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Comunidade da Tom Maior celebra inauguração da sonhada quadra própria

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O samba paulistano ganhou uma nova casa. No último domingo os moradores da Barra Funda, um dos bairros mais tradicionais de São Paulo, quando o assunto é carnaval, passaram a conviver com a comunidade da Tom Maior, que agora habita a Rua Luigi Grego, número 196. A Vermelho e Amarelo inaugurou sua quadra em evento aberto ao público, que contou também com o lançamento do samba-enredo para o desfile de 2024.

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Fotos: Fábio Martins/CARNAVALESCO

A quadra, localizada dentro de um antigo galpão às margens das linhas de trem da CPTM, foi condicionado após intenso trabalho que contou com apoio da própria comunidade ao longo de duas semanas, assim que o espaço foi liberado para funcionamento. A nova casa da Tom Maior fica em uma região que não é muito distante da sede de sua madrinha, Camisa Verde e Branco, o que significa que a escola fundada no Sumaré fincará raízes em um lugar já acostumado a respirar o samba e com muitas histórias para contar.

Da Feira Moderna ao novo lar

Uma escola de samba ganhar como presente em seu cinquentenário uma casa para chamar de sua faz o coração de qualquer apaixonado por carnaval bater mais forte. Quem dirá o coração de Airton Edno, o Coronel, membro da velha-guarda que faz parte da Tom Maior desde a sua fundação, em 1973, no bairro do Sumaré?

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“Nossa escola realmente sempre sofreu muito por não ter seu lugar próprio. Desde a sua fundação sempre mudando de bairro, de quadras, ruas, ensaiando nas ruas direto. Mas mantendo sempre uma união, e essa união que mantém a escola grande até hoje”, declarou o baluarte.

Coronel relembrou os primeiros anos da Tom Maior ao falar do segredo para manter a comunidade unida por todos esses anos encarando constantes desafios.

“Essa união vem da humildade, que vem desde a fundação da escola em que várias pessoas se uniram dentro do bairro do Sumaré e ensaiavam dentro de uma feira livre, que era a Feira Moderna, lugar coberto que servia como local de ensaios da escola”, recordou.

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Mesmo entre aqueles que são relativamente novos na escola, a alegria refletida no olhar foi contagiante. As baianas Isabel Evangelista, de 66 anos, e Teresa Cristina, 55, que há três anos dedicam seu amor à Tom Maior falaram sobre estarem de casa nova.

“Felicidade total de ter um ambiente, uma quadra para chamar de sua, não ter que usar uma quadra emprestada para ensaiar. A expectativa é melhorar ainda mais, mais e mais. Agregará para todos que virão aqui”, afirmou Teresa.

“Me sinto feliz, né? Será tudo de bom! A união, que é muito forte, muito grande entre eles. Agora com essa nova quadra mais ainda. Todo mundo reunido em um só lugar, que é nosso. Graças a Deus, agora vai”, completou Isabel.

Presente de um patrono entregue pelo destino

O presidente e mestre Carlão emocionou o público que compareceu à inauguração da quadra em seu primeiro discurso no palco ao recordar o passado e agradecer o esforço empenhado por todos para realizar o sonho da comunidade da Tom Maior. Questionado sobre o sentimento de ter a nova quadra, ele destacou que o investimento para tal ocorreu de modo a não prejudicar o desenvolvimento dos trabalhos da escola para o Carnaval 2024.

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Fotos: Fábio Martins/CARNAVALESCO

“É a realização de um sonho. É uma comunidade que tem 50 anos e está todo mundo feliz. Esse projeto é independente do carnaval. Você não pode tirar um centavo da verba do carnaval, porque depois não vai ser competitivo. Daí eu e mais dois sócios fizemos e está entregue para a escola”, disse.

Bruno Freitas, que faz parte das direções de carnaval e harmonia da Tom Maior, dedicou um agradecimento especial e contou detalhes sobre o processo que tornou possível para a escola ter a sua quadra em um espaço de tempo menor do que o esperado.

“Isso foi um presente, literalmente, do nosso patrono Alberto, que é um cara sensacional. Era um espaço que ele estava negociando para 2025, e tinha uma perspectiva para o ano que vem. O negócio andou, o imóvel não podia ficar fechado, a gente resolveu… Vamos em duas semanas reformar e deixar no jeito? O que era para ser um ensaio improvisado, tem banheiro com piso, tem luz, está tudo maravilhoso, a sensação de pertencimento desses mutirões, pessoal que se engajou e que veio, é extraordinário”, explicou.

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Gerson Silverstone fez uma declaração em tom de desabafo sobre o sentimento da Tom Maior, enfim, ter a sua casa. O diretor de harmonia também explicou o que irá mudar nos trabalhos da escola a partir de agora com a nova quadra.

“É uma emoção muito grande porque é um sonho que a escola tinha há muito tempo. Já estávamos cansados de ser taxados como ciganos, ouvir que não tínhamos comunidade, que era um catado de pessoas que iam desfilar. Hoje, estamos provando que temos comunidade, sim. Inauguramos a nossa quadra e vamos vir muito fortes para esse carnaval. A gente tinha uma comunidade muito grande para conseguir ensaiar. Tínhamos que ensaiar em pontos específicos de São Paulo, íamos até a ala para fazer ensaio de canto. Só tínhamos um domingo para fazer duas horas de ensaio por semana. Isso era muito pouco. Mesmo assim, tivemos grandes resultados. Conseguimos, na pista, fazíamos bons trabalhos e bons desfiles. Com certeza, agora, com a nossa casa, vamos aumentar o número de ensaios e, com isso, vir muitos mais fortes”, declarou.

Formada das famílias que se uniram pelo caminho

Parte da bem-sucedida equipe de harmonia da Tom Maior, Silvia Ribeiro, que há 14 anos faz parte da escola, na inauguração da quadra esteve encarregada de receber o público na porta junto das baianas, que benzeram todos que passavam pelo arco adereçado no estilo do enredo de 2024 da Vermelho e Amarelo. Ela falou sobre a alegria da comunidade realizar o sonho de ter a sua casa.

“É um sentimento de alegria, de felicidade. A Tom Maior é uma escola de família, onde podermos trazer nossos filhos, netos, os amigos, mas não tínhamos o nosso chão, o nosso espaço. Graças a Deus, hoje estamos vendo esse sonho se realizar. É um sonho que a gente idealizou por muito tempo, e hoje está sendo enfim concretizado”, declarou.

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Silvia exaltou uma característica especial da Tom Maior ao longo da sua história. A atual comunidade da escola é oriunda do vínculo formado em meio aos tantos endereços aos quais a agremiação se fez presente.

“A Tom Maior, embora não tivéssemos uma quadra, tem uma comunidade que não é mais só do Sumaré, onde ela foi fundada. Por todos os lugares onde ela passou, as pessoas vieram, abraçaram a ideia, e mantivemos esse pessoal com muita união e respeito. Onde você colocar o pé em uma quadra, onde quer que a gente esteja, é uma comunidade. Foi à base de muito respeito, muita humildade, e essa união que permitiu o pessoal continuar. Hoje está aí, a alegria de todo mundo, maravilhados porque hoje a gente tem um chão”.

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A diretora está otimista em relação ao futuro da escola, e projeta o estabelecimento da Tom Maior entre as grandes do carnaval de São Paulo.

“Acho que a Tom Maior é uma escola que vem batendo na trave já há alguns anos. Nosso enredo esse ano é um enredo belíssimo, maravilhoso e o nosso samba é muito bom. Nossas fantasias já estão sendo confeccionadas. Estamos vindo numa crescente e o que a gente espera esse ano é levantar o caneco. Deixar a Tom Maior em um patamar onde ela tem que ficar, porque ela é uma escola de Grupo Especial e que veio para ficar. Nosso trabalho, trabalho é esse. Nós não somos melhores e nem piores do que ninguém. Nós somos uma escola diferente porque temos união e respeito ao nosso povo, a nossa comunidade”, concluiu Silvia.

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Túlio Roberto Dias manifestou orgulho da tragetória da escola ao longo de 27 anos seguindo, vivendo e amando a Tom Maior. Era morador do Sumaré em 1996, onde conheceu o eterno presidente Marko Antônio da Silva, hoje homenageado com seu nome sendo dado à nova quadra da agremiação.

“Sentimento é igual ao das pessoas que batalham por um teto, por um respeito social. Aquela coisa de poder chegar em casa e falar “é minha”. E hoje eu acho que o sentimento do Vermelho e Amarelo, do Tom Maior de coração é esse: Temos uma casa”, disse.

Para Túlio, a vibração proporcionada pela escola é o que fez a diferença ao longo de tantos anos, e acredita que a família Tom Maior, agora com a nova quadra, passará a contribuir não apenas para a própria comunidade que já a acompanha, como também poderá agregar para a sociedade como um todo na forma de projetos sociais.

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“Acho que é a vibe, porque a vibe não escolhe endereço. Ela pode ser na Zona Sul, na Zona Leste, e obviamente temos muita dificuldade em criar uma identidade. Mas eu acho que é que nem está acontecendo hoje. Pessoas que às vezes nem sabem muito da história da Tom Maior, mas é uma vibe que é para frente. Agora eu acho que é, como qualquer família, como a que temos em casa ou em uma empresa. Quando você adquire um solo, você consegue fazer projetos sociais e outras vertentes além de um carnaval. Acho que a escola de samba tem um projeto que é socialmente falando, que é incluir a sociedade em cima. Hoje podemos falar: Vem, vem para esse endereço, que você poderá vir para uma casa cujo endereço é da Tom Maior”, finalizou.

Fim de um estigma e o começo de uma ambição

Se empolgação é o que não falta para o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Tom Maior, formado por Ruhanan Pontes e Ana Paula, em um dia tão especial não poderia ser diferente. A dupla participou ativamente dos preparativos para a inauguração da quadra, e falou sobre os sentimentos envolvidos.

“É gostoso, depois de passar por tantos lugares, ter um espaço fixo até que enfim. Deixar de ser cigano. Acho que ter um espaço fixo assim é poder nos unirmos mais. A escola poderá se juntar mais. Quando uma escola não tem um espaço físico próprio dela, fica tudo mais disperso. Apesar da escola já ser uma família muito unida, acho que agora a gente vai conseguir se aconchegar melhores, concentrar a nossa energia em um lugar. Nosso chão estará aqui, nossa energia estará aqui. A Tom Maior é isso aqui, tudo ficará guardado aqui”, citou Ruhanan.

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“É participar da conquista. É um sentimento de felicidade, de ver a comunidade toda trabalhando junta naqueles mutirões. A gente percebe que está todo mundo na mesma vibe. É incrível”, definiu Ana Paula.

Entre os desafios que agora fazem parte do passado, o casal citou a questão da reunião para os ensaios, mas também exaltou a capacidade da escola de agregar novas pessoas para a comunidade ao longo do caminho.

“Acho que era mais pela concentração das pessoas. Buscar todas as alas para um espaço aberto era um pouco mais difícil. O custo para montar um ensaio na rua acho que era um pouco mais caro, com um custo fixo toda semana com ônibus, som, carros. Acho que essa era a maior dificuldade da escola”, comentou Ana Paula.

“Uma coisa que o Carlão falou. A Tom Maior nasceu no Sumaré, mas ela é de São Paulo, do Brasil. Passamos por vários lugares, mas conseguimos conquistar corações e pessoas em vários lugares diferentes, e agora essas pessoas passarão a se concentrar aqui. Acho que foi bom passar por esses diferentes lugares, porque conquistamos muita gente e agora trará aqui para a Barra Funda essa gente toda”, disse o mestre-sala.

