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Rosas de Ouro aposta na plástica para fechar a sexta-feira de carnaval

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Em um ano que a cidade de São Paulo está completando 470 anos e o Parque do Ibirapuera, marco da cidade, festejando 70 anos, nada melhor do que uma escola ligada a enredos sobre São Paulo homenagear tudo isso. Com o enredo “Ibira 70”, a Rosas de Ouro celebra as sete décadas do parque. É um tema onde a diretoria, carnavalesco e comunidade estão felizes. Remete ao passado de glórias que a comunidade da Brasilândia sempre teve, especialmente na década de 90. Outro fato que soma com tudo isso é o amanhecer, como diz o samba-enredo. A ‘Roseira’ irá fechar a sexta-feira de carnaval e, sendo assim, combina com o parque, que se destaca pelo dia.

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Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Surgimento do tema

Rosas de Ouro e São Paulo estiveram sempre ligados nos enredos. O mais famoso é o “Non Ducor Duco, Qual é a minha cara?”. O tema deu à escola o maior samba de sua história, além de um grande presente ao carnaval paulistano. Devido a isso, a agremiação, que necessita buscar posições melhores, viu no parque Ibirapuera uma forma de resgatar essas memórias. É o que confirma o artista. “Esse enredo surgiu coincidindo com aquilo que a gente estava pensando. Depois do carnaval a gente sentiu a necessidade de falar de alguma coisa ligada a São Paulo, porque a Rosas de Ouro em vários momentos abordou São Paulo e sempre foi feliz em temas ligados à cidade. A gente já tinha uma ideia formada a respeito disso e esse enredo surgiu e achamos que seria bacana falar, porque ia de encontro com aquilo que a gente estava pensando”, contou.

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Explicação do enredo

Nada será lúdico ou algo do gênero. É um enredo histórico. Paulo diz que o desfile vai abranger a história inteira do ‘Ibira’, desde como começou a ser pensado até o momento atual. “A gente conta a história do Ibirapuera, desde quando ele começou a ser pensado quando ele começou a ser sonhado, até os dias de hoje. Então a gente vai mostrar todas as características desse parque que é muito peculiar, porque ele não é um parque só de natureza. É um lugar de cultura, um parque social, enfim. Posso dizer que é um parque completo, porque abrange tudo aquilo que as pessoas esperam de calmaria em uma cidade tão veloz quanto São Paulo. Na verdade, eu acho que o Ibirapuera é o coração e o pulmão da cidade, porque quando você entra ali, parece que não está em São Paulo. Ele te transmite paz, calma, mas ele também te transmite cultura. Te permite várias coisas. São Paulo é feita de tribos e esse parque acaba abrangendo tudo isso”, explanou.

Encantamento do artista

Segundo o carnavalesco, o que mais fascinou na concepção do tema, foi a questão de ter vários fatos dentro do local a se aproveitar. “Eu acho que a diversidade. Eu frequento Ibirapuera até como turista. Antes de morar em São Paulo, sempre que vinha, eu ia ao Ibirapuera muito também por causa do museu Afro Brasil, que é o meu museu preferido. Então em algum momento eu vou para esse museu, porque é o que eu mais gosto de todos que eu conheço. O parque já me cativava antes de eu morar aqui na cidade e eu acho que o grande barato é o desenvolvimento. É podermos mostrar para as pessoas que ele tem muito mais daquilo que às vezes elas esperam. Quando você ver a Rosas de Ouro na avenida, vai ter coisas que as pessoas não vão reconhecer, porque elas vão para o parque com um olhar e o parque tem outros olhares. Se você for pensando em saúde e lazer, tem coisas culturais dentro do parque que vão passar batido para você e não vai perceber. O local tem muito mais do que isso. Vai para várias vertentes. Eu acho que isso foi o que acabou me encantando na hora de desenvolver o enredo e de criar as fantasias da Rosas de Ouro”, explicou.

