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Com samba forte, mestre Carlão e Gilsinho mostram sintonia para 2023; Estreantes na escola, casal conta sobre trabalho

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A Tom Maior nasceu em 1973, são 49 anos de história, e tem brigado pelo seu primeiro título na história com desfiles marcantes em 2018 e 2022. De 2005 para cá, o único ano que não esteve no Especial foi em 2016, quando foi vice-campeão do Grupo de Acesso I. Antes de assumir a presidência da escola, Mestre Carlão revelou para o site CARNAVALESCO.

Gilsinho
Fotos: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

“O que posso dizer é que a Tom Maior continua respeitando as dificuldades de fazer um grande trabalho, mas alcançando metas, cronograma está em dia, e pode esperar uma Tom Maior altamente competitiva mais um ano. Nos últimos quatro anos nós empatamos em primeiro lugar em duas oportunidades, e no descarte ficamos em quarto lugar. E pode esperar a Tom competitiva”.

Naquela altura, Mestre Carlão ainda era vice-presidente da agremiação, poucos dias depois viria a assumir a vaga deixada por Luciana, que segundo nota oficial, renunciou por problemas pessoais.

Alinhamento da ala musical e bateria, samba elogiado

Os ensaios são feitos por inúmeros motivos para a comunidade alinhar o canto, os passos, a bateria afinar sua relação com comunidade e a ala musical. O intérprete Gilsinho ressaltou a importância do ensaio de quadra e elogiou o trabalho em conjunto com a bateria Tom 30.

“Exatamente (sobre ensaio de quadra ser para alinhar ala musical, bateria e canto da comunidade), e posteriormente a gente chega para a rua, com tudo alinhadinho, em seu devido lugar. Estamos fazendo um bom trabalho, do carro de som e bateria temos uma integração muito forte, está tudo funcionando e indo bem. O Carlão colocou essa bossa e já funcionou muito bem. Não temos dúvida de nada”.

MestreCarlao

Seguindo a linha, o mestre Carlão também ressaltou o trabalho e o ensaio de quadra: “A importância é muito grande, o ensaio é onde une a ala musical, que é o canto oficial com a bateria, e o canto das alas. Quanto maior entrosamento for ganhando, isso vai refletir positivamente no desfile”.

O samba-enredo da Tom Maior que cantará: “Um Culto às Mães Pretas Ancestrais” é um dos mais elogiados do período pré-carnaval, pela sua força no recado passado. O intérprete Gilsinho seguiu a onda de elogios e avaliou como a agremiação tem trabalhado em quadra.

“Sempre esperamos fazer o melhor, e espera receber o melhor da comunidade, da bateria, de todo mundo. Então sentimos que o ensaio deu uma evoluída muito grande, deu um salto de qualidade legal, grande, está todo mundo cantando, se divertindo. A comunidade pegou o samba muito fácil, a bateria colocou mais uma bossa e ficou perfeita. Não tivemos dificuldades com essa bossa, é só comemorar, treinar, treinar até o carnaval para a gente fazer um grande desfile e chegar no objetivo”.

Entrosamento do casal

Vindos da Colorado do Brás, o casal Ana Paula Sgarbi e Ruhanan Pontes estão juntos há muitos carnavais, passaram por Unidos do Peruche, Mocidade Unidos da Mooca e Colorado do Brás nos últimos carnavais, colecionando notas 10. O entrosamento é grande, assim como a missão de substituir o casal tradicional, Jairo e Simone que defenderam o pavilhão de 2007 até 2022, e ainda a passagem de 94 até 2003, ou seja, uma vida. O mestre-sala Ruhanan comentou sobre a conexão com a agremiação.

“A Tom Maior é uma escola que acolhe bem o casal, dá para trabalhar tranquilo. Não temos problemas com nada, todo suporte necessário que precisamos, a escola está dando, então fica mais fácil”.

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A porta-bandeira Ana Paula complementou sobre o espaço da escola: “O trabalho está fluindo, a energia é leve, é uma escola com energia leve. Então estamos só aperfeiçoando a coreografia como ele falou e rumo ao campeonato”.

Sempre alto astral, Ruhanan chegou a brincar sobre a gravação da Globo: “A Globo chama a gente para o BBB, é isso. Só chamar que a gente vai”. Logo a porta-bandeira questionou o companheiro por conta do reality ser durante o carnaval, e Ruhanan completou gerando risadas do casal: “Eu me elimino antes, peço para sair, Ana Paula vai ensaiando, também vou ensaiando e a gente sai antes”.

O trabalho de um casal é sempre árduo, ensaia bastante durante a semana, faz toda uma preparação para a perfeição durante a apresentação. Como dizem, mestre sala e porta bandeira é o único quesito com nome e sobrenome, frase muito usada por Adriana Gomes, da Mancha Verde. Ruhanan comentou sobre o trabalho e o foco de Ana Paula.

“Estamos ensaiando basicamente uns três meses já, montamos coreografia de cabine. Tanto que no último ensaio já quero ensaiar de 15 em 15, estava ótimo, mas conhecendo minha parceira e ela não vai querer. Então estamos ensaiando duas vezes por semana, tem a coreografia, está tudo batido e agora é pensar em fantasia, o que ajustar e o que não vai”.

