Início Site Página 967

Sete escolas com quatro campeãs recentes agitam sábado de carnaval em São Paulo

0

Depois da estreia na sexta-feira, chegou o grande sábado de carnaval no Sambódromo do Anhembi, sete escolas, sendo quatro campeãs recentes casos de Águia, Mocidade, Império e Mancha Verde, atual campeã. Tem a estreante Milênio no Grupo Especial, Tucuruvi e Dragões também no dia. Às 20h30, o primeiro evento é o Afoxé Filhos da Coroa de Dadá, para depois às 22h30 iniciar oficialmente os desfiles, pelo menos seguindo o cronograma oficial e a última escola está programada para entrar às 5 horas da manhã.

Vamos trazer um giro nas sete escolas do primeiro dia de Grupo do Especial com enredo, curiosidades e mais detalhes para 2023:

Terceiro Milênio – 22h30

Estreante no Grupo Especial de São Paulo, a jovem escola do Grajaú, no extremo da Zona Sul de São Paulo, é a grande novidade. Chega com moral, campeã do Grupo de Acesso I e com um samba marcante. Para 2023 mudou o estilo e buscou um enredo sobre o riso: “Me dê sua tristeza que transformo em alegria! Um tributo à arte de fazer rir”. O carnavalesco Murilo Lobo nos contou em visita ao barracão.

“A gente terminou o carnaval e ficou se perguntando qual enredo faria depois de um desfile consagrador como foi a homenagem às mulheres, se pensou qual caminho a gente faria. Para isso eu fiz olhar os enredos da própria escola e quem é essa comunidade, mas eu contei ao presidente um fato que durante o processo da pandemia e o processo emocional, o que me tirava desse estado ruim, era o humor através dos programas streamings. Eu buscava coisas para manter o meu estado de espírito. E aí eu percebi que o humor, o samba e o carnaval têm uma linha muito próxima, porque todos nos fazem felizes e dar risada, mas também colocam o dedo na ferida”.

A Milênio é jovem, de 1998, mas não é tida como uma escola que chega somente para ficar no Grupo Especial. Quer buscar algo mais logo em sua chegada, e trará referências do humor brasileiro em suas alegorias e desfiles em geral.

Fundação: 1998
Escola Madrinha: Rosas de Ouro
Participações no Grupo Especial: Nenhuma, no Acesso foram 5 vezes
Melhor resultado: Campeão do Grupo Acesso I em 2022
Títulos: Terceira divisão (2014), Quarta divisão (2013) e Sexta divisão (2010)
Último ano: Campeão do Grupo de Acesso I em 2022

Acadêmicos do Tucuruvi – 23h35

Com mais um enredo de homenagem, porém com o dedo na ferida, afinal será “Da Silva, Bezerra. A Voz do Povo!”, contando a história de Bezerra da Silva, e ‘da Silva’, junto com Yago Silva, Dione Leite forma a dupla de carnavalescos da Tucuruvi, e contou um pouco sobre o enredo para 2023.

“Foi quando começou a vir a ideia do enredo, de atrelar a história do povo com a história do Bezerra da Silva. Fomos para a pesquisa sem saber para onde íamos, mas sabíamos que tínhamos que pesquisar. Descobrimos que existem milhares de defesas de TCC, de mestrados, documentos escritos por pessoas falando da vida de Bezerra da Silva. É quase que acadêmico, porque é muito material acadêmico sobre a história dele, e começamos a descobrir que tinham outros caminhos para se falar de Bezerra, e que quanto mais entrávamos na história de Bezerra, que não era só discografia, mas também os discursos dele, descobrimos o quanto Bezerra era parte do todo do povo, por isso que ele era considerado “porta-voz do povo”, e o quanto o povo era parte de toda a história profissional e pessoal da vida dele. Não tinha como não ser. Falar do povo através de Bezerra, porquê Bezerra é o povo”.

A Tucuruvi, assim como a Tatuapé, não teve sorteio e nem escolha de data, horário, é a segunda escola no sábado devido a sua colocação em 2022. Com um samba focado mais na malandragem, associa a Bezerra da Silva.

Fundação: 1976
Melhor resultado: Vice-campeão do Grupo Especial em 2011
Títulos: Segunda divisão (1986), Terceira Divisão (1980) e Quarta Divisão (1978)Último ano: 11ª colocado no Grupo Especial

Mancha Verde – 00h40

Bicampeã do carnaval, e atual campeã, a Mancha Verde aposta em um enredo para o lado nordestino, com o carnavalesco André Machado terá: “Oxente – Sou Xaxado, Sou Nordeste, Sou Brasil”. Antes de sua chegada, a escola já tinha anunciado o enredo para 2023, e o artista explicou sobre o que o tema vai abordar neste ano em sua estreia na escola de samba oriunda da torcida do Palmeiras.

