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Fotos: Junior Azevedo/CARNAVALESCO

A estrutura necessária para colocar os blocos na rua, os processos de licenciamento e a cobrança de direitos autorais estiveram entre os temas debatidos na mesa “Os desafios do Carnaval de Rua para 2027”, durante a edição especial de 20 anos do Desenrolando a Serpentina. Organizado pela Liga Sebastiana, o encontro reuniu representantes do setor para discutir melhorias na operação da festa e alternativas para enfrentar os obstáculos que afetam a realização do carnaval carioca. Presidente da Sebastiana, Rita Fernandes ressaltou a importância do seminário como espaço para discutir questões que envolvem tanto a organização do carnaval de Rua quanto o conjunto das manifestações carnavalescas. Para ela, a festa deve ser compreendida como um ecossistema que reúne diferentes expressões culturais e precisa de condições para se fortalecer.

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“Mais uma vez, eu acho que a gente colocou na pauta assuntos muito relevantes que precisam ser encaminhados do ponto de vista da política pública e também da nossa atuação como fazedores de cultura, trabalhadores da cultura. Quer dizer, mesas que discutiram, que conversaram, que debateram sobre como o carnaval é um ecossistema que precisa se fortalecer. Escolas de samba, blocos de rua, bate-bolas, está todo mundo junto dentro de um mesmo ecossistema”, afirmou.

A discussão sobre a preparação para 2027 passou pela necessidade de revisar a estrutura oferecida aos blocos e os procedimentos exigidos para a realização dos desfiles. Entre os pontos levantados estiveram o Caderno de Encargos, o ordenamento dos ambulantes, a quantidade de ambulâncias, a liberação do Corpo de Bombeiros e os processos de autorização para colocar um bloco na rua.

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Presidente da Sebastiana, Rita Fernandes

O debate também abordou o futuro dos blocos diante das exigências de licenciamento e a importância de garantir condições adequadas de infraestrutura para a realização dos cortejos. A avaliação das necessidades operacionais busca identificar entraves e discutir atualizações que permitam conciliar a dimensão da festa com as condições de segurança, organização e ocupação do espaço público.

Outro tema foi a cobrança de direitos autorais pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). A mesa contou com a participação de Marcos Costa, gerente do Ecad no Rio de Janeiro, e Jomar Jr., sócio da Dream Factory, com mediação de Rita Fernandes e Rodrigo Rezende, presidente da Liga do Zé Pereira.

Para Rita, a necessidade de discutir questões práticas da organização carnavalesca é um dos motivos que tornam o seminário importante para o setor. Ela citou os procedimentos relacionados ao Ecad e à atuação do Corpo de Bombeiros, além das dificuldades enfrentadas pelos blocos para regularizar a documentação necessária.

“São as questões de ordem prática, como Ecad, a própria operação do carnaval junto ao Corpo de Bombeiros, a legalização, muito difícil, muito custosa para os blocos. Isso tudo a gente acaba tendo oportunidade de debater, de conversar, de ouvir quem está do outro lado e, mais importante, de propor soluções, de tentar encontrar soluções”, destacou.

Além dos desafios operacionais, a presidente da Sebastiana defendeu que o Carnaval de Rua seja reconhecido também por seu impacto econômico na cidade. Segundo ela, a atividade movimenta diferentes setores, com reflexos no turismo e nos estabelecimentos comerciais, além de contribuir para a arrecadação pública.

“O carnaval é cultura popular, investimento, investimento da cidade, identidade da cidade. Isso tudo a gente consegue reafirmar num seminário como esse”, declarou.

A edição especial de 20 anos do Desenrolando a Serpentina aconteceu nos dias 16 e 17 de outubro, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), com o tema “Carnaval: como as transformações sociais, econômicas e políticas vão impactar a festa”. A programação reuniu debates sobre os desafios do setor carnavalesco em um cenário de mudanças e a necessidade de discutir políticas públicas e condições para a continuidade da manifestação cultural.