Em uma noite animada no Boulevard 28 de setembro, a Vila Isabel realizou mais um ensaio técnico de rua. Com destaque para a harmonia e do canto da comunidade, a escola realizou um belo espetáculo na preparação para a Marquês de Sapucaí. Por volta das 22h, a agremiação deu início ao ensaio de rua, que durou cerca de uma hora. Ao fim do evento, uma roda de samba foi realizada na quadra.
Fotos de Raphael Lacerda e Rhyan de Meira/Site CARNAVALESCO
Devido aos ensaios que estão ocorrendo durante a madrugada na Marquês de Sapucaí, a comissão de frente e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira não puderam comparecer. Por isso, quem abriu o ensaio na avenida foi o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Bárbara Dionísio e Jackson Senhorinho.
“Foi um dos melhores ensaios. Cada quarta-feira nós estamos colocando ‘tijolinho por tijolinho’ pra subir. Fizemos uma pesquisa (departamento de harmonia) em todas as alas. São 85 harmonias, destas, 98% queriam esse samba. Sempre acreditei nesse ‘Evoé Evoé’. É um samba que vai mostrar sua força no dia 11 (ensaio na Sapucaí). A comunidade ficou apaixonada por esse samba. O departamento de som está fazendo acontecer, a bateria está fazendo acontecer e a comunidade está fazendo acontecer. Estamos chegando na perfeição da harmonia. A comunidade está sendo muito mais valorizada hoje e estão retribuindo com canto e evolução”, afirmou Marcelinho Emoção, diretor de harmonia.
Harmonia
A comunidade, mais uma vez, chegou junto com a escola. O “evoé” foi ecoado em cada trecho da pista, o que ressalta a força do chão da Vila. O intérprete Tinga iniciou o samba cumprimentando o público presente os componentes. Todos cantaram forte e alto, com destaque para a ala 1 do primeiro setor – que cantou o samba durante todo ensaio – e também para a ala 16, que realizou movimentos coreografados e não parou de cantar.
Evolução
Apesar das calçadas e alguns trechos da avenida estarem com grande quantidade de público, a Vila Isabel conseguiu realizar um ensaio com ótima evolução e sem deixar abrir qualquer buraco. A direção de harmonia conduziu bem o desfile e os componentes demonstraram entrosamento, o que garantiu uma boa evolução até o fim do ensaio, já na quadra da escola de samba. Novamente, o destaque para a ala 16, que realizou movimentos coreografados com bastante sincronismo.
Samba-Enredo
O “evoé” foi abraçado pela comunidade desde a disputa e no ensaio não poderia ser diferente. Com muita força e paixão, o público que acompanhava o ensaio cantou ao longo de todo Boulevard. Moradores que acompanhavam nas varandas dos apartamentos também cantavam e aplaudiam a escola de samba. Tinga interagiu durante todo o ensaio com a comunidade. Mesmo chegando ao ponto final do ensaio, os componentes seguiam cantando o samba-enredo da Vila Isabel.
Outros destaques
A bateria da Vila, a “Swingueira de Noel”, compareceu em peso no ensaio e deu um verdadeiro show. De acordo com o mestre de bateria, Macaco Branco, quase 200 ritmistas estavam presentes. Uma hora antes do ensaio, parte do grupo já aquecia na quadra da escola de samba. O entrosamento entre os ritmistas e a equipe de som foi positivo. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o mestre falou sobre o balanço do ensaio e garantiu que tudo está pronto para o grande dia.
“O ensaio foi maravilhoso. A comunidade está muito feliz e cantando muito. A bateria também está muito feliz, porque o samba é muito alegre e animado. É uma pegada boa, de festa. A bateria está com bossas bem encaixadas no samba, todas dentro da métrica e da melodia. Se o desfile fosse amanhã, graças a Deus a bateria da Vila Isabel estaria pronta para defender esse título e ajudar a nossa comunidade”, destacou.
Destaque especial do ensaio para aaAla 6, que curiosamente improvisou com guarda-chuvas um tipo de adereço que será usado na Passarela do Samba. Segundo um dos componentes, eles trarão um adereço de mão na Marquês de Sapucaí que, quando os componentes girarem, ele irá se abrir. Ao parar de girar, ele se fecha novamente.
A musa da comunidade, Kauanny da Glória, esbanjou simpatia e samba no pé por toda Vila Isabel. Em seu primeiro ano como musa, ela demonstrou que está pronta para defender a Vila na Sapucaí.
Wander Pires é um dos intérpretes mais experientes e renomados de todo o carnaval. O cantor é a voz da Unidos de Vila Maria desde o carnaval de 2018. Portanto, em 2023, será o quinto desfile e o sexto ano de Wander pela escola. O intérprete é um sucesso na agremiação. Tem um carinho enorme e é recíproco. Sempre é muito bem recebido, tira muitas fotos na quadra e atende a todos. A comunidade sempre vai no embalo de seus bordões dentro dos sambas. Vale lembrar que Pires atua no carnaval paulistano desde 2011, onde começou no Vai-Vai. Por lá, ele também cantou em cinco carnavais, mas foram em duas passagens diferentes. Também participou do carro de som do Tatuapé por dois anos. Porém, seguidamente, somente na Vila Maria ele se encontrou em São Paulo e, vendo a carreira do cantor, apenas na Mocidade Independente de Padre Miguel ele teve tanta longevidade. Wander Pires conversou com o CARNAVALESCO e detalhou a sua passagem na ‘Vila Mais Famosa’.
Um sonho antigo
Segundo Wander Pires, o namoro com a verde, azul e branco era antigo e também ele já poderia fazer parte da escola nos anos anteriores. “Eu estava para vir para a Vila desde 2016. Sempre escutei falar da história da Vila Maria e dos projetos sociais. Isso me deixava sempre curioso. Peguei um carinho pela escola mesmo sem conhecê-la. Só através das redes sociais. Quando ocorreu um problema em 2017, eu peguei e falei para o meu padrinho Dudu Nobre que eu queria vir para a Vila Maria. Ele já estava desde 2016 e, quando eu cheguei aqui, foi aquele amor à primeira vista com os componentes, presidente, diretoria, bateria, mestre Moleza”, contou.