“O enredo surgiu antes de eu chegar na Mancha Verde, tanto é que anunciaram no desfile das campeãs. Eu pensei que não pudesse ter o caminho e liberdade por ter já escolhido, mas graças a Deus o Paulo Serdan me deu liberdade para fazer a pesquisa e seguir o caminho que seria legal na minha visão. Eu apresentei o projeto, ele gostou e foi muito bacana. A gente pegou a ideia do ritmo do xaxado e desenvolveu em quatro partes, que são os quatro carros alegóricos”.

Vivendo sua melhor fase, campeão em 2019 e 2022, ainda foi vice em 2020. Ou seja, está no seu auge desde o retorno do Acesso, campeão em 2016. Quer manter a pegada, mesmo com a saída do patrocinador, a escola diz que vai mostrar sua força neste ano.

Fundação: 1995
Melhor resultado: Campeão do Grupo Especial em 2019
Títulos: Primeira Divisão (2019 e 2022), Segunda Divisão (2014 e 2016), Terceira divisão (2002), Quarta divisão (2001), Blocos Especiais (1997 e 1998) e Grupo Especial de Escolas Desportivas (2006 e 2007)
Último ano: Campeão do Grupo Especial

Império de Casa Verde – 01h45

Um dos sambas mais elogiados nas pesquisas do povo, a Império de Casa Verde quer retomar o caminho da vitória, ficou empatado com a campeã Mancha em pontos e perdeu o título no desempate. Para 2023, o carnavalesco Leandro Barboza assumiu o projeto individualmente e trouxe o enredo: “Império dos Tambores – Um Brasil Afro-Musical”, e o enredista Tiago Freitas contou um pouco sobre o que irá abordar na avenida.

“A gente começa com a comissão de frente trabalhando na questão da ancestralidade feminina. É um enredo que trabalha muito na feminilidade de uma forma bem transversal, mas o nosso foco é falar da musicalidade”.

A escola abordou um pouco isso nos ensaios com uma voz feminina que entra durante o samba, e a bateria fez sua apresentação. O Império venceu o bicampeonato em 2005 e 2006, depois voltou a levantar a taça em 2016. É uma agremiação que trabalha forte nas questões de alegorias e busca o caminho da glória.

Fundação: 1994
Melhor resultado: 3 vezes campeão do Grupo Especial
Títulos: Segunda Divisão (2011), Quarta divisão (1997), Quinta divisão (1996) e Sexta divisão (1995)
Último ano: 3ª colocado no Grupo Especial

Mocidade Alegre – 02h50

A maior campeã no Grupo Especial em 2023, já que outras estão no Grupo de Acesso I, não vence o título desde 2014, mas sempre brigando, levou três vices durante o ciclo. Neste ano, trouxe o jovem Jorge Silveira para comandar e com um enredo diferente do que vinha apresentando, é “Yasuke”, e o carnavalesco explicou.

“O Yasuke apareceu para mim como uma possibilidade há mais ou menos dois anos, apresentado pelo Ricardo, que era meu assistente na época. Ele me apresentou o personagem, que eu não conhecia. Imediatamente, quando ele me mostrou, eu falei que achava ser um tema com um potencial enorme para o Carnaval. Comecei a me debruçar sobre o assunto, buscar referências, bibliografia. Achei muito conteúdo na internet, muito material. Existem vários vídeos que falam sobre a história dele. Embora ele seja desconhecido no Ocidente, no Oriente ele é cultuado como um herói, então existe muito material farto sobre ele. A partir daí, comecei a aprofundar a pesquisa e criar uma linha narrativa que pudesse contar a saga do Yasuke. É assim que ele aparece para mim, como a sugestão de um amigo”.

A Morada do Samba, como é conhecida, é uma das escolas mais tradicionais no Grupo Especial, assim como já citado, a maior campeã no grupo neste momento. Mantém uma grande regularidade desde que subiu em 1970, está na elite e quase sempre brigando pelo desfile das campeãs.

Fundação: 1967
Melhor resultado: 10 títulos do Grupo Especial
Títulos: Primeira Divisão (1971, 1972, 1973, 1980, 2004, 2007, 2009, 2012, 2013, 2014), Segunda Divisão (1970) e Bloco Especial (1969)
Último ano: Vice-campeão do Grupo Especial

Águia de Ouro – 03h55

A tradicional escola da Pompeia viveu seu auge em 2020, quando conquistou seu primeiro título na história. Buscando mais uma conquista, a agremiação da Zona Oeste tem como enredo: “Um Pedaço do Céu”, e o carnavalesco Sidnei França contou sobre a construção de um enredo que começou devido a um patrocínio.

