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Com a águia simbolizando a união entre madrinha e afilhada, terceira alegoria da Ilha encerrou o desfile em homenagem à Portela

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Ilha06 1Com o carro “Obrigado, madrinha Portela!”, a União da Ilha do Governador encerrou o desfile que homenageia o centenário da Portela com a mistura de insulanos e portelenses, destacando o encontro das águias – a união entre as duas escolas de samba. Com uma grande águia no topo, a alegoria foi marcada por grandes e históricos nomes da escola de Madureira. Na frente do carro, Noca da Portela, Vilma Nascimento e Jerônimo. No lado direito, velha guarda e convidados portelenses, como a porta-bandeira Lucinha Nobre e, no lado direito, velha guarda e convidados da Ilha.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, os componentes do terceiro carro alegórico falaram sobre a homenagem e a mensagem passada pelo carro alegórico que atravessou a Passarela do samba repleto de histórias vivas do carnaval carioca.

Ilha02 3Wesley Teixeira, servidor público de 47 anos, foi um dos destaques da alegoria que encerrou o desfile da União da Ilha do Governador. Ele explicou o papel do carro dentro do enredo e contou o que acha da homenagem da escola à madrinha.

“No carro eu sou o guardião da águia. Eu acho essa homenagem muito merecida, porque a Portela está fazendo cem anos. É uma escola histórica, tradicional e amada pelos fãs do carnaval. Essa alegoria aqui (terceiro carro) representa essa homenagem, em si, à Portela. Trazemos a águia da Portela, além de personalidades da escola. Aqui é a síntese do enredo. O carro está lindo e perfeito”, disse o destaque do terceiro carro.

Ilha05 2Wesley também falou da importância da mensagem de que as crianças são os guardiões da nova geração de sambistas.

“Temos que fortalecer todas as escolas de base, desde mestre-sala e porta-bandeira e bateria a todos os outros segmentos. É de pequeno que se faz o sucesso lá no futuro”, completou Wesley Silva.

Parte da velha guarda da escola insulana, dona Roseli Vagner, de 59 anos, desfila há 13 na agremiação. Segundo ela, a Portela apoia, de fato, Ilha nesta luta em busca do acesso ao Grupo Especial.

Ilha03 3“A homenagem é maravilhosa, porque a Portela realmente é uma madrinha e abraça a Ilha. Mesmo com a gente na Série Ouro, ela sempre nos incentiva a estar melhor e melhor para voltar ao Grupo Especial. Madrinha é isso aí: segurar no colo e querer que fique bem. Hoje é isso que está acontecendo”, contou a componente da velha guarda.

Roseli acredita que o terceiro carro representa a relação da águia com a velha guarda da escola, fundamental para representar sabedoria e fornecer ensinamentos em qualquer agremiação. Ela também ressaltou a relação da velha guarda com as crianças da escola – futuro do samba.

“Para mim, esse carro representa o encontro da águia da Portela com a velha guarda. Isso é uma coisa muito profunda, porque a velha guarda é a sabedoria de uma escola. O que eu vi no clipe do enredo foi a Portela querendo que a gente volte. Um apoio da madrinha para a gente voltar ao Grupo Especial. As crianças são o futuro do samba e o nosso samba não pode morrer. A nossa velha guarda passa isso para as crianças e isso vai se perpetuando”, enfatizou dona Roseli.

Um dos grandes nomes da Portela, a porta-bandeira Lucinha Nobre desfilou no último carro da União da Ilha. Mesmo com a correria e os preparativos para o desfile da Portela na próxima segunda-feira, ela não pôde deixar de prestigiar a afilhada.

“Essa homenagem representa o encontro das águias. A Ilha é sempre uma escola querida, eu tenho grandes amigos aqui e não tinha como não estar aqui hoje prestigiando a Portela. É o centenário da Portela e tem que ser muito comemorado. Eu dei uma ‘fugida’ entre os ensaios, a troca de roupa e todos os detalhes finais – que não são fáceis – para fazer questão de vir prestigiar a Ilha e a Série Ouro também, porque eu acho muito importante que o sambista que ama carnaval esteja aqui na Série Ouro”, contou Lucinha.

