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Estácio traz bom conjunto visual e tem destaque para o casal em desfile com canto irregular

Problema com roupa de passistas pode gerar perda de décimos, comissão de frente passou bem

A Estácio de Sá foi a quarta escola a desfilar na noite de sexta-feira e apresentou um excelente trabalho visual de Mauro Leite em sua estreia, produzindo um carnaval solo no Berço do Samba, após dividir os últimos desfiles com Wagner Gonçalves e auxiliar o trabalho de Rosa Magalhães em 2020. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira Feliciano Júnior e Alcione Carvalho também produziram uma bonita apresentação recheada de referências à musicalidade do tema apresentado na Sapucaí. A comissão de frente e a evolução da escola também foram pontos positivos. O ponto negativo foi o canto irregular da escola que teve algumas alas se destacando, mas outras nem tanto. Com o enredo “ São João, São Luís, Maranhão! Acende a fogueira do meu coração ”, a Estácio de Sá encerrou seu desfile com 54 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Comissão de frente

A comissão de frente da coreógrafa Ariadne Lax apresentou o sagrado e o profano presentes nas manifestações populares. Nela, brincantes com trajes livremente inspirados nas indumentárias do Bumba-Meu-Boi e do Cacuriá, típicos da cidade de São Luís do Maranhão, realizaram um cortejo sagrado que no decorrer da apresentação assumiu aspectos de um folguedo popular. Como elemento cênico, a comissão trouxe um andor, um símbolo de fé tradicionalmente usado em procissões católicas. Acima do elemento sagrado, estavam os dois santos retratados no enredo, São João e São Luís.

Tendo a função de mostrar a união do sagrado com o lado profano da festa popular, a estrutura se fechava e se transformava em um enorme boi que pela coloração escura e as fitinhas e desenhos presentes no animal fazia referência a festa popular do boi-bumbá. No deslocamento, os bailarinos apostaram em uma coreografia de danças mais tradicionais da região. No geral, foi uma apresentação que trouxe de forma clara e dançante o enredo, e trazendo na aparição do boi seu grande ápice e surpresa.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Feliciano Júnior e Alcione Carvalho, veio no primeiro setor, logo após a comissão de frente e homenageou a arte do bordado, apresentando os típicos bordados coloridos sobre fundo negro, tradicionais dos couros dos bois e dos trajes dos caboclos e índios do Bumba-Meu-Boi. A fantasia apresentava um bonito contraste entre o colorido dos bordados e o fundo negro das plumas. O casal demonstrou uma dança de muita aproximação, investindo muito na intimidade no início, no toque entre os dois dançarinos e na suavidade. Depois, principalmente na segunda do samba, pode-se perceber a utilização de passos mais característicos de danças da região em alguns momentos pontuais da letra. No trecho “merci num balancê”, Alcione faz a preparação com uma mão próxima ao rosto para realizar passos do tambor de crioula no trecho a seguir ” Crioula, toca o tambor”, enquanto Feliciano faz o gesto de quem toca o tambor. No refrão principal, os dois retomaram a proximidade e fizeram o rodopio final para terminar a apresentação.

Harmonia

A comunidade do Estácio teve um desempenho irregular no canto da obra do Berço do Samba na Sapucaí. O desfile até começou com um bom rendimento dos componentes com o samba e com os gritos de incentivo do intérprete recém chegado à escola Alessandro Tiganá. Mas conforme a escola ia passando do meio, era perceptível algumas alas cantando e outras nem tanto. E nas próprias alas, às vezes era possível notar alguns integrantes cantando mais nas pontas, porém na meiuca muita gente passava calada ou apenas cantando os refrões. Isso foi perceptível nas alas “quadrilha” e “Cacuriá” no terceiro setor. Mas neste mesmo setor é possível elogiar a ala “tambor de crioula” em que quase todos os componentes cantavam com muita força, assim como algumas alas do início, segundo setor, “Anjinhos do céu” e ” Festejando São João”.

Em sua estreia, Tiganá mostrou que foi um acerto na escolha da escola com seu estilo intenso bem conectado com as características valentes e para frente que a comunidade do Estácio gosta em seus sambas e que proporciona inclusive um melhor trabalho da bateria Medalha de Ouro. O único ponto a se colocar no trabalho do cantor foi o início com a utilização em alguns momentos de forma demasiada de alguns cacos mais falantes, próprios para o incentivo aos componentes, mas que em exagero atrapalhava um pouco a condução do samba e pode gerar despontuações por parte dos jurados.

Enredo

O enredo “ São João, São Luís, Maranhão! Acende a fogueira do meu coração ” apresentou uma das mais importantes manifestações do ciclo das festas juninas do Brasil que acontece na cidade de São Luís, no Maranhão, particularmente enriquecida pelo patrimônio cultural da cidade, exemplificado pela presença dos importantes grupos de Bumba-Meu-Boi, Tambor de Crioula, Cacuriá, Danças Portuguesas, Quadrilhas, entre outros. A forma escolhida para a apresentação do tema foi uma fábula a partir da presença dos santos São Luís, que dá nome a cidade, e São João. Nesta narrativa, santos e festeiros brincaram na mesma roda. O enredo foi apresentado de forma clara, leve, divertida e de fácil entendimento pelos carros e pelas fantasias. Ainda que não tenha se aprofundado no tema, cumpriu de forma satisfatória a principal ideia de unir os santos São Luís e São João dentro da capital do Maranhão e dentro dos festejos juninos.

