvalho. A dupla estava vestida com uma roupa florida estampada vermelha e com acessórios em referência ao enredo, com chapéu de palha no mestre-sala.
Com uma apresentação bastante segura e entrosada, o casal, além da tradicional dança, apostou bastante em coreografias associadas à letra do samba e ao enredo da Vermelha e Branca, como no momento da “ciranda”, do “tambor” e quando a obra cita a “crioula”. Feliciano Junior e Alcione Carvalho cantavam o samba-enredo da escola durante todos os momentos da apresentação.

“Eu achei o ensaio maravilhoso. A gente conseguiu imprimir, principalmente na coreografia, a energia que nós queríamos. A gente vem ensaiando há algum tempo, começamos a ensaiar um bom tempo antes do desfile. Como o Feli (Feliciano Júnior) sempre fala, é o termômetro para o desfile oficial. Está lá em cima para a gente. “O ensaio da Marquês de Sapucaí é realmente o treino, é o ensaio mesmo. É a oportunidade que a gente tem de saber como é que vamos fazer no dia. Espaço, tempo, se vai dar certo o tempo com a comissão de frente, com o restante da escola. É o momento da gente realmente utilizar esse ensaio para poder melhorar o que tiver que melhorar para fazer perfeito no dia”, disse a porta-bandeira.
“Na verdade, a gente testou tudo. Inclusive, ritmos de São Luís do Maranhão. O trabalho só está crescendo, ainda falta um mês para o carnaval. Para o tempo que tem para o carnaval, a gente está bem adiantado. Não é a coreografia oficial, nós estamos testando movimentos ainda”, completou o mestre-sala.
Harmonia
Sem sombra de dúvida, o quesito harmonia se destacou no ensaio técnico da Estácio de Sá. O forte canto da comunidade da escola podia ser percebido em todos os momentos da apresentação. A ala da Velha-Guarda da Vermelha e Branco, em especial, além de portar uma elegante roupa nas cores da agremiação, cantou com bastante afinco e entusiasmo o samba-enredo da escola para o carnaval de 2023. A ala de compositores da Estácio também se destacou no quesito. Seja no começo, no meio ou no final da escola, o canto da comunidade estaciana podia ser notado sem grandes irregularidades.

“Foi o nosso primeiro e único ensaio técnico. Estamos ensaiando todas às sextas e segundas dentro da quadra, até por conta do tempo. Hoje viemos na luta para mostrar um pouco da força da Estácio. Espero que a galera que esteve presente na Avenida tenha gostado bastante, e já aproveito para convidar todos para a nossa quadra na próxima segunda-feira. Temos um ensaio de rua e eu quero ver todo mundo de novo. Sempre tem algo a melhorar, até mesmo no dia do desfile. Acho que aos poucos estamos acertando, o carro de som… hoje tivemos a oportunidade de cantar com todos, foi um teste maravilhoso. Já dá pra saber o que precisamos consertar e manter. A escola na Avenida também… até porque em ensaios técnicos não temos os carros alegóricos e no desfile é totalmente diferente, o tempo é outro e mais rápido. Depois teremos um termômetro oficial, mas hoje foi maravilhoso”, garantiu o intérprete Tiganá.
Evolução
No quesito evolução, a Estácio de Sá não apresentou grandes dificuldades e problemas no ensaio técnico. Ao longo dos 54 minutos em que a escola permaneceu na avenida, as alas da escolas puderam se divertir e desfilar sem percalços. A ala de baianas da escola, que também apostou na estampa florida associada ao enredo, brilhou com muita empolgação,
entusiasmo e leveza.

