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Vídeos: esquentas no sábado das campeãs no Rio de Janeiro

Alegria da Zona Sul faz bom desfile sobre Caymmi, mas peca em evolução

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Por Luiz Gustavo

A Alegria da Zona Sul entrou na avenida com o sol surgindo e dando o ar de sua graça, cenário perfeito para falar de Dorival Caymmi, que tanto cantou e exaltou o mar. E a escola fez um desfile bonito, colorido e de canto animado com o enredo “Dorival Caymmi: O mar e o tempo, nas areias de Copacabana”, porém problemas no quesito evolução deixam a escola em situação difícil na briga por uma vaga na série Ouro em 2024. A agremiação do Cantagalo foi a décima terceira escola a pisar na passarela da Ernani Cardoso no segundo dia de desfiles da série Prata.

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Comissão de frente e Mestre-sala e Porta-bandeira

A comissão já abriu o desfile falando dessa relação de Dorival Caymmi com o mar, fazendo aparecer iemanjá em seu pequeno barco. Uma comissão com uma paleta de cores ideal para um desfile de manhã e de coreografia simples, mas bem trabalhada. Nas três cabines a comissão não apresentou problemas de execução. O casal realizou uma apresentação linear nas três cabines de jurados.

Enredo

Assim como a Cubango, a Alegria da Zona Sul reeditou um enredo apresentado anteriormente no grupo de acesso, neste caso em 2004. Marco Antônio Falleiros desenvolveu o enredo falando da relação de Caymmi com o mar, das pessoas que ele teve em volta durante a vida e da relação do compositor com o bairro de Copacabana, sede da Alegria da Zona Sul. Em algumas alas não se via uma homenagem ao universo de Caymmi com tanta clareza, mas o enredo foi dividido, principalmente aproveitando essa ligação de Dorival com o bairro da escola.

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Samba

Um samba leve pra se desfilar, muito bem cantado por Ciganerey, que sustentou o samba durante todo o desfile. O samba foi um ponto forte da apresentação da Alegria, que veio animada muito pela trilha sonora que embalou o desfile.

Alegorias/Fantasias

Alegria apresentou um conjunto alegórico com bom acabamento, a última alegoria destoou em termos de concepção, o destaque foi o carro de xangô. As fantasias formaram um conjunto leve e bonito, com destaque para a bela ala de baianas. Foi um dos conjuntos mais lineares da noite.

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Evolução/Harmonia

O calcanhar de aquiles do desfile da Alegria certamente é evolução. A escola abriu pequenos espaço entre suas alas e na demora de evolução do abre-alas um buraco se formou à sua frente, fazendo a escola travar pra não abrir um espaço ainda maior. A equipe da Alegria conseguiu resolver e apesar de apertada em relação ao tempo, a evolução voltou a ser sem sobressaltos, mas décimos preciosos podem ficar pelo caminho. O canto da escola funcionou bem nesse casamento com um samba leve, a escola passou animada e com o samba bem treinado, a obra não deixou o ritmo cair durante a apresentação.

Outros destaques

A bateria de mestre Victor Sergio animou o público presente com algumas bossas e arrancou aplausos empolgados dos jurados na segunda cabine.

Apesar de belo desfile plástico, problema em alegoria compromete o desfile do Cubango

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Por Luiz Gustavo

A Acadêmicos do Cubango foi a décima segunda escola a desfilar na segunda noite da Série Prata, já com os primeiros indícios de céu clareando na passarela. E foi um desfile para os apaixonados pela verde e branco de Niterói lamentarem profundamente. Apresentando o enredo “Fruto da África do Brasil de fé: candomblé”, reedição do desfile que a escola apresentou no grupo de Acesso em 2005, a agremiação teve problemas de locomoção nos dois primeiros carros, sendo que a segunda alegoria empacou no meio da pista e teve que ser retirada para uma via lateral sem completar o desfile, acabando com a evolução da escola que estourou 13 minutos do tempo máximo de apresentação, terminando o desfile em 53 minutos. Assim, a escola começará a apuração com uma punição de 1.3 pontos, além de ter comprometido seriamente os quesitos evolução, alegorias e enredo, além da harmonia já que em alguns pontos da passarela simplesmente não tinham componentes tamanho os espaços que a escola abriu.