Foto: Gustavo Lima/Site CARNAVALESCO
Carinho pela agremiação
O intérprete aproveitou para falar do carinho que tem com a diretoria da ‘Vila Mais Famosa’ e da relação com o presidente Adilson José e seus diretores. “Eu costumo chamar o senhor Adilson José de ‘paitrão’, porque ele me acolheu muito e me abraçou. A escola também abraçou muito a minha família, meus filhos, minha esposa e quando você recebe carinho e amor, não tem como você não retribuir. Não tem como não se apaixonar. A minha relação com meu presidente é maravilhosa. De grande respeito e de grande admiração. Ele conversa comigo, me dá conselhos. É de pai para filho. A diretoria te pega no colo. Faz de tudo para te agradar. A recíproca é verdadeira e eu procuro agradar não só cantando, mas também corresponder à altura. A minha relação com a Vila Maria é até quando Deus quiser, até quando Deus deixar”, disse.
Foto: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
Trabalho no carro de som
O cantor enalteceu sua ala musical. Ao decorrer de sua passagem, Wander Pires levou alguns apoios do Rio de Janeiro para reforçar o carro de som. Principalmente vozes femininas. “Quando eu cheguei, percebi que tinha um espaço. Muita gente achou que eu ia mudar. O presidente falou que gostaria de manter o pessoal da ala musical e eu falei que tudo bem e vamos fazer um projeto para ensaiar no nosso estúdio aqui na quadra. Eu comecei a ensaiar os meninos e percebi que precisava de suas vozes femininas. Fui lapidando, eles foram me ouvindo e fomos nos alinhando. No primeiro ano não fomos tão vistos. Já no segundo ano, o presidente, mestre Moleza, diretor de carnaval, me deu mais abertura e eu comecei a colocar um por um para cantar e eles ouvirem. Acho que conquistei os meninos e tem um carinho por mim. Então eu trouxe duas meninas, a Débora e a Viviane, que trabalham na Mocidade do Rio. Logo após, deu certo o trabalho e eu trouxe a Milena, que é a minha assessora de imprensa. Graças a Deus em 2019 deu aquele impacto e é uma relação de muito respeito e admiração”, declarou.
O carnaval de 2023
Wander Pires falou de suas expectativas para o desfile de 2023. A Vila Maria irá contar a sua própria história e de seu bairro. O cantor terá a missão de passar isso para a avenida. O intérprete, assim como toda a escola, sonha e espera um título no próximo carnaval. “Eu já tenho alguns anos que eu sonho junto com os nossos componentes e segmentos e digo que ano passado e retrasado achei que viria o título, mas não aconteceu. Acho que agora, alguma coisa me diz. Sonhei de tudo. Está mais do que na hora. Os erros que tivemos nos anos anteriores já foram consertados. Agora, eu acho que a escola está cada vez mais experiente. Como eu digo, em cada setor, o nosso presidente está cada vez mais atento às coisas que nos fizeram não chegar ao título. Ele é uma pessoa inteligente e tem os pés no chão. Eu sonho muito, temos um samba lindo e a nossa bateria nem se fala. Nossa direção de carnaval agora com nosso Queijo, que é uma pessoa experiente e que entende muito de carnaval. Nossa direção de harmonia com o Cesinha. Eu estou rezando sempre e tenho fé que nós vamos conquistar esse título do carnaval 2023. Tenho certeza que o nosso carnavalesco Cristiano Bara vem acertando, mas dessa vez ele vai acertar muito mais”, completou.
Em uma noite especial nas ruas de Madureira o Império Serrano recebeu a Beija-Flor de Nilópolis para o encontro das bandeiras. Um evento que resgata a tradição e a união das agremiações. A noite começou com os componentes das duas escolas tomando a Estrada do Portela, em frete a quadra do Império, com muita descontração, sorrisos e samba no pé. A recepção da escola ficou por conta do casal de mestre-sala e porta-bandeira do Império Serrano, Marlon Flôres e Danielle Nascimento, que recebeu Claudinho e Selminha Sorriso. Cada casal levando seu pavilhão se cumprimentou e bailou pela rua do bairro. Por volta de 22h40, o ‘Reizinho’ tomou as ruas mostrando toda força da comunidade, com destaque para o chão da escola, o casal de mestre-sala e porta-bandeira e a bateria do mestre Vitinho.
Foto: Cristiano Martins/Site CARNAVALESCO
‘’O ensaio de rua hoje teve um tempero especial que foi a presença da coirmã Beija-Flor e isso com certeza incentivou o publico a cantar evoluir muito mais, para mostrar que a gente está brigado de igual para igual com todas as escolas do Grupo Especial. O Império Serrano voltou e provou que é grande e esse ensaio confirma isso’’, ressaltou Arinaldo Oliveira, que faz parte da comissão de harmonia da escola.
Ele complementou dizendo sobre os acertos que ainda podem serem feitos na escola e a importância do encontro das bandeiras. “Sempre tem coisas para melhorar e corrigir, porque o carnaval está batendo na porta e são nos detalhes que se ganha e perde, então nós temos que corrigir esses pequenos detalhes. Em relação ao encontro de bandeiras é fantástico, volta a tradição das escolas é muito bonito fazer esse tipo de evento. É muito proveitoso tanto para o componente da escola visitante, quanto para que recebe poder fazer essa grande confraternização do carnaval, que foi o que aconteceu aqui hoje. Espero que em breve, tenhamos outros e que seja tão proveitoso, divertido e tão bonito quanto foi hoje”.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O casal Marlon Flôres e Danielle Nascimento mostrou a sintonia de sempre, após a bela recepção ao casal da Beija-Flor, os dois saíram com passos firmes, olhares fixos e uma coreografia bem ensaiada. Com muitos giros, mão firme na bandeira e o samba na ponta da língua, Danielle comentou a importância do encontro.
“É muito importante ensaiar na rua, para o preparo físico e sentir o publico que é um termômetro para mostrar o que a gente vem preparando para do desfile na Sapucaí. O mais importante é o contato com a comunidade é muito bom o ensaio de rua’”.