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Mudança de característica

A ‘Roseira’ teve como enredo desde a chegada do Paulo, duas ideias do artista. Em 2022, o enredo “Sanitatém”, que abordava a cura. No desfile passado, “Kindala”, um tema de resistência negra também foi de autoria de Menezes. Agora, em seu terceiro carnaval dentro da escola, o carnavalesco terá que realizar algo proposto pela agremiação, mas diz que está lidando tranquilamente com a situação. “Para mim é normal, porque eu sou meio que classificado como um artista barroco e, na realidade, o artista não é barroco e não é moderno. Ele é artista. Você tem que se adaptar à realidade que o enredo te propõe e a característica de cada escola que você está trabalhando. O artista tem que ser meio camaleônico. O importante é um enredo passar a mensagem dele, você não pode ficar preso. Então eu acho que a gente procura sempre fazer passar a mensagem do enredo da melhor maneira possível. É claro que a tua característica sempre vai estar presente, mas o artista é diverso. Não tem essa de ser uma coisa só. A gente consegue fazer várias coisas”, declarou.

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Parceria dentro do tema

Para 2024, a Rosas tem uma parceria para desenvolver o “Ibira 70”. Mas, segundo o artista, nada está influenciando em seu processo de criação. “Essa parceria nunca interferiu em nada na criação. Então o que foi criado, desenvolvido, pensado, foi aquilo que o Rosas de Ouro queria fazer. Zero interferência de parceria”, afirmou.

Liberdade para o artista

Paulo também se diz muito tranquilo na escola, pois tem a liberdade de realizar tudo o que queria. “Eu não posso reclamar, porque tudo que sempre quis fazer aqui no Rosas, a escola sempre me deixou fazer. A escola também nunca interferiu em nada na criação. Então eu não tenho essa preocupação e nem essa reclamação em relação à Rosas de Ouro. Eu sempre tive muita liberdade aqui dentro”, disse.

Trunfo da escola

Exaltando a escola, o artista fala que o trunfo do desfile é a própria Rosas. Dentro da pista, avaliou que a segunda alegoria pode impressionar o público. “Eu acho que o grande trunfo da Rosas de Ouro é a Rosas de Ouro. É um carnaval que eu acho que é bem diferenciado, porque a gente vai desfilar de manhã, então é um carnaval muito colorido e tem umas pegadas que eu acho que vai cativar as pessoas. Vai deixar as pessoas bastante interessadas e bastante felizes em ver o desfile, mas o ponto alto do desfile, eu acho que é a segunda alegoria, que vai interagir mais com o público e com todos que estão assistindo”, afirmou.

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Horário diferente – aprovado

A agremiação da Brasilândia irá fechar a sexta-feira de carnaval. Dentro disso, o carnavalesco contou que os carnavais pela manhã de sua autoria foram os mais legais. “Eu perdi a conta de quantas vezes eu fechei o desfile e encerrei de manhã. Eu acho que os meus desfiles mais bacanas foram ou no amanhecer ou na luz do dia. Eu acho que aqui não vai ser diferente. Vai ser um desfile muito legal, muito bacana e que as cores vão ajudar muito, só espero que o sol apareça no dia”, comentou.

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Conheça o desfile

“A gente abre mostrando o sonho ideal do parque até a construção da inauguração do parque. É a abertura da escola. Aí depois a gente mostra a ecologia, a fauna e a flora. Tudo que o parque tem nesse nesse aspecto. Depois a gente mostra o corpo, a mente, a saúde e o bem-estar. Toda essa parte envolvendo esse sentimento dentro da procura humana, a gente está mostrando nesse setor. Depois vamos mostrar tudo que é de cultura, arquitetura e arte. Logo após, a gente vai mostrar tudo aquilo que já aconteceu no parque, que já existiu e que está na memória e no coração do paulistano, mas que hoje não acontece mais. É a memória do paulistano em relação ao parque. A gente encerra comemorando os 70 anos do parque e mostrando que o Ibirapuera um dia já foi palco das escolas de samba também e que elas já desfilaram lá”, concluiu.

