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Componentes da Ala ‘O mundo anda muito sério’ da Vigário Geral levam o nome da ala ao pé da letra

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Vigario001 2A primeira ala da Vigário Geral representa a falta de tempo dos adultos com as crianças no dia a dia da vida. Os desfilantes são muito saudosistas em relação ao tempo de infância, apesar da correria, estão sempre levando a vida de uma forma mais brincante. Suas fantasias representam muito bem a questão das brincadeiras com cores que lembram a infância.

Os detalhes das fantasias remetem às brincadeiras de criança. A ala usa um chapéu colorido, um macacão verde e azul, uma gola branca e preta, além de um pião acoplado à fantasia.

Juçara, técnica em enfermagem aposentada de 63 anos, anda sempre lado a lado com as brincadeiras em sua rotina. Para ela, o fator lúdico torna a vida mais divertida.

“Brincava muito com meus filhos. Fazia cavalinho, soltava pipa, ensinei a jogar bolinha de gude (…) O lúdico você faz, não espera acontecer. Tudo na minha vida eu faço brincando: comida, arrumar casa (…) Sinto muita falta das brincadeiras: brincar de pipa, rodar pião, ciranda, todas as brincadeira”, disse Juçara.

Vigario002 2Marlene Souza, auxiliar de serviços gerais de 57 anos, mantém vivas as brincadeiras de criança com seu neto. Apesar de ser uma pessoa mais séria, Marlene sente falta do divertimento da sua infância.

“Brinco (com meu neto) de pega-pega, de esconde-esconde (…) Eu sinto muita falta (das brincadeiras), não tem mais. Amarelinha, pique-esconde, adorava pião. Não tem mais essas brincadeiras”, falou Marlene.

Célia Alves, tosadora e banhista de 48 anos, não tem filhos. Apesar disso, Célia sente falta do fator lúdico no dia a dia das pessoas. Segundo ela, a internet é um fator decisivo para isso.

“Sinto (falta do fator lúdico) no dia a dia. A gente perdeu um pouco do lúdico com a internet, eu acho. Acho que as crianças estão perdendo muito, antigamente a gente ficava na rua, brincava de pique-esconde, taco (…) Hoje tem coisas que não se brinca mais, até por causa da violência (…) A internet também acabou com isso”, expressou Célia.

Vanessa Cristine Fonseca, babá de 42 anos, desfilou ao lado de seu filho de 20 anos para relembrar o tempo da infância. Vanessa também acha que a informática contribuiu para a diminuição das brincadeiras de sua época.

“Brincava bastante (com meu filho), inclusive o trouxe aqui porque o tema do samba de Vigário Geral é brincadeira de criança. Eu brincava com ele do que ele mais gostava: até hoje é a bola. Como o próprio samba fala: ‘Beber água da bica, soltar pipa’. Essas coisas são mais difíceis de você ver hoje. Hoje em dia é muito informatizado”, falou Vanessa.

Personagens que marcaram gerações no cinema e TV são revividos em alegoria da Vigário Geral

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Vigario004 1Fechando o desfile da Vigário Geral, o carro “A alegria que brota das páginas dos livros e das telas do cinema e da televisão” relembra personagens clássicos de diversas origens que marcaram gerações. Os componentes ficaram animados em representar os heróis de muitas infâncias mundo afora. A alegoria tem características que remetem ao lúdico

Para dar a sensação de nostalgia para o público da Marquês de Sapucaí, o carro tem cores vivas para trazer de volta as memórias com os personagens que compõem o carro. Segundo Paulo Alcântara, coordenador do carro, a alegoria é uma alusão ao filme clássico “A Fantástica Fábrica de Chocolate” fazendo uma releitura para uma “Fantástica fábrica de brinquedos e animação para as crianças da comunidade”.

Vigario002 1Paulo Alcântara também é professor de história da arte, e representou o personagem Máskara do filme “O Máskara”. Paulo, de 54 anos de idade, sente orgulho em representar o personagem e comparou os heróis com os professores.

“O terceiro carro é repleto de super-heróis, contos de fada, príncipes, princesas, personagens de filmes e séries (…) Eu sou uma pessoa muito caricata. Eu não chego a ser um super-herói, mas sou um professor. Me considero um super-herói, estou no meu lugar de fala”, disse Paulo.

Yasmin Martins, estudante de produção cultural de 18 anos, estava fantasiada de Chapeuzinho Vermelho. Por se tratar de um clássico da literatura, acabou sendo sua primeira leitura quando criança.

