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Fé e emoção na lavagem do Sambódromo para os desfiles do Carnaval 2023

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Um momento de muita religiosidade, alegria, fé e emoção. Após um ano sem carnaval e outro sendo fora de época, ocorreu no último sábado a tradicional lavagem da Marquês de Sapucaí. Sob forte chuva, que foi muito bem-vinda e animou ainda mais os participantes, a Passarela do Samba foi lavada para trazer energias positivas, axé e um ótimo carnaval para todos. O evento encantou os presentes e emocionou quem estava na Avenida.

O cortejo foi aberto após a leitura de um texto de Claudio Vieira, que foi feita pelo locutor Vanderlei Borges, onde pediu a benção de Deus e homenageou Milton Gonçalves, Glória Maria e Manoel Alves. No aquecimento, o poder da religiosidade se destacava entre os amantes do carnaval com cantigas para Orixás Oxóssi e Osun, além de pontos para Exu, que foram cantados pelo mestre Kotoquinho e ecoados por todos na Sapucaí. Em sequência, foi tocado o samba “Tá escrito”. Dando início aos sambas históricos, Dudu Nobre começou cantando o samba-enredo “No mundo da lua”, de 1993 da atual campeã, Acadêmicos do Grande Rio, seguido por “A Grande Constelação das Estrelas Negras”, do carnaval de 1983 da Beija-Flor e “Orgulho de ser Niterói”, do enredo de 2014 da Viradouro.

O presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro, discursou agradecendo às escolas, ao poder público e pelo carinho dos presentes, dando início, assim, ao ritual. “Já está tudo preparado e teremos grandes desfiles”, disse Perlingeiro. O diretor de carnaval da Liesa, Elmo José dos Santos, radiante, atravessou a Avenida junto da bateria e, eufórico, falou que esse será o maior carnaval de todos os tempos.

“Uma imensa felicidade. O pai Oxalá mandou água. Papai Exu também mandou água para lavar para que a gente possa fazer o maior carnaval de todos os tempos. E o maior barato: o prefeito foi até o final da Sapucaí com a gente. Que felicidade! A chuva veio para abençoar e lavar tudo que é ruim,” enfatizou Elmo.

Antes da entrada das baianas, o prefeito Eduardo Paes discursou homenageando Laíla, onde falou sobre a importância do carnavalesco e dirigente para o carnaval carioca. “A gente saúda esse cara que transformou o carnaval carioca e deixou a sua marca. Que Deus faça com que a memória de Laíla permaneça entre nós e que ele possa inspirar todos os desfiles das escolas de samba daqui para frente. Laíla vive, Sapucaí!”, disse Eduardo Paes.

A imagem de São Sebastião, que representa Oxóssi nas religiões de matriz africana, abria o desfile, sendo seguida pelos casais de mestres-salas e porta-bandeiras e das baianas, que em nenhum momento deixaram a chuva atrapalhar. Na voz, Dudu Nobre iniciou cantando o hino da cidade do Rio de Janeiro em ritmo de samba e , ao longo da Avenida, cantou diversos sambas históricos das doze escolas do grupo especial. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Dudu lembrou sobre a pluralidade religiosa que é a lavagem da Sapucaí.

“Muita água, meu ‘cumpadi’ (risos). Muita água, mas foi fantástico como sempre. A gente fica muito feliz de poder estar aqui. É uma celebração do samba e religiosa, dentro do samba. É um sincretismo muito maravilhoso e bacana. Para mim, poder participar novamente é uma glória. Estou muito feliz mesmo, de coração. É sempre uma alegria poder reencontrar os amigos e estar aqui, se banhando, para poder chegar no carnaval com a alma lavada. A chuva veio para abençoar”, disse Dudu Nobre.

Com o início, a chuva apertou ainda mais ajudando a lavar, literalmente, a Marquês de Sapucaí. Ao longo de toda a Avenida, o sincretismo entre as religiões resultava em um cortejo de muita emoção contagiante. As baianas Fatima Malaquias – de 64 anos – e Vera Lúcia, duas das fundadoras, falaram sobre a importância da lavagem da Sapucaí, que já se tornou uma tradição que antecede o início do espetáculo carioca.

“Essa lavagem é a abertura do nosso carnaval com as nossas baianas. Eu e a Vera Lúcia (que estava ao lado) somos umas das vinte baianas fundadoras, que todo ano fazem a lavagem e abrem o carnaval. Ela é importante para tirar A chuva ajudou a lavar e veio abrir outras portas, trazendo muito axé para todos nós”, contou dona Fátima.

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“Para mim é muito importante nós estarmos aqui. São 13 anos de lavagem e isso é muito gratificante. De três anos para cá, são muitas águas que vem lavando e tudo vai se transformando”, completou a baiana Vera Lúcia.

Entre os sambistas e grandes personalidades do mundo do samba que estavam presentes, o site CARNAVALESCO conversou com alguns deles para saber o balanço e a importância deste tradicional ritual que marca o início do maior espetáculo popular do mundo.

O mestre Casagrande, que conduziu a bateria ao longo do ritual, falou sobre a expectativa após a lavagem e ressaltou a importância dos outros mestres de bateria que marcaram presença no ritual e agradeceu a todos que, mesmo debaixo de chuva, chegaram juntos neste dia tão especial.

“Literalmente lavagem, lavamos mesmo, graças a Deus. Esperamos que Oxalá nos abençoe. Hoje foi muito bom e legal, a galera compareceu, inclusive os outros mestres de bateria. Gostaria de deixar publicamente esse meu agradecimento a eles, ao pessoal da Liesa – Seu Elmo – a RioTur. Foi legal a rapaziada ter vindo e, mesmo debaixo de chuva, a galera colaborou bastante e com isso mostramos uma união muito grande,” ressaltou o mestre de bateria da Unidos da Tijuca.

Um dos nomes mais conhecidos através do mundo do carnaval, Selminha Sorriso, porta-bandeira da Beija-Flor, comemorou após o cortejo e disse que a chuva ajudou para trazer boas energias no carnaval deste ano.

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“A lavagem foi a que Deus quis. Foi a vontade dos Deuses do samba para que acontecesse dessa forma. Se essa tradição sobre a chuva procede, que ela leve tudo de ruim para bem longe de todos nós. Que essa chuva traga tudo de bom para nós – um carnaval de muita paz, amor, felicidade, alegria… Eu costumo falar que tudo é como tem que ser. A chuva lavou a Marquês de Sapucaí para semana que vem, quando teremos o maior espetáculo a céu aberto começa aqui e em mais alto estilo. Que vença a melhor escola”, disse Selminha.

Se para quem acompanha a lavagem há anos o cortejo foi emocionante, quem dirá para alguém que ama o carnaval mas nunca tinha pisado na Marquês de Sapucaí. Assim foi para Jomar Junior, de 40 anos e morador de Belém do Pará que acompanhava da frisa. Ele contou que sempre acompanhou o espetáculo do carnaval, mas, pela primeira vez, pôde ver de perto.

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“Primeira vez que eu venho no desfile. Uma experiência maravilhosa e fantástica. Aos 40 anos eu realizei meu sonho de pisar na Marquês de Sapucaí, Graças a Deus. Estou muito feliz. Acompanho sempre o carnaval, inclusive no site Carnavalesco, e vou continuar acompanhando o carnaval sempre, mesmo longe. Cheguei com o pé direito. Literalmente na lavagem da Sapucaí. Lavagem maravilhosa com as bençãos de São Sebastião e a Nossa Senhora também. Foi tudo maravilhoso e perfeito. Faça chuva ou faça sol, estamos aqui para prestigiar o nosso carnaval. Não vou conseguir assistir aos desfiles aqui porque não consegui folga no trabalho. Mas ano que vem vou programar as minhas férias para estar aqui tranquilo e com bastante tempo para aproveitar os desfiles”, empolgado, contou Jomar.

