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Série Barracões SP: Camisa Verde e Branco busca retomada com enredo que dá voz a ‘Invisíveis’

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Tradicional escola de samba do carnaval paulista contém nove títulos do Grupo Especial, mas não disputa o mesmo desde 2012. Buscando a retomada para a elite, o Camisa Verde e Branco tem como enredo ‘Invisíveis’, a ideia é trazer vozes que são caladas pela constituição e assim virá no seu conjunto alegórico e de fantasias. É a terceira escola a desfilar no domingo, 19 de fevereiro, no Grupo de Acesso I.

Na visita no barracão do Camisa Verde e Branco, na Fábrica do Samba II, o carnavalesco Renan Ribeiro contou sobre a ideia do enredo em dois momentos: “O enredo nasce a partir do momento que tenho uma visão que o carnavalesco tem uma função além de cultural, agente de cultura, tem uma função de cronista social, porque marcar o período, é meu jeito de pensar. E estamos passando por um período que questões sociais se esticaram, foram levadas a consequência muitos sérias. E as distorções sociais se tornaram fatores muito evidentes no dia a dia, então baseado no momento político que vivemos e como isso tem interferido no dia a dia, senti a necessidade de falar sobre essas distorções sociais, baseado nos direitos sociais e usando o artigo sexto da constituição. Onde diz que é direito de todo mundo brasileiro, educação, saúde, moradia, trabalho, segurança pública, enfim uma série de direitos, que o estado não cumpre. Daí não falo de governo, de política partidária, falo de política social e daí eu baseado em série de leituras, sociologia, antropologia, faço esses estudos sobre movimentos sociais que buscam fazer as leis serem cumpridas nesse vácuo da constituição”.

Complementando sobre o enredo, o jovem carnavalesco do Camisa, reforçou para o site CARNAVALESCO sobre trazer ‘Invisíveis’, apenas um nome no título, mas que diz muito sobre o que irá contar nesta temporada.

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“E Invisíveis nasce baseado em cima de um livro, do escritor Léo Pessoa, que chama ‘Pessoas Invisíveis’, a visão é que o cidadão se torna invisível a partir do momento que algum dos seus direitos não são cumpridos. Então a partir do momento que o Judiciário, que é o guardião da constituição, não cumpre a função de fiscalizar o cumprimento da lei, alguém vai se tornar descoberto, e a partir disso alguém vai se tornar invisível frente a constituição, dai nascem os invisíveis, em pessoas que servem o sistema enraizado nas pessoas. Uma máquina institucionalizada, que desde 1500 vem sendo construído esse modelo social, dos ricos, cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres. O brasileiro vem de geração em geração resistindo a essas distorções sociais, o grande pensamento do enredo invisíveis é o questionamento, tudo é feito em cima de questionamento”.

Nomes importantes estudados e a ideia do enredo

Contextualizando toda a história de seu enredo e através de nomes importantes que aparecerão no desenvolvimento de cada setor do Camisa Verde e Branco no Anhembi. Renan Ribeiro revelou as fontes de estudo e o que pretende abordar neste trabalho.

“No texto falo que o Camisa em 2023 vem perguntar, indagar, questionar e interrogar. Até onde a gente aguenta, até onde isso vai e quantas mais pessoas irão lutar por isso. Com base nas perguntas, a escola vem respondendo quem são esse povo, esses invisíveis, pessoas que nasceram no meio dos invisíveis que conseguiram fazer com que esse direito fosse cumprido. Tenho Irmã Dulce pelo direito à saúde, Paulo Freire na educação, Orlando Villas-Bôas nos direitos dos povos originários, Zilda Arns no direito das crianças, Lélia Gonzalez nas questões raciais, Marielle Franco pela segurança pública e Betinho pela alimentação. Então são tantos brasileiros que nasceram e estiveram com a vida missionada em cumprir suas missões sociais e o enredo nasce a partir disso”.

Curiosidades na pesquisa

Muito estudioso e gosto pelo processo de pesquisa, Renan Ribeiro descobriu situações de personagens da história que se cruzaram em lutas. Formando assim uma ‘trincheira’, nome utilizado pelo carnavalesco do Trevo.

