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Sinopse do enredo da Estácio de Sá para o Carnaval 2024

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Enredo: ‘Chão de Devoção: Orgulho Ancestral’

Apresentação

Ao passar pela Passarela do Samba, a Estácio de Sá, consciente do seu papel sociocultural, procura evidenciar a cultura do povo preto em um espaço de resistência, que buscou, no período sombrio da escravatura, o livre-arbítrio ao se manifestar por direitos, primordiais, a favor do mínimo de dignidade humana e da legitimação de origens e traços culturais. Na África, meninas, mulheres, guerreiras, princesas e rainhas, orgulhosas de seus corpos, sua pele, e seus cabelos. Donas das próprias vidas. Rainhas da liberdade. Rainhas da natureza seriam muitas delas no outro lado do oceano, em um futuro distante, seres iluminados. A cultura ancestral, seus mitos e seus rituais passam a se revelar no canto e na dança ao som dos tambores.

logo estacio2024

É importante afirmar que a cultura do povo preto é extremamente rica e diversa, e as religiões de matrizes africanas desempenham um papel fundamental na sua expressão. Infelizmente, essa cultura muitas vezes é marginalizada e subestimada pela sociedade em geral. Para demonstrar e valorizar a cultura do povo preto e suas religiões, a Estácio de Sá entende que é importante reconhecer e respeitar suas tradições, histórias e práticas, enfim, sua própria ancestralidade. Isso inclui aprender sobre a história das nossas irmãs e dos nossos irmãos vindos de regiões da África, cuja, cultura culminou em solo brasileiro em diáspora africana.

Salientar a história de duas mulheres pretas escravizadas, arrancadas de suas terras natais e de seus seios familiares. Ainda em suas infâncias em uma brutal travessia pelo atlântico, elas obtiveram aprendizagem mesmo com todas as mazelas do ambiente em um meio de convivência doloroso. Mas, que ainda assim, contava com o doce matriarcado, sendo mães biológicas ou não, as mulheres desse espaço manifestavam afeto em meio uma situação de clausura. Tais narrativas são de extrema importância para entendermos a história do Brasil e do povo preto que em nosso solo chegaram. E foi com a chegada desse povo em terras brasileiras que a magia africana se infiltrou nesse solo, criando raízes profundas carregadas de fé, cultura e arte mostrando o poder do renascimento e da transformação. Essa força e magia vieram guardadas no coração dessas mulheres, pretas mães, nossas mães, tias, avós, nossas sementes, nossas raízes.

A escravidão foi uma das maiores violações de direitos humanos da história, e as mulheres pretas foram algumas das maiores vítimas desse sistema opressivo. Ao trazer à luz a história dessas mulheres, podemos entender as dificuldades que elas enfrentaram e como a escravidão as afetou de forma específica. Além disso, podemos aprender sobre as estratégias de resistência que elas utilizaram para enfrentar aquela realidade, mesmo diante de tantas adversidades, e, com isso, objetivamos combater o apagamento das histórias de vida e suas identidades.

O apagamento das histórias e identidades dos pretos e pretas escravizados no Brasil é um fenômeno que ocorreu ao longo de séculos e que tem consequências até os dias atuais. Durante o período da escravidão, as pessoas pretas eram tratadas como propriedade e tinham seus direitos negados, inclusive o direito à identidade e à sua própria história.

Desde então, a história oficial do Brasil não tem tentado notabilizar a contribuição dos povos pretos na construção do país, o que mais se faz é invisibilizar suas histórias e lutas, como também maximizar aspectos do racismo estrutural na vida dessas pessoas. Esses fatos têm gerado uma série de desigualdades e injustiças que ainda persistem em nossa sociedade. Contar tais histórias é o primeiro antídoto para combater os males do apagamento histórico e cultural dos nossos heróis e heroínas pretas. E, é nesse contexto que a Estácio de Sá vem dar visibilidade aos aspectos sociais, culturais e identitários do nosso povo que em solo brasileiro chegou, nasceu, morreu e espírito de luz se tornou.

De forma poética numa livre adaptação artística, e, também, baseado em lendas e em ricas oralidades, nossas duas mulheres pretas guerreiras serão “chamadas” com seus possíveis nomes de suas terras natais, ainda livres dos horrores que mais tarde as assolariam. As meninas “Kianda e Mwana ya sanza”, Cambinda e Maria Conga. Vale salientar que a escolha dos nomes para as mulheres das regiões do Congo-Angola, com origens por volta do século XVI, não devem ser vistas como algo genérico ou padronizado, mas sim, como algo que faz parte de uma cultura rica e diversa, que deve ser valorizada e respeitada, para os povos de suas regiões, com base na língua Lingala que foi derivada da Bangi, uma língua Banto, que também é uma das Línguas maternas do Congo-Angola, o que justifica a intenção da agremiação.

