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Ala musical e bateria se destacam em desfile irregular da Leandro de Itaquera

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Sétima escola a desfilar na noite, a Leandro de Itaquera fez uma apresentação que deixou a desejar. Pelo que se viu na pista, dá para concluir que a agremiação irá brigar pelas posições de baixo da tabela. Um dos únicos destaques positivos foi a bateria ‘Batucada de Leão’, comandada pelo mestre Pelé, que deu um belo andamento ao samba-enredo. A dupla de cantores Rodrigo Jacopetti e Tays Calhado, o casal José Luis e Juliana também tiveram um desempenho satisfatório. Nos demais quesitos a escola enfrentou problemas. “Batuque, a Força da Raíz”, é um enredo reeditado de 1992. A escola terminou o desfile com 48 minutos.

Comissão de frente

A ala, que é comandada pelo coreógrafo Marcelo Gomes, tinha como termômetro a coreografia de tribos. Nessa apresentação, o movimento parecia de afros ou indígenas, mas o fato é que era uma invocação a algo. A comissão contava com um pequeno tripé, cujo nele subia um personagem principal. Após, os outros componentes faziam uma espécie de saudação a ele. Outro fato que aconteceu foram os vários momentos em que a ala saudava o público. Os integrantes se alinhavam e apontavam para cima.

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Um fato negativo que aconteceu é que no decorrer do desfile, mais precisamente depois do recuo de bateria, um costeiro de uma integrante soltou e ficou pendurado nas costas dela. Os próprios companheiros tentaram arrumar rapidamente, mas não conseguiram. Ainda nas fantasias, caiu um pedaço de pelúcia de outro componente, que ficou na pista e foi retirada pelo apoio do segundo casal, que vinha logo atrás.

Mestre-sala e Porta-bandeira

José Luis e Juliana, executaram um bailado seguro. Desfilaram sorridentes o tempo todo. Há de se ressaltar que diferente da maioria das agremiações, o casal da Leandro de Itaquera não vai na frente da escola. Eles desfilam no segundo setor. Com um pavilhão bordado em lantejoulas, à moda antiga, a dupla conseguiu realizar movimentos sincronizados frente às torres após o setor B, que estava em análise.

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Dentre as fantasias da Leandro, a do casal é a única que se destaca pela criatividade. Vieram de vermelho e o mestre-sala segurava o martelo de xangô. Porém o acabamento estava a desejar.

Harmonia

Por ser uma reedição, se esperava um canto forte da comunidade. É um samba famoso dentro da escola, porém, por algum motivo, não fluiu. Os componentes não faziam esforço nenhum para cantar e o departamento de harmonia não estava conseguindo influir os desfilantes. A única parte cantada fortemente foi quando a bateria realizou um apagão no minuto 27 do desfile. De resto, o desempenho do quesito foi preocupante.

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Enredo

“Batuque, a Força da Raíz”, é uma reedição do carnaval de 1992. Tem um belo samba que foi bem adaptado para 2023. Porém, apesar das fantasias simples, não dá para ter uma clara leitura ao público. Ficou difícil saber qual setor significa qual história. A primeira alegoria, que foi apresentada no estilo afro e a comissão de frente, deu para ter uma certa noção do que viria pela frente. Entretanto, no decorrer do desfile, nada ficou claro.

Evolução

A escola teve uma evolução protocolar. Foi um tanto satisfatório. Não houve buracos e nem tanta empolgação entre as alas. Provavelmente não haverá tanta penalização em cima disso. Há de se ressaltar o grande trabalho que a escola fez na entrada do recuo de bateria. Enquanto a batucada entrava, as passistas preencheram rapidamente o espaço técnico. Ao todo, foi um quesito em que a Leandro teve certa segurança.

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Samba-Enredo

É um samba diferente do habitual. Por ser dos anos 90, se imaginava um andamento diferente, mas desde o pré-carnaval se viu a ala musical fazendo um grande trabalho e colocando a trilha-sonora no estilo da escola. Vale destacar o grande trabalho da dupla Rodrigo Jacopetti e Tays Calhado. Essa última pode ser uma grande revelação do carnaval paulistano. Com o tempo pode amadurecer a voz e comandar melhor um carro de som.

Fantasias

Um quesito que deixou extremamente a desejar. Além de falhas de acabamento, se via uma simplicidade muito grande. Com isso, como dito anteriormente, a leitura ficou prejudicada. Não há nada para se destacar em relação ao quesito.

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Alegorias

A primeira, aparentemente representava a África. Na frente do carro estava o nome da escola e a escultura de um leão, que é o símbolo da escola. Tudo iluminado. Na parte de trás, apareciam elementos e esculturas africanas, remetendo ao continente.

A segunda alegoria não deu para ter uma leitura concreta do que significa, mas o fato é que na frente vinha duas esculturas de elefante e uma imagem do boi-bumbá. Na parte de trás, esculturas de baianas.

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Outros destaques

A bateria ‘Batucada de Leão’, regida por mestre Pelé, foi o destaque da escola nesta noite. A batucada tem um andamento grande, surdos potentes e executou bossas que embalaram a comunidade e arquibancada, especialmente o apagão que fizeram ao carro de som no minuto 27.

Ala das baianas desfilaram com uma fantasia toda amarela segurando uma boneca de brinquedo.

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Uirapuru da Mooca apresenta os seres e lendas da Amazônia em desfile embalado por samba valente

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A Uirapuru da Mooca foi a sexta escola a desfilar no Sambódromo do Anhembi neste sábado, dia 11 de fevereiro, pelo Grupo de Acesso II do Carnaval de 2023. Com destaque para a comissão de frente bem ensaiada e o samba de fácil leitura nas alas, a escola finalizou sua apresentação com 49 minutos após início sob garoa e pista ainda molhada, mas que não comprometeu o desfile. A Uirapuru este ano apresentou o enredo “Amazônia: Terra do Uirapuru – Salve os donos da terra e suas lendas”, assinado pelo carnavalesco Antônio Carlos Ghiraldini.