 

“Acabei vendo que várias histórias se cruzam, de várias militâncias, que tenho chamada de trincheiras que se cruzam. A maior delas, para mim, que é o personagem brasileiro, a figura que encerra o desfile é Betinho, que trouxe para mim esse instinto brasileiro missionado de força interna, que apesar de tudo contra todo dia. Que ainda é um país que preza a alegria, não é um povo melancólico, não é um povo que sabe lidar com a tristeza com melancolia. Mesmo tendo sido atacado durante séculos, diariamente ainda tem essa luta. Betinho é uma figura central do enredo, é um símbolo do enredo, ele esteve em todas as lutas, todas as trincheiras, ele talvez seja essa linha que vai amarrando todas essas lutas sociais”.

Alegorias de uma forma visando o público e as cores

Com uma visão que talvez seja um pouco diferente do carnaval atualmente, que visa grandiosidade, tamanho, Renan Ribeiro foca muito no público, e de todos os setores possam acompanhar o seu projeto artístico. Contou um pouco sobre a execução e como virá o Camisa em 2023.

“As alegorias diminuíram em relação ao ano passado, que tivemos um abre-alas com tamanho bem considerável. Neste ano me ocupei em diminuí-las, para tornar as alegorias em uma proporção mais humana. As alegorias do Camisa não tenho focado em tamanho e tenho focado mais em distribuição de pessoas, agregar linguagens artísticas em cima da alegoria com parte plástica, cênica, coreográfica, gosto de misturar isso. Carros são cenários, penso carro alegórico como um cenário deste cortejo que se apresenta no desfile, então parte do princípio que os atores que estão em cima ocupem dessa alegoria de forma a torná-la viva, e mostrar todos os planos dos espectadores, desde a cadeira de pista até a monumental que todo mundo tenha contato com alegoria de forma ampla, degustar de forma plena, a alegoria. Minha preocupação neste ano é focar na questão cenográfica, todos os carros têm essa cara mais cenográfica”.

Em relação às cores que trabalhou, claro, o verde é um que inicia todo o processo. Mas ao longo do desfile vai mudando, e contou como será o estilo do Camisa Verde e Branco no desfile sobre os Invisíveis.

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“Naturalmente se eu fizer o Camisa sem verde, eu morro, mas assim, respeito muito questões identitárias, como ela se vê, se sentir representado, o Camisa Verde ter cara do Camisa Verde. Abertura da escola, gasto todos os meus lápis verdes, tons de verde, na frente. Mas neste ano bem mais, no ano passado usei outras cores, uma paleta mais abrangente, tem no meio do desfile, posso dizer que começa e encerra muito Camisa Verde. Mas no meio tem paletas de cores, outras, até para poder ilustrar a diversidade que tem nas camadas sociais. E daí a representação. Me apego muito a cor, gosto muito de misturar cor, então me atentei muito no meio do desfile em dar essas sensações até por um estudo semiótico que gosto de fazer, com questões cromáticas e as sensações que podem causar no espectador. Então essa minha pré-disposição ficou à vontade para trabalhar no meio. Mas a cara é o Camisa Verde, de verde”.

Ponto chave do desfile

O carnavalesco deu sua opinião sobre os momentos que deve mexer com o público na passagem do Camisa Verde e Branco no desfile de 2023. É sempre um momento complicado, afinal, o artista é quem cria toda a obra, então destacar um momento geralmente mostra que é difícil para o mesmo, mas Renan Ribeiro destacou com tranquilidade os pontos que destaca.

“Temos alguns pontos dentro do desfile que gosto de chamar atenção. Para frente da escola, abertura, forma que o personagem invisível é apresentado, principalmente no abre-alas, onde tenho quantidade de pessoas grandes. Onde tenho um conceito visual diferente do tradicional de abre-alas, é um ponto legal, a quantidade de pessoas e como elas se distribuem dentro do carro e como se tornam vivas. A bateria representando a reforma agrária, é um ponto muito importante para mim. Mas dentro de todo o desfile, até por uma questão de narrativa, a presença de dona Nita Freire, no carro 2, é uma coisa muito marcante e extremamente simbólica para o desfile. Nos seus mais de 90 anos de idade, a predisposição dela, a alegria em participar, perguntar, a curiosidade dela de estar por dentro do projeto. A satisfação de novamente estar falando de Paulo Freire dentro do carnaval, que já foi citado algumas vezes, foi enredo em São Paulo, então acho isso legal. A presença do MST, e do Padre Júlio Lancelotti, torna simbólico isso em um nível de transcender, e de tornar o desfile um manifesto. É isso que quando junta pessoas que são extremamente na luta, isso deixa de ser um desfile, espetáculo e passa ser um manifesto de verdade”.

