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Opinião: análise do segundo dia de desfiles do Grupo Especial em São Paulo

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Opinião: análise do segundo dia dos desfiles da Série Ouro no Carnaval 2023

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Freddy Ferreira analisa as baterias no segundo dia dos desfiles da Série Ouro

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Debaixo de forte chuva, Dragões da Real se supera e faz grande desfile

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Última escola a desfilar no segundo dia de desfile do Grupo Especial, a Dragões da Real encerrou os desfiles da elite da forma que começou, que foi com chuva. Mesmo com tanta água caindo, a agremiação tricolor fez uma apresentação satisfatória no Anhembi, mas a grande expectativa que tinha o desfile em cima da ‘comunidade de gente feliz’, foi quebrada. O destaque principal fica para as alegorias, sobretudo para o grandioso abre-alas que levou uma grande escultura de um dragão que se movia. Vale ressaltar a estreia de mestre Klemen na bateria ‘Ritmo que Incendeia’, onde teve um desempenho que deve ser notável. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Comissão de frente

A ala, que é coreografada por Ricardo Negreiros, representou o mar, sol e Dragão apresentou belas fantasias. A comissão coreografava de um lado para o outro e tinha como objetivo em sua coreografia praticamente mostrar a relação entre mar e praia. Além disso, a típica festa junina aparece.

Vale destacar o luxo das fantasias. O material usado escolhido pelo carnavalesco Jorge Freitas foi de qualidade impecável.

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Mestre-sala e porta-bandeira

Entre todos os casais da noite, Rubens de Castro e Janny Moreno, foi o casal que mais sofreu com a pista molhada, pois a Dragões da Real sofreu uma chuva complicada. Em análise frente ao recuo de bateria, dentro das limitações, a dupla fez uma apresentação segura. Executaram lentamente os giros horários e anti-horários não deixando de lado o sorriso no rosto.

Falando especificamente do mestre-sala Rubens, ele tem especificamente uma característica de ser sorridente, bem humorado e até descontraído e engraçado.

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Entretanto, já é o segundo ano consecutivo que o mestre-sala não consegue mostrar isso. Em 2022 aconteceu a tragédia que todos sabem com a antiga porta-bandeira e, agora, a chuva o atrapalhou e o fez ficar focado somente nisso.

O casal foi representando os primeiros raios de sol das Américas.

Harmonia

Aparentemente a chuva só deu gás para a escola cantar cada vez mais forte. A Dragões da Real tem a fama de executar uma harmonia bem forte. Os componentes não tinham obrigação de ficar evoluindo em linhas, portanto o departamento de harmonia cobrava veementemente o canto dos integrantes da comunidade de gente feliz.

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A ala destaque foi a 10, que representava a cavalhada da fé. Todos os conjuntos de alas estavam bem animados, mas este, aparentemente, merece uma atenção maior.

Enredo

A Dragões da Real contou a história de João Pessoa partindo de uma forma diferente. O carnavalesco Jorge Freitas não quis mostrar nada histórico no primeiro momento. O objetivo do artista foi construir a narrativa através do sol, visto que a estrela nasce primeiro na cidade dentro da América Latina.

Para isso, a comissão de frente foi representada pelo mar e o sol. Só depois disso a agremiação tricolor foi entrar na parte histórica, como por exemplo, mostrar a grande cultura carnavalesca de João Pessoa e a questão de ser a capital mais verde do Brasil.

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Um misto de Jorge Freitas que fez todo o sentido. Principalmente o giro do tema em torno do sol. Uma pena que estava chovendo bastante na hora do desfile.

Evolução

Como nos últimos ensaios técnicos, o departamento de harmonia deixou a comunidade evoluir tranquilamente, sem alinhamento de fileiras e compactação entre as alas. A única junção de fato foi o conjunto entre uma ala e outra.

Vale destacar que, diferente dos anos anteriores, a ‘comunidade de gente feliz’, não tem coreografia padrão. Só a parte do “Voar, voar, voar”, em que os componentes fazem os movimentos de braço.

Samba-enredo

A ala musical, comandada por Renê Sobral, é uma das melhores do Grupo Especial. Além de o intérprete comandar o carro de som com extrema facilidade, os outros apoios com uma criatividade incrível.

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Exemplo: Nos versos “Óh mãe… Senhora da fé paraibana… A mulher tem sua luz… Emana uma força soberana…”. Nesta parte as segundas vozes fazem um arranjo vocal como “ôôôô”. Isso só enriqueceu ainda mais o samba.

