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Confira a sinopse da Grande Rio para o Carnaval 2024

Antes de tudo:

Incontáveis são as histórias que narram a origem do mundo. Criação, destruição, recriação – eterno retorno. Aqui, falaremos do “eterno devir”. Imortalidade e futuro! Nos rastros, pelas trilhas de Alberto Mussa, o mito Tupinambá restaurado é um mosaico de cosmovisões de nações indígenas que habitavam (e habitam) o Brasil há milhares de anos. O próprio autor afirma, no início de “Meu destino é ser onça”:

enredo granderio2024

“Há pelo menos 11 mil anos – data bem antiga para a América do Sul – a Amazônia brasileira passou a ter ocupação humana. (…) Há muitos indícios de que os povos da floresta influenciaram profundamente a vida de outras populações ameríndias, estendendo sua penetração intelectual até os Andes, antes que surgissem as ‘evoluídas’ civilizações andinas. Numa época ainda muito difícil de identificar, por razões ainda também ignoradas, um desses povos abandonou sua região nativa para iniciar um dos maiores processos migratórios das Américas. Falo dos tupi-guarani. (…) Não é difícil imaginar que tomaram o sentido norte-sul, em direção às bacias do Paraguai e do Paraná, alcançando mais tarde o litoral sul do Brasil, para voltar a se expandir no sentido sul-norte, até o Ceará – sempre fugindo do cerrado e preferindo as matas mais fechadas.”

Ocupando posição central nas narrativas míticas dos povos tão complexos que desenharam os contornos do litoral do Brasil e se conectavam tanto ao coração da Amazônia quanto às demais sociedades ameríndias do que hoje se entende por latinoamérica, eis o signo deste enredo: a onça. Metáfora viva dos rituais antropofágicos, é a onça uma chave para que sejam pensadas as disputas identitárias brasileiras e a nossa eterna capacidade de devorar para recriar – e renascer, rebrotar, revidar, deglutir. Insurgência e potência! Mais do que o animal em si, o bicho, a ideia de “devoração” – jaguara. O ser divino, sagrado, que ergueu reinos, em nosso imaginário. Bordou de força e bravura as narrativas de matriz oral dos povos originários, as lendas costuradas em folguedos e canções, os cordéis do motor Armorial, o próprio carnaval do Rio de Janeiro, em algumas de suas melhores apresentações. Hoje, expressa as lutas de muitas gentes – e, com os dentes e as garras à mostra, há de expressar, também, a vitória da Grande Rio!

Ao final da narração do mito, Beto Mussa entoa:

“Quando, no fim das chuvas, aparece uma estrela muito vermelha, chamada Jaguar, é Sumé transformado em onça (…). E os homens batem no chão com seus cajados e, para assustar a onça, gritam eicobé xeramói! eicobé xeramói güé! – “viva, meu avô.”

E Jaci, então, se regenera – porque é um grande caraíba.

Os covardes choram, porque sabem que se o mundo acabar a angüera deles será devorada por anhanga.

Mas nós, que somos fortes, não tememos.”

Que venha um samba valente, de teor lendário, com força e encantamento, voz aguerrida – devo(ra)ção que se faz folia, nossa eterna brincadeira!

Texto explicativo do enredo (“sinopse”):

NOSSO DESTINO É SER ONÇA

Tu me convoca e eu venho em todas as pelagens, venho na pelagem de estrela, Suaçurana, eu venho. Venho na pelagem de onça-pintada, na pelagem de onça-branca, na pelagem de onça-parda, na pelagem de onça-preta. Venho, Jaguaretê, eu venho. Acanjaruna, eu venho. Ianovare, eu venho. Jaguapinima, eu venho. Ñanguarichã, eu venho. Nigucié-do-senjo, eu venho. Pacová-Sororoca, eu venho. Mingoê-do-sengue, eu venho. Jagoareté-apiaba, eu venho. Onça Tigre, eu venho. Canguçuzinho-do-campo, eu venho. Maracajá, eu venho. Jagoacucu, eu venho. Jaguatyrica, eu venho. Jaguapitangussu, eu venho. Iaguar, iauaretê, eu venho. Tipai uu, eu venho.