Ficha técnica
Quatro alegorias
Um tripé
2.000 componentes
Um elemento alegórico (comissão de frente)
Diretor de barracão – Alexandre Vicente
Diretor de ateliê – Marcão

Primeiro fim de semana de shows no Terreirão do Samba faz sucesso; próximo é imperdível

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A maratona de shows especiais do Carnaval 2024 no Terreirão do Samba teve início com grande sucesso, reunindo alguns dos principais nomes do samba e pagode carioca, o evento promete apresentações até o dia 17 de fevereiro. Artistas como Belo, Diogo Nogueira, Sorriso Maroto, Tiee e Dilsinho já brilharam no Terreirão. No próximo final de semana, a programação incluirá apresentações de Vitinho, Vou Zuar, Clareou, Arlindinho, Pique Novo e Suel, prometendo momentos memoráveis.

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Foto: Paulo Mumia/Divulgação Riotur

O vice-presidente da Riotur, Luiz Gustavo Motof, ao site Carnavalesco, fez um balanço positivo do primeiro final de semana de shows no Terreirão do Samba. Destacou o tamanho do público, mencionando que o Terreirão iniciou a temporada com uma expressiva participação. Motof ressaltou que a temporada promete muito mais, especialmente no próximo final de semana, que coincide com o varnaval.

Ele antecipou que há inúmeras atrações programadas para a sexta-feira, 9 de fevereiro, e para o sábado, 10 de fevereiro, indicando que o Terreirão continuará sendo palco de grandes momentos festivos durante a temporada carnavalesca.

“A próxima semana é de Carnaval, semana cheia, com shows de sexta-feira até terça-feira que vem. Então, assim, dia nove, nós temos ali o cantor Vitinho, um cantor que é atualmente da nova geração do pagode, que tem feito shows belíssimos pela cidade, vai estar brindando o Terreirão pela primeira vez. A estreia do Vitinho promete muito e os ingressos também devem esgotar rapidamente para esse show. Ainda no sábado, o cantor Suel, Pique Novo, o Arlindinho, depois Gustavo Lins, depois na terça-feira o Tá Na Mente, enfim, uma programação completa com diversos shows bacanas”, comentou Motof.

Os ingressos, com preço popular de R$ 20, podem ser adquiridos online, permitindo a compra de até 5 ingressos por pessoa. Para realizar a compra, basta acessar o site https://www.tickethub.com.br/ – Depois, é só se preparar para se divertir muito no Terreirão e aproveitar as atrações do Carnaval.

“Convidamos todo o público, os segmentos das escolas de samba que inclusive estiverem desfilando, seja no Grupo Série Ouro ou seja no Grupo Especial, após desfilar ou antes de desfilar, para dar uma passadinha no Terreirão, sentar e aproveitar uma comidinha típica. Serão 40 barracas espalhadas, banheiros também, proporcionando ao público todo o sistema de posto médico e infraestrutura para conforto e segurança da população, som de qualidade, segurança e toda uma infraestrutura preparada para receber os foliões e os amantes do pagode e do Carnaval”, citou o vice-presidente.

Governador apresenta plano operacional e exalta investimento de R$ 62,5 milhões no carnaval do Rio

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O governador Cláudio Castro apresentou, na manhã desta segunda-feira, o plano operacional do Carnaval 2024. O anúncio foi feito no Palácio Guanabara com as campanhas que serão realizadas pelo Estado durante os dias de folia, como ações de conscientização contra o assédio à mulher e sobre a dengue. Ao todo, 12.100 policiais militares reforçam o patrulhamento na capital e no interior – aumento de 5% comparado a 2023. Como destaque, a segurança pública terá, pela primeira vez no Carnaval, videomonitoramento com reconhecimento facial na orla da capital, Sambódromo, estações de metrô e Supervia. Todas as imagens captadas serão transmitidas em tempo real para o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).

