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Freddy Ferreira analisa a bateria da Porto da Pedra no desfile

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A bateria da Unidos do Porto da Pedra fez um grande desfile, sob o comando de mestre Pablo. Foi apresentado, de forma literal, um “Ritmo Feroz”, numa musicalidade marcada pelo aspecto selvagem de convenções complexas e com profundo impacto sonoro.

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A cozinha da bateria contou com uma afinação relativamente grave, contando com marcadores de primeira e segunda que tocaram com firmeza e precisão. Os surdos de terceira deram inegável balanço à “Ritmo Feroz”, inclusive nos arranjos musicais. Caixas de guerra de qualidade ajudaram no preenchimento da musicalidade, junto de repiques coesos. Foi possível notar na parte de trás da bateria da Porto da Pedra ritmistas com timbal, que possui participação primordial nas convenções.

A cabeça da bateria exibiu naipes de técnica incontestável, que adicionou qualidade musical às peças leves. Uma ala de chocalhos ressonante e de notória técnica tocou de forma integrada com um naipe de tamborins de nítida virtude sonora, que passou pela pista de modo uníssono. Cuícas e agogôs também deram sua contribuição musical louvável, evidenciando o bom trabalho da parte de frente do ritmo.

No final do refrão do meio, um breque foi destaque pela funcionalidade, eficácia e pressão. Durante o verso “Onde o curumim vira animal” a bateria fez um corte seco, embalado posteriormente por um toque diferenciado de ritmistas do timbal, repetido em seguida pelos demais naipes. A retomada uniu pressão e balanço, auxiliando inclusive na plena fluência rítmica após sua execução.

A complexa paradinha do refrão principal era iniciada no último verso da segunda do samba. Um arranjo musical que deu um impacto sonoro notável à bateria da Porto da Pedra. Uma constituição baseada no balanço dos surdos, complementada por demais naipes, num movimento rítmico pra lá de ousado.

Todas as apresentações em jurados foram realizadas de modo potente, sem quaisquer problemas evidenciados da pista. Um excelente desfile da bateria “Ritmo Feroz” da Unidos da Porto da Pedra. A musicalidade do excêntrico mestre Pablo, baseada sobretudo em sua personalidade foi um ponto alto, numa bateria que apresentou bossas ousadas, mas sempre bem executadas. Vale ressaltar o andamento escolhido para o desfile oficial, que permitiu a fluência do belíssimo samba da vermelha e branca de São Gonçalo. Essa análise de bateria é gentilmente dedicada ao sofrido povo Yanomami, assim como toda etnia indígena que não recebe a devida atenção e dignidade que tanto merecem das autoridades brasileiras.

Porto da Pedra encanta o público, mostra força de seus quesitos em desfile impecável e se aproxima do Grupo Especial

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Emocionante, impecável e histórico, assim pode ser definido o desfile da Unidos do Porto da Pedra na noite deste sábado pela Série Ouro do carnaval carioca. A escola de São Gonçalo mostrou a força de seus quesitos, não cometeu falhas graves e pode sonhar com o acesso ao Grupo Especial. A potência do enredo, que exaltou o povo da floresta Amazônia, fez com que a escola entrasse na avenida com muita garra. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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A abertura do desfile foi extremamente forte, a começar pela comissão de frente assinada pelo coreógrafo Paulo Pinna, com uma dança vigorosa e mensagem forte no final, eles arrancaram aplausos por toda a avenida, assim como o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Rodrigo França e Laryssa Victória, a dupla se destacou pela beleza da fantasia e também pela linda dança, a sensação foi de que sempre dançaram juntos. O que se viu no decorrer do desfile foi um show de bom gosto, o conjunto visual deslumbrante, aliado ao canto da comunidade levaram a vermelha e branca a sair da avenida ovacionada pelo público e com gritos de ‘é campeã’.

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Apresentando o enredo “A invenção da Amazônia” assinado pelo carnavalesco Mauro Quintaes, a vermelha e branca de São Gonçalo fez uma viagem pelas histórias amazônicas através do imaginário de Júlio Verne. A agremiação foi a quinta escola a cruzar a passarela do samba na segunda noite de desfiles da Série Ouro. A escola terminou sua apresentação com 54 minutos.