“É um personagem muito importante para mim, minha história favorita. Quando surgiu essa oportunidade, fiquei muito feliz. A escola está muito linda, gosto muito de fazer parte disso (…) Foi o primeiro livro que eu li na vida, me marcou muito”, falou Yasmin.

Vigario003 1Fabiana Severo, cozinheira de 44 anos, estava vestida de fada. Na Vigário Geral, Fabiana se sente no mundo encantado.

“Estou super feliz, a escola é maravilhosa, meu segundo ano aqui. Estou no mundo encantado. É o mundo encantado que eu gosto”, expressou Fabiana.

Bateria da Vigário Geral representa a infância fantasiada de Chapolin

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Vigario001A Acadêmicos de Vigário Geral trouxe para avenida nesta sexta-feira, no desfile da Série Ouro a vida do menino Samir, um menino que sonha encontrar um bilhete premiado. A infância é representada na bateira da escola através da fantasia do Chapolin Colorado, um icônico personagem que marcou a infância de muitos brasileiros.

A fantasia da escola é idêntica à fantasia do personagem da TV. Os músicos usam uma antena na cabeça com duas bolas vermelhas, a blusa vermelha com as iniciais VG (Vigário Geral) em um coração amarelo e um short amarelo em cima de uma meia calça vermelha. Para Vinicius Severino, músico componente da bateria da Vigário há 13 anos, a fantasia é mais confortável.

“A gente já viu tanta fantasia pesada, e com essa daqui, a gente está satisfeito. Fantasias pesadas atrapalham a gente a tocar, essa é muito boa pra escola”, disse o músico.

Vigario002De acordo com Vanessa Peringue, componente da escola há 10 anos, além da fantasia ser leve, o personagem é marcado na infância de muitos brasileiros e por isso representa a infância no desfile da Vigário. “É leve, da fantasia se desenvolver bem com a fantasia hoje. A fantasia representa a lembrança da infância. Todas as idades gostam, deste as pessoas mais velhas e as crianças mais novas hoje”, explicou.

A escola foi a terceira a desfilar Sapucaí nesta sexta e trouxe em sua bateria uma fantasia que todas as gerações conhecem. “É maneiro a proposta, o Chapolin é legal. Ele representa minha infância e alegria” afirma Vinicius da Rocha, vestido com a fantasia de Chapolin, Vinicius tem 17 anos e está emocionado por desfilar pela terceira vez na Vigário.

Unidos de Vila Maria 2023: galeria de fotos

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Vigário Geral representa brincadeiras de rua em fantasia com peteca, pião e bolhas de sabão

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Vigario007A escola de Vigário representou a infância no desfile desta sexta-feira, através da história do menino Samir, menino da comunidade que sonha encontrar um bilhete premiado e realizar suas fantasias. Na ala 5 da escola, os componentes vestiram fantasias que representam as brincadeiras da infância.

A escola trouxe em sua fantasia, na quinta ala, passistas vestidos com um pião e uma peteca em cada ombro. Nas costas os componentes tinham uma capa com bolas, representando bolhas de sabão. O chapéu colorido deixa a fantasia mais divertida, junto com um macacão azul e uma blusa verde. Para os passistas, a fantasia é alegre e representa a infância de uma geração que se divertia sem tecnologias.

Vigario004“Hoje a vida digital tomou espaço da vida das crianças e tirou delas as brincadeiras de rua” diz Luís Andre, funcionário público, passista da escola há 2 anos. Para Luiz, as brincadeiras permitiam o contato com outras crianças, diferente das brincadeiras atuais.

Thamires Fernanda, professora, desfila na Vigário há 3 anos. Ela explica que a Vigário quer resgatar as brincadeiras e trazer para avenida. “Hoje em dia, a internet acaba atrapalhando as brincadeiras antigas das crianças e através das fantasias coloridas, a vigário quer resgatar isso”, afirma a passista e professora.

De acordo com os passistas, por conta das crianças estarem imersas no mundo virtual, as brincadeiras antigas e de rua estão sendo esquecidas. A Vigário relembra em seu figurino as brincadeiras, e com isso representa o folclore brasileiro, a história e a cultura do Brasil.

“As crianças não saem mais pra brincar na rua como antes. O figurino da Vigário representa essas brincadeiras de crianças, representa o amor e alegria” diz Célia Alves, passista na Vigário há 4 anos.