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Governador Cláudio Castro durante a apresentação do Plano Operacional do Estado para o Carnaval. (Philippe Lima)

“Estamos a menos de uma semana de dar início à maior e mais popular festa do país. E eu tenho orgulho de ser o governador do Estado do Rio, que faz o maior Carnaval do mundo. Estamos preparados com um grande plano operacional. Nossas secretarias estão prontas para atuar nesta festa nos mais diversos setores. Fizemos um investimento de R$ 62,5 milhões, o maior da história do carnaval do Rio de Janeiro, destinado às escolas de samba, a um novo calendário de eventos durante todo o ano na Cidade do Samba, e nos blocos e outras manifestações culturais”, afirmou o governador.

Na Marquês de Sapucaí, no Setor 11, será montado um posto avançado da 6ª DP (Cidade Nova) e unidades especializadas da Polícia Civil. Seis torres de observação também serão instaladas ao longo da Avenida Presidente Vargas e durante todo o evento haverá monitoramento por drones.

Nas ruas, as ações também serão intensificadas. Nos megablocos, no Centro do Rio, haverá patrulhamento com drones e pontos de interceptação e revista com 250 detectores de metais, iniciativa que se repete nas estações de metrô da Zona Sul (Copacabana, Ipanema e Leblon). Já no interior do Estado e municípios da Região Metropolitana, batalhões da área farão reforço do policiamento nos blocos de rua.

“São mais de 12 mil policiais extras para garantir o acesso de todos a essa festa maravilhosa. Esse é um trabalho de integração não somente das secretarias de Governo, mas também com os municípios”, ressaltou o secretário de Estado de Segurança Pública, Victor dos Santos.

Série Barracões: Sereno de Campo Grande volta para Sapucaí abordando a relação Oyá e Santa Bárbara

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No solo sagrado da Sapucaí o Sereno de Campo Grande apresentará no Carnaval 2024 o enredo “4 de Dezembro” que aborda a relação de Oyá e Santa Bárbara. O carnavalesco Thiago Avis conta de onde veio a ideia do enredo que foi desenvolvido em trabalho conjunto com os enredistas Juliana Joannou e Leonardo Antan e comenta como vai ser o desfile e os preparativos.

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Fotos: Giovanna Garcia/CARNAVALESCO

Surgimento do enredo

“Ele surge de uma observação minha, durante a finalização do carnaval passado de 2023. Por volta do dia 19 de fevereiro, por aí, teve uma tempestade e caiu um raio dentro do barracão, onde nós estávamos concluindo as alegorias e aquilo foi bem marcante. Depois que a escola se consagrou campeã e no domingo posterior, nós estávamos comemorando dentro da quadra, entrou uma borboleta monarca muito grande e pousou numa senhora que estava sentada na quadra. Eu me lembro que a camisa dessa senhora era bem tropical, com flores, com frutas, e eu achei aquilo interessante, eu gravei essa cena. Como eu estava brifado por um babalorixá, tambor de mina, referente ao enredo do ano passado. Eu fui perguntá-lo, né, e eu também conhecedor das religiões matriz africana, eu entendia que Oyá e Santa Bárbara tinha relação. Eu já tinha um conhecimento da festa e sabia que a festa nunca tinha sido contada na avenida. Então nós unimos uma coisa com a outra. Então, foi um trabalho de observação do artista, mas a pesquisa de todo um grupo. Porque o enredo é uma ideia minha, uma estruturação, mas com o desenvolvimento de pesquisa do Leonardo Antan e da Juliana Janot também”.

