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Uirapuru da Mooca apresenta os seres e lendas da Amazônia em desfile embalado por samba valente

A Azul e Amarelo da Zona Leste teve apresentação satisfatória ao longo de sua passagem pelo Sambódromo do Anhembi apesar da pista molhada

A Uirapuru da Mooca foi a sexta escola a desfilar no Sambódromo do Anhembi neste sábado, dia 11 de fevereiro, pelo Grupo de Acesso II do Carnaval de 2023. Com destaque para a comissão de frente bem ensaiada e o samba de fácil leitura nas alas, a escola finalizou sua apresentação com 49 minutos após início sob garoa e pista ainda molhada, mas que não comprometeu o desfile. A Uirapuru este ano apresentou o enredo “Amazônia: Terra do Uirapuru – Salve os donos da terra e suas lendas”, assinado pelo carnavalesco Antônio Carlos Ghiraldini.

Comissão de Frente

A comissão de frente da Uirapuru da Mooca, liderada pela coreógrafa Giovanna Lacerda, fez uma coreografia no ritmo dos versos do samba, os acompanhando durante toda a passagem da música. Os dançarinos vieram representando guerreiros indígenas, com costeiros amplos de penas artificiais. Uma boa coreografia, com movimentos bem sincronizados e os atores participativos ao longo da pista, não apresentando irregularidades enquanto foram observados.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Anderson Guedes e Pâmela Yuri fizeram uma boa apresentação no primeiro módulo. O casal apresentou o pavilhão com elegância e leveza e realizou giros bem sincronizados. O Mestre-Sala bailou diante do girar da Porta-Bandeira com disposição, e a dupla concluiu sua apresentação no módulo de maneira satisfatória. No quarto módulo, porém, Anderson realizou giros lentos durante o minueto, dando as costas para a Pâmela de forma acintosa e que pode render dedução de pontos do jurado.

Harmonia

Um quesito positivo no ensaio técnico que acabou não tendo o mesmo desempenho neste desfile. O ponto chave do refrão do samba, com um grito entre os versos três e quatro não teve a mesma reação energética da parte dos componentes de outrora. As alas cinco e seis, que vieram representando pescadores e corujas, respectivamente, se destacaram positivamente, com direito a própria coreografia mesmo não sendo caracterizável como ala coreografada, cantando de maneira animada. No geral, desempenho morno do quesito, com muita irregularidade e componentes evoluindo calados ou enganando, fingindo mascar chiclete ou balbuciando, indícios de que não sabiam cantar o samba.

Enredo

Um enredo de fácil leitura ao longo de todo o desfile. Os dois carros alegóricos representavam os elementos que as alas de trás trouxeram de maneira fiel. O primeiro setor representou os animais, plantas e pessoas que vivem na Amazônia, enquanto o segundo setor representou as lendas da região. As alas se encaixavam sequencialmente com os versos do samba, o que tornou a leitura do enredo ainda mais simples. Quesito de atuação positiva da escola.

Evolução

A evolução da Uirapuru foi irregular em diferentes momentos do desfile. Alas com linhas muito espaçadas dentro de si mesmas, e uma acelerada no ritmo na parte final do desfile para fechar no tempo podem ser motivo de penalização da parte dos jurados. A escola terminou seu desfile com 49 minutos, o que explica a redução do ritmo nos momentos finais.

Samba-Enredo

A Uirapuru apresentou um bom samba, que se encaixou muito bem dentro de todo o contexto do desfile. O carro de som liderado pelo intérprete André Ricardo teve bom desempenho, dando um ritmo adequado para a escola realizar uma boa evolução. A obra permitiu o encaixe de boas bossas por parte da bateria “Moocadência”, e contribuiu positivamente para a apresentação da escola.

Fantasias

Um conjunto de fantasias de fácil leitura no geral, que cumpre seu papel de contar o enredo. Algumas soluções em certas fantasias, porém como o enorme costeiro junto à cabeça em forma de arara utilizado pela ala das baianas, que visivelmente deixou as mães do samba desconfortáveis. Nem todos eram mulheres nessa ala, inclusive, mas um dos rapazes que preencheu espaço não parecia nada feliz de estar ali, andando a pista toda com expressão bastante fechada. A ala que representa os animais da floresta amazônica apresentou erros de acabamento, com alguns dos animais fixados aos costeiros caindo ao longo da passagem da escola.

Alegorias

Um curioso caso em que o segundo carro é mais bonito que o primeiro. O abre-alas da Uirapuru apostou em tecidos de plotter na base, igual ao utilizado na saia das baianas. Ventos da concentração parecem ter levado tiras de tecido para cima de esculturas. A palha de um acabamento na parte de trás se esparramou pelas folhas do lado esquerdo da alegoria, demonstrando que o carro não foi bem cuidado pela escola após chegar ao Anhembi. A segunda alegoria, porém, teve impacto muito positivo e ilustrou bem as lendas da Amazônia, com direito a uma serpente na frente em referência ao boitatá que movia até mesmo os olhos.

Outros destaques

A rainha de bateria, Acassia Nascimento, veio representando uma guerreira amazônica em uma fantasia que foi capaz de não apenas enaltecer sua beleza, como também se encaixar bem ao enredo. A monarca representou muito bem a bateria “Moocadência”, liderada pelo mestre Murilo Borges, que fez bom proveito das oportunidades que o samba deu, realizando várias bossas seguidas e de bom gosto.

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