Renan Ribeiro como carnavalesco

Jovem, Renan Ribeiro começou sua trajetória de carnavalesco em São Paulo, em 2022 assinou o enredo do Camisa junto com Leno Vidal. Mas em 2023 assina todo o projeto. Conquistou títulos no carnaval de Santos, à frente da União Imperial, conquistou os títulos em 2018 e 2019. Contando sobre o seu estilo, o dia a dia no barracão, o carnavalesco do Camisa Verde e Branco relatou.

“Calmo, né Luciano?”, e o Luciano responde ‘posso falar?’. No meio da interação e brincadeira com o diretor do barracão, Renan Ribeiro contou: “Sou muito calmo, paciente, quando tem que chamar atenção, chamo. Mas sem perder a educação, elegância, sou paciente, tenho muita certeza do que estou fazendo. Certeza que não digo nem em questão profissional, de falar que sei muito bem o jeito que estou fazendo o carro, tecido, a cor, nem é essa questão, mas acredito no meu pensamento, meu jeito de fazer, no que acredito ser o papel do carnavalesco, a função e a forma de atuação dele. Acredito cegamente que o caminho é esse, e me dá segurança de dizer que o caminho é por aqui. Agora dentro do projeto, tenho o vício de querer saber tudo, gosto de não ter surpresas, gosto de saber o que está acontecendo na ala, casal, comissão de frente, quero saber, não quero saber só de barracão e fantasia, quero saber tudo, porque penso no espetáculo como conjunto, então gosto de saber de tudo. Profissionalmente seria um carnavalesco enxerido e um profissional paciente, tem que ter”.

Contando setor a setor da escola

Setor 1: “Setor introdutório da escola, o primeiro setor, que na verdade seria uma justificativa do meu TCC, da minha tese, quanto aos invisíveis. Então no setor apresento para o público e júri, que são os invisíveis, como nascem, a quem servem e onde eles vivem, onde eles se encontram na sociedade. Neste setor é onde apresentamos o personagem invisíveis, esse povo invisível”.

Em relação aos outros dois setores, no caso Setor 2 e 3, o carnavalesco Renan Ribeiro vê com olhos diferentes e explicou o contexto.

“A partir dali não tenho divisão de setores, os dois setores de desfile que seria, depois do carro abre alas, não tenho divisão narrativa, é contínuo até o final do desfile. A partir do carro abre-alas, começo a me aprofundar na discussão sociológica, buscando esses heróis que nascem no meio do povo, apresentando e respondendo os questionamentos. Então começo apresentar a bateria que vem atrás do abre-alas e até o último carro, vem respondendo questões sociais, questionando outras tantas coisas. E até o final do desfile, no final, na última alegoria, eu digo até que o desfile do Camisa termina, mas o enredo não acaba. Pois a luta é contínua, eterna, vem mais de 523 anos de brasileiros, e não vai acabar agora”.

“Desfile termina, mas não acaba. Olhar para o futuro, quem é que vai levar daqui para frente. Quantas Marielle’s, Padres Julio’s, quantos Freis Davi, terão que nascer daqui para frente, para a luta continuar. Na mão de quem está o futuro, como será. E o desfile termina com essa pergunta, que não quer calar, como o samba diz ‘até quando a pobreza vai sustentar a riqueza de homens que assolam o país. Então aquele personagem apresentado lá no início do desfile, no final questiona o daqui para frente quem vai cuidar do povo”.

Recado para comunidade

“A maior virtude de uma escola de samba como Camisa Verde e Branco, mais de 100 anos de história dentro do carnaval. Sendo embrião, a sênior do carnaval de São Paulo, a maior virtude dela é que depois de cem anos ainda continuar cumprindo sua função. Não se vende a fórmulas, e a algo carnaval comercial, midiático. Continuar acreditando que enredo tem que contar histórias, nós ainda temos que dar voz às pessoas, escola de samba nasceu para isso, nasce como uma célula de cultura infiltrada dentro das comunidades para dar voz às pessoas marginalizadas, empurradas para fora do centro e dos privilégios sociais. E escolas de samba nascem no início do século com essa função, mais de cem anos depois o Camisa continua nesta trincheira, ainda lutando, e ainda sendo por muitas vezes é invisível dentro no carnaval, tratado como uma escola invisibilidade, não competitiva. Escola desestruturada, com diversos problemas financeiros, isso tudo na visão de um carnaval vendido, que se vendeu a um formato não carnavalesco, e o Camisa só segue na função dele. O que tenho que falar para minha comunidade é dar os parabéns, pois eles acreditam muito que carnaval tem que ser do jeito que carnaval é. O Camisa Verde paga um preço muitíssimo alto por ser o que é e não ter se vendido. O que tenho a falar para a comunidade é que assim, são meus parceiros, sou componentes igual eles são. Esperem o Camisa Verde na sua plenitude no dia 19 de fevereiro, do jeito que tem que ser, com a comunidade com cara de comunidade, escola de samba com cara de escola de samba e se apresentando como escola de samba”.