Para ela, o centenário da escola reforça a homenagem recebida. Lucinha lembrou que outras escolas também estão homenageando a agremiação de Madureira e Oswaldo Cruz, como a Caprichosos de Pilares, na Série Prata do carnaval carioca.

“Com certeza o centenário reforça essa homenagem. Na verdade é a primeira comemoração do centenário e segunda-feira tem mais. Além de outras escolas que também estão homenageando o centenário da nossa escola, como a Caprichosos. A gente procura estar presente em todas que nos convidam”, ressaltou.

‘Uma amiga e a nossa afilhada querida’. Para Lucinha, isso que a União da Ilha do Governador representa para a Portela. Ela contou que a relação com a agremiação insulana começou desde pequena, por influência de seus pais. Com esta conexão, a porta-bandeira não poderia deixar de prestigiar a Ilha.

“A Ilha é uma escola amiga. Ela é a nossa afilhada querida e eu torço sempre pela Ilha. Adoro os sambas da Ilha. Quando eu era criança, meus pais eram muito amigos do Franco (compositor da escola). Então, na verdade, a minha primeira relação com a Ilha do Governador começa lá atrás, quando eu ainda era criança e o Franco era o meu médico. Ele foi o cara que eu conheci que mais amava a Ilha. A relação é antiga,mas é a primeira vez que eu desfilo na Ilha. A águia está linda. Se é águia não tem como ficar feia, meu filho (risos)”, revelou a porta-bandeira da Portela.

Com a homenagem à madrinha, a União da Ilha do Governador foi a sexta escola a desfilar no sábado de carnaval da Marquês de Sapucaí.

Baianas do Império da Tijuca fazem devoção ao candomblé e ao samba

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Imperio da Tijuca03 1As baianas da Império da Tijuca trouxeram, neste sábado, no seu segundo dia de desfile no Grupo de Acesso, a representação das religiões de matrizes africanas. A fantasia das baianas, ‘As Oferendas de Axé’, representou essas religiões. “É muito axé representar as oferendas, é representada no tipo de tecido, na figura da baiana (que é a mãe do samba) e faz oferenda ao Orixás e, também, sua estampa que traz o desenho das oferendas”, disse Maria Cristina, presidente das baianas na verde e branca.

A fantasia é branca e bordada em detalhes dourados. Tem desenhos de personagens negros em uma faixa colorida com flores. Na cabeça, as baianas utilizam turbantes e chapéus que representam bandejas de oferendas, com frutas.

Imperio da Tijuca01 1Foi o primeiro desfile de Rosi Patrícia, ela estava feliz e nervosa, ao mesmo tempo, por desfilar na Sapucaí. Ela explicou que a maior importância de estar representando as oferendas é representar a religião africana. “É se sentir livre, representar para as pessoas a sua religião e a sua fé. […] A sensação é muito boa, vou rodar muito na avenida”, disse Rosi.

As baianas entraram em um consenso sobre a fantasia: é leve e confortável. “Ela é leve. Esta é leve! Esta. ” afirma Matilde Dias, aposentada, em tom de deboche e rindo. Ela já desfilou onze vezes ao longo da vida e já passou por diversas fantasias. “Só depois que você coloca, que não pode fazer nada. Não pode sentar, não pode fumar, não pode fazer nada. Só ficar balançando assim pra fazer um ventinho”, disse Matilde rindo e balançando sua fantasia.

Imperio da Tijuca02 1A escola foi a penúltima escola a desfilar na Sapucaí. A verde e branca se inspirou nas obras do artista apaixonado pela pela Bahia, Carybé, e utiliza as cores do Axé. As baianas da escola fizeram um gesto de devoção ao candomblé e ao samba.

Águia de Ouro 2023: galeria de fotos

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Freddy Ferreira analisa a bateria do Império da Tijuca no desfile

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A bateria do Império da Tijuca de mestre Jordan fez um desfile regular. Embora o ritmo produzido tenha sido de evidente qualidade, as apresentações para julgadores poderiam ter sido melhores, principalmente na finalização das bossas executadas. A conjunção sonora da bateria esteve boa, mas a conclusão de arranjos envolvendo o toque de “Machado de Xangô” oscilou pela pista.

