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Enredo da Porto da Pedra 2024: Proporciona uma história muito bem contada e um desfile espetacular

Durante a live “Galera no CARNAVALESCO“, Guilherme Campagnuci, Freddy Ferreira, Leonardo Antan e Renata Campagnuci falaram sobre o enredo da Porto da Pedra para o Carnaval 2024O. Escola levará para Marquês de Sapucaí no ano que vem “O Lunário Perpétuo: A Profética do Saber Popular”.

 

Liesa fecha parceria com a Ticketmaster para venda de ingressos do Grupo Especial no Carnaval 2024

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A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) fechou nesta quinta-feira uma parceria com a Ticketmaster para a venda de ingressos do Grupo Especial no Carnaval 2024. Com o acordo, pela primeira vez, todas as entradas para o Sambódromo durante os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial serão gerenciadas por uma única tiqueteira, desde camarotes a arquibancadas e frisas.

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Foto: Fernando Maia/Divulgação Riotur

“Essa iniciativa vai beneficiar diretamente as escolas de samba, que têm na venda de ingressos uma importante fonte de receita para continuar realizando grandes desfiles. Além disso, o público terá ainda mais facilidade e benefícios para comprar os ingressos de maneira moderna e segura com uma empresa que tem larga experiência em eventos do porte do Rio Carnaval”, ressaltou o diretor de Marketing da Liesa, Gabriel David.

Além de ser o único canal para a venda de ingressos, a Ticketmaster trará medidas tecnológicas para evitar fraudes, como o QR Code dinâmico. Ao adquirir os ingressos digitais, o código para acesso à Sapucaí será atualizado diversas vezes por minuto, garantindo que aquela entrada seja utilizada realmente pela pessoa para quem a compra foi realizada. Também haverá a possibilidade de adicionar um seguro ao ingresso.

Em breve, a Liesa divulgará as datas para a venda de ingressos, além de outros detalhes da nova parceria com a Ticketmaster.

Livro investiga o assombro que os desfiles provocam nos espectadores

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O selo Carnavalize está lançando o décimo terceiro livro da sua coleção: “Assombros e enredos: escolas de samba em perspectiva antropológica”, dos autores Clark Mangabeira e Victor Marques. A dupla é pesquisadora do carnaval na área da antropologia e atua também como enredista, desenvolvendo as narrativas a serem apresentados pelas agremiações. Nos últimos anos, tiveram passagem em escolas como Vila Isabel, Viradouro e, atualmente, estão na União da Ilha do Governador.

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Foto: Divulgação

O livro é composto por nove artigos publicados pela dupla e com a colaboração de outras co-autoras. Ao longo desses textos, os pesquisadores buscam investigar exatamente a amplitude das noções teóricas e práticas do Carnaval brasileiro e suas escolas de samba sob o ponto de vista antropológico. São análises diversas em temáticas e perspectivas, que investigam o “assombro” que os desfiles provocam nos espectadores, além de diretrizes e reflexões sobre o campo prático na formulação e análises dos enredos que encantam a Sapucaí.

O lançamento oficial será realizado no dia 29 de julho, a partir das 15 horas, no Baródromo, no Rio de Janeiro. Os autores e co-autores da publicação estarão presentes autografando os exemplares. Para quem não puder comparecer ao evento, o livro já está disponível para pré-venda e pode ser adquirido na lojinha do selo literário.

Serviço:
Lançamento “Assombros e enredos”
Dia 29/07 – A partir das 15hrs
Baródromo (Praça Niterói / Rua Dona Zulmira, 41)

Sérgio Cabral Filho será enredo de escola de samba da Série Prata

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O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, será tema no Carnaval 2024 do enredo da União Cruzmaltina, que desfila na Série Prata, na Intendente Magalhães. A agremiação tem relação com torcedores do clube Vasco da Gama. A agremiação será a sexta a desfilar na sexta-feira, dia 16 de fevereiro de 2024. Os desfiles da Série Prata acontecem na semana posterior a data tradicional do carnaval.

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Foto: Carlos Magno/Governo do Estado

Ao site G1, o presidente da escola de samba, Rodrigo Brandão, explicou a opção por ter Sérgio Cabral como enredo para o desfile do ano que vem.