Comissão de Frente

A comissão de frente da Uirapuru da Mooca, liderada pela coreógrafa Giovanna Lacerda, fez uma coreografia no ritmo dos versos do samba, os acompanhando durante toda a passagem da música. Os dançarinos vieram representando guerreiros indígenas, com costeiros amplos de penas artificiais. Uma boa coreografia, com movimentos bem sincronizados e os atores participativos ao longo da pista, não apresentando irregularidades enquanto foram observados.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Anderson Guedes e Pâmela Yuri fizeram uma boa apresentação no primeiro módulo. O casal apresentou o pavilhão com elegância e leveza e realizou giros bem sincronizados. O Mestre-Sala bailou diante do girar da Porta-Bandeira com disposição, e a dupla concluiu sua apresentação no módulo de maneira satisfatória. No quarto módulo, porém, Anderson realizou giros lentos durante o minueto, dando as costas para a Pâmela de forma acintosa e que pode render dedução de pontos do jurado.

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Harmonia

Um quesito positivo no ensaio técnico que acabou não tendo o mesmo desempenho neste desfile. O ponto chave do refrão do samba, com um grito entre os versos três e quatro não teve a mesma reação energética da parte dos componentes de outrora. As alas cinco e seis, que vieram representando pescadores e corujas, respectivamente, se destacaram positivamente, com direito a própria coreografia mesmo não sendo caracterizável como ala coreografada, cantando de maneira animada. No geral, desempenho morno do quesito, com muita irregularidade e componentes evoluindo calados ou enganando, fingindo mascar chiclete ou balbuciando, indícios de que não sabiam cantar o samba.

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Enredo

Um enredo de fácil leitura ao longo de todo o desfile. Os dois carros alegóricos representavam os elementos que as alas de trás trouxeram de maneira fiel. O primeiro setor representou os animais, plantas e pessoas que vivem na Amazônia, enquanto o segundo setor representou as lendas da região. As alas se encaixavam sequencialmente com os versos do samba, o que tornou a leitura do enredo ainda mais simples. Quesito de atuação positiva da escola.

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Evolução

A evolução da Uirapuru foi irregular em diferentes momentos do desfile. Alas com linhas muito espaçadas dentro de si mesmas, e uma acelerada no ritmo na parte final do desfile para fechar no tempo podem ser motivo de penalização da parte dos jurados. A escola terminou seu desfile com 49 minutos, o que explica a redução do ritmo nos momentos finais.

Samba-Enredo

A Uirapuru apresentou um bom samba, que se encaixou muito bem dentro de todo o contexto do desfile. O carro de som liderado pelo intérprete André Ricardo teve bom desempenho, dando um ritmo adequado para a escola realizar uma boa evolução. A obra permitiu o encaixe de boas bossas por parte da bateria “Moocadência”, e contribuiu positivamente para a apresentação da escola.

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Fantasias

Um conjunto de fantasias de fácil leitura no geral, que cumpre seu papel de contar o enredo. Algumas soluções em certas fantasias, porém como o enorme costeiro junto à cabeça em forma de arara utilizado pela ala das baianas, que visivelmente deixou as mães do samba desconfortáveis. Nem todos eram mulheres nessa ala, inclusive, mas um dos rapazes que preencheu espaço não parecia nada feliz de estar ali, andando a pista toda com expressão bastante fechada. A ala que representa os animais da floresta amazônica apresentou erros de acabamento, com alguns dos animais fixados aos costeiros caindo ao longo da passagem da escola.

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Alegorias

Um curioso caso em que o segundo carro é mais bonito que o primeiro. O abre-alas da Uirapuru apostou em tecidos de plotter na base, igual ao utilizado na saia das baianas. Ventos da concentração parecem ter levado tiras de tecido para cima de esculturas. A palha de um acabamento na parte de trás se esparramou pelas folhas do lado esquerdo da alegoria, demonstrando que o carro não foi bem cuidado pela escola após chegar ao Anhembi. A segunda alegoria, porém, teve impacto muito positivo e ilustrou bem as lendas da Amazônia, com direito a uma serpente na frente em referência ao boitatá que movia até mesmo os olhos.

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Outros destaques

A rainha de bateria, Acassia Nascimento, veio representando uma guerreira amazônica em uma fantasia que foi capaz de não apenas enaltecer sua beleza, como também se encaixar bem ao enredo. A monarca representou muito bem a bateria “Moocadência”, liderada pelo mestre Murilo Borges, que fez bom proveito das oportunidades que o samba deu, realizando várias bossas seguidas e de bom gosto.

Mesmo com dificuldades com o cronômetro, Imperador se reconhece e briga por acesso

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Tradicionalíssima escola de samba do carnaval de São Paulo, a Imperador do Ipiranga cantou o sincretismo religioso no ano de 2023. A escola da Zona Sul da cidade soube unir muito bem todas as pontas do enredo “Gratidão, Fé e Amor… Vem! Sou Imperador”, com destaque para a comissão de frente e com uma atuação ousada e convincente do casal de mestre-sala e porta-bandeira da agremiação, que souberam driblar a passarela molhada e a chuva que voltou a cair no final da apresentação. Fechando o desfile com 49 minutos (apenas um abaixo do limite permitido pelo regulamento), a exibição teve alguns desafios na evolução já na parte final.

Enredo

Mostrar o sincretismo religioso de um país de dimensões continentais como o Brasil é sempre uma tentação e um desafio. A Imperador do Ipiranga soube trabalhar tudo isso no desfile com o tema “Gratidão, Fé e Amor… Vem! Sou Imperador”, desenvolvido pelo carnavalesco Ivan Pereira.

