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Criatividade nas alegorias dão o tom do desfile da Torcida Jovem

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Décima escola a desfilar, a Torcida Jovem levou para o Anhembi um enredo em homenagem à orixá Iemanjá. O destaque fica para as criativas alegorias que a agremiação produziu. Começaram com a África e terminaram com o mar de Iemanjá, levando painel de led no segundo carro com imagens da santa. A bateria ‘Firmeza Total’, do estreante mestre Caverna, fez uma apresentação de destaque com suas bossas localizadas nos últimos versos do samba-enredo. Vale ressaltar a fácil leitura do enredo que a Torcida Jovem proporcionou, levando também fantasias de um reconhecimento válido.

Comissão de frente

A ala executou uma coreografia totalmente simples. A comissão de frente se apresentou com mães e pais de santo vestidos todos em branco dançando de um lado para o outro na letra do samba. Esses componentes saudavam o público. Porém havia um personagem que estava todo de vermelho representando Exú. Tal componente não tinha uma coreografia padrão. Ele ficava ‘rindo’ o tempo todo e dançando para o público. Interpreta-se que o contexto é de abrir os caminhos para Iemanjá, que é o enredo da escola alvinegra.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

Alex Santos e Dani Motta fizeram uma apresentação satisfatória. Destaque para a fantasia, que era branca em azul, mesclando as tonalidades da cor. Vale ressaltar o adereço de cabeça da Dani, que deu um contraste muito belo para a apresentação. A porta-bandeira também não tirou o sorriso do rosto. Mostrou leveza em análise no setor B em diante. O bailado da dupla se destacou pelo minueto, que combinado com a parte de baixo da fantasia de Dani Motta, foi um grande passo para a apresentação válida.

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Harmonia

A agremiação alvinegra desfilou pequena, mas cantaram o samba. Não foi com tanto fervor, mas deu para ver que todos estavam com o hino na ponta da língua. O último verso do samba, “E vai… Quando o dia amanhecer… Minha prece mais sincera… É oferenda pra você… Mulher guerreira da pele preta… Reflete o teu poder. Essa parte se destaca bastante, principalmente quando a bateria de mestre Caverna realiza a bossa localizada. Além disso, o refrão também é um ponto-chave para o canto da comunidade.

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Enredo

“Torcida Jovem está presente e canta nas águas da Mãe Iemanjá”, como já diz o enredo, é uma homenagem à orixá Iemanjá ligada às religiões afro. O tema foi muito bem contado no desfile. Apesar da comissão de frente ser um tanto simples, o contexto é aparentemente fácil. As fantasias têm palavras que permitem uma leitura tranquila do significado. Portanto, deu para entender o propósito do que a Jovem quis levar para o Anhembi – Africanidade, mães e pais de santo, outros orixás ligados, outros jeitos que Iemanjá é chamada, música referida a ela e o mar.

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Evolução

A escola evoluiu de maneira correta. O alinhamento entre as alas foi cobrado pelo departamento de harmonia e os componentes acataram tranquilamente. De uma ponta a outra não houve problemas para a agremiação. Houve bastante compactação. Os integrantes da comunidade não têm uma coreografia fixa e todos têm a liberdade para evoluir espontaneamente, mas sempre respeitando o alinhamento cobrado pelos harmonias.

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Samba-Enredo

Guiados pelo experiente intérprete Adeilton Almeida, a ala musical da Torcida Jovem fez um trabalho satisfatório em seu desfile. A escola fez uma grande aposta em usar palavras afros, como na primeira parte do samba e o refrão principal. Assim como em toda questão musical, os últimos versos se destacam pela versatilidade de usá-los para bossas da bateria e o uso da melodia da ala musical com o objetivo de fazer os componentes cantarem forte.

Fantasias

As fantasias eram ‘simples’, porém, como dito no tópico do enredo, tinha um fácil entendimento. Por exemplo, a última ala trazia a palavra ‘Awoyó’, que é uma forma de se referir à Iemanjá.

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Outra ala tinha escrito na fantasia ‘Bailarina do Mar’, que é uma canção para Iemanjá. Ou seja, apesar da simplicidade na estética, a criatividade foi aproveitada.

Vale destacar a bela fantasia das baianas, que foi toda feita em palha, mesclando o bege, marrom e detalhes laranja na parte do pescoço. Essa vestimenta sim foi investida no luxo.

Alegorias

O abre-alas foi levado como uma cor monocromática, predominando o marrom. Nele, estava escrito ‘Jovem’ na frente, além de esculturas de gorilas na esquerda e direita da alegoria. Na parte de cima, foram colocados mais animais, como búfalos e elefantes. Isso remete à África. Mais precisamente sobre a savana africana.

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O segundo carro representou o mar. Na frente, esculturas de tubarões e, no alto do carro, a imagem de Iemanjá negra. Atrás da escultura, um painel de led com diversas imagens da santa passando.

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Alegorias de belo acabamento e fácil entendimento. Vale destacar a ousadia da segunda. Foi a única agremiação que usou um painel na noite.

Outros destaques

A bateria ‘Firmeza Total’, comandada por mestre Caverna, realizou um grande trabalho. As bossas foram bem executadas, principalmente a que fica localizada nos últimos versos. Destaque também para o forte uso dos atabaques dentro do samba.

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Após a comissão de frente, a escola levou um grande tripé de um negro com roupa branca e azul como se fosse no mar. Não dá para saber muito bem o contexto, mas com certeza tem algo a ver com Iemanjá.

Vale destacar a festa da torcida nas arquibancadas, com bandeirões e sinalizadores. A escola também foi recebida com fogos de artifício.

Comissão de Frente emocionante é destaque do desfile da Unidos de Santa Bárbara sobre as folhas

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A Unidos de Santa Bárbara foi a nona escola a desfilar no Sambódromo do Anhembi na madrugada deste domingo, dia 12 de fevereiro, pelo Grupo de Acesso II. Com destaque para a comissão de frente bela e impactante, a escola teve muitos problemas de evolução que comprometeram o andamento do desfile, que finalizou o desfile com 48 minutos. A escola do Itaim Paulista trouxe como enredo “Kosi Ewe — Salve as Folhas. Sem Folhas, Não Tem Orixás”.