Já para Marlon, é importante esses ensaios, pois a escola tem uma grande missão este ano, abrir e permanecer no Grupo Especial. “É fundamental esses ensaios, porque a gente consegue similar o nosso grande dia do desfile e a gente vem em uma pegada boa desde o ensaio técnico. O Império tem um bom samba e uma missão muito difícil que é abrir o carnaval, mas a escola está muito focada, aproveito a oportunidade para agradecer nosso presidente, Sandro Avelar que vem investindo muito no casal e em toda escola, para que se Deus quiser vamos se manter e quem sabe buscar um desfile das campeãs e porque não almejar o título”.
O casal destacou ainda sobre o que pode ser acertado e a felicidade desse encontro de bandeiras. “Sempre tem algo para melhorar, cada ensaio a gente vem consertando, aparando as arestas, fazendo aqueles pequenos ajustes que falta”, disse o mestre-sala.
“É uma melhoria contínua até o carnaval, a gente fica vendo sempre o que pode melhorar e acrescentar, porque a gente quer estar cada dia mais preparado e melhor para o grande dia”, completou Danielle.
Harmonia e Evolução
A escola mostrou sua força, mais uma vez, cantando forte e alto cada verso do samba em homenagem a um dos seus ícones, Arlindo Cruz. Apesar da saída das alas ser um pouco tumultuada por causa do espaço, não atrapalhou no decorrer do desfile. Mesmo sendo um ensaio de rua foi levado a sério por cada componente, não deixando espaços durante a evolução da escola. E a alegria de ter uma coirmã junto, foi a combustível a mais que a escola precisava para levantar a Estrada do Portela. O intérprete Ito Melodia abordou o encontro.
“O maior símbolo que é o samba se une a esse monstro sagrado que é a Beija-Flor e hoje retornando ao Grupo Especial este outro monstro sagrado que é o Império Serrano. Relembrando aqui seus baluartes e seus artistas maravilhosos. A escola vem com um enredo lindo e a escola está ansiosa e fervorosa para pisar naquela avenida. Temos que segurar um pouco a emoção, estamos vivendo um momento de euforia, excitação, energia uma positividade, encantamento e o choro. O que eu digo pra escola hoje é segurar a emoção, mesmo sabendo que vai ser muito difícil, porque cantar Arlindo Cruz por si só, já é emocionante”.
Bateria
Destaque maior da noite foi a ‘Sinfônica do Samba’, comandada pelo mestre Vitinho, que deu um show de paradinhas e paradonas, fizeram um recuo de rua perfeita, todos os ritmistas cantando o samba e com algumas coreografias. No final mestre Vitinho retornou para quadra com sua bateria chamando o povo para sambar junto com eles, as ruas de Madureira viraram uma grande avenida do samba.
“Todo ensaio para mim é bacana seja na quadra, seja na rua. É um trabalho a gente sempre pode mais e procurar sempre melhorar e evoluir, carnaval já está batendo na porta, então tudo que faço com a bateria do Império em qualquer lugar que seja, é muito importante para acertar detalhes do desfile. Nosso andamento e arranjos estão firmes, mas a gente sempre pode melhorar um pouco mais, vivendo, aprendendo e trabalhando para chegar sempre a excelência”.
Outros destaques
Foi a grande presença do público que cantou em voz alta os sambas de ambas as escolas, deixando o clima muito alegre e receptivo para quem foi da Baixada com a Beija-Flor. Quem também deu show foi a rainha da escola de Nilópolis, Lorena Raissa e a princesa da Verde e Branca de Madureira, Wenny Isa, mostrando muita desenvoltura e samba no pé.
A Estrada do Portela ganhou as cores azul e branca nilopolitanas na noite de terça-feira. O “Encontro de Bandeiras” organizado pelo Império Serrano trouxe a Beija-Flor para ensaiar em Madureira e contagiar o público presente. A “Soberana” abriu a noite com sambas-enredo marcantes de sua história, como o “Ratos e urubus, larguem minha fantasia”, de 1989, e com os mais recentes – 2019, 2020 e 2022.
O que chamou muita atenção é que mesmo longe de seu habitat natural, na Baixada Fluminense, a Beija-Flor deixou a sua marca de canto forte que contagia os foliões que estão assistindo. O carisma do casal, Claudinho e Selminha Sorriso, também é um ponto altíssimo do ensaio, assim como a bateria dos mestres Rodney e Plínio.
Foto de Cristiano Martins/Site CARNAVALESCO
“A gente faz valer a ideia do presidente Almir [Reis] de fazer o ‘Encontro do Samba’. Tivemos lá em Nilópolis e agora ensaiamos na Estrada do Portela, onde ensaia a Portela e o Império. Que recepção que o Império fez para gente! Nós só desejamos um belo Carnaval para o Império. Viemos com uma escola quase que completa, tivemos bastante felicidade em trazer todos os segmentos. E ver todo mundo cantando na rua. É legal jogar fora. O primeiro ensaio fora de casa foi muito legal. Daqui a pouco, a gente está chegando na Marquês de Sapucaí e vimos que o time está firme. [Eu gostei] daquele início, daquele calor do povo. Carnaval é Madureira! E gostei de ver que o samba está correspondendo. Lá em Nilópolis, a gente berra o samba e quem vai assistir berra junto com a gente. A gente saiu de Nilópolis e Madureira cantou com o povo preto da Baixada. Até o desfile, a gente vai chegar bem próximo do 100% e, na Sapucaí, a magia da Avenida, vai fazer chegar no 100%. Sabemos que estamos no caminho certo”, disse Dudu Azevedo.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Claudinho e Selminha Sorriso mostraram seus 30 anos de cumplicidade na Estrada do Portela. Levaram uma coreografia com poucos detalhes da oficial para o desfile e preferiram performar um bailado clássico muito bonito com uma leveza boa de se observar. Um destaque é o carisma com a comunidade imperiana. O casal deu o privilégio a algumas pessoas que o acompanhavam de beijar a bandeira, saudou a ala da velha-guarda, que vinha logo atrás no desfile, e se exibiu para as câmeras que filmavam. Vale lembrar que a porta-bandeira começou sua carreira no Império Serrano e fez essa volta a este território.