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Cada setor era temático. O primeiro falava da fé cristã; o segundo, de religiões de origem africana; e, o terceiro, das crenças indígenas. Havia, entretanto, pontos de ligação entre cada um eles. O barco que encontrou Nossa Senhora Aparecido foi utilizado para saudar Iemanjá, a rainha do mar para o candomblé e para a umbanda. Os mares levaram o desfile para a Amazônia, com direito a representação dos bois-bumbá de Parintins, Garantido e Caprichoso.

Toda a evolução do enredo, por sinal, foi colocada no samba-enredo e foi perfeitamente compreendida pelos presentes.do

Comissão de frente

Ao contrário da maioria das comissões de frente do carnaval paulistano, a da Imperador do Ipiranga pôde entrar tão logo a sirene tocou. O motivo foi conhecido logo na segunda passagem do samba: os componentes não marcavam a canção – algo que se tornou tradicional em São Paulo.

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Se não era uma das coreografias mais longas do carnaval da cidade (cada passagem durava menos que um setor das arquibancadas), ela impressionava. Dividida em dois momentos, ela tinha como estrela Nossa Senhora Aparecida. No primeiro ato, pescadores buscavam peixes e não tinham sucesso. Eis que encontram a imagem da santa negra, na representação do que aconteceu no século XVIII, no Vale do Paraíba (São Paulo), e a pescaria passa a ser farta.

Logo depois, o barco levanta e o fundo da embarcação se torna a imagem da santa, com pessoas louvando a imagem e algumas representações de milagres. Certamente uma das grandes comissões de frente do ano, muito bem idealizada e coreografada por Renata Coppola.

Vale destacar que, ao contrário do que poderia ser imaginado, a descoberta da imagem da santa e/ou a mudança do ato, momentos mais marcantes da coreografia, não aconteceram na frente da segunda cabine de jurados.

Mestre-sala e Porta-bandeira

A fantasia de Naiomy Pires, porta-bandeira da escola, era um destaque à parte. Fantasiada como a própria Nossa Senhora Aparecida, com o manto azul característico, ela conduziu muito bem o pavilhão em uma passarela molhada – embora com ventos mais amigáveis.

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Mostrando muita sincronia com Vitor Barbosa, ambos souberam equilibrar bem as interações com o samba e os giros – sendo bastante aplaudidos pela Arquibancada Monumental, que valorizou a dança em meio à pista úmida. Por sinal, vale destacar o samba no pé do mestre-sala, que foi até o limite ao bailar – e não teve erro técnico algum, nem mesmo para desfraldar o pavilhão. Exibição bastante convincente da dupla, que foi saudada na Arquibancada Monumental.

Vale pontuar que o casal dançava bem próximo um do outro, sem ser observado resvalões ou algum momento de falta de sincronia. As duas fantasias tinham predominância das cores azul e dourada – que, juntamente com o branco, formam a cromia da escola.

Harmonia

Comandada por Vagner Eduardo Siqueira Salum, popularmente conhecido como Guinê, a escola teve canto destacado. O samba-enredo, é bem verdade, bastante simples e com poucas palavras desconhecidas do grande público, ajudou. Mesmo assim, o trabalho desenvolvido pelo staff foi destacado, com canto bastante regular e satisfatório em todos os setores do desfile.

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Com o canto sem problema algum, os staff ficaram mais atentos ao alinhamento de componentes em cada ala. Por vezes, é bem verdade, havia algum deslize – logo corrigido pelos harmonia no corredor. Vale destacar, também, que os próprios componentes orientavam foliões que estavam à frente ou ao lado caso sentissem algum desalinhamento. paulistano”

Samba-Enredo

É nítido observar que o samba-enredo caiu no gosto do ipiranguense. Muito bem conduzido por Rodrigo Atração (vestido de índio para a apresentação) e pelo carro de som da escola, o canto de toda a escola foi regular e em bom tom.

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Como dito anteriormente, também vale destacar que a associação da canção escolhida pela escola com as alas, carros alegóricos e com tudo que era visto na passarela era evidente e imediata – facilitando a leitura de quem estava na arquibancada e, por tabela, gerando mais identificação e canto.

Alegorias

O abre-alas da Imperador do Ipiranga era inteiro trabalhado na fé cristã. Além da coroa, símbolo da escola, a imagem de Nossa Senhora Aparecida era vista no segundo carro, acoplado, à frente de uma imagem de Jesus Cristo bem destacada. No meio do desfile e de uma ala, aparecia um tripé com a imagem de Iemanjá (ou Janaína), rainha do mar. Por fim, quase encerrando o desfile, uma alegoria com um índio e um afrodescendente cercado de animais silvestres, como tigres e onças, e com diversos elementos remetendo à flora amazônica – e com direito a um telão com uma cachoeira. Todas as alegorias estavam muito bem acabadas e com cores bastante fortes.

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Fantasias

Sempre com adereços como tiras e costeiros, as fantasias da Imperador do Ipiranga para o carnaval 2023, quando comparadas às coirmãs anteriores, eram de bom para ótimo nível de materiais mais caros. Com cromias bastante diferentes de acordo com o setor em que estavam (amarelo e azul no primeiro setor; amarelo e vermelho no segundo e verde no terceiro), praticamente todas estavam com bom acabamento.

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Uma única ala, majoritariamente rosa e com temática mais infantil, tinha alguns detalhes em azul no costeiro que sentiam o efeito da chuva, prejudicando os detalhes em azul.

A chuva, por sinal, foi um fator importante para as fantasias, como dito anteriormente. Mais pesadas e já com um luxo destacado na concepção, elas tornaram-se mais pesadas – e prejudicaram a mobilidade dos componentes em alguns momentos.

Evolução

Se a chuva deu uma trégua na primeira metade do desfile, ela caiu nas escolas que desfilaram antes da Imperador – e deixaram as fantasias mais pesadas. A passarela úmida também foi um fator que prejudicou a Evolução dos componentes, com receio de escorregões e movimentos mais bruscos.