Comissão de Frente

Uma encenação impactante marcou o início do desfile da Santa Bárbara. A comissão de frente, comandada pelo coreógrafo Luiz Romero, representou a chegada dos escravos ao Brasil, que são conduzidos por Exu para que Ossanhe realize seu ritual de cura. Dançarinos transmitiram em gestos e verbalizações a dor dos escravizados, aos olhos de um outro que representou Exu. Outro grupo representou Ossanhe em fantasias coloridas de verde com folhas aderençando, muito bem-acabadas. Um ótimo início de desfile da escola.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Dyego Santos e Waleska Alves decaíram de desempenho enquanto passavam pela Avenida. No primeiro módulo, o casal conseguiu executar bem os elementos obrigatórios com graça, beleza e sintonia. Nos últimos módulos, porém, a dupla perdeu o ritmo e começaram a cometer erros, em especial da parte de Dyego, que por mais de um momento deu as costas para Waleska durante os giros, chegando a parar à frente da porta-bandeira em certa finalização. Sincronismo nos giros também falhou diante dos últimos jurados.

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Harmonia

O canto da Santa Bárbara foi irregular. A ala que mais cantou foi a ala das baianas, que representou as águas da purificação, com senhoras de idade dando aula para jovens em outros segmentos da escola. A falta de disposição dos componentes no geral refletiu no público, que passou o desfile demonstrando poucas reações.

Enredo

O enredo da Santa Bárbara teve como objetivo exaltar as folhas, mas foi difícil identificar a linha de narrativa escolhida pela escola. O abre-alas e as primeiras alas faziam clara referência a orixás e elementos do candomblé, mas a partir do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, a temática virou bruscamente e se torna uma mistura generalizada de indígenas com figuras que faziam de alguma forma referência a folhas, como o trevo de quatro folhas, chás orientais, pizzaiolos e perfumes.

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Evolução

A evolução da Santa Bárbara foi muito errática. Havia clara dificuldade de manter os componentes da linha de frente das alas alinhados. Não houve invasão de alas graças a grande presença de destaques entre elementos e a própria falta de compactação, com muitas alas demonstrando faltar componentes para dar mais volume. O ritmo de desfile também não foi bom, com a escola correndo e parando em diferentes momentos. A agremiação fechou os portões aos 48 minutos levando o quesito como mais um elemento a se preocupar na apuração.

Samba-Enredo

O samba segue a mesma linha do enredo, que tem dificuldades de contar a proposta e apela para muitas expressões clichês. O desempenho na pista, porém, foi um destaque positivo graças a grande atuação da intérprete Elci Souza, uma das grandes revelações do carnaval paulistano nos últimos anos. O andamento da obra foi corrigido em relação ao ensaio técnico, e funcionou melhor na Avenida dentro do quesito em si.

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Fantasias

As fantasias conseguiram se encaixar dentro dos versos do samba com facilidade, e apesar do acabamento simples no geral, permitiu aos componentes evoluírem sem dificuldades. A grande presença de destaques na pista com belas fantasias deu a sensação de que suas roupas receberam mais atenção do que a dos demais componentes. A ala dos perfumes, por exemplo, continha elementos nos ombros posicionados de forma diferente em algumas peças se comparado a maior parte da ala, sendo que essa não parecia ser a proposta do segmento.

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Alegorias

A Santa Bárbara apelou para o volume das alegorias para impactar na Avenida, mas o que se viu foram carros com acabamento muito simples. O abre-alas possuía arcos com folhas que invadiam o espaço de circulação dos corredores laterais. A parte frontal da alegoria apresentou falhas na iluminação, que se apagou durante a passagem da escola, mas voltou a acender ao se aproximar do quarto módulo. O segundo carro, também muito simples apesar do volume, foi de difícil leitura e teve pouca identificação com o próprio enredo em si.

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Outros destaques

Os destaques de chão que a Santa Bárbara trouxe chamaram atenção, interagindo com o público e demonstrando simpatia. Cleyton Sorrilha, que é rei da bateria, um elemento raro de se ver nas escolas de samba, deu show de irreverência e embalou a apresentação da bateria “Ritmo Tempestade”.

Canto forte e estética impecável: Unidos do Peruche traz doce aroma para o Anhembi

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Tida como uma das favoritas para o Grupo de Acesso II em 2023, a Unidos do Peruche fez questão de deixar claro que o status não veio à toa. Com um desfile que impressionou pelo bom gosto estético e pela grande exibição do casal de mestre-sala e porta-bandeira, a Filial do Samba deixou apenas uma dúvida na prática: a função do tripé que veio logo após a comissão de frente. Há, porém, uma certeza: a apresentação do enredo “A Essência Que Me Seduz”, que durou 47 minutos (logo, três minutos abaixo do limite máximo regulamentar) brigará pelo título do agrupamento no ano.

Comissão de frente

Com uma fantasia inteira branca e prateada (dando a impressão de que eram seres celestiais), com forte maquiagem também no rosto, os componentes executaram uma coreografia que apostou no bailado puro, sem recurso algum extra e sob a batuta do coreógrafo Matheus Cardoso. O grande trunfo dos bailarinos foi a sincronia, já que cada movimento era executado com ritmo perfeito em cada passagem – o que incluiu também a apresentação na frente de cada uma das torres de jurados.

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Um detalhe curioso veio logo após os integrantes do setor. Havia um tripé com figuras remetendo a santos (o que combina com os seres celestiais que vinham à frente), mas ele não interagiu com os componentes em momento algum – e vice-versa. Por sinal, o tripé era empurrado por pessoas que estavam fantasiadas como os seres celestiais.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Dos casais mais eficientes e graciosos de todo o carnaval paulistano, Kawê Lacorde e Nathalia Bete tiveram mais uma noite de gala. Extremamente sorridentes e expressivos, ambos tiveram muita sincronia em cada movimento e envergaram com muita altivez o tradicionalíssimo pavilhão perucheano.

