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Dragões da Real 2023: galeria de fotos

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Carlinhos do Salgueiro trouxe suas alunas estrangeiras para o desfile da Inocentes

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Inocentes02 3Uma figura que não pode faltar no carnaval carioca é o coreógrafo Carlinhos do Salgueiro. Dessa vez, o público pôde vê-lo na Inocentes de Belford Roxo, última escola a desfilar pela Série Ouro, em 2023. O seu grupo performático veio representando o “Barreiro do Vale do Mulembá” e, durante a apresentação, os componentes iam sujando suas roupas brancas de barro.

Um diferencial desta ala é o fato de ser composta por pessoas estrangeiras em sua maioria. É o resultado do método Samba Diva de Carlinhos que ajudou a levar o samba no pé para fora do Brasil. Essa foi a oportunidade de trazer suas pupilas para um desfile carioca.

Inocentes01 3“Hoje é especial porque, há 6 anos atrás, eu fundei a minha técnica ‘Samba Diva’ lá fora e, pela primeira vez, eu vou ter o prazer de trazer as minhas alunas para dançar comigo. A gente vai fazer uma loucura com meu povo e elas”, contou o coreógrafo.

Não houve seleção para escolher as alunas que participaram, bastava querer. No fim, a ala trouxe 70 pessoas vindas de países como Canadá, Austrália, Suécia, França, México, Polônia, Peru e Colômbia.

“Na coreografia, a gente faz alguns passos de samba, com alegria e interação. O principal é que o corpo fala, não precisa de brilho. O fator principal é fazer o corpo falar”, explicou Carlinhos.

Para conciliar o trabalho no Salgueiro e na Inocentes, o dançarino disse que, na primeira, o trabalho começou a ser pensado bem antes. Isso facilitou que as duas concepções fluíssem.

“Eu não posso deixar de vir para a Belford Roxo. É uma escola que me abraçou há muito tempo. Eu adoro o Reginaldo [Gomes, presidente da escola] e o carnavalesco [Lucas Milato]. Eu já desfilei aqui umas quatro vezes. Eu sempre vinha como convidado e levava um grupinho, dessa vez eles oficializaram algo mais artístico”, disse o coreógrafo.

O público tem o próximo encontro marcado com Carlinhos neste domingo. O Salgueiro será a quinta escola a desfilar com o enredo “Delírios de um Paraíso Vermelho”.

Abre-alas da Inocentes destaca a ancestralidade das paneleiras capixabas

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Inocentes01 2A Inocentes de Belford Roxo começou seu desfile no amanhecer de domingo com um abre-alas que evocava a ancestralidade das paneleiras capixabas de Goiabeiras, chamado “Saber ancestral”. A escultura de um rosto indígena feminino ficava na frente do carro, que era predominantemente verde. Esculturas grandes de vasos em marrom com padronagens geométricas pretas e brancas tomavam conta do carro e serviram de pedestal para os componentes.

Homens e mulheres representando indígenas reforçavam a origem da cultura das panelas de barro do Espírito Santo. Esse artesanato já data 400 anos. Amelinha Simeão, de 70 anos, desfila há mais de 20 anos na Caçulinha da Baixada e veio no abre-alas.
“É muito importante a escola tratar desse assunto porque fala de uma cultura antiga. Eu acho lindo e maravilhoso fazer esse carnaval com história”, disse a componente que acredita que o enredo trazer essa ancestralidade pode ajudar ao público entender mais a riqueza dos povos originários.

Inocentes03 1O carro ganha volume ao ter como destaque na frente uma esplendor com penas verdes e no ponto mais alto outro esplendor feito com capim dourado. Essa característica chamou atenção de Júlio Pelegrini, de 33 anos, que ratificou a importância falar de mulheres.

“Eu achei o carro bem volumoso e vai fazer bonito na Sapucaí. É um enredo que vem falar do feminino, das mulheres e isso é bem atual”, disse ele em seu 4º desfile pela azul, vermelho e branco.
Roberta Tavares, de 35 anos, está em seu 5º carnaval pela Inocentes. Ela considera importante trazer para o Sambódromo enredos culturais e valorizar a arte e o talento dos povos originários. A homenagem às paneleiras para Roberta é a cara da agremiação.

O abre-alas ganhou mais peso ao vir após um tripé grande com uma estética similar e a ala de baianas que representaram as “artesãs indígenas”.