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Comissão de frente

Através de Oduduwu, a comissão mostra a criação dos orixás, com cada componente representando um orixá diferente e seu símbolo nas mãos, como o machado de Xangô. Uma comissão bastante colorida e com bom desenvolvimento de sua coreografia.

Mestre-sala e porta-bandeira

Diego Falcão e Aline Torres fizeram apresentações corretas nas três cabines, com destaque para a segunda cabine, onde o casal teve o bailado mais azeitado.

Enredo

Jorge Caribé fez a releitura do enredo criado originalmente por Jaime Cezário, conseguindo realizar um trabalho com a sua cara e os seus signos e elementos de assimacao com o tema, conhecedor das religiões de matiz africana que é. Em termos de concepção é um dos pontos fortes da escola, porém o quesito foi prejudicado pela quebra do segundo carro no meio da pista, todas as alas e a alegoria que vinham atrás ultrapassaram o carro e este foi colocado num ponto de escape da avenida.

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Samba

O samba é reconhecido como uma grande obra pelos sambistas e mostrou novamente sua força e beleza. Se não teve a apresentação marcante de 2005, passou sem cair até mesmo nos momentos de tensão que marcaram o desfile. Tiãozinho Cruz teve a chance de cantar novamente o samba, desta vez, ao lado de Wagner do Valle.

Alegorias/fantasias

Alegorias vieram luxuosas para os padrões do grupo, a segunda alegoria que representava o surgimento do templo de Iya Nasso era belíssima, porém essa grandiosidade acabou causando os problemas. Já as fantasias tiveram menos opulência, mas boa leitura e jogo de cores.

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Harmonia/evolução

O maior drama do desfile da Cubango. A evolução foi um caos desde a largada, logo no início a primeira alegoria bateu em uma grade travando a escola, a alegoria passou a andar quando o segundo carro também travou, e ficou agarrado por bons minutos ali. Até os diretores decidirem por tirar o carro da pista o estrago já tinha feito.

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A escola tinha sido dividida em vários pedaços com buracos enormes e alas espalhadas tentando disfarçar a magnitude dos espaços deixados. Nesse aspecto a harmonia ficou bem prejudicada, já que eram diversos pontos da pista com claro espaçamento, sem componentes para puxarem o canto da escola novamente.

Falta de alas e alegoria prejudica desfile da União Cruzmaltina

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Por Luiz Gustavo

Décima escola a desfilar na madrugada de domingo, a União Cruzmaltina enfrentou percalços antes mesmo de entrar na avenida. Três alas e uma alegoria pertencentes ao enredo não chegaram para o desfile, o que trará à escola descontos no quesito enredo e pode causar problemas na apuração. União passou com cerca de 900 componentes.

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Comissão de frente e Mestre-sala e porta-bandeira

A comissão representava os rituais africanos pedindo licença dos caminhos para Pai Santana passar na avenida. A comissão mostrou uma coreografia vigorosa e com boa sincronia em todas as cabines. Emanuel e Thainara tiveram um desempenho correto, sem erros.

Enredo

O desenvolvimento do enredo pensado pelo carnavalesco Rodrigo Almeida foi prejudicado pela ausência quase que completa do último setor, apenas uma ala pertencente à parte final passou pela pista, além do terceiro carro que também não esteve na avenida. Considerando o que passou, a relação de Pai Santana com a religião foi bem explicitada na avenida.

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Samba

O samba teve um desempenho mediano, com momentos em que a obra caiu bastante e não obteve resposta nem dos desfilantes.

Fantasias/Alegorias

As fantasias que entraram na avenida também tiveram problemas, várias alas sem sapatilhas, com o pé descalço. No que tange as alegorias a escola foi melhor e trouxe boas soluções.

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Evolução/Harmonia

Mesmo pequena, a União abriu alguns espaçamentos na frente das alas. Harmonia foi regular, um canto minimamente estável, principalmente, no refrão principal.