Abordando um pouco sobre o que comentou acima, Renan Ribeiro em seu espaço livre pediu que o carnaval tenha mudanças: “Acredito que precisa ter um movimento e uma discussão sobre os moldes do carnaval, para não ter uma extinção do carnaval. Vejo hoje, dentro das escolas e de público, um futuro fatídico para escola de samba como foram os corsos, cordões, ranchos, outros movimentos carnavalescos que foram instintos e passaram por um processo de destruição, acredito que o carnaval está tomando esse mesmo rumo, infelizmente. Daí passa a ser uma cultura de segunda ordem, quando no nosso país, sempre foi a nossa maior vitrine cultural para o mundo. E hoje se tornou uma matéria de segunda ordem. Acredito que precisamos sentar e discutir isso daí, como está fazendo e qual rumo está tomando. Sejam as escolas comerciais perdendo os seus clientes, as escolas tradicionais perdendo o seu povo, o movimento que está acontecendo é perigoso, se nem for pensando de forma a escola de samba voltar a ser atrativa e orgânica, estamos fadados ao fracasso e se nem mudar o rumo, o navio está rumo para o iceberg”.

Ficha técnica
Alegorias: 3
Alas: 13
Componentes: 1.000
Diretor de barracão: Luciano Leite
Supervisor de fantasias e atelier: Renan Ribeiro e João Victor Ferro

Mangueira 2023: imagens das alegorias na área de concentração

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Unidos da Tijuca 2023: imagens das alegorias na área de concentração

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Grande Rio 2023: imagens das alegorias na área de concentração

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Império Serrano 2023: imagens das alegorias na área de concentração

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Salgueiro 2023: imagens das alegorias na área de concentração

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Mocidade 2023: imagens das alegorias na área de concentração

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Debate: o que esperar do domingo de carnaval do Grupo Especial?

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Mancha Verde e Mocidade Alegre se destacam em segunda noite de desfiles marcada por chuva intensa

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A Mancha Verde e a Mocidade Alegre brindaram os presentes com grandes desfiles. A verde e branco com seu enredo sobre xaxado seguiu a mesma linha que lhe garantiu o bicampeonato no último ano: organizada, alegorias gigantes com acabamento próximo a perfeição, quesitos musicais bastante entrosados e uma comunidade com vontade de levantar mais um troféu.

LEIA AQUI: ANÁLISE DO DESFILE DA MANCHA VERDE // ANÁLISE DO DESFILE DA MOCIDADE ALEGRE

Na Mocidade Alegre de Yasuke, o Samurai negro, viu-se uma agremiação com nova estética assinada por Jorge Silveira, estreante na escola. As alegorias aliavam grandiosidade, durante toda a extensão do desfile, a uma paleta de cores de muito bom gosto. O samba que já era bom cresceu ainda mais. Fruto do intenso trabalho de Igor Sorriso ao lado do seu competente carro de som. As vozes femininas presentes tornaram a obra ainda mais agradável.

Problemas técnicos comprometem pontualidade tradicional

A segunda noite dos desfiles do Grupo Especial de São Paulo iniciou por volta das 22h53min deste domingo. Depois de alguns minutos de atraso deivido a falta de maquinário para colocar seus destaques nas alegorias, a Terceiro Milênio abriu a noite homenageando a arte de fazer rir. Desfilar em primeiro não é fácil em quaisquer que seja o dia, soma-se isso a chuva intensa que acompanhou a escola durante todo seu tempo na avenida, e também o peso de se apresentar pela primeira vez no grupo especial. O resultado só pode ser caótico, certo? Errado! A escola do Grajaú driblou os itens adversos e se mostrou madura para continuar ocupando seu espaço nas 14 vagas do pelotão de elite paulistano. O principal destaque da estreante foi a excepcional comissão de frente, com uma coreografia bastante coesa, de fácil leitura, com truques de ilusionismo e com um quê de sátiras cômicas em preto e branco de décadas passadas.

