O intérprete Emerson Dias cantou o samba-enredo do Salgueiro para o Carnaval 2024 no festival Guardiões da Favela. A escola de samba levará para Avenida o enredo “Hutukara”.
Cante com a Mocidade: samba para o Carnaval 2024
O intérprete Zé Paulo Sierra cantou o samba-enredo da Mocidade para o Carnaval 2024 no festival Guardiões da Favela. A escola de samba levará para Avenida o enredo “Pede caju que dou… Pé de caju que dá!”.
Recheada de caras novas, São Clemente grava samba em homenagem a Zé Katimba para álbum da Série Ouro 2024
Sempre irreverente no seu jeito de ser, a São Clemente vai desfilar pelo segundo ano consecutivo na Série Ouro depois de passar 11 carnavais no Grupo Especial, entre 2011 e 2022. Mordida para voltar à elite da folia carioca, a escola convive com um período de mudanças em seus principais quadros nesta preparação para o próximo desfile. No comando da bateria desde 2011 em companhia de outros profissionais e desde 2018 em voo solo, mestre Caliquinho deixou a Fiel Bateria em abril deste ano, dando lugar para a chegada de mestre Marfim, que já fazia parte da diretoria dos ritmistas. Outra grande surpresa foi a saída do intérprete Leozinho Nunes, que comandava o carro de som da agremiação desde 2016, em alguns desfiles acompanhado de nomes como Grazzi Brazil, Maninho e Bruno Ribas, e em outros trabalhando de forma individual. Para o seu lugar, a São Clemente apostou na formação de uma dupla, Vitor Cunha e Leandro Santos, que já fizeram parte do carro de som de algumas escolas como apoio. Outra novidade foi a chegada do carnavalesco Bruno Oliveira. Pela primeira vez como mestre na gravação de um álbum da Liga RJ, Marfim falou sobre a oportunidade e contou mais sobre sua trajetória na Amarela e Preta da Zona Sul.

“Em primeiro lugar eu tenho que agradecer ao presidente Renato pela oportunidade de ter me colocado como mestre de bateria. Eu já fazia parte da antiga gestão do mestre Caliquinho, somos grandes amigos, já viemos de muitos anos juntos, somos nascidos e criados no morro Santa Marta, que é a escola da comunidade, acho que foi algo muito natural essa saída do Caliquinho e a minha subida para o cargo. Antigamente eu era repique de bossa, e você vai meio que criando uma liderança dentro da bateria, e mais por instinto de responsabilidade, como repique você tem que ter uma responsabilidade a mais que o ritmista normal, em 2010 virei diretor e fui diretor até virar mestre”, conta mestre Marfim.

Originalmente vindo da bateria, o presidente Renatinho, que comandou a Fiel bateria por cerca de 15 anos, entre o final dos anos 80 e começo dos anos 2000, mostrou bastante empolgação com a equipe que a São Clemente está montando para o próximo desfile. Além de Marfim, o mandatário analisou as chegadas de Vitor Cunha e Leandro Santos, além do carnavalesco Bruno Oliveira.
“O Caliquinho pediu para sair mesmo, porque ele está com dois filhos.É meu amigo. Ele gosta muito da escola e está ajudando o Santa Marta que é a escola do coração dele. O mestre Marfim também é do Santa Marta. Os dois foram criados juntos. Foi apenas uma passagem de bastão. Trouxemos esses dois meninos para cantar, eles deram uma vida à escola diferente, não tenho problema com o Leozinho, é um menino que eu tratava como um filho. Foram questões pessoais dentro da escola. E pela gravação fiquei muito satisfeito com os cantores, é um negócio assustador. Estou empolgado com o carnavalesco também, acho que vai vingar em 2024”, espera o dirigente.

“Vem, como é bom voltar/Guarabira em festa quer te abraçar”, são versos de um pequeno pós-refrão que antecede a cabeça do samba e já teve na gravação a cara e o “jeitinho” dos novos intérpretes da São Clemente. Apresentados na final do concurso de samba-enredo realizado no dia 06 de outubro, Vitor Cunha e Leandro Santos conversaram com a reportagem do CARNAVALESCO em Marechal Hermes durante as gravações da faixa para o álbum da Série Ouro. A dupla revelou que já possui ligação com a escola e espera um grande desfile em 2024.

“Já passei pela São Clemente em 2009, foi um trabalho muito legal que a gente fez e de lá pra cá, depois que eu saí, a galera da escola sempre me tratou muito bem, pessoal da harmonia, bateria, os componentes em geral, voltar a São Clemente agora foi uma surpresa imensa, quero agradecer muito a galera do samba que eu defendi, porque não fosse eles também, é aquela velha história de quem não aparece, não é lembrado. Agora junto do Leandro, já cantamos juntos na Estácio, na época a escola foi campeã inclusive. Estamos trabalhando muito, nos conhecendo melhor também nesta gravação da faixa e está sendo muito legal”, admite o intérprete Vitor Cunha.

“Somos da família Clementina já, estive em 2005 com o Clóvis Pê, em 2006 com o Bessa, e estamos retornando a uma das nossas casas do carnaval. Muito feliz pelo convite do Renatinho, também fui pego de surpresa, mas é muito reconfortante estar nesse projeto, o enredo maravilhoso sobre o Zé Katimba, o samba está muito bacana, pode ter certeza que vai vir um grande trabalho não só do nosso carro de som, mas da bateria e de toda a comunidade. Aqui nós vamos iniciar um grande trabalho na Sapucaí”, promete Leandro Santos.
Na Fiel Bateria já começa a se ver a cara de Marfim
Com o desafio de manter o trabalho de uma bateria que vinha sendo bastante elogiada nos últimos anos pelo trabalho que Caliquinho vinha desenvolvendo, mas ao mesmo tempo, com a missão também de apresentar novos caminhos, mestre Marfim destaca que tem buscado colocar as suas características, ainda que respeitando os processos que vinham dando certo na Fiel Bateria.