“Esse enredo se chama ‘Um pedaço do Céu’, é uma criação minha, porém uma criação que surgiu depois da agremiação ser procurada pela Sodiê Doces, quando acabou o carnaval de 2022. A escola foi procurada pela marca, que faziam uma pesquisa de mercado, pois queriam popularizar a marca e achavam que escola de samba teria uma densidade cultural e ao mesmo tempo associada a questão da população de baixa renda, até pela característica do samba e carnaval, por ter sido criado e mantido pelo povo. Então fomos procurados pela Sodiê para desenvolver um carnaval que tivesse a linguagem da marca, falar sobre a questão lúdica, de uma vida açucarada, não no trocadilho, mas no sentido de uma vida feliz, suave, livre”.

Apesar do título, veio a pandemia e a escola não conseguiu aproveitar tanto, também não teve carnaval no ano seguinte em 2021. Quando teve, em 2022, a escola não conseguiu voltar para o desfile das campeãs, apesar de ter ficado perto. Neste ano quer trazer o sentimento

Fundação: 1976
Melhor resultado: Campeão do Grupo Especial em 2020
Títulos: Primeira Divisão (2020) e Segunda divisão (1998, 2009, 2018)Último ano: 6ª colocado do Grupo Especial

Dragões da Real – 05h00

Desde que subiu em 2011 e estreou na elite em 2012, é uma das escolas com maior regularidade no Grupo Especial, apenas em quatro ocasiões não voltou para o desfile das campeãs, uma delas em 2022 devido a um problema com a porta-bandeira. Mas ficou para trás e em 2023 vai fazer uma homenagem: “Paraíso Paraibano – João Pessoa, a porta do sol das Américas”. Multicampeão do carnaval paulista, Jorge Freitas assumiu o projeto e contou sobre o enredo.

“Como já diz o enredo, os primeiros raios de sol das Américas aparecem em João Pessoa. Às 4h30 e 5h da manhã já é dia e aquele sol irradiante. Nada melhor do que a gente ser a última escola do carnaval paulistano encerrando o desfile com um enredo sobre esse amanhecer. O nosso protagonista da história é o sol. A cidade de João Pessoa é homenageada por ser conhecida como o extremo oriental das Américas”.

A Dragões sonha com seu primeiro título, e teve dois vice-campeonatos em 2017 e 2019, sendo o primeiro vice com um enredo nordestino. Repete a dose, mas no CEP, e fecha o Grupo Especial do carnaval paulista neste ano de 2023.

Fundação: 2000
Melhor resultado: Vice-campeã do Grupo Especial em 2017 e 2019
Títulos: Segunda Divisão (2011), Terceira divisão (2004), Quarta divisão (2003) e Quinta divisão (2001)
Último ano: 7ª colocado no Grupo Especial

Mais oito escolas! Sábado da Série Ouro promete luta acirrada entre favoritas ao Acesso

A segunda noite de desfiles das escolas da Liga Rj vai ter as apresentações de oito agremiações que sonham pela vaga ao Grupo de Acesso. Entre elas, a disputa mais acirrada deve acontecer no meio da noite quando as favoritas, a quinta a desfilar Porto da Pedra, que vai apresentar uma grande aventura na Amazônia e um grito de alerta, será seguida da União da Ilha, homenageando a madrinha centenária Portela e os próprios 70 anos da tricolor insulana. Antes, a União de Jacarepaguá abre a noite em sua volta à Sapucaí apresentando a história de Manoel Congo e Marianna Crioula. Em seguida, a Unidos da Ponte trará toda a religiosidade de Mãe meninazinha de Oxum, logo depois a Unidos de Bangu apresenta um enredo afro cantando uma das qualidades do orixá Xangô e a Em Cima da Hora traz para a Avenida a história de Esperança Garcia.

No final da noite, o Império da Tijuca, penúltima a desfilar, vai falar sobre o pintor argentino Carybé. A noite será encerrada pela Inocentes de Belford Roxo que trará o protagonismo feminino das artesãs Paneleiras da região das Goiabeiras no Espírito Santo. Os desfiles começam às 21h. Após a apuração na quarta-feira de cinzas, apenas a campeã vai subir para o Grupo Especial e as duas piores colocadas caem para a Série Prata e vão desfilar na Intendentes em 2024. Veja abaixo o resumo do que será de cada desfile.