Assim, tentamos trazer dignidade e visibilidade as histórias do nosso povo através das mulheres aguerridas “Cambinda e Maria Conga”, ainda em suas liberdades, as violações, a trajetória, as lutas, os saberes e suas espiritualidades. Tudo isso, em tempos que ainda existem racismo e intolerância, a agremiação traz, para Avenida Marquês de Sapucaí, e acende na história escrita, cantada e festejada, os ideais de duas mulheres lutadoras e solidarias, que idealizavam igualdade e liberdade para o seu povo em corpo e espirito.

A Estácio de Sá que tem em seu chão de fundação a devoção e o respeito da sabedoria ancestral desde a “Deixa falar”, vem chegando com o seu balancear e afirma que ainda que memoráveis por trajetórias de lutas, do sonho de liberdade e igualdade, a biografia dos afro-brasileiros em muitos aspectos se faz inviabilizada nos registros dos anais brasileiros. Nessa ambiência, “Kianda e Mwana ya sanza”, que tiveram as suas vidas norteadas por tais ideais apesar de todas as adversidades e sofrimentos, terão suas histórias contadas, em verso e prosa, baseada em fatos livremente adaptados. Nesse sentido, as personagens serão alçadas à luz com suas histórias de vidas e espiritualidade com vistas no reconhecimento heroico nesse enredo.

Testemunhas da passagem do tempo, as vovós são a memória viva da raça. O corpo curvado carrega o peso de tanta sabedoria, tanta bondade, tanto sofrimento, tudo misturado. Cada palavra traz um saber imemorial. Que vem lá da África e liga o passado e o presente. Cada palavra traz uma verdade tão profunda que só o coração pode entender. Suas bênçãos e rezas tem o poder de toda a ancestralidade.

Sinopse

Livres como a brisa costeira que acaricia a pele e os ventos das savanas No continente africano, nas regiões de Cabinda e do Congo, os festejos com canto e dança, característicos das aldeias e tribos dessas localidades, acontecem para receberem os nascimentos de duas meninas, “Kianda e Mwana ya sanza”, uma na tribo dos Cabindas, um distrito angolano e outra na tribo congolesa, as duas em área costeira, o que mais tarde selaria seus destinos. Para as mulheres a apreensão para uma boa hora no parto, para os homens é noite de festa.

Povo Cabinda de Angola – O nascimento e a homenagem
Os sábios e sábias da tribo Cabindas preparam o local do parto para chegada da sua menina em uma cabana toda enfeitada com cauris (búzios) para representar a riqueza da época, conchas do mar, contas azuis claras e transparentes para representar os seres místicos marinhos e trazer boa sorte, fartura e fortuna para a recém chegada, que ao nascer recebeu o nome da maior divindade desse místico, “Kianda” um belo ser encantado das águas dos rios e oceanos para que em troca a menina, entregue para homenagem, estivesse sempre protegida conforme as crenças dos costumes local.

Povo da Costa do Congo – O nascimento e a apresentação
É o nascimento da primeira! Na tribo congolesa a primeira filha e princesa da aldeia e cercania, também está de chegada. Festa, canto e dança, com muita fartura, para receber a princesa que nascia sob a luz do luar para o batismo nominal da pequena alteza. Apresentada sob a luz da grande lua cheia que, em um sopro do vento, teve seu nome revelado como reza a lenda dos costumes local. Erguida para ser banhada com a luz da grandiosa lua cheia, teve seu nome falado três vezes em voz alta por seu pai para que não restasse dúvidas: “Mwana ya sanza”, que significa filha da lua, homenagem em referência ao belo luar da sua noite de nascimento. Livres como a brisa costeira e os ventos que cortam os campos e acariciam os rostos felizes dos locais. As Tribos próximas festejam as boas chegadas das suas belas meninas de acordo com seus traços culturais particulares

Festejos nas aldeias: No povo de lá e de cá, cabindas e congoleses
As tribos próximas de região costeira do continente africano, Cabinda de Angola e da Costa do Congo possuem tradições culturais ricas e distintas, e seus festejos são marcados por muita alegria, música, danças e fartura. Entre os Cabindas, o nascimento é um dos eventos mais importantes. Toda a tribo celebra a hora do nascimento ritmado ao som de cantigas ancestrais, decorados com motivos que revele algumas características do nome escolhido com as homenagens ancestrais e espirituais, as riquezas das águas e das florestas sempre estão representadas. Durante a festa, os habitantes se vestem com roupas tradicionais e participam de números de danças marcadas, acompanhadas por músicas tocadas com instrumentos como o tambor. Já entre as tribos da Costa do Congo, a festa é mais importante, que marca a iniciação de um novo ciclo familiar e a continuação da dinastia tribal. Durante a celebração, que pode durar vários dias, dependendo do tempo em que se dará a hora da chegada da recém-nascida, onde é submetida a rituais de chegada que são com base em cantos e danças sobre a história e a cultura de seu povo. Há muita música e dança, com destaque para o som dos tambores que são acompanhadas por instrumentos artesanais. Em ambas as culturas, a comida também é uma parte importante dos festejos. Pratos como as carnes de caças regionais, de peixe da região costeira das aldeias das tribos e os vegetais, são servidos em grandes banquetes, regados a bebidas.