“Mesmo eu já fazendo parte da antiga gestão, eu tenho característica próprias de andamento, afinação, bossas, essa gravação vai ter já uma cara mais de Marfim na Fiel Bateria.Fizemos alguns ensaios, costumo explorar muito a melodia do samba, espero o samba ser escolhido para depois desenvolver as bossas em cima da Melodia da obra. Acho que até para valorizar mais ainda o samba. Podem esperar algo ousado, mas ao mesmo tempo respeitando a melodia da obra”, esclarece o diretor de carnaval.
O enredo “Que grande destino reservaram pra você” vai trazer a importância de Zé Katimba para a história do carnaval das escolas de samba e para a música popular brasileira. O compositor, com seus 90 anos de idade, será representado no palco onde ele foi e é consagrado. A obra escolhida pela diretoria da São Clemente para o carnaval 2024 é de autorias dos compositores Ricardo Góes, Naldo, Serginho Machado, Sérgio Gil, Fadico, Orlando Ambrosio, Matias de Oliveira e Fernando Lima, superou os sambas de Marcelo Adnet e Cia e Robert Farrow e Cia. O presidente Renatinho falou sobre o samba da agremiação para o próximo desfile e explicou a estratégia da escola após a gravação da faixa oficial da Liga-RJ.

“É uma disputa que houve na quadra, e qualquer pessoa que concorre contra o Adnet, esse artista global, que é uma grande sensação agora do carnaval, sabe da dificuldade. É um samba que leva multidões, escolhemos uma grande obra. E fizemos uma gravação excelente para o carnaval 2024. Vamos fazer nossos ensaios para toda a escola cantar, nesse primeiro mês vai ser só de canto, falei até para o Marfim colocar apenas 30 ritmistas porque a gente quer escutar o canto. Acho que vai dar bom se Deus quiser”, deseja o presidente.

Com o enredo “Que grande destino reservaram pra você”,em 2024, a São Clemente será a sexta escola a desfilar na Marquês de Sapucaí no sábado de carnaval.
Mais fotos da gravação da São Clemente

No Dia da Consciência Negra, Paraíso do Tuiuti faz ensaio com presença dos principais segmentos e samba-enredo volta a ser destaque
O Paraíso do Tuiuti celebrou o Dia da Consciência Negra, na última segunda-feira, com muito samba. Ainda durante a tarde, a agremiação abriu as portas de sua quadra para realizar mais uma edição da tradicional feijoada. O evento, que contou com a participação das coirmãs Unidos da Tijuca e Porto da Pedra, terminou no período da noite e foi seguido pelo ensaio de rua da escola. O treino ao ar livre, que é o quarto da temporada para o Carnaval de 2024, contou com um número reduzido de pessoas em comparação com as segundas-feiras anteriores. A largada foi dada já por volta das 23h, com a agremiação concluindo o percurso no início da madrugada desta terça-feira. Os principais segmentos estiveram presentes e o hino oficial voltou a ter um ótimo rendimento, graças a performance segura do intérprete Pixulé e ao espetáculo promovido pela bateria “Super Som”.

“A gente está lapidando um trabalho. Hoje conseguimos ter um resultado bem melhor que o da semana passada. Isso mostra que estamos evoluindo. Os esforços tão surtindo efeito. A comunidade, por exemplo, cantou muito mais. Então, a tendência agora é só essa. É só aperfeiçoar. Lapidar o que dá errado. Aqui na rua é para isso. Os ensaios servem justamente para errar, corrigir e acertar. Quanto ao contingente, tivemos um problema que foi a chuva. Então, muitos componentes ficaram com receio de sair de casa, pegar um alagamento e de repente enfrentar algum problema no meio do caminho. Mesmo assim, considero que tivemos um bom efetivo aqui de componentes, de pessoas, e que o treino foi bastante positivo”, avaliou o diretor de carnaval do Tuiuti, André Gonçalves, em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO após a conclusão do ensaio.
No ano que vem, o Paraíso do Tuiuti será a quinta escola a cruzar o Sambódromo da Marquês de Sapucaí na segunda-feira de Carnaval, dia 12 de fevereiro, pelo Grupo Especial. Na ocasião, a azul e amarela do bairro de São Cristóvão apresentará o enredo “Glória ao Almirante Negro!”, uma homenagem ao marinheiro João Cândido, que atuou na liderança da Revolta da Chibata. O desenvolvimento do tema é do carnavalesco Jack Vasconcelos.
Comissão de frente
O quarto ensaio de rua da Paraíso do Tuiuti foi mais uma vez aberto pela comissão de frente assinada pelos coreógrafos Cláudia Mota e Edifranc Alves. A apresentação, especialmente elaborada para os treinos no Campo de São Cristóvão, contou com um contingente maior que os das últimas semanas, tendo sido formada dessa vez por três mulheres e dez homens. Apesar desse aumento no número de integrantes, a coreografia seguiu a mesma, possuindo como marca a teatralização em cima da letra do samba e os passos bem definidos, executados com bastante sincronia. Novamente, a performance teve como ápice o momento em que uma das integrantes era erguida para o alto e, em seguida, se jogava de costas, sendo amparada por outros componentes.

Mestre-sala e Porta-bandeira
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane, apostou em uma apresentação que mesclou o bailado tradicional com passos coreografados. A dupla, que veio com um figurino predominante em tons de amarelo, teve uma dança marcada pela intensidade e por momentos de bastante velocidade, traços característicos na trajetória de ambos. Os giros foram uma constante ao longo da performance, assim como a sincronia entre eles. Aliás, o entrosamento foi um ponto alto. No terceiro trabalho consecutivo juntos como defensores do pavilhão principal da agremiação, os dois demonstraram ter uma conexão forte, com movimentos precisos, gestos elegantes e troca de olhares constantes.

