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Dendê no alguidar e batuque de Rás: um encontro de respeito entre Beija-Flor e Portela, em Nilópolis

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A Beija-Flor recebeu a Portela no Encontro de Quilombos, realizado neste sábado, na Avenida Mirandela, em Nilópolis. Esta foi a segunda participação da Portela no evento, que esteve presente na temporada anterior. Novamente, a matriarca fez uma grande apresentação e levou o público a se entregar ao ritmo do Mestre Nilo Sérgio. A escola da casa fez seu ensaio de rua como de costume e deu um show em cada quesito. De praxe, o destaque foi para a harmonia padrão de qualidade Simone Santana e Válber Frutuoso.

A Águia Altaneira tem como enredo “Um defeito de cor”, desenvolvido pelos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga. O samba é um oásis e apresentado para a comunidade de outra escola, mostrou a sua força e capacidade de fazer o público se render a ele. Mesmo sem a potência de Gilsinho comandando o microfone, o carro de som da Portela deu conta do recado com louvor. Quanto a Deusa da Passarela, o enredo “Um delírio de Carnaval na Maceió de Rás Gonguila”, assinado pelo carnavalesco João Vitor Araújo, tem um samba que vai ficando mais robusto com o passar dos ensaios, principalmente com o ritmo contagiante imposto pelo Mestre Rodney e conforme o canto da escola ganha mais volume.

Foi mais um sábado que o mar de gente tomou conta da avenida Mirandela. Nilópolis não tem uma orla para chamar de sua mas, por outro lado, o pessoal da Praia da Pajuçara, em Maceió, não tem a Beija-Flor para assistir em um final de semana. Eles também, lá nas belas areias alagoanas, não imaginam o que perdem por não verem a Portela vibrando pela rua com seus componentes e se impondo como a Majestade do Samba. E, sob a luz da Lua de Benin, foi isso que ela fez: tomou conta da pista, pegou o público emprestado para si e mereceu cada aplauso que vinha das calçadas.

Foram 15 ônibus que saíram de Madureira para a Mirandela. Com alas coreografadas, passistas, velha-guarda, baianas, comissão de frente e muito mais. O presidente portelense Fábio Pavão, no discurso inicial, disse que o evento era a celebração da amizade entre as escolas de samba e que deveria servir de espelho para a sociedade. Na mesma linha, Almir Reis, presidente da Beija-Flor, destacou que é uma alegria receber a maior campeã do carnaval e brincou ao dizer que sua comunidade ensaia com mais garra, depois de uma bela apresentação da Águia.

Quanto à Beija-Flor, falar sobre seus ensaios de rua só não fica redundante pela habilidade da escola de se colocar como protagonista. O Encontro de Quilombos não é um duelo entre duas escolas, mas se fosse, a dona da casa se colocaria como dona da casa e ponto. Com mais gente que a convidada, por obviedade, e se apresentando para a sua gente, a Deusa da Passarela passa o carro e quem puder que anote a placa. São componentes soltos e dispostos a cantar o samba em alto e bom som pela pista da forma mais organizada possível.

Mestre-sala e Porta-bandeira

A Portela se apresentou com seu segundo casal. Emanuel Lima e Thainara Matias preparam uma coreografia para a última noite. O mestre-sala estava vestido com terno branco e porta-bandeira com um belo vestido rendado, também em branco. Gestos delicados, dança suave, sintonia perfeita em um bailado sincronizado. Um misto do clássico com passos afro, que deixou a dança bastante agradável de assistir.

Beija Portelabeija portela quilombos 6No ensaio seguinte, as lendas Claudinho e Selminha Sorriso deram o show de costume. A entrada deles no módulo, sempre impactante, já convida o público a levantar e prestar atenção em cada detalhe de uma dança envolvente. A bandeira, o cabelo solto e o rodado do vestido da porta-bandeira criam sintonia de movimento e cada giro oferece uma sinfonia visual, que torna cada apresentação única. Outra grande apresentação de um casal que não cansa de impressionar o público com a sua arte.

Samba-enredo

O samba genuinamente preto da Portela, que já sacode Madureira, ganhou coro em Nilópolis. A canção traz emoção na letra, pega de primeira quem ouve e a melodia favorece o canto uniforme da escola. É difícil apontar um trecho que é mais cantado que outro, já que todo verso com melodias mais agudas são cantados com precisa empolgação. Se alguém no público nunca ouviu até a última noite, é capaz de ter corrido para pesquisar e está cantando até agora. Como disse o vice-presidente da escola, Junior Scafura, durante o ensaio “pode cantar, porque é bom”.

Na Beija-Flor, o samba vai ganhando forma na tecla que a escola bateu desde a escolha: este samba é para brincar carnaval. Cantando do jeito que a escola faz e a levada alegre da bateria, a obra cresceu e já é possível imaginar os componentes evoluindo brincando e dançando o samba. De toda a letra, dá para perceber que o verso “E o povo anuncia: É ela” é o favorito dos desfilantes.