Tucuruvi, Império, Águia e Dragões fazem bons desfiles mas cometem deslizes

Falando sobre Bezerra da Silva, o Tucuruvi optou por fazer um enredo-homenagem em paralelo à situações cotidianas do brasileiro. Apesar de uma linha narrativa bastante interessante e irreverente, ao lado do belo conjunto de fantasias, o desfile um morno deve garantir uma posição de meio de tabela para a escola.

Distante de enredos com temática africana há exatos vinte anos, o Império de Casa Verde sacudiu o Anhembi com seu excelente samba-enredo. O estreante intérprete Tinga mais uma vez mostrou porque é considerado uma das maiores vozes da atualidade. Com quase todos quesitos próximos ao que se espera deles, o único “porém” que pode distanciar a escola do título pode ser evolução. Por alguns momentos notou-se um andamento mais lento de alguns componentes que foram alertados pelos diretores. Se isso foi visto pelos julgadores, haverá perda de décimos preciosos.

Apesar de deixarem ótimas impressões estéticas com os enredos “Um Pedaço do céu” e João Pessoa, Águia de Ouro e Dragões da Real foram as que mais sofreram com a intensidade das chuvas. O quesito evolução se tornou uma pedra no sapato dos diretores das duas agremiações.

Colaboraram Fábio Martins, Gustavo Lima, Will Ferreira, Vinicius Vasconcelos e Will Fernandes

Imponente e avassaladora! Porto da Pedra sobra no sábado da Série Ouro

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A Porto da Pedra fez um grande desfile, com muito destaque para o aspecto visual, mas também passando com muita excelência em outros quesitos. Comissão, enredo e samba foram outros destaques do desfile. A União da Ilha também se destacou na parte estética, mas o carro Abre-alas passando apagado em dois módulos e uma ala sem chapéus prejudicam a disputa da agremiação pelo título. Já o Império da Tijuca fez um desfile agradável, leve e com bom desempenho nos quesitos em geral.

A União de Jacarepaguá gera a maior preocupação da noite pois teve muitos problemas de evolução. A agremiação da Zona Oeste formou dois buracos consideráveis na pista e corre risco de rebaixamento. Já Bangu teve destaque em seu conjunto plástico e pode sonhar com as primeiras posições, ainda que o acesso seja difícil. A Inocentes teve bom desempenho em alguns quesitos, mas a falta de acabamento em alegorias deve colocá-la no meio da tabela. Ponte e Em Cima da Hora tiveram problemas em seus desfiles, mas não correm risco de rebaixamento. Veja como foi cada desfile.

União de Jacarepaguá

Após sete anos longe da grupo de acesso do carnaval carioca, a comunidade da União de Jacarepaguá voltou a pisar forte na Marquês de Sapucaí. A verde e branco do Campinho foi a primeira escola a desfilar neste sábado, com enredo “Manoel Congo, Mariana Crioula – Heróis da liberdade no Vale do Café”. A União exibiu um conjunto plástico de muito bom gosto e fácil leitura, porém as duas primeiras alegorias tiveram dificuldades em percorrer a passarela, formando dois buracos consideráveis na pista. O portão da dispersão foi fechado com 56 minutos, estourando em 1 minuto o tempo máximo de desfile. LEIA AQUI A ANÁLISE DO DESFILE // VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

Unidos da Ponte

Segunda escola a entrar na avenida no Sábado de carnaval da Série Ouro, a Unidos da Ponte apresentou o enredo “Liberte Nosso Sagrado – O Legado Ancestral de Mãe Meninazinha de Oxum”, desenvolvido pelos carnavalescos Rodrigo Marques e Guilherme Diniz. Em 54 minutos de desfile, a Azul e Branca de São João de Meriti realizou um desfile com destaque para o bom desempenho de sua parte musical, com o funcionamento do samba-enredo, o excelente desempenho do intérprete Kleber Simpatia e espetáculo da bateria “Ritmo Meritiense”. Problemas apresentados em enredo, na apresentação do primeiro casal, Thainara Matias e Emanuel Lima, e na parte visual, no entanto, comprometeram a apresentação da escola. LEIA AQUI A ANÁLISE DO DESFILE // VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