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Kawê e Nathalia mesclaram de maneira bastante satisfatória as interações com o samba e entre eles mesmos, o bailado e os giros. Cada desfraldamento do pavilhão foi executado de maneira precisa, sem contratempos e com largos sorrisos de dois componentes que sabem como poucos a nobre arte que exercem.

Harmonia

O início da escola foi plenamente satisfatório no quesito. As primeiras alas perucheanas cantaram com força o samba-enredo, surpreendendo até mesmo quem estava nas arquibancadas – que, moralmente coagidas, passaram a reagir ao canto.

A partir do segundo setor, é bem verdade, para exprimir o máximo canto de cada componente, foram necessárias algumas chamadas de atenção de staffs posicionados no corredor. Após cada uma delas, entretanto, os foliões voltaram a cantar forte a canção.

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O alinhamento de cada ala era foco de atenção dos staffs, mas não foram necessários grandes chamadas de atenção em tal aspecto.

No fim das contas, o que fica é uma imagem rara e que se repetiu diversas vezes ao longo do desfile: pessoas com a camisa da escola cantando o samba e de olhos franzidos para ficar atento a qualquer deslize – que raramente ocorriam.

Enredo

A história do perfume foi o mote para o enredo “A Essência Que Me Seduz”, idealizado pelo carnavalesco Mauro Xuxa. Mais que trazer o desenvolvimento histórico de tão conhecido fluido, o desfile permitiu associações imediatas para quem estava atento ao samba-enredo – que buscou explicar, de forma melódica, o que era visto.

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O primeiro setor trazia uma linha cronológica do perfume, com referências a nações e eventos históricos – como as Cruzadas, os franceses e a chegada dos portugueses ao Brasil. Depois, veio a interação das essências com o carnaval e, por fim, a importância das florestas brasileiras para o desenvolvimento de novos aromas.

É bem verdade que o primeiro setor busca alcançar um período histórico muito maior que os dois seguintes (que, por vezes, até mesmo se confundia), mas tal situação é permitida pelo próprio enredo desenvolvido – logo, não é considerado como falha.

Evolução

Bastante regular ao longo de todo o desfile, o componente perucheano aproveitou o samba-enredo que caiu no gosto da escola e se movimentou bastante. Brincando e com bastante leveza, cada componente aproveitou para interagir com companheiros de ala e com as arquibancadas.

Vale destacar, também, o andamento sem sobressalto algum ao longo de todo o desfile. Sem acelerar ou frear o passo, a Filial do Samba passou de maneira linear pelo Anhembi – o ideal para todos os envolvidos.

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O recuo da bateria, momento sempre de tensão em cada desfile, foi executado sem deixar buraco algum na passarela. A bateria esperou metade do espaço destinado a ela aparecer e curvou-se à direita, logo atrás de uma das mais tradicionais Velha Guardas da cidade de São Paulo. Com uma recheadíssima corte de bateria, coube às destaques ir à frente da passarela e sambar bastante até que a ala anterior assumisse o posto – e, também, impedindo o aparecimento de buracos. Foram cerca de oitenta segundos de agremiação aguardando o final da movimentação para voltar a evoluir.

Samba-Enredo

Como dito anteriormente, a canção caiu no gosto da comunidade perucheana – o que, é claro, facilitou a execução da obra na avenida. Além dos componentes, vale destacar, também, a ótima condução da música na avenida por Alex Soares, que empolgou desde os alusivos cantados na Concentração. Sem muitos cacos, ele também foi ajudado pela grande noite da Rolo Compressor, sob o comando de Acerola de Angola – os ritmistas, entretanto, apostaram mais em bossas e em um andamento pouco mais acelerado para empolgar os desfilantes.

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Fantasias

De acordo com cada setor (explicado no quesito “Enredo”), a cromia da escola evoluiu de maneira condizente com o que era pedido: no primeiro, cores com tom mais pastel, para dar a aparência de envelhecimento; no segundo, cores bem mais vibrantes (com destaque para uma ala em um forte tom de azul, com componentes cantando muito forte o samba); por fim, no terceiro, o verde interagia com cores em tons de lavanda e rosa – para remeter a algumas das flores utilizadas em essências. Neste último setor, destaque para a ala das baianas, majoritariamente de branco e com detalhes verdes e lilás – fazendo uma mescla perfeita com o que viria pela frente.

Mais do que isso, chamou atenção o extremo bom gosto das fantasias desenvolvidas pela escola. Enquanto coirmãs buscaram colocar algum adereço e/ou costeiro por cima de tecidos brutos, a Peruche, claramente, investiu para dar ao folião a certeza de que vestia uma fantasia completa, produzida e pensada para ele. Com acabamento impecável e peças de extremo bom gosto, cada roupa parecia, também, leve – deixando o folião bastante à vontade para cantar e se movimentar.

Alegorias

O abre-alas da escola chamou atenção não apenas pela beleza que trouxe, majoritariamente nas cores azul e amarela e com esculturas magistralmente bem desenvolvidas e acabadas. O carro, bastante imponente e alto, trouxe um gigantismo e bom gosto para o desfile que se confirmou conforme ele se desenrolava – e que ficou ainda mais bonito com a fumaça que saía do mesmo.

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A segunda alegoria, pouco menor, manteve o ótimo nível estético e fechou o desfile dentro do seguimento do enredo, unindo a história da escola com as essências proporcionadas pela Floresta Amazônica.

Outros destaques

Das escolas mais tradicionais do carnaval paulistano, a Unidos do Peruche tem diversos sambas de quadra reconhecidos no carnaval de São Paulo. A execução de alguns deles fez com que a escola entrasse na avenida já com três minutos no cronômetro.