Evolução

A Estácio de Sá apresentou uma evolução bastante satisfatória, não apostando em alas coreografadas mas na espontaneidade dos componentes que brincaram na Avenida e deram o tom de alegria que o enredo pedia. As fantasias ajudaram por ainda que produzissem um volume interessante para a estética ficaram longe de incomodar os componentes. Não se percebeu durante a passagem da Estácio pela Sapucaí a aparição de buracos ou grandes espaçamentos entre as alas, ao contrário, a agremiação preencheu bem a pista e as próprias alas estavam com um bom volume de pessoas. A bateria entrou no primeiro recuo aos 35 minutos de desfile sem gerar problemas e da mesma forma saiu aos 45 minutos de apresentação da escola. Não se percebeu também correrias, e o andamento teve sempre fluência sem a Estácio ficar muito tempo parada.

Samba-Enredo

No samba da Estácio Sá 2023, existe um contraste entre um refrão principal “Berço do Samba é batuque…” que é mais valente, e um refrão do meio “Encantada no nordeste brasileiro…” que passeia por uma expressão mais melodiosa. A obra de Samir Trindade e companhia foi considerado uma das melhores do Grupo no pré-carnaval. Seu desempenho na Sapucaí foi satisfatório em termos de ritmo, ainda que não tem apresentado uma grande interação com o público. Como falado em harmonia, o canto da comunidade não foi homogêneo. A segunda do samba apresentou soluções bastante interessantes de notas, com uma melodia mais valente e que chama o componente a cantar mais forte como nos trechos “Pai Francisco”, ” Crioula” e “Eu vou-me embora”. Mas o principal destaque no canto ficou mesmo para os dois refrões, principalmente o do meio ” Encantada no nordeste brasileiro”.

Fantasias

O ótimo conjunto visual de Mauro Leite só foi manchado pelo problema com a roupa das passistas que aparentemente não chegaram a tempo. As meninas desfilaram apenas de biquíni com a cabeça que fazia alusão ao aspecto indígena, pois a fantasia representava justamente a figura do índio, sempre presentes nos diversos tipos de Bumba-Meu-Boi. Já os meninos vieram só com a calça. Esta situação vai gerar perda de pontuação na apuração, pois passou assim em todos os módulos de julgamento. Mas, em geral, foi um bom trabalho de apuro plástico do carnavalesco que fez bom uso dos materiais, sem ter o uso elementos mais caros, mas ainda assim com bom acabamento e bom gosto. O início e o final do desfile apostando nas cores mais quentes e no setor sobre o céu apostando em cores claras. As baianas, por exemplo, no segundo setor, representaram a idealização de um céu estrelado, símbolo de paz e luz, fazendo o uso da relação entre o branco e o prata.Discípulo de Rosa Magalhães, Mauro também caprichou nas cabeças das fantasias fazendo um bonito efeito e ajudando a dar o entendimento escolhido para a paleta de cores bastante pertinente com o enredo.

Alegorias

Em seu conjunto alegórico, a Estácio de Sá trouxe três alegorias e um tripé. O uso das cores referentes a cada situação do enredo apresentado nas fantasias também foi mantido para as alegorias que tiveram bom acabamento e destaque para a iluminação. O carro Abre-Alas “Cidade de São Luís, Festa de São João” trouxe o Leão, símbolo da escola, que rugia inclusive , apresentando a união da Cidade de São Luís, apresentada bem colorida no carro e os festejos de São João, decorados com bordados típicos e franjas de fita, com elementos do Bumba-Meu-Boi. O segundo carro era uma representação idealizada do céu com os destaques representando o encontro entre os santos, São Luís e São João. Esta alegoria fazia uso da iluminação em tom azul que contrastava com o branco de forma eficiente e dando vida ao claro do carro. O uso de espelhos na saia também foi um ponto forte.O tripé localizado no terceiro setor representava a imagem de um oratório caseiro, onde as devoções populares são cultuadas. Por fim, a terceira alegoria “São João”, um carro muito colorido decorado com bandeirinhas, tradicionais no Brasil inteiro, faziam uma indissociável alusão a festa de São João, além dos balões e a estrutura de tenda muito utilizada nos festejos.

Outros destaques

A bateria Medalha de Ouro comandada por mestre Chuvisco veio como “vaqueiros”, personagens do Bumba-Meu-Boi, empregados na fazenda. A bateria fez bossas de xote e xaxado no refrão do meio e utilizou tambores e instrumentos típicos do Maranhão feitos de madeira, utilizados em uma bossa de galope. A rainha Nathália Hino era a “Magia Indígena” e nas cores amarelo, vermelho e laranja mostrou samba no pé e como indígena entrou no personagem sempre interagindo com mestre Chuvisco. Próximo a bateria medalha de Ouro, veio mestre Ciça da Viradouro, cria do Estácio, e mestre Casagrande da Unidos da Tijuca. No esquenta, a escola cantou o samba de seu campeonato ” Paulicéia Desvairada” de 1992.

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