Autor do samba ‘Gbalá’, que será reeditado pela Vila Isabel no Carnaval 2023, Martinho da Vila, presidente de honra da escola, em entrevista ao site CARNAVALESCO, disse que está muito contente com a chance de reviver tudo que sentiu no desfile de 1993. Em entrevista, ele contou que não acreditava na possibilidade da agremiação optar pela reedição no desfile do ano que vem.

Fotos: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO

“Eu fiquei muito feliz quando o presidente entrou em contato comigo e falou que estava querendo reeditar o ‘Gbalá’. Na mesma hora pensei: ‘que maravilha’. Porém, inicialmente não acreditei muito. Geralmente essas coisas são ideias que vem, mas depois com o tempo acabam perdendo força. Para minha surpresa, dessa vez realmente vingou. E está todo mundo muito afim. Estou bastante contente, afinal é algo que nunca pensei ser possível. Normalmente, o carnavalesco quando vai para uma escola já tem os seus carnavais meio que pensados, seus projetos antigos e tal. Tanto que essa ideia de reeditar o ‘Gbalá’ acho que partiu do próprio Paulo Barros”.

Martinho tem certeza que o desfile de 2024 será totalmente diferente do apresentado em 1993, afinal, o carnaval vive outro momento artístico, principalmente, com o uso da tecnologia.

“Acredito que ele vai fazer um trabalho bacana. Em 1993, quando foi originalmente feito esse enredo, estávamos muito bem, mas caiu uma chuva enorme e foi um grande problema para escola. Agora, com mais tecnologia, mais possibilidade de materiais, o desfile pode ser desenvolvido de uma forma ainda melhor. Esse tema propicia fazer umas coisas bem modernas, o que é uma característica do Paulo. Antes mesmo de ser divulgada a reedição, ele me procurou, nos encontramos e conversamos um pouco, então posso dizer que estou confiante. Agora, estou devendo uma visita ao barracão, ele já está até me cobrando, porém está longe o Carnaval ainda, né? Eu gosto de ir ao barracão mais perto do desfile”.

O sambista garantiu que não interferiu no desenvolvimento do enredo da Vila Isabel.

“Deixei o Paulo voar. Ele falou que se eu quisesse poderia dar alguns pitacos, mas recusei. O melhor é ir na dele que já estou feliz, tranquilo”.

Martinho confessou que realizou uma grande pesquisa para a criação do samba-enredo de 1993.

“A proposta do ‘Gbala’ partiu do Osvaldo Jardim, mas ele não tinha muito uma história. Então, na hora de escrever o samba, tive que dar uma buscada, uma pesquisada, e consegui compor essa obra, cuja o resultado foi essa beleza. Portanto, a narrativa presente na letra é uma criação minha. Até porque para uma escola de samba, de modo geral, começar o desfile com ‘Meu Deus, o grande criador adoeceu’ é uma coisa meio dramática demais. Porém, a direção e o carnavalesco na época acharam muito bom e assim surgiu essa maravilha. Tive pouco contato com o Oswaldo Jardim. Nosso maior convívio foi só naquele ano mesmo. Porém, posso assegurar que ele é uma pessoa que está fazendo falta no Carnaval carioca”.

O presidente de honra da Vila Isabel revelou que o clima dentro da escola é o melhro possível para o desfile do ano que vem.

“A Vila Isabel <ctk:-10>está radiante, muito confiante que pode conquistar esse título. Todo mundo está ligado e muito empolgado, acredito que a gente vai fazer uma presença boa e se Olorum quiser vamos levantar esse caneco”.

Sobre a posição que estará no desfile, Martinho faz mistério e diz que não conversou com a direção da escola.

“Ainda não tem nada acertado, tenho que combinar ainda os detalhes com o diretor de Carnaval. Estão esperando minha visita lá no barracão para me contar o que estão planejando e tal. Mas não tenho nenhuma vontade muito específica. Vou deixar eles decidirem, até porque, às vezes, gosto de deixar as pessoas fazerem as coisas. Desde que me leve para onde eu quero ir está tudo certo”.