“O ‘Encontro de Bandeiras’ mostra que o samba não tem fronteiras, principalmente, o nosso carnaval carioca que passa para o mundo inteiro. O maior espetáculo da Terra. Entre o samba não tem rivalidade. A gente veio visitar a coirmã, que foi na nossa escola, como a Portela e o Império foram na nossa escola. E hoje viemos aqui para Madureira fazer essa troca de quilombos com o Império. É a primeira vez que a gente faz esse ensaio técnico em Madureira. Para a gente, serve de teste, serve para o condicionamento físico. Vamos aproveitando os ensaios que tem dos ‘Encontros do Quilombos’ das co-irmãs para poder manter nosso condicionamento físico. Foi maravilhoso! Só em estar com a tua escola ensaiando, quanto mais ensaia menos você erra. O ensaio serve para testar várias coisas, corrigir algumas e acertar outras. Eu gosto de estar perto do público porque o público faz o Carnaval, é o público que manda na Sapucaí. No dia do desfile, eu amo a tensão de fazer a disputa, de fazer o melhor pela sua escola, mas estar nos braços do povo conforme o ensaio técnico e na rua vendo o povo te aclamar, levantando a bandeira e povo cantando vibrando junto com você não tem preço”, afirmou Claudinho.
“Particularmente, eu estou muito lisonjeada e muito agradecida pelo universo porque a minha história começou aqui no Império Serrano em 1989. Foi o ano que a Beija-Flor fez o maior desfile de todos os tempos – ‘Ratos e urubus, larguem minha fantasia’ – e aqui no Império foi ‘Jorge Amado, Axé Brasil’. Foi um mix de sentimentos de poder relembrar e reviver aquela menina começando seu sonho de ser porta-bandeira com mais de 30 anos de carreira. A importância desse ‘Encontro de Quilombos’ é essa integração das comunidades, dos sonhos e das culturas. O samba é uma única bandeira. Essa história começou com a Beija-Flor com o presidente Almir Reis e espero que todas se sintam nessa missão de integração ao longo do ano e por muitos anos. Dizem que antigamente era assim, as escolas se visitavam, confraternizavam. Unidas somos mais fortes, a gente alegra o povão, troca figurinhas, um canta o samba do outro e mostramos para o Universo que não existem rivalidades, somos todas co-irmãs que disputam o título nos 700 metros do Sambódromo. O ano inteiro somos família. Eu sou uma pessoa que ama ensaiar. Como eu me cobro muito, quanto mais ensaio melhor. Sempre acho que não está bom até entrar na Avenida e falar ‘Agora sim, agora está bom’. Para mim, o método repetição é o caminho para acertar mais, se aprimorar e ter mais confiança no que você faz, seja na dança, no canto ou no ritmo. Eu gostei mais do carinho do povo. Como eles estavam felizes vendo a Beija-Flor. Ver as pessoas felizes, ver o povo nilopolitano da Baixada vindo às terras de Madureira dá um pouco de alento, de amor fazendo essa integração. Eu revi senhoras que eram jovens quando eu saí daqui, senhoras que eram passistas e hoje estão na ala das baianas e na velha-guarda, se passaram 30 anos. Sempre tem o que melhorar. A gente escondeu, nós não mostramos aqui a nossa coreografia oficial. Pontuamos em alguns momentos, mas não mostramos. Demos um pouquinho do nosso amor, do nosso bailado para o povão que veio aqui assistir a Beija-Flor de Nilópolis”, se emocionou Selminha.
Harmonia
A comunidade nilopolitana não parou de cantar em nenhum momento enquanto se exibiam em Madureira. Tão impecáveis que a bateria parou de tocar durante uma volta do samba e o povo azul e branco cantou em uníssono integralmente. O carro veio sem Neguinho da Beija-Flor, mas não faltou conexão com a bateria e foi um canto claro com poucos ou nenhum caco.
Evolução
A escola fez sua passagem na quadra do Império Serrano até o Shopping Madureira no tempo de 1 hora. O ensaio permitiu que alas coreografadas evoluíssem bem e que os componentes se mantivessem animados. Não houve correria, a escola veio coesa. As baianas deram um show: confortáveis, com canto forte e giro bonito.
Samba-Enredo
Apesar de parecer difícil à primeira vista, o samba da Beija-Flor de 2023 foi decorado e caiu nas graças do público presente. O carro de som cantou o samba com clareza a todo tempo. O refrão do meio (“Eh! vim cobrar igualdade…”) e o trecho “Deixa Nilópolis cantar!” são as partes mais fortes do canto da comunidade.
Outros destaques
Desde o esquenta, os mestres Rodney e Plínio mostraram a versatilidade e a potência da bateria “Soberana”. O samba deste ano tem bossas interessantes e que animam os desfilantes. Outro fator positivo é o carisma da rainha de bateria Lorena Raíssa. A jovem está no seu primeiro carnaval neste posto, entende a responsabilidade e o peso de sua função e esbanja talento.
Enquanto o anfitrião Império Serrano é a agremiação que vai abrir os desfiles do Grupo Especial no domingo, a visitante Beija-Flor será a penúltima a desfilar, na segunda-feira, 20 de fevereiro. A escola levará 3500 componentes, segundo o diretor Dudu Azevedo.
Nos últimos dois anos a Mocidade apostou em enredos que tinham uma ligação maior com sua própria história, o desfile da Elza também apresentava a relação que a cantora tinha com o samba e especialmente com a escola. Já em 2022, sobre Oxóssi, o padroeiro da escola independente, trazia muito da relação do toque da “Não Existe Mais Quente” com a religião, homenageando grandes mestres que passaram pela agremiação, entre eles o grande mestre André. Agora a agremiação vai ter a estreia de Marcus Ferreira a frente da produção criativa do desfile da Verde e Branca. Campeão do Grupo Especial de 2020, desta vez em trabalho solo no Grupo Especial, o carnavalesco quer no desfile de 2023 retomar a relação que a Mocidade já teve em diversos carnavais com temas de brasilidade e regionalidade. “Terra de meu Céu,Estrelas de meu Chão” pretende contar a história e valorizar o legado da obra daqueles considerados por Marcus Ferreira como primeiros discípulos de mestre Vitalino, que começaram a colocar a arte figurativa como grande expoente das artes plásticas brasileiras pelo mundo afora.