A importância do ensaio de quadra na visão do casal

Para Mestre Carlão e Gilsinho, o ensaio de quadra tem seus pontos com a comunidade, entrosamento da ala musical e bateria, sentindo como o samba vai fluindo. Para o casal também segue uma conexão com a comunidade. A porta-bandeira Ana Paula explicou na sua visão como isso é importante.

“A maior importância para mim é a troca de energia que a gente tem com o restante da escola, comunidade. Como entramos esse ano na escola, acabamos conhecendo bastante gente, todo ensaio é um ensaio, eu amo ensaiar, adoro ensaio de quadra, conversar com as pessoas e para mim é de suma importância”.

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O mestre-sala, Ruhanan, aproveitou outro ponto para citar o quanto esse momento dos ensaios de quadra que acontecem geralmente semanalmente nas escolas é fundamental para a arte do casal e de uma escola de samba.

“Além disso, o que mais gosto é de poder mostrar para as pessoas o que eu amo fazer. É no ensaio de quadra que as pessoas vão vir aleatórias, pessoas de outros lugares, que vão vir para curtir o ensaio, vão ver a arte do mestre sala e porta bandeira e tento cada vez cativar essas pessoas, para cada vez mais ter gente, ser mais valorizado dentro da escola de samba, ter protagonismo”.

Expectativa é alta na escola

Assim como mestre Carlão comentou sobre a expectativa alta de um bom resultado para o carnaval de 2023, o intérprete Gilsinho seguiu esperançoso sobre o caminho percorrido pela escola.

“Spoiler? Podem esperar um carnaval muito forte, um carnaval com a essência muito boa da escola. A escola está muito animada, empenhada, cantando um samba que é muito bom, então acho que vai dar bom”.

A Tom Maior será a sexta escola a desfilar na sexta-feira, dia 17 de fevereiro, pelo previsto no cronograma, entrará na pista às 4h40.

Samba Didático: Salgueiro traz ideia de novo paraíso sonhado por João 30 em mensagem de respeito e contra intolerância

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Com nove títulos conquistados no carnaval do Rio e sempre com a alcunha de ser uma escola diferente, o Salgueiro aposta justamente em um enredo que prega uma mensagem sobre o respeito aos diferentes para voltar a ser campeã do Grupo Especial, o que não acontece desde 2009. O idealizador do enredo e agora responsável por produzir o desfile da Academia do Samba é o carnavalesco Edson Pereira, que esteve na Vila Isabel nos últimos três carnavais. Estreante na Vermelha e Branca, o artista vai trazer para a Sapucaí em 2023 o enredo “Delírios de um Paraíso Vermelho”.

O samba tem autoria de Moisés Santiago, Líbero, Serginho Do Porto, Celino Dias, Aldir Senna, Orlando Ambrosio, Gilmar L Silva e Marquinho Bombeiro. O compositor Moisés Santiago explicou ao site CARNAVALESCO como se deu a construção da obra através do enredo desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira.

“O fio condutor do samba passa pela genialidade do Joãosinho Trinta como carnavalesco. Mas, verdadeiramente falando é sobre a forma que ele pensava com relação ao ser humano. Ele era um cara agregador, que sempre buscava esse respeito, principalmente aos mais prejudicados pela sociedade. Em cima dos enredos que ele criou, o enredo passa com relação a essa parte do homem, da humanidade, do respeito ao próximo, da aceitação. Acredito que o samba fala muito bem sobre isso, a partir de sua letra, da construção pelos setores partindo de um paraíso vermelho, que era um paraíso livre, um paraíso perfeito, em tom vermelho que é carnavalizado. O samba tem essa mensagem, tem essa conotação de fazer o povo pensar, de como se respeitar, de como aceitar o defeito dos outros. Se você tem as suas iniciativas de vida, suas escolhas, você precisa respeitar isso no próximo”, explicou Moisés.

O compositor completou ainda, esclarecendo que o samba procura realizar uma contestação também sobre o que é certo e errado e o entendimento do que é pecado na vida da sociedade atual.

“O enredo do Salgueiro é essa contestação de o que é pecado, de o que não é pecado, porque que é pecado, porque pecou, e fazer essa reflexão do que é o certo, do que é o errado, fazer essa reflexão de aceitação, de aprender a lidar com as diferenças, respeitar as diferenças, essa é a mensagem que se dá através do samba, pois o carnaval reúne, é a grande revolução da alegria. E o vermelho é a grande paixão do salgueirense, que é esse paraíso renovado, esse paraíso puro de todos os males, de toda a negatividade. É o morro feliz, é a comunidade feliz”, finalizou Moisés Santiago.

O site CARNAVALESCO dando prosseguimento a série Samba Didático, pediu ao compositor Moisés Santiago para explicar mais sobre os significados presentes nos versos e expressões da obra do Salgueiro para 2023.