Unidos de Bangu

Com alegorias gigantescas e fantasias de fácil leitura, a Unidos de Bangu realizou nesta segunda noite da Série Ouro o seu melhor desfile plástico da história. Aliado a parte visual, o samba defendido com maestria pelo carro de som e o canto empolgante da comunidade poderiam ter credenciado a escola para disputa do título. No entanto, uma série de erros graves em evolução, como a abertura de buracos e o embolamento de alas, prejudicou de forma significativa a apresentação, que terminou com 53 minutos. LEIA AQUI A ANÁLISE DO DESFILE // VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

Em Cima da Hora

Quarta escola do sábado de carnaval da Série Ouro, a Em Cima da Hora trouxe para a avenida o enredo “Esperança, Presente!”, em homenagem àquela que hoje é considerada a primeira advogada do Brasil: Esperança Garcia. Uma mulher negra, escravizada, que escreveu uma carta denunciando a violência e os horrores das estruturas racistas de um Brasil colonial e provinciano. O ponto alto foi a bateria de mestre Capoeira e a exibição do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Porém, as falhas na parte plástica e na sequência das alas podem tirar décimos da agremiação, que fechou o seu desfile com 54 minutos. LEIA AQUI A ANÁLISE DO DESFILE // VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

Porta da Pedra

Emocionante, impecável e histórico, assim pode ser definido o desfile da Unidos do Porto da Pedra na noite deste sábado pela Série Ouro do carnaval carioca. A escola de São Gonçalo mostrou a força de seus quesitos, não cometeu falhas graves e pode sonhar com o acesso ao Grupo Especial. A potência do enredo, que exaltou o povo da floresta Amazônia, fez com que a escola entrasse na avenida com muita garra. LEIA AQUI A ANÁLISE DO DESFILE // VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

União da Ilha

A União da Ilha do Governador pisou na Sapucaí com toda a responsabilidade de mais uma vez ser favorita ao acesso e pela homenagem realizada aos seus 70 anos de história e ao centenário da madrinha Portela. Apesar do excelente trabalho visual do carnavalesco Cahê Rodrigues, o carro abre-alas passou apagado nos dois últimos módulos de julgamento, o que deve gerar despontuação que pode fazer falta em uma eventual título da Série Ouro. A alegoria trazia as cores da escola e as águias, símbolo das duas agremiações. A “Baterilha” de mestre Marcelo Santos foi outro ponto alto da noite e a comissão de frente apresentou bem a ideia da homenagem presente no enredo além de impressionar pela excelência no aspecto visual. Com o enredo “O encontro das águias no Templo de Momo”, a União da Ilha foi a sexta agremiação a desfilar, encerrando sua apresentação com 53 minutos. LEIA AQUI A ANÁLISE DO DESFILE // VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

Império da Tijuca

Ao amanhecer do dia, o Império da Tijuca presenteou o público que permaneceu no Sambódromo após a maratona de desfiles deste segundo dia da Série Ouro com uma apresentação leve e empolgante. Tendo como trunfo um samba que já era muito celebrado no pré-Carnaval, e que teve um alto rendimento na Avenida, a verde e branca do Morro da Formiga teve uma harmonia e uma evolução sem erros, casada com uma parte plástica bem acabada e caprichada nos detalhes. LEIA AQUI A ANÁLISE DO DESFILE // VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

Inocentes de Belford Roxo

Já era manhã de domingo quando a Inocentes de Belford Roxo cruzou a avenida e encerrou os desfiles da Série Ouro. Mesmo com arquibancadas esvaziadas, a abertura do desfile foi positiva e causou uma boa impressão, a comissão de frente da coreógrafa Juliana Frathane levou para a avenida o mito da criação humana na tradição guarani, com uma dança forte e ótima indumentária, a proposta foi passada de maneira clara. Logo depois, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Machado e Jaçanã Ribeiro, uniu juventude e experiência em uma bela exibição. O principal ponto negativo do desfile foi a falta de acabamento nas alegorias, algumas passaram com forração simples e outras tinham ferragem aparente. LEIA AQUI A ANÁLISE DO DESFILE // VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

Colaboraram Diogo Sampaio, Lucas Santos, Luan Costa, Eduardo Frois e Gabriel Gomes