Fotos: Lucas Santos/Site CARNAVALESCO
Seis vezes campeã do carnaval carioca, o último em 2017, a Mocidade pretende, com este desfile, esquecer os erros cometidos no carnaval passado que tiraram a escola das campeãs. Principal contratação para 2023, o carnavalesco Marcus Ferreira foi parte fundamental na escolha e desenvolvimento do enredo. O artista conta como se deu o entendimento entre o profissional e a diretoria da Verde e Branca no processo de escolha do tema.
“Eu gosto desses temas regionais, de brasilidade, que a gente redescobre um pouco da história do nosso povo, de maneira muito inédita. Acho que o carnaval tem que ter esse dom de revelar novos personagens e novas histórias para o grande público. Eu indo para a Mocidade, a gente tinha algumas ideias, a escola tinha ideias, e a gente foi costurando qual seria esse novo momento com a minha chegada, entendendo um pouco de ambas as partes, aquilo que poderia envolver o conceito que marca a identidade da escola, uma das mais fortes do carnaval, e um pouco do que eu apresentei nos meus trabalhos. A gente chegou em um consenso que esse ano a Mocidade gostaria de dar um respiro nessa fato de falar de si, já que a escola veio de dois anos que fez Elza e Oxóssi, dois grandes enredos que tinham um pouco de identidade da escola. Eu sempre enxerguei a Mocidade como uma das escolas que gosta desses temas que envolvem muito a brasilidade. Grandes artistas que passaram por aqui exploraram essa temática, o Arlindo, Fernando Pinto, Renato Lage, como é algo que eu já gostava e me deu um título na minha estreia no Especial na Viradouro em 2020, com ‘as ganhadeiras’, eu sempre tenho temas que eu guardo, quando eu descubro e eu tive o prazer de estar duas vezes no Alto do Moura, antes de vir a Mocidade, por ser fã mesmo do panteão destes mestres que fazem o legado deixado por Vitalino”, revela o carnavalesco.
O contato com o Alto do Moura e com o legado do mestre Vitalino e seus discípulos por Marcus é anterior à sua chegada à Mocidade. O profissional revela que teve o prazer de conhecer e se impressionar com a obra e com a relação do povo daquela região com as artes plásticas.
“É um vilarejo tão pequeno que expõe de maneira tão linda e potente as artes plásticas da cultura popular brasileira. Na primeira vez que eu estive lá eu conheci o filho de mestre Vitalino. Era ele quem cuidava da Casa Museu, a última casa que Vitalino residiu no Alto do Moura, e ali é o ponto de cume do vilarejo, tem um pouco do acervo deixado por Vitalino, as ferramentas dele. Quando eu cheguei lá, o filho dele estava sentado em um canto, no chão, e ele me deu uma aula do que é arte figurativa. Eu passei a entender que esses artistas têm diferentes personalidades. A ideia inicial que a gente tem é a de Mestre Vitalino, que são aqueles bonequinhos de barro com aqueles olhinhos imitando óculos, mas eu me encantei pela valorização que esses artistas têm pelo chão.Todos ganharam a vida, seu sustento através das suas obras, daquilo tudo que passaram a criar a partir desse legado deixado pelo mestre. Por aí eu pude entender um pouco do que é a arte figurativa e depois passei por alguns ateliês, entendendo essa rede de discípulos que Vitalino deixou, e que hoje são a terceira geração, os filhos da primeira geração dos mestres que conviveram com Vitalino”, esclarece Marcus Ferreira.
Após a definição do enredo entre carnavalesco e diretoria da agremiação, Marcus e uma comitiva de profissionais da Mocidade voltaram ao Alto do Moura para conhecer um pouco mais do trabalho e desenvolver melhor o enfoque que seria dado no desfile.
“Eu entendi que deveria revelar essa história, revelar o legado deixado por esses discípulos de maneira tão diferente, tão múltipla, trouxe à Mocidade, eles toparam, acharam que tinha um pouco do viés de brasilidade que a Mocidade já mostrou em alguns carnavais. Fomos para o Alto do Moura com a Mocidade e fomos conhecer. Eu passei a conhecer mais artistas, mais desses discípulos que são reconhecidos agora mundialmente, nacionalmente, para quem conhece de artes. A cada visita que a gente teve, foi uma emoção diferente”.
Com temática relacionada às artes visuais, enredo promete render belas imagens
Após ida ao Alto do Moura, a escola divulgou o enredo no final de julho e definiu a linha que iria seguir para contar essa importante história. Marcus pesquisou mais a fundo a vida daqueles que considera como discípulos do mestre Vitalino, apostando, então, em contar mais da obra e do legado que esses artistas deixaram. O carnavalesco pretende dar ênfase também nesta conexão entre as artes plásticas e a temática do regionalismo cultural e as atividades cotidianas, do homem do campo, do trabalho, da seca, além das relações familiares.
“Acho que em termos de conceito é um enredo que permite a criatividade. A gente não passa pela obra do Vitalino. A gente começa com o que eu encaro como se fosse os seus primeiros discípulos, que são os filhos. Eu tenho um livro que tem fotos dos filhos aprendendo o ofício, de como preparar o massapê, que é o barro que eles utilizam, das ferramentas mais simples, até esse momento de criação mesmo. E aí é um legado que foi deixado para outros grandes mestres, Manuel Eudócio, Manoel Galdino, Zé, Caboclo, e o único vivo até hoje que é o Luíz Antônio. Esses são os primeiros discípulos que eu encaro. A gente inicia o desfile com esse mundo criado por Vitalino e deixado pela família, a principal obra que é a ‘Rota da Roça’, que é a obra dos trabalhadores, uma referência imediata a essa questão dos retirantes do Nordeste e que é muito veiculado ao meio natural, a seca, da vegetação que resiste, da falta de água, do ambiente do Nordeste. Primeiramente foi o que Vitalino deixou para seus filhos e que hoje os netos já reproduzem essa obra. Neste momento, a gente encontrou com os netos de Vitalino que cuidam da Casa Museu. E eles disseram que a ‘Rota da Roça’ era esse expoente deixado para a família. A gente não conta a história de Vitalino, é o legado desses discípulos que são o desfile da Mocidade”, esclarece Marcus.
Falar de artes plásticas é falar de imagem. E mais ainda falando sobre a arte figurativa. O carnaval além da linguagem do samba, tem a linguagem desenvolvida pelos carnavalescos que é justamente a linguagem visual. Então, é de se esperar um enredo que traga um grande desenvolvimento ilustrativo.