Venho e te dou o que é teu por direito, tua roupa de onça.

Micheliny Verunschk – “O som do rugido da onça”

1. O primeiro rugido do mundo

Rugem, enfim, os tambores!

Assim contou o valente tupinambá: no princípio, a escuridão pintava os talvezes – asas de morcegos ancestrais, sombras de corujas primitivas. Caos. Quem reinava, envolto em mistério, era o Velho, aquele que segurava um cajado e caminhava, solitário, sobre o céu. Sábio. Bebeu o néctar no bico de um colibri. O Velho criou os homens e era adorado por eles, mas aos poucos percebeu a terrível ingratidão: desiludido com a própria criação, destruiu o que havia esboçado em uma chuva devastadora de fogo. Para apagar o fogo, criou o trovão, Tupã, que orquestrou um aguaceiro. Depois do fogo e da água, o mundo adquiriu cicatrizes – mares, grotas, cordilheiras. Nesse tempo, onde tudo era noite, a humanidade renasceu. Povoando a terra-sem-mal, os descendentes da primeira mulher e do único sobrevivente do dilúvio, o primeiro dos sábios pajés, cresceram e se multiplicaram. E aprenderam com Maíra a dominar o fogo – herói civilizador. E aprenderam com a vida a respeitar a onça: espírito maior, sonho e constelonções.

2. A terceira humanidade

Mas não há criação sem conflito e toda saga tem sua disputa: o avesso de Maíra, Sumé, detinha muitos poderes – entre eles, o de se transformar em onça. Um não existia sem o outro. Os filhos de ambos correram matas, enfrentando assombrações! Poxi, parente de Maíra, foi morar no céu e virou Cuaraci, senhor do cocar de fogo – a origem do Sol, que iluminou as trevas. Jaci, um dos filhos do enigmático Andejo, virou a Lua, depois de derrotar uma aldeia de jaguares, parentes de Sumé. Maíra e Sumé, opostos complementares, são os pais do trabalho e da guerra. Um novo dilúvio consumiu o mundo, postas as desavenças. Brotou, então, a terceira humanidade! Maíra, transmutado em curumim, reensinou o homem a cultivar o solo – da luta diária pela comida. Sumé, destemido caraíba, saltou oceanos e sangrou o firmamento, misturando-se ao Sete-Estrelo. Ruge, voraz, no céu, perseguindo eternamente a Lua, a fim de vingar seus parentes. Por isso é preciso comer o inimigo: devorar é tornar-se outro. Vingonça. Vingar é sobreviver. Incisões no couro terrestre. Devorar é seguir adiante.

3. As visões dos homens-onças

Fumaça e cuias sagradas, xuatês e maracás. Visões trançadas em palhas ou incrustadas de jade. Os rios, veias deste imenso corpo, levam e tragam memórias. Tudo, enfim, religado – bocas de onças-carrancas, navegando… gargantas! Nas brasas do xamanismo, o jaguar era cultuado em altares e cachimbos. Incas, maias e astecas ergueram templos ao seu louvor, coração-caverna, girar celeste. Pelos vales espoliados, os povos originários perpetuavam narrativas de onças e homens em transe: a ganância e a ignorância do invasor não conseguiam traduzir o que ensinavam os pajés. Tentativa em vão, o apagar das pegadas. Os ritos permanecem vivos nos cantos e mitos dos povos Araweté, Asurini, Kamayurá, Parakanã, Wari’, Guajajara, Juruna, Xipaia, Mawé, Bororo, Apinajé, Kayapó, Ofayé, Pankararu, Baniwa, Apalai, Yawalapiti, Pataxó, Arara, Bacaeri, Tukano, Guarani Kaiowá, entre outros, tantos, bravos!, cada um com a sua cosmovisão e os seus pensamentos mágicos. Urucum e jenipapo. “Onça sabe quem mecê é”: no Brasil, terra indígena, bulha é pintura e máscara. Onça Grande é mãe e pai.