Diversidade: Fantasia ‘Bicha-malandro’, da bateria da Lins, destaca as duas personalidades de Madame Satã

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Lins004 2Fazendo alusão ao João Francisco malandro, porradeiro, que aprendeu capoeira para se defender e, simultaneamente, trazendo a personalidade de Madame Satã como drag, a fantasia dos ritmistas da Lins Imperial resumiu as duas principais personalidades de Madame Satã ao longo de sua vida. A fantasia “Bicha-malandro” era dividida ao meio, inclusive na pintura de rosto, evidenciando a mistura entre o João malandro e a Satã artista.

Em entrevista ao CARNAVALESCO, os componentes da bateria da escola de samba do Lins explicaram a mensagem representada na roupa dos ritmistas e a importância de falar de Madame Satã no carnaval deste ano.

Adailton Junior, de 29 anos, é ritmista da Lins Imperial a vida inteira e há três anos é diretor da bateria da escola de samba. Ele destacou as duas personalidades de João Francisco, mensagem representada na fantasia dos ritmistas da agremiação.

Lins001 3“A fantasia da bateria representa uma parte do trecho do samba, que significa o bicha-malandro – ao mesmo tempo que a malandragem representada na figura de Madame Satã, também havia toda a parte performática dele. A fantasia representa esses dois lados de Madame Satã, que acompanhou ele em boa parte de sua vida”, explicou o diretor de bateria da escola de samba.

Para Adailton, a diversidade é o principal ponto nesta mensagem da bateria da Lins Imperial que, segundo ele, está presente nos próprios ritmistas. O diretor destacou que o segmento da escola é plural, com mulheres, meninos e pessoas de diversas orientações sexuais.

“A importância desta mensagem em meio ao segmento da bateria é a diversidade. Nós temos meninos, homens e muitas mulheres que foram formadas pela nossa bateria. Também temos heteros, bi e homossexuais. É uma bateria muito diversa e, por isso, essa mensagem também é passada através dos nossos componentes”, enfatizou Adailton Junior.

Lins003 2Uma releitura do que foi um grande desfile no Grupo Especial de 1990. O diretor de bateria enfatizou a importância de voltar a falar de Madame Satã na atualidade, em meio a um crescente número de transfobia e discriminação contra minorias.

“Madame Satã foi um samba histórico da nossa escola. A importância é trazer de volta para a Avenida a figura de Madame Satã em meio a um momento em que o Brasil vive com muita intolerância em diversos aspectos, como religiosa e sexual. A importância é destacar que o carnaval é feito através da diversidade. Ele não é feito de cores, gênero ou qualquer outra coisa. Ele é o carnaval do povo. A mensagem é de muita garra. A escola vem com muita força e muita vontade e sede de fazer as coisas darem certo”, detalhou.

Se para o ritmista que já está há anos na escola fazer uma releitura de Madame Satã é de enorme responsabilidade, para quem chegou agora na Lins Imperial, o peso é em dobro. Romulo Fernandes, de 29 anos, contou que este foi o seu primeiro ano na Marquês de Sapucaí. Mesmo novo na agremiação, Romulo sabe a importância que é falar sobre João Francisco dos Santos.

Lins006 1“É uma experiência muito boa e uma expectativa muito grande. Moro no Engenho Novo, ao lado do Lins, e poder estar presente, representando a minha região, com certeza será algo que ficará marcado, ainda mais com o enredo de Madame Satã, que é uma figura histórica da Lapa. É um enredo histórico da escola e ela está tentando ressignificar justamente em tempos em que temos muito preconceito e descriminação como a transfobia. O Brasil é um dos países em que se mais mata pessoas transsexuais. Trazer esse enredo novamente tem uma grande importância social e histórica para esse grupo que, infelizmente, sofre violência todos os dias”, enfatizou o ritmista.

Outro novato na bateria da escola de samba, Jeferson Lourenço, de 32 anos, lembrou que a mensagem no enredo e na fantasia da bateria é a diversidade, algo que sempre fez parte do carnaval.

“A responsabilidade é grande e muito nervosismo. Acredito que a escola vem bem. A minha fantasia é uma mistura de malandro com Madame Satã e ela está bonita para a gente ir firme para a Avenida. A mensagem e o que é importante é a diversidade. Trazer para a bateria, que as pessoas acham que é um segmento muito masculino, essa diversidade e alegria para o carnaval. A palavra do carnaval é justamente essa – diversidade – trazer a integração. No carnaval, todo mundo tem voz e o seu espaço”, contou.