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Outros destaques

Componentes do abre-alas estavam descalços. Passistas também descalços e viriam atrás da bateria, porém desfilaram à frente. Eram previstas quatro alas atrás da segunda alegoria, apenas uma veio e a terceira alegoria ficou ausente do desfile.

Acadêmicos da Diversidade exalta a Umbanda em desfile sem erros

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Por Anderson Madeira

Décima primeira a entrar na Avenida Ernani Cardoso, a Acadêmicos da Diversidade, fundada em 2018 em Madureira, Zona Norte do Rio, apresentou o enredo “Umbanda. Diversidade é Paz, Amor e Caridade”, proposto por Carlos Eduardo (Cadu) e desenvolvido pelos também carnavalescos Clark Mangabeira e Victor Marques. Dentro da proposta da agremiação cuja bandeira tem as cores do arco-íris, também símbolo do movimento LGBT, que é sua principal bandeira. O samba é de autoria Dudu Senna e Marquinhos Beija-Flor e foi bem cantado pelos componentes. Sua apresentação foi técnica e sem erros aparentes, sendo encerrada aos 38 minutos.

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Comissão de frente

Os 12 integrantes representavam Exus e sua fantasia significava “No fio da Navalha”. Os bailarinos estavam com vestimentas de praticantes da umbanda em gira e com leques vermelhos dão densidade à dança e compõe imagens cênicas para a festa de inauguração dos trabalhos. Assim, Maria Navalha é convocada, para que leve as dores na aba do seu chapéu e proteja a agremiação com sua valentia e resistência. Teve como coreógrafos Daniel Ferrão e Léo Torres.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Jeferson Pereira Martins e Alana Couto estavam com uma fantasia que significava a dança da incorporação e que significava que “Umbanda nasceu da cura”. Em um certo momento, Alana pareceu incorporar uma entidade na avenida. A dança do casal, teatralizada, foi aplaudida pelo público e os jurados.

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Harmonia

O canto forte da comunidade da escola foi um dos pontos altos do desfile. Em todas as alas os componentes cantaram o samba no mesmo ritmo e houve receptividade nas arquibancadas, o que contribuiu para uma boa apresentação da agremiação.

Enredo

O enredo foi desenvolvido de forma clara e didática, com fácil compreensão pelo público em todas as alas e nas duas alegorias. Uma narrativa linear, que contou os 115 anos da Umbanda. Falou da história do menino paralítico desenganado pelos médicos, anunciou a sua saúde no dia seguinte andou para a fé e pelo Axé. O enredo trouxe uma ampla imersão na religião, com destaque para o sincretismo e a história da sua constituição.

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Evolução

A agremiação evoluiu de forma tranquila, ajudada pelo bom samba e a garra dos componentes. Não houve buracos entre as alas e os desfilantes puderam evoluir e sambar à vontade. Não houve embolamento entre as alas. A maioria delas estava bem alegre e solta. A escola desfilou de forma muito organizada.

Samba

O samba foi bem defendido pelo intérprete Tem-Tem Jr que teve uma boa sincronia com outros puxadores auxiliares no carro de som. Muito cantado da primeira à última ala, incluindo as alegorias, onde os destaques também cantaram o samba, no que foram acompanhados pelas arquibancadas.

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Fantasias

A parte plástica foi um dos destaques do desfile, pela beleza, a leveza e o bom acabamento. Facilitaram muito o entendimento do enredo. Já no primeiro setor, que abriu o desfile, houve pedido de licença dos Exus e representou o começo da Umbanda, com a sua fundação sob a benção do Caboclo das Sete Encruzilhadas, retratando a força, a fé, e o Axé dos Caboclos e das matas que os abrigam. O figurino da ala das baianas lembrava o sincretismo entre Yemanjá e Nossa Senhora da Guia, representando o amor pelo orixá e a fé em Nossa Senhora. No segundo setor, “As Tendas da Umbanda”, o sincretismo que está na força da religião. Foram apresentados os guias, a fé e o Axé das entidades que trabalham pela caridade e o amor. A ala dos ciganos também chamou a atenção, representando os devotos de Santa Sara. Muito animados, os componentes trouxeram a dança, a alegria e a liberdade deste povo.