Samba-enredo
Após apresentar uma queda de rendimento na semana anterior, a obra composta por Cláudio Russo, Moacyr Luz, Gustavo Clarão, Júlio Alves, Alessandro Falcão, Pier Ubertini e W Correia voltou a ter um bom desempenho nesse quarto ensaio de rua da Paraíso do Tuiuti. A performance do intérprete Pixulé no microfone principal foi fundamental para isso. Seguro e confortável no comando do carro de som, o cantor oficial soube conduzir o samba melodioso de uma forma vibrante e potente, mantendo essa pegada do início ao fim do treino. Além dele, a bateria “Super Som” foi outro fator importante para que o hino não tivesse uma queda ou ficasse arrastado no decorrer de uma hora e 15 minutos de apresentação no Campo de São Cristóvão. Em mais uma noite inspirada, os ritmistas liderados pelo mestre Marcão agitaram os componentes e os espectadores presentes no local, através da realização de bossas e de nuances que deram um brilho a mais ao já belo desenho melódico da composição.
Harmonia
O bom desempenho do samba-enredo refletiu positivamente na performance do quesito nesse quarto treino a céu aberto da Paraíso do Tuiuti. Mesmo com um contingente menor, muito por conta do feriado do Dia da Consciência Negra e da ameaça de chuva para a noite de segunda-feira, os componentes que marcaram presença no Campo de São Cristóvão não fizeram feio no canto. Os dois refrões tiveram ótimo rendimento durante toda a passagem da escola, sendo entoados com força pelos desfilantes. A subida para o refrão principal, “Salve o Almirante Negro/Que faz de um samba enredo/Imortal!”, e o falso refrão que antecede o do meio, “Ôôô A Casa Grande não sustenta temporais/Ôôô Veio dos Pampas pra salvar Minas Gerais”, também se saíram bem e foram cantados com afinco. Já outras partes da obra deixaram a sensação de que podem ter um funcionamento melhor. É o caso, por exemplo, dos trechos “O mar com as ondas de prata/Escondia no escuro a chibata/Desde o tempo do cruel contratador”, presente na primeira estrofe, e “O luto dos tumbeiros/A dor de antigas naus/Um novo cativeiro/Mais uma pá de cau”, oriundo da segunda estrofe, que foram cantados apenas de forma tímida e com um baixo volume. Em relação às alas em si, o destaque ficou para a segunda e a terceira que mostraram estar com a letra na ponta da língua e cantaram com muita vontade o hino oficial por completo, se sobressaindo as demais justamente pela garra e animação.

Evolução
Apesar de não terem ocorrido falhas graves ao decorrer do ensaio da noite dessa segunda-feira, a evolução da Paraíso do Tuiuti é um ponto que merece atenção. A escola teve um ritmo lento durante a passagem pelo Campo de São Cristóvão e abriu alguns pequenos clarões, que foram rapidamente corrigidos, nos momentos de deslocamento após as paradas dos segmentos nas cabines simuladas de jurados. Nas alas em si, sem o calor excessivo da semana anterior, foi possível observar os componentes desfilando com maior empolgação. Eles vieram sem lugares marcados ou fileiras rígidas, o que permitiu que brincassem e evoluíssem de maneira mais solta. Vale destacar que, por estratégia da agremiação, não houve o recuo da bateria, que veio encerrando a apresentação da azul e amarela.

Bateria
A “Super Som” seguiu a tendência das últimas semanas e novamente foi o grande destaque desse quarto ensaio da Paraíso do Tuiuti no Campo de São Cristóvão. Os ritmistas liderados por mestre Marcão, junto do carro de som comandado pelo intérprete Pixulé, foram os responsáveis por ajudar o samba melodioso da escola a ter uma performance empolgante ao longo de uma hora e 15 minutos de treino. Diferente do que vinha sendo apresentado nessa temporada na rua, a bateria dessa vez explorou mais o ritmo como um todo e executou menos vezes as bossas e nuances que estão sendo preparadas. O andamento também foi um pouco mais acelerado em comparação às segundas-feiras anteriores, sendo adotado 143 BPM (batidas por minuto). Em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO, Marcão pontuou que o momento é de experimentar e enalteceu a importância desses testes ao ar livre na hora de aprimorar o que já vem sendo desenvolvido desde julho, visando justamente o desfile oficial do ano que vem.

“Gostei para caramba do ensaio, achei muito bom. O trabalho, como um todo, está progredindo. Toda segunda-feira, a gente aproveita esse espaço para testar e depois fazer a nossa avaliação, justamente para tentar identificar o que funciona, o que é bom, o que é ruim e o que pode melhorar. Também acompanhamos de perto o andamento, verificando toda hora se não caiu ou se subiu. Nesse treino de hoje, por exemplo, desde o momento que a gente largou até o final, foi a mesma coisa, o mesmo patamar, graças a Deus. O nosso samba é muito melódico, tanto que buscamos explorar isso através das nuances que fazemos dentro do ritmo. É algo bem legal. E estamos realmente experimentando. É claro que tem muita água para rolar e cada vez vamos evoluindo mais. Tem segunda-feira que fica ruim, tem segunda-feira que fica bom, faz parte do processo. Estamos ajeitando ainda, tem uma bossa para poder deixar ela bem equalizada, essa daí do paradão que fica só o surdo está um espetáculo, então realmente é um exercício de ir tirando e colocando. É tipo jogo de xadrez, onde a gente tira a peça daqui, move para ali e, daqui a pouco, dá o xeque-mate. É isso”, relatou o comandante da “Super Som”.
Outros destaques
Além da bateria “Super Som”, outra constante quando se trata de destaque em ensaio de rua da Paraíso do Tuiuti é a rainha Mayara Lima. A beldade é um verdadeiro acontecimento. Pode fazer chuva ou sol que a quantidade de pessoas que se aglomeram nas calçadas para vê-la passar é sempre de se impressionar. Todas as vezes os olhares e as câmeras ficam atentos, só no aguardo de registrar mais um show de samba no pé. E, na noite dessa segunda-feira, não foi diferente. Com short amarelo e uma blusa toda com pedrarias, Mayara esbanjou beleza, simpatia e muito gingado, fazendo questão de atender os apelos do público e interagir com os ritmistas através da dança sincronizada com as batidas.
Cante com a Grande Rio: samba para o Carnaval 2024
O intérprete Evandro Malandro cantou o samba-enredo da Grande Rio para o Carnaval 2024 no festival Guardiões da Favela. A escola de samba levará para Avenida o enredo “Nosso Destino É Ser Onça”.
Cante com a Vila Isabel: samba para o Carnaval 2024
O intérprete Tinga e a equipe do carro de som da Vila Isabel cantaram para o site CARNAVALESCO o samba-enredo para o Carnaval 2024. A escola de samba levará para Avenida a reedição de “Gbalá – Viagem ao Templo da Criação”.
De sambista para sambista! Segunda edição do festival Guardiões da Favela faz história e conquista público
Um carnaval fora de época. A Cidade do Samba recebeu no último sábado a segunda edição do Guardiões da Favela, organizado pela Acadêmicos do Grande Rio para promover a integração entre as baterias das agremiações. Com 14 horas seguidas de duração, passaram pelo palco do evento 11 escolas do Grupo Especial, três da Série Ouro e duas de São Paulo. Segundo mestre Fafá, que comanda a bateria da tricolor de Caxias e idealizador do festival, o encontro buscou valorizar o espetáculo do carnaval em todo o país e foi abraçado pelo povo do carnaval.