Samuel Douglas, de 40 anos, desfila pela Lins Imperial há três anos. Para ele, é importante trazer novamente a figura de Madame Satã para a Passarela do Samba.

“Eu acredito que a bateria é o coração da escola e Madame Satã é justamente isso. É muito importante trazer um homem negro e homossexual para a Sapucaí. É uma mensagem de suma importância que nós vamos passar na Marquês de Sapucaí”, declarou o ritmista da Lins Imperial.

A Lins Imperial foi a segunda escola a desfilar neste primeiro dia do carnaval carioca. Com Madame Satã, a escola marcou a abertura dos desfiles com representatividade aos grupos minoritários.

Fotos: desfile da Unidos de Padre Miguel no Carnaval 2023

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Freddy Ferreira analisa a bateria da Estácio de Sá no desfile

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A bateria da Estácio de Sá, sob o comando de mestre Chuvisco, fez um grande desfile. Com seu timbre relativamente grave, que deixou o ritmo da “Medalha de Ouro” pesado, sendo complementado por um naipe de caixas diferenciado, que amparou as demais peças musicalmente. Num cortejo onde o maior mérito foi conectar a sonoridade da escola do morro de São Carlos com a cultura musical maranhense.

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A cozinha da bateria exibiu um naipe de caixas de guerra ressonante e consistente, com o peculiar toque de partido alto, com o instrumento carregado nos braços, sem uso de talabarte. Embalados pelos marcadores de primeira e segunda, que se exibiram de modo sólido, firme e preciso, fazendo valer a afinação grave característica da “Medalha de Ouro”. Os surdos de terceira permitiram um swing envolvente à parte de trás do ritmo, assim como repiques coesos ajudaram no preenchimento da musicalidade.

A cabeça da bateria demonstrou uma virtude musical de alto valor. Agogôs integrados fizeram uma convenção pontuando a melodia do samba, enquanto uma ala de cuícas sólida complementou a sonoridade. Na primeira fila da bateria da Estácio haviam ritmistas tocando instrumentos vinculados ao Bumba Meu Boi maranhense: tais como pandeirão, matraca e tambor, entre outros. Uma ala de tamborins de nítida qualidade técnica efetuou um trabalho notável atrelado à chocalhos com bom volume, dando leveza a parte da frente do ritmo estaciano.

A paradinha do refrão principal ficou marcada por uma elaboração de nítida qualidade, além de virtude sonora. Os surdos de primeira e segunda fecham no início do estribilho, para que terceiras fiquem marcando, enquanto o ritmo da vermelho e branco do bairro do Estácio prossegue com ênfase musical do naipe de tamborins, que intercalam as batidas entre as pancadas de primeira e segunda na paradinha, se aproveitando da diferença entre os timbres das afinações para consolidar o ritmo. Uma bossa que deu pressão ao ritmo da Estácio era apresentada em sequência, logo na cabeça do samba, construindo com isso uma narrativa rítmica extensa, demonstrando toda a versatilidade e dinamismo sonoro da “Medalha de Ouro”.

A bossa do refrão do meio apresentou uma construção musical plenamente integrada com o samba-enredo da Estácio de Sá, além de intimamente conectada ao enredo da escola do morro de São Carlos. Começa com uma levada envolvente no ritmo de Reggae, na primeira passada do refrão. Já na segunda passada, a bateria “Medalha de Ouro” inicia tocando Xote, para finalizar a paradinha ao som de Xaxado. Um arranjo musical de bom gosto, mostrando múltiplas musicalidades que estão atreladas ao enredo da escola.

A paradinha da segunda do samba era a de maior complexidade musical, sem contar o elevado grau de execução. Uma intensa mistura de ritmos maranhenses foi apresentada em sequência, conforme o samba-enredo da Estácio solicitava. A bossa iniciou com um ritmo conhecido por Boi da Ilha, seguido de uma batida de São João. Foi possível notar posteriormente os ritmos de Tambor de Crioula e logo após Cacuriá. Para finalizar a paradinha extremamente ousada, após a frase de subidas dos repiques foi possível perceber o toque das matracas também aparentemente chamando o ritmo na retomada. Um arranjo musical profundamente desafiador, altamente conectado à cultura do Maranhão e que devido ao grau de execução elevado, só foi sabiamente apresentado no último módulo de julgador.

As apresentações da bateria da Estácio de Sá em frente aos três módulos de julgadores ocorreram sem problemas evidenciados de dentro da pista. A bateria “Medalha de Ouro” dirigida por mestre Chuvisco teve uma conjunção sonora impecável, aliada a um ritmo culturalmente vinculado ao Maranhão, conforme solicitou o samba e o tema da escola.

