
Dono de uma discografia invejável nos últimos anos, o Barroca Zona Sul realizou a gravação do audiovisual da Liga-SP para o Carnaval 2027 no dia 27 de setembro. Durante o evento que eternizou “Elekô Obá Xirê – A Força da Mulher Que Não Se Curva”, o CARNAVALESCO conversou com figuras importantes da agremiação, que será a terceira a desfilar na sexta-feira do Grupo Especial de São Paulo.
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Potência afro
Encerrando uma trilogia exaltando yabás (Iansã em 2025 e Oxum em 2026) que se envolveram com Xangô, o Barroca já está mais do que acostumado com temas ligados à africanidade. O trabalho musical segue tais enredos, como conta Tonn Queiroz, diretor musical da escola e arranjador da faixa: “Trabalhamos esse samba da mesma maneira que a gente vem fazendo desde quando o samba foi apresentado: a famosa palma da mão de macumba! A Zona Sul gosta da palma da mão de macumba, a gente coloca bastante coisa africana e rítmica, é o que o Barroca gosta”, destacou.

Ao ser perguntado se algum instrumento teria destaque na faixa, Tonn destacou a percussão: “Os tambores se sobressaíram na nossa gravação. Eles remetem bastante à África, ao conceito do enredo… a gente não podia fugir disso. Se a gente fosse pensar prioritariamente em cordas ou em metais a gente descaracterizaria o enredo”, comentou.
O diretor musical e arranjador também destacou, na visão dele, qual seria o principal chamariz da faixa da verde e rosa em 2027: “O refrão principal do samba é muito forte, o bis que tem depois do refrão principal também. O Barroca tem uma construção diferente de samba-enredo e, até por ser encomenda, tem essa liberdade. A parceria dos compositores tenta, todo ano, colocar algo diferente no samba e vem funcionando”, afirmou.
Presidente sucinto
Ewerton Rodrigo Ramos Sampaio, popularmente conhecido como Cebolinha, presidente do Barroca Zona Sul, mostrou-se bastante satisfação com relação à faixa: “A Faculdade do Samba fez uma gravação com muita competência. Eu, particularmente, fiquei muito contente, gostei bastante. Estou bastante feliz com o resultado final”, pontuou.

Perguntado sobre a força do samba da escola, Cebolinha fez questão de elogiar a parceria que compõe os sambas da escola há anos: “Os nossos compositores têm a mão boa! Gosto sempre de citar o Thiago Meiners, ele é um menino muito bom, uma capacidade muito boa de leitura do que a escola precisa e tem uma identidade muito forte com o Barroca. Ele sabe a linha que a gente precisa. É um menino que tem uma caneta boa, como a gente fala no mundo do samba”, disse.
Além de Meiners, o samba de 2027 da verde e rosa é composto por Claudio Mattos, Sukata, Morganti, Fernando Negão, Daniel, Leonardo, Daniel Paixão, Jonathan Tenório, André Braga, Wilson Mineiro, Herval Neto, Daniel Rizzo e Tubino Valencio.
Liberdade para o componente
João Ricardo Alexandre, popularmente conhecido como Jonny, um dos integrantes da Direção de Carnaval do Barroca Zona Sul juntamente com Cebolinha, Alexsandro Soares e Angélica Barbosa, revelou como foi a logística da escola para chegar à Fábrica do Samba e realizar a gravação: “Como o Barroca tem pessoas de todos os lugares da cidade, a maioria do pessoal que veio para a gravação se reuniu na quadra e a gente trouxe de ônibus. Também disponibilizamos o caminhão para trazer os instrumentos da bateria e algumas pessoas vieram direto, até porque também tem muita gente que grava em outras escolas e já estava por aqui, aí só ficou pro Barroca ou chegou mais cedo”, destacou.

O sucesso da estratégia está na capacidade máxima no estúdio concebido na Fábrica do Samba: “Nossa divisão é a seguinte: são exatamente 60 pessoas que estão no coral, temos dez destaques (entre musas, passistas, rainha e Corte) e 38 ritmistas. A gente geralmente prefere mulheres no carro de som na gravação, entendemos que a voz de mulher para gravar é melhor. Também fazemos uma divisão: pega um pouquinho de Baiana, um pouquinho de cada setor e algumas alas que frequentam mais a quadra, a gente vai pegando um pedacinho de cada e forma o contingente das 60 pessoas de coral que a Liga-SP permite como lotação. Viemos com esse número máximo”, detalhou.
Régua alta
Após a quinta colocação em 2026, melhor colocação da história da escola e que não era alcançada desde 1990, a agremiação passou a ser vista como referência pelas coirmãs. Dodô Ananias, um dos intérpretes da agremiação, destacou que tal mensagem é passada por ele com frequência para os componentes: “Eu costumo falar para a nossa comunidade que a gente chegou. Chegamos no Desfile das Campeãs e, agora, a gente precisa se acostumar a estar nesse local, a estar nesse ambiente, a pertencer às grandes escolas do carnaval paulistano, a ser uma postulante ao título. Só aumenta não apenas a nossa responsabilidade, não: o empenho e a dedicação ao trabalho são as mesmas. Também aumenta a nossa dedicação. A gente tem que redobrar a atenção: a lupa está voltada para a nossa escola, a gente tem que redobrar a atenção, trabalhar muito mais e fortalecer muito mais os nossos quesitos para se manter no topo”, comentou.
Rafael Tinguinha, outro microfone principal da Faculdade do Samba, endossou o que foi dito pelo parceiro: “Eu apenas reforço o que o Dodô falou. Realmente, a nossa responsabilidade é buscar o melhor para o nosso desfile. Prestar muita atenção, mostrar a força que a nossa escola tem e o potencial que a nossa escola tem de chegar e concorrer ao título, é isso que a gente busca”, ratificou.
Na caneta e no batuque
Mestre da “Tudo Nosso”, bateria do Barroca Zona Sul, Fernando Negão não negou os desafios que o samba impôs a ele, mesmo com uma característica da obra que o favorece: “Confesso que foi difícil equalizar a bateria nesse ciclo. A gente ensaiou bastante, eu estudei alguns toques e estudei o samba. Para mim, como eu sempre digo, fica um pouco mais fácil porque eu sou um dos compositores do samba; e, por conta disso, eu já me acostumo com o samba antes. A gente focou bastante em tambor, vocês vão ouvir, vai ficar bem legal”, afirmou.

A natureza da canção fez com que ele conduzisse a gravação de maneira especial: “Eu trouxe o BPM entre 142 e 144, nessa base. É um samba bastante aguerrido, é um samba bastante forte e, por conta disso, eu pretendo ir para a avenida com três bossas. Por enquanto a gente está trabalhando duas e, se de repente rolar, a gente vai fazer uma terceira”, finalizou.