4. Pintas, pontos e ponteios: reinados

O tempo que pinta as pedras retorce os mitos em causos, tramas a pé celebradas, vivas feito cachoeiras. Onças se fazem memórias e viram histórias sortidas, cordelista e pescador, atravessando tudo, na gira, no cruzo, palavra (en)cantada: ponto de caboclo, ponta de flecha, ponta de dente, ponteio caipira. Encantarias! Tudo se funde e confunde nas troças do versador. Vem onça-maneta, onça-cabocla, onça-da-mão-torta, onça-pé-de-boi, onça-de-bode, onça-borges, onça-mijadeira. Onceiro vira onça e se apaixona, na sanha rosiana do sertão. O escudo do manto do Rapaz-do-Cavalo-Branco! Caetana, Castanha, Onça-Loba que amamentou o herdeiro do trono do Sol, o Quinto Império da Pedra do Reino. Onças aladas, colares de cobra coral. Não as onças sacrificadas dos romances de cavaleiros, mas onças que rasgam o peito dos ditos assinalados. O Circo da Onça Malhada, na rua: onça que ensina e cura, transfigura, onças que somos nós!

5. O nosso destino é ser onça

Quem não brincou de onça-pintada, ao som e ao sabor das toadas? Quem não foi tupinicopolitano, naquele amanhecer rugindo? E quem não se deixou morder pela prosa dentada, indócil, duma Rosa antropofágica? A folia é antena e recado e fareja o que está na trilha. Os destemores, as alegrias. Reantropofagias. Bafio de fera! Hoje, artistas recriam a Terra e fazem da onça o estandarte. Lambe, demarcação: símbolo do que virá, para devorar as ignorâncias. Vencendo demandas! Recontando a história, bafejando saberes. Onças-entidades que arranham as lisuras do presente. Contra a colonialidade que aprisiona, na jugular do atraso. Em defesa dum futuro ancestral, múltiplo e diverso. Pajé-Onça que hackeia, brabo, a história da arte: denuncia o roubo e celebra a liberdade! Para que a floresta brote do asfalto e do vidro e aço e ferro e fuligem – as novas incisões, Felinas. Para que o “ser selvagem” seja redesenhado, no samba que acende a alma. Onças travestis guerreiras, panteronas, onças que redefinem os mantos tupinambás, onças que devoram a morte e fulguram feito estrelas. Onças da diferonça! Nos seixos da eternidade.

Eclipse!
Batemos os cajados no solo para adiar o fim do mundo. (R)Evolução.
Enquanto ela, a Onça, não comer a Lua.

Abrindo os caminhos
sem medo do tombo.
Nasci do encontro de luta
entre a aldeia e o quilombo.

Oxóssi Karajá – “Sete Flechas”

Narrativa em devoração e desdobramento de “Meu destino é ser onça”, de Alberto Mussa
Enredo, pesquisa e texto: Gabriel Haddad e Leonardo Bora – carnavalescos

Referências bibliográficas:
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KRENAK, Ailton. Futuro Ancestral. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.
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VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Araweté: os deuses canibais. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1986.
VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Metafísicas canibais. São Paulo: Cosac Naify, 2015.
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Bruno Chateaubriand, comentarista da Band, diz que apenas escolas podem decidir sobre julgamento e explica que prefeito Paes precisa reavaliar decisão sobre o Acesso

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Comentarista da Série Ouro no Carnaval 2023, pela TV Band, Bruno Chateaubriand, gravou um vídeo nesta quinta-feira e abordou a decisão do prefeito Eduardo Paes da Prefeitura do Rio assumir o julgamento da Série Ouro e da Superliga. Em seu comentário, Bruno Chateaubriand apresentou a explicação que apenas o quadro associativo das Ligas pode em votação decidir sobre mudanças no comando do julgamento.