Estácio traz bom conjunto visual e tem destaque para o casal em desfile com canto irregular

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A Estácio de Sá foi a quarta escola a desfilar na noite de sexta-feira e apresentou um excelente trabalho visual de Mauro Leite em sua estreia, produzindo um carnaval solo no Berço do Samba, após dividir os últimos desfiles com Wagner Gonçalves e auxiliar o trabalho de Rosa Magalhães em 2020. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira Feliciano Júnior e Alcione Carvalho também produziram uma bonita apresentação recheada de referências à musicalidade do tema apresentado na Sapucaí. A comissão de frente e a evolução da escola também foram pontos positivos. O ponto negativo foi o canto irregular da escola que teve algumas alas se destacando, mas outras nem tanto. Com o enredo “ São João, São Luís, Maranhão! Acende a fogueira do meu coração ”, a Estácio de Sá encerrou seu desfile com 54 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Comissão de frente

A comissão de frente da coreógrafa Ariadne Lax apresentou o sagrado e o profano presentes nas manifestações populares. Nela, brincantes com trajes livremente inspirados nas indumentárias do Bumba-Meu-Boi e do Cacuriá, típicos da cidade de São Luís do Maranhão, realizaram um cortejo sagrado que no decorrer da apresentação assumiu aspectos de um folguedo popular. Como elemento cênico, a comissão trouxe um andor, um símbolo de fé tradicionalmente usado em procissões católicas. Acima do elemento sagrado, estavam os dois santos retratados no enredo, São João e São Luís.

Tendo a função de mostrar a união do sagrado com o lado profano da festa popular, a estrutura se fechava e se transformava em um enorme boi que pela coloração escura e as fitinhas e desenhos presentes no animal fazia referência a festa popular do boi-bumbá. No deslocamento, os bailarinos apostaram em uma coreografia de danças mais tradicionais da região. No geral, foi uma apresentação que trouxe de forma clara e dançante o enredo, e trazendo na aparição do boi seu grande ápice e surpresa.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Feliciano Júnior e Alcione Carvalho, veio no primeiro setor, logo após a comissão de frente e homenageou a arte do bordado, apresentando os típicos bordados coloridos sobre fundo negro, tradicionais dos couros dos bois e dos trajes dos caboclos e índios do Bumba-Meu-Boi. A fantasia apresentava um bonito contraste entre o colorido dos bordados e o fundo negro das plumas. O casal demonstrou uma dança de muita aproximação, investindo muito na intimidade no início, no toque entre os dois dançarinos e na suavidade. Depois, principalmente na segunda do samba, pode-se perceber a utilização de passos mais característicos de danças da região em alguns momentos pontuais da letra. No trecho “merci num balancê”, Alcione faz a preparação com uma mão próxima ao rosto para realizar passos do tambor de crioula no trecho a seguir ” Crioula, toca o tambor”, enquanto Feliciano faz o gesto de quem toca o tambor. No refrão principal, os dois retomaram a proximidade e fizeram o rodopio final para terminar a apresentação.

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Harmonia

A comunidade do Estácio teve um desempenho irregular no canto da obra do Berço do Samba na Sapucaí. O desfile até começou com um bom rendimento dos componentes com o samba e com os gritos de incentivo do intérprete recém chegado à escola Alessandro Tiganá. Mas conforme a escola ia passando do meio, era perceptível algumas alas cantando e outras nem tanto. E nas próprias alas, às vezes era possível notar alguns integrantes cantando mais nas pontas, porém na meiuca muita gente passava calada ou apenas cantando os refrões. Isso foi perceptível nas alas “quadrilha” e “Cacuriá” no terceiro setor. Mas neste mesmo setor é possível elogiar a ala “tambor de crioula” em que quase todos os componentes cantavam com muita força, assim como algumas alas do início, segundo setor, “Anjinhos do céu” e ” Festejando São João”.

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Em sua estreia, Tiganá mostrou que foi um acerto na escolha da escola com seu estilo intenso bem conectado com as características valentes e para frente que a comunidade do Estácio gosta em seus sambas e que proporciona inclusive um melhor trabalho da bateria Medalha de Ouro. O único ponto a se colocar no trabalho do cantor foi o início com a utilização em alguns momentos de forma demasiada de alguns cacos mais falantes, próprios para o incentivo aos componentes, mas que em exagero atrapalhava um pouco a condução do samba e pode gerar despontuações por parte dos jurados.