“É um enredo imagético, o samba da Mocidade é uma obra de imagem. Essas imagens permeiam o pensamento de quem conhece o Alto do Moura, desde o preparativo para fazer as peças de cada artista. A gente foi no São João, ali tem um aura criativa que permeia hoje 700 famílias. Essas imagens são um facilitador para a plástica da escola. É um enredo que trata de coisas muito simples. O chão é algo que está no quintal dessas pessoas. Do chão eles fazem as coisas mais lindas que são expostas no mundo. Por isso, a criatividade vai estar bem aflorada no desfile. Pelo uso de materiais, pelo uso de texturas diferentes. É um enredo que me permite isso”, entende o carnavalesco.
Artista buscou a utilização e valorização de novos materiais
A relação do homem com as coisas regionais, com a simplicidade do cotidiano, de falar sobre coisas palpáveis às pessoas comuns estará aflorada no desfile, o que não vai mascarar a complexidade com que a Mocidade pretende desenvolver na produção do desfile. O carnavalesco Marcus Ferreira percebe que a criatividade será, inclusive, um dos pontos altos deste desfile, além da procura por trazer novos tipos de elementos que não tem despertado tanta atenção dos artistas do universo da folia.
“Acho que a criatividade é um grande trunfo. Optei pela criatividade para poder fazer um carnaval grandioso. Acho que às vezes a gente fica muito preso a utilizar materiais que já existem no mercado, ou que já estão impregnados no dia a dia de todas as escolas. Fica bonito, claro. Mas acho que essa questão da criatividade, da utilização de alguns materiais diferentes, de repensar como propor um estética grandiosa, bonita esteticamente, mas diferente. Eu sou fã do artista plástico Vik Muniz, acompanho ele nas redes sociais, tenho fotos de tudo que ele já fez. É um cara que faz coisas maravilhosas com materiais que o ser humano descarta. Eu já fiz algumas coisas no Acesso, com um pouco mais de criatividade e que deram certo. Acho que o ponto alto do meu trabalho é esse”, define Marcus.
Mas o carnavalesco também entende que a Mocidade terá outros grandes trunfos alheios a plástica e estética da agremiação, como a força da comunidade e o trabalho desenvolvido no samba-enredo.
“Falando da Mocidade como um todo, acho que a emoção será um grande trunfo. É um enredo e um samba que as pessoas passaram a achar tão bonito, tão latente, tocante, e isso você vai aprendendo ouvindo. Acho que os ensaios na Rua Guilherme da Silveira tem provado isso. É uma escola de uma torcida quente que faz de tudo para contribuir com a escola, a gente tem hoje um outro conceito de Mocidade para este carnaval”.
Símbolo maior da Mocidade, a estrela, tem grande função dentro do desfile
O próprio título do enredo traz o símbolo maior da Mocidade,”Terra de meu Céu,Estrelas de meu Chão”. “Estrelas” que podem sugerir ser os próprios profissionais que representam o legado de mestre Vitalino daquela região que são hoje aclamados por críticos de arte do mundo todo. Ou até mesmo aqueles que estão sendo retratados dentro da arte figurativa, gente simples, gente que mora naquela localidade, que são os protagonistas dentro da ótica de observação dos artistas do Alto do Moura. Marcus Ferreira revela mais sobre o que pretende ao retratar o ícone da Mocidade no desfile.
“A estrela vem dentro do enredo esse ano. Ela vem no abre-alas, vem pontuando alguns setores do desfile também, setores da religiosidade, até pelo título ‘estrelas de meu chão’, que é um título que surgiu na fala de uma das mestras, de uma das expoentes que é a Terezinha Gonzaga, que me deu essa frase, mostrando o quanto o solo dessa terra é tão sagrada para eles. Eles que viraram as estrelas desse universo fantástico das artes brasileiras. As estrelas estão em todos os momentos”, finaliza o carnavalesco.
Conheça o desfile da Mocidade 2023
A Mocidade Independente de Padre Miguel vai levar para a Sapucaí no próximo carnaval 5 alegorias divididas em 7 chassis, 3 tripés, com 2700 componentes e 25 alas . O carnavalesco Marcus Ferreira contou mais sobre como está dividido o carnaval da Verde e Branca da Zona Oeste em 2023.
“Os setores são pontuados pelos grandes mestres, naqueles que acho que são os mais próximos desse legado deixado por Vitalino”.
Primeiro Setor
“O início é a família , o ciclo da vida que é inspirado na ‘Rota da Roça'”.
Segundo Setor
“É inspirado nas temáticas de trabalhos rurais, o agreste pernambucano, aquilo que todos os habitantes do vilarejo enxergavam do Alto do Moura, os trabalhos manuais nos engenhos e nas fazendas que circundam o Alto do Moura, que é inspirado na obra de Zé Caboclo que é um dos primeiros discípulos de Vitalino”.
Terceiro Setor
“É inspirado em Manoel Galdino, que é um surrealista da obra das artes figurativas. Ele tem essa questão de retratar no barro as coisas mais imaginárias do Alto do Moura, as lendas locais, os personagens andarilhos do vilarejo. A obra dele é muito peculiar”.
Quarto Setor
“É a fé, a religiosidade, inspirado em Terezinha Gonzaga, é uma mestra que faz coisas divinas que envolvem santidade, anjinhos, expressões divinas, incensários, ela retrata a arte figurativa, digamos assim, de forma barroca. Vamos dizer que ela seja a barroca das artes figurativas”.
Quinto Setor
“No final trazemos as festividades que cercam a obra de Manuel Eudócio, que eu sou muito fã, já era, é o artista do colorido, das festividades, dos folguedos populares que fazem a alegria durante o ano nesse vilarejo. A gente termina o carnaval com festividade, com a alegria de Manuel Eudócio que conviveu diretamente com mestre Vitalino”.
Agora é oficial, o Camarote Arpoador definiu o nome da nova musa para o carnaval 2023. A atriz Paolla Oliveira, nome marcante no sambódromo carioca, foi a celebridade escolhida para ocupar o posto de musa do Camarote este ano. Conhecida nacionalmente por seu talento e beleza, Paolla Oliveira também encanta pela sua desenvoltura e envolvimento com o mundo do carnaval. A atriz que desfilará à frente da bateria da Grande Rio pela quinta vez, sendo a terceira consecutiva, agora acumulará mais um título no maior espetáculo do mundo, a de musa oficial do Camarote Arpoador 2023, cargo ocupado anteriormente por Bianca Andrade, a Boca Rosa.