LEIA MATÉRIAS ESPECIAIS DO DESFILE
* É nossa hora de vencer’: Componentes da Porto da Pedra destacam preparo do Tigre na busca pelo título da Série Ouro
* ‘Estamos mostrando a cultura da mulher indígena e amazonense’. Baianas da Porto da Pedra são as Donas da Terra
* ‘Amazonas, um rio de história e mistérios’: Segunda alegoria da Porto da Pedra destaca o maior rio em volume de água do mundo
* Luta pela Amazônia faz o último carro emocionar seus componentes

Comissão de Frente

Coreografada por Paulo Pinna, a comissão de frente foi intitulada “Amazônia, Mãe-Terra-Vida”, a proposta da comissão foi realizar um grande ritual sagrado de proteção a floresta, o grupo utilizou um belíssimo elemento cenográfico para compor a apresentação, a sensação foi de imersão total ao ambiente da floresta. Os bailarinos se revezavam, enquanto o primeiro grupo representava os Indígenas Kanamari do Espírito-Arara, o segundo representou os olhos da mata, o momento que esses seres saíam do tripé teve uma ótima resposta do público. O tripé contou com uma grande escultura representando a Mãe Terra, ela se manteve adormecida durante boa parte da coreografia, no final, após a realização de um ritual feito pelo Pajé Kanamari , ela se levantava e mostrava toda sua beleza. No final da apresentação, os componentes formavam a palavra ‘resistência’, o público acompanhou atento e vibrou bastante.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

Uma grande exibição do casal Rodrigo França e Layssa Victória, ela, que teve a missão de substituir Cyntia Santos, porta-bandeira que marcou época no tigre, estreou com o pé direito e mostrou todo seu talento. Apesar de ser o primeiro ano juntos, a dupla transmitiu muita sintonia e cumplicidade, a sensação foi de que já dançavam juntos há muito tempo. A aposta em uma coreografia mais delicada poderia ser um risco, mas eles dominaram com maestria e mesclaram os gestos delicados com momentos de maior intensidade, foi uma apresentação de encher os olhos. A fantasia, denominada “Delírio Ultramarino” contribuiu para que a dupla brilhasse ainda mais na avenida, ele estava vestido de Capitão Nemo, com um figurino predominante preto, com detalhes em dourado e um grande costeiro, já a roupa de Laryssa representou de Senhora dos Mares, muito luxuosa, a roupa foi um dos momentos mais bonitos do desfile.

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Harmonia

A abertura da escola foi muito forte, as primeiras alas cantavam o samba com muita empolgação e vibração, a Sapucaí inteira acompanhou e vibrou junto, foi uma ótima sintonia entre escola e público. No geral, nenhuma ala passou sem cantar e a escola apresentou um canto extremamente uniforme. Vale destacar a ala de passistas, extremamente bem vestidos e com muito samba no pé, as moças e rapazes deram um show e levantaram o público durante a passagem da escola. As alas 5, “ Runakuna – Tradições Andinas”, 10, “A Demonização de Jurupari” e 13, “Bois de Parintins”, também passaram com muita empolgação.

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Enredo

O carnavalesco Mauro Quintaes, de volta a Porto da Pedra, foi o responsável por desenvolver o enredo “A invenção da Amazônia”, inspirado no livro de Júlio Verne chamado “A jangada”, de 1881. A história é ambientada na Amazônia brasileira e a jornada feita pelos protagonistas apresenta com riqueza de detalhes a cultura amazônica. Mauro Quintaes elaborou um enredo que passou do ficcional ao político, do misticismo à conscientização e emocionou. Ele dividiu a escola em quatro setores, o primeiro, denominado “Delírio Aventureiro”, o início da escola misturou a mecânica do Julio Verne com a rústica do ribeirinho, a construção da jangada, que mistura o passado e o presente. O segundo setor, chamado de “Mistério das Águas”, esse setor representou a viagem de Verne pela Amazônia e seu encontro com os povos Incas. No terceiro setor, “Guardiões da Grande Floresta”, o folclore entrou em cena através de personagens do imaginário amazonense. Para finalizar, o último setor, “Amazônia Viva – Festas, Lutas e Resistência”, encerrou o desfile com uma celebração política, cultural e regional.