Alegorias

O abre alas, “Axé dos Caboclos”, representou a força que provém das matas, a mesma dos Caboclos abençoados, percursores da fé na Umbanda. Retratou o começo da religião a partir dos mistérios das matas e florestas. A segunda alegoria representou o “Congá Sagrado”, com sua multiplicidade. Houve ainda um tripé, “Axé dos Pretos Velhos”, que representou a sabedoria dos Pretos-Velhos mandingueiros, que ensinam, abrem os caminhos e benzem os “fios” de fé. As alegorias eram bonitas e com bom acabamento. Não apresentaram problemas visíveis e tiveram bom andamento no desfile.

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A Bateria “Swing Universal”, comandada pelo mestre Washington Paz, com 150 ritmistas apresentou boa cadência e bossas que empolgaram o público. Vestidos como Ogãs, bateram forte os instrumentos em homenagem à Umbanda. A rainha de bateria, Krys Correia, usou uma fantasia que representava a magia da Umbanda, firmada pelo som dos instrumentos sagrados e pelos pontos que são cantados em louvor aos Orixás, Santos e Guias.

Acadêmicos do Dendê fala da liberdade religiosa em desfile impecável e bom samba

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Por Anderson Madeira

Nona a entrar na avenida, a azul e branco da Ilha do Governador fez um desfile técnico e impecável para contar o enredo “Cárcere Sagrado”, dos carnavalescos Pablo Azevedo, Anne Viana e Renato Vieitas. Conta a histórias dos objetos religiosos que eram apreendidos pela polícia e alocados posteriormente no Museu da Polícia Civil com a denominação de ‘Coleção Magia Negra” e expostos ao lado de coleções relacionadas ao holocausto e de outros crimes brutais da história da humanidade. Os 710 componentes desfilaram e cantaram muito, para tentar levar a agremiação à Série Ouro em 2024. O samba-enredo é de autoria de Jaú, André de Souza, Willy do Vale, Queiroga, João Bahiense, Leandro Augusto e Filipe Zizou. O desfile foi dividido em 16 alas e um carro alegórico.

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Comissão de Frente

A fantasia da ala foi “Liberte nosso Sagrado Responsável”. A coreografia representou os ritos aos orixás, a louvação aos entes sagrados da natureza. A dança da comissão é uma louvação a cada orixá e aos seus simbolismos: forma de dançar, suas cores, seus elementos e instrumentos que carregaram. Os bailarinos fizeram apresentação impecável e foram bastante aplaudidos pelos jurados e o público.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Marcinho Souza e Nany Ferreira também fizeram bonito não apenas diante dos jurados, como em todo o desfile. Apresentaram uma dança leve, bonita e veloz. A fantasia significava a “Energia do orixá”. A roupa de Nany representou o orixá feminino. Em sua saia, trouxe imagens de orixás mulheres, como Oxum, Yansã, Nanã e Yemanjá. A beleza, vaidade, fertilidade, prosperidade e o empoderamento da luta da mulher, representados por cada Orixá, se conectam e se misturam com a dança. Já a roupa de Marcinho representou o orixá masculino. Trouxe em sua capa imagens de todos eles, como Oxalá, Ogun, Xangô, Oxóssi e Omulu. A força e a energia emanada deles, através da dança do mestre sala, se fundem ao bailar da porta-bandeira. O casal pede a permissão dos orixás para o desfile. Os guardiões estavam fantasiados de Yawôs, que representam o respeito e proteção aos orixás.

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Harmonia

O canto forte do samba por toda a escola teve boa resposta junto ao público, que cantou junto e aplaudiu a agremiação. Todas as alas cantaram forte o samba, que manteve o ritmo até o fim do desfile. Poucos foram os componentes que não cantaram. Esse quesito foi um dos pontos altos do desfile.

Enredo

A Acadêmicos do Dendê trouxe uma mensagem de paz entre os povos, com um recorte no período histórico e com foco nas conhecidas macumbas cariocas da época, mostrando e recebendo o povo de Axé e levantando a bandeira da tolerância. A história foi contada de maneira clara nas alas e alegorias, facilitando a compreensão do público.