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Na parte de trás do ritmo, uma afinação de surdos acima da média foi notada. Marcadores de primeira e segunda ditaram o andamento de forma precisa e segura. Os surdos de terceira deram balanço considerável ao ritmo da “Sinfonia Imperial”, que ainda contou com caixas de guerra de qualidade musical, aliada a repiques consistentes. Na cozinha da bateria também haviam ritmistas com timbal, que auxiliou no preenchimento sonoro, tanto do ritmo, quanto principalmente nos arranjos musicais.

A cabeça da bateria contou com um naipe de cuícas tecnicamente privilegiado, que desenha até em bossas esbanjando qualidade musical. A ala de chocalhos adicionou valor sonoro à parte da frente do ritmo. Assim como os tamborins exibiram bom volume, complementando a sonoridade.

Uma bossa na cabeça do samba deu impacto sonoro à “Sinfonia Imperial”, utilizando a pressão dos surdos e de tapas em conjunto de outros naipes, além do swing das terceiras. Vale menção musical ao toque extremamente envolvente dos ritmistas com timbal, numa construção musical complexa, mas bem realizada.

Um casamento musical dos timbales com o ritmo da escola do morro da Formiga também foi evidenciado na paradinha do final da segunda, que é finalizada durante o refrão principal. Um arranjo musical bem feito e melhor ainda executado.

Como forma de dar dinamismo ao ritmo, foi possível notar uma subida de três um pouco mais elaborada, permitindo fluência entre os naipes após ser executada. Uma nuance rítmica envolvendo os surdos também foi percebida na segunda do samba.

Um solo de timbales atrelou a sonoridade da “Sinfonia Imperial” ao que solicitava tanto o enredo, quanto principalmente a obra da escola. No trecho que se repete após o refrão do meio “Tambor, Ogã” houve um solo dos ritmistas com timbal, após tapas dos tamborins. Sua execução infelizmente se mostrou inconstante pela pista por causa da retomada, pois sem os surdos o ritmo não tinha referência alguma para manter o andamento. Na hora da finalização, fazendo um “Machado de Xangô”, foi possível perceber algumas imprecisões rítmicas. A mesma conclusão era realizada na paradinha do refrão do meio já na segunda do samba. A convenção é iniciada com tapas em conjunto que eram efetuados na primeira passada. Na segunda passada, tamborins e chocalhos ajudam a consolidar o ritmo.

A melhor apresentação da bateria do Império da Tijuca foi no último módulo. É importante ressaltar que, pouco antes de chegar no primeiro módulo de jurados, caixas de som inconstantes e irregulares prejudicaram nitidamente a bateria do Império da Tijuca em uma bossa com solo dos timbales. Os ritmistas se mantiveram concentrados e cantando o samba-enredo, para contornar a sonoridade cambaleante tão próxima de uma cabine. No segundo módulo, uma imprecisão rítmica foi notada na finalização de uma bossa executando um toque conhecido como “Machado de Xangô”. O problema é que isso ocorria após um solo dos timbales, quando a bateria ficava sem a referência do andamento ditado pelos marcadores. Um desfile da “Sinfonia Imperial que poderia ter sido melhor tecnicamente, em frente às cabines de jurados.

Terceiro carro da Império da Tijuca representa o axé da feijoada

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Imperio da Tijuca02O último carro do Império da Tijuca, “No altar da feijoada emoldurados na fé” , representa o axé das feijoadas de Ogum pela obra de Caribé e pela fé da Império da Tijuca. Estão presentes na alegoria: a velha guarda e componentes fantasiados com as cores da escola. Além disso, o carro alegórico é bem colorido e tem um São Jorge imponente na frente.

O representante de São Jorge na alegoria foi Nedilson Safo, comerciário de 60 anos. Nedilson sempre frequenta feijoadas de escolas de samba, principalmente da Império da Tijuca.