NO TOQUE SUBLIME DE AMOR
O PROFETA PINTOU O PARAÍSO
INTENSO VERMELHO QUE TINGE A EMOÇÃO
TÁ NO MEU CORAÇÃO SALGUEIRO
A VIDA EM PERFEITA HARMONIA
A PLENA LIBERDADE DE VIVER
MAS A TENTAÇÃO QUE SEDUZIU ADÃO E EVA
FEZ O PECADO FLORESCER

“O profeta João pinta esse paraíso, o paraíso original, que foi criado por Deus, que a gente conhece, que era todo colorido. Ele pinta pela liberdade de expressão, de vermelho, através do carnavalesco Edson. Esse carnavalesco é vermelho, e um vermelho que está no coração do salgueirense. A partir do pensamento desse paraíso vermelho, e que se vivia na plenitude da vida, que Adão e Eva desfrutavam de todo aquele mundo perfeito, e parte do princípio de que a gente sabe que tem o paraíso, de que existiu dentro da construção bíblica da vida. É o paraíso original do primeiro pecado de Adão e Eva, começa o questionamento dentro do enredo, sobre esse caos que esse primeiro pecado trouxe ao mundo, a evolução da humanidade. É o link do mundo, do que vem acontecendo, até que virá mais à frente do samba esse renascimento pós Apocalipse, após todo esse caos na terra”.

QUEM SERÁ PECADOR? QUEM IRÁ APONTAR?
HÁ UM OLHAR DE QUERER JULGAR
SE CADA UM TEM SEU JEITO
MELHOR CONVIVER SEM PRECONCEITO

“Esse conceito de julgar, é a forma de quem olha, o que é pecado em quem julga. Nesta parte, fala-se sobre as pessoas que foram muito julgadas, muito isoladas da sociedade. Esse renascimento pós apocalipse fala sobre isso, a redenção dos excluídos e a gente pede um basta para a sociedade. É um novo paraíso, é o paraíso renascendo e se tornando vermelho novamente. O paraíso está se reconstruindo com os excluídos, isso é o mais importante, essa é a mensagem. Esse é o grande renascimento que se fala no enredo do Salgueiro”.

NO MEU SONHO DE REI, QUERO TEMPO DE PAZ
GUERRA, FOME E MAZELAS NUNCA MAIS
A MINHA ACADEMIA ANUNCIA
DA ESCURIDÃO, RAIOU O DIA

“O refrão do meio do Salgueiro é ligado ao apocalipse, ele faz essa transição de que nós temos o sonho de rei. Nós temos um sonho de vencedor, de coisas boas, e o Salgueiro é a Academia do Samba, que vai ser pra gente esse novo raiar do dia após o Apocalipse. Tanto que logo em seguida, o verso da segunda parte ele já emenda falando da redenção. Ele fala dos excluídos, que logo após o Apocalipse, há a redenção dos excluídos, dos mendigos, que é em cima de ‘Ratos e Urubus’. Os mendigos, as prostitutas, todas as pessoas que são excluídas pela sociedade. É sobre esse novo renascimento da vida, é isso que fala esse trecho. O refrão do meio é muito intenso, ele anuncia dias melhores, livre de todas as coisas ruins da Terra, ele pede paz, pede o fim de todas as mazelas que o povo sofre, e anuncia dias melhores, a anunciação de novos tempos, de prosperidade, mas esse reinício desse paraíso é através dos renegados da sociedade”.

BENDITA REDENÇÃO! OS EXCLUÍDOS LIBERTANDO SUAS DORES
EMBARQUE, PRO RENASCER DOS SEUS VALORES
BASTA! DE VIOLÊNCIA E OPRESSÃO
CHEGA DE INTOLERÂNCIA

“A barca de Caronte, neste caso, vem com uma renovação trazendo esses renegados, é a ideia de um link através desse paraíso perfeito que passa por toda essa nuvem que paira através do pecado original de Adão e Eva, ele vai em um desenrolar desde o momento em que acontece o caos na sociedade até esse novo resplandecer. A partir da criação do paraíso, partindo do primeiro pecado de Adão e Eva que viviam em um paraíso limpo, e começa a humanidade a questionar e o pecado se tornar uma coisa mais abrangente, chega um momento do Apocalipse em que desgoverna tudo e acaba essa paraíso. Esse paraíso, a partir do apocalipse, com o passar do tempo, ele tem renovação com Caronte, é a barca de Caronte, ele traz esse renascimento desses excluídos. A segunda parte na verdade é um link de pensamento do samba do Salgueiro. Existe um link de transformação de um mundo. O enredo do Salgueiro é como se fosse um mundo perfeito, começando através do paraíso, o pecado de Adão e Eva, e começa a peregrinação dos seres humanos , o crescimento da vida na Terra e a partir dali, o pecado vai aflorando, e os julgamentos, e as exclusões, através de cada um que se diz apto a julgar alguém e assim vai”.