Com cinco décadas de carnaval, Loya Santos, de 76 anos, já foi presidente de ala na Beija-Flor de Nilópolis e conhece bem o cortejo. Segundo ele, o mais interessante foi acompanhar a alegria dos componentes e de quem estava nas arquibancadas.

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“A lavagem foi linda. Com toda chuva a gente viu a alegria do povo brasileiro. Todo mundo rindo, alegre e sem se incomodar em se molhar. É muito lindo esse glamour do povo carioca que vimos aqui na Marquês de Sapucaí hoje. A chuva veio literalmente para lavar tudo. Acredito que amanhã não vá chover, porque vem a Beija-flor, o meu amor (risos).”

Assim como a lavagem de 2020, a que ocorreu neste sábado foi marcada pelo dilúvio no Sambódromo. Com muito samba no pé, muita disposição e com a benção das santidades, os sambistas evidenciaram a sede que estão para realizar um dos maiores carnavais da história.

Dom Bosco leva para o Anhembi a obra de Villa-Lobos em desfile marcado pela coesão entre os quesitos

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A Dom Bosco de Itaquera foi a última escola a se apresentar pelo Grupo de Acesso II na madrugada deste domingo, dia 12 de fevereiro, no Sambódromo do Anhembi. Com o Sol raiando, o principal destaque foi para a coesão do conjunto da escola, que fez uma apresentação irretocável. A Dom Bosco levou este ano para a Avenida o enredo “Sinfonia Brasileira, uma aquarela em poesia”.

Comissão de Frente

A comissão de frente liderada pela coreógrafa Luana Poletti representou a brasilidade nas obras de Villa-Lobos. Os componentes vieram todos com uma bela e leve fantasia simbolizando a ave uirapuru, e evoluiu com graça em uma dança de três passagens do samba. O quesito cumpriu bem sua missão de apresentar a escola, e deu indícios do bom desfile que viria a seguir.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Leonardo Henrique e Mariana Vieira fizeram uma apresentação fantástica. Dança com graça e bem sincronizada em todos os pontos de observação. A expressividade do casal e a leveza do bailado fizeram da dupla uma das de melhor desempenho da noite.

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Harmonia

Uma escola que canta um samba de tom erudito como se fosse um coral de orquestra. A comunidade da Dom Bosco deu um espetáculo de canto, com vigor e entusiasmo espalhados pelas alas. A bateria “Gloriosa” arriscou três apagões, todos bem correspondidos pelos componentes. O sol nascendo na Avenida deu energia para a Escola do Padre, que finalizou o desfile sem cair o tom em nenhum momento.

Enredo

O enredo foi uma viagem pelas obras de Villa-Lobos e a influência da brasilidade nos trabalhos do maestro. Desenvolvimento bem realizado por toda a escola, das belas alegorias às fantasias de fácil leitura. A Dom Bosco conseguiu transmitir a mensagem proposta de acordo com o possível dentro dos requisitos do Grupo de Acesso II, e tem boas chances de conseguir a nota máxima no quesito.

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Evolução

Uma das evoluções mais assertivas dentre os desfiles que passaram. Alas compactas e bem preenchidas, recuo de bateria bem-executado e um andamento de desfile leve sem colocar peso de correria em cima das alas. A Dom Bosco finalizou sua apresentação com 48 minutos sem precisar acelerar o passo, e fechou os portões com maestria digna do homenageado.

Samba-Enredo

O samba interpretado por Rodrigo Xará é cadenciado, mas sem ser cansativo. A letra reproduziu bem o que foi visto na Avenida, com elementos sendo notados da comissão à última alegoria. A bateria “Gloriosa” arriscou apagões e várias bossas agradáveis, o que tornou o último desfile do dia ainda mais agradável de se apreciar. A obra da Dom Bosco estava na ponta da língua, e o público que permaneceu no Anhembi entrou no embalo do bom samba da esscola.

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Fantasias

A Dom Bosco apresentou um conjunto de fantasias inspirado nos trabalhos da carreira de Villa-Lobos, e representou de forma competente o homenageado apresentando leitura agradável. O acabamento das roupas dos componentes estava impecável, com destaque para a bela fantasia da ala das baianas. O Sol não atrapalhou a leitura de nenhuma das fantasias, mostrando que a escola estava preparada para isso e fez boas apostas na escola de materiais.

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Alegorias

Outro bom quesito da Dom Bosco. As alegorias e o tripé dividiram em três setores que retrataram a carreira de Villa-Lobos de maneira clara e agradável. Destaque para o Abre-alas, com uma paleta de cores que funcionou muito bem diante do Sol e retratou uma orquestra com um trem à frente.

Outros destaques

O presidente Padre Rosalvino teve motivos para se orgulhar de sua comunidade. O conjunto da Dom Bosco de Itaquera foi de alto nível e tem grandes chances de conseguir a tão sonhada classificação para o Grupo de Acesso I.

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A bateria “Gloriosa”, liderada por Mestre Bola, deu um espetáculo de performance que contribuiu para fechar com chave de ouro um carnaval de nível acima da média apresentado por todo Grupo de Acesso II.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Viradouro no ensaio técnico

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A bateria da Unidos do Viradouro fez um ótimo treino para o desfile oficial, no último ensaio técnico da noite de sábado, sob o comando de mestre Ciça. A “Furacão Vermelho e Branco” apresentou um ritmo integrado ao seu melodioso samba-enredo, com destaque para elaboração de arranjos musicais com utilização de timbales, além de se aproveitar da pressão dos marcadores nas retomadas, sempre executadas com precisão.

A cozinha da bateria ficou marcada pelo tom grave, devido ao peso das afinações envolvendo as marcações da “Furacão Vermelho e Branco”. Os marcadores dos surdos de primeira e segunda tiveram um desempenho notável, bem como os surdos de terceira proporcionaram balanço à escola do bairro do Barreto, tanto fazendo ritmo, quanto participando das bossas. Repiques se exibiram de modo coeso e firme, adicionando valor sonoro ao ritmo da bateria da Viradouro. As caixas de guerra, tocadas em cima sem talabarte, serviram de plataforma musical sólida, amparando os demais naipes com sua batida peculiar. Vale ressaltar o belo trabalho envolvendo ritmistas tocando timbal, que acrescentaram bastante à musicalidade da bateria.

Na cabeça da bateria, uma ala de cuícas de técnica musical elevada contribuiu de forma considerável com a sonoridade da parte da frente do ritmo. Um naipe de chocalhos sólido auxiliou com bom volume. Uma ala de tamborins acima da média tocou com firmeza e precisão um inspirado desenho rítmico baseado nas nuances melódicas do belo samba da Viradouro. As peças leves foram consistentes o suficiente para estarem plenamente integradas com toda a bateria.

A paradinha do refrão principal era iniciada ainda no final da segunda do samba-enredo. Na palavra “cortejo” todos os naipes davam dois tapas consecutivos juntos (Tum-Tum!), provocando explosão e permitindo que o último verso da segunda fosse cantado em coro. A retomada para o refrão principal uniu pressão e ritmo, deixando os surdos de terceiras soltos para dar balanço, mas sem retomar os surdos de primeira e segunda, que só voltavam a ditar o andamento na segunda passada do estribilho, dando impacto sonoro ao ritmo da agremiação de Niterói.

Uma bossa na cabeça do samba, por vezes exibida em sequência, deu extensão musical à apresentação da bateria da Viradouro. O arranjo musical mais uma vez aliou a pressão provocada pelo peso envolvendo a afinação das marcações com o peculiar balanço da “Furacão Vermelho e Branco”. Foi possível perceber uma espécie de Afoxé, que auxiliou de forma notável com um swing envolvente, junto dos ritmistas tocando timbal.