Escravizados em noites sombrias
Durante as noites, para surpreendê-los, sem chances de defesa, em um ataque planejado e brutal, uma nova forma de comércio, coibir a liberdade em diversas regiões do continente africano, a escravização de pessoas de pele preta. Toda alegria de dias e noites fartas e felizes, por volta dos sete anos depois dos nascimentos, termina com a brutalidade dos mercadores de escravos. As aldeias das tribos felizes dos Cabindas e dos Congoleses foram agressivamente aprisionadas em correntes para serem escravizados. A menina “Kianda” de Cabinda junto com seus familiares e pares foram empilhados em condições desumanas, piores que as de outras mercadorias para serem transportados, sem ao menos saberem seus destinos. “Mwana ya sanza” sofreu o mesmo evento que se espalhou por todas as regiões vizinhas. A escravidão foi uma das maiores atrocidades já cometidas na história da humanidade, pessoas foram capturadas e forçadas a trabalhar em condições desumanas, sem direitos ou liberdade. A travessia pelo Atlântico foi um dos momentos mais terríveis e traumáticos da experiência dos escravizados.

A dor e o destino cortam o mar
A maioria dos escravizados das referidas aldeias tribais foram transportados em navios apinhados e insalubres, onde foram obrigados a permanecer acorrentados por meses a fio. As condições eram extremamente precárias, com pouca ventilação e nenhuma higiene, o que levava a doenças e mortes em massa. “Kianda e Mwana ya sanza” vivenciaram todo o horror nos porões com outras crianças que tinham na doçura do matriarcado, sendo mães biológicas ou não, a única representação de afeto enclausuradas em meio aos horrores causados pelas doenças, a fome e as mortes na travessia do atlântico. As crianças ganhavam as abayomis, um tipo de boneca feita com retalhos das barras das saias com nós, sem costuras, para distração e porque as mulheres e mães acreditavam que trariam proteção, sorte e alegria para suas meninas, com a chegada ao destino final, os escravizados eram vendidos em leilões como mercadorias e forçados a trabalhar em plantações e outros locais com exploração e violência.

O Destino, o apagamento cultural e o novo batismo
Em terras brasileiras, em navios distintos, por volta de 1804, no Porto de Salvador – Bahia, o destino das pequenas meninas, a primeira filha agora órfã, pois, seus pais morreram na travessia por fome e doença, e a princesa da aldeia congolesa separada de seus pais ao chegar no Brasil, mudariam novamente. Vendida para seus senhores que as rebatizou, “Kianda” agora se chamaria Cambinda, por ser da região de Cabinda e é levada para uma fazenda de cana de açúcar no nordeste brasileiro. A menina “Mwana ya sanza” foi renomeada como Maria da Conceição, e foi levada inicialmente para uma fazenda de cana e café e depois vendida a um fazendeiro alemão, dono de uma fazenda de farinha. Seus nomes, culturas e histórias são completamente negadas e, agressivamente, apagados por seus novos proprietários.

Plantaram suas sementes e tem até hoje suas histórias mantidas pela oralidade
Rebatizadas e rebatizados, submetidas e submetidos aos opressores que as fariam esquecer seus nomes para sempre, até mesmo oprimirem suas representações de cultura e fé, em meio as fortes vigilâncias ao trabalho exaustivo e mortal e aos castigos, os escravizados e as escravizadas criavam suas estratégias contra a proibição do cultivo de suas culturas e religiosidades. Plantaram suas sementes e, mesmo num solo adverso, puderam florir entre dores e lágrimas. E tem até hoje suas histórias mantidas pela oralidade.