Foto: Divulgação/Agência Labi
A nova anfitriã oficial do Camarote Arpoador mencionou sua escolha pelo maior espaço privado da Sapucaí como local preferido para assistir aos desfiles nos anos anteriores. Paolla também ressaltou a grandeza estrutural e a comodidade que faz do Arpoador o melhor camarote da Avenida, “Mais uma vez o escolhido esse ano foi o Camarote Arpoador. Estive o ano passado e foi maravilhoso. Gosto de curtir com meus amigos e família e para isso quero ter estrutura e conforto. Fora atrações para todos os gostos, fica todo mundo feliz. É um evento que eu mesma gosto de organizar e recebe-los da melhor maneira”, declarou a atriz que também se mostrou honrada e empolgada com o convite recebido este ano, “Ser recebida com tanta grandiosidade nesse Camarote tão incrível é uma honra. A novidade pra mim è optar por ter mais tempo esse ano para curtir o camarote e tudo que ele oferece sem me preocupar com outros compromissos. Vai ser novo e maravilhoso viver esse momento com eles”.
De acordo com um dos diretores do camarote, Roberto Santos, os critérios de escolha da musa para este ano foram que, “A Paolla frequenta o camarote desde 2020, sempre muito participativa. Ela escolheu o arpoador como camarote preferido para assistir aos desfiles com a família, ela já fica aqui todo ano, então uma das maiores estrelas do carnaval não poderia deixar de ocupar este cargo”, afirmou o executivo do camarote.
Para conhecer de perto a nova musa Paolla Oliveira e poder aproveitar as mais de 15 atrações que se apresentarão no Camarote Arpoador 2023, os interessados já podem adquirir seus ingressos nas plataformas de venda do Itaú shop e nas redes sociais do Camarote Arpoador (@camarotearpoador) e nas plataformas da Total Acesso (@totalacesso)
O Salgueiro concluiu antes de iniciar o desenvolvimento propriamente dita do Carnaval 2023 uma ampla reforma no quarto andar do barracão localizado na Cidade do Samba, onde fica a produção de fantasias e adereços. A ideia principal foi concentrar este trabalho na área destinada à escola na Cidade do Samba e evitar que alguns elementos tivessem que ser feitos em ateliês externos. O carnavalesco Edson Pereira conta que a medida foi planejada para a construção de um carnaval mais sustentável, evitando o desperdício e tornando o trabalho mais homogêneo.
Fotos: Lucas Santos/Site CARNAVALESCO
“Na verdade, da até mais trabalho porque você concentra tudo em um lugar só. Porém te da mais conforto de pensar, de reutilizar. Se a gente está falando de um carnaval de sustentabilidade, concentrar tudo ali dá um aproveitamento melhor dos recursos. É reestruturar o barracão do Salgueiro. Quando eu cheguei aqui, a gente veio com a proposta de realocar tudo e criar um novo pensamento não só para o salgueirense, mas para o carnaval. A gente criou baias, nessas baias são construídas todas as fantasias, cada setorização está em um lugar e a gente batizou estas baias com pessoas que foram muito importantes para o Salgueiro”, explicou Edson.
A divisão em baias seguiu uma setorização e deu aos profissionais do ateliê um entendimento maior daquilo que estavam produzindo. Além da homenagem aos carnavalescos que passaram pela agremiação, na porta de cada espaço tem a identificação de cada fantasia que está sendo produzida ali e o setor que ela faz parte. Novidade na escola para o Ccarnaval 2023, o diretor Julinho Fonseca explica que as medidas geraram economia e ajudaram no controle de estoque, entre outras possibilidades.
“Em todas as baias dá para ver o que está acontecendo, às vezes está precisando de um material do lado, pega do outro, as costureiras estão de comum acordo com todos os ateliês, ou seja, o empreiteiro não precisa pegar a fantasia aqui para levar para fazer, costurar, é tudo dentro do barracão do Salgueiro. E para a gente, em nível de logística, é muito bom, já fica pronto para entrega, já estou ensacando minhas fantasias. A economia é absurda. Só depois do carnaval que a gente vai fazer um levantamento para saber de verdade o que foi gasto. Mas com essa arrumação do carnaval, a gente controla melhor. Por exemplo, chega um rolo de tecido de 100 metros, você manda para um ateliê fora, não que você não vá confiar, mas como que controla isso? Aqui não tem desperdício. Foi um investimento que o Salgueiro fez para a vida. Vai passar o André, vai passar eu, vai passar o Edson e o quarto andar vai continuar. E queremos mudar a logística do primeiro andar também neste sentido para a questão de estoque dos carros e menos desperdício”, esclarece o diretor de carnaval da Vermelha e Branca.
Julinho também esclareceu que hoje praticamente todas as fantasias estão sendo produzidas no barracão e elogiou a interação entre a equipe que chegou para este carnaval, como o próprio diretor de carnaval e o carnavalesco Edson Pereira, com os integrantes antigos da parte de produção da agremiação.
“O Salgueiro tem de 95 a 98 por cento de suas alas sendo confeccionadas no Barracão. Edson tem um grupo muito bom, tudo no barracão vem sendo comandado pela Alessandra, que tem um timaço de reprodução de fantasia que uniu os que vieram de fora com os que são da casa, que fazem Salgueiro há anos. Hoje a gente tem a tia Arlete que tem 50 anos de Salgueiro, fazendo a ala de compositores, tem o tio Fernando que tem mais de 40 de Salgueiro. Pra gente unir essa rapaziada jovem com o pessoal antigo da escola, foi muito bom. É um ajudando o outro”, revela Julinho Fonseca.
A equipe do CARNAVALESCO ao visitar o quarto andar teve o prazer de conversar com Tia Arlete, citada por Julinho na entrevista. Só produzindo fantasias para a Academia do Samba, a costureira tem 27 anos. Como integrante do Salgueiro, a baluarte vai fazer 50 anos em 2023. A simpática Tia Arlete, que tem sempre um cafezinho com bolo para oferecer em sua baia, aprovou a reforma realizada pela diretoria.