Fantasias

O ateliê de Jorge Freitas novamente mostrou sua versatilidade com as vestimentas. Todas impecáveis e de extremo cuidado com a riqueza visual. Tudo trabalhado em um colorido muito grande. Coloridas, monocromáticas, mascaradas, maquiadas e tudo e mais um pouco.

A fantasia da ala das baianas foi muito criativa e representou todo o cortejo às festas juninas para o carnaval pessoense. Para eles é muita felicidade.

Alegorias

A primeira alegoria foi representando a chegada do dragão (maior símbolo da escola ao porto do sol das américas). O carro era monocromático com predominância das cores quentes como vermelho e laranja. O destaque principal vai para o gigante dragão na parte mais alta do carro. Ele mexia a cabeça e dava um efeito bacana.

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O segundo carro alegórico também tinha cor monocromática com a prioridade no roxo ou violeta. Tal alegoria representava o carnaval de João Pessoa e, nele, havia algumas esculturas de muriçocas, remetendo ao bloco ‘Muriçocas do Miramar’. Os rostos de pierrots, arlequins e colombinas também foram encontrados. Tais esculturas apresentavam caras realistas.

A terceira alegoria foi representando a fé dos moradores de João Pessoa. Momento de muita fé com as esculturas, principalmente a que vem na parte frontal do carro. Logo no início.

A quarta alegoria é uma homenagem aos povos nativos que descobriram, ensinaram e fizeram de João Pessoa a capital mais verde do Brasil.

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Ao todo, apesar dos contextos em setores não seguirem uma cronologia, tudo foi feito de forma inteligente e que, se prestar atenção, a fácil leitura das agremiações predominou.

Outros destaques

A bateria ‘Ritmo que Incendeia’, regida pelo mestre Klemen, teve um desempenho satisfatório. Vale destacar que Klemen fez sua estreia pela agremiação tricolor. A batucada realizou bossas e fez o que se pede no regulamento.

Carnaval 2023: Sorox é hidratação extra garantida para aproveitar a folia

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Depois de três anos de isolamento por conta da pandemia, o brasileiro já está pronto para curtir o Carnaval de 2023. Uma das festas mais populares do Brasil volta com tudo e promete arrastar multidões pelas ruas de todo o país entre os dias 17 e 21 de fevereiro. Seja em bloquinhos, atrás de trio elétrico ou no sambódromo, para aguentar esses cinco dias de folia é preciso manter o corpo hidratado para não comprometer o bom funcionamento do organismo.

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● Este produto não é um medicamento;
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● Mantenha fora do alcance de crianças;
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Com as ‘Cores do Axé’, Império da Tijuca faz desfile leve e sem erros

Por Diogo Sampaio

Ao amanhecer do dia, o Império da Tijuca presenteou o público que permaneceu no Sambódromo após a maratona de desfiles deste segundo dia da Série Ouro com uma apresentação leve e empolgante. Tendo como trunfo um samba que já era muito celebrado no pré-Carnaval, e que teve um alto rendimento na Avenida, a verde e branca do Morro da Formiga teve uma harmonia e uma evolução sem erros, casada com uma parte plástica bem acabada e caprichada nos detalhes. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Porém, a falta de impacto da comissão de frente e o alto nível de competitividade entre as escolas do grupo pode ser um empecilho na briga pelo título e o retorno para a elite da folia carioca. Com o enredo “Cores do Axé”, o primeiro Império do samba foi a sétima agremiação a passar pela Marquês de Sapucaí e terminou a sua apresentação com 55 minutos, tempo máximo previsto em regulamento.

Comissão de Frente

Assinada pelo coreógrafo Jardel Augusto Lemos, a comissão de frente do primeiro Império do samba veio representando “As Cores do Sagrado”. Realizada em três atos, a apresentação abria com os orixás Exú e Oxóssi, passava pela essência da arte de Carybé como elo à diversidade cultural e traduzia, em movimentos, as chamadas cores do axé.

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Em um dos momentos de destaque, os 15 componentes, cada um representando uma entidade diferente, formava com suas ferramentas o nome do artista homenageado. Já o encerramento ocorria quando era estendida uma bandeira da escola e bombas de fumaças coloridas eram disparadas.