Ala musical e bateria se destacam em desfile irregular da Leandro de Itaquera

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Sétima escola a desfilar na noite, a Leandro de Itaquera fez uma apresentação que deixou a desejar. Pelo que se viu na pista, dá para concluir que a agremiação irá brigar pelas posições de baixo da tabela. Um dos únicos destaques positivos foi a bateria ‘Batucada de Leão’, comandada pelo mestre Pelé, que deu um belo andamento ao samba-enredo. A dupla de cantores Rodrigo Jacopetti e Tays Calhado, o casal José Luis e Juliana também tiveram um desempenho satisfatório. Nos demais quesitos a escola enfrentou problemas. “Batuque, a Força da Raíz”, é um enredo reeditado de 1992. A escola terminou o desfile com 48 minutos.

Comissão de frente

A ala, que é comandada pelo coreógrafo Marcelo Gomes, tinha como termômetro a coreografia de tribos. Nessa apresentação, o movimento parecia de afros ou indígenas, mas o fato é que era uma invocação a algo. A comissão contava com um pequeno tripé, cujo nele subia um personagem principal. Após, os outros componentes faziam uma espécie de saudação a ele. Outro fato que aconteceu foram os vários momentos em que a ala saudava o público. Os integrantes se alinhavam e apontavam para cima.

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Um fato negativo que aconteceu é que no decorrer do desfile, mais precisamente depois do recuo de bateria, um costeiro de uma integrante soltou e ficou pendurado nas costas dela. Os próprios companheiros tentaram arrumar rapidamente, mas não conseguiram. Ainda nas fantasias, caiu um pedaço de pelúcia de outro componente, que ficou na pista e foi retirada pelo apoio do segundo casal, que vinha logo atrás.

Mestre-sala e Porta-bandeira

José Luis e Juliana, executaram um bailado seguro. Desfilaram sorridentes o tempo todo. Há de se ressaltar que diferente da maioria das agremiações, o casal da Leandro de Itaquera não vai na frente da escola. Eles desfilam no segundo setor. Com um pavilhão bordado em lantejoulas, à moda antiga, a dupla conseguiu realizar movimentos sincronizados frente às torres após o setor B, que estava em análise.

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Dentre as fantasias da Leandro, a do casal é a única que se destaca pela criatividade. Vieram de vermelho e o mestre-sala segurava o martelo de xangô. Porém o acabamento estava a desejar.

Harmonia

Por ser uma reedição, se esperava um canto forte da comunidade. É um samba famoso dentro da escola, porém, por algum motivo, não fluiu. Os componentes não faziam esforço nenhum para cantar e o departamento de harmonia não estava conseguindo influir os desfilantes. A única parte cantada fortemente foi quando a bateria realizou um apagão no minuto 27 do desfile. De resto, o desempenho do quesito foi preocupante.

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Enredo

“Batuque, a Força da Raíz”, é uma reedição do carnaval de 1992. Tem um belo samba que foi bem adaptado para 2023. Porém, apesar das fantasias simples, não dá para ter uma clara leitura ao público. Ficou difícil saber qual setor significa qual história. A primeira alegoria, que foi apresentada no estilo afro e a comissão de frente, deu para ter uma certa noção do que viria pela frente. Entretanto, no decorrer do desfile, nada ficou claro.

Evolução

A escola teve uma evolução protocolar. Foi um tanto satisfatório. Não houve buracos e nem tanta empolgação entre as alas. Provavelmente não haverá tanta penalização em cima disso. Há de se ressaltar o grande trabalho que a escola fez na entrada do recuo de bateria. Enquanto a batucada entrava, as passistas preencheram rapidamente o espaço técnico. Ao todo, foi um quesito em que a Leandro teve certa segurança.

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Samba-Enredo

É um samba diferente do habitual. Por ser dos anos 90, se imaginava um andamento diferente, mas desde o pré-carnaval se viu a ala musical fazendo um grande trabalho e colocando a trilha-sonora no estilo da escola. Vale destacar o grande trabalho da dupla Rodrigo Jacopetti e Tays Calhado. Essa última pode ser uma grande revelação do carnaval paulistano. Com o tempo pode amadurecer a voz e comandar melhor um carro de som.

Fantasias

Um quesito que deixou extremamente a desejar. Além de falhas de acabamento, se via uma simplicidade muito grande. Com isso, como dito anteriormente, a leitura ficou prejudicada. Não há nada para se destacar em relação ao quesito.

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Alegorias

A primeira, aparentemente representava a África. Na frente do carro estava o nome da escola e a escultura de um leão, que é o símbolo da escola. Tudo iluminado. Na parte de trás, apareciam elementos e esculturas africanas, remetendo ao continente.

A segunda alegoria não deu para ter uma leitura concreta do que significa, mas o fato é que na frente vinha duas esculturas de elefante e uma imagem do boi-bumbá. Na parte de trás, esculturas de baianas.

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Outros destaques

A bateria ‘Batucada de Leão’, regida por mestre Pelé, foi o destaque da escola nesta noite. A batucada tem um andamento grande, surdos potentes e executou bossas que embalaram a comunidade e arquibancada, especialmente o apagão que fizeram ao carro de som no minuto 27.

Ala das baianas desfilaram com uma fantasia toda amarela segurando uma boneca de brinquedo.

Galeria de fotos: ensaio técnico da Viradouro no Sambódromo

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Galeria de fotos: ensaio técnico da Vila Isabel no Sambódromo

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Uirapuru da Mooca apresenta os seres e lendas da Amazônia em desfile embalado por samba valente

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A Uirapuru da Mooca foi a sexta escola a desfilar no Sambódromo do Anhembi neste sábado, dia 11 de fevereiro, pelo Grupo de Acesso II do Carnaval de 2023. Com destaque para a comissão de frente bem ensaiada e o samba de fácil leitura nas alas, a escola finalizou sua apresentação com 49 minutos após início sob garoa e pista ainda molhada, mas que não comprometeu o desfile. A Uirapuru este ano apresentou o enredo “Amazônia: Terra do Uirapuru – Salve os donos da terra e suas lendas”, assinado pelo carnavalesco Antônio Carlos Ghiraldini.