União de Jacarepaguá – 21h

A União de Jacarepaguá volta a Marquês de Sapucaí depois de sete anos na Intendente de Magalhães com o desafio de se firmar na Série Ouro. A Verde e Branco aposta no enredo “Manoel Congo e Marianna Crioula: Heróis da liberdade no vale do café”. A escola optou novamente por um enredo afro-brasileiro na linha do enredo de 2022 que levou a agremiação de volta à Série Ouro. Para pensar o enredo, a escola aposta em uma dupla de carnavalescos: Lucas Lopes, já parte do campeonato da Série Prata, e Rodrigo Meiners, contratado para esse carnaval. O intuito é usar o carnaval para mais pessoas conhecerem a história de Manoel Congo e Marianna Crioula, que lutaram contra o fim da escravidão. Cansados da violência, se rebelaram e criaram o segundo maior quilombo do Brasil.

Unidos da Ponte – 21h50

A Unidos da Ponte vai reverenciar na Marquês de Sapucaí a luta de Mãe Meninazinha de Oxum, uma personalidade do candomblé que tem seu terreiro no bairro São Mateus, em São João de Meriti. Os carnavalescos Rodrigo Marques e Guilherme Diniz desenvolveram o enredo intitulado “Liberte Nosso Sagrado: o legado ancestral de Mãe Meninazinha de Oxum”. A construção desse carnaval partiu da proposta de Rodrigo de falar do Acervo Nosso Sagrado, coleção de objetos de religiões de matriz africana apreendidos pelas forças policiais entre os anos de 1891 e 1946 e que estavam sob poder da Polícia Civil até poucos anos atrás. O desfile vai abordar muito do racismo religioso que ainda existe, e existe de uma maneira muito grande, enraizado na nossa sociedade estruturalmente falando.

Unidos de Bangu – 22h40

Em sua estreia na Série Ouro e na Unidos de Bangu o tricampeão pelo carnaval do Espírito Santo, Robson Goulart promete um grande desfile para agremiação, que este ano trará para a avenida o enredo “Aganjú: a visão do fogo, a voz do trovão no Reino de Oyó” que vai contar a história de uma das qualidades do orixá da justiça. O enredo trata de uma qualidade de Xangô que é Aganjú, para quem não o conhece é o orixá ainda criança, diferente da sua qualidade mais conhecida, até sua data de comemoração é diferente, no sincretismo religioso Aganjú é São João e não São Jerônimo. É um xangô menino. Tudo que é relacionado a ele tem doces, como ele é sincretizado com São João as festas dele tem balões, pipas e bandeirinhas.

Em Cima da Hora – 23h30

A Em Cima da Hora vai levar para a Avenida a história e representatividade de Esperança Garcia, considerada a primeira advogada mulher do Brasil. Negra e escravizada, ela foi a responsável por redigir uma carta com embasamento jurídico ao governo do Piauí, em 1770, denunciando os maus tratos ocorridos na fazenda em que era forçada a trabalhar. Com o enredo “Esperança, Presente!”, do carnavalesco Marco Antônio Falleiros, a agremiação pretende honrar a história dela e inspirar outras mulheres negras. Ao passar pela ancestralidade, a vida cruel na fazenda e a inspiração para diversas mulheres, Falleiros propôs construir um desfile iluminado e colorido em prol da didática.

Porto da Pedra – 0h20

Há 10 anos na Série Ouro, a Unidos do Porto da Pedra vai brigar para voltar ao Grupo Especial com o enredo “A Invenção da Amazônia” desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Quintaes, que está de volta ao carnaval carioca depois de passar cinco anos no paulista. A escola de São Gonçalo vai apresentar um desfile inspirado no livro de Júlio Verne chamado “A jangada”, de 1881. O livro é ambientado na Amazônia brasileira e a jornada feita pelos protagonistas apresenta com uma riqueza de detalhes a cultura amazônica. A partir da ficção, Mauro Quintaes elaborou um enredo que vai do ficcional ao político, do misticismo à conscientização. Para a história contada na Avenida, o carnavalesco colocou Verne e seus personagens para encontrar personalidades contemporâneas. Entre os três escolhidos está a escritora Zeneida Lima, responsável por dissertar sobre os Caruanas em “O mundo místico dos Caruanas da Ilha de Marajó”, que rendeu um enredo para a Beija-Flor em 1998. A segunda personagem que o autor encontra é a pajé Baku, indígena sateré-mawé, única mulher a assumir a liderança da sua tribo. E, por último, Júlio Verne conhece Tonzinho Saunier, cronista, poeta e historiador de Parintins, que representou os povos ribeirinhos.