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O retorno da chuva, já na metade final da apresentação, confirmou a impressão de que a escola, embora cantasse bem o samba-enredo e correspondesse plenamente na Harmonia, teve movimentos mais discretos, não sendo uma das escolas mais leves ao longo da noite.

O recuo da bateria teve movimentos ousados. Os ritmistas da Só Quem É avançaram até além da Arquibancada Monumental, viraram e entraram. O buraco foi ocupado por uma única pessoa, um dos destaques do carnaval 2023: Rhawane Izidoro, Rainha da bateria e também do carnaval paulistano no ano. Ela foi até além do espaço destinado aos ritmistas, voltando tão logo a ala subsequente ocupou o espaço. Vale destacar que a ala que estava à frente seguiu avançando, a despeito do espaço deixado.

O grande contratempo não apenas no quesito, mas, também, em toda a apresentação, foi a aceleração nos instantes finais do desfile para encerrar a exibição dentro da cronometragem permitida.

Outros destaques

A escola entrou motivada no Anhembi por conta de um discurso mais do que especial: quem falou aos componentes foi seo Larte Toporcov, um dos fundadores da agremiação. Falando em tradição na escola, a tradicionalíssima ala de ciganas da Imperador do Ipiranga veio coreografada – por sinal, a única que utilizou tal artifício na escola.

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Sem executar grandes convenções, a Só Quem É, comandada por Mestre Thiago Praxedes, conduziu bem o ritmo do samba-enredo, com grande sintonia com o carro de som e sem mudança de andamento – apesar do encerramento da apresentação já no adiantado da hora.

Primeira da Cidade Líder faz grande desfile em homenagem ao Salgueiro

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A homenagem para a escola do Rio de Janeiro deu certo. A Primeira da Cidade Líder mostrou organização e ousadia em seu desfile. Há de se destacar a forma como a agremiação contou o enredo do Salgueiro. Apesar de ser um desfile menor, como é o Acesso II, tudo foi muito bem apresentado. No decorrer da apresentação, notou-se várias homenagens a figuras da ‘Academia do Samba’. O canto da comunidade foi muito forte. O samba-enredo e as bossas da ‘Batucada de Primeira’, que fazia o tradicional funk, levantaram a arquibancada. Vale destacar que apesar da chuva e pista molhada, casal de mestre-sala e porta-bandeira fizeram grandes apresentações. A escola terminou o desfile com 47 minutos. O enredo é intitulado como “70 Anos de Uma Escola Diferente, Lá vem Salgueiro”.

Comissão de frente

A ala, que é comandada pelo coreógrafo Robson Sambista, desfilou representando malandros típicos do morro salgueirense. Obviamente o hino da escola faz várias citações aos enredos da história da agremiação carioca. A fantasia usada foi simples, porém de fácil entendimento. Todos os integrantes usavam roupas inteiramente brancas com gravatas vermelhas e chapéus também na cor do uniforme, representando a típica malandragem. Se for fazer uma alusão presente, lembrou muito o enredo do Salgueiro de 2016.

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Vale destacar que a pistava estava molhada e os integrantes desfilaram debaixo de chuva. Não era intensa, mas suficiente para atrapalhar. Porém não foi nenhum problema para os componentes, que conseguiram evoluir com tranquilidade. Não houve quedas, escorregões e demais turbulências.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Analisando o casal Fabiano e Sandra do setor B até a torre 8, deu para notar uma grande apresentação da dupla. Mesmo com a pista molhada, ambos conseguiram executar os movimentos com maestria. Esbanjaram simpatia, sorriso e os toques de mãos foram feitos de forma sincronizada. Na hora de mostrar o pavilhão para os jurados, fizeram com bastante delicadeza e segurança. A fantasia usada também ajudou o casal, pois aparentemente era leve e os movimentos foram facilitados devido a isso.

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Harmonia

O canto da escola se fez muito presente. Apesar de desfilar ‘enxuta’, a Primeira da Cidade Líder trabalhou bastante a questão da harmonia com a comunidade. A comprovação de tal feito foi quando as bossas da bateria ‘Batucada de Primeira’ foram realizadas. Houve um pequeno apagão no verso ‘explode coração’. De fato, o volume das vozes explodiu neste momento.

Vale destacar que apesar do desempenho do canto da comunidade ter tido um desempenho satisfatório no total, tiveram alguns componentes que não sabiam certas partes do samba.

Enredo

“70 Anos de Uma Escola Diferente, Lá vem Salgueiro” é o tema que foi abraçado pela comunidade da Primeira da Cidade Líder. Uma singela homenagem à grande agremiação carioca. Apesar de o desfile ser pequeno, deu para colocar muitas coisas importantes dentro dele. A escola conseguiu contar muito bem a história do Salgueiro. Ao longo da apresentação na pista, deu para ver várias citações aos maiores feitos da entidade do Rio de Janeiro. Destaque principal para a segunda alegoria, onde havia várias personalidades, como Joãozinho Trinta, Fernando Pamplona, Quinho e fotos de vários outros desfiles históricos.

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Evolução

A evolução da escola foi executada de forma satisfatória. Pudemos observar uma agremiação bem compactada dentro da avenida, alas organizadas e sem buracos. Dentro das próprias alas, a velocidade da evolução foi prejudicada devido à pista molhada. Aparentemente os próprios componentes quiseram se precaver para evitar riscos.

Samba-Enredo

É um dos sambas mais animados do grupo. Embalados pelo intérprete Thiago Melodia, a comunidade da Primeira da Cidade Líder teve um desempenho satisfatório. Além da melodia satisfatória e animada para priorizar o componente, é uma obra rica que conta a história muito bem do Salgueiro. Isso é muito bem respeitado dentro do desfile.

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Fantasias

A escola tomou um grande cuidado com suas vestimentas. As fantasias eram muito bem acabadas e com um material de primeira. Algumas alas mostraram muito luxo. Destaque para a primeira ala após a primeira alegoria, onde houve um grande misto de cores. Foram separadas três fantasias diferentes em filas e deu um belo contraste dentro da ala.