Comissão de Frente

A comissão de frente da Uirapuru da Mooca, liderada pela coreógrafa Giovanna Lacerda, fez uma coreografia no ritmo dos versos do samba, os acompanhando durante toda a passagem da música. Os dançarinos vieram representando guerreiros indígenas, com costeiros amplos de penas artificiais. Uma boa coreografia, com movimentos bem sincronizados e os atores participativos ao longo da pista, não apresentando irregularidades enquanto foram observados.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Anderson Guedes e Pâmela Yuri fizeram uma boa apresentação no primeiro módulo. O casal apresentou o pavilhão com elegância e leveza e realizou giros bem sincronizados. O Mestre-Sala bailou diante do girar da Porta-Bandeira com disposição, e a dupla concluiu sua apresentação no módulo de maneira satisfatória. No quarto módulo, porém, Anderson realizou giros lentos durante o minueto, dando as costas para a Pâmela de forma acintosa e que pode render dedução de pontos do jurado.

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Harmonia

Um quesito positivo no ensaio técnico que acabou não tendo o mesmo desempenho neste desfile. O ponto chave do refrão do samba, com um grito entre os versos três e quatro não teve a mesma reação energética da parte dos componentes de outrora. As alas cinco e seis, que vieram representando pescadores e corujas, respectivamente, se destacaram positivamente, com direito a própria coreografia mesmo não sendo caracterizável como ala coreografada, cantando de maneira animada. No geral, desempenho morno do quesito, com muita irregularidade e componentes evoluindo calados ou enganando, fingindo mascar chiclete ou balbuciando, indícios de que não sabiam cantar o samba.

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Enredo

Um enredo de fácil leitura ao longo de todo o desfile. Os dois carros alegóricos representavam os elementos que as alas de trás trouxeram de maneira fiel. O primeiro setor representou os animais, plantas e pessoas que vivem na Amazônia, enquanto o segundo setor representou as lendas da região. As alas se encaixavam sequencialmente com os versos do samba, o que tornou a leitura do enredo ainda mais simples. Quesito de atuação positiva da escola.

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Evolução

A evolução da Uirapuru foi irregular em diferentes momentos do desfile. Alas com linhas muito espaçadas dentro de si mesmas, e uma acelerada no ritmo na parte final do desfile para fechar no tempo podem ser motivo de penalização da parte dos jurados. A escola terminou seu desfile com 49 minutos, o que explica a redução do ritmo nos momentos finais.

Samba-Enredo

A Uirapuru apresentou um bom samba, que se encaixou muito bem dentro de todo o contexto do desfile. O carro de som liderado pelo intérprete André Ricardo teve bom desempenho, dando um ritmo adequado para a escola realizar uma boa evolução. A obra permitiu o encaixe de boas bossas por parte da bateria “Moocadência”, e contribuiu positivamente para a apresentação da escola.

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Fantasias

Um conjunto de fantasias de fácil leitura no geral, que cumpre seu papel de contar o enredo. Algumas soluções em certas fantasias, porém como o enorme costeiro junto à cabeça em forma de arara utilizado pela ala das baianas, que visivelmente deixou as mães do samba desconfortáveis. Nem todos eram mulheres nessa ala, inclusive, mas um dos rapazes que preencheu espaço não parecia nada feliz de estar ali, andando a pista toda com expressão bastante fechada. A ala que representa os animais da floresta amazônica apresentou erros de acabamento, com alguns dos animais fixados aos costeiros caindo ao longo da passagem da escola.

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Alegorias

Um curioso caso em que o segundo carro é mais bonito que o primeiro. O abre-alas da Uirapuru apostou em tecidos de plotter na base, igual ao utilizado na saia das baianas. Ventos da concentração parecem ter levado tiras de tecido para cima de esculturas. A palha de um acabamento na parte de trás se esparramou pelas folhas do lado esquerdo da alegoria, demonstrando que o carro não foi bem cuidado pela escola após chegar ao Anhembi. A segunda alegoria, porém, teve impacto muito positivo e ilustrou bem as lendas da Amazônia, com direito a uma serpente na frente em referência ao boitatá que movia até mesmo os olhos.

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Outros destaques

A rainha de bateria, Acassia Nascimento, veio representando uma guerreira amazônica em uma fantasia que foi capaz de não apenas enaltecer sua beleza, como também se encaixar bem ao enredo. A monarca representou muito bem a bateria “Moocadência”, liderada pelo mestre Murilo Borges, que fez bom proveito das oportunidades que o samba deu, realizando várias bossas seguidas e de bom gosto.

Mesmo com dificuldades com o cronômetro, Imperador se reconhece e briga por acesso

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Tradicionalíssima escola de samba do carnaval de São Paulo, a Imperador do Ipiranga cantou o sincretismo religioso no ano de 2023. A escola da Zona Sul da cidade soube unir muito bem todas as pontas do enredo “Gratidão, Fé e Amor… Vem! Sou Imperador”, com destaque para a comissão de frente e com uma atuação ousada e convincente do casal de mestre-sala e porta-bandeira da agremiação, que souberam driblar a passarela molhada e a chuva que voltou a cair no final da apresentação. Fechando o desfile com 49 minutos (apenas um abaixo do limite permitido pelo regulamento), a exibição teve alguns desafios na evolução já na parte final.

Enredo

Mostrar o sincretismo religioso de um país de dimensões continentais como o Brasil é sempre uma tentação e um desafio. A Imperador do Ipiranga soube trabalhar tudo isso no desfile com o tema “Gratidão, Fé e Amor… Vem! Sou Imperador”, desenvolvido pelo carnavalesco Ivan Pereira.

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Cada setor era temático. O primeiro falava da fé cristã; o segundo, de religiões de origem africana; e, o terceiro, das crenças indígenas. Havia, entretanto, pontos de ligação entre cada um eles. O barco que encontrou Nossa Senhora Aparecido foi utilizado para saudar Iemanjá, a rainha do mar para o candomblé e para a umbanda. Os mares levaram o desfile para a Amazônia, com direito a representação dos bois-bumbá de Parintins, Garantido e Caprichoso.