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Evolução

A comunidade de São Gonçalo abraçou a escola e esteve em peso no desfile deste ano, ao todo, a Porto da Pedra levou para a avenida cerca de 2 mil componentes, a sensação foi de que a escola deslizou pela avenida, em um ano marcado por alguns problemas de evolução, a Porto da Pedra passou pela avenida sem apresentar nenhum erro, as alas e alegorias passaram pela pista com extrema facilidade, os componentes evoluíram com muita alegria e desenvoltura, apesar de organizada, a escola em nenhum momento perdeu a espontaneidade.

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Samba-Enredo

Considerado neste pré-carnaval como um dos melhores do grupo, o samba composto por Vadinho, Claudinha Sing, Pedro Dentinho, Robinho Porto, Zé Alex, Karina Porto, Rejane França, Fábio LS, Baiano, Bigode, Marcão e Celinho, provou na pista que realmente é uma grande obra. Extremamente bem conduzido pelo intérprete Nego, em sua estreia pela escola, o samba, que tem uma linha melódica bastante interessante e com algumas resoluções métricas criativas, foi cantado a plenos pulmões pela comunidade e também pelas arquibancadas, nem mesmo o temor por conta da letra um pouco complicada no refrão principal, como o “Warrãna-rarae”, foi capaz de impedir que o samba se destacasse dentro ótimo desfile apresentado pelo tigre de São Gonçalo. Já nos primeiros acordes, o samba já era entoado com muita força na avenida.

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Alegorias e Adereços

A Porto da Pedra apresentou um conjunto alegórico de encher os olhos, a riqueza de detalhes presente em cada alegoria impressionou pelo cuidado, assim como as esculturas, o tigre, que é sempre muito esperado, veio imponente no abre-alas. A escola levou para a avenida três carros e um tripé. O abre-alas, chamado de “A Jangada”, foi dividido em duas partes, na primeira foi representada a sala de criação de Júlio Verne, na parte da frente foi inserido o nome da agremiação. A segunda parte representou a Jangada, maquinário criado pela mente de Júlio Verne para embarcar nessa viagem pela Amazônia, o Tigre, simbólo da agremiação veio no alto do carro, com movimentos e ótimo acabamento.

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O segundo carro, “Amazonas, um rio de histórias e mistérios”, ele representou a história e a mística que envolvem o Rio Amazonas, o acabamento primoroso da escultura principal, que tinha movimento, chamou atenção, assim como o fato do carro soltar agúa pela avenida, o único senão foi o fato de um dos queijos ter quebrado. O tripé “Quando a mata se levanta para a luta” tinha a predominância da cor verde para representar a natureza e também primou pelo acabamento. Finalizando o desfile, a escola apresentou o carro “Amazônia viva – arte, luta e resistência”, foi um grande manifesto em defesa dos povos da floresta, a escultura de um índio lendo o livro que deu origem ao enredo foi uma ótima sacada, imagens de Bruno Pereira, Dom Philips, Chico Mendes e Dorothy Stang fechou o desfile da escola e emocionou.

Fantasias

Assim como o belíssimo conjunto de alegorias, a Porto da Pedra apresentou um ótimo conjunto de fantasias, no total foram xx alas, além das composições em alegorias. Por conta do enredo, Mauro Quintaes optou por não utilizar penas naturais em nenhuma fantasia da escola, somente o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira usaram, no restante apenas penas artificiais. O uso das formas foi muito explorada nas alas, assim como as cores bem marcadas em cada setor, o início do desfile foi majoritariamente vermelho, cor da escola, as baianas representaram as donas da floresta, o figurino chamou atenção pelo ótimo acabamento e volumetria. No decorrer do desfile, a escola utilizou bastante o verde, principalmente ao retratar a natureza. Os figurinos apresentados primaram pelo bom gosto, vale destacar as seguintes alas: “Aymará”, “Gavião de olhos brilhantes”, “A bravura amazona” e “Bicho folharal”.