Os griôs relatam que ao chegarem por aqui, a magia africana se infiltrou na terra brasileira, criando raízes profundas carregadas de fé, cultura e arte mostrando o poder do renascimento e da transformação. Usavam as representações culturais e religiosas dos seus violentadores e perseguidores (senhores brancos) para infiltrarem as suas próprias manifestações culturais, religiosas e, também, sua culinária natal. Doutores em suas oralidades, contam os griôs, que os escravizados geralmente viviam em senzalas, que eram grandes construções de madeira que abrigavam muitos escravizados em condições precárias. Era a partir dali que as estratégias eram traçadas e surgiram manifestações culturais hibridizadas com as dos brancos para que pudessem ser manifestadas ou praticadas sem os castigos habituais. Os velhos sábios contam em detalhes minuciosos, típicos de suas falas carregadas de saberes das vivencias e dos fazeres, que o Caxambu e o Jongo foram manifestações culturais dos pretos e pretas iniciadas nas senzalas. As duas representações podem se confundirem em algumas regiões do país, porém distintas em algumas regiões. De modo que no Caxambu um cantador fazia um canto de louvação aos antepassados enquanto uma roda de escravizados se move em passos leves e ritmados, em sentido anti-horário. Diz o afro-brasileiro que era ambiente sério e ritualístico, mas se modificava quando alguém lançava um canto desafiante e todos o repetiam. A cantoria seguia noite adentro, com diferentes vozes que se alternava em novos cantos decifrados.

A coreografia começava em roda, mas, partia para desafios de bailado no centro da senzala, entre um homem e uma mulher, mostrando-se um ao outro por meio de requebros corporais ágeis e leves. Com a mesma destreza oral, descreve as articulações para manterem suas origens culturais vivas. O Jongo também foi uma estratégica dança trazida pelos escravizados africanos bantos do Congo-Angola para o Brasil, conta o velho, que se manteve presente entre aqueles que trabalhavam nas lavouras de café e cana-de-açúcar. Os escravizados dançavam Jongo nos dias dos santos católicos, em uma linguagem cifrada, onde protestavam contra a escravidão, zombavam dos patrões, combinavam festas de tambor e fugas. A dança é uma homenagem aos ancestrais, aos pretos-velhos escravos, que remete ao povo do cativeiro.

Dentre as danças e as manifestações veladas, da Capoeira dos escravos que fugiam, correndo pela mata rasteira, surgiu a arte da resistência dos primeiros capoeiristas que com destreza e astúcia enfrentavam a repressão. No período colonial, pretos espertos e sagazes disfarçavam sua arte, com mímicas, danças e cantos, lutando pela sua liberdade, contra os seus algozes. Relata que foi proibida por tanto tempo, mas a Capoeira resistiu até se tornar um dos símbolos da identidade brasileira, a roda de capoeira ecoa o som e a dança em contato direto com as nossas terras.

O Batuque de Umbigada, seguindo em relatos dos sábios oradores, foi uma dança originária, também, da África, trazida ao Brasil por nossos ancestrais. Essa manifestação cultural foi preservada e transmitida por gerações de escravizados. A dança foi uma forma de celebrar a fertilidade, e, consistia em duas filas de dançadores, homens e mulheres, que se encostavam pelos umbigos como parte da coreografia. Os instrumentos que eram utilizados incluíam bambus, quinjengues, matracas e guaiás, sendo que todos os instrumentos que levavam couro eram afinados em uma fogueira para tornar o ritual mais característico em um horário avançado na madrugada para não serem impedidos.

Ainda em relatos, o movimento da Umbigada tinha como origem as danças e cerimoniais de fertilidade da região Congo-Angolana, para celebrar o momento em que dois corpos se tocam, agradecendo ao dom da concepção em uma ação rápida e mágica materializada através da dança. Dentro das relações ricas e floreadas pelo velho orador, a culinária afro-brasileira originada pelos escravizados na busca dos sabores próximos das lembranças de suas terras natais, que tiveram que recriar seus pratos com ingredientes locais. E, também incorporaram receitas dos índios e dos portugueses, criando pratos típicos variados, como a feijoada entre tantos mais. Além da necessidade diária, a cozinha africana está ligada à religião e é reproduzida nas casas de candomblé e umbanda. O acarajé, como tantos outros, é um exemplo de quitute que saiu dos terreiros e se tornou uma das identidades culinárias da Bahia e do Brasil conforme os ricos relatos dos nossos griôs afro-brasileiros.

Os dons das curas naturais também compõem fortes relatos, a exemplos de Cambinda e Maria que tinham os dons da cura pelas plantas e ervas para cuidar dos males de seu povo, causados pelos castigos dos seus senhores, do esforço excessivo do trabalho, da fome, do corpo e da alma. Além do trabalho pesado, os escravizados também eram submetidos a punições severas, como açoitamentos, tortura e até mesmo a morte. Eles não tinham direitos ou liberdade, sendo considerados propriedade dos donos das fazendas.

Além dos cuidados com as ervas e rezas, nas histórias relatadas, Cambinda se valia de sua posição, por estar dentro da fazenda, para levar mais um pouco de comida para seus pares na senzala e também algumas informações importantes para os melhores momentos de fugas. Castigada quando descoberta, mas, mesmo assim, não parava de ajudar a todos como podia. Cambinda morreu escravizada após seus 90 anos. Maria, sempre se rebelando, com discursos para todos durante as noites, nas senzalas, ganhou sua liberdade após anos de trabalho escravo e tentativas de fugas. Acabou por convencer seu senhor que a libertou. Livre, então, ela exigia ser chamada de Maria Conga, fundou o Quilombo. A guerreira, líder, passou a maior parte da vida com suas atuações no leste metropolitano que inclui, possivelmente, Tanguá e entorno, e, nas matas de Magé́/Guapimirim, onde morreu no final do século XIX, já idosa.