A LUZ DA ETERNIDADE ACENDE A CHAMA
FESTEJANDO A IGUALDADE QUE A FELICIDADE EMANA
RESPLANDECE A BELEZA DO MEU RUBRO PARAÍSO
PROIBIDO É PROIBIR, AVISO!
PELAS BENÇÃOS DE JOÃO, NESSA NOITE DE MAGIA
O MEU SAMBA É A REVOLUÇÃO DA ALEGRIA

“A gente começa a falar de igualdade. Aqui nesse novo paraíso do Salgueiro, após essa limpeza, não tem proibição, tudo pode. Até que haja uma medida, mas tudo pode dentro do respeito, de não se julgar para também não ser julgado. É a grande temática do enredo. Através do samba, o Joãosinho Trinta falava, é o texto do próprio Joãosinho, é uma fala dele. O samba vai ser a grande revolução, ele diz que a grande revolução da humanidade ia acontecer através do samba. Teve a revolução industrial, tantas outras revoluções através de guerra. A partir dessa grande revolução da alegria, se constrói esse novo lugar, esse novo paraíso vermelho. Ele diz que a festa, que o carnaval, é o que deixa todo mundo igual, que deixa todo mundo junto, ricos, pobres, feio, bonito, branco, preto, gay, homem, mulher, todo mundo convive junto, de classes sociais diferentes, de pensamentos e etnias diferentes. É o momento final que prepara para o nosso refrão principal”.

VERMELHA PAIXÃO SALGUEIRENSE
QUE INVADE A ALMA, TÁ NO SANGUE DA GENTE
O MORRO DESCE NA BATIDA DO TAMBOR
NESSE DELÍRIO QUE O ARTISTA SE INSPIROU

“O nosso refrão final fala sobre a paixão pelo vermelho que é o vermelho do Salgueiro, que é o paraíso vermelho salgueirense, que está na alma, o salgueirense tem orgulho dessa cor vermelha. O seu componente emanado e conduzido pelo enredo do Joãosinho Trinta, por essa magia que ele unia todo o morro, vai atrás dele fazer o grande carnaval do Salgueiro, com certeza um dos grandes carnavais que o Salgueiro vai proporcionar acontece neste desfile de 2023”.

Senac RJ renova parceria com a equipe de maquiagem artística da Viradouro para Carnaval 2023

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O Senac RJ, por meio da maquiadora Christina Gall, renovou a premiada parceria educacional, iniciada em 2019, com a escola vice-campeã do mesmo ano e campeã do Carnaval 2020, Unidos do Viradouro. No Carnaval 2023, cerca de 200 alunos, ex-alunos e instrutores do curso de Maquiador irão atuar na segunda, dia 20 de fevereiro, ao lado da Equipe de Maquiagem Artística da escola, na make-up de aproximadamente 900 integrantes. A atividade funciona como laboratório para os estudantes, permitindo a vivência profissional em um dos maiores eventos do planeta.

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Foto: Foto: Erbs Jr/Divulgação

A Equipe de Maquiagem Artística da Viradouro é formada há cinco anos por Christina Gall, responsável atualmente pela Maquiagem, Criação, Coordenação da escola e Comissão de Frente, auxiliada pelos coordenadores Diogo Lisboa, Silvana Maurente e por três alunos do Senac RJ que a acompanham desde o início da parceria: Glaucia Pandoro, Karen Kim e Natália Soares. Com a inovação na maquiagem dos componentes da escola, Christina recebeu, em 2019, o título de Melhor Maquiadora Artística da Revista Plumas e Paetês, que há 15 anos premia quem trabalha na produção do carnaval carioca.

Antes do desfile, os profissionais (Christina, Diogo e Silvana) irão participar de palestras, workshop e treinamentos na unidade Senac Copacabana, na Rua Pompeu Loureiro, 45, para demonstração prática de maquiagem artística e da experiência vivida pelos grupos anteriores nos Carnavais de 2019 e 2020.

Palestra e workshop de lançamento

A palestra Maquiagem e seus efeitos especiais e o workshop Maquiagem de Carnaval Unidos do Viradouro, para captação de talentos, serão realizados no dia 18 de janeiro, das 18h às 21h, com a presença do carnavalesco Tarcísio Zanon e do diretor Cênico e Coreográfico Marcio Moura. Após este encontro inicial, serão promovidos dois grupos de oficinas com duração de 8 horas cada, entre os dias 24 e 28 de janeiro, para treinamento com aplicação das técnicas que serão utilizadas este ano na escola.

A atividade se insere na metodologia de ensino do Senac RJ, que adota sempre o ensino prático, e oferece a oportunidade de alunos vivenciarem a realização de um grande evento e toda a rotina da maquiagem de uma escola de samba do Rio de Janeiro. A qualificação de Maquiador ensina a aplicação técnica de produtos cosméticos e, utilização de recursos artísticos a partir de uma intenção, aplicando o conceito de Beleza Integrada. Desta forma, a equipe da escola assegura que a maquiagem dos componentes do desfile estará alinhada à mensagem de ala ou de cada fantasia. A experiência desse trabalho na avenida contribui para o portfólio profissional desses maquiadores.

Gato de Salto será muso na Lins Imperial

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A Lins Imperial ganhou mais um reforço para o carnaval de 2023. Trata-se do Tradutor e professor de samba, mais conhecido no mundo do samba como Gato de Salto. Gato chega para integrar o time de musas e musos da escola que levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Madame Satã: resistir para existir”, uma releitura do Carnaval de 1990 com roupagem e samba-enredo inéditos.

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Foto: Divulgação

Natural de São Paulo, o artista que vive na Áustria desde seus 18 anos, tem formação em Comunicação Transcultural e Interpretação de Conferência e já chegou a trabalhar como tradutor na ONU, mas foi através da dança que o jovem conseguiu conquistar seu espaço.