Águia de Ouro desafia a chuva e leva comissão de frente inspiradora

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Sexta escola a desfilar no sábado de carnaval, a Águia de Ouro enfrentou, tal qual em alguns dos ensaios técnicos da agremiação, muita chuva para se apresentar no Sambódromo do Anhembi. As condições climáticas acabaram prejudicando alguns quesitos, é bem verdade, mas a instituição do bairro da Pompeia, na Zona Oeste paulistana, deixou ótimas impressões estéticas, sobretudo no primeiro setor. Com uma comissão de frente marcante, boa execução do samba-enredo e um destaque especial para a Ala das Baianas, a Evolução sentiu a imensa quantidade de água que veio, curiosamente, da temática da escola, que apresentou o enredo “Um Pedaço Do Céu”, exibido em 64 minutos – apenas um antes do prazo regulamentar.  * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Enredo 

Quando foi revelado, o enredo da Águia de Ouro causou um misto de curiosidade, dúvida e surpresa. Do que “Um Pedaço Do Céu” trataria, afinal? No fim das contas, para resumir toda a questão, o tema da escola da Zona Oeste paulistana é a busca (e a posterior conquista) de sonhos, utilizando o céu como metáfora para a realização dos mesmos.

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No enredo, logo no primeiro setor, é apresentado uma visão mais lúdica e infantil da criação de sonhos, algo idílico e quase ilusório. O segundo setor traz a luta para realizar os próprios sonhos, toda a absorção de experiência e batalhas vencidas para atingir o objetivo. Já o terceiro mostra as sensações que são vivenciadas por quem busca e por quem realiza os sonhos – muitas vezes iniciados ainda na infância. Por fim, o desfile é encerrado com a tentativa de traduzir o que são os sonhos para diversas culturas, religiões e tradições distintas.

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Um enredo mais subjetivo e abstrato, que não reproduz uma linha cronológica, é um desafio extra para qualquer carnavalesco por conta da filtragem de milhões de informações e referências que cabem em tal temática, além da organização das mesmas e da comunicação de tudo isso para os componentes e público. Em tal quesito, bastante desafiador, o carnavalesco Sidnei França teve atuação inspiradíssima.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Com fantasias quase que inteiramente douradas e representando “O Infinito é a Ilusão do Faz-de-Conta” e desfilando logo após a ala das baianas (a segunda da exibição), João Carlos Camargo e Lyssandra Grooters bailaram para encenar sentimentos tão próprios de crianças, remetendo a seres imaginários e um mundo sem problemas e situações negativas.

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Na avenida, a prática não foi tão simples quanto a teoria aponta. A persistente chuva que não deu trégua um segundo sequer no desfile da Águia transformou a exibição do casal em um desafio bastante destacado. E, em boa parte da avenida, eles tiraram de letra a responsabilidade. Se, no primeiro uma rajada de vento tentou (em vão) tirá-los do prumo, no segundo e no terceiro a dupla teve atuação pouco mais tranquila – “apenas” com chuva e pista molhada.

A coroação da exibição veio, justamente, no terceiro quesito. Extremamente à vontade, João Carlos começou a sambar, como é bastante característico do mestre-sala, no limite do bailado. E, sem se importar com as condições climáticas adversas, ele mostrou um samba no pé apuradíssimo. Vale destacar, também, a extrema sincronia dos dois componentes, capazes de efetuar giros muito próximos um do outro, deixando a dança ainda mais difícil – e extremamente bem executada.

Samba-enredo 

Contando, setor a setor, o desfile, a canção, tal qual o enredo quando foi anunciado, causou surpresa. A melodia, bastante agradável, convidava o ouvinte a refletir, imaginar e sonhar sobre os próprios sonhos de maneira musicada. E, nela, está tudo lá: a “inocência de criança”, “basta acreditar que um novo dia vai raiar” e o “sabor da vitória” – todos os trechos entre aspas, por sinal, foram cantados pelo carro de som e pelos componentes.

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Para que a canção tivesse boa noite na passarela, seria indispensável uma boa condução sob chuva do carro de som da Águia de Ouro. E ela veio: com Serginho do Porto, Douglinhas Aguiar e a reestreia na escola de Chitão Martins, a música embalou muito bem o desfile da agremiação da Pompeia. Também vale destacar as bossas, sempre equilibradas, da Batucada da Pompeia, novamente comandada por um dos grandes baluartes ainda na ativa do carnaval paulistano: Mestre Juca.