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Outros Destaques

A bateria “Ritmo feroz” levantou o público presente na avenida, os ritmistas representaram os navegantes andinos e o mestre Pablo, que tem por costume se apresentar com fantasias marcantes, dessa vez escolheu se fantasiar de Matinta Perera, figura do folclore amazônico.

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A rainha de bateria Tati Minerato desfilou com uma fantasia belíssima, representando a flor dos andes, ela mostrou total sintonia com a bateria.

Teve ciranda! Samba-enredo da Império de Casa Verde se destaca no desfile do Tigre

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Dos sambas-enredo mais elogiados por público e crítica no carnaval de São Paulo em 2023, os tambores da Império de Casa Verde ecoaram alto no Anhembi na segunda noite de desfiles no Sambódromo da cidade. Cantando o enredo “Império dos Tambores – Um Brasil Afromusical”, a agremiação mudou a identidade que trouxe nos ensaios técnicos de maneira acentuada: se, nos “treinos”, teve alguns momentos apoteóticos e outros de observação, a agremiação buscou a segurança e a linearidade nos 62 minutos de desfile (por três dentro do limite regulamentar). * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Enredo

A musicalidade da África que chegou ao Brasil em diversos momentos da história do planeta foi cantada no enredo “Império dos Tambores – Um Brasil Afromusical”. Mais que melodias e letras, as canções também são uma marca de vida e de resistência. Vale pontuar que o enredo teve um norte bastante definido, com storytelling que precisa ser explicado. Quem conduziu todo o desfile foi Bah, uma baiana da escola que passa a ter contato com todos os ritmos advindos da África até desembarcar no próprio bairro da Casa Verde, sede da escola.

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Na avenida, a condução do desfile por Bah foi parcialmente compatível com o proposto. A maioria das fantasias tinham fácil assimilação, com os carros pormenorizando cada setor. A exceção foram as primeiras alas, com figurinos que não tinham identificação tão simples. Após a segunda alegoria, entretanto, com o desfile já no Brasil, todos conseguiram acompanhar o desenvolvimento do desfile.

Samba-Enredo

Das mais elogiadas canções do carnaval paulistano em uma safra de ótima qualidade, o samba-enredo traz toda a viagem citada pelo enredo. Mais do que isso, a composição é quase que inteiramente marcada por bossas da Barcelona do Samba, capitaneada por Mestre Zoinho. Se, nos ensaios técnicos, a bateria executada um sem fim de bossas, os ritmistas foram mais comedidos no desfile oficial. Ainda sim, não faltaram execuções para diferenciar as passagens do samba – como destaque para o instantâneo clássico apagão quando o verso “Acompanha um novo ser” é executado.

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Por fim, o carro de som, com a estreia do experientíssimo intérprete Tinga, impôs extrema qualidade à canção, combinando perfeitamente com a melodia e com o espírito imperiano. O momento em que o carro de som deixava apenas as vozes femininas enquanto a bateria faz uma imensa convenção, entretanto, não foi executado.

Harmonia

Nos ensaios técnicos observados pelo CARNAVALESCO, o Império de Casa Verde teve atuação irregular em determinados quesitos técnicos. No desfile oficial, entretanto, o Tigre Guerreiro teve canto bastante forte dos componentes – que, é bem verdade, não desfilavam com um tema afro há exatos vinte anos. Ao longo de toda a exibição, o canto foi constante e tinha volume considerável para a arquibancada, trazendo boa impressão.

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Nos dois primeiros setores da escola, é bem verdade, os staff mostravam preocupação com o alinhamento de determinadas alas, sempre apontando para os componentes do segmento e cobrando atenção. Com tal ajuda, os apontamentos feitos pelos harmonia eram resolvidos em segundos. Já nos setores finais, nem mesmo tal desafio era encontrado, com a escola executando a contento tudo que precisava.

Evolução

O quesito talvez tenha sido o mais destoante em um desfile sem grandes sobressaltos do Tigre – e por motivos pouco comuns. Antes, é importante destacar a ligação da Evolução com as fantasias: em 2023, a escola da Zona Norte optou por vir com figurinos bastante leves e simples. O resultado veio na movimentação do componente, que veio curtindo a bela canção escolhida pela escola e interagindo com o público, bastante sorridente e feliz.