Orum, o reino das almas
A finitude é um recomeço, é nessa passagem, divisão entre corpo e espírito, que os espíritos bondosos e evoluídos são guiados por outros espíritos de luz ao seu plano astral evolutivo. Recebidas e consagradas por Oxalá, coroadas por Zambi, as missões com seu povo continuam no mundo espiritual, agora, como entidades anciãs que carregam a sabedoria para os cuidados do corpo e da alma e, principalmente, a sabedoria passada pela oralidade para seus seguidores.

A Estácio de Sá que tem em seu chão de fundação a devoção o respeito a oralidade da sabedoria ancestral desde a “Deixa falar”, nesse sentido, exalta a cultura afro-brasileira e as personagens serão alçadas à luz com suas histórias de vidas e espiritualidades com vistas no reconhecimento heroico nesse enredo. Sendo elas, testemunhas da passagem do tempo, as vovós deixam a memória da raça viva. O corpo curvado carrega o peso de tanta sabedoria, tanta bondade, tanto sofrimento, tudo misturado. Cada palavra traz um saber imemorial. Que vem lá da África e liga o passado e o presente. Cada palavra traz uma verdade tão profunda que só o coração pode entender. Seus cuidados, bênçãos e rezas tem o poder de toda a ancestralidade.

Venha! Vamos ouvir a história que Cambinda tem pra contar.
Vem ouvir o que Maria Conga vai dizer.
Vem! As pretas velhas não mentem!
Salve as almas! Adorei as almas!
Autores e autora:
Doutorando Marcus Paulo, Mauro Leite e Doutora Cristina da Conceição Silva

Amor ao samba-enredo! Festival em São Paulo uniu Neguinho, Quinho e Pitty no coração da cidade paulistana

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A noite da última quinta-feira foi mágica em São Paulo. Os paulistanos receberam três intérpretes especiais do carnaval do Rio de Janeiro. Dois que carregam uma bagagem gigantesca de desfiles históricos e um que vem do título da Imperatriz no Carnaval 2023. O resultado deste encontro, promovido pelo grupo Doentes da Sapucaí, no Pratafaria Bar, foi inesquecível, tanto para Neguinho da Beija-Flor, Quinho e Pitty de Menezes, quanto para os organizadores e o público que particpou ativamente. O site CARNAVALESCO esteve presente e conversou com os cantores.

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Fotos: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

“Essa homenagem não tem preço. O Quinho está superando um problema de saúde e merecia essa homenagem. É uma felicidade enorme. Valeu a pena esses 50 anos de sammba. Momentos como esse são a recompensa que precisamos. Agradeço todo o carinho comigo”, afirmou Neguinho.

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“É uma honra ser homenageado pelos Doentes da Sapucaí. Eles são uma família. Hoje, nós tivemos a lenda que é o Neguinho e esse jovem talentoso que é o o Pitty. Estou muito feliz de ser lembrado”, comentou Quinho.

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Campeão pela Imperatriz em 2023, Pitty de Menezes celebro o encontro. “É um momento maravilhoso. Já conhecia os Doentes da Sapucaí. Estou com Neguinho e Quinho. É uma grande honra. Como sempre falo, a cada dia venho realizando sonhos”.

Um dos fundadores do Grupo Doentes da Sapucaí, Rogério Portos, falou do projeto de Festival de Samba-Enredo. “Ele visa trazer a cultura do samba-enredo. Resgatar essa cultura. Tudo que a gente promove é trazer novos apaixonados e resgatar. A ideia é acontecer todo mês aqui em São Paulo”, explicou.

“Sou um amante do samba. Tem um grupo de samba há mais de 15 anos. Tive hoje a honra de ver Neguinho, Quinho e Pitty fazerem uma noite maravilhosa. Alegria imensurável. O samba-enredo vive o ano inteiro. Ele está na nossa alma. É lindo esse evento dos Doentes da Sapucaí”, completou Rodrigo Soares, do Pratafaria Bar.

Deputada propõe que Paulo da Portela entre no Livro dos Heróis da Pátria

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A Deputada Federal Talíria Petrone (PSOL) protocolou o projeto de lei 2533/2023, para que Paulo da Portela, um dos fundadores da Majestade do Samba, seja inserido no Livro dos Heróis da Pátria, que se encontra no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília, Distrito Federal.

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Foto: Divulgação

A justificativa pelo pedido de inclusão se deve a tamanha importância de Paulo da Portela para a cultura do Rio de Janeiro. Ele lutou para dar destaque ao samba e à cultura negra periférica.