Alegoria 

O carro abre-alas teve como destaque uma menina que, como toda e qualquer criança, imagina um mundo utópico, apenas com sentimentos bons e situações favoráveis. E, nesse mundo de faz-de-conta, um mago a ajuda a viver em um reino fascinante, com carrosséis, bailarinas, carruagens e a própria Águia de Ouro. O segundo carro alegórico trouxe o chamado “Céu das Conquistas”, representado artisticamente como o Templo de Hércules. Com o próprio herói grego e as famosas colunas, é fácil identificar a influência grega na peça.

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A terceira alegoria traz outro tipo de céu: o de sensações, com sensações, prazeres e celebrações. E, para representar tais sentimentos, foram escolhidas guloseimas, como bolos, balas, doces diversos e sorvetes. Há, também, um personagem que guia as ações no carro, chamada de Miss Cake. Por fim, o quarto carro representa o céu da eternidade, representado como um templo da saudade, com diversos baluartes do samba paulistano que não estão mais nesse plano – todos eles imortalizados, novamente, pela Águia de Ouro.

Não faltaram bons acabamentos para cada uma das alegorias, que não sentiram o peso da chuva em momento algum e não perderam nenhum tipo de adereço. Chamou atenção, também, a diferença na concepção de cada um deles, como exigia o enredo – e algo que não é tão facilmente alcançável. Vale destacar, também, o doce aroma que saia das alegorias, proporcionando uma sensação imensa de bem estar-para os presentes no Anhembi.

Fantasia 

O começo do desfile da Águia de Ouro teve um conjunto de fantasias fantástico, com acabamentos impecáveis e fantasias bastante luxuosas. Aqui, é importante fazer um especialíssimo destaque: a Ala 02, das Baianas, intitulada  “Bonecas de Pano… A Colorida Inocência da Menina”, era uma das mais bonitas de todo o carnaval paulistano em 2023, com bonecas de pano e material que remetia ao algodão em tons pastéis.

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Após o primeiro setor, entretanto, as fantasias tornaram-se irregulares quanto ao material utilizado. Enquanto algumas seguiam com materiais mais luxuosos, outras tinham opções mais em conta. Tudo, entretanto, de acordo com os protótipos apresentados pela agremiação.

É importante destacar, também, que as fantasias tinham significado simples desde que o espectador compreendesse em qual setor ela foi inserida. A fantasia que, por exemplo, tinha tons escuros e componentes com figurinos que emulavam cintas-ligas e um chicote estava dentro do contexto dos prazeres mais adultos – como o amor ou um grito de gol. Sem tal identificação prévia, ela poderia parecer avulsa no desfile – o que, é bem verdade, não aconteceu.

Harmonia 

Um bom samba conta muito para que os componentes tenham mais vitalidade para cantar. E, ao longo de todo o desfile da Águia de Ouro, a chuva tentou, a todo custo, atrapalhar o quesito. Não conseguiu: o canto foi de boa qualidade e perene durante toda a apresentação – um imenso mérito da comissão de Harmonia da escola.

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É bem verdade que os staff não chamavam muito a atenção dos componentes (leia mais no quesito “Evolução”) quanto ao canto e alinhamento das alas, o que denotava tranquilidade e a sensação de que tudo corria às mil maravilhas. E, de fato, não existe motivo para reclamar de tal segmento da escola.

Evolução 

Primeiros a chegar para o desfile de uma escola de samba, os staff precisam ajeitar absolutamente todos os detalhes para que o show seja perfeito. A Águia de Ouro, que entrou no Anhembi por volta das 05h, certamente teve componentes que chegaram a, no mínimo, oito horas antes do início da apresentação. E, nessas oito horas, cerca de sete foram debaixo de chuva. O cansaço, é claro, bate. E isso ficou refletido na apresentação.

Os staff pouco faziam alertas aos componentes – que, é bem verdade, não precisava de muitos ajustes. Mas, conforme o desfile ia avançando, os desfilantes passaram a se movimentar menos, fazendo dinâmicas muito simples com os braços e pés, prejudicando o quesito.

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Há, entretanto, um mérito indiscutível da escola em tal quesito: o recuo da bateria. Mestre Juca, dos mais experientes diretores de bateria de São Paulo, fez um movimento bastante simples e rápido, entrando no local tão logo fosse possível, por uma fresta mínima. A ala seguinte também não demorou muito tempo para preencher o espaço. Todo o movimento demorou cerca de 65 segundos – tempo irrisório perto de outras coirmãs.

Apesar do tempo mais exíguo para encerrar a apresentação, não houve grande aperto de passo para chegar dentro da cronometragem. É importante destacar que a escola, entretanto, começou a exibição com movimentos mais morosos – e foi, paulatinamente, crescendo.