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Não faltaram, entretanto, pelo menos dois rápidos momentos de hesitação imperiana na avenida no quesito – ambos vencidos com celeridade, por sinal. O primeiro deles veio quando o gigantesco abre-alas da escola adentrava o setor C da avenida. O andamento dos componentes pareceu mais moroso, e notou-se certa aflição dos responsáveis naquele momento no entorno do carro alegórico. O carro ficou parado por alguns instantes e, logo depois, harmonias pediram para que ele voltasse a andar. O motivo foi, justamente, o segundo instante com um pouco mais de dramaticidade em uma exibição bastante correta e segura: o recuo da bateria.

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A Barcelona do Samba entrou no espaço com uma fresta bastante exígua, com parte do abre-alas ainda sem entrar no Setor C e com mais uma ala ainda à frente. Enquanto alguns staff, na parte de trás do carro, pediam para que a escola parasse, ela evoluiu por mais alguns metros. Os ritmistas, em um movimento bastante destacado, optaram por uma entrada em dois tempos no espaço, deixando alguns componentes para fora do espaço para depois adentrar o recinto por completo. A ala seguinte não demorou muito tempo para ocupar o espaço deixado pelos ritmistas, com todo o movimento durando cerca de 95 segundos – marca bastante interessante.

Fantasias

Ao contrário de alguns outros anos e do que sempre acontece com os carros alegóricos da azul-e-branco da Zona Norte, a instituição optou pela simplicidade em detrimento do luxo. Não haviam problemas de acabamento, é bem verdade, mas os materiais utilizados eram mais simples e leves, e até mesmo os adornos de cada componente não eram muito luxuosos. Um dos efeitos positivos de tais escolhas veio no quesito Evolução, com muito movimento e dinamismo.

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O outro efeito positivo foi a excelente sacada do carnavalesco Leandro Barboza quanto ao imediatismo para a identificação das fantasias por todos. Quando um componente e um espectador sabem o que está sendo tratado, a motivação fica maior – e a energia era perceptível na exibição.

Alegorias

O carro abre-alas, com três chassis acoplados chamado de “Afrorealeza: Tempo dos Rituais”, relembrou o fato de que boa parte dos afrodescendentes chegados ao Brasil eram importantes pessoas em reinos africanos – que apresenta, é claro, o nacionalmente conhecido tigre, mascote da escola. O segundo carro alegórico já mostrava o início da viagem nos navios negreiros, com o nome “Navio Nos Ritmos da África”, claramente estilizado no formato de uma embarcação marítima, com todos os afrodescendentes fazendo música para buscar uma vida melhor e tentar afastar os males.

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Já em solo brasileiro e trazendo uma contextualização com os tempos atuais, a terceira alegoria tem nome autoexplicativo: “Sons da Periferia”. Do break ao funk, passando por diversos outros gêneros que têm matriz africana, todos eles são representados com riqueza de detalhes – com destaque para a escultura de uma mulher afrodescendente com um rádio, ouvindo as canções que ela tanto gosta. O destaque principal da alegoria também deixa clara uma imagem bastante comum em músicas de comunidades: ele representada o DJ do baile. Por fim, na última alegoria. E, se estamos no Brasil, nada mais justo que o último carro alegórico ter como palco a Casa Verde, bairro da Zona Norte de São Paulo onde está sediada a escola. Com o nome “Quilombo Casa Verde: Império dos Tambores”, com direito a coroação de rainhas do carnaval paulistano – como Bah, a baiana que conduziu todo o desfile e outras baluartes do carnaval paulistano, tratadas como griôs: Eliana de Lima, Leci Brandão e Bernardete.

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Na avenida, um detalhe que não costuma ser muito observado também ficou perceptível: alguns pontos de cada um dos quatro carros pareciam estar com pouca iluminação – o que nem de longe quer dizer que eles estavam apagados, muito pelo contrário. No abre-alas, por exemplo, a parte traseira e, ao menos, o lado direito tinham bem menos iluminação que a parte de cima, por exemplo. No terceiro carro alegórico, enquanto painéis de LED eram destaques, o local onde ele estava instalado remetia a uma balada – este, de maneira intencional.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Com a fantasia intitulada “Divindades da Savana”, a fantasia de Rodrigo Antonio e Jessica Gioz, que veio logo no começo do desfile, ambos trouxeram a temática africana mais pura, ainda sem pisar no solo brasileiro.