Beija Portelabeija portela quilombos 13Harmonia

Ponto alto dos ensaios de rua, Portela e Beija-Flor prometem e entregam tudo.

Não tem problema se a cabeça da escola não consegue ouvir o carro de som. Os primeiros setores da Portela sustentam o canto e o samba não atravessa. A comissão de frente dança cantando o samba, o casal se apresenta com o coro da comunidade e, passeando pelas alas, percebe-se o orgulho do portelense em cantar uma grande obra.

Na Beija-Flor é nota 10. Um rolo compressor. Uma festa. O canto da escola é inspiração e não cai até quando testado pelo paradão de quase uma passada inteira da bateria. E o melhor do ensaio da Beija-Flor é que eles fazem exatamente o que Dudu Azevedo pede antes do ensaio: berrar o samba. Que dobra o volume quando percebem que estão sendo filmados. O site CARNAVALESCO aponta a câmera e já tem um diretor de harmonia potencializando o volume da escola.

Evolução

A Portela teve a oportunidade de fazer um ensaio de rua em uma pista que possui as dimensões do sambódromo. Foi possível testar o espaçamento entre as alas, como o componente se comporta na avenida em relação ao samba e ao tempo de desfile. Deu tudo certo. A escola se apresentou compacta, vibrante e mostrando para o Centro de Nilópolis a energia envolvente de Madureira.

Beija Portelabeija portela quilombos 4Na Beija-Flor se vê uma escola leve e ensaiando algumas alas com adereços nas mãos ou na cabeça. Isto ajuda na escola a evoluir brincante e gostando de passar pela pista. A Beija-Flor se apresenta com enredo diferente que acostumou o seu público, mas virar o andamento da escola de protesto para baile de carnaval, não foi uma dificuldade. A direção da escola tirou de letra e já colhe os frutos do trabalho. É uma Soberana solta na pista, mas organizada. Não tem fileiras nas alas, mas todo mundo sabe o seu lugar. Uma organização exemplar. Vale destacar também a sincronia de levantar as mãos para gritar “é ela” na segunda parte do samba.

Outros destaques

Beija Portelabeija portela quilombos 5Também virando a chave no toque, a bateria da Beija-Flor vai fazendo, a cada ensaio, o samba ganhar a forma divertida que ele propõe. O ritmo da Deusa da Passarela favorece a evolução do componente e cada bossa é um convite ao público. Na excelência do trabalho, os ritmistas pararam o toque para que a comunidade sustentasse o canto. Mestre Rodney disse que a ideia era ver como a escola levava o samba, mas fez mistério quando questionado se levaria a paradona para o desfile. Ele também prometeu inserir mais bossas. Fica a expectativa de que a Bateria Soberana dará o show de costume, com algo mais envolvente.

Agora, alguns dias de folga de ensaios de rua, para as festas de final de ano, até todos voltarem a todo vapor na preparação para o desfile. A Beija-Flor será a segunda escola a desfilar no domingo de carnaval. Já a Portela também será a segunda a desfilar, mas na segunda-feira de carnaval.

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Jorge Perlingeiro diz que está bem após assalto sofrido

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perlingeiroApós sofrer um assalto e precisar ser hospitalizado neste sábado na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, o presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro, declarou que se recuperta bem do susto e afirmou que precisou levar pontos na boca e teve uma fissura na clavícula. O dirigente agradeceu às mensagens que recebeu após o ocorrido.

“Queria agradecer às centens de mensagens que recebi após o meu ssalto. Estou me recuperando. Tive pontos na boca e uma fissura na clavícula. Gostariaa de agradecer ao carinho de todos. Um excelente natal e um ano novo a vocês”, declarou Perlingeiro.

Perlingeiro ficou extremamente aflito devido à situação e teve um mal-estar após o assalto. Jorge, que sofre de hipertensão, precisou ser conduzido a um pronto-socorro na Barra da Tijuca. Ele foi acompanhado por amigos. O presidente da Liesa relatou dores no peito, no braço e na boca, onde sofreu um ferimento devido à queda.

De bem com a vida, Mocidade faz ensaio com destaque para o canto da comunidade e eficiência nos demais quesitos

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Foi pouco mais de uma hora de ensaio na Guilherme da Silveira onde se viu acima de tudo uma Mocidade alegre, que perdoe o trocadilho com a Morada do samba, mas a Independente foi acima de tudo muito alegre. A Estrela Guia desfilou satisfeita com o seu samba e bastante sensual. Se a obra escolhida para 2024 não foi tão referendada pelos analistas como uma das principais da safra, para a agremiação, para a comunidade o samba tem crescido a cada ensaio e pegando este treino especificamente, o que se viu foram os componentes cantando muito, com leveza e alegria, de forma espontânea. Em um momento, a bateria e o carro de som deixaram a comunidade cantar a obra sozinha por uma passada inteira do samba e de ponta a ponta do desfile se ouvia e entendia claramente a composição que vai embalar o desfile da Mocidade 2024. Nos demais quesitos, uma escola organizada, com boa apresentação da comissão de frente, junto com o casal muito aplaudidos pelo público após suas apresentações. A evolução foi fluida, com tranquilidade, constante e a bateria e o carro de som passaram muito bem ajudando a impulsionar o samba.