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Destaque para as fantasias das baianas, que era toda branca e tinha muito brilho. No centro da vestimenta, imagem do orixá Xangô.

Alegorias

O carro abre-alas foi apresentado como esculturada de uma espécie de guardiões, onde neles havia o cordão do Salgueiro e da Primeira Cidade Líder. Na parte de trás e mais alto no carro, se avistava a imagem do Cristo Redentor. Tudo isso na cor vermelho predominante. Na frente havia sistema de iluminação.

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A segunda alegoria claramente era ‘Peguei um Ita no norte’. Era um barco que levava várias pessoas. Nas laterais, havia bandeiras de ambas as escolas e, na parte de baixo, imagens de personalidades, acontecimentos e desfiles históricos do Salgueiro. Na frente, uma escultura de Xangô se destacava. O acabamento foi bem feito e a Primeira da Cidade Líder não teve problemas.

Outros destaques

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A bateria ‘Batucada de Primeira’, de mestre Alê, ousou bastante no desfile. Executou a famosa bossa do funk que a ‘Academia do Samba’ já fez bastante, especialmente nos anos 90. Outra bossa destaque fica nos últimos versos, onde há um pequeno apagão no verso ‘explode coração’.

Brinco da Marquesa celebra as festas brasileiras em desfile leve e de fácil leitura do enredo

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A Brinco da Marquesa foi a terceira escola a desfilar neste sábado pelo Grupo de Acesso II. Com destaque para o agradável samba e simpáticas fantasias e alegorias, a escola fez uma apresentação simples, com potencial para se manter na divisão, finalizando o desfile com 48 minutos. O enredo apresentado foi “É Festa!! No Brasil é alegria o ano inteiro. A Marquesa comemora com você”.

Comissão de Frente

A comissão de frente da Brinco da Marquesa, liderada pelo coreógrafo Danilo Pacheco, representou em sua dança a diversão do povo brasileiro nas festas populares. Vestidos de Pierrot e com máscaras de baile na mão, os atores fizeram uma coreografia simples, com movimentos não muito ousados. O costeiro das fantasias, volumosos, acabou atrapalhando em dados momentos da apresentação no primeiro módulo de jurados. Com o tempo, os dançarinos ganharam confiança e foram melhorando na passagem pelos outros módulos, chegando ao quarto com mais harmonia e graciosidade.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal da Marquesa, formada por Samuel e Juliana Ferreira, apresentou bom desempenho. Houve um pouco de falha no sincronismo nas finalizações dos giros, mas foi possível perceber que a dupla transmitia segurança um para o outro, trocando sorrisos e dançando de forma leve. Destaque para o mestre-sala, que em dados momentos, nas duas cabines em que foram observados, fez um movimento com o pé no próprio eixo, enquanto a porta-bandeira o circundava, o qual parecia que todo o resto do corpo estava estático, impressionando o público. O bailado do dançarino foi contagiante, e mostrou grande potencial de ascender neste mundo tão competitivo dos casais. A porta-bandeira também chamou atenção por sempre manter o pavilhão firme no braço, com giros confiantes e leves, e sem enrolar em nenhum momento em que foi observada.

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Harmonia

Foi um quesito deficitário no desfile da Marquesa. A harmonia passou pela Avenida morna, com poucos componentes cantando o samba. A ala que representou a Oktoberfest continha quase uma linha inteira de componentes evoluindo calados e com expressão séria bem em frente ao primeiro módulo de jurados. As graciosas baianas da Marquesa, por outro lado, se destacaram positivamente representando a lavagem do Bonfim e cantando o bom samba da escola.

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Enredo

A Brinco da Marquesa trouxe uma concepção plástica muito simples. Isso não significa que tornou o desfile de difícil compreensão. Pelo contrário, a proposta do enredo de falar das festas que ocorrem no Brasil ao longo do ano foi muito bem transmitida pelas alegorias e fantasias, e quem não entendeu o enredo certamente não viu o desfile. Festas de todos os tipos e de todos os cantos do Brasil foram representadas, e nenhuma grande celebração brasileira ficou de fora. Ótimo desempenho da escola nesse quesito.

Evolução

A escola evoluiu com tranquilidade por boa parte do tempo de desfile, porém, houve muitos espaços entre alas. A Marquesa apostou em destaques entre determinadas alas, mas os componentes da linha da frente em geral tinham dificuldades de se manter assim. Se algo foi positivo nisso é que as alas no geral estavam livres para brincar o carnaval. Ao final do desfile, foi percebida uma aceleração no ritmo para fechar os portões aos 48 minutos. Poderiam ter tido mais calma, se for observar pelos três minutos de sobra.

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Samba-Enredo

Um samba contagiante, que conta bem o enredo e levanta bem o público mesmo tendo uma pegada leve. É o tipo de obra que dá para ouvir numa lista de reprodução geral de carnaval que ninguém achará ruim. Os refrãos têm uma construção de versos rica, e cumprem seu papel individualmente. A ala musical, liderada pelo intérprete Buiu MT, teve grande atuação e ajudaram a escola a ter grande desempenho no quesito ao longo de todo o desfile.

Fantasias

Como já ressaltado no quesito enredo, as fantasias da Marquesa eram todas muito simples, mas o grande trunfo delas foi a facilidade de leitura. Um copo gigante com chapéus de bandeiras do Brasil e Alemanha é o tipo de fantasia que muitos adorariam vestir em um baile de carnaval. A Festa do Peão de Barretos, muito bem representada por vaqueiros com costeiros de um clássico adesivo de baú de caminhão. Referências para todos os gostos e de todos os lados. Esteticamente, a Marquesa mais divertiu do que impressionou, o que não deixa de ser uma forma de mandar bem em um desfile de carnaval.