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Foto: Divulgação/Band

“Tem questão delicada. As escolas estão dentro de uma liga, uma associação. Para modificação de qualquer regimento é preciso de voto em uma assembléia e os associados aprovem a decisão. As escolas de samba são as únicas com competência para essa decisão. Eu diria ao nosso prefeito que ele precisa reavaliar. Ele está abrindo um precente muito sério e entrando em uma instituição privada. Os repasses da prefeitura não dão o direito de determinar o julgamento. Existe o Estatudo. As associações possuem o direito e dever de criarem os métodos. Na questão básica do carnaval, temos métodos muito específicios de um grupo para outro. O prefeito está isolando uma questão que não é feita dessa forma. Ele fez um comunicado em uma rede social, sei do engajamento e da presença dele no carnaval, mas acho que ele tomou uma atitude precipitada. Sem ter sido aprovado em assembleia pode gerar dor de cabeça monstruosa, porque podem ser contestados e anulados judicialmente”.

Deputado apresenta Projeto de Lei para criar o fundo nacional de incentivo e manutenção do carnaval brasileiro

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O deputado federal Washington Quaquá (PT) apresentou na Câmara, em Brasília, o Projeto de Lei para criar o Fundo nacional de incentivo e manutenção do carnaval brasileiro, através dele será feita a contribuição sobre a comercialização de bebidas alcoólicas para financiar o Fundo Nacional de incentivo e manutenção do carnaval brasileiro.

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Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Pelo Projeto de Lei, a contribuição será recolhida compulsoriamente na emissão da nota fiscal, observando as seguintes proporções:

I – 0,5 % sobre a venda de cervejas de fabricação nacional;
II – 0,5 % sobre a venda de cachaça, aguardentes, conhaques e bebidas destiladas de fabricação nacional;
III – 0,5% sobre a venda de vinhos, licores, espumantes e champanhe de fabricação nacional;
IV – 0,5% sobre a venda demais bebidas alcoólicas de fabricação nacional;
V – 1,0% sobre a venda de bebidas alcoólicas de qualquer natureza seja importada.

Ficam isentas da contribuição para o fundo de incentivo e manutenção do carnaval brasileiro, as empresas de natureza artesanal de bebidas alcoólicas. Os recursos arrecadados com contribuição do fundo nacional de incentivo e manutenção do carnaval brasileiro terão seus montantes divididos em 70% para as escolas de samba, 20% para blocos independentes e 10% para demais manifestações culturais do carnaval brasileiro.

O Ministério do Turismo regulamentará esta lei no prazo de 90 dias após a sua sanção pelo Chefe do Poder Executivo e criará um comitê gestor do fundo de incentivo e manutenção do carnaval brasileiro com a participação de representantes das escolas de sambas, blocos independentes, charangas e demais manifestações culturais do carnaval em todo território nacional.

Confira a justificativa do Projeto de Lei

O carnaval é uma das mais importantes manifestações culturais do Brasil. Reconhecidos nacional e internacionalmente, o samba e o carnaval representam nossa diversidade, criatividade e alegria, contribuindo para a construção e fortalecimento da nossa identidade nacional. No entanto, apesar da relevância cultural e turística do carnaval, é importante reconhecer que os profissionais envolvidos no carnaval enfrentam desafios significativos ao longo do ano e em situações adversas, como a pandemia de COVID-19.

Por isso, reconhecendo essa vulnerabilidade característica do setor carnavalesco, o projeto de criação do Fundo Nacional de incentivo e manutenção do carnaval brasileiro busca, não apenas garantir recursos para a realização e continuidade dessa festividade, mas também promover a profissionalização do setor. Ao proporcionar uma fonte de financiamento estável, o Fundo possibilitará a capacitação e qualificação dos profissionais do carnaval, contribuindo para sua valorização e melhorando suas condições de trabalho.

Nesse alinhamento, a proposta de instituir uma contribuição compulsória sobre a comercialização de bebidas alcoólicas se mostra pertinente, considerando que o carnaval é um período em que há um aumento expressivo no consumo dessas bebidas. A arrecadação proveniente dessa contribuição será direcionada ao Fundo Nacional, garantindo recursos adequados para a promoção e sustentabilidade do carnaval em todo o território nacional.