“Paulo Benjamin de Oliveira foi um grande compositor e um líder da maior importância para sua comunidade e para as comunidades afrodescendentes do Rio de Janeiro. Um dos maiores defensores e divulgadores de uma manifestação cultural que é reconhecida mundo afora como a arte essencialmente brasileira, proporcionando cultura, lazer, emprego, renda, vivência comunitária e reconhecimento para milhões de pessoas até hoje. Paulo da Portela foi um lutador do samba, da cultura e do povo pobre e preto deste país. Um herói da pátria”, traz um trecho do documento protocolado na Câmara dos Deputados, no último dia 09.

Unidos de Padre Miguel define calendário de disputa de samba

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A Unidos de Padre Miguel divulgou nesta quinta-feira, 18 de maio, o cronograma de ações para o seu projeto de Carnaval 2024, quando levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “O Redentor do Sertão”. Apoiado na figura de Padre Cícero, o enredo que está sendo desenvolvido pelos Carnavalescos Edson Pereira e Lucas Milato é um convite a viajar no imaginário místico popular do povo sertanejo. Causos fantásticos, visões e milagres fazem parte da história do Padim, que configura, para seus devotos, uma representação divina.

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Foto: Nelson Malfacini/site CARNAVALESCO

Seguindo o calendário montado pela agremiação, a leitura da sinopse, acontecerá no sábado, dia 27 de maio. A direção do Boi Vermelho convida compositores, representantes dos segmentos, coordenadores e toda imprensa para o encontro às 14h, na quadra do Boi Vermelho, localizada na Rua Mesquita, 08, em Padre Miguel. Vale lembrar que a disputa de samba da UPM é aberta.

Ainda de acordo com o calendário da escola, a entrega dos sambas acontecerá no dia 29 de julho e a apresentação dos sambas concorrentes será realizada durante feijoada da escola, no dia 06 de agosto. A grande final de samba da Unidos está prevista para o dia 08 de setembro.

Confira o calendário:

MAIO
27/05 – Sábado – Leitura da Sinopse 2024 – às 14h, na quadra

JUNHO
03/06 – Sábado – 1º tira-dúvidas – das 15h às 17h, na quadra
10/06 – Sábado – 2º tira-dúvidas – das 15h às 17h, na quadra
17/06 – Sábado – 3º tira-dúvidas – das 15h às 17h, na quadra
24/06 – Sábado – 4º tira-dúvidas – das 15h às 17h, na quadra

JULHO
29/07 – Sábado – Entrega dos sambas, das 16h às 19h, na quadra

AGOSTO
06/08 – Domingo – Feijoada de apresentação sambas, às 13h, na quadra
11/08 – Sexta-feira – 1ª eliminatória sambas, a partir das 22h, na quadra

SETEMBRO
01/09 – Sexta-feira – Semifinal de samba, a partir das 22h, na quadra
08/09 – Sexta-feira – FINAL de samba, a partir das 22h, na quadra

Superliga com novo presidente, data do sorteio da ordem dos desfiles e com escolas da Livres filiadas

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Em plenária realizada na última quinta-feira, a Superliga Carnavalesca do Brasil apresentou sua nova diretoria para o carnaval 2024. Pedro Silva assume a presidência da entidade que comandará os desfiles das Séries Prata, Bronze e Avaliação. Pedro substitui Clayton Ferreira, que se ausentou do comando da liga ao assumir o cargo de Secretário Executivo da Frente Parlamentar do Carnaval. O sorteio para os desfiles do carnaval de 2024 acontecerão nos dias 17 e 24 de junho, com as Séries Prata e Bronze, respectivamente. Como o site CARNAVALESCO adiantou escolas da Livres estão se filiando na Superliga. Tradição e Vizinha Faladeira vão desfilar na Série Prata e Siri de Ramos na Série Bronze. Ainda não há formalização das outras agremiações.

nova superliga
Flávio França (vice-presidente financeiro), Pedro Silva (novo presidente) e Clayton Ferreira, ex-presidente que assume o cargo de Secretário Executivo da Frente Parlamentar do Carnaval. Foto: Divulgação

Pedro é profissional da área de marketing e possui uma vasta experiência no carnaval. Iniciou no mundo do samba tendo seus ensinamentos com a Vai-vai. Atuou na gestão comercial da Liga RJ, aliada a bagagem adquirida no carnaval de São Paulo, através da função de Captador de Recursos e Diretor de Marketing da Uesp. Além de Pedro Silva, a nova diretoria será composta por Flávio França, como vice-presidente financeiro.

