beijaflor joao
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Após 29 anos, a Beija-Flor de Nilópolis retorna à Ilha de Marajó, mas, dessa vez, para contar a história de Zeneida Lima, a última pajé marajoara. O enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, idealizado pelo carnavalesco João Vitor Araújo, faz com que o maior espetáculo da Terra permita que Dona Zeneida Lima seja protagonista e contadora absoluta de sua própria história. Em entrevista ao CARNAVALESCO, João Vitor Araújo detalhou como o projeto ganhou vida. Segundo ele, a ideia surgiu após um breve e marcante encontro.

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“Eu já conhecia bem o enredo de 1998. Eu sabia que ela era uma pessoa muito presente no dia a dia da Beija-Flor desde aquele ano. Ela costuma fazer visitas ao barracão, principalmente quando o carnaval vai chegando perto, para levar as bênçãos dela. Esse ano eu tive a oportunidade de conversar com ela por um instante, porque eu lembro que eu tinha um compromisso fora, um programa ao vivo. Quando ela começa a contar um pouco da história dela para mim, eu fico muito encantado, porque era uma história que se distanciava do enredo de 98. Ela estava contando a história da Zeneida Lima e eu fiquei com aquilo na cabeça. Quando passou o carnaval, surgiu a oportunidade de lançar mais um enredo autoral, eu sugeri na pauta: ‘Por que não falar de Zeneida Lima?’. O pouco que eu escutei da história dela, uma história incrível que dá um, dois, três enredos. E foi assim que tudo aconteceu”, contou o carnavalesco.

Se, em 1998, a escola focou na narrativa literária de “O Mundo Místico dos Caruanas”, em 2027 a proposta é mergulhar na biografia de dona Zeneida, que carrega multifacetas, apresentando suas diversas áreas de atuação: “pajé, educadora, compositora e ambientalista”, de acordo com João. Apesar disso, não se engane: João afirma que o livro ainda é uma fonte de pesquisa, repleto de detalhes e curiosidades.

“Eu acho importante a gente estar sempre revisitando histórias. É um livro que foi lançado em 1992, que chegou às mãos da equipe da comissão de carnaval e apresentou para a escola. Se não me falha a memória, foi através de um concurso de enredos que esse enredo foi escolhido. E, para fazer Zeneida agora em 27, obviamente nós recorremos ao livro para tirar boas histórias, entender curiosidades, coisas até então esquecidas. Até porque nem tudo o que está no livro foi retratado no carnaval de 98 porque não caberia, porque o livro é muito grande. Por isso que eu acho que ali tem enredo para um, dois, três, quatro anos, se deixar”, comentou João.

Ao CARNAVALESCO, João Vitor destacou que tem que ser um samba que evoque a mesma energia dos últimos anos.

“Essa alma e esse espírito que a Beija-Flor tem trazido nos seus últimos sambas, essa energia. Assim como em 1998, um samba que é cantado e é amado pela torcida, até para aqueles que não gostam da Beija-Flor. Eu peço que tenhamos aí um samba à altura do samba de 98, à altura do samba do Laíla, à altura do samba do Empretecer, do Bembé, porque a Beija-Flor de Nilópolis sabe fazer samba”, concluiu João Vitor Araújo.