Toda a evolução do enredo, por sinal, foi colocada no samba-enredo e foi perfeitamente compreendida pelos presentes.do

Comissão de frente

Ao contrário da maioria das comissões de frente do carnaval paulistano, a da Imperador do Ipiranga pôde entrar tão logo a sirene tocou. O motivo foi conhecido logo na segunda passagem do samba: os componentes não marcavam a canção – algo que se tornou tradicional em São Paulo.

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Se não era uma das coreografias mais longas do carnaval da cidade (cada passagem durava menos que um setor das arquibancadas), ela impressionava. Dividida em dois momentos, ela tinha como estrela Nossa Senhora Aparecida. No primeiro ato, pescadores buscavam peixes e não tinham sucesso. Eis que encontram a imagem da santa negra, na representação do que aconteceu no século XVIII, no Vale do Paraíba (São Paulo), e a pescaria passa a ser farta.

Logo depois, o barco levanta e o fundo da embarcação se torna a imagem da santa, com pessoas louvando a imagem e algumas representações de milagres. Certamente uma das grandes comissões de frente do ano, muito bem idealizada e coreografada por Renata Coppola.

Vale destacar que, ao contrário do que poderia ser imaginado, a descoberta da imagem da santa e/ou a mudança do ato, momentos mais marcantes da coreografia, não aconteceram na frente da segunda cabine de jurados.

Mestre-sala e Porta-bandeira

A fantasia de Naiomy Pires, porta-bandeira da escola, era um destaque à parte. Fantasiada como a própria Nossa Senhora Aparecida, com o manto azul característico, ela conduziu muito bem o pavilhão em uma passarela molhada – embora com ventos mais amigáveis.

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Mostrando muita sincronia com Vitor Barbosa, ambos souberam equilibrar bem as interações com o samba e os giros – sendo bastante aplaudidos pela Arquibancada Monumental, que valorizou a dança em meio à pista úmida. Por sinal, vale destacar o samba no pé do mestre-sala, que foi até o limite ao bailar – e não teve erro técnico algum, nem mesmo para desfraldar o pavilhão. Exibição bastante convincente da dupla, que foi saudada na Arquibancada Monumental.

Vale pontuar que o casal dançava bem próximo um do outro, sem ser observado resvalões ou algum momento de falta de sincronia. As duas fantasias tinham predominância das cores azul e dourada – que, juntamente com o branco, formam a cromia da escola.

Harmonia

Comandada por Vagner Eduardo Siqueira Salum, popularmente conhecido como Guinê, a escola teve canto destacado. O samba-enredo, é bem verdade, bastante simples e com poucas palavras desconhecidas do grande público, ajudou. Mesmo assim, o trabalho desenvolvido pelo staff foi destacado, com canto bastante regular e satisfatório em todos os setores do desfile.

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Com o canto sem problema algum, os staff ficaram mais atentos ao alinhamento de componentes em cada ala. Por vezes, é bem verdade, havia algum deslize – logo corrigido pelos harmonia no corredor. Vale destacar, também, que os próprios componentes orientavam foliões que estavam à frente ou ao lado caso sentissem algum desalinhamento. paulistano”

Samba-Enredo

É nítido observar que o samba-enredo caiu no gosto do ipiranguense. Muito bem conduzido por Rodrigo Atração (vestido de índio para a apresentação) e pelo carro de som da escola, o canto de toda a escola foi regular e em bom tom.

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Como dito anteriormente, também vale destacar que a associação da canção escolhida pela escola com as alas, carros alegóricos e com tudo que era visto na passarela era evidente e imediata – facilitando a leitura de quem estava na arquibancada e, por tabela, gerando mais identificação e canto.

Alegorias

O abre-alas da Imperador do Ipiranga era inteiro trabalhado na fé cristã. Além da coroa, símbolo da escola, a imagem de Nossa Senhora Aparecida era vista no segundo carro, acoplado, à frente de uma imagem de Jesus Cristo bem destacada. No meio do desfile e de uma ala, aparecia um tripé com a imagem de Iemanjá (ou Janaína), rainha do mar. Por fim, quase encerrando o desfile, uma alegoria com um índio e um afrodescendente cercado de animais silvestres, como tigres e onças, e com diversos elementos remetendo à flora amazônica – e com direito a um telão com uma cachoeira. Todas as alegorias estavam muito bem acabadas e com cores bastante fortes.

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Fantasias

Sempre com adereços como tiras e costeiros, as fantasias da Imperador do Ipiranga para o carnaval 2023, quando comparadas às coirmãs anteriores, eram de bom para ótimo nível de materiais mais caros. Com cromias bastante diferentes de acordo com o setor em que estavam (amarelo e azul no primeiro setor; amarelo e vermelho no segundo e verde no terceiro), praticamente todas estavam com bom acabamento.

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Uma única ala, majoritariamente rosa e com temática mais infantil, tinha alguns detalhes em azul no costeiro que sentiam o efeito da chuva, prejudicando os detalhes em azul.

A chuva, por sinal, foi um fator importante para as fantasias, como dito anteriormente. Mais pesadas e já com um luxo destacado na concepção, elas tornaram-se mais pesadas – e prejudicaram a mobilidade dos componentes em alguns momentos.

Evolução

Se a chuva deu uma trégua na primeira metade do desfile, ela caiu nas escolas que desfilaram antes da Imperador – e deixaram as fantasias mais pesadas. A passarela úmida também foi um fator que prejudicou a Evolução dos componentes, com receio de escorregões e movimentos mais bruscos.

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O retorno da chuva, já na metade final da apresentação, confirmou a impressão de que a escola, embora cantasse bem o samba-enredo e correspondesse plenamente na Harmonia, teve movimentos mais discretos, não sendo uma das escolas mais leves ao longo da noite.

O recuo da bateria teve movimentos ousados. Os ritmistas da Só Quem É avançaram até além da Arquibancada Monumental, viraram e entraram. O buraco foi ocupado por uma única pessoa, um dos destaques do carnaval 2023: Rhawane Izidoro, Rainha da bateria e também do carnaval paulistano no ano. Ela foi até além do espaço destinado aos ritmistas, voltando tão logo a ala subsequente ocupou o espaço. Vale destacar que a ala que estava à frente seguiu avançando, a despeito do espaço deixado.