União da Ilha – 1h10

Em 2023, o povo do samba comemora o centenário da Portela e os 70 anos de existência da União da Ilha do Governador. O vínculo de afilhada e madrinha foi o fio necessário para a insulana definir como enredo “O encontro das águias no Templo de Momo”, desenvolvido pelo carnavalesco Cahê Rodrigues. A proposta é homenagear a maior campeã do carnaval carioca e contar a história da União, mas de uma forma lúdica e não necessariamente documental. O desfile da Ilha promete ser emocionante do início ao fim. Além de falar das aniversariantes homenageadas, a agremiação está fazendo uma grande homenagem ao carnaval, aos bailes, aos blocos e aos cortejos. O enredo foi muito bem recebido pelo presidente Ney Filardi e pelos insulanos. Para aproveitar essa empolgação, neste ano, a opção artística é usar bastante as cores da escola (vermelho, azul e branca) para firmar a identidade da comunidade.

Império da Tijuca – 2h

Após ficar injustamente em nono lugar da Série Ouro no Carnaval 2022, o Império da Tijuca aposta em uma dupla de carnavalescos com estilos diferentes, porém complementares, para compor o enredo deste ano: Junior Pernambucano e Ricardo Hessez. O Primeiro Império do Samba vem com o enredo “Cores do Axé”, uma proposta que se inspira na documentação artística do pintor argentino Carybé sobre o Axé enquanto energia criadora, os orixás, os terreiros, a baianidade e as festividades. Para unir as estéticas díspares dos integrantes da dupla, as obras de Carybé foram essenciais. O artista plástico argentino, mas de alma baiana, viveu no século XX, se encantou com a cultura afro-brasileira e foi uma figura importante porque pôs em tela e em escultura muitos elementos que faziam parte da tradição oral dos terreiros. A construção de um conceito de baianidade passou pelas suas mãos tanto quanto por outras renomadas personalidades.

Inocentes de Belford Roxo 2h50

Desde 2013 longe do Grupo Especial, a Inocentes de Belford Roxo esse ano aposta em exaltar a força feminina com o enredo “Mulheres de barro”. O carnavalesco Lucas Milato está desenvolvendo um desfile contando a história e a rotina de trabalho da Associação das Paneleiras de Goiabeiras, grupo de mulheres artesãs em Vitória no Espírito Santo. Lucas está em seu segundo ano no cargo, a intenção do carnavalesco é fazer um desfile com alegorias maiores em relação a 2022. O presidente Reginaldo Gomes manifestou a vontade de exaltar a força feminina na avenida e por isso o tema foi escolhido em relação a outros. A sinopse, e consequentemente todo desenvolvimento do desfile, foram elaborados com base nas vozes das Paneleiras, tudo que estará presente no desfile, foi baseado nas próprias falas das Paneleiras. Para encerrar a noite, a Inocentes promete um desfile com alegorias volumosas. O carnavalesco Lucas Milato está motivado a levar um dos maiores conjuntos alegóricos do Grupo.

Regulamento

De acordo com o regulamento do Carnaval 2023 ficou definido pela Liga RJ que o tempo de duração do desfile de cada escola de samba será de, no mínimo, 45 (quarenta e cinco) minutos e, no máximo, 55 (cinquenta e cinco) minutos. As escolas de samba, cuja posição na ordem de desfiles correspondam à numeração par, deverão se concentrar a partir da lateral do setor 01 da Avenida dos desfiles no sentido do edifício “Balança Mas Não Cai”. As escolas de samba, cuja posição na ordem de desfiles correspondam à numeração ímpar, deverão se concentrar a partir do prédio do Juizado de Menores, no sentido dos prédios da Cedae e da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. A primeira escola de samba a desfilar em cada um dos dias de desfiles deverá se concentrar a partir da Área de Armação (Área anterior ao portão de início de desfile.

Outros aspectos importantes a se destacar no regulamento são as obrigatoriedades: número mínimo de 900 componentes por agremiação; número mínimo de 35 baianas; comissão de frente com o mínimo de 10 e máximo de 15 componentes aparentes; mínimo de 130 ritmistas agrupados na bateria; mínimo de 02 e o máximo de 03 alegorias, podendo no máximo 01 alegoria acoplada, além do número máximo de 02 tripés, sem contar o elemento cenográfico permitido que eventualmente possa ser apresentado pela Comissão de Frente.

Unidos de Bangu 2023: alegorias na área de concentração do Sambódromo

0

Inocentes de Belford Roxo 2023: alegorias na área de concentração do Sambódromo

0

Porto da Pedra 2023: alegorias na área de concentração do Sambódromo

0

União da Ilha 2023: alegorias na área de concentração do Sambódromo

0

Unidos da Ponte 2023: alegorias na área de concentração do Sambódromo

0

Luxo da Tatuapé e harmonia irretocável de Rosas de Ouro e Tom Maior são os destaques da primeira noite do Carnaval SP

0

A primeira noite de desfiles do Grupo Especial de São Paulo exibiu para os presentes um verdadeiro espetáculo visual, com pinceladas em aulas de história e bom gosto musical. As agremiações, dirigentes e comunidades, mostraram que apesar do curto espaço de tempo entre o “Carnaval fora de época” de 2022, que aconteceu em abril, e o Carnaval oficial de 2023 não prejudicaram na elaboração de grandes enredos. Vimos sete belos desfiles, com alegorias cada vez maiores e acabamentos minuciosos.