Enredo

O enredo “ São João, São Luís, Maranhão! Acende a fogueira do meu coração ” apresentou uma das mais importantes manifestações do ciclo das festas juninas do Brasil que acontece na cidade de São Luís, no Maranhão, particularmente enriquecida pelo patrimônio cultural da cidade, exemplificado pela presença dos importantes grupos de Bumba-Meu-Boi, Tambor de Crioula, Cacuriá, Danças Portuguesas, Quadrilhas, entre outros. A forma escolhida para a apresentação do tema foi uma fábula a partir da presença dos santos São Luís, que dá nome a cidade, e São João. Nesta narrativa, santos e festeiros brincaram na mesma roda. O enredo foi apresentado de forma clara, leve, divertida e de fácil entendimento pelos carros e pelas fantasias. Ainda que não tenha se aprofundado no tema, cumpriu de forma satisfatória a principal ideia de unir os santos São Luís e São João dentro da capital do Maranhão e dentro dos festejos juninos.

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Evolução

A Estácio de Sá apresentou uma evolução bastante satisfatória, não apostando em alas coreografadas mas na espontaneidade dos componentes que brincaram na Avenida e deram o tom de alegria que o enredo pedia. As fantasias ajudaram por ainda que produzissem um volume interessante para a estética ficaram longe de incomodar os componentes. Não se percebeu durante a passagem da Estácio pela Sapucaí a aparição de buracos ou grandes espaçamentos entre as alas, ao contrário, a agremiação preencheu bem a pista e as próprias alas estavam com um bom volume de pessoas. A bateria entrou no primeiro recuo aos 35 minutos de desfile sem gerar problemas e da mesma forma saiu aos 45 minutos de apresentação da escola. Não se percebeu também correrias, e o andamento teve sempre fluência sem a Estácio ficar muito tempo parada.

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Samba-Enredo

No samba da Estácio Sá 2023, existe um contraste entre um refrão principal “Berço do Samba é batuque…” que é mais valente, e um refrão do meio “Encantada no nordeste brasileiro…” que passeia por uma expressão mais melodiosa. A obra de Samir Trindade e companhia foi considerado uma das melhores do Grupo no pré-carnaval. Seu desempenho na Sapucaí foi satisfatório em termos de ritmo, ainda que não tem apresentado uma grande interação com o público. Como falado em harmonia, o canto da comunidade não foi homogêneo. A segunda do samba apresentou soluções bastante interessantes de notas, com uma melodia mais valente e que chama o componente a cantar mais forte como nos trechos “Pai Francisco”, ” Crioula” e “Eu vou-me embora”. Mas o principal destaque no canto ficou mesmo para os dois refrões, principalmente o do meio ” Encantada no nordeste brasileiro”.

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Fantasias

O ótimo conjunto visual de Mauro Leite só foi manchado pelo problema com a roupa das passistas que aparentemente não chegaram a tempo. As meninas desfilaram apenas de biquíni com a cabeça que fazia alusão ao aspecto indígena, pois a fantasia representava justamente a figura do índio, sempre presentes nos diversos tipos de Bumba-Meu-Boi. Já os meninos vieram só com a calça. Esta situação vai gerar perda de pontuação na apuração, pois passou assim em todos os módulos de julgamento. Mas, em geral, foi um bom trabalho de apuro plástico do carnavalesco que fez bom uso dos materiais, sem ter o uso elementos mais caros, mas ainda assim com bom acabamento e bom gosto. O início e o final do desfile apostando nas cores mais quentes e no setor sobre o céu apostando em cores claras. As baianas, por exemplo, no segundo setor, representaram a idealização de um céu estrelado, símbolo de paz e luz, fazendo o uso da relação entre o branco e o prata.Discípulo de Rosa Magalhães, Mauro também caprichou nas cabeças das fantasias fazendo um bonito efeito e ajudando a dar o entendimento escolhido para a paleta de cores bastante pertinente com o enredo.