“A intenção é destacar tudo de bom que ele já criou. Ele é um homem de mais de 30 anos de vida pública, e é inadmissível ele ser apedrejado do jeito que ele é pela mídia. Vamos partir do princípio de que a Lava Jato era para denegrir a imagem de dois dos principais políticos: Sergio Cabral e Lula. A escola sairá em defesa do (ex-)governador”, disse o dirigente ao G1.

O ex-governador Sérgio Cabral foi preso em 2016. A soma de suas condenações passaram de 420 anos. No fim de 2022, ele foi solto e atualmente publica no Instagram memória do período em que governou o Rio de Janeiro.

Imperatriz Leopoldinense divulga calendário da disputa de samba-enredo para 2024

A Imperatriz Leopoldinense divulgou, nesta quarta-feira, o calendário completo da disputa de samba-enredo para o Carnaval de 2024. Pela segunda vez seguida em sua história, a escola optou pela realização aberta do concurso, ou seja, compositores de outras agremiações e novos talentos puderam colocar suas obras nas eliminatórias. As obras serão divulgadas no dia 2 de agosto. Já primeira etapa da disputa está marcada para o dia 03 de setembro, na tradicional feijoada com apresentação dos sambas. A grande final será no dia 16 de outubro, feriado pelo Dia do Comércio. Todas as fases serão disputadas na quadra da escola, no bairro de Ramos, Zona Norte do Rio.

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Fotos: Divulgação/Imperatriz

“Essa decisão de abrir a nossa ala veio no ano passado e deu muito certo. Tivemos uma grande disputa e não será diferente para 2024. A Imperatriz é uma escola aberta a quem gosta de samba. Podem esperar uma disputa acirrada e de nível alto, como historicamente acontece na nossa escola”, promete a presidente da Imperatriz, Cátia Drumond.

Para o próximo carnaval, os compositores que vão disputar o concurso na Imperatriz tiveram a oportunidade de tirar suas dúvidas sobre o enredo “Com a sorte virada pra lua segundo o testamento da cigana Esmeralda” com o carnavalesco Leandro Vieira e parte da direção leopoldinense entre os meses de junho e julho.

Confira o calendário completo da disputa:
02 de agosto – entrega dos sambas para a direção;
03 de setembro – apresentação dos sambas;
15 de setembro – 1ª eliminatória
22 de setembro – Oitavas de final
06 de outubro – Quartas de final
13 de outubro – Semifinal
16 de outubro – Final (com três sambas)

Presidente Flavinho diz o que pensa do Império Serrano para o Carnaval 2024: ‘luxuoso, competitivo, robusto e bonito’

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Comandando o Império Serrano há apenas quatro meses, Flávio França, o Flavinho, tem a importante missão imperial de levar o Reizinho de Madureira de volta ao Grupo Especial. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o presidente da agremiação enfatizou a busca pelo acesso e afirmou que a gestão da escola de samba buscará um trabalho técnico, luxuoso e atendendo a grandeza que representa o Império Serrano.

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Fotos: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO

Ao falar sobre o tamanho da responsabilidade em assumir o comando do Reizinho de Madureira, Flavinho disse que o foco é montar uma escola competitiva e que dê espaço para a comunidade.

“Entender a dimensão do Império Serrano hoje é entender a importância de manter essa continuidade da responsabilidade que é fazer carnaval. Colocar na Avenida um carnaval luxuoso, competitivo, organizado, robusto e com a comunidade engajada e presente na escola”, afirmou o presidente da agremiação.

Com o objetivo de dar ao Império Serrano o destaque à altura do tamanho e da importância da agremiação no carnaval carioca e colocar a escola de samba de volta no Grupo Especial, o presidente foi enfático ao ser questionado sobre o que diria ao torcedor.

“A verdade é que a gente vai conseguir colocar o Império Serrano no Grupo Especial. Eu vim com esse objetivo de organizar, colocar o Império Serrano no Especial de novo e manter a qualidade dele. Pode ter certeza que vamos chegar com garra”, afirmou Flavinho.