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Evolução

Outro ponto alto do desfile. Os componentes tiveram espaço suficiente para evoluir à vontade e até sambar, empolgando o público, que aplaudiu muito. O desfile foi encerrado pela bateria, com muita tranquilidade, aos 38 minutos, deixando nos espectadores um gosto de “quero mais”.

Samba

O belo samba foi interpretado por Doum Moreira, o “Doum Guerreiro”, com sua potente voz. Ele teve ótima sincronia com o carro de som e isso ajudou muito na boa harmonia e em que todos os componentes cantassem o samba com força.

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Fantasias

O conjunto de fantasias foi de muita beleza e bom acabamento. Em todas as alas, tinham narrativa de fácil entendimento pela plateia e permitiu que os componentes evoluíssem.

Alegorias

A agremiação levou apenas um carro alegórico, o abre alas, muito luxuoso e grandioso, que representou o tema “Deu meia noite”, com vencedores de demanda, que levam seu alguidar em oferenda, abrindo o desfile pedindo permissão e caminhos abertos. Apresentou bom acabamento e foi bastante aplaudido pelo público nas arquibancadas.

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A bateria, conhecida como Swing do Dendê e comandada por Mestre Sagui, estava vestida de policiais e encarcerados. Empolgou com as bossas e paradinhas apresentadas durante o desfile e a batida cadenciada. A fantasia da rainha de bateria, Karina Mauro, representava a justiça. A ala das baianas representava Oxum, deusa dos encantos, da riqueza e da fertilidade. Seu espelho reflete sua feminilidade e sua beleza. No final do desfile foi mostrada uma faixa com homenagem ao falecido Mário Bandeira, diretor de carnaval e figura muito querida na comunidade, que morreu dia 28 de janeiro deste ano.

Império da Uva conta sobre Maria Padilla em desfile luxuoso, mas carro trava na pista

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Por Anderson Madeira

Oitava a entrar na Passarela do Samba, a Império da Uva, a verde branco de Nova Iguaçu, veio luxuosa para contar o enredo “Laroyê Rainhas das Marias”, sobre Maria Padilha, entidade da Umbanda, que que foi ainda personagem histórica Maria de Padilla (1334-1361), nobre que foi companheira do rei Dom Pedro I de Castela, o Cruel. O enredo foi desenvolvido pelo carnavalesco Clébio de Freitas. Apesar das belas fantasias e do bom samba, a escola teve problema com o segundo carro, que travou na pista e criou um grande buraco. Os 850 componentes correram para terminar o desfile em 40 minutos. O samba teve como autores: Adriano Cássio e Clebio de Freitas. Este animou as arquibancadas e foi um dos destaques do desfile.

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Comissão de Frente

Os componentes vieram com a fantasia “O feitiço da rainha”, em referência à dama da madrugada e rainha das encruzilhadas, senhora da magia, a mulher que muda o destino de uma corte europeia. Teve como coreógrafos Carla Flor e Júnior. A apresentação foi impecável e muito aplaudida pelo público e os jurados.

Mestre-Sala e Porta Bandeira

Roberto Vinicius e Clênia Freitas vieram com a fantasia cujo significado era “Amor ao Rei”. A elegância e o luxo da roupa chamaram a atenção, além da apresentação sem erros. Os jurados e o público nas arquibancadas aplaudiram bastante o casal. A sincronia entre os dois foi perfeita e o bailado, bastante suave.

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Harmonia

Se a parte plástica foi bem, a harmonia teve o canto irregular. Algumas alas cantaram muito, enquanto outras, nem tanto, com componentes passando em silêncio. Outras cantaram apenas o refrão. O que pode se refletir na perda de décimos preciosos.

Enredo

O enredo contou como Maria Padilha inspirou a criação da ópera “Carmem”, de George Bizet, sobre uma cigana que enfeitiçou o militar Don José e o abandonou, sendo depois morta por ele. No Brasil, sua imagem foi absorvida por religiões afro-brasileiras (umbanda, quimbanda e candomblé) na figura de Pombagira. A história foi contada de forma linear e forte na avenida.