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Alegorias e Adereços

Dois carros alegóricos de acabamento bem simples, um no começo e outro no fim da escola, ilustraram o desfile da melhor forma que poderiam fazer. O abre-alas, que fez referência a festas religiosas, no geral foi agradável de se ver, mas teve um erro de ortografia em uma das faixas do adorno traseiro, que representava os meses do ano. A que fazia referência ao mês de outubro veio escrita “OTUBRO”, sendo que era explícito que havia espaço ali para a letra que estava faltando. O último carro representou diferentes estilos musicais presentes no carnaval brasileiro, e fez um bom papel de dar desfecho ao desfile da Brinco da Marques.

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Outros destaques

A bateria “Fantástica”, liderada pelo mestre Juan Cotto, contribuiu para o clima agradável da celebração da Brinco da Marquesa com bossas pontuais e de bom gosto. A corte da bateria, liderada pela Rainha Thamires, fez sua parte se exibindo com graça, belas fantasias e interagindo com o público constantemente.

Organizada e com evolução destacada, Amizade Zona Leste busca segurança com enredo popular

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Apelido de um dos nomes mais tradicionais e conhecidos do país, a nacionalmente conhecida figura do “Zé” e todas as derivações e complementos surgidas dele foi tema do Amizade Zona Leste, segunda escola a desfilar neste sábado no Grupo de Acesso II do carnaval de São Paulo. Bem organizada, com destaque para a Evolução e segurança do casal de mestre-sala e porta-bandeira e da comissão de frente, a agremiação de São Mateus desfilou em 48 minutos (no agrupamento, são permitidas apresentações até 50 minutos) com o enredo “Do Zé Pelintra ao Zé Ninguém, Qual Zé é Você?”.

Evolução

Não faltou dinamismo e movimentação no desfile da agremiação da Zona Leste paulistana. Com um tema bastante simples e de fácil identificação com toda e qualquer pessoa (seja da plateia ou dos componentes), a escola foi bastante leve para fazer a apresentação de 2023. A grande maioria dos foliões dançavam, se movimentavam e sambavam, interagindo com o samba-enredo, com o carro de som e com quem estava presente no Anhembi.

Os staffs tiveram pouco trabalho para organizar a escola, que não teve problema algum quanto ao ajuntamento de alas, com ótima organização dos responsáveis. Os credenciados pela escola, por sinal, aparentavam bastante tranquilidade.

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Um pequeno deslize foi notado no recuo da bateria. Se o movimento dos ritmistas foi bem executado, com entrada bastante rápida, e se a corte da bateria foi bastante segura ao ocupar o espaço deixado na hora do ato, a ala adiante, que representava os Zés de artes marciais, com quimonos e faixas pretas, seguiu evoluindo. O vácuo permitido foi pequeno e rapidamente ocupado, porém. Até mesmo Camilo Augusto, presidente da organização, estava no momento em que os ritmistas entraram no recuo.

Comissão de frente

No melhor estilo Zé Pilintra (entidade de religiões afro bastante conhecida), os comandados pelo coreógrafo Marcio Akira trouxeram muito samba no pé na coreografia executada por eles – bastante simples, por sinal, marcando o verso que era cantado pelo carro de som e pela escola.

Com roupas predominantemente brancas e detalhes vermelhos, todos eles estavam com um figurino que, além da entidade religiosa, também remetia à gafieira carioca. Não eram todos homens, porém: uma integrante com destaque trajava vermelho com detalhes brancos – vale destacar um conhecido cântico ligado ao Zé Pilintra, que pede para que “a mulher não tenha medo do marido”.

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Com coreografia eficiente e sem grandes ousadias, ela tinha uma pequena apresentação, de pura execução de samba, na frente das cabines. Cabe destacar que em um movimento, quando todos ficavam perfilados e tiravam os chapéus, faltou sincronia para os coreografados que estavam na segunda metade, com alguns tirando os chapéus antes de outros. Por fim, vale destacar o momento em que todos os integrantes ficam alguns segundos parados – movimento raro em escolas de samba.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Buscando trazer pontos para a agremiação, João Lucas e Angélica Paiva tiveram execução bastante segura ao sustentar o pavilhão do Amizade Zona Leste. Com movimentos mais cadenciados e sem tantos giros antes das cabines de jurados, ambos tiveram noite bastante graciosa e sorridente. Em uma noite de poucos ventos, João Lucas não teve grandes problemas para desfraldar o pavilhão da escola, enquanto Angélica aparentava estar bastante leve ao conduzir o símbolo máximo da instituição. Não foram notados erros técnicos no bailado do casal, que teve atuação segura ao longo de todo o desfile.

Alegorias e Adereços

As duas alegorias da escola tiveram concepção bastante diferença. O abre-alas, quase que inteiro em dourado e com detalhes em vermelho, remetia às religiões africanas, com uma escultura de Xangô – sincretizado, justamente, com São José na tradição católica. Com dois carros bem acoplados, o primeiro era uma espécie de santuário com machados (adorno muito ligado a Xangô), enquanto o segundo era mais alto e com componentes.

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Já o outro carro alegórico dava muito destaque para o verde, já que representava a chegada dos portugueses ao Brasil. Com muitas cruzes de malta, destacaram-se os diversos telões na parte de baixo da alegoria, com desenhos remetendo às interações entre europeus e indígenas.

Em alguns pontos das esculturas e dos apoios, havia certa sobra de tecido – nada, porém, quem comprometesse o acabamento de ambos.

Enredo

Para cantar o enredo “Do Zé Pelintra ao Zé Ninguém, Qual Zé é Você?”, o Amizade da Zona Leste optou por um caminho pouco usual: algumas alas não tinham uma leitura quase que imediata – mesmo com o apelido bastante popular em todo o país. Outras, entretanto, traziam um adereço para falar da referência a qual “Zé” a ala fazia.

