Por Marcos Marinho, Júnior Azevedo, Juliane Barbosa e Vanessa Vicente

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Pode se preparar que a Beija-Flor vai incorporar no Carnaval 2027. Por volta de 3h30 desta sexta-feira foi anunciado que a parceria de Marquinhos Beija-Flor, Claudio Russo, Chacal do Sax, Rômulo Massacesi, Júlio Alves e Léo Freire venceu o concurso de samba-enredo da escola de Nilópolis para o desfile do ano que vem. Segunda a desfilar no domingo de carnaval, ela apresentará o enredo é “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, que será desenvolvido pelo carnavalesco João Vitor Araújo.

“A Beija-Flor é uma escola de vida, uma escola de comunidade muito forte. E, desde que a gente lançou esse samba, esse samba ganhou o mundo. Tá todo mundo incorporando, incorporando, incorporando esse samba. Então, eu tenho certeza, pela reação da comunidade que vocês estão vendo agora, que a Beija-Flor vai fazer um desfile apoteótico e vai todo mundo incorporar com a boca na avenida. Esse é o meu nono ano do samba na Beija-Flor, mas é como se fosse o primeiro. A parte preferida é o refrão principal: “Ê, incorpora, Caboclo!”, comemorou o compositor Claudio Russo, em entrevista ao CARNAVALESCO.

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Compositor Claudio Russo. Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

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Compositor Rômulo Massacesi. Foto: Vanessa Vicente/CARNAVALESCO

“Ganhar na Beija-Flor é ganhar na minha escola, onde eu fui criado. É a escola que eu amo. Independentemente de vencer o concurso de samba-enredo ou não. É a terceira vez que eu sou campeão aqui. Eu ganhei a última vez o samba do Laíla (2025), que foi imortal, que deu o título. Nós vamos buscar o título de novo, porque esse samba tem a alma nilopolitana”, garantiu o compositor Rômulo Massacesi ao CARNAVALESCO.

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Compositor Chacal do Sax. Foto: Vanessa Vicente/CARNAVALESCO

“Estou muito feliz, porque é a terceira vez que eu venho na minha escola do coração. Incorpora, caboclo”, festejou o compositor Chacal do Sax, citando um verso do refrão principal do samba campeão.

Samba potente

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Almir Reis é presidente da Beija-Flor. Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Em entrevista ao CARNAVALESCO, o presidente Almir Reis citou a importãncia de levar para Avenida um samba potente.

“A Beija-Flor, se não tiver um samba valente, que faça parte da história e da essência da Beija-Flor, não vai. O samba é praticamente 50% do carnaval, e os outros 50% são os demais segmentos. Mas, se você acertar o samba, você tem praticamente uma fórmula perfeita”, afirmou o dirigente.

Mesmo diante do desafio de ser a segunda escola a desfilar no domingo de carnaval, o vice-presidente Thiago David afirma que a Beija-Flor chega ao Carnaval 2027 com confiança, união e um projeto preparado para recolocar a escola na briga pelo título. O dirigente também aposta no samba-enredo como peça fundamental para a comunidade ser um verdadeiro “rolo compressor” na Sapucaí.

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Thiago David é vice-presidente da Beija-Flor. Foto: Vanessa Vicente/CARNAVALESCO

“Eu confio muito nesse enredo. Eu acredito que a Beija-Flor já passou por desafios piores do que esse (ser a segunda a desfilar no domingo). E eu estou muito confiante de que a gente vai continuar e vai fazer um grande desfile. Confio muito nos mestres Rodney e Plínio, eles vão fazer um arranjo maravilhoso. A gente está com um projeto lindo. Nosso objetivo é ganhar o carnaval de 2027, mas sempre respeitando todas, sabendo que isso é uma grande competição”.

Grande show na final

O show da Beija-Flor na final de samba-enredo para o Carnaval 2027 abriu com a ritualística dos Caruanas, em uma exibição de impacto que contou com a guiança da voz de Dona Zeneida. Em seguida, o carimbó tomou conta da cena, reverenciando a cultura popular do Pará. É Dona Zeneida quem evoca a escola para celebrar sua história e seu pavilhão. Nesse momento, os principais segmentos da escola se reuniram no palco para cantar à capela o samba-exaltação da agremiação, com a presença de seu patrono, Anísio Abraão David. Claudinho e Selminha Sorriso dançarem exuberantes com o pavilhão azul e branco, enquanto imagens de Zeneida rezando o pavilhão eram exibidas no telão.

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Nino do Milênio e Jéssica Martin cantaram músicas em homenagem a Zeneida e ao Círio de Nazaré, intercaladas pela prece feita pelo ator Samuel de Assis. Com uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, o presidente Almir Reis discursou, agradecendo a presença dos baluartes da escola e lembrando os ensinamentos do patrono: “O Beija-Flor é mais importante que todos nós”.