O Império Serrano trouxe novos nomes para alguns dos principais segmentos da escola, em busca do retorno ao Grupo Especial. Segundo Flavinho, a chegada do intérprete Tem-Tem Jr., do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Anderson Abreu e Eliza Xavier, além do diretor de carnaval Jeferson Carlos é resultado de uma escolha técnica.

“Nós temos buscado uma administração mais técnica. Daí fazemos um apanhado do que foram esses profissionais nos últimos três carnavais e escolhemos tecnicamente o melhor para poder contribuir com a evolução da nossa escola”, explicou.

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Lembrando a gestão de Sandro Avelar, Flavinho disse que a escola pensa em uma gestão técnica que entregue um carnaval à altura do Império Serrano. “O Império Serrano vem em uma crescente administrativa de 2020 para cá. Desde que o Sandro Avelar assumiu a presidência da escola nós temos pensado em uma gestão mais técnica e com pessoas qualificadas em cada segmento e vice-presidência da casa, com a responsabilidade de entregar um trabalho sólido, transparente e luxuoso. É isso que pensamos para o carnaval do Império Serrano: luxuoso, competitivo, robusto e bonito”.

Com uma administração de quase três anos, Sandro Avelar conseguiu colocar o Império Serrano de volta ao Grupo Especial após três anos de Série Ouro. Flavinho comentou sobre o legado que foi deixado pelo seu antecessor.

“O Sandro conseguiu arrumar a casa e abriu as portas para que conseguisse chegar, administrar, manter a boa gestão que ele iniciou e dar continuidade nessa crescente. O objetivo é, de fato, mergulhar nesse potencial universo administrativo do Império Serrano para poder chegar no Grupo Especial com maior solidez”, contou o presidente.

Luto do rebaixamento de 2023

O Império Serrano foi rebaixado com um ponto de diferença para a penúltima colocada. Agora, o torcedor imperiano tenta superar a injusta queda para brigar pelo retorno ao Especial. O presidente da agremiação destacou o tamanho da escola de samba, que possui nove títulos do Especial e marcou gerações com imponentes carnavais.

“Acho que ainda sofremos esse luto. Hoje foi o dia de romper esse luto e mostrar para todas coirmãs, com todo respeito, que o Império Serrano tem potencial, quesito e comunidade para se manter no Grupo Especial”, disse o gestor.

Em 2024, o Império Serrano será a oitava escola a desfilar na Marquês de Sapucaí no sábado de carnaval com o enredo “Ilú-ọba Ọ̀yọ́: a gira dos ancestrais”. * LEIA AQUI A SINOPSE DO ENREDO

Império da Tijuca faz feijoada no domingo e recebe sambas concorrentes

O Império da Tijuca realiza neste domingo mais uma feijoada imperial edição “Festa Julina”, a partir das 13h, no salão nobre do Tijuca Tênis Clube. Neste mês, a grande convidada será a Unidos de Vila Isabel. que promete uma belíssima apresentação com seu elenco show, ao som dos maiores sambas-enredos de sua história.

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Foto: Divulgação

Teremos as apresentações das Quadrilha Esperança e Junina PodeC Show. Nos intervalos, Moisés DJ embala o almoço tijuca com os mais diversos ritmos.

A feijoada ficará marcada pela entrega dos sambas-enredo para o Carnaval de 2024 e a 1º eliminatória do concurso musa imperial.

A Sinfonia Imperial também vai dar o tom da festa. Os ritmistas comandados pelo mestre Jordan sobem ao palco com nosso intérprete Daniel Silva e seu carro de som.

O Tijuca Tênis Clube fica na Rua Conde de Bonfim, 451, e a entrada e a feijoada, antecipadas, custam R$ 35. Os ingressos estão à venda na bilheteria do clube e pelo WhatsApp: (21) 98195-6363.

SERVIÇO
Feijoada Imperial
Data: 23/07/2023
Horário: 13h
Salão Nobre do Tijuca Tênis Clube – Rua Conde de Bonfim, 451
Valores ANTECIPADOS (até 22/07 às 20h)
Entrada: R$ 30
Entrada + Feijoada: R$ 35
Mesa: R$ 20
Combo 4 entradas + 4 feijoadas + 1 mesa (4 pessoas): R$ 140
Informações: (21) 98195-6363

Vai-Vai é a convidada do Salgueiro para o ensaio deste fim de semana

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O “Salgueiro Convida” desta semana levará à Silva Teles o Vai-Vai, escola de São Paulo que conta com 15 campeonatos no currículo. Sempre esperada pelo público, a Saracura vai desembarcar no Rio de Janeiro com todo o seu elenco para apresentar-se mais uma vez na quadra dos Acadêmicos do Salgueiro e fazer a festa do sambista.