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A prioridade para o futuro da Tom Maior com a nova casa, na visão de Ruhanan, é dar à escola aquilo que, na sua opinião, há tantos anos vem merecendo. Descontraído, o dançarino falou com empolgação sobre o que deseja para a comunidade.

“Ser campeão do carnaval, oras. Como assim? Ano passado ainda está engasgado aqui! Ser campeão do carnaval, é isso que eu quero. Precisamos por estrelas nesse pavilhão. Está faltando uma estrela ali. Uma não, várias, mas a primeira, se Deus quiser, vem agora. Com respeito a todas as coirmãs, mas está na hora de colocar uma estrelinha no pavilhão da Tom Maior. Eu gosto muito de enaltecer o trabalho do Carlão aqui na diretoria da Tom Maior. Eu acho que é um trabalho diferenciado. Eles sabem lidar com as pessoas, conversar com as pessoas, tratam bem com as pessoas, estão sempre preocupados em como falar, chegar nas pessoas. Acho que isso é muito interessante, e quando isso se faz com carinho, com amor, o resultado tem que vir. Uma hora vem”, concluiu o mestre-sala.

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Responsável por uma linha de enredos variada e rica nos detalhes, o carnavalesco Flávio Campello manifestou orgulho de fazer parte de um momento tão marcante para a história da Tom Maior, relembrando relatos do passado e exaltando a importância da atual gestão para acabar com os estigmas que marcavam a escola.

“Olha cara, a gente fazer parte de um momento tão especial de uma escola de samba, como é o caso de conquistar uma quadra. Ainda mais a Tom Maior, que desde que cheguei no carnaval de São Paulo, a quinze anos atrás, só se dizia que a Tom Maior é uma escola que não tinha um solo, terreiro, estava sempre ensaiando em vários lugares. E essa gestão do Carlão ter dado esse grande passo, no primeiro ano de mandato oficial dele, como presidente, que é passar para a escola de samba, uma quadra de papel passado. Onde a escola vai ter realmente, pela primeira vez, nesses 50 anos, um chão que ninguém vai tirar a escola, onde vai permanecer, fincar raízes, isso é muito especial”, declarou.

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Para o coreógrafo da comissão de frente, André Almeida, a Tom Maior agora possui meios para criar o que é necessário para tornar a escola ainda mais grandiosa.

“A Tom Maior está vindo nesta luta a muito tempo, eu vi um post do nosso presidente no Instagram que falava ‘a Tom Maior já teve 12 endereços diferentes em um curtíssimo espaço de tempo’, hoje a gente ter o nosso espaço, nossa quadra. É muito importante para nós criarmos, de novo, assim, a nossa identidade, a identidade da escola, criar raiz, e ter um espaço para ensaiarmos, nosso. É totalmente diferente. Pois a gente pode ter uma agenda de ensaio, são vários departamentos que precisam de espaço para ensaiar. Então acho importante ter o nosso espaço, casinha, e hoje a inauguração da nossa quadra, esse espaço novo, recebendo tanta gente do carnaval de São Paulo, vindo prestigiar nossa festa, nossa casa, é muito importante. Isso tudo que está aqui, foi feito com muito carinho por todos os componentes. Eu mesmo vim aqui ajudar a pintar a quadra, a comissão de frente também participou, pois acho importante participarmos deste momento. Pois é um momento histórico para a Tom Maior. E estamos começando projeto novo, casa nova, faz toda uma diferença ter nossa quadra”, disse.

Mais fotos da quadra

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Começa venda total de ingressos para os desfiles de escolas de samba de SP

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A partir desta segunda-feira os sambistas podem adquirir ingressos em bilheterias físicas, em Pinheiros e na Fábrica do Samba, além do site www.clubedoingresso.com/carnavalsp/  Os ingressos têm valores a partir de R$ 90 para os desfiles do grupo Especial. Veja os endereços e horários de funcionamento:

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Foto: Divulgação/Liga-SP

Carioca Club Pinheiros
Endereço: rua Cardeal Arcoverde, nº 2899, Pinheiros – São Paulo, SP
Horário de funcionamento da bilheteria: de segunda a sexta, do meio-dia às 18h

Fábrica do Samba
Endereço: Av. Dr. Abraão Ribeiro, nº 505, Barra Funda – São Paulo, SP
Horário de funcionamento da bilheteria: de segunda a sexta, das 10h30 às 17h.

Mesas e cadeiras de pista

Também estão disponíveis para esta modalidade o setor B do sambódromo do Anhembi. Os ingressos podem ser adquiridos on-line, através do site www.clubedoingresso.com/carnavalsp/ ou nos pontos de venda físicos.

Camarotes Populares

Uma novidade que deu muito certo em 2023, para o próximo ano será ampliada. Agora, além do Camarote Lounge no setor H, os sambistas vão poder curtir um novo espaço no Setor A, o Camarote do Esquenta, bem perto do esquenta das baterias e da largada das escolas. Os ingressos também podem ser adquiridos on-line, através do site www.clubedoingresso.com/carnavalsp/ ou nos pontos de venda físicos.

Arquibancadas

Já as arquibancadas do sambódromo do Anhembi, que já estavam em pré-venda promocional desde junho, entram em novo lote, com ingressos a partir de 90 reais para o grupo especial e opção de meia-entrada para estudantes, pessoas com deficiência, idosos e jovens carentes com idade entre 15 e 29 anos.

Os desfiles do Acesso 2, no dia 03 de fevereiro, têm entrada gratuita nas arquibancadas. Não é necessário retirar nenhum tipo de ingresso, basta ir ao sambódromo do Anhembi.

Desfiles das Escolas de Samba de São Paulo

Na cidade que respira arte e cultura, o espetáculo é tradição, mas, a cada ano, a experiência é única e inesquecível. Nos dias 03, 08, 10 e 11 de fevereiro, as agremiações paulistanas retornam ao sambódromo do Anhembi. Os Desfiles das Escolas de Samba de São Paulo renovam seu caráter multifacetado e artístico, tornando o Carnaval paulistano em um verdadeiro festival de cultura popular, para todas as idades. No dia 17 de fevereiro, a temporada encerra com o Desfile das Campeãs.

A primeira das 5 noites de espetáculo, 03 de fevereiro, é das escolas de samba do grupo de Acesso 2, a partir das 20h

CARNAVALESCO acompanha eliminatória da Portela e analisa sambas concorrentes para o Carnaval 2024

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A Portela realizou, na noite do último domingo, a primeira eliminatória em chave única do concurso de samba-enredo para o Carnaval de 2024. A reportagem do site CARNAVALESCO, como parte da série “Eliminatórias”, esteve presente e acompanhou essa nova fase da competição promovida pela Majestade do Samba. Ao todo, dez obras se apresentaram e cada uma teve o direito a cinco passadas, sendo duas sem bateria e três acompanhadas pelos ritmistas da “Tabajara do Samba”. Ao final, oito sambas se classificaram para a etapa seguinte, que ocorrerá no próximo domingo, dia 24 de setembro, enquanto dois foram cortados: os das parcerias de Meri de Liz e de Paulo Cesar Feital.

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No ano que vem, a azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira será a segunda escola a desfilar no Sambódromo da Marquês de Sapucaí na segunda-feira de Carnaval, dia 12 de fevereiro, pelo Grupo Especial. A agremiação irá em busca do seu vigésimo terceiro título de campeã da folia carioca com o enredo “Um Defeito de Cor”, desenvolvido pelos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga. Baseado no romance “Um Defeito de Cor”, da escritora Ana Maria Gonçalves, a proposta é trazer uma outra perspectiva da história, refazendo os caminhos imaginados da história da mãe preta, Luisa Mahim.

Parceria de Luiz Carlos Máximo: O primeiro samba a se apresentar na eliminatória portelense foi o composto por Luiz Carlos Máximo, Manu da Cuíca, Cecília Cruz, Thayssa Menezes, Fabinho Gomes, Luciano Fogaça e Cláudio Cruz. O intérprete Bico Doce foi o responsável por defender a obra, que teve um bom desempenho na quadra. O trecho que teve maior rendimento foi o refrão principal, com os versos “Nasceu d’Oxum flor de Kehindé/ Nas esquinas de Madureira/ Com Daomé/ Yabá quituteira/ Iyami quizumbeira/ Brasil, terreiro preto de mulher”. Além dele, o refrão do meio, com os versos “Oleleá, caruru é pra Ibeji/ Caxixi pra camará/ Mulungu pro meu ori”, foi outro grande destaque. Sem adereços, mas uniformizada, a torcida deu um show à parte. O grupo cantou, dançou e fez coreografias durante toda a apresentação. Até mesmo após o fim, eles entoavam o refrão principal da obra.

Parceria de Celso Lopes: A obra assinada por Celso Lopes, Neyzinho do Cavaco, Charlles André, Chicão do Cavaco, Jorge Feijão, TH Joias e Anderson Leonardo foi a segunda a se apresentar. O intérprete Nino do Milênio comandou o microfone oficial e soube conduzir o samba com segurança. Formada por uma grande quantidade de pessoas, a torcida, assim como a primeira, abriu mão das ornamentações, porém veio vestida com a camisa da parceria. Eles mostram animação e mantiveram um canto forte ao longo de toda a apresentação. O refrão principal, com os versos “Luísa Mahim mulher de valor/ Guerreira, mãe preta… Revela/ Que o seu afeto se multiplicou/ No coração dos filhos da Portela”, foi berrado pelo grupo. O trecho de subida para ele, “Ia Ia num lindo sonho fui te encontrar/ Kheinde, nós somos um só, um elo de amor/ Jamais um defeito de cor”, também foi bastante entoado.

Parceria de Jorge do Batuke: Na sequência das apresentações, o terceiro samba foi o de autoria de Jorge do Batuke, Claudinho Oliveira, Zé Márcio Carvalho, Leko 7, Romeu D’ Malandro, Silas Augusto e Araguaci. A obra foi defendida por uma dupla de intérpretes formada por Zé Paulo Sierra e Tem Tem Jr., vozes oficiais da Mocidade Independente de Padre Miguel e do Império Serrano respectivamente. O samba teve um ótimo rendimento na quadra. O ponto alto foi o refrão do meio, com os versos “Ôôôô! Ôôôô!/Oxé sagrado é machado de Xangô/Kaô Kabecile, kaô/Kaô, meu pai Xangô!”, entoado a plenos pulmões pelos torcedores. Aliás, a torcida, numerosa, veio uniformizada e mostrou garra. Eles cantaram, vibraram e dançaram sem deixar o ritmo cair em nenhum momento. O restante da quadra também reagiu de forma positiva, sendo possível observar diversos segmentos, como as baianas, cantando a obra.

Parceria de Thiago na Fé: O samba de autoria de Thiago na Fé, Bruno Lima, Wagber Ecossia, Waldir Guimarães, Marco Aurélio, Filipe Acaf e Leandro Marinho foi o quinto a se apresentar nessa eliminatória portelense. O intérprete Serginho do Porto comandou o microfone principal e deu um show na condução, sendo peça importante na boa performance da obra. Seguindo a tendência das demais, a torcida veio sem adereços ou qualquer tipo de ornamentação. O grupo provou estar com o samba na ponta da língua e cantou o tempo inteiro. O refrão principal, com os versos “No seu ventre mãe, pude receber/ Todo meu amor por ela/ Obrigado mãe por eu aprender/ O que é ser Portela”, foi o trecho da obra entoado com mais força. O refrão do meio, “Khender, a força da mulher/ Obirin dudú, ancestralidade/ Xangô, idajô, oyá/ Justiça pra sociedade”, também se destacou e teve um bom rendimento.