Vânia Reis, que faz parte da comissão que dirige o carnaval da Mocidade, ressaltou a participação e interação do público que estava assistindo.

“A gente conseguiu fazer em um tempo bom, e a gente viu a comunidade interagindo com a gente, o apelo que nós fizemos no começo funcionou, foi o nosso termômetro e depois a gente vai ver na arquibancada, não foi só o canto da comunidade desfilantes, mas da comunidade que estava assistindo, eles cantaram, dançaram e vibraram com a gente. Esperamos ter essa interação também lá na Avenida”, projeta a diretora.

Já o diretor geral de harmonia Sandro de Menezes explicou sobre como tem funcionado o processo dos treinos realizados mais direcionados para o canto na quadra da Vila Vintém.

“A gente tem procurado avançar nessa questão de ensaio de canto. A gente procurou fazer algo diferente, até setorial e vamos estar fazendo isso nas próximas semanas até a virada de ano. A ideia é pegar uma parte da escola, dividir por setores, fazer os ensaios de canto bem específico, pontual, voltado para cada ala, tento o cuidado também com a questão da evolução. É óbvio que o samba ajuda, é um ponto que percebemos, a alegria do independente, Zé Paulo encaixou de forma muito legal com a escola, isso tem ajudado muito e o que queremos buscar é exatamente essa alegria”, analisa o profissional.

Mocidade20231217 015“Pede caju que dou… Pé de caju que dá!” é o enredo desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Ferreira. Por força do regulamento, após terminar a apuração de 2023 em décimo primeiro lugar, a escola terá a missão de abrir as apresentações na segunda-feira de Carnaval, dia 12 de fevereiro, segunda noite de desfiles do Grupo Especial do Rio. A escola ainda tenta viabilizar para dia 27 de dezembro com os órgãos competentes um último ensaio de rua do ano.

Comissão de Frente

Os bailarinos de Paulo Pina apresentaram neste ensaio de rua mais uma vez uma coreografia marcada pela irreverência, alegria, dança e sensualidade. Pontuando alguns trechos do samba, no ” Tarsila pinta a sanha modernista” de forma muito brincalhona os componentes faziam poses como que sendo retratados para uma obra de arte modernista. Outros trechos como ” É tropicália, tropicana, cajuína”. houve uma pitada de nordeste na dança. No geral, uma dança que mesclava passos em conjunto de todos os integrantes, com outros sendo realizados mais em pares e nestes havia muita sensualidade, como é a brincadeira que pede o enredo como foi concebido, e o samba principalmente. Em todas as cabines, a comissão foi muito aplaudida pelo público que interagia durante o tempo todo.

Mocidade20231217 001“Tem sempre aquele momento que a gente espera que o público seja agradado. No primeiro dia que as pessoas viram a proposta dá um medonho, e foi aprovado em rede social, internet, cada vez é diferente porque fica mais cheio os ensaios, e a gente vem sendo agraciado por esse retorno do público, é daí para cima, está bem dentro do enredo, bem sensual, bem safadinho, que é o que as pessoas querem ver. O carnaval precisa dessa leveza”, acredita o coreógrafo Paulo Pina.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Diogo Jesus e Bruna Santos preferiu uma vestimenta predominante na cor branca com alguns detalhes em verde. Uma apresentação muito forte, tanto na postura, nos passos clássicos, mas trazendo movimentos mais coreográficos no tom certo. No trecho ” É tropicália, tropicana, cajuína ” , por exemplo, o casal fazia passos com característica do nordeste, muito sincronizados e com uma pitada de sensualidade. O que também chamou a atenção foi o vigor e intensidade de movimentos. Em um momento, os dois de mãos dadas giravam em uma velocidade bastante significativa. Apresentação sem problemas aparentes e que enfatizou a limpeza dos movimentos, trabalho já adiantado.