Três escolas se destacaram positivamente e superaram as demais coirmãs na noite desta sexta: Tatuapé, Rosas de Ouro e Tom Maior. A azul e branco recuperou sua gana de vencer após uma má colocação no último carnaval devido ao incidente em uma de suas alegorias. As alegorias imponentes e bem acabadas foram um dos destaques. Ao lado de harmonia, e mais uma grande atuação do cantor Celsinho Mody. O intérprete fez com que o samba crescesse ainda mais e valorizou com muita precisão o canto de sua comunidade com diversos “apagões” bem executados da bateria Qualidade Especial de Mestre Higor. * LEIA AQUI SOBRE O DESFILE DO TATUAPÉ 

A Rosas de Ouro, quinta escola a passar pelo Anhembi, levou durante os 62 minutos que esteve na avenida reflexões antirracistas. “Kindala! Que o amanhã não seja só um ontem com um novo nome”, era o título do enredo que foi construído a partir de um samba perdedor em disputa, ainda em 2006, mas que mesmo assim caiu no gosto da comunidade da roseira. Isso ficou ainda mais evidente do primeiro componente que pisou na avenida ao último. A harmonia da escola teve um excelente desempenho com todas as alas cantando fervorosamente o samba-enredo. Samba esse que parece ter sido criado para a dobradinha Royce do Cavaco e “Bateria com Identidade”, de mestre Rafa. Quem também se destacou foi o casal Everson Sena e Isabel Casagrande. Vestidos com uma das indumentárias mais bonitas dessa primeira noite, o casal executou movimentos de precisão, com bastante segurança do que estavam fazendo. Seja nos rodopios dela, ou nos passos elegantes do rapaz. A comissão de frente, que prometeu muito nos ensaios técnicos, entregou tudo e um pouco mais. A começar pelo figurino que possuía extrema riqueza de detalhes, junto da pintura corporal dos bailarinos e da grandiosidade do objeto cenográfico. * LEIA AQUI SOBRE O DESFILE DO ROSAS

Sexta e penúltima escola da noite, a Tom Maior consolidou ainda mais um projeto que vem sendo realizado há pelo menos 6 anos. Uma escola coesa, que pisa no Anhembi sabendo o que precisa ser feito para alcançar seu principal objetivo: o sonhado campeonato. Cultuando as mães pretas ancestrais, o desfile foi fluido do início ao fim. Uma evolução impecável da escola do Sumaré. O samba-enredo que já era muito comentado positivamente no pré-desfile, foi muito bem conduzido pelo consagrado intérprete Gilsinho – que faz dobradinha entre Portela e Tom -, resultando numa harmonia bastante positiva entre cantor, bateria e comunidade. * LEIA AQUI SOBRE O DESFILE DA TOM MAIOR

Se por um lado as agremiações acima foram quase perfeitas nos 9 quesitos, as outras quatro agremiações passaram por alguns problemas. A Independente Tricolor (LEIA AQUI SOBRE O DESFILE) fez um desfile sem ousadias, típica apresentação da escola que prefere não arriscar para manter-se no grupo. Barroca Zona Sul (LEIA AQUI SOBRE O DESFILE), Vila Maria (LEIA AQUI SOBRE O DESFILE) e Gaviões da Fiel (LEIA AQUI SOBRE O DESFILE) passaram por percalços na evolução de cada uma. A chuva torrencial que atingiu o Anhembi enquanto a verde e rosa passava dificultou o controle dos diretores de alas, com isso, alguns buracos ficaram visíveis na segunda metade do desfile. A Vila Maria ficou parada na pista por um tempo devido à falha de comunicação dos rádios de comunicação dos diretores e depois precisou correr, com isso, algumas alas também ficaram bagunçadas. Fechando a primeira noite, a Gaviões, além dos problemas em evolução, que resultaram em correria, levou para o desfile fantasias muito simples, prejudicando a leitura de cada uma delas.