Já a bossa do refrão do meio utilizou os dois tapas consecutivos nas duas vezes que é cantado o trecho “É vento”, permitindo uma explosão sonora antes de um solo bem pontuado e executado de ritmistas com timbal e agogô de duas campanas (bocas). Uma integração musical considerável foi percebida entre o ritmo e as levadas dos timbales. Surdos de terceira também deram um auxílio luxuoso ao arranjo musical simples, mas que se demonstrou eficiente e funcional.

Um ensaio técnico que exibiu uma bateria da Viradouro pronta para seu desfile oficial, além de esperançosa em obter a almejada nota máxima dos julgadores. Um ritmo que mesclou acertos musicais e culturais. A utilização de ritmistas com timbal permitiu um molho diferenciado nas convenções exibidas, todas realizadas com precisão durante toda a pista. Mestre Ciça certamente saiu satisfeito com um treino repleto de virtudes musicais de sua “Furacão Vermelho e Branco”.

Alto nível! Viradouro realiza forte ensaio técnico e mostra força de seus quesitos para o desfile oficial

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Após a forte chuva que atingiu a cidade do Rio de Janeiro, a Unidos do Viradouro, segunda escola a ensaiar no último sábado, realizou um ensaio de alto nível na Marquês de Sapucaí, em 61 minutos. Com espetáculo proporcionado pela Comissão de Frente, excelente desempenho da bateria e do carro de som, e o crescimento do samba alinhado ao forte canto da comunidade, a Vermelha e Branca mostrou a força dos quesitos que irá defender na avenida no dia do desfile oficial. A escola de Niterói será a sexta e última a desfilar na segunda-feira de carnaval, com o enredo “Rosa Maria Egipcíaca”, do carnavalesco Tarcísio Zanon. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO

No esquenta, a Unidos do Viradouro animou sua comunidade e o público presente com clássicos da escola, como o “Ensaboa”, de 2020, o samba de 1998 e o samba-hino da agremiação. O presidente de honra da Vermelha e Branca, Marcelo Calil, ressaltou para a comunidade a importância do canto e da garra na busca pelo sonhado tricampeonato.

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Fotos de Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

“Foi um resultado positivo para o ensaio. Um ensaio que está a praticamente uma semana dos desfiles. Nós estamos ensaiando a bastante tempo e temos o privilégio de ter uma Amaral Peixoto, onde podemos reproduzir o que acontece aqui na Avenida. Agora é analisar; nós vamos ver vídeos e aproveitamos a mídia para poder dar uma olhada mais de perto no que acontece. Vamos analisar para ajustar o que tem que ser ajustado, mas entendemos que estamos muito prontos para o desfile oficial. Vai ser um espetáculo muito orgânico. As pessoas vão sentir que o enredo, de fato, vai passar na Avenida. O pessoal pode se preparar para um grande espetáculo da Viradouro. O que eu mais gostei hoje foi que, mesmo diante de toda chuva que pegamos antes de chegar e de todo o impacto gerado na cidade, a escola cantou muito. Hoje, eu posso dizer que nós tivemos aqui 2500 ‘Rosas’ cantando com a alma e não com a boca”, explicou Dudu Falcão, diretor de carnaval.

Comissão de Frente

Quem esteve presente na Marquês de Sapucaí pôde apreciar um espetáculo proporcionado pelos coreógrafos Priscilla Motta e Rodrigo Negri na apresentação da Comissão de Frente da Viradouro. Na avenida, 15 bailarinos vestidos alguns de vermelho e outros num tom de bege aclamavam a Santa Rosa Maria. A apresentação também contou com um elemento cenográfico, com um manto de santa, estampado com imagens que remetem à homenageada do enredo.

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Ao longo da apresentação, os bailarinos executaram um coreografia com muita garra e expressão nos movimentos. O ponto alto da coreografia se dava quando uma das mulheres era colocada no manto do elemento cenográfico e erguida, simbolizando a aclamação da santa.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O experiente casal de Mestre-sala e porta-bandeira da Viradouro, Julinho Nascimento e Rute Alves, também realizou uma boa apresentação no ensaio técnico da escola. Vestidos em uma roupa branca com a imagem de Rosa Maria Egipcíaca estampada, o casal demonstrou muita sincronia e garra para superar a pista molhada. O setor 3, onde a pista estava consideravelmente molhada, foi o ponto de maior dificuldade. Na coreografia, o casal alternava momentos de muita força, sobretudo nos giros de Rute, e sutileza, como no beijo lançado por Julinho à porta-bandeira. Em alguns momentos, a dupla fazia menções a letra do samba, como erguer as mãos com punho erguido no “o meu samba é manifesto”.

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“O ensaio foi maravilhoso! Foi bom demais! A escola passou em um clima muito bom. É bom testar realmente o som. Tem esse frisson de ‘o Carnaval chegou’. A chuva hoje veio para lavar a pista e a alma do sambista. Tinha muita gente debaixo da chuva para assistir a Viradouro e a Vila Isabel. Foi maravilhoso! A pista estava escorregadia, é notório. A gente sabe disso quando chove dessa forma. Foi legal porque levamos na garra, com coragem. Eu acho que o treino valeu. Óbvio que tem sempre o que melhorar, tem sempre o que buscar. Nunca está 100% pronto. Nós temos uma semana ainda de preparação, como é natural, para chegar 100% no dia do desfile, na hora. Ensaiar aqui é uma benção”, disse o mestre-sala.

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“Muito, muito, muito bom! Queria chuva? Não queria. Não sou daquela: ‘veio, que bom’. Não foi legal. Eu queria ver as arquibancadas lotadas porque esse povo merece. Eu sempre falo que meu Carnaval é hoje. Eu não conheço um bloco, não venho nos outros dias na Avenida antes do meu desfile. Quando o desfile é domingo, eu ainda venho segunda. Como o desfile é segunda, só vou pisar aqui no dia do desfile. É hoje que eu brinco. Eu entrei verdadeiramente brincando. Eu amo esse samba. Falei hoje para o Tarcísio [Zanon] e não foi demagogia, em 26 anos de porta-bandeira, são as alegorias mais lindas que eu vi. E eu tive mestres incríveis como carnavalescos. A escola está cantando, brincando, alegre. A escola está feliz. Nós fizemos um ensaio muito positivo. Nós hoje dançamos de roupa social, não dançamos de fantasia. Essa semana agora vai ser para ensaiar com a fantasia. Mas tudo que a gente vem fazendo desde junho e, assim que escolheu o samba, em outubro, já montamos a coreografia. Essa coreografia não foi uma coreografia difícil de ser montada. Foi bom? Foi, mas sempre tem o que melhorar mesmo que agora a gente nem pense o que poderia melhorar. Esse ensaio de hoje com o canto da comunidade é realmente o nosso carnaval, realmente o nosso termômetro para sentir se o que nós estamos fazendo é legal, é bacana, se vai funcionar. Eu não tenho o que pôr e nem o que tirar”, completou a porta-bandeira.

Harmonia

O canto da comunidade da Unidos do Viradouro foi um grande destaque no ensaio técnico da escola. Já com o som oficial da avenida, o canto da Vermelha e Branca não apresentou quaisquer tipos de irregularidades na avenida. De destaque positivo, a ala de número 12 que, mesmo com a chuva, não desanimou e cantou com muita força o samba-enredo da Viradouro. Mesmo quando a bateria realizava o apagão na parte mais forte do samba, o “Eu sou a santa que o povo aclamou”, a comunidade niteroiense sustentava na pista.