Mocidade20231217 019Harmonia

O grande destaque da escola, mais uma vez o canto do “independente” mostrou como a escola tem comprado o barulho do samba. Era possível observar em todas as alas um canto muito forte, difícil encontrar na escola quem não estivesse cantando. Segmentos como velha-guarda, bateria, comissão de frente e casal também se destacaram no canto que era claro e com correção. Em determinado momento, a bateria e o carro de som pararam e deixaram a comunidade cantar a obra sozinha por uma passada inteira do samba e de ponta a ponta do desfile se ouvia e entendia claramente o canto da comunidade . Já o carro de som, mais uma vez fez um trabalho muito competente comandado por Zé Paulo Sierra que cada vez mais está mais entrosado com a comunidade, indo ao encontro do público, dos componentes e não ficando parado. Aliás, a resposta do público foi um destaque a mais neste ensaio com muita gente nas calçadas cantando bastante a obra, assim como foi pedido antes do ensaio pela diretora Vânia.

Evolução

Mocidade20231217 007Impulsionada pelo desempenho do samba e do canto, a evolução da escola foi fluida, espontânea e sem problemas. Bem cadenciada, a escola aproveitou bem o seu ensaio, mas com muita competência do time de harmonias que não deixaram a escola formar buracos ou ter alas emboladas. Alguns grupos faziam coreografias, principalmente com pedaços de madeira na mão. A comunidade aproveitou para trazer alguns apetrechos como bolas, gorros do Papai Noel, alguns nas cores da escola, além de bastões de luz.

Samba-enredo

Como citado acima, a obra vem tendo um desempenho acima do esperado para quem acompanhou a disputa de samba e para quem avaliou comparando com a defesa em geral. Se ainda pode perder algo na comparação com outras, o samba tem impulsionado, como dito acima, diversos outros quesitos como evolução e harmonia e tem colocado a escola para cima. Essa felicidade do independente vem se traduzindo em garra e um senso de responsabilidade por fazer um grande desfile. O samba mais uma vez foi muito bem trabalhado pela bateria de mestre Dudu que trouxe bossas muito bem resolvidas, dentro da métrica e com ritmo e swing que levantaram ainda mais o samba. Destaque para a musicalidade que dá o agogô de duas bocas. E como citado, Zé Paulo tem amplo domínio da obra. Grande desempenho.

Mocidade20231217 014“Acho que o samba da Mocidade já chegou às ruas, furou a bolha, já tem versão funk, tem criança cantando, a galera está fazendo Tik Tok com o samba, então acho que está conseguindo furar a bolha sim. A gente fica muito feliz até porque as pessoas tinham uma certa desconfiança com o enredo, o enredo deu grandes sambas, a escola escolheu um grande samba que virou hit do pré-carnaval, mas isso também traz uma responsabilidade grande porque você tem que manter isso até o carnaval. A cada etapa vira um desafio novo. Gravação, ensaio, mini-desfile, daqui a pouco vem ensaio técnico, você sempre tem que manter o nível do samba alto. Acho que a Mocidade está muito bem servida de samba”, analisou o intérprete Zé Paulo Sierra.

Outros destaques

Mocidade20231217 020O ensaio contou com a presença da nova Rainha de bateria Fabíola Andrade, que sambou à frente da Não Existe Mais Quente. A beldade será coroada na quadra da escola no próximo dia 21 após o ensaio de canto da escola. Ícone da Mocidade e um dos autores do samba de 2024, Paulinho Mocidade se fez presente na Guilherme da Silveira para prestigiar o treino da Estrela Guia da Zona Oeste. Após o treino, aconteceu o tradicional ” after” na quadra da Vila Vintém com pagode, e depois ainda rolou apresentação da Mocidade no Salgueiro Convida, com certeza teve muito caju e energético para aguentar essa maratona.

Samba-enredo conduz último ensaio de rua da Porto da Pedra no ano com forte canto da comunidade

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A Unidos do Porto da Pedra realizou, na noite do último sábado (16), seu último ensaio de rua no ano de 2023, rumo ao carnaval de 2024. A Vermelha e Branca desfilou pela Rua Feliciano Sodré, no Centro de São Gonçalo. O elogiado samba-enredo do Tigre, brilhantemente interpretado por Wantuir, foi o fio condutor para o forte canto da comunidade gonçalense. O primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira da escola, Rodrigo França e Denadir Garcia, também fez grande apresentação. O ensaio durou aproximadamente 1 hora e 15 minutos. No dia 7 de janeiro, a Porto da Pedra realizará seu ensaio técnico na Marquês de Sapucaí. O próximo ensaio de rua da escola em São Gonçalo será no dia 13 de janeiro, no bairro do Bandeirantes, como anunciou, em discurso, o prefeito da cidade, Capitão Nelson.

Para o Carnaval 2024 a Vermelha e Branca levará para a avenida o enredo: “O Lunário Perpétuo: A Profética do Saber Popular”, desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Quintaes, que celebrará o saber popular utilizando o “Lunário Perpétuo”, seus ensinamentos e desdobramentos, como guia precioso.