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Durante a pesquisa e descoberta, Thiago, fala que o que mais te interessou foi as experiências, as trocas e a cultura que viu. “É, me interessou a troca com o Babé Vitor, que é um babalorixá que teve em Oió. Eu tive a oportunidade de estar na Bahia e agora em dezembro para o festejo de Santa Bárbara. Tudo que eu conhecia, eu conhecia era de uma pesquisa secundária, eu necessitaria fazer uma pesquisa primária. Então, eu e Leonardo Antan fomos à festa. O Leonardo já conhecia a Bahia, ácido frequentador já de Salvador. Eu fui, fiquei encantado e muito emocionado com o que eu vi lá, porque assim, é uma expressão totalmente diferente do que eu já tinha visto aqui no Rio de Janeiro. Com isso, eu tive essa troca com o Babar Vitor que teve em Oió e me mandou imagens, vídeos de realmente como é o culto lá, inclusive os segredos que tem dentro do Palácio de Oió, são segredos da religião. Existe um juramento que você não pode passar diante dessas ideias. Não é nada tão fantástico, mas é um mistério que existe lá dentro. Porque eu não sei se vocês sabem, mas a Oyá, ela vem de Irá, da cidade de Irá. Só que o culto, ele se perde em Irá. Ele é cultuado em Oio, e o governo de Oio, recentemente, reconstruiu o palácio na cidade de Irá, que é a cidade de Oyá. Então, o rio Níger tem toda essa relação com a Oyá também, o Odoyá, o Odoyá de Iemanjá, mas é Odoyá a água de Iemanjá, o rio de Yansã. E o Oio, o rei Xangô, o Obá. Ela foi esposa dele de Xangô, então o grande amor da vida dela, por isso essa relação dela com a cidade Jóia”, explicou o carnavalesco.

Criação e desenvolvimento antes de chegar desfile

Com um enredo tão rico, a escola irá desfilar com três alegorias, um tripé e 1.800 componentes e promete marcar a Marquês de Sapucaí. O carnavalesco comenta os desafios de ser uma escola nova na Série Ouro, os seus enfrentamentos pessoais e o grande trunfo que irá trazer no desfile.

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“É a primeira vez que eu faço África, de fato, em quase 20 anos. Ano que vem eu faço 20 anos que eu estou no carnaval, desde 2005, isso transitando pela Intendente Magalhães. Então é uma estreia meio reestreia, mas é uma estreia mesmo na Sapucaí e fazendo uma áfrica, sabe, eu acho que isso mexe um pouco. Eu sempre perguntei como seria, eu fazendo áfrica e agora eu tô tendo a resposta. É claro que, dentro do que eu posso fazer, do que eu gostaria de fazer. A gente sempre quer fazer de uma outra forma, mas vejam, uma escola que subiu da Série Ouro agora, teve que montar uma estrutura de barracão, estrutura de chassi. Tudo isso impacta também no andamento do seu barracão, é diferente de uma coirmã que já está estruturada. Isso não tem a ver só com financeiro, mas eu acho que quem já está ali com todas as suas máquinas, com todos os seus profissionais, tudo organizado, é diferente. É quase você criar um pouco no meio do caos, mas sem deixar o caos tomar conta de você. Eu acho que o grande trunfo do desfile, além do canto aguerrido da escola, dos componentes do Sereno de Campo Grande, também a homenageada Santa Bárbara. Eu acho que vale o olhar para esse trabalho que a gente está fazendo em cima da santa Bárbara, que é a grande homenageada, como ela vai ser apresentada na avenida. Nós temos uma alegoria que vem representando o andor de Santa Bárbara”.

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A escola que será a primeira a desfilar no sábado de carnaval trará o abre-alas representando o grande Palácio de Oyá, importantíssimo para o enredo. E Thiago Avis fala que ele é o do seu queridinho do barracão

“Eu acho que o carnaval, num todo, eu tenho gostado, o tratamento que nós temos feito com abre alas que vem representando o Palácio de Oyá em Oio, na verdade, o Rio Níger. Ele é todo baseado, a pesquisa foi feita junto ao Babá Vitor. As cores, nós fomos fiéis, as cores que tem lá, do jeito que é lá. Foi feito um levantamento iconográfico de padronagens, de modo de pintura, pra gente tentar manter o mais fiel possível, claro, carnavalizando”.

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A escola que é originalmente azul e branco promete ter cores variadas da cultura africana. “É um desafio porque o Sereno de Campo Grande tem as cores branco e azul. E o enredo, o manto de Santa Bárbara é vermelho e Oyá é uma iabá da cor quente. Então, nós conseguimos fazer uma mescla dentro de todo o desfile, de um cromatismo que prevalecesse as cores quentes, mas que tivesse o contraste também dos tons frios da escola”, afirma o artista.