Parceria de Samir Trindade: A sexta obra a se apresentar foi a composta por Samir Trindade, Valtinho Botafogo, Junior Falcão, Brian Ramos, Fabrício Sena, Deiny Leite e Paulo Lopita 77. Tendo o apoio luxuoso de Gera, a dupla de intérpretes formada por Bruno Ribas e Marquinhos Art’Samba foram os responsáveis por conduzir o samba, que promoveu um sacode na quadra. O refrão principal, com os versos “Senhora do meu afeto, iyá/ A dona do meu destino, yabá/ Ginga da Portela sempre acalanta/ Nega que embala o samba”, foi berrado, não só por torcedores, mas também por outras pessoas presentes na quadra. Além dele, o refrão do meio, “Ê Nanã ê…foi Nanã quem criou/ Lá na Bahia, a saudade apertou/ Ê Nanã ê…foi Nanã quem cuidou/ Levou mandinga e o Brasil batucou”, e o trecho “Malê malê, kaô kaô/ Contra a covardia, a revolta de Xangô”, presente na segunda estrofe, foram outros dois momentos de grande rendimento no canto. Falando da torcida, o grupo compareceu em peso. Demonstrando muita empolgação, eles cantaram e sambaram sem parar. Uma curiosidade foi a presença de duas pessoas no meio da galera representando o abolicionista Luís Gama e a mãe dele, Luísa Mahim.

Parceria de Franco Cava: Dando seguimento, a sétima obra a se apresentar na quadra da Portela na noite de eliminatória foi a assinada por Franco Cava, Rute Labre, Hebinho da Portela, Victor do Chapéu, Beto da Portela, Arnaldo Matheus e Ricardo Simpatia. O intérprete Tinga, voz oficial da Vila Isabel, teve a missão de defender o samba e fez com a excelência de sempre. Todavia, a obra teve um rendimento apenas mediano. Como ponto positivo, vale mencionar os refrões, especialmente o principal, com os versos “Cor não é defeito, tem que respeitar!/ Sagrada mulher guerreira!/ São tantas Mahins, mães da favela!/ Exemplo de amor… Portela!”. Quanto à torcida, mesmo sem adereços ou ornamentações, ela fez seu espetáculo. O grupo, formado por uma grande quantidade de pessoas, deu o recado cantando, vibrando, pulando e fazendo coreografias ao longo de toda a apresentação.

Parceria de Noca da Portela: O samba composto por Noca da Portela, Claudio Russo, Lico Monteiro, Leandro Thomaz, Orlando Ambrosio, Marcelo Lepiane e Rodrigo Peu foi o oitavo a se apresentar. O intérprete Rodrigo Tinoco defendeu a obra, ao lado de Thiago Acácio, e soube explorar bem as variações melódicas. O maior destaque foi o refrão principal, com os versos “Yà Ilê axé… Portela!/ Me embala em teu colo… Portela!/ É o porto onde pude enfim/ Longe de mim te encontrar”, sendo o trecho de maior rendimento no canto. Ao longo da apresentação, a performance dos torcedores foi uma atração à parte. Animados, eles vibraram, pularam e fizeram diversas coreografias, sem deixar de entoar a obra em nenhum momento.

Parceria de Wanderley Monteiro: Encerrado as apresentações, o décimo samba nessa noite de eliminatória portelense foi o assinado por Wanderley Monteiro, Rafael Gigante, Vinicius Ferreira, Jefferson Oliveira, Hélio Porto, Bira e André do Posto 7. O intérprete Wander Pires, voz oficial da Viradouro, foi o responsável por defender a obra, que teve um desempenho avassalador na quadra. O refrão principal, por exemplo, com os versos “Saravá Keindhe! Teu nome vive!/ Teu povo é livre! Teu filho venceu, mulher!/ Em cada um nós, derrame seu axé!”, foi berrado pelos torcedores. Aliás, a torcida, grandiosa, sambou e cantou sem parar. Além deles, vários dos presentes na quadra entoaram a obra a plenos pulmões. Neste grupo, estavam até mesmo alguns membros de segmentos, como baianas, passistas e ritmistas da bateria.

Em um dia recheado de emoções, Tom Maior inaugura a sua nova quadra e apresenta samba-enredo

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Os ‘mangarás’ vermelhos e amarelos estão pulsando mais forte do que nunca. Na noite deste domingo, a Tom Maior realizou um dos maiores eventos de sua história. O que aconteceu é para ficar gravado eternamente nas memórias dos componentes e torcedores da agremiação do Sumaré. Foi inaugurada a tão sonhada quadra e, junto dela, o lançamento do samba-enredo para o Carnaval 2024. O formato das eliminatórias foi feito com audições internas e divulgado inteiramente pela internet, até que no dia 23 de agosto a agremiação anunciou o hino vencedor em suas redes.

Pode-se dizer que é uma obra já aclamada como uma das melhores entre as escolhidas até agora. Devido a isso, com a quadra lotada, a comunidade da ‘vermelho e amarelo’, já cantou forte a trilha-sonora que irá embalar a escolha rumo ao desfile de 2024. A parceria vencedora é composta por: Gui Cruz, Turko, Portuga, Rafa do Cavaco, Imperial, Fabio Souza, Anderson, Willian Tadeu e Vitor Gabriel. Vale destacar que o time é bicampeão na escola, visto que venceram a disputa de 2023.

Samba diferenciado

O presidente e mestre Carlão falou sobre o processo de eliminatórias. Para o mandatário, é um samba-enredo que vai ficar na história da agremiação. Carlão contou da ansiedade em revelar o resultado, além da expectativa da comunidade. “Esse samba é uma maravilha. Eu adoro. Pode ter certeza que vai ficar na história da Tom Maior. Sobre a nossa escolha, nós fizemos toda a audição e divulgamos o resultado pela internet. É normal a ansiedade. Quando se escolhe um samba, acontece que você vai estar com ele durante um tempo e vai representar a história da sua escola. É uma coisa muito emocionante”, declarou.

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Fotos: Fábio Martins/CARNAVALESCO

Como mestre de bateria, Carlão disse que os ensaios dentro da obra começam prontamente. “No primeiro ensaio já vamos fazer os arranjos. Se o samba é escolhido na segunda, o trabalho começa na terça. E assim acontece sempre”, completou.

Escolha unânime

De acordo com o diretor de carnaval e harmonia, Bruno Freitas, o samba vencedor foi escolhido por unanimidade. Segundo o próprio, o processo se deu por reuniões dentro do próprio barracão, onde as lideranças cantavam as obras concorrentes para fazer as análises. A vencedora teve o melhor desempenho. “Nós tínhamos pelo menos uns seis sambas que entregariam o que precisávamos para o desfile. Aí internamente fomos afunilando, chegamos nos três, estava tão parelho o negócio, que surgiu a ideia de levar as lideranças para a Fábrica e cantar. Na hora que cantar o que mais adequar, e aconteceu assim, foi uma catarse, sem ensaiar, sem nada, o samba ganhador dos meninos, que era o samba 9, ele foi de uma vez. E nós falamos que não tinha como não ser esse”, contou.

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Gerson Silverstone é outro membro da direção de harmonia. O diretor já falou da parte técnica do samba dentro de um contexto de pista. “Dá para fazer um trabalho bacana em cima do samba, com certeza. O samba é muito forte e muito bom. As alas, as comunidades, os coordenadores e chefes de ala nos ajudaram a escolher esse samba. Com certeza teremos um canto muito forte na avenida, pode aguardar que chegaremos muito fortes”, afirmou.

Emoção de vencer

Imperial, compositor vencedor do samba 9, falou em nome da parceria sobre a emoção de vencer mais uma vez na Tom Maior. O escritor também deu alguns detalhes da criação da obra. “Alegria, pois não podia ser diferente, mas também emoção. O samba, desde a origem de sua composição, nos levou para um lugar especial para todo compositor que é onde a melodia e a letra exalam emoção sem muito esforço, como se já nascessem prontas e certeiras em suas intenções. O processo de criação foi muito rápido, o que não é comum na parceria. A melodia que nasceu foi despertando uma emoção espontânea na letra. Cada acorde fazia vibrar em cada verso uma emoção, uma energia amorosa”, declarou.

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Como citado anteriormente, as eliminatórias da Tom Maior se deram internamente com divulgações pela internet. O compositor aprovou o sistema. “Acho que é uma fórmula que vai, em algum momento, ocupar o espaço das eliminatórias tradicionais. Para tudo há um bônus e um ônus, mas, especificamente no caso da Tom Maior, os resultados comprovam que dá mais do que certo”, completou.

Sinergia com o enredo

O carnavalesco da Tom Maior, Flávio Campello, segue na linha do diretor de carnaval. Além de elogiar a safra, diz que a escolha foi unanimidade e um casamento perfeito com o tema. “Esse samba-enredo foi um presente, mais uma vez desta parceria. O Turko e cia, arrebentaram mais uma vez. Acho que não é à toa que estão no segundo ano consecutivo com o samba escolhido, e acho que eles conseguem captar a mensagem que a gente pretende. E gosto muito da maneira deles escreverem o samba. Assim, foi um casamento perfeito, e graças a Deus tivemos uma safra muito boa. Recebemos sambas maravilhosos, talvez tenha sido até o ano mais difícil para poder escolher o samba. Tivemos que fazer uma audição interna para poder compreender o que a escola gostaria de levar para 2024 e foi a partir daí que nossas opiniões se dirigiram para um único objetivo da escolha desse samba, quando foi unanimidade”, declarou.

TomMaior et CarnavalescoFlavioCampello

Influência na comissão de frente

O coreógrafo da comissão de frente, André Almeida, rasgou elogios à obra, também concordou sobre a unanimidade e falou das etapas que a comissão de frente deve seguir a partir dessas definições. De acordo com o dançarino, o trabalho será difícil de colocar em prática, mas que está fluindo devido ao samba escolhido.

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“O processo de escolha do samba, teve inicialmente a seleção dos sambas para a final, onde ficaram três sambas e a comissão de frente também participou de alguns ensaios com setores da escola, direção, harmonia, para escutarmos sem ter a letra na mão e ver qual seria o samba que mais ia fixar na cabeça do componente. E esse samba sem dúvida foi eleito por toda a escola. É uma excelente obra, retrata muito o enredo, aquilo que o Flávio Campello está trazendo para o carnaval da Tom Maior. E acredito que estamos sendo felizes na escolha do samba, estamos vindo de uma safra de sambas bons na Tom Maior, e esse samba achei excelente escolha para escola, componentes. Todo ano é de adaptação, é muito difícil, falo como coreógrafo, é difícil você iniciar o trabalho, pegar uma obra, sentar, pesquisar, começar o projeto, coreografia, tudo. Pois você vai moldando, vendo o que vai dar certo, experimentando coisas, mas é muito difícil para mim começar, depois que começamos, vai desenvolvendo e o trabalho fluindo. E esse trabalho está fluindo muito legal desde o começo, então para mim está sendo uma boa expectativa esse samba”, declarou.