Apesar de sintetizar bem o enredo, a comissão não gerou impacto no público. Além disso, nas duas primeiras cabines de julgamento, os componentes da comissão demostraram dificuldade para abrir a bandeira, o que pode ser motivo para o desconte de décimos da nota.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Renan Oliveira e Laís Ramos, veio com a fantasia “Orum ayê na Imensidão de Olodumarê”. A proposta do figurino de ambos foi simbolizar a energia da criação divina representada pelos orixás mais velhos. Com uma dança bastante coreografada, os dois realizaram diversos passos em sincronia a letra do samba. Um exemplo era a simulação do toque de um tambor durante o segundo refrão do meio.

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Enredo

Desenvolvido pelos carnavalescos Junior Pernambucano e Ricardo Hessez, o enredo “Cores do Axé” fez uma homenagem ao pintor argentino Carybé. Apaixonado pela cidade de Salvador, na Bahia, o artista expressou em suas obras a cultura local de maneira singular, trazendo elementos do candomblé, do samba e da capoeira em suas pinturas, esculturas e ilustrações. Tais características foram reproduzidas nas fantasias e alegorias de forma clara para que o público, mesmo quem não conhecesse o homenageado, conseguisse identificar e entender o que estava sendo contado.

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Samba-Enredo

O samba-enredo assinado por Samir Trindade, Ricardo Simpatia, Bachini, Julio Pagé, Wagner Zanco, Osmar Fernandes e Almeida Sambista comprovou na pista o motivo de ter sido uma das obras mais elogiadas da safra da Série Ouro no período do pré-Carnaval. A melodia contagiante casada a letra relativamente simples, apesar de trazer algumas palavras do dialeto iorubá, fez com que o samba funcionasse durante a passagem pela Marquês de Sapucaí e auxiliasse na criação de uma atmosfera leve para o desfile.

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Harmonia

Com um bom samba em mãos, o Império da Tijuca soube tirar proveito e alcançou uma das melhores harmonias do segundo dia de desfiles da Série Ouro. De ponta a ponta, era notório o canto forte nas alas. A performance do carro de som, comandando pelo intérprete Daniel Silva, fez a obra contagiar quem estava assistindo, sendo possível perceber pessoas nas frisas e nas arquibancadas cantando junto da escola.

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Evolução

Assim como a harmonia, a evolução foi outro quesito em que o Império da Tijuca não teve erros. Apesar do ritmo mais cadenciado, a escola soube administrar muito bem o tempo de desfile e não precisou correr em momento algum. Somado a isso, o fato das alas terem se apresentado de maneira mais livre, sem a rigidez das fileiras, deu uma leveza para passagem da agremiação.

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Fantasias

A parceria inédita entre Junior Pernambucano e Ricardo Hessez rendeu bons frutos para a parte plástica da verde e branca do Morro da Formiga, especialmente quando o assunto são as fantasias. O conjunto chamou atenção pela clareza na leitura do significado de cada figurino, aliada um bom acabamento das peças e a riqueza de detalhes.

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Entre aquelas que mais se destacaram ao longo da apresentação, a fantasia da bateria, intitulada de “Devotos de Bonfim”, e as baianas, com uma indumentária chamada “Oferendas”, tinham em comum o fato de trazerem ilustrações de Carybé estampadas. Já um ponto negativo do conjunto ficou pela repetição da mesma fórmula no último setor, no qual as alas “Feira dos Objetos de Axé”, “Na Ginga da Capoeira” e “Boêmia” usaram penas artificiais verdes em formato similar no costeiro.

Alegorias e Adereços

Na mesma linha das fantasias, as alegorias do Império da Tijuca se destacaram pelo acabamento bem feito e o esmero nos detalhes. Com o nome de “Risca a Vida na Madeira”, o abre-alas de estética rústica trouxe as cores da escola, o verde e branco, se misturando aos tons amadeirados para lembrar os 27 painéis esculpidos pelo artista Carybé representando os orixás. Uma escultura de Oxóssi veio à frente do carro, junto com vários animais, fazendo toda ligação do axé com o verde das folhas.

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Na sequência do desfile, a segunda alegoria, intitulada “Axé Plantado no Terreiro”, trouxe dois cenários. Na frente, todo o acabamento e delicadeza da orixá Oxum e o predomínio do dourado. Já na parte traseira, a cor azul misturada ao cobre e a presença de elementos para fazer referências a Ogum.

