Décima escola a desfilar, a Torcida Jovem levou para o Anhembi um enredo em homenagem à orixá Iemanjá. O destaque fica para as criativas alegorias que a agremiação produziu. Começaram com a África e terminaram com o mar de Iemanjá, levando painel de led no segundo carro com imagens da santa. A bateria ‘Firmeza Total’, do estreante mestre Caverna, fez uma apresentação de destaque com suas bossas localizadas nos últimos versos do samba-enredo. Vale ressaltar a fácil leitura do enredo que a Torcida Jovem proporcionou, levando também fantasias de um reconhecimento válido.

Comissão de frente

A ala executou uma coreografia totalmente simples. A comissão de frente se apresentou com mães e pais de santo vestidos todos em branco dançando de um lado para o outro na letra do samba. Esses componentes saudavam o público. Porém havia um personagem que estava todo de vermelho representando Exú. Tal componente não tinha uma coreografia padrão. Ele ficava ‘rindo’ o tempo todo e dançando para o público. Interpreta-se que o contexto é de abrir os caminhos para Iemanjá, que é o enredo da escola alvinegra.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Alex Santos e Dani Motta fizeram uma apresentação satisfatória. Destaque para a fantasia, que era branca em azul, mesclando as tonalidades da cor. Vale ressaltar o adereço de cabeça da Dani, que deu um contraste muito belo para a apresentação. A porta-bandeira também não tirou o sorriso do rosto. Mostrou leveza em análise no setor B em diante. O bailado da dupla se destacou pelo minueto, que combinado com a parte de baixo da fantasia de Dani Motta, foi um grande passo para a apresentação válida.

Harmonia

A agremiação alvinegra desfilou pequena, mas cantaram o samba. Não foi com tanto fervor, mas deu para ver que todos estavam com o hino na ponta da língua. O último verso do samba, “E vai… Quando o dia amanhecer… Minha prece mais sincera… É oferenda pra você… Mulher guerreira da pele preta… Reflete o teu poder. Essa parte se destaca bastante, principalmente quando a bateria de mestre Caverna realiza a bossa localizada. Além disso, o refrão também é um ponto-chave para o canto da comunidade.

Enredo

“Torcida Jovem está presente e canta nas águas da Mãe Iemanjá”, como já diz o enredo, é uma homenagem à orixá Iemanjá ligada às religiões afro. O tema foi muito bem contado no desfile. Apesar da comissão de frente ser um tanto simples, o contexto é aparentemente fácil. As fantasias têm palavras que permitem uma leitura tranquila do significado. Portanto, deu para entender o propósito do que a Jovem quis levar para o Anhembi – Africanidade, mães e pais de santo, outros orixás ligados, outros jeitos que Iemanjá é chamada, música referida a ela e o mar.

Evolução

A escola evoluiu de maneira correta. O alinhamento entre as alas foi cobrado pelo departamento de harmonia e os componentes acataram tranquilamente. De uma ponta a outra não houve problemas para a agremiação. Houve bastante compactação. Os integrantes da comunidade não têm uma coreografia fixa e todos têm a liberdade para evoluir espontaneamente, mas sempre respeitando o alinhamento cobrado pelos harmonias.

Samba-Enredo

Guiados pelo experiente intérprete Adeilton Almeida, a ala musical da Torcida Jovem fez um trabalho satisfatório em seu desfile. A escola fez uma grande aposta em usar palavras afros, como na primeira parte do samba e o refrão principal. Assim como em toda questão musical, os últimos versos se destacam pela versatilidade de usá-los para bossas da bateria e o uso da melodia da ala musical com o objetivo de fazer os componentes cantarem forte.

Fantasias

As fantasias eram ‘simples’, porém, como dito no tópico do enredo, tinha um fácil entendimento. Por exemplo, a última ala trazia a palavra ‘Awoyó’, que é uma forma de se referir à Iemanjá.

Outra ala tinha escrito na fantasia ‘Bailarina do Mar’, que é uma canção para Iemanjá. Ou seja, apesar da simplicidade na estética, a criatividade foi aproveitada.

Vale destacar a bela fantasia das baianas, que foi toda feita em palha, mesclando o bege, marrom e detalhes laranja na parte do pescoço. Essa vestimenta sim foi investida no luxo.

Alegorias

O abre-alas foi levado como uma cor monocromática, predominando o marrom. Nele, estava escrito ‘Jovem’ na frente, além de esculturas de gorilas na esquerda e direita da alegoria. Na parte de cima, foram colocados mais animais, como búfalos e elefantes. Isso remete à África. Mais precisamente sobre a savana africana.

O segundo carro representou o mar. Na frente, esculturas de tubarões e, no alto do carro, a imagem de Iemanjá negra. Atrás da escultura, um painel de led com diversas imagens da santa passando.

Alegorias de belo acabamento e fácil entendimento. Vale destacar a ousadia da segunda. Foi a única agremiação que usou um painel na noite.

Outros destaques

A bateria ‘Firmeza Total’, comandada por mestre Caverna, realizou um grande trabalho. As bossas foram bem executadas, principalmente a que fica localizada nos últimos versos. Destaque também para o forte uso dos atabaques dentro do samba.

Após a comissão de frente, a escola levou um grande tripé de um negro com roupa branca e azul como se fosse no mar. Não dá para saber muito bem o contexto, mas com certeza tem algo a ver com Iemanjá.

Vale destacar a festa da torcida nas arquibancadas, com bandeirões e sinalizadores. A escola também foi recebida com fogos de artifício.