“Vocês já vem acompanhando nosso ensaio, gradativamente a escola vem cantando mais e hoje não foi diferente. O que a gente está fazendo às quintas-feira, em nossa quadra, está refletindo aqui, nos ensaios de rua. A gente dá um incentivo e conversa com a comunidade sobre a necessidade de a gente ter um canto muito forte, e hoje não foi diferente. A escola está cantando muito, e assim, a expectativa é muito grande. É o nosso último ensaio de rua no ano, o próximo ensaio de rua já é o ensaio técnico, na Marquês de Sapucaí, e acho que a escola tá pronta pra chegar lá e fazer o grande ensaio”, avaliou o Diretor Geral de Harmonia da Porto da Pedra, Amauri de Oliveira.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira da Unidos do Porto da Pedra, Rodrigo França e Denadir Garcia, brindou o público presente no Centro de São Gonçalo com uma bela apresentação. A dupla, que vestia uma bela roupa vermelha, teve a missão e responsabilidade de abrir o ensaio da escola, já que os componentes da Comissão de Frente não estavam presentes. Durante as apresentações, o casal, que em 2024 dançarão como dupla pela primeira vez, mesclava elementos da dança tradicional com alusões ao samba-enredo da escola. Mesmo com o vento em determinados pontos do ensaios, a garra do casal pôde ser percebida nas apresentações, com fortes e intensos giros de Denadir, que era acompanhados por Rodrigo. Em dados momentos, quando a bateria Ritmo Feroz realizava uma bossa com ritmo de forró, o casal fazia passos da dança.

PP20231217 004“O trabalho está fluindo bastante, graças a Deus. Estamos na fase final, agora o que temos que fazer é mais limpar braço, perna. Está dando tudo certo”, disse Denadir Garcia, que também destacou o trabalho da coreógrafa Stela Maris.

“Como a Denadir falou, estamos no finalzinho da limpeza da coreografia, a Stela [Maris] veio para somar e se Deus quiser, no dia sete, no nosso ensaio técnico, nós vamos mostrar tudo que nós vamos fazer no desfile oficial, na avenida”, completou Rodrigo França.

Samba-Enredo

O grande destaque do ensaio de rua da Porto da Pedra ficou por conta do samba-enredo da escola, obra de Guga Martins, Passos Júnior, Gustavo Clarão, Lucas Macedo, Leandro Gaúcho, Clairton Fonseca, Richard Valença, Gigi da Estiva, Abílio Jr., Marquinho Paloma, Cristiano Teles e Ailson Picanço. A obra foi a mola propulsora do canto e da animação da comunidade gonçalense ao longo de todo ensaio. O desempenho do samba só foi possível, também, graças à brilhante condução do intérprete Wantuir Oliveira e todo o carro de som da Vermelha e Branca.

PP20231217 012O refrão principal do samba, “Quarto minguante, a moringa quase seca/Maré virou, virou luar!/Tem alambique pra beber na quarta-feira/Okê, caboclo! Tempo bom vem pra ficar!/Quarto minguante, a moringa quase seca/Maré virou, virou luar!/Tem alambique pra beber na quarta-feira/Faltava o tigre pro Lunário completar!” foi o trecho mais cantado pela comunidade.

Evolução

No ritmo do samba-enredo da escola, a evolução da Porto da Pedra ao longo da Avenida Feliciano Sodré foi realizada de maneira leve, fluída e compacta. A animação dos componentes proporcionou um ensaio leve e descontraído, mas sem deixar de ser organizado. A passagem das alas não apresentou nenhum buraco, nem mesmo nas entradas e saídas da bateria dos dois recuos montados ao longo da via. A ala de passistas da escola, vestidos de vermelho, apresentou muita leveza e samba no pé durante o ensaio, sendo muito aplaudida pelo público presente.

Harmonia

PP20231217 001Com o bom samba da Porto da Pedra, ficou fácil para a comunidade gonçalense cantar a obra que a escola levará para a avenida no carnaval de 2024. O canto da escola pôde ser percebido em todos os setores da escola, desde o início até o final do ensaio. A ala de baianas da escola, no início da escola, e a ala “Guerreiros do Tigre”, mais para o final, foram destaque no quesito e exemplificam a linearidade do canto.

Além do já citado refrão principal, o trecho do samba-enredo em que se repete “Quem acendeu as lamparinas desse céu?” também foi muito cantado pela escola. O desempenho do carro de som da Vermelha e Branca, comandado pelo intérprete Wantuir foi fundamental para o bom ensaio da escola no quesito.

“O ensaio foi maravilhoso. É o povo de São Gonçalo, estão todos imbuídos, compenetrados e comprometidos em fazer um bom ensaio e um bom desfile. A escola está cantando muito o samba, a bateria dando esse show maravilhoso. A cada ensaio, nós estamos melhorando um pouquinho o nosso entrosamento”, comentou Wantuir.