Os ingressos foram vendidos por cerca de R$ 30 e cada agremiação recebeu cerca de 300 a 400. Abraçado pelas coirmãs e aprovado pelo público, a próxima edição do Guardiões tende a ser muito maior. Fafá revelou que a proposta para o próximo ano é dar mais espaço para a Série Ouro e convidar, também, as escolas mirins e da Intendente Magalhães. Segundo ele, a iniciativa é importante para valorizar todo o carnaval brasileiro.
“Acredito que deva ter essa inclusão. Também vamos aumentar o número de escolas do Grupo de Acesso e cada vez mais vamos melhorar a estrutura. Esperamos que se mantenha aqui ou vá para um lugar maior. Tem que ter essa integração não só daqui ou com São Paulo. Acredito que a intenção dos Guardiões é ter uma integração também com o Espírito Santo, Porto Alegre, Manaus, Belém, para mostrar que o nosso carnaval é forte em todos os lugares”, contou o mestre de bateria.

A primeira edição foi realizada na quadra da Grande Rio, em Duque de Caxias, e não comportou o público presente. A partir daí surgiu a iniciativa de buscar um local maior. Fafá acredita que a iniciativa tem o papel de valorizar os ritmistas e mestres de bateria. Imagens de grandes nomes que passaram pela bateria da escola decoravam a Cidade do Samba.
“Hoje, com a Cidade do Samba do jeito que está, vejo que a galera comprou a ideia. O nosso intuito é valorizar os mestres. Colocamos um banner com todos os mestres que passaram pela Grande Rio – só faltou o mestre Maurício, que não conseguimos achar nenhuma foto. Valorizar ritmistas, mestres e diretores é algo que precisa ser feito. É uma galera apaixonada e que se dedica muito. Queria agradecer a todos que ajudaram. Espero que a gente consiga estruturar cada vez mais o Guardiões da Favela”, diz.
Idealizador do festival junto com Fafá, o diretor social da Grande Rio, Mozart Dalua, conta que o planejamento da segunda edição teve início três meses após a primeira.

“A Grande Rio estava condicionada a só fazer ensaio técnico. Daí o Fafá pensou em fazer uma festa. A primeira edição foi um sucesso e a quadra não comportou. Na procura por um lugar maior, chegamos a pensar na Apoteose, mas seria muito grande. Essa edição também foi um sucesso e no próximo ano vamos tentar crescer ainda mais. O espaço é muito bom e tem uma integração além das apresentações”, ressalta Dalua.

De acordo com ele, os paulistas compareceram em peso e representaram quase metade dos ingressos comercializados. Para representar a terra da garoa, foram convidadas a Vai-Vai e o Império da Casa Verde.
Mestre Zoinho, que comanda a bateria do Império da Casa Verde, é um velho conhecido do carnaval carioca. Ele já foi ritmista da Vila Isabel, Unidos da Tijuca e Grande Rio. Na agremiação caxiense, Zoinho chegou a tocar com o mestre Du Gás, pai de Fafá. Ele acredita que a integração entre as baterias representa a luta por um mesmo ideal.

“Considero algo muito importante. Frequento o carnaval do Rio há 23 anos e participo de várias baterias. Estar com a minha bateria fazendo parte dessa festa me deixa muito honrado. A festa é muito boa e o que vale é a integração da galera. São todos juntos lutando pelo mesmo ideal”, comenta o mestre da ‘Barcelona do samba’.
O mestre Nilo Sérgio, que comanda a bateria da Portela, também acredita que festivais como o Guardiões da Favela contribuem para a integração entre os ritmistas. Para ele, as apresentações contribuem, de certa forma, no preparo para a Marquês de Sapucaí.

“Até mesmo para o público saber como as baterias vão se apresentar no dia do desfile. Também ajuda para o pessoal saber o samba e isso é muito importante. A avaliação é positiva. No ano passado tiveram alguns erros, mas acredito que eles acertaram. Precisamos dessa festa”, afirma o mestre da Tabajara do Samba.

Por parte dos ritmistas, a única reclamação foi o extenso horário de duração. Ao CARNAVALESCO, alguns mestres afirmaram que o festival foi aprovado e é muito importante para o carnaval, mas sugeriram que ele seja dividido em dois dias.
Público aprova
O público presente aprovou a segunda edição do Guardiões da Favela. Na ‘invasão’ paulista à Cidade do Samba teve até mãe e filha apaixonadas pelo carnaval carioca. Ivete Tamagnini, 64 anos, empresária e torcedora da Beija-Flor, e a filha Mariani Tamagnini, 41 anos, arquiteta e mangueirense, vieram de Peruíbe para acompanhar o festival. Para Mariani, o encontro foi ‘incrível’.
“Eu amei. Vale cada centavo e cada suor. Ano passado nós fomos na Grande Rio, e como era a primeira edição, algumas coisas precisavam ser acertadas. Neste ano eles se superaram e realmente mandaram muito bem. Com certeza, volto no ano que vem”, diz.