Comissão de Frente 

Com comissão de frente bastante elaborada, foram três atos encenados pelos bailarinos. No primeiro deles, são, ao todo, sete fantasias distintas, representando personagens com personalidades distintas: uma Menina e seis amigos dela. No segundo, surgem mais dois, com figuras nefastas e com fantasias escuras, que tentam desestabilizar, de alguma forma, a Menina – personagem central da encenação, que busca jogar amarelinha no mundo do faz-de-conta. Por fim, no terceiro, seres celestiais chegam para fazer com que a Menina e os amigos vençam a partida de amarelinha.

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Com uma coreografia bastante longa (a realização inteira dela durou a Arquibancada Monumental inteira, por exemplo), os bailarinos conseguiram divertir e emocionar em um simples jogo de Amarelinha teatralizado – algo raríssimo. Com componentes bastante expressivos, era possível notar pessoas torcendo para que os integrantes em tons mais claros conseguissem levar a Menina à vitória – que, quando acontece, torna-se um momento de muita celebração.

Outros destaques 

Ainda antes do desfile começar, chamou atenção o discurso do presidente da Águia de Ouro, Sidnei Carrioulo. Absolutamente todos que estavam próximos a ele mantinham olhares fixos no mandatário da agremiação. Pouco distante de tal momento, começaram a surgir um adorno bastante agradável: nas cuícas da Batucada da Pompeia, uma águia que movimentava as asas e ficava com os olhos vermelhos chamava atenção de quem passava pelo local.

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A chuva teve papel decisivo no desfile da instituição. Quando a escola fez o Esquenta, o tempo estava seco. Ao começar o desfile, a garoa retornou. Por fim, com cerca de 28m, a chuva começou a cair mais intensamente.

‘Mulheres de Barro- Ensinar e aprender’: Segunda alegoria da Inocentes exalta cultura capixaba

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Inocentes04Última escola a desfilar no sábado de carnaval da Série Ouro, a Inocentes de Belford Roxo exaltou as paneleiras de barro de Goiabeiras Velha, em Vitória, no Espírito Santo, através do enredo “Mulheres de Barro”, do carnavalesco Lucas Milato. Muito elogiadas por quem as consome, as comidas feitas em panelas de barra renderam elogios também na ala de baianas da Caçulinha da Baixada, que estavam vestidas de “Artesãs Indígenas”.

Em entrevista ao Site CARNAVALESCO, Vera Lúcia, se recordou com animação das comidas feitas por sua mãe nas panelas de barro. Segundo a moradora de Belford Roxo que está há 10 anos na escola, a prática era um costume entre as mães na época da sua infância.

“A gente quando era mais nova, criança, as mães sempre faziam comida no fogo de lenha, nas panelas de barro. A gente também tinha as tigelas em que a gente comia, era muito gostoso. O Bobó de Camarão feito na panela de barro é sensacional”, recorda a baiana.

Inocentes02 1Pela primeira vez desfilando na Inocentes de Belford Roxo, Glória Mattos concordou convictamente com sua colega de ala. Moradora do Estácio, a estreante elegeu o peixe feito na panela de barro como seu prato favorito. “Eu gostei muito de comer comida feita em panela de barro, é muito bom. Tem muitos anos que eu comi. Minha irmã sempre faz peixe na panela de barro, é meu prato favorito”.

Por fim, a integrante da ala de baianas Érica Barbosa, moradora da Baixada Fluminense, enaltece a qualidade das panelas de barro para melhorar o sabor dos temperos. Para Érica, sua experiência com as panelas de barro foi incrível.

“Já comi, é muito boa a experiência de comer uma comida feita em panela de barro, muito boa mesmo. Panela de Barro é surreal, tudo que faz nela fica bom, tempero completo. O melhor prato é o acarajé, na panela de barro é feito por quem sabe fazer, é tudo de bom”, concluiu.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Ilha no desfile

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A bateria da União da Ilha do Governador fez um desfile magnífico, sob o comando de mestre Marcelo Santos. Uma conjunção sonora que explicitou o alto valor técnico da “Baterilha”. O ritmo insulano ficou marcado pela concepção musical baseada em funcionalidade e eficácia, mesmo com arranjos mais elaborados, que permitiu uma fluidez sonora entre os mais diversos naipes.

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A cozinha da bateria da Ilha apresentou um trabalho refinado. Marcadores de primeira e segunda foram seguros, firmes e eficazes. Surdos de terceira deram um balanço profundo ao ritmo insulano. Repiques auxiliaram a complementar a musicalidade da parte de trás do ritmo. Um naipe de caixas absurdamente técnico exibiu o clássico toque embaixo com a rufada peculiar da Ilha. Vale ressaltar que as caixas deram amparo musical para todas as peças, tocando de forma ressonante.