Importante destacar que a proposta contempla uma divisão equitativa dos recursos arrecadados, destinando 70% para as escolas de samba, 20% para blocos independentes e 10% para as demais manifestações culturais do carnaval brasileiro. Essa distribuição busca garantir a valorização e o apoio a todas as expressões artísticas envolvidas nessa festividade tão emblemática. Além disso, a isenção da contribuição para empresas de natureza artesanal de bebidas alcoólicas visa a proteger os pequenos produtores, buscando preservar a diversidade e tradição dessa produção artesanal, que também contribui para a riqueza cultural do carnaval.

Adicionalmente, é importante destacar que o carnaval também possui um impacto significativo na economia do país. Dados da Federação Nacional das Escolas de Samba (Fenasamba) e Prefeitura do Rio de Janeiro mostram que, em 2023, R$ 26.000.000,00 (vinte e seis milhões) investidos no carnaval carioca trouxeram um retorno financeiro de aproximadamente R$ 4.000.000.000,00 (quatro bilhões). Ou seja, um ganho real de 15.285% para cada R$ 1,00 (um real) investido. Trata-se, portanto, de um investimento que, além de fomentar a cultura nacional, retorna para o turismo, gera
de empregos, movimenta o comércio e a economia.

A criação do Fundo Nacional de incentivo e manutenção do carnaval, financiado pela contribuição sobre a comercialização de bebidas alcoólicas, é uma forma de fortalecer essa importante fonte de renda e impulsionar o desenvolvimento econômico nas regiões onde o carnaval é celebrado. Com recursos adequados, será possível investir em infraestrutura, segurança, divulgação e aprimoramento das festividades, potencializando ainda mais os benefícios econômicos gerados pelo carnaval.

Portanto, este projeto de lei visa não apenas preservar e promover a riqueza cultural do carnaval brasileiro, mas também proporcionar oportunidades de trabalho digno e profissionalização para seus envolvidos, ao mesmo tempo em que impulsiona o desenvolvimento econômico do país. Acreditamos que investir no carnaval é investir em nossa identidade, em nossa economia e em um futuro mais responsável e próspero para todos.

Contamos com o apoio dos Nobres Pares para a aprovação deste Projeto de Lei, reconhecendo a importância do carnaval como um patrimônio cultural e turístico do Brasil, e como um setor que pode contribuir significativamente para a economia do país.

Mangueira realiza Feira Literária no Palácio do Samba

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Conhecida pela inovação e apresentações vibrantes durante o Carnaval, a Mangueira promove a primeira edição de sua Feira Literária e Cultural, a FLIC Mangueira. O evento, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, será realizado na próxima sexta e sábado, na quadra da verde e rosa. Os visitantes poderão participar de oficinas de criação poética, de percussão, contação de histórias, lançamentos de livros, bate-papos com autores, além de apresentações artísticas e, claro, muita roda de samba.

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No estande da SME, visitantes e alunos da rede municipal – da educação infantil ao ensino fundamental, poderão participar de contação de histórias afro e indígenas, rodas de conversa e encontro com autores. O Espaço Oficinas vai oferecer uma programação com oficinas de criação poética, escrita criativa, e de masculinidades positivas. O estande Livres para Estudar vai ser voltado para a realização de palestras e rodas de conversa sobre o combate à violência de gênero, saúde da mulher e pobreza menstrual, com distribuição de absorventes íntimos para as alunas da rede municipal presentes ao evento. A quadra da Estação Primeira será ocupada também por estandes de editoras, autores independentes e food trucks.

“A realização de uma feira literária na Mangueira é uma excelente oportunidade de estimular o amor pela leitura e promover o acesso à cultura, sobretudo entre os jovens”, afirma o secretário de educação, Renan Ferreirinha. “É a chance de descobrir e prestigiar obras de autores renomados e de escritores ainda pouco conhecidos. Temos ainda, neste encontro, a oportunidade de aliar o amor ao samba, mergulhar na nossa história, e ainda estimular a leitura”, comenta o secretário de Educação, Renan Ferreirinha.