O grande contratempo não apenas no quesito, mas, também, em toda a apresentação, foi a aceleração nos instantes finais do desfile para encerrar a exibição dentro da cronometragem permitida.

Outros destaques

A escola entrou motivada no Anhembi por conta de um discurso mais do que especial: quem falou aos componentes foi seo Larte Toporcov, um dos fundadores da agremiação. Falando em tradição na escola, a tradicionalíssima ala de ciganas da Imperador do Ipiranga veio coreografada – por sinal, a única que utilizou tal artifício na escola.

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Sem executar grandes convenções, a Só Quem É, comandada por Mestre Thiago Praxedes, conduziu bem o ritmo do samba-enredo, com grande sintonia com o carro de som e sem mudança de andamento – apesar do encerramento da apresentação já no adiantado da hora.

Primeira da Cidade Líder faz grande desfile em homenagem ao Salgueiro

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A homenagem para a escola do Rio de Janeiro deu certo. A Primeira da Cidade Líder mostrou organização e ousadia em seu desfile. Há de se destacar a forma como a agremiação contou o enredo do Salgueiro. Apesar de ser um desfile menor, como é o Acesso II, tudo foi muito bem apresentado. No decorrer da apresentação, notou-se várias homenagens a figuras da ‘Academia do Samba’. O canto da comunidade foi muito forte. O samba-enredo e as bossas da ‘Batucada de Primeira’, que fazia o tradicional funk, levantaram a arquibancada. Vale destacar que apesar da chuva e pista molhada, casal de mestre-sala e porta-bandeira fizeram grandes apresentações. A escola terminou o desfile com 47 minutos. O enredo é intitulado como “70 Anos de Uma Escola Diferente, Lá vem Salgueiro”.

Comissão de frente

A ala, que é comandada pelo coreógrafo Robson Sambista, desfilou representando malandros típicos do morro salgueirense. Obviamente o hino da escola faz várias citações aos enredos da história da agremiação carioca. A fantasia usada foi simples, porém de fácil entendimento. Todos os integrantes usavam roupas inteiramente brancas com gravatas vermelhas e chapéus também na cor do uniforme, representando a típica malandragem. Se for fazer uma alusão presente, lembrou muito o enredo do Salgueiro de 2016.

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Vale destacar que a pistava estava molhada e os integrantes desfilaram debaixo de chuva. Não era intensa, mas suficiente para atrapalhar. Porém não foi nenhum problema para os componentes, que conseguiram evoluir com tranquilidade. Não houve quedas, escorregões e demais turbulências.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Analisando o casal Fabiano e Sandra do setor B até a torre 8, deu para notar uma grande apresentação da dupla. Mesmo com a pista molhada, ambos conseguiram executar os movimentos com maestria. Esbanjaram simpatia, sorriso e os toques de mãos foram feitos de forma sincronizada. Na hora de mostrar o pavilhão para os jurados, fizeram com bastante delicadeza e segurança. A fantasia usada também ajudou o casal, pois aparentemente era leve e os movimentos foram facilitados devido a isso.

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Harmonia

O canto da escola se fez muito presente. Apesar de desfilar ‘enxuta’, a Primeira da Cidade Líder trabalhou bastante a questão da harmonia com a comunidade. A comprovação de tal feito foi quando as bossas da bateria ‘Batucada de Primeira’ foram realizadas. Houve um pequeno apagão no verso ‘explode coração’. De fato, o volume das vozes explodiu neste momento.

Vale destacar que apesar do desempenho do canto da comunidade ter tido um desempenho satisfatório no total, tiveram alguns componentes que não sabiam certas partes do samba.

Enredo

“70 Anos de Uma Escola Diferente, Lá vem Salgueiro” é o tema que foi abraçado pela comunidade da Primeira da Cidade Líder. Uma singela homenagem à grande agremiação carioca. Apesar de o desfile ser pequeno, deu para colocar muitas coisas importantes dentro dele. A escola conseguiu contar muito bem a história do Salgueiro. Ao longo da apresentação na pista, deu para ver várias citações aos maiores feitos da entidade do Rio de Janeiro. Destaque principal para a segunda alegoria, onde havia várias personalidades, como Joãozinho Trinta, Fernando Pamplona, Quinho e fotos de vários outros desfiles históricos.

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Evolução

A evolução da escola foi executada de forma satisfatória. Pudemos observar uma agremiação bem compactada dentro da avenida, alas organizadas e sem buracos. Dentro das próprias alas, a velocidade da evolução foi prejudicada devido à pista molhada. Aparentemente os próprios componentes quiseram se precaver para evitar riscos.

Samba-Enredo

É um dos sambas mais animados do grupo. Embalados pelo intérprete Thiago Melodia, a comunidade da Primeira da Cidade Líder teve um desempenho satisfatório. Além da melodia satisfatória e animada para priorizar o componente, é uma obra rica que conta a história muito bem do Salgueiro. Isso é muito bem respeitado dentro do desfile.

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Fantasias

A escola tomou um grande cuidado com suas vestimentas. As fantasias eram muito bem acabadas e com um material de primeira. Algumas alas mostraram muito luxo. Destaque para a primeira ala após a primeira alegoria, onde houve um grande misto de cores. Foram separadas três fantasias diferentes em filas e deu um belo contraste dentro da ala.

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Destaque para as fantasias das baianas, que era toda branca e tinha muito brilho. No centro da vestimenta, imagem do orixá Xangô.

Alegorias

O carro abre-alas foi apresentado como esculturada de uma espécie de guardiões, onde neles havia o cordão do Salgueiro e da Primeira Cidade Líder. Na parte de trás e mais alto no carro, se avistava a imagem do Cristo Redentor. Tudo isso na cor vermelho predominante. Na frente havia sistema de iluminação.