“A saudade de casa me fez entrar em depressão e foi através do samba que eu consegui me reerguer. Passei a ouvir os sambas e assistir desfiles para matar um pouco a saudade de casa, além de me recuperar, percebi que eu levava jeito para a dança” contou o professor.

Autodidata, o artista aprendeu a arte do samba no pé assistindo vídeos de passistas e rainhas de bateria e decidiu incluir um item diferente em seus treinos, o salto alto.

“Fui gostando da coisa e notei que tinha que me profissionalizar. Fiz aulas de aperfeiçoamento com grandes personalidades do samba como a rainha da Mangueira, Evelyn Bastos, Alex Coutinho, Mayara Santos, entre outros grandes nomes do samba. Além da facilidade em sambar, eu me aventurei a sambar de salto. Comecei com o salto 12 cm, depois fui aumentando até conseguir sambar com o salto 15. Hoje domino com facilidade e ajudo mulheres que temiam sambar de salto”.

Com um jeito único de sambar, gato vem dedicando sua vida a ensinar a técnica de sambar de salto alto a mulheres como um estilo de vida, uma prática de exercícios e a busca pela melhor qualidade de vida. Através de suas aulas, o dançarino já percorreu mais de vinte países, ministrando aulas de samba no pé e participando de diversos festivais de dança.

O convite para desfilar foi feito através de vídeo chamada pelo presidente da escola e prontamente aceito pelo ativista da causa LGBTQIA+ ao saber que o enredo da escola seria a história de João Francisco dos Santos, também conhecido como Madame Satã, a primeira transformista do Brasil e símbolo de resistência no Rio de Janeiro no século XX.

“Desfilar na Lins com um enredo que fala sobre as lutas de Madame Satã é algo incrível. Estou muito animado e mal posso esperar para pisar na Sapucaí como eu sou, como me sinto. Não será apenas um desfile, será um momento mágico em que acredito que todas as agressões e ataques que sofri na vida irão perder a força, será o momento onde terei a certeza de que venci na vida por quem eu sou”, disse emocionado.

Vila Isabel leva multidão para o ensaio no Boulevard 28 de Setembro

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O primeiro ensaio de rua do ano da Unidos de Vila Isabel foi marcado por muita empolgação, forte canto da comunidade e samba no pé. A escola de samba atraiu uma multidão nessa quarta-feira, no Boulevard 28 de Setembro.

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Foto: Diego Mendes/Divulgação Vila Isabel

Sob olhares atentos de moradores do bairro, torcedores e foliões, o cantor Tinga soltou a voz ao lado dos músicos do carro de som, acompanhado de perto pela bateria Swingueira de Noel, liderada por mestre Macaco Branco.

Quem também arrancou muitos aplausos foi o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcinho e Cristiane, que mesmo em meio a uma rotina intensa de preparação para o desfile, fez questão de brindar o público com muita garra e amor ao pavilhão.

A azul e branca do bairro de Noel volta a ensaiar na próxima quarta-feira. A concentração acontece a partir das 20h, em frente à Basílica Nossa Senhora de Lourdes, que fica no Boulevard 28 de Setembro, 200, em Vila Isabel.

A agremiação será a terceira escola a desfilar, na segunda-feira de Carnaval, com o enredo “Nessa festa, eu levo fé!”, desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros.

Cultado do Estado firma parceria para primeiro carnaval sustentável do Rio

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Em uma parceria entre a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Sececrj) e o projeto Sustenta Carnaval, a cidade de Cachoeiras de Macacu, na Região Metropolitana, terá o primeiro carnaval sustentável do Rio. A ação envolve a reutilização de resíduos têxteis provenientes das fantasias coletadas no Carnaval 2022, durante os desfiles das Escolas de Samba das Séries Ouro e Especial, na área de dispersão da Marquês de Sapucaí.

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Foto: Divulgação/Governo do Estado

“O Carnaval, para além da grande festa na avenida e nas ruas, é também uma forma de dar visibilidade a todas as causas e lutas. Aliar cultura e sustentabilidade para apoiar o carnaval no interior do estado é um golaço do governador Cláudio Castro, que tem enorme preocupação com todos os 92 municípios. Temos esse projeto piloto com Cachoeiras de Macacu e podemos pensar em caminhos para outras cidades”, destacou a Secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio, Danielle Barros.

Além do pioneirismo, Cachoeiras servirá de exemplo para inspirar novos municípios nas práticas e ações de economia circular, que garanta acesso à reutilização desses insumos em produções artísticas e /ou educacionais.

“O município que possui em seu território uma ampla cobertura vegetal, abrigando cerca de 60% da maior unidade de conservação do Estado, o Parque Estadual dos Três Picos, e que é responsável pelo abastecimento com água de qualidade para mais de 2,5 milhões de pessoas, precisa seguir investindo na sustentabilidade. A cidade detém o maior ICMS Verde do Estado e essa iniciativa contribui para nortear nosso trabalho. Além disso, temos um dos carnavais de rua mais tradicionais do Estado. Portanto, unir essas duas potencialidades da nossa terra é uma honra e grande alegria pra nós”, afirmou o prefeito de Cachoeiras de Macacu, Rafael Miranda.