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Foto: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

“A Vai-Vai é uma Escola de muita identificação para o Salgueirense por ser uma escola preta, de raiz e resistência. O que queremos é ampliar cada vez mais esta parceria com o Carnaval de São Paulo e de outras cidades para fazer do Salgueiro Convida uma celebração do sambista de todo o Brasil”, diz André Vaz, presidente da Academia do Samba.

A festa na Silva Teles começa às 20h30 com a roda de samba. Em seguida, o elenco show do Salgueiro comanda a festa e abre-alas para a folia com sambas que marcaram a trajetória da Escola. Ao som da bateria Furiosa e na voz do Emerson Dias, o time de estrelas do Salgueiro se apresenta para então receber a escola convidada da noite.

A entrada custa a partir de R$ 30 (pista), e os camarotes podem ser adquiridos pelo telefone (21) 3172-0518 ou (21) 97453-1669. O valor para 12 pessoas é a partir de R$ 700,00.

Serviço: Salgueiro Convida Vai-Vai
Data: 22 de julho, sábado
Horário: a partir das 20h30
Valor: pista a partir de R$ 30;
Mesa R$40,00;
Camarotes para 12 pessoas a partir de R$ 700;
Classificação: 18 anos

Conheça a sinopse do enredo da União de Maricá para o Carnaval 2024

Argumento

Em 2024, o Grêmio Recreativo Escola de Samba União de Maricá apresenta o enredo “O Esperançar do Poeta”, uma homenagem ao papel social, cultural e humanitário presente no ofício do compositor. Pois reside na caneta do compositor os sonhos mais puros e imaculados desse povo que mesmo de frente ao que há de mais perverso e desesperador na nossa sociedade, se permite querer, sonhar e construir mais. 

logo marica2024

A música nos leva além da Esperança. Ela nos traz a possibilidade de Esperançar. 

Paulo Freire, grande educador brasileiro, uma vez escreveu sobre a Pedagogia da Esperança, onde dizia: 

“É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera.’’ Esperançar é a capacidade de olhar e reagir àquilo que parece não ter saída. Por isso, é muito diferente de esperar; temos mesmo é de esperançar. Esperançar é ser capaz de buscar o que é viável para fazer o inédito. Esperançar significa acreditar no que parecer ser impossível.

E assim sendo, o que é o sonho do compositor senão o ato de Esperançar? Nós, sambistas, recriamos nossos mundos há um bom tempo enquanto construímos o que hoje este país chama de identidade, mas nega como cultura. Músicas, enredos, toadas, cortejos que são o reflexo mais verdadeiro desse processo. Esperançar é um movimento de existência, que elege seus próprios valores e saberes a partir da realidade vivida. E ao colocar tinta em suas canetas, e melodia em suas palavras, nossos compositores são capazes de nos fazer enxergar além. 

Transformar a tampa da marmita em pandeiro, e fazer o trem lotado se tornar um palco musical. É a capacidade de afastar a depressão nas cordas de um violão, e mesmo tendo que superar a desordem do coração, conseguir superar a desilusão. Pois não é vergonha entender que, muitas vezes, a desilusão quase é capaz de nos pegar. Mas nós somos malandros, daquele tipo que balançam, mas não caem. Afinal de contas, aprendemos a festejar desde cedo, no barraco do Nego João, e a prosperar mesmo a pouco leite e pouco pão. 

Fora dos conceitos dos livros, mergulhando nas vivências do mundo, nossos professores da esperança, os compositores, estão produzindo pensamentos, são cronistas da antropologia, do movimento social e cultural. São os mestres que nos trazem possibilidades de outros mundos a serem sonhados, sem esquecer este em que vivemos. O samba é terapia popular, seu preto tem orgulho de você.