Imperio da Tijuca03“Os escravizados trouxeram a feijoada da África e está até hoje aqui (…) Ogum é um dos patronos da escola, o santo protetor e também está voltado para a feijoada. Eu me sinto honrado”, disse Nedilson.

José Alberto Matias, aposentado de 72 anos, ocupa o cargo de presidente da velha guarda da Império da Tijuca. Para ele, a ancestralidade da feijoada é o grande valor da feijoada.

“Na minha opinião, a feijoada para sociedade brasileira repercute muito por conta da ancestralidade. Nesse momento que estamos vivendo no nosso país, a ancestralidade é tudo (…) A velha guarda é o início de tudo. Se hoje a escola está aqui, é porque nós demos o primeiro passo”, falou Matias.

Imperio da Tijuca01Lara Lima, educadora física de 53 anos, sempre desfila no carnaval. Esse ano, representando o axé da feijoada, Lara enfatizou o quanto o prato é versátil.

“Todo mundo pode comer feijoada. É uma coisa básica de fazer, dependendo dos ingredientes. Se você tem tudo, você faz uma boa feijoada. Mas, se tem um pouco, você também faz uma boa feijoada (…) É uma satisfação, um respeito pela escola”, expressou Lara.

Fotos: desfile da União da Ilha no Carnaval 2023

Mocidade Alegre leva ‘Yasuke’ ao Anhembi com desfile marcado pela fantástica narrativa teatralizada

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A Mocidade Alegre foi a quinta escola a se apresentar na noite deste sábado, dia 18 de fevereiro, pelo segundo dia de desfiles do Carnaval de São Paulo de 2023. O principal destaque do desfile foi a narrativa da saga do lendário “guerreiro com a força de dez homens”, o escravo levado da África ao Japão que se tornou o primeiro samurai negro da história. Um espetáculo teatralizado no melhor estilo oriental, finalizado com uma hora e três minutos. A escola do Limão levou para a Avenida este ano o enredo “Yasuke”. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Comissão de Frente

Batizada de “A miscigenação de duas culturas milenares, África e Japão”, a comissão de frente da Mocidade Alegre teve como objetivo mostrar, através de episódios da saga de Yasuke, como a união dos saberes de ambas as culturas moldou aquele que ficou conhecido como um dos maiores samurais de sua época. Apresentou personagens que compuseram o exército do Daimiô, do qual o guerreiro se tornou líder, um ator atuando como a Sabedoria Ancestral e o próprio Yasuke, que uma vez integrado à cultura japonesa, se une a outros componentes formando assim o “Guerreiro com a força de um dragão”.

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O figurino foi um espetáculo à parte. As roupas dos samurais, em preto com detalhes prateados, tinham uma espécie de verniz na pintura que dava ainda mais brilho, e somado às katanas que empunhavam, formavam um belo conjunto. O que se viu na Avenida foi a representação de um teatro tradicional japonês para retratar a saga de Yasuke, com um elemento alegórico representando uma floresta de bambu servindo para alternância entre os atos. Uma comissão de frente bem diferente do habitual, mas sem exageros para poluir o visual. Excelente quesito da Morada do Samba.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Jefferson Gomes e Natália Lago se apresentaram com fantasias que representaram “Nzazi e Nzuzu, o encontro das forças sagradas”. De acordo com a mitologia banto, originária dos povos que viveram em Moçambique, que é onde Yasuke teria nascido, Nzazi é o Deus Pai da Justiça e Nzuzu, a Deusa das Águas e Senhora da Sabedoria. Simbolizaram a justiça feita a Yasuke ao ser reconhecido pelos seus valores e as águas do mar que conduziram o guerreiro ao Japão.

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O casal cumpriu com as obrigatoriedades do quesito através de uma dança ritmada de acordo com o andamento dos versos do samba. O cortejo do Mestre-Sala foi feito com excelente encaixe de finalização, somado a giros bem executados e um minueto realizado um de lado para o outro. Nos pontos em que foram observados, não houve falhas de sincronia e nem problemas com o pavilhão, com o casal conseguindo superar o desafio da chuva que retornou para molhar a Avenida ao longo do desfile.