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Samba romântico para dançar

O mestre-sala Ruhanan Pontes exaltou a grandiosidade do samba. Segundo o dançarino, a mistura do enredo indígena com o amor foi a chave do sucesso para a vitória. “Desde quando ele surgiu nas eliminatórias, já foi o que conquistou meu coração. Eu já imaginava que fosse ser bom porque sou um apaixonado por enredos indígenas, são os meus preferidos. Eu tenho um amor, porque eu gosto de penas, acho bonito quando vem um cocar e outros elementos. Eu já imaginaria que viria um samba bom pela história que o Flávio quer contar. E modéstia à parte, eu acho que o nosso samba já é o top 3 do carnaval de São Paulo. Mais uma vez, porque o do ano passado foi uma pancada, e o desse ano também. Acho que o desse ano é um pouco mais melódico, que conta uma história de muita emoção. De luta e de garra também, mas é uma história de amor. Não se fala de amor querendo jogar muito lá em cima. Eu gosto de samba assim porque para o mestre-sala e a porta-bandeira é muito melhor de dançar. Gostamos desse samba desde o começo”, declarou.

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A porta-bandeira Ana Paula concordou com seu parceiro e colocou até a sua astrologia no meio para exaltar o romantismo que a obra tem. “Ele já disse praticamente tudo. O amor dele pelo samba indígena não é nem tanto quanto o meu porque eu acho que eu não combino nada com os indígenas, mas eu gosto muito da história e da lenda. Como uma canceriana nata, eu adoro um romance e esse samba tem tudo isso. Um samba melódico para dançar para mim foi perfeito, já me encantou logo nas primeiras eliminatórias. Na final de samba que nós tivemos ficou nítido quando as pessoas cantavam o samba. A gente cantava o samba com paixão, foi muito legal. Acho que tem tudo para dar certo”, completou.

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Elogios do intérprete

O intérprete Gilsinho elogiou o samba. O cantor, que também tinha uma obra na disputa e chegou até a final, disse que se deve trabalhar para melhorar e ficar cada vez mais no ritmo da escola. “É um bom samba. Agora vamos trabalhar ele para o nosso jeito, ritmo e fazer com que ele cresça cada vez mais até chegar o carnaval e passar na avenida cantando bem. Se está sendo aclamado como um dos melhores, fico feliz”, disse.

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Veja mais fotos do evento da Tom Maior

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Salgueiro: apresentação muito forte da parceria de Pedrinho da Flor e performance de destaque de Moisés Santiago

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O Salgueiro fez na noite do último sábado, em sua quadra, mais uma etapa da eliminatória de samba-enredo para o Carnaval 2024. O site CARNAVALESCO, através da série “Eliminatórias”, esteve presente. Abaixo, você pode conferir a análise de cada apresentação.

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Foto: Anderson Borde/Divulgação Salgueiro

Ao todo, 10 parcerias se apresentaram e uma delas será cortada. O anúncio das obras que seguem na disputa será feito na próxima semana através das redes sociais da agremiação. Já a etapa seguinte do concurso ocorrerá no sábado que vem, dia 23 de setembro.

Parceria de Ian Ruas: O samba composto por Ian Ruas, José Carlos, Caio Miranda, Sonia Ruas Raxlen, David Carvalho e Gabriel Rangel foi o primeiro a se apresentar na quadra. Coube a Nêgo a responsabilidade de comandar o microfone principal, com o talento costumeiro ele contribuiu para que a obra passasse de forma fluida e com muita garra. A torcida levou bandeira nas cores da agremiação e apesar de ser possível ver alguns integrantes cantando com o apoio da letra, a maioria demonstrou saber o samba e acompanhou com bastante vibração, além do refrão principal, vale destacar os versos que antecedem o mesmo: “o amor só reconhece o que é comum a nossa história”. A adesão dos segmentos da escola foi modesta, apenas alguns harmonias cantaram.

Parceria de Tico do Gato: O samba assinado por Tico do Gato, R. Gêmeo, Sandro Compositor, Silvio Mesquita, Cesar Nascimento, Oscar Bessa, Tiãozinho do Salgueiro e Raphael Richaid foi o segundo a se apresentar. Os intérpretes Gilsinho e Nino do Milênio foram os cantores principais e comandaram uma torcida muito animada no início, além de numerosa, os integrantes levaram bandeiras quadriculadas nas cores do Salgueiro. A apresentação foi correta, não houve queda de rendimento, mas foi possível perceber o ritmo um pouco mais lento no final, o refrão principal foi a parte mais cantada. Não foi observado adesão por parte da escola.

Parceria de Moisés Santiago: De autoria de Moisés Santiago, Serginho do Porto, Gilmar L. Silva, Aldir Senna, Orlando Ambrósio, Marquinho Bombeiro, Wilson Mineiro e Gigi da Estiva, o terceiro samba a se apresentar na eliminatória salgueirense foi defendido por um time estrelado de cantores: Marquinho Art’samba, Wantuir e Serginho do Porto. A parceria que é atual campeã fez uma apresentação extremamente aguerrida, a torcida foi extremamente numerosa, eles levaram adereços que representam a mata, diferente do habitual, o efeito foi interessante, a parceria investiu também em grupos performáticos, o que também contribuiu para o espetáculo. O canto foi extremamente satisfatório, em alguns momentos os intérpretes paravam de cantar e o canto da torcida continuava alto. A obra possui refrões muito fortes e isso contribuiu para que a apresentação fosse forte do início ao fim, mesmo sem a presença da bateria durante a primeira passada.

Parceria de Fred Camacho: A quarta obra a se apresentar na quadra da Academia do Samba foi a composta por Fred Camacho, Paulo César Feital, Guinga do Salgueiro, Diego Nicolau, Fabrício Fontes, Daniel Rozadas, Claudeci Taberna e Francisco Aquino. Thiago Brito e Diego Nicolau foram os responsáveis por comandar a obra durante essa apresentação, no geral foi uma passagem muito positiva, com destaque para o refrão principal que foi cantado a plenos pulmões não só pela torcida, mas também por várias pessoas presentes na quadra, o refrão do meio, muito poético, também foi um destaque, alguns harmonias acompanharam a obra com empolgação. Não houve queda de rendimento e no final a torcida ainda se mostrava animada.

Parceria de Rafa Hecht: A obra de autoria de Rafa Hecht, Samir Trindade, Thiago Daniel, Clairton Fonseca, Michel Pedroza, Ribeirinho, Cléo Augusto e Domingos foi a quinta a se apresentar, coube a Wander Pires ser o intérprete oficial da obra, sempre excelente, ele comandou o samba com a habitual garra e contribuiu para o bom desempenho do mesmo. A torcida foi a menos numerosa até então e nem todos os componentes cantavam o samba, alguns apenas balançavam as bandeiras, porém a outra parte estava empolgada. O refrão do meio foi bem executado, assim como o principal.

Parceria de Leandro Thomaz: Na sequência, a sexta obra a se apresentar na eliminatória salgueirense foi a composta por Leandro Thomaz, Grazzi Brasil, Filipe Zizou, Myngauzinho, Marcelo Lepiane, Claudio Gladiador, Telmo Augusto e Micha. O intérprete oficial foi Zé Paulo Sierra, o cantor comandou com maestria a obra. Apesar de não ser numerosa, a torcida contribuiu para o bom desempenho do samba durante a apresentação, porém, foi observado alguns integrantes apenas balançando bexigas e bandeiras. Os versos que antecedem o refrão foram destaques, “voar nas asas de um Brasil mais verdadeiro”, assim como os refrões.

Parceria de Xande de Pilares: dando sequência às apresentações, a sétima parceria foi composta pelos compositores Xande de Pilares, Claudio Russo, Betinho de Pilares, Jassa, Jefferson Oliveira, Miguel Dibo, Marcelo Werneck e W Correa. O time responsável por defender o samba foi composto por Igor Sorriso, Leonardo Bessa e Igor Viana. Foi uma apresentação irretocável, do início ao fim o samba mostrou sua força e levantou até mesmo os camarotes, por ter dois refrões seguidos o samba se mantém forte em todo momento. A torcida extremamente numerosa e com vários ornamentos também contribuiu para que a obra passasse da forma exuberante que passou, foi possível perceber alguns harmonias interagindo em várias partes da apresentação.

Parceria de Pedrinho da Flor: A oitava obra a se apresentar foi a de autoria de Pedrinho da Flor, Marcelo Motta, Arlindinho Cruz, Renato Galante, Dudu Nobre, Leonardo Gallo, Ramon Via13 e Ralfe Ribeiro. Os responsáveis por defender a obra foram Tinga e Pitty de Menezes, a dupla mostrou muito entrosamento e foram peças fundamentais para que a apresentação chegasse à perfeição. A letra do samba é um protesto e foi possível sentir esse tom durante a apresentação, uma espécie de grito engasgado na garganta, a torcida, que já era numerosa, recebeu o reforço de algumas pessoas que estavam presentes na quadra. Definir uma parte do samba com mais destaque é injusto, o samba por inteiro se mostrou extremamente forte e vários segmentos da escola cantaram.

Parceria de Marcelo Adnet: Assinado por Marcelo Adnet, Benjamin Figueiredo, Rodrigo Gauz, Patrick Soares, Gilberth Castro, Edson Daffeh, Vagner Silva e Bruno Papão, o penúltimo samba a se apresentar na eliminatória salgueirense foi conduzido por Tem-Tem Jr Wictoria. Com a força do refrão do meio, a apresentação foi correta e mostrou um bom potencial, principalmente com a melodia da segunda parte da obra, que naturalmente induz ao canto, como na parte “Deixe o amor serenar, renascer e a bondade seguir correnteza”. A torcida estava numerosa e foi parte fundamental para que a apresentação fosse boa, durante todo o tempo a obra se manteve estável e não oscilou.

Parceria de Manu da Cuíca: Encerrando mais uma noite de eliminatória salgueirense, o último samba a se apresentar foi composto por Manu da Cuíca, Luiz Carlos Máximo, Buchecha Bil-Rait, Belle Lopes, Fabiano Paiva e Rodrigo Alves. O intérprete Bico Doce comandou o microfone principal e defendeu a obra. Apesar da pouca torcida, a apresentação foi muito forte e contou com muita empolgação, a sensação é que a torcida que estava presente realmente abraçou o samba, mesmo sendo a última parceira a se apresentar não faltou garra e vigor, a parte mais cantada foi o refrão do meio, apesar de ser todo composto por expressões indígenas isso não foi impedimento para a torcida.

Parcerias de Cláudio Mattos e Lucas Macedo dão sacode na Viradouro e Dudu Nobre também mostra força

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A Unidos do Viradouro fez na noite do último sábado, em sua quadra, mais uma etapa da eliminatória de samba-enredo para o Carnaval 2024. O site CARNAVALESCO, através da série “Eliminatórias”, esteve presente. Abaixo, você pode conferir a análise de cada apresentação. Ao todo, seis parcerias se apresentaram e cinco estão na semifinal. A semifinal do concurso ocorrerá no sábado que vem, dia 23 de setembro.

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Foto: Rafael Arantes/Divulgação Viradouro

No ano que vem, a Viradouro será a sexta e última escola a passar pelo Sambódromo da Marquês de Sapucaí na segunda-feira de Carnaval, dia 12 de fevereiro, encerrando os desfiles do Grupo Especial. A agremiação irá em busca do terceiro título de campeã da folia carioca com o enredo “Arroboboi, Dangbé”, sobre a energia do culto ao vodum serpente, que será desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon.