Homenageando este movimento, convidamos todos os compositores para um bate-papo com um dos mais importantes compositores da nossa história, Guaracy Sant’anna, o Guará, artista que compôs nos anos 1980 grandes sucessos que refletiam a vida do negro sambista, suburbano e favelado, sempre o levando a uma reflexão, mas principalmente lhe trazendo orgulho e a possibilidade de sonhar. Para Guará, sempre havia uma possibilidade de sobreviver. A inspiração vem de longe. Guará sabia, seus pares sabem, nós sabemos.

Existe a luta para quem quiser lutar.

Luta na caneta. Na voz. Na corda. Na palma da mão. Nos atabaques, pandeiros, violas, ganzás e tamborins. Luta nas ferramentas que sempre utilizamos para poder enxergar mais. O samba nos faz enxergar mais, querer mais e não aceitar menos. E Esperançar na nossa batalha de cada dia.

Vamos fazer um samba com Guará?

Primeiramente, senhoras e senhores compositores, é um prazer contar com a sua participação no concurso de samba de enredo da União de Maricá, visando o carnaval de 2024. Num projeto como o desse ano, é extremamente importante para nós contarmos com a presença de vocês, compreendendo que é no ofício que vocês desempenham com tanto amor e carinho que mora a inspiração para o nosso carnaval. Isto posto, gostaríamos de convidá-los a compor esse samba com o Guará, partindo do princípio da nossa proposta, que é compor junto a ele um samba em resposta à provocação que chega pelo rádio.

Daqui de baixo já conseguimos ouvir
toda noite cantoria em meio ao gritos
Lá de cima vem um toque 
Marca como se fosse um relógio
Marcando o seu próprio tempo 
que não é este em que me encontro

O que espera essa gente? 

Em meio a escuro dos becos 
espremidos sonhos e desejos iluminados pela luz da candeia
enfim chegamos à clareira
Clareou um terreiro e estão em festa.
Estão em festa? Por que são felizes? 

O que espera essa gente? 

vibrando o couro do surdo 
negra mão surrando um atabaque
couro de gato no tamborim 
nem parece que estão aqui 
Não parece que vivem aqui! 
Aqui?! Aqui?! Aqui?! 

Tábuas de madeira seguram seus barracos
o telhado de zinco onde dá pra ver o céu estrelado 
E estão dançando como se não vivessem aqui 
Aqui?! 

O que espera essa gente?

Eu quero uma resposta porque não entendo 
Quando estão cantando com os olhos fechados 
Não sei o que sentem
Eles sonham? com o que sonham?
Eu não entendo, não entendo, não entendo.

O que espera essa gente? 

Esperam acordar em um lugar diferente? Clamam por algo que não vai chegar? Mas, por que de sorriso aberto? Está no violão uma solução para a depressão? 

O que espera essa gente? 

Eu acreditava que não se moviam
Julgava que sucumbiam 
Pensava que morriam 
Deduzia que não voassem 
Presumia violência no mundo que vivem

Afinal, quem é essa gente? 

Que passa por tanta coisa e ainda faz festa. 
Eles passam o ano inteiro 
Numa preparação que ocupa a mente
aonde isso te leva, entende? 
Festa o ano inteiro 
Existe trabalho para impor respeito? o que constrói essa gente? 
Onde vão chegar? 

O que espera essa gente? 
Porque o batuque continua 
mês a mês um evento diferente 
se eu contar o Brasil todo, fico doente
Essa gente só samba, só dança, só reza é quer ser rei de paetê. Pra quê?

O que espera essa gente?

Mestre de bateria, capoeira, de sambinha
Mestre fulano, ciclano, fuleiro, folia o ano inteiro estão sorrindo 
não pensam no futuro dessas crianças
É o dia todo: não corre, menino! 
Não existe um exemplo decente, corrigido

O que espera essa gente?

Em que se transformarão? 
Eles não procuram um futuro, não olham pra frente 
só olham pra trás, eu tô com pena dessa gente

Eu não aguento esse tipo
Esse tipo que só espera

Dentro da liberdade para as referências e para a inspiração, é essencial compreender que a proposta para o samba é que ele seja uma resposta a essa provocação. Enxergamos que cada um teria sua própria maneira de responder tais absurdos, mas nos é essencial que não deixe de ser uma resposta. Por que fazemos festa em meio à miséria, à violência, à fome? Por que o batuque nunca abandona nossas vidas? Por que insistimos em manter o sorriso aberto e a recorrer ao violão para vencer a depressão? É preciso que apresentemos às pessoas quem somos, porque somos e mais do que tudo, por que insistimos em ter esperança e em esperançar a ideia de dias melhores. 