Depois, o tripé “Dois de Fevereiro” fechou em grande estilo o terceiro setor. As duas esculturas de Iemanjá nas laterais, carregando os tradicionais barcos azuis e brancos de oferendas, chamaram a atenção não só pelo primor no acabamento, mas principalmente pela pintura de arte realizada nelas.

Mantendo o mesmo nível dos anteriores, o terceiro carro, chamado “No Altar da Feijoada Emoldurados na Fé”, fechou o quarto e último setor. A alegoria, majoritariamente verde e branca, celebrou o axé das feijoadas de Ogum pela obra de Carybé e pela fé do Império da Tijuca.

Outros Destaques

As baianas do Império da Tijuca roubaram a cena. Além da fantasia de estilo tradicional, com direito a renda branca e pano da costa, as senhoras desfilaram soltas e com uma alegria contagiante. Elas não ficaram presas a fileiras e nem se contiveram nos giros, além de terem mostrado um canto forte.

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Reinando à frente dos ritmistas da “Sinfonia Imperial” desde o Carnaval de 2005, Laynara Teles foi outro destaque da apresentação. Com uma fantasia luxuosa, toda prateada, a beldade demonstrou bastante simpatia ao interagir com o público das frisas e esbanjou samba no pé.

Inocentes encerra desfiles da Série Ouro com destaque para comissão de frente e casal, mas com falhas em acabamento de alegorias

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Já era manhã de domingo quando a Inocentes de Belford Roxo cruzou a avenida e encerrou os desfiles da Série Ouro. Mesmo com arquibancadas esvaziadas, a abertura do desfile foi positiva e causou uma boa impressão, a comissão de frente da coreógrafa Juliana Frathane levou para a avenida o mito da criação humana na tradição guarani, com uma dança forte e ótima indumentária, a proposta foi passada de maneira clara. Logo depois, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Machado e Jaçanã Ribeiro, uniu juventude e experiência em uma bela exibição. O principal ponto negativo do desfile foi a falta de acabamento nas alegorias, algumas passaram com forração simples e outras tinham ferragem aparente. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Apresentando o enredo “Mulheres de Barro” assinado pelo carnavalesco Lucas Milato, a caçulinha da baixada prestou uma homenagem à cultura das mulheres paneleiras capixabas da região de Goiabeiras Velha, em Vitória, capital do Espírito Santo. A tricolor foi a última agremiação a cruzar a passarela do samba na segunda noite de desfiles da Série Ouro. A escola terminou sua apresentação com 55 minutos.

Comissão de Frente

Coreografada por Juliana Frathane, a comissão de frente da Inocentes foi um dos destaques do desfile, no total, foram com 15 componentes, sendo 14 mulheres e um homem. O figurino representava “O sopro de Tupã” e retratou o mito da criação do homem na tradição guarani, exaltando o barro, elemento do qual são feitas as panelas, como a matéria inicial da existência.

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A comissão foi composta por dois atos, regidos pelo pivô, Deus Tupã, o grande criador. Para auxiliar na encenação, foi utilizado um elemento cenográfico. No primeiro momento, as outras 14 componentes representaram partículas de barro, no processo de criação do primeiro ser humano pelo Deus da mitologia tupi-guarani. Quando Tupã sopra e dá vida ao primeiro ser humano, que foi representado através de uma escultura de mulher, as 14 componentes se transformaram em artesãs indígenas, homenageando as primeiras detentoras dos saberes da cerâmica. Nesse momento, a escultura de uma cobra soltou fumaça, em todos os módulos de julgamento a comissão passou de forma correta e arrancou aplausos do público presente.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Dupla formada para esse carnaval, o primeiro casal Matheus Machado e Jaçanã Ribeiro mostrou já um bom entrosamento e a união da juventude com a experiência se mostrou um acerto. Eles vieram representando a força da natureza sobre o trabalho das paneleiras e a confecção das panelas: os raios de sol que são atores fundamentais na hora da secagem. A dupla optou por um estilo mais clássico da dança, Matheus é um mestre-sala muito expressivo e se destacou pelos movimentos precisos e pela intensidade, o mesmo vale para Jaçana, experiente, a porta-bandeira conduziu o pavilhão com extrema classe. O bom nível de apresentação se manteve o mesmo em todas as cabines de julgamento.