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Se, nos ensaios técnicos, era possível identificar alguns descompassos na dupla, Rodrigo e Jessica trataram de fazer uma exibição correta, sem grandes ousadias. E, mais do que isso: reconhecendo o que cada um deles e o conjunto formado por eles têm de melhor. A porta-bandeira é extremamente sorridente e fez questão de torná-lo ainda mais visível; o mestre-sala é bastante expressivo e deixa claro qual sentimento está a cada instante – e, durante toda a exibição da Império, ele pareceu satisfeito e tranquilo. Juntos, eles têm em comum o bailado, sendo capazes de marcar com extrema elegância determinadas partes do samba-enredo – o que foi feito com primor. Por conta da garoa que caiu em determinados momentos do desfile, das famigeradas rajadas de vento no Anhembi e pela pista molhada, ambos buscaram a segurança, sem grandes ousadias – e com pelo menos uma bela atuação, na terceira cabine de jurados.

Comissão de Frente

Foram, ao todo, quatro fantasias diferentes dos bailarinos. Homens de barro, pássaros e mulheres da tribo tem participação importante na coreografia e andamento do segmento, mas o grande destaque é a mãe africana, que representa não apenas o ventre que concebe uma criança, mas, também, a matriz de diversos gêneros musicais. Também vale destacar o imenso baobá utilizado como elemento cenográfico.

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Na passarela, chamou atenção a sincronia entre os componentes, com movimentos bastante ágeis e temporizados. Se a coreografia não era das mais longas, o tripé chamou atenção e causou excelente primeira impressão ante o que viria pela frente.

Outros destaques

Chamou atenção a grande quantidade de alas e componentes que passaram entre os segundo e terceiro carros da Império de Casa Verde. Ao todo, oito das vinte alas da escola estavam no espaço, que ainda tinha o terceiro casal de mestre-sala e porta-bandeira e um quadripé instalado em uma das alas.

Luta pela Amazônia faz o último carro emocionar seus componentes

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PP08Para encerrar o desfile, o terceiro carro da Porto da Pedra trouxe para a Sapucaí o manifesto do escritor Júlio Verne em defesa dos rios e da floresta. O nome da alegoria é “Amazônia viva – arte, luta e resistência”. É uma celebração das pessoas que lutam pela preservação da Amazônia e de seus habitantes. Foto de quatro personalidades ambientalistas estavam em posição de destaque: Bruno Pereira, Dom Phillips, irmã Dorothy e Chico Mendes. Além disso, ilustração de povos originários com tarja preta nos olhos ocupavam as laterais.

Para compor o colorido da alegoria, parte dos desfilantes vieram nas cores dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso, tremulando bandeiras. Entre eles, estava Tyron Rangel, de 32 anos, que estava animado para desfilar novamente pela Porto da Pedra.
“O carro ficou ótimo e eu acho que está bem representativo. Ele faz alusão não só aos povos originários, mas também ao movimento de emancipação pela luta indígena e também uma realidade política que a gente tem sofrido e passado nos últimos anos. Ao mesmo tempo, ele está trazendo muita alegria”, comentou o componente.
Enquanto um carro com teor político, “galhos queimados” ladeavam a estrutura em tons de marrom, vermelho e branco representando as queimadas. Pessoas ligadas à causa ambiental desfilaram na posição mais alta, como a filha de Chico Mendes, Ângela Mendes.

PP03 3A estreante na Avenida Érica Pinheiro, de 42 anos, se emocionou com a homenagem que a composição está fazendo aos indígenas, ao povo da Amazônia e aos ambientalistas. Érica ressalta a importância de reconhecer o bioma pelo seu potencial econômico conectado à preservação.

“É essencial defender a Amazônia por tudo e por todos que estão lá e por tudo que ela representa para nós daqui. Tem as questões industrial e farmacêutica. Então, nós precisamos cuidar mais da Amazônia sim”, argumentou Érica.