Vale lembrar que não é de hoje a relação da Mangueira com a Educação, a escola de samba foi pioneira ao apoiar na inauguração da primeira escola em uma favela no país, em 1935, a Escola Municipal Humberto de Campos. “A Estação Primeira de Mangueira possui um papel histórico de extrema importância para a democratização do acesso à educação neste país”, lembra Guanayra Firmino, presidente da Mangueira.

A programação variada promete agradar a todos os gostos e idades, com atividades que valorizam a diversidade cultural presente no subúrbio, o empoderamento da população negra e a promoção da equidade de gênero.

Serviço:
26 e 27 de maio de 2023, com abertura ao público a partir das 10h.
Abertura oficial do evento será realizada no dia 26 de maio às 11h.
Quadra da Mangueira, Palácio do Samba, Rua Visconde de Niterói, 1072, Mangueira.
A entrada é gratuita.

Salgueiro define data da sinopse e informa que disputa de samba será aberta para todos compositores

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Uma pesquisa elaborada que contou com a consultoria de lideranças Yanomami e pronta para inspirar os compositores da Academia do Samba para o Carnaval 2024. Nesta energia que emana dos povos originários, os Acadêmicos do Salgueiro lançam em evento aberto para toda a comunidade, o “Manifesto Salgueiro Terra Livre”, sinopse do enredo com o qual a escola pretende disputar o décimo campeonato de sua história defendendo os indígenas brasileiros através da mitologia deste povo rico em cultura e tradições.

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A apresentação da sinopse acontecerá na próxima quarta-feira, 31 de maio, a partir das 20h, carregada de referências que servirão de base para que “Hutukara” seja um desfile que marcará a passagem da agremiação que, ao longo de 70 anos de existência, consagrou-se como referência em levar enredos que marcam pela sua relevância cultural no Carnaval.

O tema, desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira e pelo enredista Igor Ricardo, referenda a importância dos povos originários, representados pelos Yanomami e faz coro com o movimento “Acampamento Terra Livre” (ATL), que ocorreu em abril, em Brasília, quando cerca de seis mil indígenas se reuniram na Praça da Cidadania para destacar a demarcação de terras como ação prioritária para a garantia dos direitos originários no país. A ideia da escola com o “Manifesto Salgueiro Terra-Livre” é mobilizar os componentes dentro do pensamento de proteção aos direitos e demandas dos indígenas.

Disputa de Samba

A disputa de samba-enredo no Salgueiro será aberta a todos os compositores interessados. Ou seja, integrantes de outras agremiações, de outros estados, novos talentos, e mais poderão inscrever suas obras no concurso. O calendário e as regras da disputa serão divulgados em breve através dos canais oficiais da agremiação.

Liesa informa novas diretrizes para os camaroteiros no Carnaval 2024

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Um encontro entre representantes de camarotes e organizadores do Rio Carnaval, realizado na tarde desta quarta-feira, definiu novas diretrizes para os espaços, visando os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial de 2024. A partir do próximo ano, todos passarão a seguir um modelo em comum para venda de ingressos, com banco e tiqueteira definidos pela entidade gestora do espetáculo, além de uma mesma cervejaria. A Liga reforçou também o compromisso já estabelecido anteriormente com o público e com as agremiações em fiscalizar e garantir que não haja vazamento de som e invasão de pista.

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Foto: Divulgação/Liesa

“Planejamos essas otimizações de uma maneira em que pudéssemos oferecer valor agregado e fortalecer o evento como um todo. É uma relação profissional onde todos sairão ganhando. As mudanças vão dar mais longevidade para que as agremiações possam continuar realizando grandes desfiles, o que vai proporcionar aos camarotes entregar um serviço de qualidade ao cliente por mais tempo”, explica o diretor de Marketing da Liesa, Gabriel David.

A reunião, liderada pelo presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro, e pelo vice-presidente, Helio Motta, contou com a presença de empresários e donos dos chamados “supercamarotes”, espaços que ocupam os maiores espaços do Sambódromo durante todos os dias de desfiles.