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Evolução

A escola começou evoluindo muito bem até a metade do desfile. Nesse instante, o segundo carro, “Povo de rua”, travou no meio da pista e os empurradores não conseguiam tirá-lo do lugar, próximo à cabine de jurados. Com isso, abriu-se um grande buraco na avenida, o que fará a escola perder pontos em evolução, pois as alas à frente tiveram que parar, até que a alegoria conseguisse avançar. Depois, para não estourar o tempo, os componentes das últimas alas tiveram que correr na pista e encerrar o desfile.

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Samba

O samba foi muito bem defendido pelo intérprete Aldo Ribeiro, que incentivou as alas a cantarem a plenos pulmões e empolgou o público nas arquibancadas, que cantou junto, principalmente o refrão principal.

Fantasias

Tiveram beleza, luxo e bom acabamento, ajudando a contar a história do enredo, de fácil leitura. Durante toda a avenida não foi encontrado nenhum pedaço solto. Na maior parte das alas, a roupa era leve e facilitava a evolução e o samba no pé do componente.

Alegorias

Os carros alegóricos primaram pela beleza, a imponência e o luxo e ajudaram a contar o enredo, com acabamento impecável. Somente o segundo carro causou problema ao parar no meio do desfile, prejudicando a evolução e a harmonia.

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Outro destaque foi a ala das baianas, cuja fantasia foi de Rainha Maria Padilla, impressionando pela beleza do figurino e o rodopiar. A rainha de bateria, Giselle Araújo, foi de Maria Padilha, arrancando aplausos do público. Os 200 ritmistas da ala vieram de Ogan (que tocam tambores nos terreiros de Candomblé) e as paradinhas e bossas foram levantaram as arquibancadas. Eles foram comandados por Mestre Dó.

Fantasias e casal se destacam no desfile da Mocidade Unida do Santa Marta

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Por Luiz Gustavo

Sétima escola a desfilar neste sábado de carnaval, a Mocidade Unida do Santa Marta fez um agradável desfile com um bonito conjunto de Fantasias. Com o enredo “Cangaceiras, muié de resistência e coragem, nem o cansaço assustou, quando o sertão virou mar, o morro da Santa sambou”, a escola de Botafogo também apresentou um casal bastante entrosado e uma bateria afiada. Cerca de 782 componentes vieram na agremiação que encerrou seu desfile em 38 minutos.

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Comissão de frente

A comissão é formada por seis mulheres representando cangaceiras, e outras seis mulheres como representantes atuais da cultura da favela e do funk. Na terceira cabine o boné de uma das integrantes caiu durante a apresentação. Nas demais cabines o desempenho da comissão foi muito bom, com o ponto alto sendo a troca de parte dos figurinos entre os grupos de cangaceiras e funkeiras.

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Mestre sala e porta bandeira

Tchetchelo e Ericka Duarte mostraram um excelente entrosamento e uma apresentação contagiante em todos os módulos, ambos com um persistente sorriso no rosto.

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Enredo

O enredo foi contado iniciando pela forma como as mulheres nordestinos dos anos 30 viviam para os homens, que tinham todo o protagonismo de heróis e lutas. No setor seguinte é contada a história de Maria Bonita que abre o precedente pra outras mulheres fazerem parte de bandos. No setor final chegam as mulheres do morro Santa Marta, de forte influência nordestina. O enredo foi bem dividido e retratado de forma clara em suas alegorias e fantasias.

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Samba

O samba teve um bom desempenho, bem cantado pelo intérprete Digão e impulsionado por uma bateria de mestre Caliquinho inspirada nas bossas que levantaram o público e não deixaram o samba amornar.

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Fantasias/Alegorias

Santa Marta teve um conjunto caprichado de fantasias, com muita criatividade, como na ala “o fim do cangaço” onde os componentes tinham suas cabeças escondidas pelo tecido, representando a decapitação do bando de Lampião. Em alegorias a escola não manteve o mesmo capricho, porém passou sem maiores senões de acabamento e concepção.