Coloraboraram Fábio Martins, Gustavo Lima Lucas Sampaio, Vinicius Vasconcelos e Will Ferreira

Unidos de Padre Miguel e São Clemente dominam a sexta-feira

A primeira noite de desfiles da Série Ouro colocou na briga pelo acesso ao Grupo Especial a Unidos de Padre Miguel e a São Clemente que fizeram desfiles acima das outras cinco, acordando dessa forma a briga pelo título e jogando a responsabilidade para as escolas que desfilam neste Sábado de carnaval. A São Clemente encerrou a noite com um enredo bem a sua cara irreverente e lúdico. Destaque para a comissão de frente, o samba e a qualidade das alegorias e fantasias. Já a Unidos de Padre Miguel voltou a mostrar muita qualidade estética em seu carnaval além do samba impulsionada pela dobradinha mestre Dinho e o estreante Bruno Ribas.

A Acadêmicos de Niterói, estreante da noite fez um bom desfile, sem errar, e briga pelas primeiras posições ainda que seja difícil imaginar um acesso. A Vigário apostou na nostalgia e fez um desfile divertido. E a Estácio de Sá surpreendeu dando uma resposta às críticas e aos comentários que recebeu ao longo do pré-carnaval. Já na outra ponta de disputa, Arranco, de volta a Sapucaí após 10 anos e Lins tiveram muitos problemas na pista que ameaçam a permanência na Série Ouro, já que as duas últimas vão cair para a Série Prata e desfilaram na Intendente em 2024.

ARRANCO

Marcando seu retorno à Marquês de Sapucaí, o Arranco do Engenho de Dentro teve a missão de abrir o primeiro dia de desfiles da Série Ouro em 2023. Foram mais de 10 anos longe do palco principal do carnaval carioca e alguns erros estiveram presentes na apresentação da azul e branca, o maior deles, a evolução, o carro abre-alas travou no início do desfile e passou por toda a avenida com lentidão, ao menos dois grandes buracos foram observados na altura do primeiro e segundo módulos de julgamento. O último carro também teve problemas e um buraco foi formado no primeiro módulo. Outro grande problema foi com o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Yuri Souzah e Gislaine Lira, no segundo módulo, ao realizar um bandeirada no final da apresentação, Gislaine enrolou a bandeira e ao ficar nervosa, demorou para conseguir desfraldar o pavilhão. O destaque positivo foi o conjunto de fantasias da agremiação, em sua estreia como carnavalesco, Antônio Gonzaga caprichou no uso de cores. O enredo, que festejou os cinquenta anos de fundação do Arranco e homenageou o Zé Espinguela, se mostrou um acerto. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE // LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA DO DESFILE

LINS IMPERIAL

Nem mesmo o samba elogiado, o carro de som entrosado ou a bateria ousada, com várias paradinhas, foi suficiente para garantir uma boa apresentação da Lins Imperial na Avenida. A verde rosa do bairro de Lins de Vasconcelos foi a segunda escola a passar pela Marquês de Sapucaí nesta sexta-feira de Carnaval e acumulou problemas ao longo desta passagem. O primeiro deles ocorreu ainda na concentração, quando a barra de direção da segunda alegoria, intitulada de “A Lapa de Madame Satã”, quebrou e precisou ser rebocada, com apenas a parte do carro desfilando. Depois, os problemas prosseguiram nos chamados quesitos de chão, com uma harmonia de canto irregular e uma evolução repleta de falhas. Após ficar em ritmo lento no início, a escola precisou correr para cumprir o tempo, terminando o desfile no limite máximo de 55 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE // LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA DO DESFILE

VIGÁRIO GERAL

A Acadêmicos de Vigário Geral foi a terceira agremiação a desfilar nesta sexta-feira de carnaval, com enredo “A Fantástica Fábrica da Alegria”. O que se viu pela Sapucaí foi uma abordagem bem leve e divertida do universo infantil. Os destaques do desfile ficaram por conta da bateria Swing Puro de mestre Luygui e do casal de mestre-sala e porta-bandeira Diego Jenkins e Thainá Teixeira, porém a parte plástica da tricolor deixou um pouco a desejar. A escola encerrou sua passagem pela avenida com 53 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE // LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA DO DESFILE

ESTÁCIO DE SÁ

A Estácio de Sá foi a quarta escola a desfilar na noite de sexta-feira e apresentou um excelente trabalho visual de Mauro Leite em sua estreia, produzindo um carnaval solo no Berço do Samba, após dividir os últimos desfiles com Wagner Gonçalves e auxiliar o trabalho de Rosa Magalhães em 2020. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira Feliciano Júnior e Alcione Carvalho também produziram uma bonita apresentação recheada de referências à musicalidade do tema apresentado na Sapucaí. A comissão de frente e a evolução da escola também foram pontos positivos. O ponto negativo foi o canto irregular da escola que teve algumas alas se destacando, mas outras nem tanto. Com o enredo “São João, São Luís, Maranhão! Acende a fogueira do meu coração”, a Estácio de Sá encerrou seu desfile com 54 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE // LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA DO DESFILE