1º Setor

O universo particular de cada compositor. Aqui, fazemos uma homenagem ao próprio ato de compor, à magia envolvida nesse processo, e às maneiras com que a inspiração pode chegar até nós. Desta forma, procuramos falar das coisas que nos trazem inspiração, mas não são exatamente palpáveis. A luz, o cantar das cigarras e dos pássaros, o cheiro de café recém-passado ou a textura de um lenço. 

Tudo isso são caminhos e materiais que nos levam para um estado de suspensão do próprio tempo, e nos carregam para um lugar onde podemos construir o nosso sonho de um lugar melhor. É nesse sentido que construímos o nosso enredo, e pensamos nele a partir do Esperançar. A construção desses sonhos, o esforço ativo para transformar a inspiração em música, e com ela abrir as portas para um novo mundo. Para nós, Esperançar é transformar a inspiração em sonho, e com esse sonho, construir a realidade. 

2º Setor

Entretanto, nem tudo são flores. A nossa realidade grita em nossos ouvidos, de maneira que esquecer não é uma possibilidade. Só que, para nós, nunca foi sobre esquecer, pois não temos a chance de fazê-lo. Mas podemos transformar a desilusão em novas ferramentas para acreditar e implementar um futuro melhor. Então, usamos a música para buscar alternativas, e uma maneira de fugir dos nossos ais. Denunciar a falta de assistência, a falta de estrutura e os demais problemas que são persistentes e contínuos na nossa realidade por intermédio da melodia e da poesia é uma arte que dominamos.

3º Setor

A cultura afro-brasileira é a consequência de constantes tentativas de sobrevivência em um país que insiste em negar cidadania a estas populações marginalizadas. A nossa cultura é também uma estrutura robusta que substituiu ao longo do tempo as estruturas que deveriam ter sido oferecidas pelo poder público, mas nos foram negadas pois nos negaram o direito de sermos cidadãos. São nestas manifestações culturais que o sonho em tornar-se rei, como símbolo de participação de poder e possibilidade de transformação, se afloram e se materializam. E, no carnaval, virando reis e rainhas, símbolos de força e magnitude, os sambas que acompanham estes enredos mudam e salvam vidas, nos oferecem a oportunidade de sonhar o que parece impossível, e construir na avenida a realidade que coroa os nossos semelhantes.

4º Setor

A música nos ajuda a superar as dificuldades caminhando na construção de um futuro melhor, e parte dessa construção está na nossa fé. A fé de que veremos dias melhores, nos apegando em nossos padroeiros, protetores e guias, com a esperança de que neles encontraremos a força necessária para fazer com que essa esperança não seja um verbo de espera, mas sim uma ação de preparação para o tempo que vem. 

O tempo onde a bonança tomará nossas vidas, a fartura ocupará as mesas e nossas crianças não serão mais um “problema social”. Assim, a nossa fé também reside nas nossas lideranças, pois mora nelas o caminho de dias melhores. As lideranças do povo, da favela, do subúrbio. Com uma mensagem de fé e esperança(r), nós encerraremos o nosso desfile preparados para um amanhã mais gentil para os nossos.

Autores do enredo: André Rodrigues, Igor Trindade, João Vítor Silveira e Kamila Maria
Autores do texto: André Rodrigues e João Vítor Silveira

Sinopse do enredo do Império Serrano para o Carnaval 2024

Enredo: “Ilú-ọba Ọ̀yọ́: a gira dos ancestrais”

enredo iserrano2024

Òrun e Àiyé. Céu e Terra. Lugares onde homens livres e divindades conviviam em harmonia, circulando, nos mesmos universos, dividindo suas existências.

Um dia, um homem tocou o Òrun e maculou o Céu dos Orixás. Irado com o descuido dos mortais, Olorum, criador do Universo, separou Céu e a Terra com um sopro e dividiu, para sempre, os dois mundos.