Para Mariana Pinho, idealizadora do projeto Sustenta Carnaval, a conscientização ambiental no carnaval é uma pauta que precisa avançar nos próximos anos. Com a primeira doação, que reuniu mais de 100 quilos de material, serão neutralizados na bioesfera 4,5 mil quilos de CO²eq.

“Estamos fazendo um trabalho em parceria e diálogo com todo segmento da indústria criativa do Carnaval para que a sustentabilidade seja uma pauta para além do enredo, mas que envolva cada vez mais a cultura e todas as etapas da festa”, disse.

O projeto Sustenta Carnaval conta com o apoio da Federação da Indústria Criativa Cultural do Carnaval do Estado do Rio de Janeiro (FICCCERJ) e da Associação Recreativista Escola de Samba Vizinha Faladeira, que armazenou o material recolhido pelo projeto.

MetrôRio estende horário de funcionamento para ensaios na Sapucaí aos domingos

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A partir deste fim de semana, o MetrôRio vai estender o horário de operação nas estações Central e Praça Onze aos domingos de ensaios técnicos das escolas de samba na Marquês de Sapucaí até meia-noite. O objetivo da concessionária é oferecer mais comodidade e facilidade aos clientes.

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Foto: Divulgação/MetrôRio

As demais estações do sistema metroviário fecharão as portas normalmente, às 23h, como de praxe aos domingos, e depois desse horário, só funcionarão para desembarque.

Aos sábados de ensaios no Sambódromo, o funcionamento do sistema será mantido, das 5h à meia-noite.

Programação dos ensaios

Sábados: as escolas da Série Ouro iniciam as apresentações às 19h, com previsão de término às 23h30.

Domingos: as apresentações do Grupo Especial começam por volta das 20h, com término previsto para as 23h30.

Consolidado no Império de Casa Verde, mestre Zoinho fala de suas experiências e trabalho para o próximo carnaval

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Robson Zoinho, mais conhecido como mestre Zoinho, comanda a bateria ‘Barcelona do Samba’, do Império de Casa Verde, desde o ano de 2004. Logo no seu primeiro carnaval, em 2005, o mestre deu sorte para a escola, pois o ‘Tigre Guerreiro’ conseguiu o seu primeiro campeonato. O trabalho de Zoinho é louvável e totalmente satisfatório. A bateria é consolidada e considerada uma das melhores de São Paulo. Além de vencer vários prêmios da mídia especializada de carnaval, ajudou bastante o Império nas apurações. Para o próximo ano, a bateria já está a todo vapor. O trabalho está sendo feito, várias bossas executadas e o ritmo de sempre, dentro do samba, aplicado. Um samba-enredo que permite a batucada brincar e, segundo Zoinho, é o melhor desde que ele chegou na agremiação.

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Fotos: Magaiver Fernandes/Site CARNAVALESCO

Mestre Zoinho falou de sua chegada na Casa Verde. “A minha trajetória começa em março de 2004. Eu fazia parte da bateria dos Gaviões da Fiel. Eu estava lá como diretor de bateria. Participei dos últimos dois títulos da escola lá em 2002 e 2003 e, logo após o resultado do carnaval de 2004, que os Gaviões teve uma queda, eu fui convidado a ser diretor de bateria aqui no Império de Casa Verde. Eu aceitei o convite e começamos a fazer o trabalho pro carnaval de 2005. Logo no primeiro ano a gente teve muito êxito e fomos campeões. Em 2005, 2006 e 2016 também; São três títulos na escola e nosso trabalho contribuiu para que isso acontecesse”, contou.

O diretor falou brevemente de suas vivências dentro da bateria, dificuldades, mudanças e estilo de desfile. “Eu não tive muita dificuldade aqui. No primeiro ano eu fui campeão e no segundo ano conquistamos o bicampeonato. No início as coisas facilitaram bastante. O que teve, foi uma mudança de rumo, de trabalho e de direção. A gente teve que segurar um pouco o ego da galera. Não é qualquer um que chega e já é bicampeão, mas as coisas entraram no eixo. Teve uma época que a gente tinha um estilo de bateria e depois a gente teve que mudar. Arriscava mais, fazia mais bossas e depois tivemos que jogar com o regulamento. Então teve fases e fases. Várias estratégias de carnaval. O ritmo que a bateria imprime hoje, acho que vem desde 2015 pra cá. O Jorge Freitas passou por aqui, deixou uma coisa boa, um outro estilo de desfile, a gente acabou aderindo e estamos aí até hoje”, disse.

Outras baterias

Zoinho também participou de várias baterias como ritmista. Tanto em São Paulo, como no Rio de Janeiro e, contou, as experiências e suas referências que leva até hoje para seu ritmo. “Eu participei de várias baterias em São Paulo e no Rio também. Eu comecei como ritmista muito cedo e tenho várias referências. Não só como mestre de bateria e sim ritmistas, Por exemplo, passei por Vai-Vai com o mestre Tadeu, estava começando a tocar, então ele é uma grande referência. Depois veio a época do mestre Neno do Camisa Verde e Branco, onde eu aprendi bastante. Meus mestres lá no Rio foram legais. Desfilei muito tempo na bateria do Odilon na Grande Rio de 1998 até 2009 que foi o último ano dele. O meu grande amigo, saudoso mestre Mug da Vila Isabel também é uma grande referência. Essas foram as principais referências no samba. Também ouvi muito mestre André, mestre Marçal. É uma coisa desde criança que serviu como inspiração. Então quando eu peguei a bateria aqui, tentei colocar tudo que eu aprendi ao longo da minha trajetória”, declarou.