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Evolução

Ao longo de 61 minutos de apresentação, a Unidos do Viradouro evoluiu de forma Coesa na avenida, sem apresentar problemas que sobressaltem aos olhos. A animação e leveza dos componentes das alas, que apresentavam acessórios nas mãos ou na cabeça, impulsionou o desempenho. Com uma bela roupa com estampas de coração, a ala de baianas da Viradouro evoluiu com muita desenvoltura na avenida. A ala de passistas da Viradouro, em uma bonita roupa preta e dourada, também foi destaque positivo no quesito.

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Samba-Enredo

Composto por Claudio Mattos, Dan Passos, Marco Moreno, Victor Rangel, Lucas Neves, Deco, Thiago Meiners, Valtinho Botafogo, Luis Anderson, Jefferson Oliveira e Bertolo, o samba-enredo da Unidos do Viradouro apresentou excelente desempenho na avenida. De característica mais melodiosa, o samba contou com o ótimo desempenho da bateria “Furacão Vermelho e Branco”, do carro de som e, sobretudo, do intérprete Zé Paulo Sierra para passar de maneira aguerrida e forte na avenida, sem deixar o ritmo e o canto da escola caírem. Os refrões e o trecho “Sou a Santa que o povo aclamou” foram, sem dúvida, os trechos mais cantados pela comunidade.

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Outros Destaques

Comandada pelo experiente mestre Ciça, a bateria “Furacão Vermelho e Branco” da Viradouro se apresentou com maestria na Sapucaí. Com andamento mais cadenciado, como pede o samba, a bateria sustentou muito bem o ensaio da escola. Na bossa do refrão do meio, os ritmistas da escola se abaixavam e só permaneciam em pé os ataques e os agogôs de duas bocas. No trecho de maior força do samba, o “Sou a Santa que o povo aclamou”, a bateria fazia um “apagão” para o povo cantar. A rainha de bateria da escola, Érika Januza, apostou em um belo figurino prateado.

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“Foi muito bom o ensaio tudo aquilo que desejei para bateria da Viradouro o andamento foi uma luta e um desafio para os próprios ritmistas também. Conseguimos vir na boa, eles são disciplinados, fizemos um desfile muito bom, acho que as pessoas gostaram. Pena que o Sambódromo devido a chuva ficou vazio, se tivesse cheio a fazia como no Maracanã aqui. A gente vai conversar amanhã na entrega da fantasia, sempre tem opiniões, temos mais um ensaio na terça-feira. O importante que fizemos na minha concepção um bom ensaio. E em relação ao som, tivemos um delay que prejudicou um pouco, a gente tem que ver isso, ali no segundo recuo não tinha som nas caixas, tirando isso estou muito satisfeito a rapaziada com essa vibração aqui para mim isso não tem preço. Tem uma paradinha que eu não fiz, vai ficar na manga para o dia se precisar”, revelou mestre Ciça.

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À frente da escola, militantes do movimento LGBTQIA+, como a vereadora niteroiense Benny Briolly, exibiram uma faixa com a frase “Transfobia, basta!”.

No ensaio técnico, a Unidos do Viradouro levou para avenida 2 tripés, um com uma menina representando a jovem Rosa Maria Egipcíaca e outro, com a passista Vivi de destaque. Além disso, a Vermelha e Branca também levou um telão de Led, que exibia trechos da letra do samba-enredo da escola.

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A Unidos do Viradouro será a sexta e última escola a desfilar na Segunda-Feira de carnaval do Grupo Especial. A Vermelha e Branca de Niterói levará para avenida o enredo “Rosa Maria Egipiciáca”, do carnavalesco Tarcísio Zanon.

Colaboraram Augusto Werneck, Cristiano Martins, Matheus Vinícius, Nelson Malfacini e Raphael Lacerda 

Freddy Ferreira analisa a bateria da Vila Isabel no ensaio técnico

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A bateria da Unidos de Vila Isabel fez um ensaio técnico muito bom, sob o comando de mestre Macaco Branco. Uma musicalidade pautada pela simplicidade. O ritmo tradicional da Vila exibiu uma conjunção sonora praticamente impecável da “Swingueira de Noel”, muito por conta da equalização privilegiada da bateria da escola do morro dos Macacos. Como forma de demonstrar versatilidade, por vezes a bateria da Vila realizou a subida de três simples, permitindo dinamismo sonoro quando apresentada. Vale ressaltar que a referida subida auxiliou na plena fluência entre os mais diversos naipes, principalmente na parte de trás do ritmo.

A cozinha da bateria ficou marcada pelo peso das marcações, graças a afinação particularmente grave dos surdos, característica musical praticamente identitária da bateria da Unidos de Vila Isabel. Marcadores de primeira e segunda foram consistentes durante toda a pista. Os surdos de terceira, efetuando o papel de centrador, deram balanço ao ritmo também nas convenções. As caixas de guerra retas e tocadas de modo uníssono deram base de sustentação musical aos demais naipes. Repiques coesos e ressonantes auxiliaram no preenchimento da sonoridade. Já os taróis propagaram um swing envolvente, graças a batida genuína com levada de partido alto, complementando com notória qualidade musical a bateria “Swingueira de Noel”.

A parte da frente do ritmo contou com um naipe de cuícas com qualidade sonora acima da média. O naipe de tamborins exibiu um desenho rítmico que realçou a melodia do samba, sendo executado de forma firme, limpa e chapada. O destaque rítmico da cabeça da bateria ficou com uma ala de chocalhos que agregou ao ritmo da Vila com inegável técnica musical, além de apresentar um toque perfeitamente integrado, como se fosse um só durante todo o cortejo.

A bossa do refrão do meio se aproveitou da pressão provocada pela afinação de surdos, aliada a batida de outros naipes, como tarol, caixa, repique, tamborim e chocalho. O detalhe musical fica a cargo da musicalidade propiciada pelo balanço dos surdos, se fazendo valer das diferenças de timbres entre primeira, segunda e terceira para consolidar a frase rítmica dentro da métrica do samba-enredo.

A paradinha de maior destaque musical é a da segunda no samba, a partir do trecho “Pulei fogueira”. Uma construção musical soberba, exibindo um ritmo conhecido como Galope, numa elaboração privilegiada. Acompanhando o que pede a melodia, a musicalidade ganhou uma pegada junina que empolgou tanto a comunidade da escola, como o público presente na Sapucaí. Mais uma vez o balanço e pressão dos surdos foi um diferencial, além do molho das demais peças produzindo ritmo no arranjo musical de forma consistente e sólida. A conclusão com os surdos explorando a nuance melódica do verso inicial do refrão principal “O Rei Momo convidou” apresentou refino em uma constituição que se mostrou pra lá de sofisticada.

Uma apresentação digna das tradições musicais da bateria da Vila Isabel. Mestre Macaco Branco, assim como todos os diretores e ritmistas da “Swingueira de Noel” tem motivos para ficarem contentes, além de confiantes num grande desfile na próxima semana. Uma sonoridade que se destacou pelos caminhos simples buscados, bem como pelo impacto sonoro de bossas eficientes e funcionais.