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Evolução/harmonia

A evolução da escola de Botafogo foi correta, porém travada em alguns momentos, o que fez a escola apressar o passo no último módulo. A harmonia cresceu muito a partir da metade do desfile, com alas cantando forte o samba, não só em seus refrãos. A comunicação com o público obtida pela sua bateria também puxou o canto para cima.

Arame de Ricardo homenageia André Ceciliano e faz desfile simples

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Por Anderson Madeira

Sexta escola a entrar na Passarela do Samba, a Arame de Ricardo apresentou o enredo
“Da Baixada para o Brasil: André Ceciliano! Nas estações do progresso pela união de
um povo”, do carnavalesco Guto Carrilho, em homenagem ao ex-deputado estadual, ex-
presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e ex-prefeito de Paracambi. Com
fantasias simples, recebeu aplausos nas arquibancadas, por causa do samba e da bateria.
Porém, não empolgou muito. Conseguiu encerrar o desfile aos 39 minutos.

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Comissão de Frente

Os componentes estavam com fantasia simples e sem luxo. O significado era “Condutores de viagem”. Em uma apresentação impecável, fizeram uma bela coreografia, em que interpretaram condutores de trem de antigamente e foram aplaudidos.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Ângelo Virtude e Gabby Oliveira usavam a fantasia cujo significado era “Viajando em
notas musicais”. Fizeram uma apresentação impecável, em perfeita sincronia e com um
bailado elegante. Eles deslizaram enquanto dançavam e Ângelo cortejou Gabby na
apresentação, encantando o público e recebendo aplausos dos jurados. A fantasia era
simples, mas bonita e favoreceu a evolução do casal.

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Harmonia

Várias alas cantaram forte o samba, principalmente o refrão, empolgando o público nas
arquibancadas nestes momentos. Porém, em algumas alas, componentes passaram em
silêncio ou apenas mexendo a boca. O ritmo caiu no final do desfile, quando algumas
alas tiveram que apertar o passo.

Enredo

O enredo foi desenvolvido para ter fácil entendimento nas alas, em fantasias e alegorias.
Porém, em algumas alas não era possível identificar a narrativa e o enredo, como a parte
que fala de música. Ceciliano é apaixonado por samba. Para os espectadores isso não
ficou claro.

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Evolução

A agremiação evoluiu de forma tranquila e não houve buracos entre as alas. Os
componentes tiveram espaço para evoluir e até sambar no pé. Apenas no final tiveram
que apertar o passo, mas, sem comprometer muito a evolução.

Samba

O samba interpretado por Alexandre Reis e Giovane Melo tinha uma letra de fácil
assimilação e bom refrão. Foi cantado a plenos pulmões por diversos componentes.
Porém, não empolgou muito as arquibancadas, que apenas observaram a escola passar. O samba-enredo é de autoria de Márcio França, Mestre Dudu, Cosme Araújo, Marcio
Vieira, Luiz Carlos D’Avenida, Joca Amaral, Gylnei Bueno, Fagundinho, Drummond,
Mello, Rogério Fabiano, Chiquinho Inspiração, Márcio André, Rodrigo Tinta, Ronaldo
Júnior, Wellington Cavaco, Dudu Azevedo, Dimenor Beija-Flor, Júnior PQD, Nathan
Wallace, Diego Oliveira, Glorio Coutinho e Gigi da Estiva.

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Fantasias

O figurino dos componentes, apesar de simples e sem luxo, era de bom acabamento na
maioria das alas. Algumas facilitavam a leitura do enredo, enquanto outras, isso era
mais difícil para o espectador na avenida. Na maioria das alas, a fantasia era leve e
permitia ao desfilante evoluir com facilidade. As baianas vieram com uma roupa cujo
significado era “Paisagem como um filme”. Outra ala interessante foi a da Velha
Guarda, de “Sabedoria popular”.