“Quero deixar claro que meu objetivo como Presidente desta instituição é dar continuidade ao grande trabalho do Clayton Ferreira e trabalhar para garantir a inclusão, transparência e equidade, com um olhar voltado para o futuro, preservando as raízes, as tradições, o passado e o presente glorioso do carnaval da Intendente Magalhães, o carnaval do povo, um dos maiores símbolos culturais do nosso país”, revelou o novo presidente.

Chapa de Sidnei Carriuolo e Renato Remondini é reeleita na presidência da Liga-SP

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A chapa composta por Sidnei Carriuolo e Renato Remondini foi aprovada em assembleia geral com representantes das 33 agremiações filiadas.

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Para o biênio 2023/2025, a diretoria executiva da Liga-SP será composta por Sidnei Carriuolo e Renato Remondini, presidente e vice-presidente da entidade, respectivamente.

A chapa foi eleita nesta quinta-feira (18), na sede da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo. A assembleia geral extraordinária contou com a presença de representantes das 33 agremiações filiadas, que aprovaram a renovação da diretoria para os próximos dois anos.

Presidente da Liga-SP abre o jogo sobre mudanças no regulamento: ‘Tentando desengessar o julgamento’

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Tema de acaloradas discussões no universo do carnaval paulistano, os critérios de julgamento nos desfiles de escolas de samba serão revistos para o ano de 2024. A informação, já de conhecimento público, traz outra pergunta: como estão as tratativas para o novo texto-base para os desfiles na próxima temporada? Em entrevista exclusiva, Sidnei Carrioulo, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, trouxe novidades a respeito.

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Foto: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

No dia 13 de maio, quando a Águia de Ouro, escola que também é presidida por ele, completou 47 anos, o mandatário da entidade que organiza o carnaval paulistano e da azul e branca da Pompeia descreveu quais são os principais pontos que estão sendo revistos por uma espécie de conselho de notáveis da folia paulistana.

Carrioulo fez questão de destacar que as reuniões já estão se encerrando: “Na verdade, a gente está tentando, aos poucos, desengessar o julgamento. Às vezes, se algo especial seja feito em um quesito, o jurado vai ter mais liberdade para fazer um julgamento mais completo, dentro de um conjunto mais completo. Já estamos no sexto quesito”, pontuou o dirigente, destacando, também, o principal ponto a ser corrigido, na visão de muitos.
O presidente fez questão de frisar que tudo será comunicado quando todos os pontos estiverem definidos. “Assim que fecharmos, certamente comunicaremos a imprensa. Estamos ouvindo cada setor, fazendo reuniões com carnavalescos e pessoas interessadas e que conhecem aquele quesito, para que possamos chegar o mais perto possível de um julgamento ideal. Também estamos ouvindo sugestões. Nada está fechado”, afirmou, cravando que o diálogo busca ser flexível e democrático.

Clamor popular e autocrítica

Perguntado se as conversações são fruto do anseio de quem acompanha o carnaval paulistano, Carrioulo foi sincero. O dirigente também aproveitou para, praticamente, se colocar no lugar dos jurados. “É algo que está sendo cobrado por todo mundo. Temos que parar e pensar quando tem muita gente pedindo alguma coisa. Realmente entendemos que precisávamos dar um pouco mais de liberdade de julgamento para o jurado. A gente cobra, mas a gente não dá ferramentas para que ele possa fazer um julgamento mais à vontade”, desabafou.

Impacto das mudanças

Sem entrar em detalhes mais técnicos de cada uma das alterações já previstas, o presidente aproveitou para falar que apenas após após desfiles de 2024 será possível fazer uma avaliação mais completa de tudo que está sendo discutido e será proposto para os desfiles do ano que vem. “Essa avaliação nós vamos ter que fazer no pós-carnaval, para ver o quanto melhorou ou não. Nada tem que ser engessado, nada tem que ser para sempre. Estamos sempre fazendo mudanças até tentar chegar o mais próximo do que é a realidade do nosso carnaval”, finalizou Carrioulo.

Conheça o enredo da Tom Maior para o Carnaval 2024

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A Tom Maior anunciou na noite desta quarta-feira, na Fábrica do Samba, o enredo para o Carnaval 2024. A escola levará para o Anhembi o “Aysú – uma história de amor”, que será desenvolvido pelo carnavalesco Flávio Campello, com a contribuição de Bruno Freitas, Erick Nakanome e Felipe Diniz.

enredo tom2024

O enredo é uma releitura indígena da história de Orfeu. O logo oficial será divulgado na festa dos 50 anos da escola. Veja abaixo o texto que a escola publicou nas redes sociais para divulgar o enredo.

“Em uma fantástica viagem, daquelas que só o carnaval pode nos proporcionar, chamaremos Orfeu para sambar. Só que nessa terra tupiniquim um cocar ele vai usar. Retiraremos sua lira, lhe entregaremos uma flauta e nome melhor para ele vamos dar: Abaeté. É assim que vamos lhe chamar… Eurídice, aqui no Pindorama, virará Anahí e será a mais bela Cunhã-Poranga desse lugar e essa história de amor vamos carnavalizar. Já esse lindo sentimento, nesse delírio, vai ter nome de Aysú.