Se o enredo da Beija-Flor, ao homenagear Zeneida, evoca todo o território mágico da pajé, o show da escola na final de samba privilegiou evocar a força da natureza de Nilópolis através de seus segmentos e da discografia da escola.

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Análise dos sambas na final

Parceria da Escola de Samba Bole-Bole: Responsável por abrir os trabalhos na quadra, a obra paraense criada por Herivetto Martins e Silva (Vetinho), campeã da seletiva de Belém e semifinalista em Nilópolis, mostrou a força do samba-enredo além das fronteiras do Rio de Janeiro. Conduzida com maestria por Wantuir, a apresentação superou a desvantagem numérica da torcida visitante graças à energia contagiante dos paraenses presentes e ao apoio imediato dos simpatizantes locais. Musicalmente refinado, o samba se destacou pelo uso marcante da narrativa em primeira pessoa, dando voz à própria Zeneida para contar sua trajetória: da infância mágica na encantaria até a sua missão de vida como protetora da natureza e da cultura amazônica. A letra passeou com riqueza poética por elementos da pajelança, da ancestralidade e de manifestações como o carimbó e a devoção a Nossa Senhora de Nazaré, culminando na emblemática frase “plantei uma escola-floresta”. O clímax da exibição ficou por conta do refrão “Xerequê, Xerequê”, de fácil assimilação e força melódica contagiante, que ganhou a quadra e garantiu que o samba paraense deixasse sua marca registrada com muito respeito.

Parceria de Marquinhos Beija-Flor: Consagrada como a grande vencedora da disputa, a obra de Marquinhos Beija-Flor, Claudio Russo, Chacal do Sax, Ronaldo Massacesi, Júlio Alves e Léo Freire entregou uma performance histórica e avassaladora, movida pela simbiose perfeita entre palco e arquibancada. Liderados por um Pixulé inspirado e impecável, os intérpretes impuseram um ritmo firme e seguro, enquanto a harmonia e a comunidade abraçavam a obra com garra impressionante. O grande diferencial da noite foi o refrão mais “chiclete” do carnaval: antes mesmo de o som liberar os microfones, a quadra já ecoava o trecho ao som de atabaques. Mesmo com uma proposta cênica mais limpa e focada no tradicional pavilhão azul e branco, o canto à capela foi um verdadeiro terremoto de vozes. A transição para o refrão principal criou uma espiral de energia que transformou a quadra em um mar de euforia, reafirmando a obra como um hino de força incontestável e legitimando sua vitória categórica no pódio de Nilópolis.

Parceria de Diogo Rosa: A obra assinada por Diogo Rosa, Julio Assis, Kirraizinho, Manolo, Clay Ridolf e Dr. Luiz Claudio protagonizou uma passagem de alto nível, sustentada pela condução enérgica e irrepreensível de Tinga e seus cantores de apoio. A mobilização em Nilópolis começou muito antes da primeira passada oficial: a torcida organizada tomou a quadra com bateria própria, efeitos sonoros imitando cantos de pássaros e adereços que traduziam o ecossistema amazônico de Zeneida Lima. No palco, o carro de som funcionou como um relógio, mantendo o tom lá no alto e contando com a adesão em massa dos segmentos da azul e branco, o que aproximou o ensaio de um clima real de Sapucaí. No momento do canto do povo à capela, o samba cumpriu muito bem o seu papel; embora tenha sofrido uma leve queda de rendimento na segunda metade do trecho, a comunidade se reestruturou rapidamente para explodir na chegada do refrão principal, o ponto alto do número. A cenografia trabalhada, enriquecida por uma pequena alegoria móvel e pela figura marcante da pajé, entregou um espetáculo visualmente bonito e com forte apelo popular.

Parceria de Junior PQD: Encerrando muito bem a noite, o samba composto por Junior PQD, Ailson Picanço, Junior Billy Mandy, Geraldo, M. Felício, Marquinho Paloma e Marcelo Moraes fez uma exibição extremamente sólida sob a condução de Pitty de Menezes. O intérprete deu um show de técnica e sustentação, liderando o grupo vocal com segurança absoluta e garantindo que o samba não perdesse o tom em nenhum momento. Fora do palco, a torcida deu um show à parte de recursos visuais, trazendo tripé, caracterizações detalhadas de Zeneida e fantasias que enriqueceram a apresentação. No instante reservado ao canto da comunidade sem o apoio do som de apoio, o samba passou por um breve teste de resistência após o refrão do meio, mas a resposta do público foi rápida e estrondosa na preparação para o refrão principal. Esse pico de empolgação reafirmou a principal virtude da parceria: a capacidade de comunicação direta com a quadra e a facilidade de gerar uma reação coletiva emocionante nos seus momentos principais.

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