Nas plataformas laterais, em fantasias coloridas de penas, mulheres representavam a força indígena. Uma delas era Maria Eliza, de 19 anos, que cresceu na quadra da Porto da Pedra e desfila desde os 15 anos. Ela disse estar feliz por desfilar representando essa defesa ao bioma.

PP02 3“Como diz o enredo, a gente luta pela Amazônia. É extremamente importante porque tem acontecido tanta coisa por lá como desmatamento e garimpo ilegal. Só de estar representando isso eu estou feliz. Significa muito para mim defender a Amazônia. Eu pego as dores para mim. Trazer esse tema para o Carnaval dá mais visibilidade para os habitantes da Amazônia, dá uma atenção maior”, refletiu a integrante.

A última alegoria finaliza com a escultura de uma criança indígena em movimento lendo o livro “A jangada”, do francês Júlio Verne. O livro deu origem à narrativa do desfile e o finaliza.

Fotos: desfile do Porto da Pedra no Carnaval 2023

Império de Casa Verde 2023: galeria de fotos

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Mocidade Alegre 2023: galeria de fotos

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‘Estamos mostrando a cultura da mulher indígena e amazonense’. Baianas da Porto da Pedra são as Donas da Terra

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PP02 2De vermelho e preto, as baianas da Unidos do Porto da Pedra entraram na Sapucaí representando as donas da floresta, com um vestido com padronagem indígena. Dentro do enredo, são os cânticos sagrados delas que vão abrir os caminhos para o escritor Júlio Verne navegar pela Amazônia. Com o objetivo de se divertir e educar, as componentes querem mostrar a potência cultural da mulher amazônica.

“Essa fantasia é ver se bate no coração de cada um a importância da nossa Amazônia e dos indígenas. Todo mundo olha para os indígenas como se fossem pessoas pequenas, pobres e com nenhuma cultura. Nós estamos mostrando a cultura da mulher indígena e amazonense”, disse a presidente da ala Lindalva Mendonça, há 8 anos no cargo.

Para a líder do segmento, as baianas ficaram apaixonadas pela fantasia por conta da beleza, porém uma queixa foi recorrente. A estrutura da saia faz os babados se arrastarem no chão. Isso vai exigir atenção durante a evolução. Integrante do segmento há 23 anos, Vera Lúcia, de 68 anos, comentou sobre essa questão:

PP03 2“A fantasia está muito bonita. A gente só está com um problema. Estamos tropeçando nos babados, isso dificulta a gente rodar e fazer uma apresentação bonita”

Já Rosária Xavier, de 61 anos, contou que a fantasia está leve e acredita que ela simboliza um alerta. A baiana está no seu 26º carnaval pela vermelho e branco de São Gonçalo.

“O significado da fantasia é muito forte! É a preservação da Amazônia. Nós viemos representando as mães da terra tentando dar este alerta para as pessoas. É o nosso futuro que está em jogo. Nós temos que preservar agora para as gerações futuras, para mais tarde. Se não tiver esse cuidado, a gente não vai ter nada”, reforçou Rosária.

PP04 1O clima de confiança está presente entre as desfilantes. Um exemplo é a baiana Maria Auxiliadora de Souza, de 61 anos. Ela se considera uma baiana profissional e acredita que o enredo nesse momento é essencial.

“Nós vamos conseguir dar o nosso recado porque somos profissionais. É um enredo maravilhoso e, com ele e com o desempenho do carnavalesco [Mauro Quintaes], a gente tem tudo para chegar lá”, disse a componente que estreia esse ano na Porto da Pedra, mas faz uma maratona ao desfilar em escolas como Acadêmicos de Niterói, Cubango e União de Maricá.

As baianas desfilaram no primeiro setor do desfile chamado “Delírio Aventureiro”. O tom de vermelho compôs com o abre-alas e a ala que vinha à sua frente.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Em Cima da Hora no desfile

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A bateria da Em Cima da Hora fez um bom desfile, na estreia de mestre Léo Capoeira. Um ritmo profundamente atrelado à questão africana que o enredo da escola propôs. O maior mérito musical e cultural da “Sintonia de Cavalcante” foi conectar sua musicalidade a toques de Candomblé, tais como o belo arranjo do refrão do meio, onde é feito um Alujá que é finalizado com o “Machado de Xangô”.