Adentraremos nossas matas e nesse desbravamento cultural magias e encantos não irão faltar. Se a moral do mito é não olhar para trás, um novo final não poderemos contar, mas temos certeza dessa jornada lhe fazer apaixonar.

flavio campello

Pedimos licença aos povos originários para embarcarmos nos encantos da floresta e pela primeira vez na nossa história irmos para a avenida integralmente munidos pela cultura dos verdadeiros donos desse lugar…

Em 2024, nós da Tom Maior, vamos amar!”

Presidente da Liesa demonstra preocupação com atraso na divulgação do enredo da Mocidade para o Carnaval 2024

Em um ofício assinado por Jorge Perlingeiro, o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), demonstra estar preocupado com o atraso na divulgação do enredo da Mocidade para o Carnaval 2024. A escola é a única que ainda não divulgou o tema para o desfile de 2024, já que está impedida judicialmente.

A verde e branco está envolvida em uma disputa judicial que envolve a eleição presencial, que estava marcada para 29 de abril e foi suspensa pela Justiça.

“Entendemos que se a Mocidade não escolher seu enredo dentro dos próximos dias, serão criadas enormes dificuldades para os compositores fazerem os sambas de enredo que participarão da disputa da escola, de acordo com a sinopse a ser apresentada pelos artistas da Mocidade. É preciso, também, tempo hábil para o desenvolvimento da parte artística: desenhos, projetos e a consequente confecção de alegorias e fantasias”, informa trecho do documento.

Veja o documento completo:

doc mocidade

 

No casamento perfeito com o Tuiuti, Jack Vasconcelos diz que enredo para o Carnaval 2024 é a sua cara

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De volta ao Paraíso do Tuiuti, o carnavalesco Jack Vasconcelos prepara o enredo “Glória ao Almirante Negro”, que aborda a vida de João Candido. Ele prometeu muita dedicação em um tema que diz ser a sua cara. O artista pontou alguns aspectos sobre o enredo e falou da emoção em voltar para escola. * LEIA AQUI A SINOPSE

jack tuiuti
Jack Vasconcelos com o presidente do Tuiuti na apresentação na escola

O que representa para você essa volta ao Tuiuti?

“Eu estou muito feliz voltar para uma escola que é muito importante para minha história tanto pessoal quanto profissional. Uma casa que fui muito feliz, onde eu cresci e me ensinou muito. Eu sempre falei para as pessoas que carreguei para onde fui um pedaço da Tuiuti no meu coração, é muito significativo para mim está de volta ainda mais com este enredo”.

Podemos cravar que é o casamento perfeito Jack e Tuiuti?

“Estamos casando de novo né (risos). A gente gosta de casar e quem se ama nunca se separa, a gente se gosta muito isso é bom”.

O presidente disse que indicou esse enredo e o que você achou quando começou a pesquisa?

“Eu achei esse enredo minha cara, que era uma grande oportunidade de mais uma pesquisa bacana uma coisa que eu gosto de fazer um tema que fico a vontade e sei que o trabalho rende. É sempre um prazer e uma responsabilidade abordar e trazer para o conhecimento das pessoas esses personagens históricos importantíssimos para história do Brasil e que deveriam sempre ser comentados na boca do povo, para mim é um oportunidade uma honra”.

tuiuti enredo2024

O que pensa quando houve na internet que os enredos estão muito acadêmicos?

“Eu não o que isso quer dizer, porque todo enredo precisa de embasamento e pesquisa, até mesmo pela estrutura de julgamento que a gente tem hoje exige de nós que embasamos nossas ideias, mesmo que seja um enredo mais poético, uma coisa mais fantasiosa sempre se pede da onde você tirou isso e ‘tal’. Acho que sempre precisa se embasar e é uma oportunidade para gente botar no papel e servir de pesquisa que vai ficar. Colocamos todas referências bibliográficas, a gente traz outros autores, historiadores que estejam naquele documento para quem se interessar pelo tema ir mais a fundo. Estamos produzindo cultura. Por isso, não sei o que quer dizer enredo acadêmico”.

O Tuiuti vem acertando no samba-enredo qual é o pulo do gato na hora de explicar o enredo aos compositores?

“Você precisa ser mais claro possível do que é necessário que se cante. É claro que os compositores vão ter muitas dúvidas com os temas, porque ninguém é obrigado a saber de tudo, e a gente tem que estar disponível para sanar as dúvidas. O diálogo tem que ser muito límpido. O artista que vai conversar com eles, precisa muito saber o que ele quer para gente ser uma luz e não mais um agente comunicador”.