Do ‘Evoé’ ao ‘Anarriê’, Vila Isabel faz um ensaio perfeito com destaque para comissão de frente e casal

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Depois da forte chuva que caiu no Rio de Janeiro no começo da noite de sábado, a Vila Isabel abriu o dia de ensaios técnicos com uma garoa e assim conseguiu fazer o desfile sem muitas dificuldades. A comissão de frente diferenciada e a inovação criativa do casal Marcinho Siqueira e Cristiane Caldas foram destaques pela curiosidade que causaram no público e pela beleza dos movimentos. A Vila vai ser a terceira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval. O enredo para 2023 é “Nessa festa, eu levo fé!” desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros e tem como temática as festas ligadas às religiões pelo Brasil e pelo mundo. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO

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Fotos de Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

“Um balanço super positivo, apesar da chuva, que na hora do desfile, graças a Deus, deu uma trégua. A comunidade compareceu e a Vila Isabel fez o dever de casa – uma prévia do que iremos apresentar no desfile oficial. Parabéns para a comunidade, que vem evoluindo muito. Estamos fazendo ótimos ensaios de rua e a prova foi o que fizemos hoje na Sapucaí – comissão de frente, casal, Macaco Branco, carro de som, Tinga, Douglas, Dona Sheila da velha guarda – só tenho a agradecer a toda comunidade. Claro que ainda temos algo para melhorar. A gente tem uma semana e iremos conversar e pontuar o que nós erramos para que na segunda de carnaval a gente chegue 100%. Venho com 2700 componentes”, explicou Moisés Carvalho, diretor de carnaval.

Comissão de frente

Os integrantes coreografados por Alex Neoral e Márcio Jahú vieram em uma proposta diferente. Em cena, vampiros, múmias, noivas cadáveres, quatro “Wandinhas Addams” e uma bruxa performaram a sua própria festa com direito a balinhas arremessadas para o público. Os dançarinos tinham movimentos bem sincronizados e divertidos. Essa comissão provocou a curiosidade sobre o que será visto no dia do desfile oficial.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

Marcinho Siqueira e Cristiane Caldas fizeram uma apresentação com uma inovação: os guardiões interagiram mais do que o habitual com o casal. O começo era marcado por um bailado que lembrava valsa e evoluía para os passos mais clássicos do cortejo de mestre-sala e porta-bandeira. Ao longo da performance, o casal fazia passos que eram associados às festas mencionadas na letra, como passos de festa junina e saudações a orixás.

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Harmonia

A comunidade da Vila Isabel deixou claro que eles estão com o samba-enredo na ponta da língua. A escola cantou forte não só nos momentos que a letra pedia, mas por toda sua extensão. A empolgação veio também pelo carro de som comandado por Tinga. O cantor abrilhantou o ensaio técnico incentivando e elogiando a força da agremiação sem deixar de cantar o samba em sua completude.

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Evolução

A azul e branco desfilou sem defeitos nesse quesito. As alas estavam coesas e a escola não precisou correr nem desacelerar ao passar ocupar por 63 minutos a Marquês de Sapucaí. A comunidade estava muito confortável para brincar carnaval, dançando muito, cantando alto e sambando. Um exemplo disso é a velha-guarda, que passou mais para o final do desfile. Os veteranos estavam muito alegres mesmo embaixo da chuva que insistia em cair. Um ponto interessante é o fato de a ala de passistas estar em volta de um tripé representando uma festa junina. O elemento cenográfico não dificultou a evolução do samba no pé dos integrantes.

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Samba-Enredo

A composição de Dinny da Vila, Kleber Cassino, Mano 10, Doc Santana e Marcos cantada na Avenida comprovou que a Vila Isabel está em ótimas mãos. Além dos pontos altos como “Evoé” e o segurando refrão, o trecho “Pulei fogueira/Anarriê no arraiá brinquei” ganhou o coração do público. A letra do samba não apresenta nenhum empecilho para o aprendizado, o que facilitou os componentes a aprenderem e cantarem com tamanha excelência.

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“Vocês puderam ver um samba alegre, um samba leve, a comunidade inteira cantando com muita alegria. Chovendo e assim mesmo a comunidade representou da melhor forma possível. Fiquei muito feliz. Com certeza vai ser um sucesso. A Vila Isabel vai chegar com força e com garra para buscar o nosso objetivo que é ser campeã do carnaval. Dá para melhorar sempre. Até o dia do desfile, nós procuramos fazer o nosso melhor e vamos continuar trabalhando para chegar no dia podermos cantar e levar alegria e a nossa voz para a comunidade. Eu e o mestre Macaco Branco conversamos demais. A sintonia é muito grande. Nós estamos sempre juntos conversando, buscando sempre o melhor da nossa escola. Eu adoro a parte da festa junina. É muito maneiro, a escola canta com diversão, a gente lembra da nossa época de criança”, lembrou o intérprete Tinga.

Outros destaques

A bateria “Swingueira de Noel” liderada pelo mestre Macaco Branco provocou surpresa com uma bossa baseada no contexto das festas juninas na parte final do samba-enredo. Todos os componentes criaram seus próprios passos para fazer nesse momento que a Vila Isabel vira uma quadrilha. Um show de carisma também foi dado pela rainha de bateria Sabrina Sato que distribuiu rosas no Setor 1.

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“O ensaio foi maravilhoso, graças a Deus conseguimos fazer um ensaio perfeito a escola cantou para caramba. A Swingueira de Noel perfeita nas execuções, andamento perfeito. É só não chover no dia, mas a chuva só vem quando tem que molhar. Por isso, foi perfeito, mesmo com a chuva nos fizemos um grande ensaio. Vamos fazer no desfile duas paradinhas e uma subida de três, vamos pra cima”, garantiu mestre Macaco Branco, que desfilará com 276 ritmistas.

Colaboraram Augusto Werneck, Cristiano Martins, Nelson Malfacini e Raphael Lacerda 

Enredo sobre inclusão da Camisa 12 se destaca em desfile irregular

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Com um dos enredos mais celebrados pelo carnaval paulistano em 2023, a Camisa 12 começou o desfile de maneira irregular e teve dificuldades para sair da inconstância ao longo de toda a apresentação. Com destaques positivos para a temática, a boa noite da ala musical e de um casal de mestre-sala e porta-bandeira afiado, a agremiação teve deslizes consideráveis em diversos quesitos ao apresentar o enredo “Da inclusão à superação. Todos somos iguais. Sou um Campeão”, sendo a 11ª (e penúltima) instituição a se apresentar, já na manhã do domingo. Um dos tantos desafios da escola pode ser observado na cronometragem final do tempo: cinquenta minutos e trinta segundos cravados – sem ultrapassar o limite regulamentar por meros trinta e um segundos.

Enredo

O carnaval, tão acostumado a exaltar minorias, deu espaço a um tema semelhante: a inclusão. Já descrita no enredo (intitulado “Da inclusão à superação. Todos somos iguais. Sou um Campeão”), a temática não teve uma linha cronológica, tão comum em desfiles carnavalescos, presentes em todo o tempo. Coube ao experiente carnavalesco Delmo de Moraes referenciar quais inclusões seriam abraçadas na exibição.

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Foram possíveis observar várias: deficientes físicos e visuais, transgêneros e afrodescendentes foram alguns deles. Todos bem descritos no enredo, a temática abordada foi bem conduzida ao longo do desfile e, também, no samba da escola.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Tal qual casais tradicionais, Luã Camargo e Mari Santos focaram a apresentação na execução de diversos giros, sem interagir tanto com o samba – atitude que foi feita, mas em menor proporção.

Vale destacar que os giros e o bailado de ambos foram mais cadenciados, sem grande velocidade. Aqui, cabe relembrar que a porta-bandeira está grávida, o que pode ter alterado o ritmo do bailado. A característica se fez presente até mesmo ao desfraldar o pavilhão – o que não fez com que surgissem erros técnicos ao executar o movimento em nem uma das cabines.

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O que não foi mudado em nada foi a sincronia de ambos e os largos sorrisos de Luã e Mari, tanto entre si quanto ao interagir com o público.

Samba-Enredo

Sem uma linha cronológica, a canção buscou elencar as minorias citadas no enredo. Com uma importante mensagem final, de superação de toda e qualquer adversidade surgida, a música, bem interpretada por Tim Cardoso e pelo experiente Benson, entretanto, teve pouca aceitação por parte dos componentes a partir do segundo setor – não por conta da atuação da dupla de cantores, afinados e que a toda hora emendavam cacos para chamar o canto da escola.