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Evolução e julgamento das baterias

Segundo mestre Zoinho, houve uma grande evolução das baterias de São Paulo nos últimos anos. E também opinou sobre o regulamento que avalia as notas. “As baterias daqui estão evoluindo bastante. O regulamento foi mudado agora e as baterias tem que apresentar um número de compassos, de bossas e de paradinhas. As baterias estão mais criativas agora. Essa mudança foi legal. O regulamento tinha que explorar a criatividade que eu sou a favor. Tem uma ‘molecada’ muito boa, uma renovação nos mestres de bateria, principalmente nos grupos de baixo. Tem muita gente boa chegando e a tendência é evoluir cada vez mais. Tem uma galera estudando bastante também. O nível está crescendo cada vez mais”, explicou.

Chegada de um novo intérprete na agremiação

Durante todo esse tempo, o mestre trabalhou praticamente em todos os anos com o intérprete Carlos Jr. Agora, teve a chegada do intérprete Tinga. Zoinho avaliou a chegada do cantor e disse que o samba-enredo para o próximo carnaval, é o melhor que ele está trabalhando na escola. “Acho que pra bateria do Império não tem diferença (a chegada do Tinga). A gente fez um trabalho com o Carlos Jr por muitos e muitos anos. Foi nosso parceiro. O Tinga agora está aí também e eu já estou acostumado com ele. Já desfilo na Vila Isabel há muito tempo. Já sei como ele canta na hora das bossas, o andamento que ele gosta e a gente está adaptado. Temos um bom entendimento, nos conhecemos há muito tempo e não vamos ter problema para adaptação. Logo de primeira já casou legal. Pegamos um samba muito bom, um enredo que fala de ritmo e influências africanas e acho que é o melhor samba do Império desde que eu vou trabalhar. Está sendo prazeroso”, afirmou.

O próximo desfile

Enfim, para 2022, Zoinho promete muito trabalho. O diretor irá para seu décimo sétimo desfile e a expectativa é fazer um grande carnaval. “A nossa expectativa é fazer um bom carnaval. Já estamos trabalhando. O enredo é bom, a comunidade abraçou logo de cara, está sendo bem falado por aí e como eu falei, é o melhor que eu estou trabalhando desde que eu cheguei. Agora é trabalhar. O lance do título é uma coisa muito complicada. As outras escolas estão se preparando bastante. Escolas fortes. A gente está trabalhando. Espero que a gente possa representar muito bem e ter uma grande sorte no carnaval”, completou.

Alto padrão! Jorge e Saulo prometem espetáculo na comissão de frente da Beija-Flor com surpresas e tecnologia

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Uma das agremiações mais competentes no quesito comissão de frente, a Beija Flor para o carnaval de 2023 terá a dupla Jorge Teixeira e Saulo Finelon. Depois de sete carnavais muito elogiados pela crítica na Mocidade, os coreógrafos sentem novamente o nervosismo de uma estreia.

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

“É uma escola de referência, a dedicação é sempre muito grande. A diferença é que rola o frio na barriga da estreia, que ficamos tanto tempo sem sentir, mas está sendo tudo muito gostoso”, comentou Saulo.

Jorge confessou não só a responsabilidade, mas também revelou que coreografar a escola de Nilópolis já vinha sendo um sonho.

“A Beija-Flor sempre foi um sonho, está sendo prazeroso demais realizar. É uma responsabilidade imensa estar numa escola desse porte, mas nós sempre levamos o nosso trabalho muito a sério, então tudo o que fazemos em qualquer escola em que estamos, é sempre o nosso melhor”.

Na aposta por mais um tema crítico, a escola possui para o próximo carnaval um dos enredos mais intensos e expressivos da safra. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Jorge comentou sobre o assunto, afirmando ter se emocionado com o enredo.

“Esse enredo me tocou muito desde o início. É um tema que além de ser questionável, deve ser construído com muito cuidado. Tentamos fazer algo leve, embora o enredo tenha essa energia pesada” revelou. “O processo de pesquisa com toda a escola foi muito emocionante também. Cada passo vem sendo fundamental para o sucesso do nosso desfile”, completou o coreógrafo.

Embora na teoria sejam responsáveis por quesitos diferentes, o trabalho de um coreógrafo acaba sendo em conjunto com o do carnavalesco, onde acaba havendo uma troca artística de ideias, mas sem a perda da liberdade, garantiu Saulo.

“Essa troca vem sendo carregada de muita afinidade e aprendizado. Nós temos o Louzada, que é um parceiro nosso desde outras escolas, um carnavalesco que nós tanto adoramos e admiramos. Agora também temos o André, que tem uma cabeça mais jovem, cheia de ideias modernas e contemporâneas. Nós coreógrafos temos toda a liberdade de criar, mas sempre priorizamos essa comunicação com os carnavalescos, para chegarmos num bem comum em prol do sucesso da escola”.