Parceria de Mocotó: A obra é assinada pelos compositores Mocotó, Peralta, Alexandre Fernandes, André Quintanilha, Bira do Canto, Rodrigo Deja, Reinaldo Guimarães, Ronilson, Henrique Vianna, Luiz Mata e com a participação especial de André Diniz. A torcida marcou presença em grande número trazendo luzes florescentes e chuva de papel picado. Emerson Dias e Bruno Ribas, responsáveis pela condução do samba, foram bem demais. A primeira parceria fez uma apresentação muito boa, mostrando que está crescendo na disputa. Um dos pontos que chamaram mais atenção foi a chamada para o refrão de cabeça que é um refrão potente “Arroboboi, à natureza Arroboboi.. O arco íris é dangbé… encanta o amanhecer” essa chamada era berrada pela torcida, além da melodia ser de um extremo bom gosto. Outra parte de grande destaque foi o segundo refrão que era muito cantado pela torcida. O refrão de cabeça também teve um canto contínuo e de bom rendimento. Alguns ritmistas da bateria e da harmonia cantaram o samba.

Parceria de Lucas Macedo: A obra é assinada pelos compositores Lucas Macedo, Diego Nicolau, Richard Valença, João Perigo, Cadu Cardoso, Marquinhos Paloma, Orlando Ambrósio, Lico Monteiro e Silas Augusto. A torcida fez uma festa com inúmeras bandeiras e cantando o tempo todo. Zé Paulo com todo o seu carisma, arrebentou na condução do samba. A apresentação foi um sacode, levantando o camarote que estavam os segmentos da escola. O refrão de cabeça levantou a quadra toda e ninguém ficou parado nas seis passadas da obra. O segundo refrão foi forte durante toda a apresentação também. Outro grande destaque é na virada melódica “Que acolhe a entidade, no clamor do adarrum”. Por falar em melodia, o samba possui algumas variações interessantes tanto na primeira parte quando na segunda parte. Exemplo: “À noite ou no clarão do dia, é ela quem faz o mundo girar”. Outra parte de grande destaque da apresentação é na chamada para o segundo refrão “Alafiou, alafiou, alafiou” a torcida berrava muito essa parte também. Alguns componentes da harmonia, diretoria e bateria cantaram muito o samba.

Parceria de Dudu Nobre: A obra é assinada pelos compositores Dudu Nobre, Deco, Samir Trindade, Victor Rangel, Deiny Leite, Valtinho Botafogo, Fabrício Sena, Felipe Sena e Jefferson Oliveira. A parceria contou com uma torcida apaixonada, que fez bonito na quadra com chuva de papel picado, bandeiras, presença do timbau e teve até serpente gigante no meio da torcida. Guto foi muito seguro na condução. Esse samba mostrou muita força com uma boa sintonia entre palco e torcida. A apresentação foi ótima e o ponto de maior destaque foi o refrão principal que tem sido uma explosão na quadra. O verso “Se me desafinar é guerra” é potente e fácil de grudar. A cabeça do samba também passa força com “Alafiou… lutar ou morrer Viradouro”. O segundo refrão também passou bem na quadra. Outro destaque foi na virada melódica “Jeje matriz do candomblé… Bahia ilê de ifé….toca o adarrum ÔÔÔÔ”. A chamada para o refrão de cabeça também passou com destaque “Quem jamais se rendeu… não vai desistir”. Foi possível notar alguns do segmento de harmonia cantando bastante o samba.

Parceria de Cláudio Mattos: A obra é assinada pelos compositores Cláudio Mattos, Cláudio Russo, Júlio Alves, Thiago Meiners, Manolo, Anderson Lemos, Vinicius Xavier, Celino Dias, Bartolo e Marco Moreno. A torcida também fez a sua festa e não parou de cantar um segundo sequer. Não teve coreografia apenas torcida, pois o camarote também participava toda vez que chegava na parte “Ê alafiou, ê alafiá… é o ninho da serpente jamais tente afrontar”. Pitty de Menezes foi excelente na condução do samba, que também contou com Rafael Tinguinha muito bem. Encerramento com chave de ouro. Um sacode! Assim como na parceria do Lucas Macedo levantou a galera do camarote. O refrão de cabeça passou forte demais e foi sem dúvida um dos destaques. A chamada para o refrão de cabeça foi outro ponto de desequilíbrio da parceria. O segundo refrão também foi muito cantado pela torcida. O verso “Vive em mim” logo na saída do refrão do meio foi berrado, assim como o verso “Ayi! Que seu veneno seja meu poder”. A primeira parte também foi bem executada, mostrando a força logo na cabeça do samba. Alguns componentes da bateria, diretoria e harmonia cantaram.

Parceria de Igor Leal: A obra é assinada pelos compositores Igor Leal, Gustavo Clarão, Inácio Rios, Márcio André, Arlindinho Cruz, Diogo Nogueira, Igor Federal, Rubinho, Vaguinho, Vitor Lajas e Igor Leal. Penúltimo samba da noite fez uma apresentação correta e contou com uma torcida que marcou presença fazendo uma linda coreografia. Freddy Vianna, intérprete da Mancha Verde, foi bem na condução do samba, junto com o time de apoio. O segundo refrão foi um dos grandes destaques da apresentação, sendo bem cantado pela torcida. Outro ponto de destaque vai na variação melódica “Eu vejo um Rio correndo pro mar”. Por falar na melodia, a parceria tem uma melodia que foge do habitual. Foi possível notar alguns ritmistas animados com a passagem da obra. Alguns componentes da harmonia também cantaram o samba.

Mangueira: Parceria de Samir Trindade se destaca em etapa com boas exibições também de Lequinho e Bernini

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A Estação Primeira de Mangueira abriu as portas de sua quadra, na noite desse sábado, para mais uma eliminatória da disputa para escolher o hino oficial para o Carnaval do ano que vem. Dando sequência a série “Eliminatórias”, a reportagem do site CARNAVALESCO esteve presente e acompanhou mais uma fase da competição. Ao todo, oito obras se apresentaram no palco da agremiação. Ao final, os sambas das parcerias de Jocelino e Fábio Martins foram cortados. Os demais seguem para a próxima etapa do concurso promovido pela verde e rosa que irá acontecer no sábado que vem, dia 23 de setembro.

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Foto: J.M.Arruda/Divulgação Mangueira

Em 2024, a Mangueira levará para o Sambódromo da Marquês de Sapucaí o enredo “A negra voz do amanhã”, que fará um tributo para cantora Alcione. Essa homenagem terá a assinatura da dupla de carnavalescos formada por Guilherme Estevão e Annik Salmon, que irão para o segundo ano consecutivo na agremiação. A Estação Primeira será a quarta escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval, dia 12 de fevereiro, pelo Grupo Especial.

Parceria de Gilson Bernini: O primeiro samba a se apresentar na eliminatória mangueirense foi o composto por Gilson Bernini, Xande de Pilares, Cadu, Edinho Gomes, Kiosque Raiola e Jorginho Bernini. Responsável por comandar a obra, o intérprete Ito Melodia, voz oficial da Unidos da Tijuca, deu um show na quadra e contou com alguns apoios de luxo, como o dos cantores Bruno Ribas e Serginho do Porto. O refrão principal, com os versos “Hoje o morro desceu feliz/Nós somos sementes, Mangueira é raiz/ Um laço de amor que não se desfaz/ O samba não vai morrer… Jamais”, foi o grande ponto alto, sendo berrado pelos torcedores. Aliás, a torcida, que compareceu em peso, fez uma verdadeira festa. Eles vieram com bandeiras estilizadas, que faziam referência a Mangueira e ao Maranhão, terra natal de Alcione. Durante todo o tempo da apresentação, o grupo pulo, vibrou e fez coreografias. Quanto ao restante da quadra, houve uma recepção positiva a obra. Tanto que foi possível ver segmentos, como as baianas, cantando o samba a plenos pulmões.

Parceria de Bete da Mangueira: O samba de autoria de Bete da Mangueira, Ronie Oliveira, Márcio Bola, João Carlos, Giovani e Jotapê foi o terceiro a se apresentar na eliminatória da disputa promovida pela verde e rosa. O intérprete Tem Tem Jr. Foi o responsável por defender a obra na quadra. Os torcedores vieram com bandeiras verde e rosa, estampadas com uma estrela e o número da parceria. Empolgados, eles pularam e sambaram o tempo inteiro. O canto tinha seu ápice no refrão principal, “O morro vai descer…/ O samba não vai morrer/ É impossível esquecer teu nome/ Nos braços do povo a cantar/Mangueira hoje é Alcione”, que foi entoado com bastante força. O refrão do meio, com os versos “Nas turnês e nas baladas/Nas madrugadas ecoava o som/Dessa voz iluminada…/ A nossa diva, quem é? É marrom”, também chamou a atenção e teve um bom rendimento na quadra.

Parceria de Lequinho: Dando prosseguimento as apresentações, o quarto samba da noite de eliminatória foi o composto por Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Fadico, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim. O intérprete Tinga, voz oficial da Vila Isabel, foi quem comandou o microfone principal e soube conduzir a obra com maestria. Um dos pontos altos foi o refrão principal, com os versos “Meu palácio tem rainha e não é uma qualquer/ ‘Arreda homem que aí vem mulher’/ Verde e rosa dinastia pra honrar meus ancestrais/ Aqui o samba não morrerá jamais”. Outro destaque foi o trecho de subida para esse refrão, “Ela é odara, deusa da canção/ Negra voz, orgulho da nação”, que teve um excelente rendimento. Em grande número, os torcedores da parceria também mostraram sua força. Ornamentados com bandeiras nas cores da agremiação, o grupo sambou e cantou ao longo de toda a apresentação. A obra também contagiou o restante das pessoas presentes na quadra, sendo possível observar até mesmo alguns membros de segmentos, como baianas e ritmistas, cantarolando.

Parceria de Moacyr Luz: O samba assinado por Moacyr Luz, Pedro Terra, Gustavo Louzada, Karinah, Compadre Xico e Valtinho Botafogo foi o sexto a se apresentar. O cantor Gilsinho comandou o microfone principal com segurança e soube valorizar o desenho melódico da obra, mesmo com um ritmo mais “para frente” em alguns momentos. O refrão principal, com os versos “Erê, erê, erê, não deixe o samba morrer/ Erê, erê, é meu pedido final/ Minha escola ganhando mais um carnaval/ A Mangueira ganhando mais um Carnaval”, foi o grande destaque, sendo o trecho de maior rendimento na quadra. A torcida, uma das maiores da noite, berrou o samba e pulou o tempo inteiro. Eles vieram com bandeiras estilizadas da parceria, todas nas cores da agremiação.

Parceria de Thiago Meiners: A sétima e penúltima obra a se apresentar na noite de eliminatória mangueirense foi a de autoria de Thiago Meiners, Beto Savanna, Indio da Mangueira, Michel Pedroza, Wilson Mineiro e Julio Alves. O intérprete Pitty de Menezes, da Imperatriz Leopoldinense, foi quem conduziu a obra na quadra. O samba teve seus picos de rendimento durante os refrões, especialmente o do meio, com os versos “Nazareth dos azulejos de São Luís/ Da igrejinha à matriz, a sua fé/ Tambor de Mina, o encanto do meu Cazumbá/ Roda a saia menina pro bumba meu boi festejar”. Com bandeiras verde e rosa estampadas com os dizeres “Quem veste verde e rosa é sentinela de erê”, retirado do refrão principal, os torcedores se mostraram animados ao longo da apresentação e cantaram a obra o tempo inteiro. O restante da quadra também reagiu bem ao samba, sendo possível observar algumas pessoas cantando, entre elas, segmentos como as baianas.