Harmonia

A harmonia da Mocidade Alegre deveria ser estudada pela NASA. Como é possível tantas pessoas cantarem forte do início ao fim de um desfile e ao mesmo tempo de maneira tão empolgada? Parece algo de outro mundo, e somado aos apagões da bateria “Ritmo Puro”, realizados em pontos diferentes do samba, são provas de como a comunidade da Morada é unida e apaixonada por sua escola. Impecável. Os 40 pontos só dependem dos jurados.

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Enredo

O enredo da Mocidade Alegre visou contar a saga de Yasuke do momento em que partiu da África em direção do oriente, passando pelo reconhecimento das virtudes do guerreiro pelo daimiô Oda Nobunaga, governante da região de Kyoto no século XVI, sua ascensão ao posto de maior samurai de sua geração até os últimos registros consolidados a respeito da sua vida no Japão. O desfile se encerrou ilustrando como os jovens negros da atualidade contam com virtudes do lendário guerreiro para superar os desafios que a realidade impõe diariamente.

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Quando o enredo foi anunciado, o carnavalesco Jorge Silveira garantiu que se trataria de uma mistura de Japão e África. Dados os ingredientes da receita, o que se viu na Avenida foi o contar da saga de um africano como se fosse um gigantesco teatro japonês, com atos que seriam facilmente entendidos em um desfile no famoso Carnaval de Asakusa. Yasuke teve sua história celebrada da forma mais didática possível, com seus valores humanos e de samurai honrados do início ao fim do desfile. O desfecho do desfile contou com um comovente último carro que foi adereçado com diversos bilhetes típicos das árvores dos desejo japonesas, com um portal tradicional japonês e um jovem negro brincando com um origami de pássaro, mas vestindo roupas comuns da juventude atual da periferia.

Evolução

O que a Mocidade Alegre faz quando o assunto é evolução só vendo para crer. A escola desfilou com uma grande volumetria, o desfile passou sem deixar brechas e com andar constante e límpido, e quando o último carro já passava pela Monumental ainda restavam 25 minutos para o fechar dos portões. A direção de harmonia comandada por Magno Oliveira está de parabéns, porque foi certamente a melhor escola neste quesito, com o desfile finalizando em uma hora e três minutos sem causar nenhuma preocupação com o tempo.

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Samba-Enredo

Fruto da junção de duas obras finalistas do concurso realizado pela escola, o samba da Mocidade Alegre narra de maneira poética as diferentes passagens do enredo, com irreverência e exaltando os elementos mais marcantes da saga de Yasuke, como no refrão do meio que resume o momento em que o daimiô, após desconfiar da possibilidade de existir um homem de pele preta, manda seus subordinados lavá-lo e, ao se dar conta de que era real, o admira pela sua beleza e o reconhece pela suas virtudes, mostrando como podem ser diferentes as maneiras como povos podem encarar o diferente de si. O desfecho da última parte do samba retratando a simbologia de Yasuke para os jovens negros dos dias de hoje.

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Junções de samba costumam ser muito contestadas quando ocorrem, e na Mocidade Alegre é uma decisão rara, com a última ocorrendo para o desfile de 2008. Mas o desfile provou que a aposta foi certeira, e o samba não apenas narrou de maneira linear o que se viu na Avenida como foi completamente abraçado pela comunidade e o público que compareceu ao Sambódromo do Anhembi. A bateria “Ritmo Puro” apostou em várias bossas e apagões ao longo de toda letra da obra, elevando ainda mais o nível do espetáculo.

Fantasias

As fantasias da Mocidade Alegre buscaram representar em sua maioria os personagens e símbolos que marcaram a saga de Yasuke. Uma exótica mistura de elementos africanos com roupagens típicas de enredos que ilustram as culturas orientais se fez presente.