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O samba, de fácil leitura, entretanto, deixa o papel bem mais simples para o julgador. As próprias alegorias, por sinal, eram de fácil leitura: a primeira também fazia referências a religiões africanas; a segunda tratava da chegada dos portugueses ao Brasil – e, claro, aos Josés que nela vieram. paulistano”

Samba-Enredo

Bastante simples, a canção foi executada com competência por Adauto Jr. e Eliezer PQP, intérpretes da escola. Sem muitos cacos, o carro de som da escola sustentou bem a canção, bastante leve e animada – apesar da dificuldade de comunicação com os integrantes da escola, que pouco cantaram. A sustentação da canção por parte dos ritmistas do Batucada do Amizade, sob a batuta de Mestre Vinicius Nagy, também merece destaques – leia mais em “Outros Destaques”.

Fantasias

Bastante simples, o Amizade Zona Leste apostou em materiais mais em conta para a concepção de boa parte das fantasias de alas. Não faltaram, porém, cores distintas ao longo do desfile (com destaque para o verde, uma das cores da agremiação) e nem qualidade no acabamento de cada uma delas.

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Na frente da primeira cabine de jurados, enquanto executava a dança, a mestre-sala Angélica Paiva viu uma das plumas da fantasia se soltar, ficando no chão – e sendo retirada por um staff logo depois o bailado acabou.

Harmonia

O samba-enredo, bastante simples de ser cantado, tinha forte canto no verso “Canta forte Amizade” – último do refrão. Alguns apagões da Batucada do Amizade ajudavam ainda mais o canto no período. Nos demais instantes, entretanto, os integrantes pouco interagiam com a canção. Quem cantava, fazia de maneira mais discreta e não empolgavam integrantes da própria ala, que seguiam se movimentando, mas sem cantar de maneira estridente.

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A ala que representava Zé Carioca, famoso personagem do universo Disney, foi o destaque negativo, com poucos foliões cantando; já a do Zé Fini, logo atrás, teve canto destacado positivamente.

Como ponto positivo, vale destacar a organização de absolutamente todas as alas, sem mesmo os staffs precisarem de muito trabalho no corredor.

Outros destaques

A corte da Batucada do Amizade, além de engrandecer o desfile, tiveram papel fundamental no recuo da bateria, como já dito anteriormente. Também vale pontuar os diversos apagões dos ritmistas comandados por Mestre Vinicius Nagy – foram ao menos cinco.

Abrindo os desfiles do Acesso II, Imperatriz da Paulicéia faz desfile seguro com o objetivo de se manter

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A Imperatriz da Paulicéia abriu os desfiles do Grupo de Acesso II. Para a escola, foi uma noite muito simbólica, pois a agremiação pôde voltar a desfilar oficialmente no Anhembi. Anteriormente desfilava como bloco pela UESP, até que conseguiu o acesso em 2022. Falando sobre a pista, a Paulicéia realizou um desfile seguro. Claramente para se manter. Levando o enredo sobre a Vila Esperança, a agremiação se destacou por um colorido muito forte. Fantasias e alegorias em tons diferentes em vários momentos da apresentação. A comissão de frente mostrou a alegria que estava por vir no desfile e a bateria da Rafa, primeira mulher da história a comandar uma batucada, executou bossas durante o percurso e conseguiu se destacar também. Além disso, o canto da comunidade foi o principal quesito. Os componentes cantaram forte o samba durante todo o percurso. A Imperatriz da Paulicéia fechou os portões com 46 minutos. O enredo é intitulado como “Bem-vindos à Vila Esperança – O Berço do Carnaval Paulistano”.

Comissão de frente

A ala, que é comandada por Diego Albornoz, se apresentou com todos os integrantes de rostos pintados e fantasias laranja, azul e verde. Por ser um tema com homenagem a um bairro, a comissão de frente optou por levar uma coreografia que remete a alegria. A apresentação foi simples e de fácil leitura. O momento chave acontecia quando um personagem principal com um bastão evoluía na frente dos demais componentes, que faziam fila e saudava o público. Destaque também para um determinado em que um integrante menor da ala fazia acrobacia, subindo no ombro de outro e pulando de volta.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

Analisando o casal em frente ao setor B em diante, Ronaldo e Leila, executaram movimentos corretos, mas apesar disso, dava para ver no rosto de ambos, a demonstração de certa insegurança. Principalmente por parte do mestre-sala, que não sorria. Estava focado apenas na dança e não em demonstrar a elegância que se pede. A apresentação da dupla girou em torno dos movimentos protocolares, que são os giros horários e anti-horários, além dos minuetos.

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Harmonia

Foi o ponto chave da agremiação. Notou-se uma comunidade bastante feliz pelo fato de pisar no Anhembi depois de tanto tempo, pois estava em bloco. O canto se fez presente, a melodia do samba ajuda e o andamento da bateria de mestre Rafa não deixou os componentes parados. O refrão do meio e o principal se destacam no canto da comunidade.

Enredo

O desfile se tratou sobre o bairro da Vila Esperança, cujo é intitulado como “Bem-vindos à Vila Esperança – O Berço do Carnaval Paulistano”. Foi um enredo contado de forma bem simples. O destaque positivo é que a agremiação deu grande destaque às personalidades importantes que tiveram certa história com o bairro, como o Seu Nenê e principalmente Adoniran Barbosa, que foi ilustrado no abre-alas. s à Vila Esperança – O Berço do Carnaval paulistano”.

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Evolução

Houve uma certa tensão na entrada da bateria no recuo. No momento em que os comandados da mestre Rafa entrava, a ala de trás demorou para avançar e a alegoria avançou um pouco demais. Devido a isso, um integrante do departamento de harmonia gritou ‘desesperadamente’ para os merendeiros fazendo sinal para os outros componentes e merendeiros pararem de empurrar o carro alegórico. O espaço técnico foi preenchido apenas pela rainha de bateria Ariê Suyane e a ala que vinha atrás demorou um certo tempo para preencher o espaço. No entanto, o resto da escola evoluiu de forma correta, principalmente dentro das alas. As fileiras estavam bem feitas e os componentes conseguiam dançar e cantar com satisfação.