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Harmonia

De volta à escola, o intérprete Thiago Brito conduziu com maestria o carro de som da escola, apesar das arquibancadas esvaziadas, ele conseguiu inflamar a comunidade e por mais que o canto não tenha sido completamente uniforme, as alas driblaram o cansaço e cantaram de forma satisfatória. O destaque ficou por conta da ala de abertura, “Por mãos Pretas”, os componentes, além de cantar com empolgação, balançavam o adereço de mão que compunha o figurino. No geral, a harmonia da escola se mostrou coesa do início ao fim e sem discrepância entre as alas.

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Enredo

O carnavalesco Lucas Milato, em seu segundo ano pela Inocentes, desenvolveu o enredo “Mulheres de Barro”, em homenagem às paneleiras de Goiabeiras. Lucas dividiu a escola em quatro setores, sendo o primeiro “A matéria da criação”, em que toda a ancestralidade índigena na arte de moldar através do barro foi mostrada. O segundo, denominado “A senhora perfeição” começou a desvendar os processos de feitura da panela de barro e apresentou ao público as etapas desse processo, e também os lugares e as memórias que envolvem essas mulheres. no terceiro setor, “As cores das ruas de goiabeiras”, o enredo homenagem à região de Goiabeiras. Para isso, a gente exaltou a cultura da região. Foram vistos os festejos e expressões culturais presentes em Goiabeiras. O quarto e último setor, ”Galpão das paneleiras: a arte brasileira do barro ao barracão”, além de homenagear as Paneleiras de Goiabeiras, ampliou essa homenagem a outras artesãs do Brasil. Foi uma grande ode às artesãs.

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Evolução

Desfilar pela manhã foi um grande desafio para a escola por conta do possível cansaço de seus componentes, porém, a evolução não foi comprometida e a agremiação passou de forma fluida pela avenida, vale destacar que os componentes desfilaram de forma solta e espontânea. O único senão foi o fato da bateria não ter parado para se apresentar no segundo módulo de julgamento.

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Samba-Enredo

O samba composto por Cláudio Russo, Junior Fionda, Fadico, Lequinho, Hugo Bruno, Leandro Thomaz e Altamiro contou de forma clara o enredo apresentado pela escola, a letra seguiu à risca a sinopse. Mesmo sem um momento de explosão, a obra passou de forma satisfatória pela avenida, ainda que a comunidade pudesse cantar com mais vontade. Os trechos da obra que tiveram maior desempenho foram o refrão principal “É na renda, é na palha”, o refrão do meio “É no barreiro do vale do mulembá” e um outro bis na segunda do samba que começava com o “Tambor de Congo”.

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Alegorias e Adereços

A Caçulinha da Baixada levou para a avenida três alegorias, dois tripés e um elemento cenográfico da comissão de frente. No geral, o conjunto visual apresentado pela escola desejou a desejar no acabamento, diferente do último carnaval, o carnavalesco ousou um pouco mais na volumetria das alegorias. Porém, a falta de acabamento mais refinado nos carros comprometeu o bom uso das formas e cores.

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A abertura da escola contou um tripé, chamado “Criadora e criatura”, mostrou a influência indígena que permeia o nascimento das paneleiras, o abre-alas “Saber Ancestral”, exaltou a arte da cerâmica, a segunda alegoria, “Mulheres de Barro – Ensinar e aprender”, representou a comunidade de Goiabeiras e os laços formados entre essas mulheres, a lateral do carro teve falhas e emenda acabou sendo visível. O tripé “Bloco dos Sujos”, foi inspirado nas nostalgias de carnaval das paneleiras. A última alegoria, “O galpão das artesãs”, recriou o espaço conquistado pelas artesãs no fim dos anos 80, a escultura de uma paneleira apresentou falhas evidentes em acabamento e a ferragem estava exposta.

Fantasias

Diferente das alegorias, o conjunto de fantasias que a escola levou para a avenida foi positivo, com soluções interessantes, as alas passaram completas e em sua maioria com bastante volume. Já imaginando que o desfile seria ao amanhecer, o carnavalesco fez um uso de cores interessante. O início da escola foi pautado em tons mais terrosos e a medida que o enredo avançava, as cores mudaram e ganharam mais vida, o carnavalesco utilizou o laranja, o amarelo e o dourado para acender a escola, com a luz do dia, o efeito foi alcançado de forma satisfatória. A volumetria nas fantasias, assim como bom acabamento engrandeceram o conjunto apresentado. Vale destacar a ala de baianas, posicionadas no início do desfile, as senhoras de Belford Roxo representaram artesãs indígenas. Outras alas de extremo bom gosto foram: “Por mãos pretas”, “Pedras do Rio”, “Carnaval capixaba” e “Artesãs do Carnaval”. O destaque negativo ficou por conta do grupo performático que veio atrás do primeiro carro, a fantasia “Barreiro do Vale do Mulembá – extração” era muito simples e destoou do conjunto apresentado pela escola.