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Também vale pontuar a atuação segura da Ritmo 12, bateria comandada por Mestre Lipe. Com bossas que tentavam chamar atenção de quem estava acompanhando a apresentação, os ritmistas buscaram, à priori, colocar mais ânimo na escola – mas, de toda forma, sustentaram bem a canção.

Alegorias

Se as fantasias tiveram desempenho irregular (leia mais na descrição do quesito), os dois carros alegóricos foram alguns dos destaques estéticos do desfile. O abre-alas, bastante alto e com índios e animais silvestres, tinha belas esculturas. Já o segundo, com representações de afrodescendentes e com visual remetendo à África, também era grandioso e tinha destaques estéticos bastante agradáveis.

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Ao verificar os detalhes de cada um deles, entretanto, é possível identificar alguns erros. O pede-passagem do abre-alas, por exemplo, tinha rodas visíveis. Também na primeira alegoria, logo após a passagem pela segunda cabine de jurados, a Pantera, mascote da agremiação, ficou sem se movimentar por um período bem considerável de tempo.

Comissão de frente

Experientíssima e coreógrafa de diversas comissões de frente marcante, Yaskara Manzini apostou em uma coreografia que não se contenta apenas em marcar o samba, mas, também tem interações que independem do andamento da canção.

Também vale pontuar as fantasias dos componentes. Ao todo, eram três: uma delas predominantemente branca, com detalhes em azul e vermelho; outra com cores mais escuras, como vermelho e amarelo, e com costas das máscaras representando animais (uma cobra, um macaco, uma onça e um peixe); e uma única fantasia representando Mogli, o Menino Lobo. A dança do destaque, interagindo com a fauna representada pelas demais fantasias, teve destaque.

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Houve, entretanto, um grave problema pouco antes do primeiro setor. O esplendor do destaque, enquanto ele fazia a coreografia, caiu. O staff se apressou para pegar o adorno a pedidos de Yaskara, voltando a completar a fantasia antes do segundo setor e depois de boa parte dos staff do segmento se entreolhar.

Não foram notados erros na coreografia dos componentes ao longo das cabines de jurados.

Harmonia

Assim como diversos segmentos da escola, houve uma clara distinção. No primeiro setor, todos os integrantes cantavam bem a canção, empolgando o público e os próprios componentes, que se retroalimentavam ao executar a música.

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A partir do segundo setor, entretanto, houve uma queda bastante destacada do canto dos componentes. Os harmonias presentes no corredor pediam por mais força na garganta, mas, tão logo eles faziam o pedido, a execução caía novamente.

Também era nítida, embora menos preocupante, o desafio do alinhamento de cada ala. Por vezes, um componente avançava ou atrasava muito o passo e logo era chamado atenção. Como tal situação aconteceu com frequência ao longo do desfile, é até certo ponto natural que jurados tenham notado tal desalinhamento.

Fantasias

Mais um quesito que teve atuação bastante irregular no desfile. O começo da escola teve fantasias de ótimo gosto – inclusive com boa dose de tecidos mais caros.

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A partir do segundo, entretanto, a queda nos materiais e, até certo ponto, na qualidade estética do quesito foi bastante destacada. Do momento citado até o final do desfile, diversas alas tinham tecidos para vestir os componentes e algum adorno para cobrir o corpo – que, é bem verdade, tinham fácil assimilação para quem estava na arquibancada.

Evolução

Logo no começo da escola foi notada uma situação que não é necessariamente um erro, mas chamou atenção. Em determinados momentos, o espaço entre a comissão de frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira se tornava grande, beirando as duas caixas de som do Anhembi. Em outros períodos, ele era bruscamente diminuído – e assim foi durante todo o desfile.

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O recuo da bateria foi um primeiro ponto de atenção importante. Adentrando o espaço quando metade do local estava disponível, o movimento não teve grandes percalços. A ala anterior, entretanto, teve evolução morosa para preencher o espaço, apenas com a rainha da bateria sambando para preencher todo o espaço. Na sequência, a agremiação ficou cerca de três minutos parada já com a ala posicionada, sem nenhum motivo aparente.

Se a Evolução da escola não tinha grandes sobressaltos até cerca de 35 minutos, tudo mudou no final da apresentação. O motivo fica evidente ao verificar o tempo em que a Camisa 12 encerrou o desfile: cinquenta minutos e trinta segundos. Sim: por trinta e um segundos a escola não foi penalizada no cronômetro. Para conseguir fechar a exibição dentro do tempo regulamentar, foi necessário apertar o passo nos últimos setores.

Outros destaques

Antes mesmo do desfile começar, a Concentração estava bem animada. Demis Roberto, diretor de carnaval da escola, deu um discurso bastante forte, chamando as minorias presentes no desfile a cantar forte e avisando que todos eram importantes e seriam inclusos na agremiação. Também antes da exibição, uma das músicas executadas no esquenta foi “Minha Fé”, de Zeca Pagodinho.

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Composta, fundamentalmente, por torcedores do Corinthians, a Camisa 12 teve participação de baluartes da Gaviões da Fiel. Ernesto Teixeira, intérprete da escola, ajudou os merendeiros a empurrar o carro abre-alas. Buiu, diretor de harmonia do Vai-Vai (outra escola alvinegra), também estava no corredor da agremiação.

Criatividade nas alegorias dão o tom do desfile da Torcida Jovem

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Décima escola a desfilar, a Torcida Jovem levou para o Anhembi um enredo em homenagem à orixá Iemanjá. O destaque fica para as criativas alegorias que a agremiação produziu. Começaram com a África e terminaram com o mar de Iemanjá, levando painel de led no segundo carro com imagens da santa. A bateria ‘Firmeza Total’, do estreante mestre Caverna, fez uma apresentação de destaque com suas bossas localizadas nos últimos versos do samba-enredo. Vale ressaltar a fácil leitura do enredo que a Torcida Jovem proporcionou, levando também fantasias de um reconhecimento válido.

Comissão de frente

A ala executou uma coreografia totalmente simples. A comissão de frente se apresentou com mães e pais de santo vestidos todos em branco dançando de um lado para o outro na letra do samba. Esses componentes saudavam o público. Porém havia um personagem que estava todo de vermelho representando Exú. Tal componente não tinha uma coreografia padrão. Ele ficava ‘rindo’ o tempo todo e dançando para o público. Interpreta-se que o contexto é de abrir os caminhos para Iemanjá, que é o enredo da escola alvinegra.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

Alex Santos e Dani Motta fizeram uma apresentação satisfatória. Destaque para a fantasia, que era branca em azul, mesclando as tonalidades da cor. Vale ressaltar o adereço de cabeça da Dani, que deu um contraste muito belo para a apresentação. A porta-bandeira também não tirou o sorriso do rosto. Mostrou leveza em análise no setor B em diante. O bailado da dupla se destacou pelo minueto, que combinado com a parte de baixo da fantasia de Dani Motta, foi um grande passo para a apresentação válida.

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Harmonia

A agremiação alvinegra desfilou pequena, mas cantaram o samba. Não foi com tanto fervor, mas deu para ver que todos estavam com o hino na ponta da língua. O último verso do samba, “E vai… Quando o dia amanhecer… Minha prece mais sincera… É oferenda pra você… Mulher guerreira da pele preta… Reflete o teu poder. Essa parte se destaca bastante, principalmente quando a bateria de mestre Caverna realiza a bossa localizada. Além disso, o refrão também é um ponto-chave para o canto da comunidade.