Outros Destaques

PP20231217 005A bateria Ritmo Feroz, de Mestre Pablo, também teve ótimo desempenho no último ensaio de rua da Porto da Pedra em 2023. Mesmo sem a presença de todos os ritmistas, a bateria realizou diversas bossas e contribuiu com excelência para a harmonia da escola. No início do samba, “Olhe pro céu onde a Lua vagueia” até “Porto da Pedra no meu coração”, a bateria, em diversos momentos, realizava um “apagão”.

A sempre presente rainha de bateria do Tigre, Tati Minerato, compareceu ao ensaio e esbanjou simpatia e samba no pé ao público presente. Quem também marcou presença foi a atriz Giovana Cordeiro, musa da Vermelha e Branca.

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Imperatriz distribui presentes de Natal para crianças do Complexo do Alemão e da Zona da Leopoldina

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18bba0de 2ac6 4208 8c15 2490a94f8ed4A Imperatriz Leopoldinense realizou, na manhã deste sábado (16), mais uma ação do programa “Imperatriz Social”. A escola doou 2 mil brinquedos para crianças de 1 a 10 anos do Complexo do Alemão e da Zona da Leopoldina do Rio.

A distribuição aconteceu após um cadastro prévio. Um dos pré-requisitos era ser morador da região.

João Drumond, diretor executivo da escola, falou sobre a emoção proporcionada na quadra pelo terceiro ano consecutivo.

“Ver o olhar dessas crianças recebendo presentes é uma das maiores emoções que já senti na vida. Todos os anos passamos pelo mesmo sentimento”, afirma.

Maria Mariá, rainha de bateria da Imperatriz e moradora do CPX, também participou da ação.

“Vejo a realidade de muitas pessoas no nosso dia a dia. E tudo isso se transforma quando as famílias mais vulneráveis recebem um carinho como esse. A Imperatriz é mais que escola de samba para a gente”, diz a rainha.

Edna Lúcia, moradora do CPX, levou a filha Valentina Maria, de 2 anos, para o dia natalino na agremiação.

“Eu só tenho a agradecer por tudo que a escola tem feito. É muito gratificante”, comemorou Janie Georgia, dona de casa, mãe de Jean Gabriel, de 3 anos, também do Alemão, contou ser participante frequente das ações sociais da Imperatriz e enalteceu o programa promovido pela escola de Ramos.

“Na nossa realidade muitos pais não podem comprar um presente para os filhos. Então, é emocionante a nossa escola, que fica no nosso bairro, ajudar e fazer com que essas crianças recebam um presente. Estamos muito felizes”, disse.

Para realizar a ação, a escola contou com o apoio de dezenas de voluntários da própria agremiação e do Instituto Bees Of Love.

Jorge Perlingeiro sofre assalto e precisa ser hospitalizado

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Perlingeiro
Foto: Arquivo Pessoal

O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Jorge Perlingeiro, de 78 anos, foi alvo de um assalto enquanto caminhava ao longo da costa da praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste, durante a manhã deste sábado.

O detentor da voz oficial do carnaval carioca foi abordado por três delinquentes e teve seu colar subtraído. Jorge também foi empurrado pelos assaltantes e acabou caindo no chão.

De acordo com informações, o presidente da Liesa ficou extremamente aflito devido à situação e teve um mal-estar no local. Jorge, que sofre de hipertensão, precisou ser conduzido a um pronto-socorro na Barra da Tijuca. Ele foi acompanhado por amigos. Jorge relatou dores no peito, no braço e na boca, onde sofreu um ferimento devido à queda. Perlingeiro será submetido a exames médicos no hospital.

Morre Bombeiro, ex-mestre de bateria da Portela

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IMG 0363Morreu na manhã deste sábado no Rio de Janeiro, Ubirajara de Araújo, o mestre Bombeiro. O sambista liderou a Tabajara do Samba no final dos anos 1970 e foi empossado presidente de honra da bateria da Portela na gestão do ex-presidente Marcos Falcon. A causa da morte não foi divulgada.

Bombeiro ingressou na lendária bateria portelense nos anos 1950 e se notabilizou pela execução do surdo de marcação.

Em entrevista ao CARNAVALESCO, Martinho diz que Paulo Barros vai trazer trabalho bacana na reedição de ‘Gbalá’

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Autor do samba ‘Gbalá’, que será reeditado pela Vila Isabel no Carnaval 2023, Martinho da Vila, presidente de honra da escola, em entrevista ao site CARNAVALESCO, disse que está muito contente com a chance de reviver tudo que sentiu no desfile de 1993. Em entrevista, ele contou que não acreditava na possibilidade da agremiação optar pela reedição no desfile do ano que vem.