Parceria de Samir Trindade: Encerrando as apresentações, o oitavo samba da noite de eliminatória foi assinado por Samir Trindade, Lacyr D’Mangueira, Romulo Presidente, Thiago Portela, Cristiano David e Vinicius Fernandes. O intérprete Igor Sorriso, da Mocidade Alegre, foi o responsável por defender a obra, que teve um desempenho avassalador na quadra. O refrão principal, com os versos “Mas é claro que é, Mangueira/ Primeira estação/ A verde e rosa chama seu nome/ Alcione”, assim como a chamada para ele, “Quem pisou na passarela é um pedaço de mim/ Todo mundo sabe ao longe pelo som do tamborim”, foram alguns dos destaques. A torcida, numerosa, também fez bonito. Ornamentados com bandeiras verde e rosa, os torcedores cantaram e pularam ao longo de toda a apresentação. Havia um grupo com baloes dourados em formato de letras, que formavam o nome Alcione. Ainda nas referências para a homenageada, a parceria trouxe uma artista caracterizada como a cantora, que performou no palco. Em relação ao restante da quadra, houve grande receptividade a obra, que foi entoada por diversos segmentos e até por baluartes como Guesinha, filha de Dona Neuma e neta de Saturnino Gonçalves, primeiro presidente da história da Mangueira.

Parcerias de Jeferson Lima e Me Leva são destaques em segunda eliminatória de samba na Imperatriz

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A Imperatriz Leopoldinense fez na noite da última sexta-feira, em sua quadra em Ramos, a segunda etapa do concurso que vai escolher o samba-enredo para o Carnaval 2024. O site CARNAVALESCO, através da série “Eliminatórias”, esteve presente. A noite começou com muito samba com a escola esquentando a disputa com apresentação de segmentos e sambas memoráveis. Também aconteceu uma homenagem ao compositor Guga, quinze vezes vencedor na Rainha de Ramos. Em seguida, a eliminatória com a presença de 8 obras. A dinâmica para cada apresentação foi de uma passada sem bateria, seguida de outras três com o acompanhamento dos ritmistas de mestre Lolo. A parceria de Hélio Porto foi a única cortada. Confira ao longo do texto a análise do desempenho de cada parceria nesta etapa do concurso de samba-enredo.

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Foto: Nelson Malfacini/Divulgação Imperatriz

No próximo carnaval, a Imperatriz vai encerrar a primeira noite de desfiles do Grupo Especial no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. A Rainha de Ramos irá em busca do bicampeonato com o enredo “Com a sorte virada pra lua, segundo o testamento da cigana Esmeralda”, que está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira.

Parceria de Jorge Arthur: A parceria composta por Jorge Arthur, Cláudio Russo, Fadico, Dudu Miller, Marquinhos Bombeiro e Maestro abriu a noite.O samba foi conduzido pelos intérpretes Gilsinho, da Portela, e Tem-Tem Jr, do Império Serrano. Ambos os cantores fizeram uma apresentação muito correta da obra. O samba trouxe uma destacada linha melódica com alguns pontos altos como o refrão do meio “A sorte não tarda chegar”, em um falso refrão, ou seja não se repete. Outro destaque do ponto de vista melódico é o trecho no final da segunda do samba com os versos “Pela rua da ilusão vim caminhando a pé/ Pra encontrar a minha cigana de fé”. Esta parte se relaciona com o pré-refrão que também se sobressai na melodia com os versos “Ciganinha puerê Ciganinha puerá/A profecia vai se revelar”, que na repetição tem uma leve mudança de notas. A parte de maior energia e que foi a mais cantada pela torcida e por alguns integrantes da quadra foi o refrão principal “Vai clarear! Ê vai clarear…”. Apesar deste pedaço, no geral a obra não atingiu o público massivo da quadra e os segmentos, resumindo-se a alguns integrantes da escola e a própria torcida, que mesmo em um número mais reduzido, estava bastante animada e trouxe bolas nas cores verde e branco.

Parceria de Jeferson Lima: O segundo samba da noite foi composto por Jeferson Lima, Rômulo Meirelles, Jorge Goulart, Silvio Mesquita, Carlinhos Niterói, Bello e participação especial de Gigi da Estiva. O samba foi conduzido pelos intérpretes Nêgo, da União da Ilha, com apoio do experiente Silas Leléu. Uma grande apresentação da dupla, principalmente de Nêgo, que trouxe seus já conhecidos cacos, todos dentro da letra e da melodia, ajudando a elevar o desempenho da composição. A obra se adequou bastante com a cadência da bateria “Swing da Leopoldina”, com um andamento bastante agradável sem perder a força do samba que teve vários pontos altos em sua melodia como a primeira parte, logo no início da cabeça com os versos “busquei os versos pra contar/ o que esmeralda escreveu/ meu futuro é todo dela/ e o dela não é meu”. Um início mais melodioso que ganhou muito poder na voz do Nêgo. Outros pontos de muita força foram os dois refrãos em que a quadra se envolveu bastante, inclusive, segmentos da escola e o público em geral, muita gente dançando e pulando. A torcida também foi um ponto alto, numerosa, com bandeiras em diversas cores e na frente meninas vestidas com roupas de cigana bastante coloridas. Junto com a parceria do Me Leva foi o grupo que mais mexeu com a quadra, não reduzindo a animação e o interesse pela obra só à torcida.

Parceria de Guilherme Macedo: O terceiro samba da noite foi composto por Guilherme Macedo, Raul Dicaprio, Manfredini, Alexandre Cabeça, Alfredo Jr e Bernini. O samba foi defendido no palco pelos intérpretes Ito Melodia, da Unidos da Tijuca, Bruno Ribas da Unidos de Padre Miguel, além do apoio de Tuninho Júnior da Independentes de Olaria. A atuação dos cantores foi sem dúvida um ponto alto da apresentação, tanto pelo vigor e força do trio, quanto pelo bom encontro entre as vozes de Ito, Bruno e Tuninho. A obra tem como característica marcante ser um samba com o andamento para frente. É positivo, pois tem a tendência da vibração da obra não cair durante as apresentações. Mas, apesar de possuir refrãos fortes em termos de explosão musical, a obra não conseguiu envolver a quadra e os segmentos em geral, só algumas poucas pessoas cantando ou pulando fora da própria torcida. Os torcedores da parceria trouxeram bolas e a apresentação no palco contou com efeitos de cascata de faíscas quando a bateria entrava na segunda passada. Como pontos mais cantados foram os refrãos “Bambeia aí pra não cair da corda bamba…”, que é o do meio, mas também o principal “Cigana de puerê, puerá! Esmeralda confirmou, é aqui o meu lugar…” , além do trecho “Hoje tem arrasta povo, é manhã de carnaval” até o verso “coração leopoldinense diz que o sonho continua!”, momento mais voltado para a exaltação da escola.

Parceria de Zé Katimba: O quarto samba apresentado na noite foi de autoria de Zé Katimba, Dudu Nobre, Zé Inácio, Mirandinha sambista, Luizinho das camisas e Tuninho Professor. O intérprete Tinga, da Vila Isabel, foi o grande responsável por conduzir o samba de Zé Katimba e companhia, tendo alguns integrantes do carro da Vila no apoio, em especial seus filhos. Tinga é sempre um ponto alto em disputas de samba e nesta apresentação não fez por menos, com muita energia colocando o samba lá no alto em andamento, com muita explosão, mas com melodia e correção. A cabeça do samba, nos versos “no olhar da imperatriz tem o verde da esmeralda quero ver-te imperatriz no olhar da esmeralda é nossa gente em caravana”, apresenta um ponto de muito impacto, é uma estrutura que se assemelha e tem a força de um refrão, ainda que não se repita e esteja no início da primeira do samba. Mas, faz a obra já começar muito forte. No refrão do meio, a melodia também se destaca com “pés descalços no chão em celebração, festejando o amanhecer”, linha melódica que não cai de forma alguma no lugar comum. A torcida veio numerosa, com bandeiras e foi talvez a que mais pulou e se envolveu. Algumas mulheres vestidas de cigana à frente da torcida também causaram um interessante impacto na apresentação. Já em relação aos segmentos e público da quadra, o envolvimento com a obra foi menor do que a torcida e de algumas poucas parcerias, ainda que possa ser considerado satisfatório para continuar forte na briga. Não se percebeu trechos em que a obra caísse significativamente.

Parceria de Marquinho Lessa: O sexto samba a se apresentar foi dos compositores Marquinho Lessa, Henrique César, Dadinho, Chico de Belém, Cleiton RP e Waltinho Honorato. O samba foi conduzido pelos intérpretes da Mangueira, Marquinho Art’Samba e Dowglas Diniz. A grande surpresa no palco foi a presença de um violino que acompanhou o samba durante toda a apresentação, destacando-se em alguns momentos, e não atrapalhando o desenvolvimento das vozes. Também no palco, estavam presentes duas pessoas e uma criança, vestidos de ciganos, fazendo uma apresentação de danças típicas do povo de certa forma homenageado no enredo. O samba teve em seus pontos altos o refrão principal “Vai na Fé Imperatriz…” e o trecho final antes do refrão, representado pelo verso “Que a nossa comunidade chegou…”, o momento que gerava mais aclamação do público. Porém, as estrofes no geral foram pouco cantadas pela comunidade leopoldinense. Outro destaque, dessa vez pela melodia e pelo lirismo presente na letra, estava no verso “nos braços de Morfeu”. Em relação a torcida, o “povo” da parceria de Marquinhos Lessa não estava entre os maiores em contingentes, mas trouxeram bandeiras coloridas, participaram bastante com coreografias e com integrantes vestidos de ciganos. Uma mulher também com roupas típicas, em cima de pernas de pau, chamava bastante atenção e se destacava no meio da quadra. A apresentação dos cantores mostrou bom entrosamento e correção, inclusive, com os apoios.

Parceria de Nenel S Filho: Penúltimo samba da noite era uma obra solo do compositor Nenel S Filho. O samba foi conduzido pelo próprio Nenel, sem cantores de apoio, com cavaco e violão. O compositor mostrou muito carisma e coragem de acreditar em sua obra e levar ela adiante. Foi sambista e fez uma apresentação digna recebendo em troca o carinho da comunidade leopoldinense que dançou e organizou-se em uma pequena torcida no meio da quadra para a obra. A bateria e outros segmentos deram muita força para a apresentação, e confiante, Nenel deixava para o público o último verso do refrão principal “tem a sorte virada pra lua”. A obra tem um tom mais nostálgico com características de sambas mais antigos. Apesar do respeito da comunidade, e da vibração emocionante do artista ao receber a confirmação da passagem para a próxima etapa, o samba deverá ter problemas com um andamento mais correspondente com os utilizados nos dias atuais.