Ela conta que o amor pelo carnaval do Rio de Janeiro começou desde cedo, porque os pais tinham uma escola de samba na cidade de Mongaguá. Por influência de um amigo, se apaixonou pela Estação Primeira de Mangueira.
“Meus pais eram carnavalescos de Mongaguá (São Paulo) e sempre teve essa coisa das agremiações do Rio de Janeiro serem o olimpo das escolas de samba. Um colega meu era um mangueirense fanático e apaixonado pela Mangueira, daí eu me apaixonei pelo amor dele”, conta.
Já a mãe, Ivete, comemora seu aniversário nesta semana e ganhou a viagem como presente da filha. Também apaixonada pelo carnaval, ela comandou a Veneno, uma antiga escola de samba de Mongaguá. “Última vez que eu vim para o Rio foi em 1996, quando desfilei pela Beija-Flor. Eu não conhecia a Cidade do Samba. Hoje, quando cheguei aqui, fiquei chorando por meia hora”.
Águia de Ouro mostra leveza e bateria potente em ensaio para o Carnaval 2024
Por Will Ferreira e Fábio Martins
No pensamento da grande maioria das pessoas, carnaval é sinônimo de alegria e felicidade. É com esse espírito muito em alta que o Águia de Ouro fez o Ensaio Geral da agremiação no último domingo, na Zona Oeste de São Paulo. A agremiação, oriunda do bairro da Pompeia, demonstrou muita leveza na apresentação. Dentre os segmentos, destaque para Harmonia, Evolução e Bateria. É importante destacar também que o samba-enredo, contestado por jornalistas e algumas pessoas do meio do carnaval, correspondeu muito bem a tudo que foi proposto.

Comunidade valente
Dentre componentes da escola, havia o temor de que o ensaio do último domingo não tivesse grande contingente de pessoas. A garoa tipicamente paulistana que caiu durante todo o dia e a emenda de feriado poderia afastar muitos componentes da agremiação. O receio, entretanto, não se confirmou. Se a quadra não estava lotada, ela tinha grande número de pessoas – é importante destacar que o espaço para eventos do Águia é uma das maiores da cidade de São Paulo.

Dentre os segmentos, um dos que mais levou componentes foi a bateria. Comandante da Batucada da Pompeia, mestre Juca, se recuperando de um acidente automobilístico, aproveitou para falar sobre o trabalho desenvolvido pela equipe comandada por ele e executada por diversos ritmistas – incluindo uma mudança que está em execução e foi iniciada já no ciclo anterior. “A gente está fazendo um trabalho mais específicos com as caixas-de-guerra. No ano passado nós fizemos uma mudança na levada da nossa caixa, esse é o segundo ano e estamos mais em cima nesse ano para não correr nenhum risco. Mas o trabalho não mudou muita coisa, não. Foi só as caixas, mesmo. O samba de 2024 é bem fácil, como era o do ano passado. Já estamos trabalhando no andamento do samba e fazendo o que sempre fizemos: as paradinhas do samba, as bossas e colocar a galera para fazer o melhor na avenida. As afinações são as mesmas de sempre. É muito fácil trabalhar na bateria do Águia porque ela é muito da casa, não tem muita gente de fora. O pessoal já sabe qual é o caminho do trabalho, sem muito problema”, exaltou.
Com um ritmo tão forte advindo dos instrumentos, não é de se estranhar que o samba-enredo também tivesse destaque. Na opinião dos intérpretes, o grande trunfo da canção é a leveza. Douglinhas comentou utilizando a senha universal da felicidade. “Esse samba é impossível de cantar triste. É um samba que é alegre, é um samba feliz. Quem estiver cantando o samba vai estar cantando com sorriso no rosto, pode ter certeza. É isso que, pelo menos desde a primeira vez, é essa impressão que me passou”, comentou.
Mais uma vez em dupla, Serginho do Porto concordou com o companheiro. “Hoje em dia, a gente precisa sair do normal, do óbvio. Essa coisa do samba natural que fica aquela coisa presa. A gente precisa de um samba mais alegre. O carnaval está perdendo a sua essência, ele está chegando na rota do fim porque você só escuta samba engessado. É aquela mesma coisa, é a mesma divisão, parece que você já ouviu aquele samba passar dez vezes na avenida. Então, a gente precisa de alegria, é um samba alegre. O carnaval é uma alegria. Eram três, agora são cinco dias que a gente aproveita pra viver como reis e rainhas. É esse momento que a gente precisa, um momento de alegria. E o Águia sabe desfilar. E ela, quando vem com samba que mexe com o povo, você sabe que dá resultado”, afirmou.

Visões distintas
Antes do ensaio, a reportagem conversou com Sidnei Carrioulo, diretor de carnaval e presidente da agremiação. Ao perguntar o que o mandatário considerava que poderia ter uma melhora, teve dele uma resposta surpreendente. “Acho que o chão da escola ainda não está no nível que a gente costuma sair, e isso me preocupa. O chão da escola sempre foi o nosso diferencial – e, até consultando alguns outros presidentes, outros colegas da gente da escola, percebemos que está meio complicado a questão do componente. Não está a mesma coisa que era antes da pandemia. Nós estamos meio que atirando um pouco mais nesse sentido, de que a gente melhore mais o chão da escola, que a vibração seja maior e as pessoas tenham um pouco mais de tino de disputa do carnaval. Isso é o que eu acho que a gente precisa melhorar, e estamos trabalhando para isso”, lamentou.

Ao começar a atividade, entretanto, o que se viu foi uma comunidade bastante atenta e extremamente participativa. Com danças até mesmo para os alusivos e cantando em bom som, diversas alas estavam coreografadas (com destaque para o refrão do meio, ‘É gol, é gol, é gol/A torcida vai delirar, olê olá’) e todas evoluíram em andamento uniforme, sem sobressaltos.
Um dos pontos que a comunidade da Pompeia mais respondeu foi em um momento destacado por mestre Juca em entrevista. “A temática de rádio inspirou a bateria, sim. Temos uma bossa depois do refrão do meio que foi inteiramente inspirada no rádio. Temos algumas variações de levada e mudamos de ritmo justamente pelo fato do rádio ser muito musical”, afirmou.