Samba-Enredo
Eleito um dos melhores sambas enredos da Série Ouro no carnaval de 2023 pelos leitores do site CARNAVALESCO, o samba-enredo da Estácio de Sá, composto por Samir Trindade, Cara de Macaco, Deiny Leite, Fabrício Sena Pereira, Felipe Pereira, Jeiffer Almeida e João Eduardo, provou na avenida que honra tal título. O desempenho da obra foi impulsionado pela animação do intérprete Tiganá, que retornou ao carnaval carioca após anos nos desfiles de São Paulo. O cantor, inclusive, entrou no meio das alas da escola em diversos momentos do ensaio técnico. Do samba da Estácio, o refrão principal, no trecho “São Luís, São João, viva a Estácio de Sá” foi o principal destaque no canto da comunidade e do público presente no Sambódromo.
Outros destaques
A tradicional bateria “Medalha de Ouro”, comandada por mestre Chuvisco, deu um verdadeiro show na avenida Marquês de Sapucaí. A bossa realizada no refrão do meio do samba-enredo da escola remetia a musicalidade da cultura maranhense e, além de estar associada ao enredo, casou perfeitamente com a obra.

“O meu balanço é o mais positivo possível. Foi com certeza o que eu esperava, ainda guardamos alguns segredos para o desfile. Mas o ensaio foi muito bom, os ritmistas estão de parabéns. A gente vai deixar muitas surpresas parao desfile”, comentou mestre Chuvisco, que desfilará com 255 ritmistas.
A rainha de bateria da Estácio de Sá, Nathalia Hino, apostou em uma roupa brilhosa dourada. Além dela, a escola trouxe dois tripés decorados com elementos de festa junina com musas de destaque, além da musa da escola, Maryanne Hipolito, que veio no chão. Além de todo o espetáculo proporcionado por seus segmentos, ao longo da apresentação da escola, eram lançadas fumaças nas cores da agremiação e papéis picados.