Samba-Enredo

Como dito anteriormente, é uma obra com melodia feita para o componente se divertir, e foi o que aconteceu. O samba pegou na comunidade e todas as alas cantaram. Destaque para a ala de abertura, que vinha logo em seguida do carro abre-alas. Dá para dizer que o refrão do meio resumiu muito bem a proposta de desfile da Imperatriz. “Bloco e cordões, palhaços, colombinas… Pierrot apaixonado, confete, serpentina… Ai que saudade, que bom recordar! Lembranças guardadas, é pura emoção… Bate forte coração”. O intérprete Fabiano Melodia e seu carro de som guiou empolgou a comunidade para cantar cada vez mais.

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Fantasias

O acabamento das fantasias era de material simples, talvez com o objetivo de facilitar a leitura dos jurados. Vale destacar a roupa das baianas, que foi homenageando o ilustre sambista Seu Nenê, eterno patrono da Nenê de Vila Matilde. A velha-guarda foi vestida inteiramente de azul e destacada no primeiro setor da escola. Como dito anteriormente, a Imperatriz quis levar um desfile descontraído e, por isso, fizeram fantasias coloridas para a sua apresentação na pista. Porém, vale destacar a segunda e terceira ala após a primeira alegoria, onde partes caíram. Eram detalhes de bolas que haviam nos costeiros.

Alegorias e Adereços

Um abre-alas colorido onde na parte da frente havia a coroa, que é o símbolo da escola e, logo atrás, a escultura de Adoniran Barbosa. A agremiação, que para fincar a sua estreia colocou sua coroa. Já sobre o cantor, a homenagem foi feita pois ele tem uma grande ligação com a Vila Esperança. Vale destacar tal semelhança, que foi bem realista. Na frente contava com uma iluminação especial brilhosa.

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A segunda alegoria aparentemente simbolizava o carnaval na Vila Esperança. O carro era todo rosa com duas esculturas sambistas com chapéu na parte da frente. No alto da alegoria, havia um Rei Momo, realmente significando o samba.

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Outros destaques

O maior destaque é a estreia de uma mulher á frente de uma bateria de escola de samba. Mestre Rafa fez história no Anhembi nesta noite sob a ‘Swing da Paulicéia’. A batucada teve um grande desempenho, realizando várias bossas enquanto a escola passava.

Vice-presidente da Liesa, Hélio Motta fala do projeto da gravação ao vivo dos sambas: ‘É para colocar no ouvido, fechar os olhos e dizer: ‘Estou na Sapucaí’

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Vice-presidente da Liesa e presidente da Edimusa (a gravadora da entidade), Hélio Motta, conversou com o site CARNAVALESCO e falou da novidade que é a gravação dos sambas ao vivo nos desfiles e dos esquentas no sábado das campeãs. Veja abaixo o bate-papo.

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Foto: Divulgação

Qual é a novidade em relação aos sambas na versão ao vivo dos desfiles e os esquentas nas campeãs?

Hélio Motta: “O grande diferencial é que iremos gravar no templo sagrado do samba, a Marquês de Sapucaí, na hora que a magia acontece. Nosso conceito é tentar transmitir a espontaneidade e a energia tanto da escola, quanto do público. Um produto para colocar no ouvido, fechar os olhos e dizer: ‘Estou na Sapucaí! Estou no Rio Carnaval'”.

Como será o processo de elaboração desse álbum?

Hélio Motta: “A produção musical será do Pretinho da Serrinha e a gravação se dará de forma muito natural e quase não será percebida, de modo a não atrapalharmos o espetáculo, principalmente, os músicos, ritmistas e mestres de bateria. Colocaremos uma unidade móvel atrás do primeiro recuo de bateria recebendo e gravando todos os canais multi-tracks da avenida para uma posterior mixagem e masterização no estúdio”.

O público poderá consumir em todas plataformas de áudio? Tem previsão de lançamento?

Hélio Motta: “Após o carnaval nós já estaremos mixando e editando tudo. Nossa meta é entregar o ‘Ao Vivo na Sapucaí’ em todas as plataformas digitais em meados de março e o ‘Esquenta das Campeãs’ por volta de julho”.

A Liga já teve essa iniciativa dos sambas ao vivo. Você lembra como foi?

“Lembro muito e tenho ele guardado aqui comigo. Foi um grande sucesso e quem curte a pegada de ‘ao vivo’ tenho a certeza de que gostou também. A diferença é que hoje há uma grande melhoria tecnológica para criarmos um produto muito superior ao de 1998. As mesas mudaram, a microfonação e captação de áudio se aprimoraram e do ponto de vista do usuário final, o consumo é instantâneo pelas plataformas digitais. Quem é que não vai colocar na playlist a sua escola do coração tocando ao vivo naquela resenha com os amigos?'”.

A ideia é para temporada 2023/2024 investir mais nas versões ao vivo e ter também a de estúdio?

Hélio Motta: “Acredito que temos demanda para ambos, pois teoricamente cumprem papéis diferentes. O de estúdio é um cartão de visitas, para apresentar o samba, tem um caráter informativo com nuances técnicas e melódicas únicas. O ‘ao vivo’ é aquela pegada dinâmica da emoção, improviso e vibração. É pra quem ama e quem quer sonhar em estar ali dentro”.

O que mais a editora/ gravadora pode criar para o processo de 2023/2024?

Hélio Motta: “O trabalho em conjunto com a Liesa é fundamental. O carnaval é uma fonte inesgotável de conteúdos diversos, onde sua a grande maioria, pode se transformar em recursos audiovisuais, novos fonogramas etc. Quem sabe possamos fazer um grande evento e um álbum em homenagem às nossas guerreiras que defendem os sambas na avenida? Temos um timaço com a Wic da Tijuca, a Lissandra no Salgueiro, a Milena na Mocidade, enfim, tantas vozes femininas… olha aí uma ideia”.