A Beija-Flor será a quinta escola a desfilar na segunda-feira de carnaval, dia 20 de fevereiro, com o enredo “Brava Gente! O grito dos excluídos no bicentenário da independência”. Quando questionados quanto ao que podemos esperar da comissão de frente, prometeram manter o alto padrão com um verdadeiro espetáculo.

“Vamos contar uma história muito interessante e com muitas surpresas”, afirmou Saulo. “Assim como todo ano, levaremos para a avenida muita coreografia, invenção tecnológica, maquiagem, figurino, cenografia, um verdadeiro show completo”, finalizou Jorge.

Por dentro dos ritmos: Saiba detalhes sobre a bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel

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O primeiro ensaio do ano ocorreu na última quinta-feira, dia 5 de janeiro, na quadra da Rua Coronel Tamarindo. Com um bom quórum na bateria, o treino mostrou um ritmo consistente e equilibrado. Nem o frio e nem a chuva impediram os ritmistas de ensaiarem para procurar manter o grau de excelência da bateria da Mocidade.

A bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel possui um ritmo genuíno e peculiar. Um legado deixado por mestre André e trabalhado por mestre Coé (pai de Dudu), que demanda bastante responsabilidade quanto à preservação musical do atual mestre. É possível perceber uma afinação de surdos invertida em relação às demais baterias, já que na Mocidade o surdo de primeira tem timbre agudo, enquanto o surdo de segunda, timbre grave. No naipe de caixas de guerra, o toque característico possui uma acentuação específica inclusive no toque da “mão fraca”, que auxilia a produzir um molho diferenciado.

A bateria “Não Existe Mais Quente” foi a primeira a inserir o surdo de terceira em baterias, se aproveitando do swing propiciado por ele para dar balanço ao ritmo. Vale ressaltar também que o agogô foi incluído por Mestre André na bateria e pelas bandas de Padre Miguel os instrumentos possuem duas campanas (bocas). O toque extremamente refinado dos repiques da bateria “NEMQ” também merece menção musical. Sem contar o belo naipe de chocalhos, que além de primeira fila dançante, se destaca pela tradicional “subida cascavel” após as chamadas dos repiques solistas. Complementando as peças leves, um naipe historicamente forte de tamborins se encontra altamente vinculado às tradições do ritmo único produzido pela sempre aguardada bateria da Mocidade.

Mestre Dudu, além de buscar sempre manter a essência da bateria da Mocidade, também revelou que baseia seu trabalho na análise técnica das justificativas dos julgadores. A prioridade é garantir a evolução do ritmo e potencializar pontualmente tanto as virtudes musicais da bateria, quanto desenvolver os naipes que foram motivos de descontos. Para consolidar essa linha musical, Dudu tem preferência por buscar a limpeza rítmica através dos ensaios de naipes separados, garantindo assim evoluir os ritmistas individualmente, proporcionando melhor sincronia e coletividade. Segundo o mestre, o ensaio de naipe em dia distinto do da bateria completa faz com que ajustes técnicos sejam realizados mais facilmente, já que a sonoridade produzida somente por um único naipe acaba deixando evidente onde é possível melhorar.

O cuidado com o naipe de caixas de guerra embala musicalmente a bateria “Não Existe Mais Quente”. Mestre Dudu revelou que o crescimento passou a ser notado de forma geral após a mudança no diâmetro da caixa, alterando para 14 polegadas (por volta de 2016), além da acentuação utilizada na afinação do instrumento. Isso permitiu que o molho dado à bateria da Mocidade sobressaísse cada vez mais.

Dudu se mostra admirado com a resposta do bom samba-enredo da Mocidade, bem como com a linha melódica com variações que ajuda a consolidar o ritmo. A integração do trabalho musical com o intérprete Nino do Milênio tem deixado o mestre surpreso, com o cantor oficial da escola estando cada vez mais solto no comando do microfone principal. Se a missão de substituir o ícone Wander Pires é particularmente ingrata, Nino do Milênio tem se sentido gradualmente mais à vontade dentro da agremiação, segundo o mestre.

Para o Carnaval 2023, Dudu pretende levar um total de seis arranjos musicais, entre bossas e nuances que darão versatilidade rítmica à bateria “NEMQ”. O mestre acredita ser importante trabalhar o samba todo, se aproveitando da primeira, da segunda e dos refrões, dividindo a obra em quatro partes. Isso facilita a apresentação, pois em qualquer momento do samba-enredo que a bateria da Mocidade chegar próximo a cabine de julgadores terá soluções musicais a serem executadas disponíveis. Mestre Dudu, inclusive, aproveita para exaltar a qualidade técnica de assimilação de paradinhas por parte de seus ritmistas. Esse fato tem contribuído para que cada vez mais se apresente um leque amplo de bossas. Será possível identificar uma interação musical bem vasta na bateria da Mocidade, sendo notados os ritmos do Xote, do Maracatu e do Baião, fato que atrela cultura nordestina a sonoridade produzida.