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A cozinha da bateria produziu um ritmo marcado pelo timbre relativamente grave, inserido nas tradições musicais da bateria da Em Cima da Hora. Marcadores de primeira e segunda tocaram com firmeza e segurança. Surdos de terceira foram o destaque musical da parte de trás do ritmo, adicionando bastante molho ao ritmo e também em bossas. Caixas de guerra ajudavam a preencher a sonoridade com bom volume, junto de repiques seguros.

Já a cabeça da bateria exibiu um naipe de tamborins que tocou com firmeza e de modo seguro, aliado a chocalhos também com boa técnica musical. O naipe de agogôs ajudou a complementar a musicalidade das peças leves, seguidos por uma ala de cuícas de qualidade.

A paradinha do refrão do meio, iniciada no verso “Minha fé ninguém calou”, foi a de maior destaque. Um Alujá potente e frenético é realizado de forma intensa pelos surdos de terceira. Um refinado toque de caixas também engloba a convenção sofisticada, numa construção musical detalhada e de invariável impacto sonoro.

Um breque na primeira deu dinamismo sonoro a “Sintonia de Cavalcante”. Depois da chamada dos repiques, tamborins fazem um toque envolvente enquanto surdos de terceiras dão balanço ao arranjo musical. Foi possível perceber ainda um outro breque, no final da segunda, contribuindo com o ritmo graças ao swing das terceiras.

Na sequência do breque da segunda, por vezes, foi exibida uma outra bossa durante o refrão principal. Uma construção integrada à musicalidade da Em Cima da Hora, aproveitando cuícas, surdos e repiques para consolidar o ritmo. Um arranjo bem concebido e que deu impacto ao ritmo.

As apresentações nos módulos de julgadores ocorreram de forma correta, sem problemas evidenciados dentro da pista. A melhor exibição para julgador foi a da segunda cabine. Um bom desfile da “Sintonia de Cavalcante”, ao consolidar seu ritmo integrado à sonoridade atrelada ao tema de vertente africana da Em Cima da Hora.

‘Amazonas, um rio de história e mistérios’: Segunda alegoria da Porto da Pedra destaca o maior rio em volume de água do mundo

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PP02 1No carnaval de 2023, a Vermelha e Branca apresentou o enredo “A invenção da Amazônia”, do experiente carnavalesco Mauro Quintaes. A segundo alegoria da escola, intitulada “Amazonas, um rio de história e mistérios”, destacou o Rio Amazonas, o maior do mundo em volume de água.

Dentro do enredo, a segunda alegoria do Tigre de São Gonçalo teve a missão de apresentar a história mística que envolve o Rio Amazonas, unindo civilizações, nações e seres espirituais. O carro colaborou para a mensagem de preservação à natureza do enredo da escola, como comenta a componente Eliane Farias, de São Gonçalo. “O enredo passa essa mensagem importante, devemos ter consciência, passar essa consciência para todas as pessoas e é isso que a Porto da Pedra vai passar na avenida. O Tigre será campeão”.

Visualmente, a alegoria não deixou nada a desejar. O carro apresentou um grande e esculturas bem feitas, como um índio grande na frente e alguns menores nas laterais. A saia da alegoria foi revestida de palha e com cores quentes constituindo os detalhes.

PP03 1Único destaque da escola residente do município de São Gonçalo, o educador Ton Bricio reforçou a importância da mensagem passada pelo enredo da escola. Desde 1994 frequentando a quadra da escola, o gonçalense defende a preservação da Amazônia para as gerações futuras.

“Atualmente, nós temos que pensar em todo tipo de preservação, a Amazônia é nossa, nossa riqueza, nosso poder e temos que preservar para o mundo, não só agora, mas para os próximos que virão”, ressaltou.

Porto da Pedra desde criança, a jovem Francine Montibelo também destacou a importância do enredo. Para ela, tratar de um tema importante no carnaval é fundamental para alertar a população sobre sua relevância. “Essa mensagem que a escola está passando é importante para todo mundo, uma consciência que todos devem ter e muitos não tem. Transmitir isso no carnaval é muito forte e a Porto da Pedra está sendo bem falada”.