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A aposta se mostrou uma receita de sucesso. Fantasias que uniram luxo, facilidade de leitura e leveza para os componentes brincarem o Carnaval de maneira despreocupada. Da parte do enredo que focou na herança ancestral africana de Yasuke, a roupagem foi a esperada para um típico desfile afro. Quando o personagem desembarca no Japão, porém, o padrão das vestimentas muda completamente e passa a apresentar diversos elementos da cultura oriental de forma carnavalizada. Era muito fácil entender o que cada segmento queria contar, fazendo do desfile da Morada do Samba um excelente espetáculo visual e cultural. Destaque especial para a ala das baianas, com as mães do samba representando a Sakura, flor de cerejeira, que estavam incrivelmente belas segurando sombrinhas japonesas.

Alegorias

Os carros alegóricos da Mocidade Alegre serviram de palco para, pontualmente, narrar as passagens mais relevante do enredo proposto. Partindo do Abre-alas, “A saga de Yasuke pelos mares sagrados de Nzuzu”, que ilustrou a viagem do guerreiro para o Japão, passando para o segundo carro, “Na morada de daimiô, a pele retinta de Yasuke reluz a beleza e a verdade”, que fala do momento em que os japoneses perceberam a verdade sobre o herói e se admiraram por isso. O terceiro carro, “Yasuke, o primeiro samurai negro na Terra do Sol Nascente”, é a consagração do samurai africano que ascendeu a um dos maiores guerreiros de sua época, e finalizando com “Na memória de Yasuke, o poder da pele preta”, que simbolizou a presença de Yasuke na essência de superação de cada jovem negro.

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Seguindo a mesma linha das fantasias, o Abre-alas, que de acordo com a presidente Solange Cruz foi a primeira vez que veio apenas com as cores da própria escola, era na essência uma alegoria em estilo afro. A parte japonesa do desfile nessa alegoria se limitou às tradicionais máscaras oni japonesas, em elementos rotatórios que do outro lado exibiam máscaras tribais africanas. As alegorias dois e três foram responsáveis por contar o primeiro contato dos japoneses com Yasuke e a sua consagração como grande samurai que foi. O desfile foi encerrado com uma alegoria simbolizando a inspiração da herança de Yasuke para os jovens negros da atualidade, com os bilhetes das árvores de desejo e o origami como simbologia japonesas mais marcantes. Os carros foram todos de leitura muito fácil e de acordo com a proposta apresentada pela escola. Causaram grande impacto no público pela sua beleza, principalmente da terceira alegoria que no topo continha uma maravilhosa escultura de um dragão circundando uma katana. Mais um quesito forte dentro do excelente espetáculo apresentado pela Morada do Samba.

Outros destaques

Um belo momento marcou a arrancada do desfile da Mocidade Alegre. Igor Sorriso deixou o momento aos cuidados de Didi Gomes, voz feminina da ala de canto da escola, que comoveu a todos os presentes com sua voz marcante, que já tinha se destacado nos ensaios técnicos e novamente foi um espetáculo à parte no desfile da Morada do Samba.

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A bateria “Ritmo Puro”, com seu sempre impecável desempenho, contou com um capricho adicional nas fantasias. Eram duas roupas diferentes, sendo uma delas específica para os chocalhos. A Rainha da Bateria, Aline Oliveira, também ganhou um presente na forma da sua fantasia, contando com um capacete remetendo ao dos samurais mas com um mecanismo que abria e fechava a parte dos olhos.

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Vale um apontamento adicional para o sensacional time da direção de harmonia da Mocidade Alegre. A confiança que eles possuem um no outro é tamanha que a comunicação flui com grande facilidade, com comandos visivelmente fáceis de entender até mesmo na preparação para os apagões. Ao mesmo tempo, os diretores de ala confiam tanto na comunidade que alguns se viram para o público, chamando os expectadores para entrar no canto. É algo de bastidores, mas que impressiona quem acaba observando.

Os componentes da Mocidade Alegre já estão mais do que acostumados a desfilarem duas vezes no mesmo ano, e com base no que a escola apresentou na Avenida em 2023 a recomendação é de que guardem bem as fantasias porque as chances de acontecer de novo são grandes. Um conjunto pleno da mais pura essência da Festa de Momo. Assistir a Mocidade Alegre faz um bem enorme para qualquer apaixonado por Carnaval.