Além das novas mudanças anunciadas, seguirão valendo as diretrizes já determinadas anteriormente, como o controle de volume e tratamento acústico para que o som interno não vaze e atrapalhe os demais espectadores e as apresentações, bem como o reforço para que a pista de desfiles seja preservada e não haja invasão oriunda desses lugares.

Leandro Vieira sobre ideia de 2024 da Imperatriz: ‘desfile extremamente popular, alegre e festivo’

A Imperatriz Leopoldinense, atual campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro, apresentou na noite de terça-feira a sinopse do enredo “Com a sorte virada pra lua, segundo o testamento da cigana Esmeralda”, de autoria do carnavalesco Leandro Vieira, que a verde e branco levará para Avenida Marquês de Sapucaí no Carnaval 2024. O artista falou da ideia para exibição do ano que vem.

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Foto: Nelson Malfacini/Imperatriz

“O testamento da cigana Esmeralda é o meu ponto de partida para realização de um desfile extremamente popular, alegre e festivo, que se debruça no imaginário febril da interpretação dos sonhos, do destino lido nas linhas da mão, nos saberes populares sobre astrologia e em outras possibilidades imaginadas para prever a sorte de todos nós. A ideia é que os compositores transformem isso em uma obra que dê conta da vocação humana de querer se fartar de alegria enquanto deseja boa sorte”, disse Leandro Vieira.

Esta será a segunda vez consecutiva que a disputa será aberta a todos os compositores interessados. Poetas de escolas coirmãs, filiados a entidades musicais em geral, e talentos dos mais variados gêneros podem inscrever suas obras no concurso.

Os chamados “tira dúvidas” com o carnavalesco acontecerão nos dias 6, 13, 20 e 27 de junho e os sambas deverão ser entregues na quadra da escola no dia 1º de agosto. Esses encontros também serão na quadra da Imperatriz, a partir das 20h. O regulamento completo da disputa pode ser acessado por meio das redes sociais da agremiação.

Mudança geral no julgamento do Acesso! Paes diz que prefeitura vai assumir e Liga-RJ questiona

Uma publicação do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, na manhã desta quarta-feira, no Twitter, agitou o mundo do samba. Ele garantiu que a partir do Carnaval 2024 o julgamento do Acesso (Série Ouro e Superliga) será comandado pelo poder público, ou seja, Riotur e secretaria de Cultura da cidade. A Liga-R, que comanda a Série Ouro, questinou a decisão.

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“No próximo ano a Riotur vai assumir o julgamento do desfile do grupo de acesso do Carnaval Carioca e a @Cultura_Rio vai assumir o julgamento da Intendente Magalhães. Decisão tomada”, garantiu Paes.

“A Liga-RJ não foi informada oficialmente sobre a decisão de mudança na apuração dos desfiles das escolas da Série Ouro, proposta pelo prefeito Eduardo Paes, anunciada nesta quarta-feira, 24, nas redes sociais.

A decisão nos causa estranheza por propor mudanças apenas em duas ligas, apesar do Carnaval Carioca ser representado por três Ligas distintas que coordenam os desfiles da Série Ouro, Intendente Magalhães e Grupo Especial.

A Liga-RJ gostaria de ressaltar que há muitos outros temas tão relevantes quanto o julgamento dos desfiles que também merecem a atenção do prefeito, entre eles o repasse dos valores dos camarotes, contrato da Sapucaí, distribuição das frisas e contratos de montagens da Avenida”, informou a Liga-RJ, através de pronunciamento da assessoria de imprensa.

Sinopse da Imperatriz Leopoldinense para o Carnaval 2024

Enredo: “Com a sorte virada pra lua, segundo o testamento da cigana Esmeralda”

Conto, em meio ao carnaval, que uma cigana chamada Esmeralda deixou por escrito um testamento onde constam os ensinamentos para que os sonhos possam ter compreensão, ou a sina de uma pessoa ser revelada. O fato é que esse testamento foi trazido para o Brasil por um grupo de ciganos que, em caravana e ao redor de fogueiras, espalhou festa, música, circo, dança e a crença popular naquilo que o testamento guardava.