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Alegorias

Em seu conjunto alegórico, a Estácio de Sá trouxe três alegorias e um tripé. O uso das cores referentes a cada situação do enredo apresentado nas fantasias também foi mantido para as alegorias que tiveram bom acabamento e destaque para a iluminação. O carro Abre-Alas “Cidade de São Luís, Festa de São João” trouxe o Leão, símbolo da escola, que rugia inclusive , apresentando a união da Cidade de São Luís, apresentada bem colorida no carro e os festejos de São João, decorados com bordados típicos e franjas de fita, com elementos do Bumba-Meu-Boi. O segundo carro era uma representação idealizada do céu com os destaques representando o encontro entre os santos, São Luís e São João. Esta alegoria fazia uso da iluminação em tom azul que contrastava com o branco de forma eficiente e dando vida ao claro do carro. O uso de espelhos na saia também foi um ponto forte.O tripé localizado no terceiro setor representava a imagem de um oratório caseiro, onde as devoções populares são cultuadas. Por fim, a terceira alegoria “São João”, um carro muito colorido decorado com bandeirinhas, tradicionais no Brasil inteiro, faziam uma indissociável alusão a festa de São João, além dos balões e a estrutura de tenda muito utilizada nos festejos.

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Outros destaques

A bateria Medalha de Ouro comandada por mestre Chuvisco veio como “vaqueiros”, personagens do Bumba-Meu-Boi, empregados na fazenda. A bateria fez bossas de xote e xaxado no refrão do meio e utilizou tambores e instrumentos típicos do Maranhão feitos de madeira, utilizados em uma bossa de galope. A rainha Nathália Hino era a “Magia Indígena” e nas cores amarelo, vermelho e laranja mostrou samba no pé e como indígena entrou no personagem sempre interagindo com mestre Chuvisco. Próximo a bateria medalha de Ouro, veio mestre Ciça da Viradouro, cria do Estácio, e mestre Casagrande da Unidos da Tijuca. No esquenta, a escola cantou o samba de seu campeonato ” Paulicéia Desvairada” de 1992.

Barroca Zona Sul: Chuva forte encaixa no clima do enredo e engrandece desfile sobre os guerreiros ‘Guaicurus’

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A Barroca Zona Sul foi a terceira escola a se apresentar na noite desta sexta-feira, dia 17 de fevereiro, pelo Grupo Especial do Carnaval 2023. Com destaque para a criativa comissão de frente e a harmonia surpreendente em meio à chuva torrencial que caiu ao longo do desfile, a Faculdade do Samba encerrou sua apresentação em uma hora e três minutos. A Verde e Rosa desfilou este ano com o enredo “Guaicurus”. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Comissão de Frente

A comissão de frente da Barroca retratou a chegada do antropólogo Darcy Ribeiro, nos Anos 1940, na tribo Kadiwéu, um dos povos remanescentes dos antigos Guaicurus. Foi através deles que Darcy aprendeu sobre a lenda que conta a origem dos povos indígenas, criados por Gô-Noêno-Hôdi. Os Guaicurus eram renegados pelos outros povos, e vendo essa situação o pássaro lendário Carcará os abraça sob sua proteção, mas também persuade os Guaicurus a demonstrarem sua superioridade através da força, como o “Grito que amedronta a floresta”.

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Uma coreografia de fácil entendimento, que ilustrou de maneira quase cartunesca a forma como os Kadiwéu receberam Darcy Ribeiro. A interpretação foi de alto nível, com os personagens se encaixando ao longo das três passagens do samba de maneira didática e agradável. Uma excelente forma de se iniciar um desfile, e como a chuva só começou enquanto o grupo cênico passava pelo quarto módulo, dificilmente o clima será responsável por perda de pontos, o que pode ser de grande valia no conjunto final

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Marcos Costa e Monalisa Bueno desfilaram com fantasias representando “A Maldade do Carcará”. O casal teve desempenho límpido ao longo dos primeiros módulos, com sincronia polida e encaixe de mãos preciso e veloz nos momentos em que fizeram. Mesmo já chegando no quarto módulo, quando a chuva se tornou muito agressiva, a dupla passou a adotar uma estratégia de dança técnica e mesmo assim não falhou, com minueto bem aplicado e giros terminados com precisão. Ótima atuação geral do primeiro casal da Faculdade do Samba.

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Harmonia

O que poderia ser considerado um quesito preocupante para a Barroca se tornou importante trunfo conforme a chuva foi caindo. Com o público animado e disposto a continuar no lugar, os componentes da escola elevaram o nível de canto, que já estava bom no início do desfile. O canto apresentou desempenho positivo o bastante para encorajar a bateria a fazer um apagão já para a metade final do desfile, com resposta muito bem encaixada por todo o coral. É de se parabenizar ver como a comunidade da Zona Sul se manteve firme até o fim da apresentação.