A cabeça da “Baterilha” contou com trabalhos simplesmente impecáveis. Um naipe de cuícas de qualidade foi percebido, bem como uma ala de agogôs excepcional deu leveza à parte da frente do ritmo. O naipe de agogôs, inclusive, possui papel fundamental nas paradinhas, usando sua sonoridade primorosa dando um alto valor musical às peças leves. Uma ala de chocalhos sublime e com volume notável tocou de forma integrada a um naipe de tamborins profundamente técnico. O “Tamborilha” (apelido da ala) tem indubitavelmente um dos melhores naipes de tamborinistas do país e fez valer seu legado musical tocando como se fosse somente um durante toda a pista.

O trecho “Portela” evidenciou o bom gosto nos arranjos musicais insulanos. Pautado pela simplicidade, um corte seco é realizado, deixando os ritmistas do repique mor fazendo um solo envolvente. O maior mérito envolvendo a bossa é deixar o samba-enredo da Ilha ser cantado em coro, retomando o ritmo com um tapa em conjunto de todas as peças.

A bossa da cabeça do samba começava no refrão principal, após um corte seco seguido de retomada através do “ataque” dos naipes. A finalização da convenção envolveu sofisticação e requinte, envolvendo inclusive uma subida progressiva, consolidando a sonoridade de forma destacada.

A luxuosa construção musical da paradinha do refrão do meio consolidou o ritmo através da pressão provocada pelas batidas de diversas peças em conjunto. Possui um grau de dificuldade elevado de execução. O bom balanço das terceiras ficou evidente no arranjo, que ainda contou com três tapas dos tamborins unidos a uma rufada de caixa.

Uma bossa no fim da segunda teve destaque devido a boa integração musical, num arranjo que deixou explícito o swing envolvente dos surdos de terceiras insulanas. Isso sem contar os solistas do repique mor, que deram balanço ao ritmo da bateria da Ilha no momento de retomar o ritmo. Uma construção musical baseada em impacto sonoro e pressão.

Todas as apresentações nos julgadores foram bem realizadas. É possível dizer, inclusive, que era nítida a boa receptividade por parte do júri, diante de arranjos bem elaborados e executados à perfeição. Um grande desfile da “Baterilha” de mestre Marcelo.

‘Mulheres de Barro- Ensinar e aprender’: Segunda alegoria da Inocentes exalta cultura capixaba

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Inocentes01Última escola a desfilar no sábado de carnaval da Série Ouro, a Inocentes de Belford Roxo exaltou as paneleiras de barro de Goiabeiras Velha, em Vitória, no Espírito Santo, através do enredo “Mulheres de Barro”, do carnavalesco Lucas Milato. A segunda alegoria da escola, intitulada “Mulheres de Barro- Ensinar e aprender”, exaltou a cultura de aprendizado constante, de geração para geração, das paneleiras.

A alegoria, predominantemente em tons de marrom, possuía belos barquinhos em tons de azul na frente, além de uma escultura de uma paneleira. Na cultura das paneleiras, os ensinamentos passados entre avós, irmãs, filhas e netas são formas de manter vivas as suas raízes.

Integrante da alegoria, o morador da Praça Seca Rogério Berner exalta o saber e a cultuias das paneleiras de Goiabeiras Velha. Segundo o ator, a valorização da cultura capixaba é um feito da Inocentes de Belford Roxo e precisa ser acompanhada da valorização das demais culturas dos estados brasileiros.

Inocentes02“A cultura capixaba é importante e bem valorizada, mas a realidade é que nosso povo não valoriza a cultura entre mentes, pois ela precisa ser valorizada em qualquer setor, temos a cultura carioca, nordestina e hoje, temos essa abertura de um trabalho da Inocentes em que você demonstra o trabalho das paneleiras, mulher fantástica que fizeram com que o país crescesse ainda mais”, ressaltou.

Cada dia mais, o carnaval é uma fonte infinita de propagação de cultura e conhecimentos sobre o Brasil. A prova disso é o próprio Rogério Berner. Em sua estreia pela Caçulinha da Baixada, o ator afirma ter conhecido a história das paneleiras através da escola e se encantado logo de cara.

“Eu me apaixonei completamente por esse enredo sobre as paneleiras, a Inocentes de Belford Roxo me mostrou essa história e fez com que eu me apaixonasse. É um samba maravilhoso”, concluiu.