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Fotos: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO

“Eu fiquei muito feliz quando o presidente entrou em contato comigo e falou que estava querendo reeditar o ‘Gbalá’. Na mesma hora pensei: ‘que maravilha’. Porém, inicialmente não acreditei muito. Geralmente essas coisas são ideias que vem, mas depois com o tempo acabam perdendo força. Para minha surpresa, dessa vez realmente vingou. E está todo mundo muito afim. Estou bastante contente, afinal é algo que nunca pensei ser possível. Normalmente, o carnavalesco quando vai para uma escola já tem os seus carnavais meio que pensados, seus projetos antigos e tal. Tanto que essa ideia de reeditar o ‘Gbalá’ acho que partiu do próprio Paulo Barros”.

Martinho tem certeza que o desfile de 2024 será totalmente diferente do apresentado em 1993, afinal, o carnaval vive outro momento artístico, principalmente, com o uso da tecnologia.

“Acredito que ele vai fazer um trabalho bacana. Em 1993, quando foi originalmente feito esse enredo, estávamos muito bem, mas caiu uma chuva enorme e foi um grande problema para escola. Agora, com mais tecnologia, mais possibilidade de materiais, o desfile pode ser desenvolvido de uma forma ainda melhor. Esse tema propicia fazer umas coisas bem modernas, o que é uma característica do Paulo. Antes mesmo de ser divulgada a reedição, ele me procurou, nos encontramos e conversamos um pouco, então posso dizer que estou confiante. Agora, estou devendo uma visita ao barracão, ele já está até me cobrando, porém está longe o Carnaval ainda, né? Eu gosto de ir ao barracão mais perto do desfile”.

O sambista garantiu que não interferiu no desenvolvimento do enredo da Vila Isabel.

“Deixei o Paulo voar. Ele falou que se eu quisesse poderia dar alguns pitacos, mas recusei. O melhor é ir na dele que já estou feliz, tranquilo”.

Martinho confessou que realizou uma grande pesquisa para a criação do samba-enredo de 1993.

“A proposta do ‘Gbala’ partiu do Osvaldo Jardim, mas ele não tinha muito uma história. Então, na hora de escrever o samba, tive que dar uma buscada, uma pesquisada, e consegui compor essa obra, cuja o resultado foi essa beleza. Portanto, a narrativa presente na letra é uma criação minha. Até porque para uma escola de samba, de modo geral, começar o desfile com ‘Meu Deus, o grande criador adoeceu’ é uma coisa meio dramática demais. Porém, a direção e o carnavalesco na época acharam muito bom e assim surgiu essa maravilha. Tive pouco contato com o Oswaldo Jardim. Nosso maior convívio foi só naquele ano mesmo. Porém, posso assegurar que ele é uma pessoa que está fazendo falta no Carnaval carioca”.

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O presidente de honra da Vila Isabel revelou que o clima dentro da escola é o melhro possível para o desfile do ano que vem.

“A Vila Isabel <ctk:-10>está radiante, muito confiante que pode conquistar esse título. Todo mundo está ligado e muito empolgado, acredito que a gente vai fazer uma presença boa e se Olorum quiser vamos levantar esse caneco”.

Sobre a posição que estará no desfile, Martinho faz mistério e diz que não conversou com a direção da escola.

“Ainda não tem nada acertado, tenho que combinar ainda os detalhes com o diretor de Carnaval. Estão esperando minha visita lá no barracão para me contar o que estão planejando e tal. Mas não tenho nenhuma vontade muito específica. Vou deixar eles decidirem, até porque, às vezes, gosto de deixar as pessoas fazerem as coisas. Desde que me leve para onde eu quero ir está tudo certo”.

Estado vai dar R$ 2 milhões pra cada escola do Grupo Especial e R$ 10 milhões para Liesa realizar eventos na Cidade do Samba

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Governo20231216 002Uma parceria com o Governo do Estado do Rio de Janeiro vai permitir às escolas de samba do Grupo Especial receber um novo aporte no valor aproximado de R$ 2 milhões. O investimento, que possibilitará uma maior valorização a trabalhadores e artistas da folia, que movem uma cadeia produtiva fundamental para a economia fluminense, foi anunciado nesta sexta-feira (15), no Palácio Guanabara, na Zona Sul do Rio.

“Carnaval é um investimento necessário. Sem dúvida, as escolas de samba têm um papel fundamental para seguir atraindo os olhares do mundo para o nosso estado”, ressaltou o diretor de Marketing da Liesa, Gabriel David.

O evento, que aconteceu na sede do Governo do RJ, contou com a presença do presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Jorge Perlingeiro, e dos presidentes das 12 agremiações que fazem parte do Rio Carnaval. Além da verba destinada às agremiações, a Liesa receberá um aporte de R$ 10 milhões para a realização de eventos na Cidade do Samba – onde são fabricadas as alegorias e fantasias – durante todo o ano, movimentando o local como um polo artístico e cultural.

“Carnaval não é só nos dias de desfiles. É muito mais do que isso. O turista, quando chega por aqui, precisa ter um local para ver o Carnaval. E isso é olhar para o trabalhador do Carnaval”, destacou o governador Cláudio Castro.