Se, em um primeiro momento, Sidnei confessou algo que o incomodava, a escola está em um bom caminho no cômputo geral, de acordo com o próprio. “Primeiro que às vezes eu até passo do limite da sinceridade, quando está ruim eu falo que está ruim mesmo. Mas não é esse caso. As coisas estão se encaixando, o carnaval está ficando, além de plasticamente muito bonito, perfeitamente encaixado. É um enredo que até me surpreendeu, na verdade. Lá no começo fizemos uma pesquisa que foi legal; fizemos o projeto… mas, com o decorrer do tempo, se aprofundando mais, ouvindo mais pessoas que vivem do rádio, pessoas que são apaixonadas pela história do rádio, a gente foi conseguindo abranger um pouco mais essa coisa maravilhosa que é o rádio. Acabei me apaixonando pelo rádio, essa é a verdade. Está sendo um belo carnaval, acho que vai ser uma grande surpresa e um grande desfile esse ano”, finalizou.
Para aguçar a curiosidade
Quesitos plásticos não podem ser avaliados em um ensaio geral, já que eles só serão revelados ao público no dia do desfile. E, na visão de Sidnei, são justamente eles que, até aqui, são o ponto alto da alviazul da Zona Oeste. “Plasticamente eu fiquei admirado, nosso grande trunfo é a plástica desse carnaval. Quando a gente começou, vimos que o rádio tem uma coisa muito muito interessante: ele te obriga a montar uma imagem, porque ele está falando e você está viajando na imagem da sua cabeça. Uma coisa muito interessante é comparar com a televisão: o rádio, se você deixar de ouvir um pouquinho, você perde o fio da meada; a televisão não, seu subconsciente está vendo a imagem. Eu fiquei preocupado com isso no começo, mas depois as coisas foram ficando tão claras (a história do rádio, onde o rádio foi importante e etc), que plasticamente ficou muito gostoso. Foi muito legal, eu faria até mais um desfile sobre o tema, porque são tantas coisas, que hoje a nossa preocupação também é não abrir muito leque – para não conseguir fazer a história completa. Plasticamente eu acho que, você vai bater o olho e você vai identificar tudo no nosso carnaval. É legal, eu gosto disso, particularmente. Ver uma alegoria e saber o que ela representa, identificar a fantasia com mais facilidade, porque eu não preciso estar explicando muito o que é aquilo. É nesse sentido que eu estou apaixonado por esse carnaval”, revelou.

Tal sensação não é apenas do grande nome do Águia. Lyssandra Grooters, porta-bandeira da agremiação, também gostou do que viu relacionado à fantasia que será utilizado por ela. “Já vimos o desenho da fantasia há uns dois meses, e está incrível. Estamos fazendo algumas adaptações, já que, às vezes, no desenho é lindo, mas, na prática, não funciona. Está tudo fluindo, a roupa já está sendo confeccionada e estamos muito felizes com o resultado. Já tivemos a parte da costura, que já está pronta. Agora, estamos entrando com a decoração – que, daqui há uns quatro dias, a gente já experimenta toda bordada, com cabeça e tudo. A nossa fantasia está bem adiantada, e o bom do Águia de Ouro é isso: eles dão muita prioridade para o quesito, e o casal de mestre-sala e porta-bandeira tem a roupa pronta com muita antecedência – o que nos dá muita tranquilidade”, detalhou, também falando por João Camargo, mestre-sala da instituição.
Sem problemas com o novo regulamento
Tema muitíssimo quente no universo carnavalesco da cidade de São Paulo, o novo regulamento não assusta os componentes do Águia de Ouro. A começar pela dupla de intérpretes, que destacou o trabalho feito nas folias Brasil afora para explicar o motivo pelo qual tal assunto não é algo desestimulante. “A novidade é um décimo de carro de som, né? Eu acho que vai estar tranquilo, porque a gente já vinha fazendo esse trabalho há outros anos. No Carnaval de São Paulo, não vai pegar ninguém de surpresa. Os carros de som de São Paulo, do Brasil em geral, todo mundo se preocupa muito com a parte harmônica, com a parte melódica. Então, acredito que não vai ter surpresa nenhuma assim”, comentou Douglinhas.

Serginho do Porto aproveitou para exaltar a parceria com o companheiro para falar a respeito. “A gente já vem trabalhando há bastante tempo juntos. Eu e o Douglinhas, se a gente somar tudo aí, lá se vão 24 anos de parceria. Lá se vão 24 anos, desde 2000. A gente sabe o modo de cantar, a gente sabe o jeito que tem que ser feito. E a gente ainda tem ainda a direção do nosso querido Pelé, que temos a tranquilidade em fazer um desfile maravilhoso. A gente sabe onde é que está a respiração, onde um vai dar capo, onde o outro não faz. Tem um time que já trabalha junto há muito tempo, então isso facilita”, pontuou.