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A segunda alegoria claramente era ‘Peguei um Ita no norte’. Era um barco que levava várias pessoas. Nas laterais, havia bandeiras de ambas as escolas e, na parte de baixo, imagens de personalidades, acontecimentos e desfiles históricos do Salgueiro. Na frente, uma escultura de Xangô se destacava. O acabamento foi bem feito e a Primeira da Cidade Líder não teve problemas.

Outros destaques

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A bateria ‘Batucada de Primeira’, de mestre Alê, ousou bastante no desfile. Executou a famosa bossa do funk que a ‘Academia do Samba’ já fez bastante, especialmente nos anos 90. Outra bossa destaque fica nos últimos versos, onde há um pequeno apagão no verso ‘explode coração’.

Brinco da Marquesa celebra as festas brasileiras em desfile leve e de fácil leitura do enredo

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A Brinco da Marquesa foi a terceira escola a desfilar neste sábado pelo Grupo de Acesso II. Com destaque para o agradável samba e simpáticas fantasias e alegorias, a escola fez uma apresentação simples, com potencial para se manter na divisão, finalizando o desfile com 48 minutos. O enredo apresentado foi “É Festa!! No Brasil é alegria o ano inteiro. A Marquesa comemora com você”.

Comissão de Frente

A comissão de frente da Brinco da Marquesa, liderada pelo coreógrafo Danilo Pacheco, representou em sua dança a diversão do povo brasileiro nas festas populares. Vestidos de Pierrot e com máscaras de baile na mão, os atores fizeram uma coreografia simples, com movimentos não muito ousados. O costeiro das fantasias, volumosos, acabou atrapalhando em dados momentos da apresentação no primeiro módulo de jurados. Com o tempo, os dançarinos ganharam confiança e foram melhorando na passagem pelos outros módulos, chegando ao quarto com mais harmonia e graciosidade.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal da Marquesa, formada por Samuel e Juliana Ferreira, apresentou bom desempenho. Houve um pouco de falha no sincronismo nas finalizações dos giros, mas foi possível perceber que a dupla transmitia segurança um para o outro, trocando sorrisos e dançando de forma leve. Destaque para o mestre-sala, que em dados momentos, nas duas cabines em que foram observados, fez um movimento com o pé no próprio eixo, enquanto a porta-bandeira o circundava, o qual parecia que todo o resto do corpo estava estático, impressionando o público. O bailado do dançarino foi contagiante, e mostrou grande potencial de ascender neste mundo tão competitivo dos casais. A porta-bandeira também chamou atenção por sempre manter o pavilhão firme no braço, com giros confiantes e leves, e sem enrolar em nenhum momento em que foi observada.

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Harmonia

Foi um quesito deficitário no desfile da Marquesa. A harmonia passou pela Avenida morna, com poucos componentes cantando o samba. A ala que representou a Oktoberfest continha quase uma linha inteira de componentes evoluindo calados e com expressão séria bem em frente ao primeiro módulo de jurados. As graciosas baianas da Marquesa, por outro lado, se destacaram positivamente representando a lavagem do Bonfim e cantando o bom samba da escola.

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Enredo

A Brinco da Marquesa trouxe uma concepção plástica muito simples. Isso não significa que tornou o desfile de difícil compreensão. Pelo contrário, a proposta do enredo de falar das festas que ocorrem no Brasil ao longo do ano foi muito bem transmitida pelas alegorias e fantasias, e quem não entendeu o enredo certamente não viu o desfile. Festas de todos os tipos e de todos os cantos do Brasil foram representadas, e nenhuma grande celebração brasileira ficou de fora. Ótimo desempenho da escola nesse quesito.

Evolução

A escola evoluiu com tranquilidade por boa parte do tempo de desfile, porém, houve muitos espaços entre alas. A Marquesa apostou em destaques entre determinadas alas, mas os componentes da linha da frente em geral tinham dificuldades de se manter assim. Se algo foi positivo nisso é que as alas no geral estavam livres para brincar o carnaval. Ao final do desfile, foi percebida uma aceleração no ritmo para fechar os portões aos 48 minutos. Poderiam ter tido mais calma, se for observar pelos três minutos de sobra.

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Samba-Enredo

Um samba contagiante, que conta bem o enredo e levanta bem o público mesmo tendo uma pegada leve. É o tipo de obra que dá para ouvir numa lista de reprodução geral de carnaval que ninguém achará ruim. Os refrãos têm uma construção de versos rica, e cumprem seu papel individualmente. A ala musical, liderada pelo intérprete Buiu MT, teve grande atuação e ajudaram a escola a ter grande desempenho no quesito ao longo de todo o desfile.

Fantasias

Como já ressaltado no quesito enredo, as fantasias da Marquesa eram todas muito simples, mas o grande trunfo delas foi a facilidade de leitura. Um copo gigante com chapéus de bandeiras do Brasil e Alemanha é o tipo de fantasia que muitos adorariam vestir em um baile de carnaval. A Festa do Peão de Barretos, muito bem representada por vaqueiros com costeiros de um clássico adesivo de baú de caminhão. Referências para todos os gostos e de todos os lados. Esteticamente, a Marquesa mais divertiu do que impressionou, o que não deixa de ser uma forma de mandar bem em um desfile de carnaval.

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Alegorias e Adereços

Dois carros alegóricos de acabamento bem simples, um no começo e outro no fim da escola, ilustraram o desfile da melhor forma que poderiam fazer. O abre-alas, que fez referência a festas religiosas, no geral foi agradável de se ver, mas teve um erro de ortografia em uma das faixas do adorno traseiro, que representava os meses do ano. A que fazia referência ao mês de outubro veio escrita “OTUBRO”, sendo que era explícito que havia espaço ali para a letra que estava faltando. O último carro representou diferentes estilos musicais presentes no carnaval brasileiro, e fez um bom papel de dar desfecho ao desfile da Brinco da Marques.

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Outros destaques

A bateria “Fantástica”, liderada pelo mestre Juan Cotto, contribuiu para o clima agradável da celebração da Brinco da Marquesa com bossas pontuais e de bom gosto. A corte da bateria, liderada pela Rainha Thamires, fez sua parte se exibindo com graça, belas fantasias e interagindo com o público constantemente.