A Estácio de Sá será a quarta escola a desfilar na sexta-feira de carnaval, primeira noite de desfiles da Série Ouro. O Leão levará para a avenida o enredo “São João, São Luís, Maranhão! Acende a fogueira do meu coração”, desenvolvido pelo carnavalesco Mauro
Leite.
Por Gabriel Gomes, Augusto Werneck, Luisa Alves e Victor Pinho
Freddy Ferreira: análise da bateria da Estácio de Sá no ensaio técnico
A bateria da Estácio de Sá encerrou a noite em grande estilo, realizando uma ótima apresentação. Um autêntico sacode da bateria “Medalha de Ouro” de mestre Chuvisco. Na primeira fila da bateria foi possível notar ritmistas com chapéu típico tocando instrumentos vinculados ao Bumba Meu Boi maranhense, tais como: pandeirão, matraca e tambor.
Um ritmo estaciano que uniu técnica musical a uma apresentação espontânea, com direito a dancinha coreografada dos ritmistas pela pista de desfile, fora aquele clima de alegria e descontração tradicional na bateria da escola do morro do São Carlos quando pisa na Sapucaí, praticamente o quintal de sua casa.
A bossa do refrão do meio impressiona pelo arranjo musical complexo muito bem executado. Primeiro a “Medalha de Ouro” coloca a escola pra dançar no balanço envolvente do Xote, para depois finalizar a paradinha com tapas em contratempo após fazer alusão musical ao Xaxado dando pressão ao ritmo, que no fim ainda se aproveita da bela retomada puxada por um desenho ousado das terceiras. Um acerto cultural que deixa evidente o bom gosto musical. A paradinha do refrão de baixo também era complexa e de elevado grau de dificuldade, sendo executada de forma correta durante o cortejo.
Na cozinha da bateria (parte de trás do ritmo), o desempenho acima da média das caixas de guerra serviu de plataforma sonora sólida para os mais diversos naipes. As caixas da Estácio possuem uma batida com toque de partido alto que propicia um molho exemplar, sendo complementado por repiques seguros e surdos de terceiras que preenchem musicalmente a bateria da Estácio de Sá com balanço.
Tudo isso com uma afinação de surdos (primeira e segunda) particularmente grave, que graças ao peso proporcionado por essa característica, contribuiu com pressão ao ritmo exemplar da Estácio de Sá.
A ala de tamborins deu um verdadeiro show de ritmo, com uma execução segura e um carreteiro limpo. O naipe de chocalhos também exibiu uma musicalidade privilegiada e os agogôs pontuaram a melodia do samba com uma convenção bem feita. Cuiqueiros complementaram a sonoridade das peças leves. Uma verdadeira aula de ritmo e musicalidade da bateria da Estácio.
Freddy Ferreira: análise da bateria da Inocentes de Belford Roxo no ensaio técnico
A bateria da Inocentes de Belford Roxo fez uma boa apresentação. A “Cadência da Baixada” de Mestre Juninho se exibiu em bom plano, fazendo com que o inspirado samba da escola fosse bem acompanhado.
Entre as peças leves, a ala de chocalhos exibiu um trabalho musical simplesmente privilegiado, merecendo destaque e exaltação. O naipe de cuícas acrescentou balanço à sonoridade da cabeça da bateria, bem como a ala de tamborins com bom volume auxiliou no preenchimento musical da parte da frente do ritmo.
Já na cozinha da bateria (parte de trás do ritmo), as marcações pesadas auxiliaram na musicalidade, que era pautada pelo bom balanço produzido pelo conjunto sonoro envolvendo caixas, repiques e surdos de terceira.
A escolha foi por virar a bateria na entrada do refrão do meio, permitindo balanço ao ritmo, sem contar uma melhor fluência entre os naipes. A bossa no refrão do meio, mesmo de concepção menos rebuscada, se mostrou bastante funcional. Após a paradinha, um breque após dois pares de tapas consecutivos (Papá, Papá!) no trecho do samba “Que a velha paneleira vai batendo a muxinga” se revelou um acerto musical, baseado em simplicidade de alto impacto, por fazer alusão a batida de panelas ritmadas.
Agudos (peças leves) e médios (caixas e repiques) tocaram juntos em contratempo em relação às peças graves (surdos), antes da entrada do refrão principal, nos momentos de executar bossa no estribilho. A paradinha mais complexa é iniciada logo após esse momento, na segunda passada do refrão de baixo. Se estendendo até meados da cabeça do samba, sendo encerrada depois de tapas em contratempos. Um arranjo musical ousado e extenso.
O balanço propiciado pelos surdos de terceiras nessa bossa merece menção. Além do swing envolvente dos surdos, o preenchimento musical de todo o ritmo foi digno de destaque no arranjo bem produzido, principalmente na levada dos chocalhos.
Freddy Ferreira: análise da bateria da Lins Imperial no ensaio técnico
A bateria da Lins Imperial abriu a primeira noite de ensaios técnicos para o Carnaval 2023 com um desempenho regular. Embora a levada valente do ritmo tenha impulsionado a animada obra, algumas imprecisões e oscilações pontuais foram notadas, tendo tempo hábil suficiente para eventuais correções até o desfile oficial.
Buscando dar versatilidade ao ritmo, mestre Átila optou por realizar uma subida de três quase que de forma constante, com um arranjo musical um pouco mais elaborado sendo amparado pelo bom balanço das terceiras, além de se aproveitar das nuances melódicas do belo e aguerrido samba enredo da escola do bairro do Lins de Vasconcelos.
Como forma de fechar a bateria no refrão do meio, por vezes, a escolha musical foi aproveitar a unidade sonora de tapas consecutivos envolvendo todos os naipes: um, depois dois (o popular e tradicional Tum, Tum-Tum!).
A bossa da segunda do samba possui concepção musical complexa. O arranjo musical foi executado com um pequeno trecho fazendo alusão musical ao Xaxado. A paradinha é marcada pela narrativa musical extensa (longa), intercalada com outra bossa, que dura até o fim do refrão principal. Nessa paradinha os ritmistas se abaixam para um solo dos timbales durante uma passada inteira do refrão de baixo. O desafio é retomar o ritmo e alguns ajustes técnicos pontuais ainda podem ser realizados para simplificar e deixar a paradinha mais funcional.
O naipe de tamborim teve o maior destaque musical entre as peças leves. Uma primeira fila consistente de cuícas e agogôs em duas filas, também contribuíram na musicalidade da cabeça da bateria (parte da frente). Já os chocalhos exibiram um trabalho com margem potencial para eventuais melhorias, sendo possível evoluir até o Carnaval.
Já na cozinha (parte de trás) da bateria da Lins Imperial, o destaque musical ficou a cargo dos surdos de terceira que deram balanço ao ritmo e foram fundamentais nas paradinhas, enquanto caixas e repiques ajudaram a preencher a sonoridade.