Apesar de classificar as mudanças como não tão tranquilas, Lyssandra destacou o novo regulamento ao falar do ritmo de ensaios da dupla que ela protagoniza juntamente com João Camargo. “A nossa frequência de ensaios não mudou, seguimos na mesma pegada do ano passado. Nós, porém, estamos mais criteriosos por conta da mudança no julgamento. Estamos adaptando e pegando firme em cima de determinados pontos. No ano passado, perdemos décimos pelo fato do pavilhão não ter aberto, e estamos focando nisso. Quanto ao regulamento… ele está mais desafiador, sim. Bastante. Agora, está entrando a questão de dança, mesmo. O casal terá que vir dançando e mostrando algum diferencial em cima do regulamento. Antes, estávamos muito mais engessados: não podíamos avançar. Agora, temos a liberdade de montar um conjunto de dança melhor, com mais critérios, podendo mostrar nossa potência na dança”, finalizou.
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Bateria da Imperatriz se destaca e colabora com alto rendimento do canto em ensaio de rua fresco no clima, mas quente no samba
Em um fim de semana bastante atípico no Rio de Janeiro, com diversos eventos e uma situação de calor extremo no sábado e previsões de tempestade, a Imperatriz lavou a alma e se viu abençoada com um segundo ensaio de rua realizado no final da tarde do último domingo em Ramos que pela qualidade confirma a intenção da escola em brigar para continuar no topo em 2024. Se havia o temor com a possibilidade de um volume intenso de chuva para o domingo, que poderia até ameaçar o treino, a Imperatriz iniciou seu treino ainda no seco e com a temperatura bastante agradável que ajudou na evolução. A chuva mais intensa no final foi mais um ingrediente para temperar um ensaio alegre, com o samba mais uma vez dando o recado e a “Swing da Leopoldina”, de mestre Lolo, apresentando todo o seu arsenal de bossas e convenções e convocando a comunidade e componentes a aproveitar o clima de samba e seresta cigana.
Em uma das convenções, os ritmistas tocavam em uma pulsação mais parecida com seresta, destacando bastante os surdos, depois a bateria secava justo no trecho “ao som do violão e violino”, com o cavaquinho fazendo a intenção do violino, a bateria secava para valorizar o canto e voltava em alguma chamada que algumas vezes era de repique já com muita força e potência. Sobre o trabalho realizado para este treino, mestre Lolo revelou que a Swing da Leopoldina ainda tem alguma surpresa para levar para a Sapucaí, mas que procurou trazer para o ensaio já o grosso do trabalhado baseado no que pede o enredo para o samba deste ano.

“Tudo o que vocês puderam acompanhar aí é o que vai para a Avenida, mas tem uma surpresinha que eu vou botar só na Avenida mesmo, mas o ensaio é isso aí mesmo, sem tirar nem pôr essas paradinha que colocamos hoje. Tem a bossa da seresta, é o que pede o enredo, trabalhamos dentro do tema, ano passado colocamos a zabumba, em 2022 teve o pagode, e esse ano tínhamos que inventar alguma coisa. A gente já está estudando e vai fazer. Não adianta a gente só fazer por fazer. tem que ter relação com o enredo”, explica o comandante dos ritmistas da Leopoldina.
André Bonatte, diretor de carnaval ao lado de Mauro Amorim, analisou mais um treino da Imperatriz Leopoldinense e elogiou o teste em comparação com o primeiro, considerando a Rainha de Ramos em uma condição de trabalho mais evoluída do que a própria escola estava neste período na preparação para o carnaval passado.

“Eu acho que o processo é crescente, acho que a gente fez um bom ensaio inicial , acho que com a partida inclusive melhor que em 2023, foi uma boa largada na semana passada, e hoje acho que isso se consolidou. Mesmo com a chuva que a gente sempre fica apreensivo porque poderia ser um temporal e essas questões que sempre preocupam, mas acho que a comunidade se fez presente, gostei mais do canto que na semana passada, mas eu sempre acho que tudo pode melhorar, são condições de trabalho que a gente vai a cada semana acrescentando um ou outro elemento, mas eu vejo a escola pronta para ir para a Avenida hoje, tranquilamente”.
Em 2024, a Imperatriz vai levar para a Sapucaí o enredo “Com a sorte virada pra lua segundo o testamento da cigana Esmeralda”, do carnavalesco Leandro Vieira. Buscando o bicampeonato, a Verde e Branca de Ramos irá encerrar a primeira noite dos desfiles do Grupo Especial. No próximo domingo, 26 de novembro, a escola vai realizar mais um treino na rua.

Comissão de frente
O coreógrafo Marcelo Misailidis levou para este novo treino na rua seis casais de bailarinos com as mulheres tipicamente portando uma saia e um lenço na cabeça que remete às roupas das ciganas. O grupo apresentava passos típicos das danças ciganas e apresentou uma coreografia de deslocamento já bastante interessante. Na representação da apresentação para a cabine, os dançarinos optaram de forma mais intensa por uma coreografia mais dançante, sem entregar muito das surpresas preparadas, mas com sincronia, beleza e intensidade, alternando entre passos mais de casais e outros mais coletivos. O efeito das saias e um momento em que as bailarinas eram erguidas no alto pelo par foram os pontos altos e de maior destaque da exibição.

Mestre-sala e Porta-bandeira
Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro formam um casal que com certeza experimentam o tempo todo uma intensa troca a partir das características de cada um. No ensaio de hoje havia a intensidade de Phelipe com a delicadeza nos movimentos de Rafaela, mas que acompanhavam a velocidade do mestre-sala sem perder sua originalidade. Logo no início de uma apresentação no lugares onde estavam representados as cabines, Rafaela entrava na coreografia com muita potência em suas giradas, mas ao mesmo tempo com muita eficiência nos movimentos. Phelipe com sua intensidade e técnica nos passos, cortejava a porta-bandeira sempre com muita elegância, representando como a dupla faz bem um para o outro e formam um grande time que só fortalece o quesito. Importante destacar que o casal não pareceu em nenhum momento ter a intenção de se poupar na rua, entregando tudo e sendo bastante aplaudidos nos movimentos.

Harmonia
O canto mais uma vez foi um dos destaques do treino. Se o samba juntado, de forma inédita na escola, poderia gerar alguma apreensão, até mesmo tem termos de aprendizado, pois aconteceram alterações para que as duas obras se unissem de forma eficiente, neste segundo treino mais uma vez a comunidade cantou de forma satisfatória, com alegria, com espontaneidade e pode-se perceber também uma boa resposta do público que acompanhava o treino. Um destaque era o mestre-sala Phelipe Lemos que além de cantar bastante a música também a todo momento inflamava os componentes com gritos de incentivo, principalmente nos deslocamento entre os pontos que representavam as cabines. O carro de som também foi um destaque com o equilíbrio e a eficiência no trabalho de cavaquinho dando a intenção do violino nas bossas que chamavam o verso do samba “ao som do violão e violino”. Pitty mais uma vez mostrou bastante domínio da situação e trouxe vozes de apoio bem afinadas, ensaiadas e sabendo tirar o melhor da obra. O diretor geral de harmonia da Imperatriz Leopoldinense, Thiago Santos, avaliou que o canto da escola teve um bom rendimento mais uma vez e que isso corrobora a decisão da escola de fazer a junção da obra de duas parcerias na final.