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Enredo

“Torcida Jovem está presente e canta nas águas da Mãe Iemanjá”, como já diz o enredo, é uma homenagem à orixá Iemanjá ligada às religiões afro. O tema foi muito bem contado no desfile. Apesar da comissão de frente ser um tanto simples, o contexto é aparentemente fácil. As fantasias têm palavras que permitem uma leitura tranquila do significado. Portanto, deu para entender o propósito do que a Jovem quis levar para o Anhembi – Africanidade, mães e pais de santo, outros orixás ligados, outros jeitos que Iemanjá é chamada, música referida a ela e o mar.

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Evolução

A escola evoluiu de maneira correta. O alinhamento entre as alas foi cobrado pelo departamento de harmonia e os componentes acataram tranquilamente. De uma ponta a outra não houve problemas para a agremiação. Houve bastante compactação. Os integrantes da comunidade não têm uma coreografia fixa e todos têm a liberdade para evoluir espontaneamente, mas sempre respeitando o alinhamento cobrado pelos harmonias.

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Samba-Enredo

Guiados pelo experiente intérprete Adeilton Almeida, a ala musical da Torcida Jovem fez um trabalho satisfatório em seu desfile. A escola fez uma grande aposta em usar palavras afros, como na primeira parte do samba e o refrão principal. Assim como em toda questão musical, os últimos versos se destacam pela versatilidade de usá-los para bossas da bateria e o uso da melodia da ala musical com o objetivo de fazer os componentes cantarem forte.

Fantasias

As fantasias eram ‘simples’, porém, como dito no tópico do enredo, tinha um fácil entendimento. Por exemplo, a última ala trazia a palavra ‘Awoyó’, que é uma forma de se referir à Iemanjá.

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Outra ala tinha escrito na fantasia ‘Bailarina do Mar’, que é uma canção para Iemanjá. Ou seja, apesar da simplicidade na estética, a criatividade foi aproveitada.

Vale destacar a bela fantasia das baianas, que foi toda feita em palha, mesclando o bege, marrom e detalhes laranja na parte do pescoço. Essa vestimenta sim foi investida no luxo.

Alegorias

O abre-alas foi levado como uma cor monocromática, predominando o marrom. Nele, estava escrito ‘Jovem’ na frente, além de esculturas de gorilas na esquerda e direita da alegoria. Na parte de cima, foram colocados mais animais, como búfalos e elefantes. Isso remete à África. Mais precisamente sobre a savana africana.

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O segundo carro representou o mar. Na frente, esculturas de tubarões e, no alto do carro, a imagem de Iemanjá negra. Atrás da escultura, um painel de led com diversas imagens da santa passando.

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Alegorias de belo acabamento e fácil entendimento. Vale destacar a ousadia da segunda. Foi a única agremiação que usou um painel na noite.

Outros destaques

A bateria ‘Firmeza Total’, comandada por mestre Caverna, realizou um grande trabalho. As bossas foram bem executadas, principalmente a que fica localizada nos últimos versos. Destaque também para o forte uso dos atabaques dentro do samba.

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Após a comissão de frente, a escola levou um grande tripé de um negro com roupa branca e azul como se fosse no mar. Não dá para saber muito bem o contexto, mas com certeza tem algo a ver com Iemanjá.

Vale destacar a festa da torcida nas arquibancadas, com bandeirões e sinalizadores. A escola também foi recebida com fogos de artifício.

Comissão de Frente emocionante é destaque do desfile da Unidos de Santa Bárbara sobre as folhas

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A Unidos de Santa Bárbara foi a nona escola a desfilar no Sambódromo do Anhembi na madrugada deste domingo, dia 12 de fevereiro, pelo Grupo de Acesso II. Com destaque para a comissão de frente bela e impactante, a escola teve muitos problemas de evolução que comprometeram o andamento do desfile, que finalizou o desfile com 48 minutos. A escola do Itaim Paulista trouxe como enredo “Kosi Ewe — Salve as Folhas. Sem Folhas, Não Tem Orixás”.

Comissão de Frente

Uma encenação impactante marcou o início do desfile da Santa Bárbara. A comissão de frente, comandada pelo coreógrafo Luiz Romero, representou a chegada dos escravos ao Brasil, que são conduzidos por Exu para que Ossanhe realize seu ritual de cura. Dançarinos transmitiram em gestos e verbalizações a dor dos escravizados, aos olhos de um outro que representou Exu. Outro grupo representou Ossanhe em fantasias coloridas de verde com folhas aderençando, muito bem-acabadas. Um ótimo início de desfile da escola.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Dyego Santos e Waleska Alves decaíram de desempenho enquanto passavam pela Avenida. No primeiro módulo, o casal conseguiu executar bem os elementos obrigatórios com graça, beleza e sintonia. Nos últimos módulos, porém, a dupla perdeu o ritmo e começaram a cometer erros, em especial da parte de Dyego, que por mais de um momento deu as costas para Waleska durante os giros, chegando a parar à frente da porta-bandeira em certa finalização. Sincronismo nos giros também falhou diante dos últimos jurados.

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Harmonia

O canto da Santa Bárbara foi irregular. A ala que mais cantou foi a ala das baianas, que representou as águas da purificação, com senhoras de idade dando aula para jovens em outros segmentos da escola. A falta de disposição dos componentes no geral refletiu no público, que passou o desfile demonstrando poucas reações.

Enredo

O enredo da Santa Bárbara teve como objetivo exaltar as folhas, mas foi difícil identificar a linha de narrativa escolhida pela escola. O abre-alas e as primeiras alas faziam clara referência a orixás e elementos do candomblé, mas a partir do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, a temática virou bruscamente e se torna uma mistura generalizada de indígenas com figuras que faziam de alguma forma referência a folhas, como o trevo de quatro folhas, chás orientais, pizzaiolos e perfumes.

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Evolução

A evolução da Santa Bárbara foi muito errática. Havia clara dificuldade de manter os componentes da linha de frente das alas alinhados. Não houve invasão de alas graças a grande presença de destaques entre elementos e a própria falta de compactação, com muitas alas demonstrando faltar componentes para dar mais volume. O ritmo de desfile também não foi bom, com a escola correndo e parando em diferentes momentos. A agremiação fechou os portões aos 48 minutos levando o quesito como mais um elemento a se preocupar na apuração.

Samba-Enredo

O samba segue a mesma linha do enredo, que tem dificuldades de contar a proposta e apela para muitas expressões clichês. O desempenho na pista, porém, foi um destaque positivo graças a grande atuação da intérprete Elci Souza, uma das grandes revelações do carnaval paulistano nos últimos anos. O andamento da obra foi corrigido em relação ao ensaio técnico, e funcionou melhor na Avenida dentro do quesito em si.

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Fantasias

As fantasias conseguiram se encaixar dentro dos versos do samba com facilidade, e apesar do acabamento simples no geral, permitiu aos componentes evoluírem sem dificuldades. A grande presença de destaques na pista com belas fantasias deu a sensação de que suas roupas receberam mais atenção do que a dos demais componentes. A ala dos perfumes, por exemplo, continha elementos nos ombros posicionados de forma diferente em algumas peças se comparado a maior parte da ala, sendo que essa não parecia ser a proposta do segmento.

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Alegorias

A Santa Bárbara apelou para o volume das alegorias para impactar na Avenida, mas o que se viu foram carros com acabamento muito simples. O abre-alas possuía arcos com folhas que invadiam o espaço de circulação dos corredores laterais. A parte frontal da alegoria apresentou falhas na iluminação, que se apagou durante a passagem da escola, mas voltou a acender ao se aproximar do quarto módulo. O segundo carro, também muito simples apesar do volume, foi de difícil leitura e teve pouca identificação com o próprio enredo em si.