Carro ‘Axé plantado no terreiro’ simboliza fé da Império da Tijuca com Ogum e Oxum

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Imprio da Tijuca04O segundo carro da Império da Tijuca, “Axé plantado no terreiro”, simboliza o axé dos terreiros, com a benção de Ogum e Oxum, os padroeiros da escola. A frente do carro é composta por mulheres representando Oxum e atrás estão os homens representando Ogum. A alegoria é dividida nas cores dos orixás.

Na parte de Oxum o carro é dourado e as componentes estão fantasiadas com adereços da mesma cor. As fantasias dos homens são azul e bronze, mesmas cores da parte traseira da alegoria.

A missão de representar Oxum na linha de frente da alegoria foi dada a uma dupla que veio da Bahia: Ludmila Ângelos e Fernanda Dias. Ambas são atrizes e se sentiram muito honradas em representar a entidade na Marquês de Sapucaí.

Imprio da Tijuca03Ludmila, de 37 anos, é do Candomblé. Por esse motivo, a espiritualidade tem um lugar especial em sua vida.

“Desde o princípio da hora que eu acordo, antes de botar o pé no chão eu falo: ‘Deus abençoe meus orixás para que eu possa seguir em frente’ (…) Oxum é a espiritualidade da riqueza, da força, da energia e de toda a fertilidade”, disse Ludmila.

Fernanda, de 46 anos, apesar de não ser batizada no Candomblé, tem uma carinho especial pelas religiões de matriz africana. Sempre quando pode, a atriz está presente em terreiros na Bahia.

“Minha família já tinha uma espiritualidade muito aprofundada, veio passando de geração em geração (…) Eu sou uma simpatizante das religiões de matriz africana. Existem casas que eu frequento, mas eu não sou filha de santo”, falou Fernada.

Carro abre-alas apagado dificulta briga por título da Ilha em desfile com excelência visual

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A União da Ilha do Governador pisou na Sapucaí com toda a responsabilidade de mais uma vez ser favorita ao acesso e pela homenagem realizada aos seus 70 anos de história e ao centenário da madrinha Portela. Apesar do excelente trabalho visual do carnavalesco Cahê Rodrigues, o carro abre-alas passou apagado nos dois últimos módulos de julgamento, o que deve gerar despontuação que pode fazer falta em uma eventual título da Série Ouro. A alegoria trazia as cores da escola e as águias, símbolo das duas agremiações. A “Baterilha” de mestre Marcelo Santos foi outro ponto alto da noite e a comissão de frente apresentou bem a ideia da homenagem presente no enredo além de impressionar pela excelência no aspecto visual. Com o enredo “O encontro das águias no Templo de Momo”, a União da Ilha foi a sexta agremiação a desfilar, encerrando sua apresentação com 53 minutos. * VEJA FOTOS DO DESFILE 

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Comissão de frente

A comissão de frente de Márcio Moura trouxe um cortejo de arlequins, personagens tradicionais do carnaval, que com piruetas e acrobacias cortejavam um elemento cenográfico que representava o altar da realeza, onde se curvaram diante dos deuses do samba, expressados pela figura do Rei Momo do carnaval de 2022, Wilson Dias. No tripé, Wilson estava sentado em um trono à frente do brasão da Ilha e de um conjunto que remeteu a pequenos barracos como que representando a comunidade insulana.

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Em determinado momento o rei da folia descia e interagia com os arlequins, sambando inclusive. Destaque para a atuação muito expressiva de Wilson e o sorriso destacado no rosto. No primeiro módulo, enquanto sambava, a coroa do Momo chegou a balançar fazendo com que Wilson tivesse que segurar para não correr o risco da queda. Em outros módulos, continuou a impressão de que a coroa talvez estivesse um pouco solta, mas sem gerar nenhum problema concreto para a performance. No ato final, o trono virava e aparecia a presidente de honra da Portela, Tia Surica, reverenciada e aplaudida pelo público.

Ainda no ápice da apresentação uma componente vestida de águia aparecia acima do elemento, enquanto saía fumaça da alegoria e a bandeira das duas escolas homenageadas no enredo apareciam no chão e acima do tripé. No geral uma apresentação bastante pertinente com o enredo, explicativa e com surpresas que deram ao início do desfile o tom da emoção que o carnaval da Ilha propõe. Destaque para o apuro visual das fantasias dos arlequins e do Momo.