Os Orixás ficaram isolados e se entristeceram. O Deus maior, Olodumaré, então, consentiu que retornassem à Terra, mas somente se incorporados nos humanos preparados para esse fim. Ordenou que Oxum cuidasse para que eles recebessem os Orixás. E assim foi feito.

Com oferendas, os homens convidaram os Orixás a voltarem à Terra. Tocaram tambores, batás, xequerês, agogôs e adjás. Cantaram e bateram palmas para receber suas divindades, que felizes, religaram o Òrun ao Àiyé.

O tempo passou e, em seu horizonte infinito, o continente africano presenciou muitos amanheceres. Mas também foi testemunha, da triste partida de navios tumbeiros, na corrente que levou homens e mulheres da Costa da Mina – região habitada pelos povos de Ifé, Oyó, Owu, Daomé e Ila, entre outros – para a escravidão no Brasil.

Em meio à brutalidade enfrentada no novo mundo, iniciou-se o processo de resistência negra, movimento que se deu de várias formas. Uma delas foi a rica herança espalhada em terras brasileiras pela oralidade de nossos ancestrais. O culto aos Orixás reapareceu e se fortaleceu na Bahia. E foi na Gira dos deuses que a união entre homens e Orixás renasceu e foi ressignificada em forma de Candomblé.

Como em todo ritual, o Xirê também respeita uma ordem. Inicialmente, convoca-se Exú, o mensageiro. É a Ele que se pede licença para a Gira começar.

Tem Gira no Terreiro!

O templo religioso é o local onde toda a ancestralidade africana é revivida. Onde os Orixás reencontram seus filhos, descendentes de todos os reinos que, um dia, formaram o grande Império de Ilú-Obá Oyó na África Ocidental. É na Gira que as divindades se manifestam.

A Gira vai começar. O tambor é tocado para que os Deuses Supremos do Candomblé sejam invocados. Um a um, na ordem a ser respeitada, os iniciados, em transe, entram na roda. Para cada Orixá, uma cor, um toque, uma dança, uma música, uma saudação…

Ògún ieé, meu Pai OGUM (Ògún), Senhor dos caminhos;

Okê Arô, OXOSSI (Òsóòsì), Rei da mata;

Atotô Ajuberô, OBALUAYÊ (Obalúaiyé), divindade da saúde e da cura;

Ewé Ó, OSSAIM (Òsanyìn), sacerdote das folhas;

Arroboboi OXUMARÊ (Òsùmàrè)”, Deus do arco-íris, símbolo da continuidade;

Kawó Kabiesilé!, XANGÔ (Sàngó), Deus da Justiça;

Ora yê yê ô!, OXUM (Òsun), Soberana das águas doces;

Obà Siré, OBÁ (Obà) Guerreira e protetora;

Eparrei!, OIÁ IANSÃ(Oya Iyà Yánsàn), Senhora dos ventos e tempestades;

Logun ô akofá! LOGUN EDÉ (Lógunède), Orixá da riqueza e da fartura;

Ri Ro Ewá! EWÁ (Yewa), Deusa da intuição e da vidência;

NANÃ (Nàná), Saluba, Vovó! Senhora da criação;

Erù-Iyá, Odó-Iyá, IEMANJÁ (Yemoja), Senhora de todas as águas;

Epa Bàbá, OXALÁ (Òrìsàlufan) Senhor da criação.

Gira completa. Orixás saudados. A festa vai encerrar. Fecha um ciclo para outro começar. Pedimos proteção e justiça.

De Ilú-Obá Oyó à Serrinha, Impérios ligados por laços ancestrais. Bênçãos para o nosso Império Serrano, lugar de luta e de fé. De quem pode perder uma batalha, mas não perde a guerra.

Cujos domínios estão no samba de raiz.

Da força  que vem de seus fundadores, imortalizados no panteão do carnaval.

Salve Vovó Maria Joanna, Tia Ira benzedeira, Dona Eva, Elói Antero Dias, o Mano Elói.

Salve o Santo Guerreiro, nosso padroeiro.

Salve o Império Serrano.

Salve a Gira dos ancestrais!

Axé!

Carnavalesco: Alex de Souza
Colaborador: Paulo Cesar Barros