“Eu comecei fazendo a roupa da diretoria, e depois no barracão fazia a roupa do filho do Maninho (ex-presidente), fazia roupa de artistas e alas. Sempre fiz velha guarda, depois de muito tempo eu vim fazer compositores. Esse ano estou só com a velha guarda. Gostei muito da reforma, das homenagens e tudo. No início até estranhei um pouco, porque você está acostumado há 20 anos em uma linha. Mas, o espaço para mim está bom, esse espaço ficou ótimo e até cedi um pedacinho para o meu amigo (risos)”, contou de forma bastante descontraída Tia Arlete.
Após o carnaval, a intenção da diretoria é realizar mais homenagens no quarto andar a artistas do passado da Vermelha e Branca, além de realizar um evento para inaugurar oficialmente o espaço.
Cria da Vila e um dos grandes nomes dos carnavais do Rio de Janeiro e de São Paulo, o intérprete Tinga, com apoio da comunidade, promete entoar o Evoé na Marquês de Sapucaí e assim entregar um bonito desfile da Vila Isabel. Na série “Entrevistão” do CARNAVALESCO, o cantor falou sobre sua carreira, a importância da Vila Isabel para ele, as referências que possui no mundo do samba, além da expectativa para o carnaval deste ano.
Foto: Nelson Malfacini/site CARNAVALESCO
Após tantas carnavais, qual o balanço que você faz da sua carreira?
Tinga: “É maravilhoso. Eu sempre procuro fazer o meu melhor. Sempre ajudar a nossa escola e chegar ao nosso objetivo que é sempre ser campeão do carnaval. O meu balanço é esse: sempre dando o meu melhor”.
Qual o seu desfile inesquecível?
Tinga: “Tenho muitos (risos). Para citar um fica até difícil, mas posso dizer que foi o de 2013, que a Vila Isabel foi campeã do carnaval. Foi um desfile muito lindo, a escola feliz, cantando muito forte e bonito. Graças a Deus, a Vila foi campeã do carnaval – e com um samba maravilhoso. Esse é inesquecível”.
Tem algum desfile que prefere não lembrar muito?
Tinga: “Não. Na verdade, todos os carnavais, para mim, foram muito bonitos e lindos. Até mesmo os que tiveram alguma dificuldade, porque sempre é um aprendizado. É tudo sempre maravilhoso”.
No desfile de 2017, na Tijuca, você foi fundamental para segurar a comunidade no momento do acidente com a alegoria. O que passou na sua cabeça naquele momento?
Tinga: “Foi justamente isso. 2017 foi uma dificuldade muito grande. Eu procurei sempre ajudar a escola e motivar para que ela não desistisse do desfile. Muita gente já estava chorando, andando, e eu pensei: ‘tenho que fazer alguma coisa aqui para poder mudar essa história’. Graças a Deus a gente conseguiu motivar a escola de novo. A escola continuou, terminamos o nosso desfile e a Tijuca continuou no Grupo Especial – essa era a nossa intenção. Foi maravilhoso. Foi um trabalho muito grande feito pelo presidente Fernando Horta, na época, e eu só lembrava dele, por todo esforço para fazer aquele carnaval. Eu tinha quase certeza que se a Tijuca terminasse o desfile, ela seria a campeã daquele ano. Mas é assim, carnaval é desse jeito: na Avenida”.
Qual seu samba preferido da Vila Isabel?
Tinga: “Angola (2012), com certeza. Angola é um samba sensacional e o samba de 2013, maravilhoso também. Angola e o samba de 2013 são dois sambas realmente muito bonitos”.
Quais são suas referências como intérprete?
Tinga: “Minhas referências como intérpretes são os antigos: Nosso querido falecido Dominguinhos do Estácio, o querido Jamelão. Eles são as minhas maiores referências na área”.
Qual o segredo que a Vila Isabel tem em ter formado você e o mestre Macaco Branco, dois pilares da escola?
Tinga: “A gente começou muito cedo no Herdeiros da Vila, nossa escola mirim. Cantei com o Gera, assim como o Macaco Branco tocou com o mestre Mug. A Vila Isabel, a gente costuma dizer que é uma família – todo mundo ali. Eu conheço todos ali – todos os ritmistas, conheço todas as baianas – todos que estão lá a gente conhece, porque estamos ali desde sempre. Todos os garotos que são da bateria eram da minha época também. Somos todos uma família”.
São dez anos sem título da Vila Isabel. O que está faltando?
Tinga: “Só está faltando ganhar (risos). Acho que a Vila faz sempre um carnaval muito bonito e acredito que já mereceu ganhar em algumas vezes, como no ano de 2019, com Petrópolis, em que a Vila fez um carnaval muito bonito. 2022 também. Claro, não tirando o mérito da Grande Rio, que acredito que a Grande Rio é a merecedora desse título, mas a Vila também fez um grande carnaval. É isso: fazer o nosso melhor sempre e esperar o resultado”.
O ‘evoé’ pegou? Qual o segredo para levantar o samba?
Tinga: “O samba é alegre demais. É um samba maravilhoso. Eu costumo dizer que o samba tem que ser feito com o desfile. Não adianta: ‘ah, o samba é bonito’. O samba tem que acontecer para ajudar a escola, e esse samba da Vila ajuda a escola e a comunidade. Ela está feliz com ele e dá para perceber. A escola canta forte, vibra e evolui bastante. Acho que isso é o importante, porque o samba é para aquele momento. Às vezes o samba é muito bonito, mas ele não ‘acontece’ na avenida. Eu tenho certeza que o samba da Vila vai ‘acontecer’ na Avenida, porque é favorável ao enredo e a escola, que está feliz demais com o samba”.
O ‘abraço da comunidade’ foi fundamental para o samba vencer a disputa e ser impulsionado nos ensaios?
Tinga: “A comunidade tem que ser sempre exaltada. Eles que vão para a Avenida, eles que vão cantar e vibrar. É o que acontece quando escolhem um samba que eles gostam. Eles estão cantando o samba que escolheram. Isso é muito importante, porque eles vão chegar na Avenida e darão o resultado. Evoé vamos com tudo!”