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Outros Destaques

A bateria do mestre Juninho realizou bossas que cativaram o público presente, com a fantasia “Ao redor das fogueiras – queima”, os ritmistas puderam se exibir sem problemas e com mobilidade, a rainha Malu Torres representou o fogo e demonstrou muita simpatia à frente da bateria.

Raphael Rodrigues, mestre-sala do Paraíso do Tuiuti foi o responsável por apresentar o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira.

Muito respeitado no mundo do samba, Carlinhos do Salgueiro desfilou pela escola ao lado de um grupo performático, com uma fantasia que remete ao barro, o bailarino e o grupo arrancaram aplausos.

Império da Tijuca canta as “Cores do Axé” e celebra o samba como forma de cura e resistência

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Imperio da Tijuca08Sétima escola de samba a desfilar, o Império da Tijuca iniciou a sua passagem pela Sapucaí já com os primeiros raios de sol da manhã de domingo. O enredo “Cores do axé” foi desenvolvido pelos carnavalescos Junior Pernambucano e Ricardo Hessez; e teve a sua inspiração nas pinturas do artista argentino Carybé, que era um verdadeiro apaixonado pela Bahia e a cultura de seu povo.

“O primeiro risco do artista é caminho aberto do axé, onde linhas se encontram feito uma encruzilhada entre tinta e o papel”, já diz a própria sinopse. A agremiação do morro da Formiga exaltou a energia criadora que colore os rumos da vida: o Axé, constante e circular. Segundo o enredo, “A cada embalo da bandeira desfraldada, ecoa pelo vento o Axé da ancestralidade do samba”.

Imperio da Tijuca02 2Regina D’Ogum, 78 anos, desfila no Império desde os 8 anos de idade e estava emocionada durante concentração da escola. “O axé é tudo pra mim”, expôs Regina, que desfilou na ala das baianas com a fantasia “Oferendas”. Ela comentou a importância desse enredo cultural, que serve “Para mostrar para muitas pessoas que são desentendidas o que é cultura, o que é religião. Saber diferenciar uma da outra. Eu sou do axé, feita há 68 anos. E hoje, não só a minha religião, mas também o mundo do samba, é a minha saúde. Se hoje eu tenho energia, agradeço muito estar no mundo do samba, porque isso aqui é uma terapia. Ainda mais durante a pandemia, que eu tive depressão, diabetes… E depois que voltou eu estou outra pessoa, graças ao samba”.

Regina ainda rebate às criticas que muitas pessoas tem feito ao carnaval: “Aqueles que criticam é porque não conhecem… Todos deveriam ter conhecimento de saber o quanto isso aqui ajuda, não só financeiramente, mas em relação a saúde. Muitas idosas que hoje estão aqui, se tem saúde é por causa disso. Porque se a gente depender do INSS, de um posto de saúde a gente morre”.

Imperio da Tijuca05A passita Mariane Caldas, 23 anos, desfila no Império da Tijuca desde 2019 e também enxerga o samba como uma espécie de terapia. “O samba melhora a nossa vida de todas as formas, porque através dele a gente se cura, a gente cura o outro, leva alegria pras pessoas, então pra mim o samba é uma forma de axé e resistência”. Ela ainda completa: “A gente é um povo que tem muita luta, mas também tem muita alegria. Não é só tristeza e dor. A gente, apesar disso tudo, consegue resistir e ser feliz…”. As passistas vieram com uma fantasia branca que representava a “Lavagem do Bonfim”, que ocorre em Salvador, Bahia.

Imperio da Tijuca04Mauro Jorge, 41 anos, é o diretor do naipe de timbal da Sinfonia Imperial, que foi inserido justamente por conta do enredo “Cores do Axé”. Ele falou sobre a emoção de representar os Ogãs, que através do som dos atabaques, formam o ponto de contato entre o Orum (mundo dos deuses) e o Ayê (plano terreno). “A palavra axé tem uma semantica que é inexplicável. Axé é tudo. Principalmente no mundo do samba, no mundo dos negros. Eu que não sou um negro, que não tenho esse corpo retinto, tenho que respeitar toda essa cultura negra. Acho que o axé é isso, e está embutido em tudo que a gente faz no meio do samba. Falar de samba e não falar do axé, não combina”.