LEIA ABAIXO MATÉRIAS ESPECIAIS DO DESFILE
* Com a águia simbolizando a união entre madrinha e afilhada, terceira alegoria da Ilha encerrou o desfile em homenagem à Portela
* Ilha enaltece carnavais antigos enquanto honra a atualidade
* Insulanos comentam importância de homenagem à Portela no seu centenário
* Ilha promove encontro de águias ao pisar na Sapucaí

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Thiaguinho Mendonça e Amanda Poblete, veio logo no primeiro setor atrás da comissão de frente, com a fantasia “enamorados”, representando bailes de máscaras que vieram de Paris para o Brasil envolvidos por um clima de glamour, elegância e desejo. O modelito trazia as cores da escola e era finalizado com uma bonita máscara alada com um bico prolongado trazendo a ideia do símbolo das duas escolas, a águia.

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Na apresentação a dupla apostou em uma coreografia mais tradicional. Já na entrada para a apresentação nos módulos, Amanda apostou em fortes rodopios mas com graças e sutileza. Thiaguinho realizava passos bastante precisos e com bom nível de dificuldade, trazendo na mão um leque que dava um charme a mais na apresentação. A dupla apostou em não pontuar muito a letra do samba, mas em concentrar os passos na aproximação e na delicadeza que a própria fantasia sugeria. No segundo módulo, quando Amanda estendeu o pavilhão para que Thiaguinho pegasse, o mestre-sala teve uma imprecisão, passando um pouco do ponto de pegada, mas ainda assim segurando no minuto final. Outro ponto a se destacar foi uma discreta participação dos guardiões no trecho do samba que cantava “Portela”, quando os componentes erguiam seus estandartes como saudando a homenageada.

Harmonia

A comunidade insulana começou o desfile cantando a obra de uma forma bastante intensa, gerando uma interação com o público e dando a impressão de que seguiria com o nível alto de canto até o final. Mas a partir do meio do desfile e principalmente quando comissão e casal terminaram a apresentação no segundo módulo, o terceiro e quarto setor da agremiação tiveram um desempenho mais irregular. Algumas alas cantavam com mais firmeza, outras menos, ou se limitavam mais a cantar refrões do samba.

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No canto destaque para as alas “lendas e festas das Yabás”, “o encontro” e “foliões mascarados”. Neste quesito, Igor Vianna nada teve de ponto negativo, mostrando segurança, intensidade e correção musical, junto ao seu carro de som, tirando da obra tudo que era possível para o desfile. Na parte de cacos, o cantor também foi bastante sucinto, realizando nos momentos que o samba pedia e o incentivo ao canto dos componentes também não foi exagerado e não poluiu o canto do samba.

Enredo

O enredo “O encontro das águias no Templo de Momo” comemorou os 70 anos da União da Ilha recebendo a Madrinha Portela para festejar o Centenário da da mais antiga e vitoriosa Escola de Samba do Carnaval Carioca. O primeiro setor mostrou uma breve história do carnaval carioca e sua origem nos salões de Paris. Logo depois, a escola trouxe a sua própria origem, a relação da União da Ilha com o Cacuia e sua descendência do futebol. Em seguida, o desfile apresentou, com um pouco mais de nostalgia, um flash de como era o Carnaval Carioca nas ruas e nos salões. Por fim, o desfile encerrou rendendo homenagens ao Centenário da Portela, escola Madrinha. As fantasias apresentaram o enredo de forma satisfatória e a homenagem teve o clima nostálgico e alegre que o tema pedia.

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Evolução

A União da Ilha fez uma evolução sem maiores problemas durante os seus 53 minutos de apresentação, se permitindo a terminar com calma e brincando carnaval o seu desfile. Não houve a apresentação de buracos pela escola durante toda a passagem da pista, com a agremiação compacta, com as alas com bom volume de integrantes e os componentes brincando carnaval em sua maioria. Alas coreografadas só foram percebidas já no último setor como a ala ” águia altaneira” que representava o animal símbolo da Portela.

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Os componentes realizavam uma coreografia leve e tomada pela delicadeza de movimento se aproveitando das grandes, mas leves faixas de tecido que vinham em suas costas. A bateria entrou no recuo com 38 minutos e saiu com 45, em ambos os momentos sem causar prejuízo a evolução com fluência da escola que não teve grandes momentos parada e que no geral viu seus componentes se deslocarem com espontaneidade e alegria.

Samba-enredo

A obra de Noca de Portela e companhia tem uma característica mais doce, melodiosa, quase nostálgica. O refrão “Benção Dindinha” não procurou explodir mas estar na boca do componente de forma dolente, agradável. A letra do samba em sua primeira estrofe fazia alusão a algumas obras famosas da Ilha, também homenageada no enredo, como nos trechos ” a união vem brincar”, “o amanhã”, “domingo” e “o rei mandou festejar”.