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Outros destaques

Os destaques de chão que a Santa Bárbara trouxe chamaram atenção, interagindo com o público e demonstrando simpatia. Cleyton Sorrilha, que é rei da bateria, um elemento raro de se ver nas escolas de samba, deu show de irreverência e embalou a apresentação da bateria “Ritmo Tempestade”.

Canto forte e estética impecável: Unidos do Peruche traz doce aroma para o Anhembi

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Tida como uma das favoritas para o Grupo de Acesso II em 2023, a Unidos do Peruche fez questão de deixar claro que o status não veio à toa. Com um desfile que impressionou pelo bom gosto estético e pela grande exibição do casal de mestre-sala e porta-bandeira, a Filial do Samba deixou apenas uma dúvida na prática: a função do tripé que veio logo após a comissão de frente. Há, porém, uma certeza: a apresentação do enredo “A Essência Que Me Seduz”, que durou 47 minutos (logo, três minutos abaixo do limite máximo regulamentar) brigará pelo título do agrupamento no ano.

Comissão de frente

Com uma fantasia inteira branca e prateada (dando a impressão de que eram seres celestiais), com forte maquiagem também no rosto, os componentes executaram uma coreografia que apostou no bailado puro, sem recurso algum extra e sob a batuta do coreógrafo Matheus Cardoso. O grande trunfo dos bailarinos foi a sincronia, já que cada movimento era executado com ritmo perfeito em cada passagem – o que incluiu também a apresentação na frente de cada uma das torres de jurados.

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Um detalhe curioso veio logo após os integrantes do setor. Havia um tripé com figuras remetendo a santos (o que combina com os seres celestiais que vinham à frente), mas ele não interagiu com os componentes em momento algum – e vice-versa. Por sinal, o tripé era empurrado por pessoas que estavam fantasiadas como os seres celestiais.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Dos casais mais eficientes e graciosos de todo o carnaval paulistano, Kawê Lacorde e Nathalia Bete tiveram mais uma noite de gala. Extremamente sorridentes e expressivos, ambos tiveram muita sincronia em cada movimento e envergaram com muita altivez o tradicionalíssimo pavilhão perucheano.

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Kawê e Nathalia mesclaram de maneira bastante satisfatória as interações com o samba e entre eles mesmos, o bailado e os giros. Cada desfraldamento do pavilhão foi executado de maneira precisa, sem contratempos e com largos sorrisos de dois componentes que sabem como poucos a nobre arte que exercem.

Harmonia

O início da escola foi plenamente satisfatório no quesito. As primeiras alas perucheanas cantaram com força o samba-enredo, surpreendendo até mesmo quem estava nas arquibancadas – que, moralmente coagidas, passaram a reagir ao canto.

A partir do segundo setor, é bem verdade, para exprimir o máximo canto de cada componente, foram necessárias algumas chamadas de atenção de staffs posicionados no corredor. Após cada uma delas, entretanto, os foliões voltaram a cantar forte a canção.

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O alinhamento de cada ala era foco de atenção dos staffs, mas não foram necessários grandes chamadas de atenção em tal aspecto.

No fim das contas, o que fica é uma imagem rara e que se repetiu diversas vezes ao longo do desfile: pessoas com a camisa da escola cantando o samba e de olhos franzidos para ficar atento a qualquer deslize – que raramente ocorriam.

Enredo

A história do perfume foi o mote para o enredo “A Essência Que Me Seduz”, idealizado pelo carnavalesco Mauro Xuxa. Mais que trazer o desenvolvimento histórico de tão conhecido fluido, o desfile permitiu associações imediatas para quem estava atento ao samba-enredo – que buscou explicar, de forma melódica, o que era visto.

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O primeiro setor trazia uma linha cronológica do perfume, com referências a nações e eventos históricos – como as Cruzadas, os franceses e a chegada dos portugueses ao Brasil. Depois, veio a interação das essências com o carnaval e, por fim, a importância das florestas brasileiras para o desenvolvimento de novos aromas.

É bem verdade que o primeiro setor busca alcançar um período histórico muito maior que os dois seguintes (que, por vezes, até mesmo se confundia), mas tal situação é permitida pelo próprio enredo desenvolvido – logo, não é considerado como falha.

Evolução

Bastante regular ao longo de todo o desfile, o componente perucheano aproveitou o samba-enredo que caiu no gosto da escola e se movimentou bastante. Brincando e com bastante leveza, cada componente aproveitou para interagir com companheiros de ala e com as arquibancadas.

Vale destacar, também, o andamento sem sobressalto algum ao longo de todo o desfile. Sem acelerar ou frear o passo, a Filial do Samba passou de maneira linear pelo Anhembi – o ideal para todos os envolvidos.

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O recuo da bateria, momento sempre de tensão em cada desfile, foi executado sem deixar buraco algum na passarela. A bateria esperou metade do espaço destinado a ela aparecer e curvou-se à direita, logo atrás de uma das mais tradicionais Velha Guardas da cidade de São Paulo. Com uma recheadíssima corte de bateria, coube às destaques ir à frente da passarela e sambar bastante até que a ala anterior assumisse o posto – e, também, impedindo o aparecimento de buracos. Foram cerca de oitenta segundos de agremiação aguardando o final da movimentação para voltar a evoluir.

Samba-Enredo

Como dito anteriormente, a canção caiu no gosto da comunidade perucheana – o que, é claro, facilitou a execução da obra na avenida. Além dos componentes, vale destacar, também, a ótima condução da música na avenida por Alex Soares, que empolgou desde os alusivos cantados na Concentração. Sem muitos cacos, ele também foi ajudado pela grande noite da Rolo Compressor, sob o comando de Acerola de Angola – os ritmistas, entretanto, apostaram mais em bossas e em um andamento pouco mais acelerado para empolgar os desfilantes.

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Fantasias

De acordo com cada setor (explicado no quesito “Enredo”), a cromia da escola evoluiu de maneira condizente com o que era pedido: no primeiro, cores com tom mais pastel, para dar a aparência de envelhecimento; no segundo, cores bem mais vibrantes (com destaque para uma ala em um forte tom de azul, com componentes cantando muito forte o samba); por fim, no terceiro, o verde interagia com cores em tons de lavanda e rosa – para remeter a algumas das flores utilizadas em essências. Neste último setor, destaque para a ala das baianas, majoritariamente de branco e com detalhes verdes e lilás – fazendo uma mescla perfeita com o que viria pela frente.

Mais do que isso, chamou atenção o extremo bom gosto das fantasias desenvolvidas pela escola. Enquanto coirmãs buscaram colocar algum adereço e/ou costeiro por cima de tecidos brutos, a Peruche, claramente, investiu para dar ao folião a certeza de que vestia uma fantasia completa, produzida e pensada para ele. Com acabamento impecável e peças de extremo bom gosto, cada roupa parecia, também, leve – deixando o folião bastante à vontade para cantar e se movimentar.

Alegorias

O abre-alas da escola chamou atenção não apenas pela beleza que trouxe, majoritariamente nas cores azul e amarela e com esculturas magistralmente bem desenvolvidas e acabadas. O carro, bastante imponente e alto, trouxe um gigantismo e bom gosto para o desfile que se confirmou conforme ele se desenrolava – e que ficou ainda mais bonito com a fumaça que saía do mesmo.

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A segunda alegoria, pouco menor, manteve o ótimo nível estético e fechou o desfile dentro do seguimento do enredo, unindo a história da escola com as essências proporcionadas pela Floresta Amazônica.

Outros destaques

Das escolas mais tradicionais do carnaval paulistano, a Unidos do Peruche tem diversos sambas de quadra reconhecidos no carnaval de São Paulo. A execução de alguns deles fez com que a escola entrasse na avenida já com três minutos no cronômetro.