Estrutura da Coruja da Zona Oeste

As escolas da Série Ouro ainda não tem um espaço específico, barracões organizados e com boa infraestrutura para desenvolver o carnaval. A Cidade do Samba II foi prometida para esse ano de 2024 e efetivamente seu funcionamento para o carnaval 2025. Ao subir da Intendente Magalhães para a Sério Ouro, o Sereno trocou de barracão com a agremiação que desceu, a Lins Imperial, mas deu sorte de ter uma mínima estrutura.

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“A precarização dos barracões impacta, assim como também a verba impacta do momento que ela chega para a escola. Então quanto mais em cima do carnaval, mais próximo do carnaval a verba chega, existe uma maior dificuldade. Porque você tem todo um projeto para levantar, que deveria ter sido levantado em 3, 4, 5 meses, em dias. Então você vai abdicando de alguns itens, algumas coisas e vai dando outras soluções. Eu em questão de barracão, eu não posso nem reclamar porque eu já tive situações realmente muito precárias para isso, mas esse ano, graças a deus, a gente está num lugar que é coberto, tem banheiro e não é tão insalubre. Eu sei de outras coirmãs, isso não tira também a questão de que outras co-irmãs. A gente até divide aqui espaço com outra, com uma irmã que também tá com um carro em dois barracões. Você imagina um colega carnavalesco fazer um carnaval em dois barracões diferentes, um longe do outro né, então é bem difícil em relação a isso. O trajeto para a avenida é uma outra dificuldade, porque você tem muita afiação no caminho, tem ambulantes. Então tudo isso, apesar de estarmos num barracão que é próximo da avenida, que daria um certo conforto pra gente, mas a gente tem essa dificuldade em relação a limitação da altura de alegoria. Todo um cuidado para que ninguém tenha algum problema em relação a algum morador de alguma casa que fica sem energia elétrica. Tudo isso está sendo pensado para causar o menor dano possível às pessoas. O nosso ateliê fica na quadra da escola, fica lá em Campo Grande. Foi algo que nós começamos mais cedo, foi um pensamento mesmo de engenharia de produção. A gente precisava primeiro limar toda a necessidade, escoar essa produção de ateliê com fantasias para a gente poder focar no barracão em si”.

Diante de problemas e dificuldades de barracão e de investimento, os truques que uma escola de sambos da Série Ouro são necessários para tentar trazer um desfile espetacular, assim como fala Thiago Avis do barracão da Coruja da Zona Oeste.

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“Eu acho que é ter pé no chão, né? É ter pé no chão, ter o pé na terra firme. Eu, pelo menos no meu caso, eu sou virginiano, eu costumo falar isso. Então a gente tenta buscar organização e é um signo de terra. Então eu acho que você ter esse pé no chão é válido, porque você não pode sonhar tanto. Você gostaria de fazer mais, mas você tem que fazer aquilo que é possível, que cabe dentro do bolso e tirar aquela velha história, né? Tirar da cabeça o que o bolso não tem. Então, é quase um jogo de quebra-cabeças, porque a gente não tem 12 metros de altura dentro do barracão para testar uma alegoria. Então a gente sonha ou vislumbra que isso vai dar certo na hora. Então assim, é tentar manter a calma que é o primordial”.

As dificuldades não podem deixar abalar a questão da inteligência emocional para Thiago, é preciso ser profissional para levar o carnaval a Avenida para o artista.

“Se é prazeroso trazer o carnaval, é prazeroso. De certa forma é, né? Eu acho que com a maturação, com a maturidade, você vai aprendendo a lidar melhor com as pessoas, lidar melhor com todo o processo, tem o estresse e é corrido. Eu aprendi uma palavra no último ano, na verdade eu já sabia, mas não sabia empregá-la da forma correta. Eu falo que é desafiador. Quando o dia tá difícil, eu falo que é desafiador aquele dia, porque o outro dia, quem sabe, você melhora um pouco. Então, se você manter essa calma e o ritmo, você consegue tocar o seu trabalho e entregar, que é o primordial. Hoje você tem que ser sério e são pessoas que trabalham com você. Então, isso faz parte de uma inteligência emocional. Se você, como liderança, é uma direção de arte, como um carnavalesco, você tem que manter um discernimento. Se você estressar todo mundo, você não consegue botar seu carnaval na rua. Então, pelo menos pra mim, esse tipo de atitude, acho que não rola”.