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A obra teve um bom rendimento na Avenida, muito pelo andamento agradável colocado pela bateria, mas sem ser tão explosiva e sem contagiar tanto o público que estava do lado de fora da pista. No canto o destaque ficou principalmente para o refrão principal “Benção Dindinha hoje eu quero sambar” e na segunda do samba o trecho que cita a Portela. A segunda do samba parecia ter um rendimento menor em termo de canto, preparando para o refrão principal que era o mais cantado como citado acima.

Fantasias

A União da Ilha apresentou um conjunto de fantasias que apostou inicialmente nas cores da escola insulana, vermelho, branco e azul, em alguns momentos trazendo um pouco do dourado para contrastar e produzir um bonito efeito, como na primeira ala “o grande baile”, que fazia referência aos bailes mascarados. Em um outro momento, no terceiro setor que lembrava os antigos carnavais, a aposta foi no colorido e na utilização de mais cores diferentes dos tons da Tricolor Insulana. No último setor, em uma homenagem mais explícita a Portela, o azul brilhou na paleta de cores, contrastando com cores mais claras como branco e o prata.

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No geral, os figurinos apresentavam um volume expressivo mas sem tornar a roupa pesada para o componente. Os materiais eram de boa qualidade e faziam referência principalmente ao universo dos personagens da folia carnavalesca. Como ponto negativo, é importante citar a ala número 09, “bufões anunciadores” que passou pela Sapucaí sem chapéu. Destaque em termos de apuro visual para a ala de passistas “os grandes bailes” e a ala “foliões mascarados” pelo bonito contratos entre o azul e o rosa em tons mais claros.

Alegorias

O principal calcanhar da Ilha nesse desfile, não pelo apuro visual, que estava de muito bom gosto e com bom acabamento, mas pelo Abre-Alas “O Salão das Águias” que passou apagado pelo segundo e terceiro módulo de julgamento, o que deve gerar a perda de décimos preciosos. A alegoria representou o palco principal da festa para o encontro de Águias guardiãs que defendem os brasões das duas homenageadas e que viram seus ninhos na Avenida. Lindas máscaras aladas completaram a decoração do nobre salão, mas o problema com a iluminação tirou o efeito do olho na cor vermelha que passou bem no primeiro módulo quando a alegoria ainda estava acesa. O carro trouxe as cores da Ilha contrastado com o dourado.

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Destaque também para o tripé “Bar dos Poetas” que fez um tributo a Aroldo Melodia, Aurinho, Franco, entre outros. O elemento era bastante alto e trazia um interessante azul claro. A segunda alegoria ” O carnaval de nossas vidas” , no formato de um casarão secular com arlequins, pierrôs e colombinas, era o carro mais colorido e volumoso em relação a apresentar componentes em diferentes fantasias. As esculturas remetem a personagens do carnaval com facetas hilárias e irreverentes. O ponto alto foi a última alegoria “Obrigado, Madrinha Portela” que trouxe uma grande homenagem a Portela com a Águia mascarada, fantasiada para o grande baile relembrando o carnaval de 1995 da Azul e Branca de Madureira. O animal estava muito bonito, e a iluminação deu um brilho a mais na alegoria que trazia baluartes importantes da Portela.

Outros destaques

A bateria, outro grande destaque da noite insulana, veio de “arlequinados”, representando o personagem carnavalesco e sua roupa tradicional mas com as cores da escola . Mestre Nilo Sérgio, com um terno azul claro, veio ao lado do comandante da Baterilha, mestre Marcelo Santos. A rainha Juliana Souza fez em sua fantasia um tributo a Deise Nunes, que estava no Abre-alas, um dos ícones da beleza do carnaval carioca na década de 1990 que esteve à frente da bateria da União da Ilha.

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O figurino nas cores da escola tinha luzes de led. A ex- porta-bandeira Wilma Nascimento veio no último carro. Elymar Santos veio no segundo carro. No esquenta da União da Ilha, Igor Vianna cantou o samba de 1996, além do aclamadíssimo “Fatumbi”. A velha guarda em um bonito terno de risca de giz na cor azul que representou garbosamente os sambistas que cultivaram as primeiras sementes desta árvore frondosa, a Portela. O carnavalesco Cahê Rodrigues veio no final do desfile cumprimentando o público e com um sorriso no rosto.

Fotos: desfile do Império da Tijuca no Carnaval 2023