O Rio Carnaval acontece em 2024 nos dias 11 e 12 de fevereiro, com os desfiles do Grupo Especial, e no dia 17, com o Sábado das Campeãs.

Quais as bossas mais apropriadas para a bateria?

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Fred20231215 001A invenção da paradinha mudou eternamente o ritmo das baterias. Mestre André sempre foi um visionário e revolucionário. A criação do surdo de terceira, por exemplo, deu um novo norte musical aos ritmos, que depois desse fato ficaram com muito mais balanço. Mas, sem dúvida, a mudança mais impactante nos rumos das baterias foi a criação da paradinha, por parte do lendário mestre. Mas levando em conta o desenvolvimento das bossas, será que mestre André estaria feliz ou preocupado diante do que deixou de legado?

O que eram arranjos musicais simples, com meras respostas as chamadas do repique, estão se transformando cada vez mais em convenções complicadas, densas e repletas de informações rítmicas. Obviamente existe uma relação ligada intimamente à cultura musical das agremiações. A bateria do Império Serrano, por exemplo, historicamente possui bossas mais elaboradas e até mais extensas que as demais escolas. Isso já é algo praticamente enraizado como tradição rítmica da “Sinfônica do Samba”. A criação conceitual de bossas, portanto, se encontra profundamente atrelada à cultura musical da escola representada.

Por vezes, a densidade da bossa pode representar um nível elevado de execução dos arranjos. Nesses casos, o ideal é sempre avaliar se o impacto buscado está mesmo sendo alcançado. Pois, em alguns casos, o próprio volume mais complexo de informações musicais pode estar sendo utilizado praticamente em vão, já que dificilmente será percebido por julgadores, que possuem um tempo pequeno para assimilar sonoridades. Acreditar no conceito criativo do “menos é mais” pode gerar paradinhas de maior impacto, com nível de execução relativamente mais tranqüilo, deixando os ritmistas mais soltos, além de confiantes para realização das bossas.

Facilitar ou simplificar uma paradinha pode sim ser a chave do sucesso tanto musical, como também mental para consolidar um arranjo dentro do ritmo. Se a musicalidade não está fluindo, não custa absolutamente nada reavaliar e readaptar a bossa. Por vezes essa “enxugada” pode auxiliar a encorpar mais o ritmo, gerando consistência num momento onde já rola a dúvida entre a capacidade técnica da galera do ritmo e o nível desafiador envolvendo a dificuldade da convenção. O mais importante, na realidade, é garantir sempre a melhor execução possível, pois sendo um arranjo complexo ou não, certamente isso que será cobrado por jurados. Levando isso em conta, inclusive, é possível afirmar que a desejada versatilidade rítmica é importante, mas a precisão das retomadas do ritmo ao voltar das bossas também se mostra vital. Essa precisão ao retomar é fundamental para demonstrar o encaixe perfeito do samba com o arranjo musical, bem como evidenciar que a execução privilegiada da bateria na bossa contou com a volta no tempo e no andamento certo.

Se existe algo importante na hora da criação conceitual de uma bossa é a conferência da integração musical do novo arranjo em relação ao samba-enredo. É buscar entender se há fluidez musical durante toda a execução da paradinha, incluindo sua retomada. Quanto mais integrada à melodia da obra estiver o arranjo, mais orgânico e fluído ele ficará dentro da canção. Aqui o primordial é sempre buscar dar ao samba o que ele pede. Criar conceitualmente em cima das variações do samba-enredo permite resultados ainda mais expressivos e impactantes, além de perfeitamente entrosados com as nuances presentes na melodia.

Cada mestre de bateria tem seu estilo musical e sua estratégia rítmica. De maneira geral, vem sendo possível perceber uma parcela considerável de mestres que possuem bossas em cada trecho do samba (uma para primeira do samba, outra no refrão do meio, com outra na segunda e mais uma para o refrão principal). Essa medida vem tentando adequar o ritmo produzido ao esquema atual de julgamento. Pois assim, independentemente do ponto do samba em que a bateria chegar à cabine de julgadores, têm bossas para execução imediata, utilizando assim todo o tempo de apresentação musical em seu benefício.

Agora, se tem algo que poucos mestres tem se atentado são nas interferências dos volumes das cordas no momento de executar as bossas. Cavaco e violão acompanham os arranjos rítmicos de forma praticamente constante. E, algumas vezes, seus toques podem acabar encobrindo a criação rítmica proposta pela bateria. Esse fato precisa ser analisado com bastante atenção e cuidado. Havendo diretor musical na agremiação, vale demais pedir sua ajuda para que essa análise seja feita da forma mais apurada e técnica possível. É justo e musicalmente coerente que as cordas participem dos arranjos, desde que não interfiram na propagação sonora de qualquer naipe que seja, garantindo assim a mais perfeita execução rítmica possível.