“A gente sempre acreditou que ia dar certo, são muitos profissionais de excelência, a gente ficou muito tempo no estúdio, fizemos muitas reuniões, e a gente sabia que isso ia dar certo, que o samba ia ser muito popular porque os dois pedaços que se juntaram e hoje são um samba só, a gente sabia que eram as partes mais incríveis dos samba e elas se encaixavam. Eram obras do mesmo tom, então muita coisa estava caminhando para chegar nisso, e a confirmação está aí. O samba está sendo muito bem cantado, já foi muito bem cantado ontem no evento Guardiões da Favela, e aqui, até por gente que não é da escola, e a gente está muito feliz, tem muita coisa para vir ainda, acho que a gente vai melhorar mais ainda, e a gente começou esse ano da mesma forma que terminamos o ano passado, a gente já conseguiu botar muita gente na rua já no início do processo, e a tendência é isso melhorar”.
Evolução
Em um ritmo bem fluido, sem correria, e com as alas bem definidas, a Imperatriz evoluiu com muita alegria pela Rua Euclides Faria até a altura da esquina com a Rua Doutor Miguel Vieira Ferreira. Pode-se perceber, principalmente nas primeiras alas, alguma propensão para as coreografias, mas tudo acontecia de forma bastante espontânea, porém organizada e com algum sincronismo traduzindo uma verdadeira festa cigana pelo bairro. As saias de algumas alas produziam um bonito efeito e traziam colorido. Aliás, o colorido não se viu só na saia mas em outros adereços pelos componentes como balões, leques e alguns panos. O sincronismo também se via em uma bossa nas palmas muitas vezes puxada desde a comissão de frente no ritmo de seresta bem cigana mesmo. A comunidade vinha junto neste momento. No geral, não se viu buracos e nem alas se chocando ou embolando, a escola manteve seu padrão alto no quesito trazido desde o último carnaval. Alguns trechos da letra eram pontuadas por pequenas coreografias como no verso “Olhei o céu” em que os componentes olhavam para cima com os braços abertos ou no trecho “Vai clarear” em que os foliões levantavam e mexiam os braços.

Samba-enredo
Como citado em harmonia, o samba mais uma vez passou muito bem no canto e não só sendo importante para o quesito harmonia e para o próprio quesito samba-enredo, mas claramente puxando também a evolução dos componentes que se mostraram bastante entrosados com a obra e felizes no ensaio. Um ponto importante a se destacar mais uma vez foi o trabalho desenvolvido pela bateria de mestre Lolo em cima da obra, respeitando a melodia e colocando um molho na música que deixou ela muito confortável e agradável de cantar, gostosa de se brincar, mas mantendo a força nos trechos necessários. Destaque, claro para o refrão “Vai Clarear…”, mas também pelo trecho final da segunda estrofe nos quatro últimos versos “Prenúncio da sina da minha escola/O sol beija a lua no espelho do mar/já está marcado no meu calendário/Verde-esmeralda é vitória que virá”. Sobre o rendimento do samba, o que ele já vem proporcionando para a escola e o trabalho da bateria em cima da obra, André Bonatte afirma estar surpreso com a fácil assimilação da música pela comunidade.

“Eu achei que esse ano ia ser o maior desafio da minha história na Imperatriz porque pela primeira vez a escola fez uma junção de sambas e uma boa surpresa é que o samba foi muito facilmente assimilado pela comunidade. Eu acho que esse é inclusive um dos pontos fortes deste samba, porque consegue ser uma obra de fácil assimilação e ao mesmo tempo sendo uma composição bonita e poética. Acho que a comunidade consegue cantar ele com bastante facilidade, e sem dúvida nenhuma, um dos motivos principais pela junção do samba também foi essa condição harmônica que essa união poderia proporcionar junto a bateria. Quando se pensou nessa junção, o Lolo que participou do processo também já tinha os desenhos rítmicos pensados. É uma coisa que vem sendo pensada ao longo do tempo e hoje a gente só está consolidando um trabalho que já vinha sendo feito”, explica Bonatte.
Outros destaques
Antes da arrancada, em seu discurso, o diretor executivo da Imperatriz João Drumond prestou homenagem a Soninha, colaboradora e responsável pela boutique da quadra, e pelo ritmista da Swing da Leopoldina, Jefão, que faleceram esta semana. A rainha Maria Mariá, mais uma vez, veio acompanhada de crianças, esbanjando simpatia e samba no pé trajada bem a vontade com um top verde e um short jeans. Na bateria de mestre Lolo pode-se notar a presença de Caliquinho, ex-mestre da São Clemente, entre os diretores.

Outra que mostrou muito samba no pé foi a musa Tati Rosa, recém promovida ao cargo este ano depois de representar a escola no concurso da corte do carnaval carioca. A beldade que já foi coordenadora da ala de passistas foi uma das mais festejadas pelo público, por onde passava neste desfile da escola. No esquenta deste ensaio foi a vez da comunidade relembrar o samba de 2022 em homenagem ao carnavalesco Arlindo Rodrigues, obra que marcou a volta da agremiação ao Grupo Especial, após passar e ser campeã pelo Grupo de Acesso em 2020, importante etapa desse momento de reestruturação da Rainha de Ramos que tem até agora no seu clímax o título do carnaval passado.

O ensaio teve pouco mais de 1h de duração, com bom contingente, bom público e com a participação da maioria dos segmentos, além da diretoria representada principalmente pela presidente Cátia Drumond e o diretor executivo João Drumond.