UNIDOS DE PADRE MIGUEL

A Unidos de Padre Miguel entrou na Marquês de Sapucaí com muita garra e mostrou que está disposta a brigar novamente pelo título da Série Ouro. O desfile provou que a escola tem estrutura e uma comunidade apaixonada que almeja chegar ao Grupo Especial. Vários foram os destaques positivos desta noite, a começar pelo samba, muito elogiado no pré-carnaval, foi impulsionado pelo desempenho de Bruno Ribas e seu entrosamento com a bateria de mestre Dinho. O conjunto visual foi um bálsamo para os olhos e impressionou pela riqueza no acabamento, cada ala que pisou na avenida tinha um detalhe único, assim como as alegorias. Vale destacar ainda a apresentação do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vinícius Antunes e Jéssica Ferreira. O desfile da Unidos uniu a técnica com emoção e conquistou o público que soltou gritos de “é campeã”. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE // LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA DO DESFILE

ACADÊMICOS DE NITERÓI

A Acadêmicos de Niterói estreou com o pé direito na Marquês de Sapucaí. Em um desfile sem grandes erros, a azul e branca apostou fortemente na plástica, com alegorias gigantescas e um conjunto de fantasias bem-acabadas, se mostrando disposta a entrar na briga pelo título da Série Ouro e o acesso ao Grupo Especial. No entanto, o samba mediano e o canto irregular dos componentes pode ser um dificultador na hora de sonhar com voos maiores.Com o enredo intitulado de “O Carnaval da Vitória”, assinado pelo carnavalesco André Rodrigues, a agremiação foi a sexta a passar pelo Sambódromo na primeira noite de desfiles da Série Ouro. A escola encerrou a apresentação pouco antes das 05h, aos 54 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE // LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA DO DESFILE

SÃO CLEMENTE

Sétima e última escola a desfilar na primeira noite de desfiles da Série Ouro, a São Clemente apresentou o enredo “O Achamento do Velho mundo”, desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Silveira. Após mais de uma década no Grupo Especial, a Preta e Amarela não perdeu o porte da elite do carnaval e realizou um desfile leve e bem humorado, com destaque para a Comissão de Frente, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira e o bom desenvolvimento e clareza do enredo. A agremiação da Zona Sul mostrou um reencontro com suas características e se colocou na briga pelo título. A irregularidade no canto em alguns momentos pode ser o único senão na apuração. A escola terminou sua apresentação com 55 minutos de duração, já ao amanhecer. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE // LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA DO DESFILE

Bola Preta arrasta multidão no Centro do Rio

0

Com mais de 100 anos de história no carnaval carioca, o Cordão da Bola Preta abriu o sabado de carnaval saudando a volta dos desfiles de rua e exaltando a democracia.

“Somos um clube de carnaval em sua essência. Depois desses anos de perdas é muita tristeza, temos a volta às pessoas nas ruas. Queremos que as pessoas curtam, se abraçam, beijem na boca, mas sem esquecer que não é não. E viva a democracia”, declarou Pedro Ernesto, presidente do Cordão da Bola Preta.

bola paolla
Foto: Fernando Maia/Riotur

Rainha do cordão, a atriz Paolla Oliveira era so alegria junto aos foliões que lotaram a rua Primeiro de Março e a Av. Pres. Antonio Carlos. Sorridente, tirou fotos e distribuiu simpatia junto aos foliões que gritavam seu nome:

“Esse carinho é muito bom. Ser prestigiada por quem me assiste e é fã é maravilhoso. E eu chego aqui e sinto esse amor diferente”, comemorou.

A frente dos ritmistas a cantora e atriz Emanuele Araújo falou da alegria de desfilar no Bola. “É uma bateria centenaria. É uma honra estar à frente desses ritmistas que são a nossa historia”.

Porta-estandarte do Bola Preta, a atriz Leandra Leal, cuja história de vida se mistura com a do cordão, ela que desfila desde que era criança, tinha motivos de sobra para comemorar: “É um ano para celebrar a volta do Carnaval, da vida, da democracia, de tudo”.

Com mais de 40 anos de história com o Bola Preta, dona Deusa de Souza acompanha os desfiles do bloco desde a década de 1970. Só deixou de vir nos dois anos de pandemia. Para comemorar a volta, trouxe a neta, Beatriz, de 8 anos, além de filhos e noras.

“O Bola Preta é a alegria da cidade. Quando não tem Bola como se a vida ficasse mais triste. Mas Hoje é só felicidade”, definiu.