Parceria de Me Leva: O último samba da noite foi composto por Me Leva, Gabriel Coelho, Luiz Brinquinho, Miguel da Imperatriz. Antônio Crescente e Renne Barbosa. O samba foi conduzido pela parceria que deu certo ano passado na Verde e Branca de Ramos com Igor Vianna, hoje na Unidos de Bangu, e Igor Sorriso, da Mocidade Alegre. A dupla mostrou sintonia e conduziu bem a obra, mostrando entrosamento inclusive com a torcida que a parceria trouxe. Os componentes cantavam toda a vez que os cantores suprimiam o cantar e deixavam os trechos para o público. A obra também teve um envolvimento muito interessante com a comunidade em geral, segmentos como baianas e passistas cantavam e dançavam durante a apresentação do samba. A composição de Me Leva e companhia tem algumas características interessantes na melodia em alguns trechos como o pré-refrão que também é um dos conjuntos de versos que faz maior sucesso no canto com o “Ciganinha Puerê,puerê, puerá…”. Já o refrão principal mostra força e faz um ode a escola com o “Tá escrito nas estrelas, Imperatriz”. E o refrão do meio, é mais melodioso e distinto. A numerosa torcida trouxe bandeiras nas cores da escola e fez coreografia durante diversos trechos da apresentação. O andamento do samba não caiu em nenhum momento. Mostrou força, mais uma vez, e pode almejar ir longe nesta disputa.

Loucura é não saber amar! Parceria de Gegê Fernandes vence samba do Arranco para o Carnaval 2024

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O Arranco do Engenho de Dentro abriu as portas da própria quadra, na noite da última sexta-feira, para realizar a final do concurso de samba-enredo para o Carnaval de 2024. Ao todo, quatro obras chegaram na última etapa da competição. Cada uma delas teve direito a uma passada sem bateria e mais 20 minutos acompanhada dos ritmistas da “Sensação”. Após uma maratona de apresentações que varou a madrugada, o anúncio do hino oficial para o ano que vem ocorreu já no começo da manhã de sábado e a parceria de Gegê Fernandes, Negô Vinny, Robson Ramos, Niu Souza, Bello e Dilson Marimba se sagrou vencedora.

O samba escolhido irá embalar o enredo “Nise – reimaginação da loucura”, desenvolvido pelo carnavalesco estreante Nícolas Gonçalves. A proposta da escola é exaltar a importância de Nise da Silveira e abordar o seu legado para a saúde mental brasileira. No ano que vem, o Arranco será a terceira agremiação a desfilar na Avenida no sábado de Carnaval, dia 10 de fevereiro, pela Série Ouro.

“É um sentimento único vencer a disputa de samba. No meu caso, o último samba que tive no Sambódromo foi no Cubango, em 2004, e voltar a ter uma obra, feita com muito carinho, cuidado e amor, só desejo que essa obra possa levar o Arranco ao lugar mais alto do pódio. Como sou um sambista, eu gosto muito da parte que cita um trecho da música da D. Ivone Lara, que era parceira na Nise: “sonho meu, a inclusão. Sonho meu, brilha nesse chão. O rei momo avisou que o meu Arranco é todo amor'”, disse o compositor Gegê Fernandes.

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Fotos de Allan Duffes/CARNAVALESCO

“É uma emoção muito grande, porque eu já tive aqui como vice-diretor de Carnaval em um momento de grande dificuldade, que a gente não sabia se ia ter condições de botar o desfile na rua. Isso foi na época em que escola estava na Intendente Magalhães. E ter participado um pouquinho dessa trajetória para chegar até onde o Arranco chegou e hoje voltar como compositor tendo a minha obra escolhida como hino oficial para o Carnaval de 2024 é algo indescritível. Só quem pisa nesse chão sabe que aqui nada é fácil, tudo é difícil. Sei como é sofrida a comunidade do Engenho de Dentro, o nosso Arranco. Se Deus quiser, vai ser um Carnaval maravilhoso e o nosso hino vai ajudar que a escola consiga almejar maiores passos até o Grupo Especial. Essa é a minha segunda vitória no Arranco, já venci em outras escolas também, mas aqui tem uma emoção maior. Aqui é a escola do meu coração. Aqui é tudo amor de verdade”, completou o compositor Negô Vinny.

A presidente do Arranco do Engenho de Dentro, Tatiana dos Santos, conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO sobre os preparativos visando o Carnaval de 2024. A mandatária adiantou um pouco do que o sambista em geral, em especial aqueles que são torcedores da escola, podem esperar da apresentação no ano que vem.

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“Muita emoção. Acho que a marca do Arranco na Marquês de Sapucaí este ano vai ser essa. Queremos arrancar lágrimas, queremos que a pessoa se veja em tudo que a gente vai apresentar, porque cada um carrega um pouquinho de toda a história que levaremos para a Avenida. Quanto ao tamanho que o nosso desfile vai ter, só digo uma coisa: sonho é uma coisa que não se paga. Então, o nosso sonho é um Carnaval gigantesco, com muito amor. Sei que sou suspeita para falar isso, mas garanto que o projeto do Carnaval de 2024 do Arrancos está absurdamente lindo”, ressaltou Tatiana.

Depois de conseguir garantir a permanência na Marquês de Sapucaí, o Arranco quer alçar voos ainda maiores. Porém, para isso, alguns desafios ainda precisam ser superados, entre eles as questões envolvendo a falta de um espaço adequado para a confecção do Carnaval. Na entrevista para a reportagem, Tatiana dos Santos destacou o que tira de lição da experiência vivida com o último desfile.

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“Para o Arranco foi uma vitória muito grande colocar o Carnaval de 2023 na Avenida. A gente passou por muita dificuldade, afinal estávamos vindo de nove anos na Intendente Magalhães. E você volta sem aquela estrutura toda, sem barracão, fazendo carro na chuva, fazendo fantasia na quadra, água por tudo quanto é canto… Muita gente não acreditava que o Arranco ia conseguir desfilar. Mas, colocamos aquele amor, a força, a garra do arranquista, e dessa união fizemos o nosso trabalho acontecer. Erros, a gente comete o tempo inteiro, porque esse é o Carnaval. É um errinho aqui, um errinho ali, que gente vai transformando e ajeitando no nosso dia a dia. E acho que a maior lição que carregamos do Carnaval de 2023 para o do ano que vem é que a gente vai com o dobro da garra. A gente fez o nosso retorno para Sapucaí, conseguimos permanecer e agora é ter mais força de vontade para alcançar posições ainda melhores”, avaliou a presidente.

Carnavalesco exalta primeira oportunidade na Sapucaí

Após a saída de Antônio Gonzaga, o Arranco resolveu novamente apostar em um estreante para o posto de carnavalesco e contratou Nícolas Gonçalves. Natural de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, o artista é formado na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e possui experiência em montagens operísticas, exposições, além de produções de audiovisual em teatro. Ele atuou também no Carnaval de maquete e foi campeão em sua cidade natal pela A.R.E.S. Embaixada do Morro. Na folia carioca, ele teve passagens por diferentes escolas, nas quais desempenhou as mais diversas funções, e agora terá a missão de assinar seu primeiro desfile no Sambódromo da Marquês de Sapucaí.

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“É uma responsabilidade, mas estou me sentindo muito feliz. Desde que eu cheguei, fui muito bem acolhido aqui. Aliás, é uma alegria essa minha primeira oportunidade na Sapucaí ser no Arranco, que é uma escola que abraça. Para gente que está iniciando, é muito bom ser recepcionado dessa forma, porque vale lembrar que é uma estreia. Por mais que eu já tenha uma trajetória no Carnaval, é inevitável ficar ansioso ou inseguro. Porém, a todo tempo aqui na escola, eles me fazem sentir como se fosse o melhor carnavalesco. Eles acreditam no meu projeto, compram o meu barulho. Então, repito que estou muito feliz de estar estreando aqui. Agradeço muito minha presidente que está me apoiando, que está fazendo das tripas coração para que a gente consiga tirar o projeto do papel do jeito que estou imaginando. Não à toa, fizemos uma disputa de samba, algo que não vinha sendo feito na escola, e estou muito feliz por isso também. Resumindo, estou contente de ajudar, de participar desse avanço, desse crescimento que a escola merece. Que o Arranco se firme cada vez mais na Sapucaí”, declarou Nícolas Gonçalves em entrevista concedida para a reportagem do site CARNAVALESCO.

Para falar sobre a história de Nise da Silveira, a escola optou por fazer uma abordagem afetuosa e carnavalizada, dando enfoque à sensibilidade da homenageada diante da imensidão dos mundos da loucura. Por conta disso, a narrativa do desfile funcionará como uma espécie de um conto ficcional. Nele, a médica retorna ao atual Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira, antigo Centro Psiquiátrico Nacional de Engenho de Dentro, para uma análise das memórias do passado e dos feitos da atualidade. Na conversa com o site CARNAVALESCO, Nícolas Gonçalves relatou como surgiu a ideia desse enredo, deu detalhes sobre essa adordagem e adiantou o que não pode faltar nele.

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“Quando eu vim para cá, vim com uma responsabilidade. O Antônio Gonzaga, que está na Portela agora, fez aqui um grande enredo no Carnaval de 2023, com uma pegada territorial muito forte, e as pessoas compraram essa ideia. Tendo isso em mente, tive o desafio de trazer um enredo que novamente a comunidade se identificasse. E foi uma surpresa muito grande quando eu vi que a Nise trabalhou a duas quadras de distância do Arranco, que ela escreveu sua história tão perto da escola, fazendo parte também da identidade e do imaginário coletivo do bairro. Todos aqui já ouviram falar da história da Nise, apesar de não conhecerem profundamente, como a gente quer trazer no enredo. Todo mundo passava pelo Instituto e relembrava ‘ah, o hospital dos loucos’. Então, é muito legal trazer essa história para conhecimento novamente. As pessoas do bairro estão muito felizes de estarem entendendo mais ainda. Portanto, esse enredo encaixou muito pela questão da territorialidade e pela Nísia ser uma mulher. A escola, hoje, tem a presença no comando de Dona Diná, da Tatiana dos Santos, que são mulheres guerreiras, assim como a Nise foi. Além disso tudo, o enredo ainda homenageia o instituto que hoje leva o nome da Nise. É mais uma grande instituição do Engenho de Dentro que realiza um trabalho artístico incrível e está sendo uma emoção muito legal estar em diálogo com eles, propondo parcerias, ações conjuntas. A gente tem duas potências gigantes no bairro e fazer essa loucura literalmente suburbana é uma baita oportunidade. Estou me sentindo muito realizado por isso. Acho que é uma parceria muito boa. E basicamente é isso, não pode faltar essa identidade do bairro e a identidade do instituto, que traz toda essa questão artística muito forte, que combina muito com a escola de samba e tem tudo para dar certo. Pelo menos, essa é a minha aposta”, afirmou.

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Nélio Azevedo, um dos diretores de harmonia

Mestre Gilmar volta ao carnaval para comandar a bateria

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, mestre Gilmar falou sobre a volta ao carnaval e o período em que ficou fora. “Foi um período de reavaliação. Eu estava há 32 anos em uma agremiação, dedicado ao samba. E esse afastamento foi para uma análise do que eu já fiz, do que eu queria para mim e para a minha família. Se parar para pensar, ser um sambista é não ter natal, ano novo, não ter tempo para a família. E reavaliar também o comportamento, alguns conceitos sobre bateria e samba. Estar de fora, olhar o samba, o carnaval e a evolução das baterias, foi muito bom por esse lado. É claro que eu senti muito, eram 32 anos ininterruptos, parte da minha vida dedicada à Sapucaí, e ficar 2 anos afastado, deu para eu reavaliar tudo o que eu queria. Agora, veio essa oportunidade no Arranco, onde eu vou colocar tudo o que sei e aprendi nesse tempo afastado, e reaprender muitas coisas”.