Imperio da Tijuca07Chris Essombe, de 30 anos, nasceu em Camarões, no continente africano, cresceu no Canadá e agora mora no Brasil. Para ela, que fez a sua estreia na Sapucaí, o Axé “é uma parte central de tudo, nas energias da ancestralidade. Acho que é muito importante entender essas energias para poder usá-las bem e contribuir com coisas positivas”. Chris ainda complementa: “acho que só as escolas de samba podem passar para as gerações futuras essas pautas, para poder construir um futuro que tem sentido pra todo mundo, com raízes na compreensão do passado”.

Luiza Conceição, 32 anos, é iniciada em uma religião de matriz africana e desfilou na ala 6 “Iaôs”. Ela ressaltou a importância da resistência do samba: “Para permanecer com essa festa, que se mantém até hoje. Só a força de uma comunidade, a resistência e a resiliência da família, do sangue preto”. Ela complementa: “O axé é o sangue que pulsa. Sou filha de Iansã, então está sendo uma grande emoção sair numa ala coreografada de Iaôs, que é a feitura do santo, então é uma honra muito grande. Sem as cores dos orixás a gente não tem nada”.

Luiz Claudio, 38 anos, tambem desfilou pela primeira vez na Sapucaí pela Verde e Branco da Tijuca. Sua fantasia era “O padê abre caminhos”, representando o xirê que se inicia tocando para Exu. Empolgado com o enredo da escola, ele afirmou: “A resistência do samba mais do que nunca tem a ver com o axé, e faz parte da conquista de espaço, importância, força, aceitação…”.

Fotos: desfile da Inocentes de Belford Roxo no Carnaval 2023

Freddy Ferreira analisa a bateria da Inocentes no desfile

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A bateria da Inocentes de Belford Roxo fez um bom desfile, sob o comando de mestre Juninho. Um ritmo baseado em simplicidade, que contou com uma bateria pesada, graças a afinação grave da “Cadência da Baixada”.

A cozinha da bateria contou com uma afinação de surdos grave. Marcadores de primeira e segunda tocaram com firmeza. Caixas de guerra corretas e repiques seguros auxiliaram a preencher a sonoridade da parte de trás do ritmo. Surdos de terceira com um balanço privilegiado ajudaram na musicalidade tanto do ritmo, como nas bossas.

A cabeça da bateria da Inocentes exibiu um trabalho de virtude musical da ala de cuícas. Um naipe de chocalhos deu valor sonoro às peças leves. A ala de tamborins executou um desenho rítmico pautado pela melodia do samba da escola de Belford Roxo, dando bom volume à parte da frente do ritmo da “Cadência da Baixada”.

No refrão do meio, uma bossa mostrou sua funcionalidade e eficácia pela pista. Mesmo sendo um arranjo menos rebuscado, sua execução no desfile foi fluída. Depois da paradinha, um breque efetuou dois pares de tapas seguidos (Pá-Pá! Pá-Pá!) durante o verso, “Que a velha paneleira vai batendo a muxinga”. Um acerto musical simples, mas com impacto sonoro, ao fazer uma alusão a batida de panelas ritmadas.

Buscando dar dinamismo sonoro, a escolha foi por virar a bateria da Inocentes na entrada do refrão do meio, o que propiciou fluência entre os naipes. Outra virada também foi percebida antes do refrão principal, o que proporcionou balanço. Nessa virada para o estribilho, agudos (peças leves) e médios (caixas e repiques) tocam em contratempo, demonstrando versatilidade rítmica.

A mais complexa paradinha é iniciada logo depois desse momento, na segunda passada do refrão de baixo. Sua duração durou até meados da cabeça da obra, sendo finalizada após tapas em contratempos, num arranjo com extensão e ousadia.

As apresentações nos módulos de julgadores foram satisfatórias, não sendo evidenciados problemas de dentro da pista. A melhor exibição para julgador ocorreu na última cabine. A bateria da Inocentes de mestre Juninho encerrou o carnaval do grupo de Acesso da Série Ouro da Liga RJ com uma boa atuação.