Ilha enaltece carnavais antigos enquanto honra a atualidade

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Ilha04 1Com um enredo em homenagem à sua escola madrinha, Portela, a União da Ilha do Governador celebrou não apenas o encontro das águias. O desfile se desenvolveu como um grande ato de enaltecimento ao carnaval brasileiro.

O segundo carro alegórico da agremiação, intitulado “O Carnaval de nossas vidas”, encerrou o terceiro setor com um retorno aos carnavais antigos, abraçando a alegria que sempre esteve presente nos cantos da cidade carioca.

Jean Mendes, de 44 anos, se emocionou ao comentar a importância de fazer parte do maior espetáculo da terra. “Estou revivendo tudo que meu pai, minha avó e minha bisavó viveram. Tenho a oportunidade de ter esse momento no presente, e essa é a coisa mais linda do mundo. O carnaval é algo extraordinário. Não há nada como a magia de quando se entra na Avenida”, afirmou.

Ilha02 2A alegoria apresentava diversos elementos nostálgicos, mas Thaís Louzada, de 29 anos, comenta que não há motivos para desmerecer a realidade. “Sentimos saudades, mas dentro das quadras o espírito do carnaval é o mesmo. Geralmente desfilamos há anos, com a família ou amigos, então temos esse encontro de pessoas que amamos”, comentou.

Ao serem questionados sobre a importância dos bailes e decorações de rua, ambos saíram em defesa. “É total! Sem isso, esse estado não é o Rio de Janeiro. Depois do carnaval, vou para um monobloco no domingo. Hoje também teve bloco. Estou muito feliz”, informou Jean.

Thaís fez questão de elogiar a pluralidade do carnaval como uma festa cultural. “Tem espaço para a vovó, para o vovô, para o titio… Cada um se sente melhor num tipo de carnaval e aqui temos todos”, concluiu.

Insulanos comentam importância de homenagem à Portela no seu centenário

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Ilha02 1A união das escolas de samba e a inexistência de rivalidade entre as agremiações cariocas mais uma vez foram destaque na Passarela do Samba. Uma homenagem importante não só por ser madrinha da União da Ilha do Governador, mas pelo seu centenário e imponência na história do carnaval carioca. Assim o enredo “O encontro das águias no templo de Momo” foi definido e justificado pelos componentes da agremiação insulana.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, os componentes da escola da Ilha do Governador comentaram sobre a importância de homenagear a madrinha Portela no ano em que a escola de samba completa cem anos.

Beatriz Oliveira, de 57 anos, faz parte de uma das alas da escola e desfila na União da Ilha do Governador desde 1992. Para ela, mesmo se a Portela não fosse madrinha da escola insulana, a homenagem deveria ser feita pelo pioneirismo e imponência da escola de Madureira e Oswaldo Cruz.

Ilha01 1Acho uma ótima homenagem porque, além de ser madrinha da União da Ilha, é 100 anos da Portela. Mesmo se não fosse madrinha, é uma escola com 100 anos, que tem mais títulos, que criou a comissão de frente. É uma escola centenária que merece muito respeito de todos nós”, destacou a componente da escola de samba.

Ela lembrou que diferente de outros meios, no carnaval não existe rivalidade entre as escolas e uma visita a quadra da outra. Segundo a componente da agremiação, a homenagem à madrinha ajuda sim na briga pelo acesso ao Grupo Especial, mas, no fim, tudo depende da União da Ilha do Governador.

“Não tem rivalidade. Teve uma vez que a gente foi, vamos de novo, não tem rivalidade nenhuma entre a Ilha e a Portela. Depende de nós e dos jurados. Mas, se depender da importância da Portela e da imagem dela, isso ajudará bastante nessa briga”, contou Beatriz Oliveira.

Para Luciano, de 52 anos, componente da ala de compositores e que no dia a dia trabalha com setor administrativo, a homenagem é muito válida porque a agremiação insulana, segundo ele, teve origem graças ao apoio da madrinha Portela.