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Mestre Gilmar citou o que pode melhorar na bateria para 2024 e conversou sobre paradinhas e bossas. “Os dois mestres de bateria do último carnaval, foram crias minhas. Para mim, eles fizeram um excelente trabalho e, quando eu vi no que eles se transformaram, eu fiquei muito feliz, porque vieram para o Arranco por indicação minha. Eu vou seguir, claro com um pouco do que eu acho que possa ser, com meu tempo de bateria. Hoje, as pessoas me olham muito como quem gosta de bossa. Eu gosto muito de coisas diferentes, mas hoje eu quero montar uma bateria, uma estrutura de bateria. Eu costumo falar sempre: a melhor bossa que pode ter na avenida é o bom andamento. Vou buscar o andamento perfeito, o toque coeso entre todos os instrumentos e, devagarinho, a gente vai ter uma cara. Eu estou pensando mesmo no samba, no que trazer. Nesse primeiro momento, eu quero criar uma característica para a bateria do Arranco. Com o tempo eu penso em bossa, que é consequência de um bom samba. Com o passar dos anos, eu puxei o freio com a questão das bossas. Gosto muito, mas agora busco uma coisa melodicamente mais tranquila. Todo mundo me conheceu por bossas mirabolantes. Continuo gostando, mas no momento, estou montando uma estrutura de bateria. Terá bossa sim, mas bem mais tranquila do que já fiz”.

Casal confiante no próximo desfile

Renovados para o Carnaval 2024, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Yuti e Gislaine, primeiro fez um balanço de 2023.

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“Faltou um pouco mais de experiência. Foi o meu primeiro ano, então foi um aprendizado para que, no próximo ano, os erros não sejam cometidos novamente. Foi mais uma preparação, que teve aquela tensão de ser a primeira vez. Então, para o ano que vem, nós vamos trabalhar de outra forma para superar os erros de 2023”, disse a porta-bandeira. “Nós tiramos dois 9,9 e dois 10. Foi uma experiência muito boa, porque foi uma prova de fogo. Ela foi maravilhosa e mostrou muito bem o trabalho dela. Tivemos algumas divergências, mas são coisas que acontecem. Dificuldades sempre vão existir, mas conseguimos superar e tirar uma boa pontuação, mesmo esperando algo menor. Devido a ser a primeira escola. Uma escola vinda da Intendente Magalhães. Mas, felizmente os jurados viram o Arranco, que fez um trabalho grandioso, viram que tínhamos profissionais maravilhosos. O que deixou a gente bastante feliz”, completou o mestre-sala.

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A dupla falou também sobre a fantasia para 2024 e projetou o desfile do ano que vem. “Muito trabalho e dedicação. A paixão pelo pavilhão é sempre um fato crescente, que requer entrega. Vamos trabalhar a questão técnica, a resistência… a preparação já começou. Com o samba escolhido influencia totalmente na nossa coreografia e o trabalho já começa. Aí, o tempo fica corrido e cada dia conta muito”, afirmou Gislaine.

“Nós estamos sabendo da ideia da fantasia, que é brilhante. Nunca vi na Sapucaí. Será muito técnica e visada. Totalmente diferente do que as pessoas esperam”, assegurou Yuri.

Quem também falou com a reportagem do site CARNAVALESCO foi o diretor de Carnaval do Arranco, Múcio Travassos. Ele antecipou que, apesar da escolha do hino oficial ocorrer em setembro, a escola só deve iniciar seus ensaios de quadra no mês de novembro. Já o começo dos treinos de rua deve ficar somente para dezembro.

“Já temos um planejamento feito, mas ainda faltam algumas arestas serem paradas para conseguirmos bater o martelo sobre a data certa que vamos começar os nossos ensaios. Nossa expectativa é em novembro dar início aos ensaios de quadra. Já os de rua a estimativa é que comecem em dezembro e se intensifiquem em janeiro”, contou o diretor de Carnaval.

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Múcio Travassos também comentou sobre a situação envolvendo o barracão da escola. Segundo o diretor, a agremiação está ocupando dois espaços distintos, o que exige uma maior logística por parte dos profissionais.

“Estamos com dois barracões para fazermos as nossas alegorias. Um na Via Binário do Porto e o outro na Central. A gente trabalha em escalas, enquanto uma equipe está em um barracão, a outra está no segundo espaço. É um trabalho em conjunto. Esperamos que Deus nos abençoe para que a gente consiga fazer um desfile brilhante em dois espaços diferentes. Não é fácil, mas temos fé. Estamos correndo atrás de um local que a gente consiga concentrar tudo nele, mas está difícil. Porém, a esperança é a última que morre”, pontuou.

Juventude no carro de som

Para o desfile do ano que vem, o Arranco terá uma nova dupla de intérpretes. Após Diego Nicolau deixar a escola, a azul e branca contratou Thiago Acácio para comandar o carro de som ao lado de Pamela Falcão. Em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO, os dois fizeram uma análise sobre o início dessa parceria e destacaram como tem sido o processo de trabalho juntos.

“Thiago foi um presente. Em 2023, eu fiz uma dupla de milhões com o Diego Nicolau e, para o ano que vem, Papai do Céu me abençoou com esse novo parceiro, que é uma pessoa extraordinária. A nossa voz casou super bem e agora temos mais é que trabalhar”, destacou Pamela.

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“Ela roubou minha frase, porque ia falar também que é um presente tê-la do meu lado. Mas, eu posso dizer uma coisa: se estou hoje no Arranco, um dos motivos é a Pamela. Ela foi uma das pessoas que me escolheu para estar do lado dela no comando do carro de som e esse encontro está sendo cada dia mais satisfatório. A gente tem se enamorado um pelo outro, esse processo de gravações dos sambas tem feito a gente se apaixonar ainda mais pelo nosso trabalho e isso tem dado resultados. Todas as vezes que a gente sobe no palco da quadra estamos mais entrosados, mais animados e tenho certeza que a gente vai fazer um trabalho lindo juntos na Avenida no Carnaval de 2024”, ressaltou Thiago, logo em seguida.

Análise das parcerias na final

Parceria de Gegê Fernandes: O primeiro samba a se apresentar no palco da quadra do Arranco na final da disputa para definir o hino oficial da escola em 2024 foi o de autoria de Gegê Fernandes, Negô Vinny, Robson Ramos, Niu Souza, Bello e Dilson Marimba. O intérprete Wantuir, da Porto da Pedra, foi o responsável por conduzir a obra, que teve uma boa performance. O refrão principal, com os versos “Não é delírio não… É felicidade/ Nise, a saudade te faz regressar/ Reimaginando a insanidade/Loucura é não saber amar”, foi o destaque, sendo o trecho de melhor rendimento. Numerosa, a torcida da parceria fez uma grande festa. Ornamentados com balões nas cores da escola, além de fitas coloridas, o grupo cantou, pulou e fez coreografias ao longo dos mais de 20 minutos de apresentação. Houve chuva de serpentinas no meio da galera, assim como a utilização de fogos de artifício no palco. Quanto ao restante da quadra, a recepção ao samba foi positiva. Foi possível observar algumas pessoas de fora da torcida entoando a obra, dentre elas diretores de harmonia.

Parceria de Tony Matos: Dando sequência, a segunda obra a se apresentar na final da disputa promovida pelo Arranco foi a assinada por Tony Matos, Claudinho Dvd, Rafinha, Zé Paulo Miranda, Igor Vinícius e Enidio Guimarães. O jovem intérprete Igor Vinícius comandou o microfone principal, tendo o veterano Luizinho Andanças como um luxuoso apoio, e mostrou segurança na função. O samba melodioso teve como pontos altos os refrões, especialmente o do meio, com os versos “Pincel da tela da ilusão/ Instabilidade da emoção/ Te dei a mão, não dei a mão/ Parece verdade, só que não”. Já como ponto negativo, vale mencionar o baixo rendimento da obra na quadra, mesmo com os esforços do time de cantores. Quanto à torcida, a parceria contou com uma quantidade extremamente pequena de pessoas nela. Esses torcedores trouxeram cartazes com desenhos abstratos e até demonstraram certa animação ao longo da apresentação, porém pouco cantaram a obra.

Parceria de PC: A obra composta por PC, Carlinhos, Maciel Zilmar Conde, Bira do Banjo e Téo Dimeriti foi a terceira a se apresentar na final. O intérprete Silas Leleu é quem defendeu o samba, que teve um desempenho mediano. Os refrões foram os grandes destaques, sendo o principal, com os versos “O vento soprando foi comvidar/ A ‘dama do samba’ pra ver o filme passar/ É colorida a imagem do Carnaval/ Reflete um brilho especial”, o de melhor rendimento. Um ponto fraco da obra foi a perda de fôlego ao longo dos mais de 20 minutos no palco, chegando a arrastar por alguns trechos durante as duas últimas passadas. Em relação a torcida, com bandeiras coloridas como adereços de mão, eles mostraram empolgação e cantaram forte principalmente nos refrões. Porém, essa vibração do grupo não contagiou o restante da quadra, que em sua maioria apenas assistiu a apresentação.

Parceria de Noca Neto: Finalizando as apresentações, o samba composto pela parceria de Noca Neto, Serginho do Porto, Clarissa Mainardi, Ângelo Gaia, Marcus Teles e Gabriel Sampaio foi o quarto nessa decisão da disputa do Arranco. O intérprete Serginho do Porto, um dos autores da obra, é quem teve a missão de conduzi-la no palco da final. O cantor estava tão confiante que até mesmo arriscou descer e ir para perto da torcida. Ao decorrer dos mais de 20 minutos de apresentação, o samba conseguiu manter uma performance boa, tendo como ponto alto o refrão principal, com os versos “Vem resistir/ É loucura suburbana na Sapucaí/ Meu futuro se refaz/ E o Arranco anuncia/ Manicômio nunca mais”. Aliás, os torcedores, que compareceram em peso, foram uma atração à parte. Com balões nas cores da agremiação e estandartes diversos, o grupo cantou e sambou o tempo inteiro, fazendo alguns movimentos coreografados. Eles trouxeram ainda uma faixa com os dizeres “Arranco anuncia manicômio nunca mais!”, retirada justamente do refrão principal da obra. Em relação ao restante da quadra, o samba teve uma receptividade positiva. Não foi difícil observar vários dos presentes no local entoando a obra. Até membros de segmentos como a bateria e a harmonia foram vistos cantarolando ela.

Ouça o samba do Arranco para o Carnaval 2024

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Compositores: Gegê Fernandes, Negô Vinny, Robson Ramos, Niu Souza, Bello e Dilson Marimba

Me julgas por quê?
Se tenho o poder de sonhar
Em telas pincel o viajar
Por um mundo que é só meu
Perdido no caos, dispenso a razão Da grade que aprisiona a criação
O afeto venceu o medo e a dor
Livre do aperto do opressor
Cadeados abertos, muros ao chão
Ninguém supera a força da imaginação

No templo da arte… profusão em cores
A tela é a janela pro infinito
No meu universo particular
Vejo o mundo mais bonito

A pintura ganha vida
Na ilusão dessa avenida… se torna real
Ouço a batucada ensandecida
Na “Loucura Suburbana” é carnaval…
De confete e serpentina é carnaval.
Sonho meu a inclusão
Sonho meu brilhar nesse chão
O Rei Momo avisou
Oue meu Arranco é todo amor

Não é delírio não… é felicidade
Nise, a saudade te fez regressar
Reimaginando a insanidade
Loucura é não saber amar