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Conto-lhes então que esse testamento parou nas minhas mãos como uma espécie de manual mágico para a interpretação dos delírios de quem dorme; das datas felizes e azaradas, das linhas que cruzam a palma da mão para traçar destinos e dos planetas que se movem. Ao lê-lo, desde então, quero a alegria de adormecer nos braços de Morfeu pra colher um sonho bom, tal qual consta nas linhas escritas pela cigana. Sonhar com cisne pra esperar candura. Com rosa encarnada, pra ser feliz sem demora. De olhos fechados, sonhar com urso ou macaco, para que, de olhos abertos, eu possa botar fé no jogo certo. Ganhar na dezena e na centena. Quebrar a banca quando der doze no milhar e, na véspera, em sonho, eu avistar um elefante. Ciente do que diz o testamento, peço apenas que com pressa me acordem caso, em sonho, o vulto de um sultão vier me visitar.

Sei de cor e salteado (e foi lendo o testamento da cigana que eu aprendi) que há dias nos quais o azar se põe a espreitar. Por isso, malandro que sou, piso manso pra não vacilar. Espero aquilo que não se antecipa nem se atrasa. O que é meu – a cigana me contou – tem data e hora marcada pra chegar. Tá escrito na palma da mão que a linha da fortuna vai fazer valer o meu corre-corre pra não deixar a peteca cair. Que a linha da vida é forte e que a linha do amor é fino traço, quase corda bamba, onde é bom se equilibrar com a expectativa de não cair, enquanto espero que pinte aquele sorriso que vai pintar a vida que eu quero (e que todo mundo quer) de rosa.

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Logomarca: Thiago Santos/Divulgação

Sei que tá na palma da mão o que se ganha e se perde. Que tá no céu o tempo bom e o tempo mau. Nos planetas que mudam de lugar. Conto-lhes o segredo que habita o céu desde o tempo dos faraós: quando os astros se movem, quem erra também pode passar a acertar. A vida embolada pode embalar. Quem chora pode então gargalhar. O de cima descer. O de baixo subir. O zodíaco anunciar que a sorte virá, o sol entrar em peixes, o brilho lunar entrar em aquário, o balanço das marés fazer as coisas mudarem, o calendário marcar fevereiro, quem é bamba bombar, a Escola decolar. E é aí que (foi a cigana quem me antecipou) ninguém segura, amarra ou prende quem nasceu com a sina de ter sorte virada pra lua.

Pesquisa, desenvolvimento e texto: Leandro Vieira

Deputados criam Projeto de Lei que institui subsídio estadual para escolas de samba da Série Ouro e Grupo Especial

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Durante pronunciamento na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), na tarde desta terça-feira, o deputado estadual Vitor Junior (PDT) falou sobre o carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro e defendeu a distribuição de verbas para o Grupo Especial e da Série Ouro. O parlamental citou um grupo de deputados (Rodrigo Amorim, Luiz Cláudio Ribeiro, Zeidan, Rafael Nobre e Douglas Ruas) que criaram um Projeto de Lei que institui o subsídio estadual para escolas de samba.

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Deputado Vitor Junior (PDT) defende subsídio estadual para escolas da Série Ouro e Grupo Especial. Foto: Reprodução de Internet

“Apresentamos um Projeto de Lei que cria subsídio para escolas de samba da Série Ouro e Grupo Especial. Com isso, vamos promover o turismo, desenvolvimento econômico e cultura no Estado. O samba é a marca do Rio de Janeiro. Expressa o que temos de alegria e oportunidade para o desenvolvimento do turismo. A Comissão de Constituição de Justiça no dia 13 de junho vai debater esse projeto”, disse.

Na noite de segunda-feira, na sala Cecília Meirelles, foi lançado o apoio à frente em defesa das políticas públicas da indústria criativa do carnaval. A proposta é que seja criado um colegiado na Alerj, como foi feito em Brasília, para Defesa do Carnaval.