Ilha03 1“A homenagem da Ilha à Portela é muito significativa, porque a madrinha da União da Ilha do Governador é a Portela. Ela teve origem por conta da Portela. Por isso, é uma homenagem muito importante, ainda mais pela Portela estar fazendo cem anos”, contou Luciano.

Uma relação de carinho, simpatia e respeito. Para Elisabete Lopes, que tem 67 anos e é baiana da União da Ilha do Governador há vinte anos, a homenagem é muito importante neste centenário da Portela – escola que ela diz ter muito carinho.

“Para mim, é tudo de bom. Eu gosto muito da Portela – que é madrinha da Ilha – e também gosto muito do povo de Madureira. Para mim é uma maravilha essa homenagem, ainda mais neste ano que é o centenário da Portela. No mundo do samba a homenagem é muito bem vinda, porque no carnaval não existe rivalidade”, falou a baiana da agremiação.

Destaque do segundo carro da escola de samba, “O carnaval de nossas vidas”, Eula Rochard disse que é importante homenagear e lembrar de quem ajudou a agremiação.

“Eu acho que você tem que homenagear a pessoa que te colocou no mundo. Como a Portela é madrinha da Ilha, acho que a Portela deu um grande incentivo para que houvesse uma escola na Ilha do Governador. A Portela deu essa vantagem da Ilha se tornar uma grande escola”, pontuou Eula, um dos destaques do carro da União da Ilha do Governador.

Eula lembrou que a escola de Madureira e Oswaldo Cruz foi fundamental para no processo de revolução do carnaval, que antes era marginalizado e considerado algo pertencente ao gueto. Além de lembrar este processo, ela também fez um desabafo sobre o cenário atual da Série Ouro do carnaval carioca.

“É claro que o centenário da Portela torna essa homenagem ainda mais importante. A Portela é a única escola no Brasil que tem cem anos. Não é pouca coisa, é muita coisa. São cem anos lutando. Tem que lembrar sempre que carnaval era coisa de marginalizado, considerado coisa de bandido. A polícia pegava, batia e matava. Era considerado coisa de gueto. Hoje em dia é tudo um luxo, camarote custando 60 mil reais, enquanto hoje a arquibancada está vazia. Por que não deram convites de graça para que essas escolas distribuam nas suas comunidades? Agora a gente entra com a arquibancada vazia, isso é uma vergonha para o carnaval. A gente gasta dinheiro fazendo roupa para chegar e a arquibancada vazia. Dá convite para o povo”, desabafou Eula Rochard.

Ilha promove encontro de águias ao pisar na Sapucaí

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Ilha04A União da Ilha do Governador, sexta escola da Série Ouro a desfilar na Sapucaí neste sábado, 18 de fevereiro, fez uma homenagem para a sua escola madrinha, Portela, que está comemorando o centenário de sua existência.

No abre-alas, foi representado o encontro entre as duas águias num grande salão. Um momento de celebração não apenas das agremiações, como também do carnaval num todo. O amor e as cores de seus pavilhões as uniram.

“Viemos pedir a permissão e benção da ‘dindinha’ para alcançarmos a tão sonhada vitória”, comentou Angelica Vilas-Boas, de 48 anos. Ela desfila pela escola há anos, e já está acostumada com a posição de destaque, mas não falha em agradecer pela oportunidade. “Costumo chamar a Ilha de ‘Ilha do Amor’. É uma agremiação infinitamente acolhedora. Tenho um carinho especial pelo carnavalesco, Cahê Rodrigues, que está sempre dando o seu melhor pelo título. Ele é muito competente e capaz”, completou.

Ilha01Em seu primeiro desfile na União da Ilha, Débora Figueiredo, de 62 anos, transbordava alegria na concentração. “Sei que vai ser um desfile emocionante. As duas escolas estão comemorando grandes aniversários e estaremos celebrando isso”, afirmou.

Uma das maiores apostas durante o pré-carnaval, a agremiação empolgou o público ao pisar na Avenida. Gisele Ferrara, de 46 anos, foi direta ao citar a meta dos desfilantes: “Estamos torcendo para conseguirmos voltar para o Grupo Especial, porque é o nosso lugar”.