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Enredo

Assinado pelo carnavalesco Rodrigo Meiners, o enredo da Barroca conta a história dos índios Guaicurus desde as lendas sobre suas origens, contadas por Pajés ao longo da história, passando pela época da colonização da América do Sul até os últimos registros conhecidos desse povo que foi traído pela Coroa Portuguesa após a Guerra do Paraguai, onde tiveram papel fundamental na vitória do Brasil.

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A leitura do enredo ao longo do desfile não foi comprometida pela chuva, mesmo nas alas que tiveram plumas prejudicadas. As alegorias formaram um bom conjunto com os demais segmentos e permitiram a construção de uma narrativa fácil e didática. É mais um quesito forte a favor da Faculdade do Samba.

Evolução

A chuva atrapalhou o bom andamento inicial do desfile da Barroca. Os diretores de ala e alegoria tiveram dificuldades em manter seus componentes em um andamento constante, o que causou algumas aberturas de espaço contundentes na metade final do desfile. Apostando em uma estratégia pouco usual nos dias de hoje, a bateria “Tudo Nosso” veio posicionada após o segundo carro da escola, o que forçou o primeiro casal a ficar um tempo considerável diante de um dos módulos de julgamento, expondo-os a um tempo maior de análise do jurado que o habitual. O desfile terminou com 1 hora e 3 minutos, sem a escola precisar acelerar o andamento para fechar dentro do tempo limite.

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Samba-Enredo

A Barroca Zona Sul conseguiu mais um samba para a sequência de grandes obras lançadas pela escola nos últimos anos. Com um estilo forte, de canto valente e elevado, ganhou ainda mais valor na voz do intérprete Pixulé, que se dá muito bem com esse tipo de samba. A letra é assinada pelos seguintes compositores: Thiago Meiners, Claudio Mattos, Sukata, Morganti, Tubino, André Mattos, Thiago Savanna, Wilson Mineiro, Julio Alves, Rodrigo Alves, Silvio Ribeirinho, Fernando Negão e Pixulé.

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O samba funcionou muito bem ao longo de toda a apresentação. Com algumas vozes fazendo cacos ao fundo lembrando marcha de guerra, e somando a isso a própria chuva torrencial, causou uma ambientação bélica digna da ludicidade do Carnaval.

Fantasias

As fantasias apresentadas pela escola através das alas representaram personagens e registros da história dos Guaicurus, passando pela guerra contra os europeus e guaranis até os capítulos que narram a Guerra do Paraguai.

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Alas que contavam com plumas naturais, como as de número 5, 7 e 13, foram bastante comprometidas pela chuva, ao contrário das fantasias que apostaram em penas artificiais, que se mantiveram intactas. De geral, apesar da simplicidade, as fantasias eram de fácil leitura e permitiram aos componentes brincarem o Carnaval sem percalços. Destaque para as fantasias que antecederam a alegoria da Guerra do Paraguai, que estavam impecáveis.

Alegorias

As alegorias da Barroca ilustraram diferentes cenários da época da colonização. Uma jornada iniciada pelo Abre-alas, representando as expedições em busca do suposto Eldorado, passando pelo luxo do Forte Coimbra que foi tomado pelos paraguaios e culminou na famosa Guerra do Paraguai, chegando à guerra propriamente dita e encerrando com um clamor pela preservação do Pantanal.

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Conforme passaram pela Avenida, as alegorias ganharam em grandeza. Retrataram o enredo de forma adequada, e graças à inusitada ambientação se tornaram ainda mais atrativas aos olhares do público, que vibrou ao longo da passagem delas. O quesito que deu 40 pontos em 2022 pode render novamente um resultado positivo para a Faculdade do Samba.

Outros destaques

A chuva que caiu ao longo do desfile foi tão forte que em muitos momentos comprometeu a própria visibilidade do desfile em sim. Ventos fortes empurrando as águas, com poças se formando nas laterais da pista desafiavam os olhares menos atentos. Os pés dos ritmistas da bateria “Tudo Nosso” nos fundos do recuo chegaram a ficar submersos, numa cena vista por poucos, mas certamente surreal.

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O grande destaque do desfile foi a bravura da comunidade da Barroca Zona Sul, que fez o seu melhor e encarnou o espírito dos guerreiros Guaicurus conforme a situação se tornava mais agravante. Não é fácil desfilar sob tanta chuva, mas o desempenho da Faculdade do Samba nessas condições merece ser reconhecido como um feito comovente do espetáculo do Carnaval de 2023.