Alegorias

As alegorias vieram simples e sem luxo, em comparação às demais agremiações que
passaram pela Série Prata. No Abre Alas, “Sonho parte de Paracambi”, mostra uma
locomotiva e o sonho do jovem Ceciliano, que veio de Paracambi, na Baixada
Fluminense, de trem, para o Rio de Janeiro em busca de voos mais altos na política
nacional. A segunda alegoria foi um tripé, “A fábrica que produz conhecimento”, que
teve como destaque Michele Santos, representando a Força Motriz do Conhecimento.
No segundo tripé, “Valei-me Nossa Senhora: A fé que nos guia”, Ceciliano apareceu no
alto, acompanhado de sua esposa Ludmila Ramalho Ceciliano. Muito elegante, de terno,
arriscou alguns passos de samba. A alegoria ainda mostrou a sua devoção em Nossa
Senhora Aparecida.

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A bateria foi outro destaque. Comandada por mestre Igor e mestre Juan. Os 120
ritmistas estavam fantasiados de “Cavalgada da Lua”. À frente deles, a rainha de
bateria, Patty Frey; o Rei da Bateria, Diamante Negro; a Rainha Juvenil da Bateria,
Thata Gávea e o Rei Mirim da Bateria, Michel Azevedo, o Michelzinho. As bossas e
paradinhas empolgaram o público nas arquibancadas.

Sereno de Campo Grande apresenta bom conjunto alegórico, mas forte vento dificulta apresenta do casal

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O Sereno de Campo Grande foi a quinta escola a desfilar na noite da Série Prata. A escola apresentou o enredo “As três princesas turcas no reino de pindorama”, e passou pela Nova Intendente sob forte vento que prejudicou o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira na apresentação no último módulo. Após defender o pavilhão com maestria nas primeiras cabines de jurados, a porta-bandeira da Azul e branca da Zona Oeste foi vencida pelo vento e passou por dificuldade com sua bandeira na última cabine.

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Comissão de frente

A comissão de frente do Sereno trouxe um bom resumo do que a escola apresentou na avenida. Destaque positivo para as três integrantes que interpretaram as princesas do enredo. Os componentes estavam com roupas simples e coloridas, porém, com problemas de acabamento na parte inferior. Entretanto, dançaram com segurança ao longo dos cerca de dois minutos que levava a apresentação.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Yago Silva e Gheise Ângelles fizeram uma apresentação de dois minutos. No primeiro e segundo módulo de julgamento, demonstraram boa sintonia, muita dança de mestre-sala e porta-bandeira, além de alguns passos coreografados. Todavia, na última cabine de jurados, o vento acabou se intensificando. Sendo assim, Gheise teve dificuldade para não enrolar a bandeira.

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Enredo

A azul e branca da Zona Oeste desfilou no Carnaval 2023 com o enredo “As três princesas turcas no reino de pindorama”. Assim, a escola buscou apresentar a saga de Mariana, Herondina e Toya Jarina desde as terras Turcas até a praia dos Lençóis. O enredo teve o objetivo de mostrar as três princesas que são cultuadas no Tambor de Mina. Dessa forma, também se buscou mostrar o encontro das crenças dos povos originários. Desenvolvido pelo carnavalesco Thiago Avis não se fez totalmente claro e de fácil compreensão para o público.

Evolução e Harmonia

A escola começou em ritmo tranquilo e contente. Após os 30 minutos começou a correr para fechar o desfile em tempo. Desse modo, concluiu sua participação em 39 minutos. A bateria “Swing da Coruja” do mestre Celsinho do Repique, esteve bem, mas não pareceu muito sintonizada com o carro de som liderado pelos intérpretes Antônio Carlos e Sandro Mota. Os componentes da escola não cantaram o samba, assim como o público presente na Nova Intendente.

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Samba

O samba não animou o público e foi cantado pelos componentes da escola. Apesar disso, a letra é o grande destaque da obra, capaz de contribuir para o entendimento do enredo.

Fantasias

As fantasias estavam bonitas e com bom acabamento, mas não cumpriram completamente com o papel de ajudar na compreensão do enredo.

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Alegorias

As alegorias estavam belas e com bons acabamentos. Destaque para o abre-alas “Aldeia de caboclo velho”, que mostrou o encontro de crenças dos povos originários, proposto no enredo.