História da Azul e Branco sendo contada na avenida

“Nós temos três setores no desfile todo, o início, o meio e o fim. Como toda história é, como no cinema é contado, como no livro é contado”, conta o carnavalesco.

Setor 1: “O primeiro setor, nós temos Oyá, em Oyó, na cidade de Oyó, ela chegando em Oyó, e o Palácio de Oyá”.

Setor 2: “O segundo setor, nós vamos pra Bahia, pra mostrar como essa Oyá, ela é festejada nesse terreiro, no dia de Santa Bárbara”.

Setor 3: “E o terceiro setor, é o setor da festa de Santa Bárbara, que nós mostramos todos os símbolos e signos que tem a ver com a santa em si. Ela é padroeira de quem ela, quem são os devotos dela, quais são as comidas que acontecem no dia. Todas essas coisas vão fazer parte desse setor”.

Série Barracões: Um enredo reeditado, mas atual; Vila Isabel aposta na emoção de Gbalá para buscar o título

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Na briga pelo tão sonhado quarto título do Grupo Especial, a Unidos de Vila Isabel levará para a Marquês de Sapucaí a reedição de “Gbalá – Viagem ao Templo da Criação”, idealizado pelo carnavalesco Oswaldo Jardim em 1993. A obra, que possui um espaço especial no coração do torcedor da agremiação, tem o samba-enredo assinado por Martinho da Vila. À época, a escola teve que desfilar debaixo de forte chuva e ficou em oitavo lugar. No entanto, a canção até hoje é considerada uma das mais bonitas de Martinho. Agora, o enredo está sob o olhar do carnavalesco Paulo Barros.

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Fotos: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO

Baseado na mitologia iorubá, a obra retrata a importância das crianças para um mundo melhor. Com os males causados pelo homem ao planeta, o criador – Oxalá – adoece junto com a sua própria criação. A esperança para um mundo melhor surge justamente através dos pequeninos. Apesar de ser um desfile feito há mais de três décadas, Gbalá é um enredo com temática atual, já que aborda problemas que persistiram ao passar das décadas e se tornaram ainda piores, como afirma o enredista Vinícius Natal.

“Um dos motivos que fizeram a gente sacramentar o Gbalá é exatamente porque os problemas que motivaram Oswaldo Jardim a criar o enredo ainda são atuais e até mesmo piores. Vivemos em 2023, por exemplo, o ano mais quente da história do planeta Terra. Não só isso, como também a pobreza, a poluição dos rios e a caça desenfreada de animais. Se a gente pegar os motivos que levaram o Oswaldo a criá-lo, basicamente são os mesmos de hoje. Tudo isso são os motivos que adoecem o criador – em 1990 e hoje”, explica o pesquisador.

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Além de ser um enredo atual, Vinícius explica que a ideia de escolher a reedição surgiu por conta da identificação criada pela comunidade e por ter o perfil do carnavalesco Paulo Barros.

“Já conversávamos com o presidente sobre muitas propostas de enredo. Dentro dessas várias possibilidades, entendemos que esse era o momento ideal para a Vila Isabel reeditar Gbalá, porque foi um enredo maravilhoso e que marcou muito a escola – que na época tinha outra estrutura. É um enredo que tem muito a ver com o Paulo Barros, então decidimos fazer a reedição. Tudo isso faz parte de alguns dos motivos que nos impulsionam a escolher esse enredo, além da memória afetiva que os torcedores e o mundo do samba têm por esse desfile”, detalha Vinícius.

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Para a pesquisa de enredo, Vinícius contou com o jovem João Vitor Silveira, além de Isabela Azevedo e Simone Martins. Juntos, os quatro realizaram um trabalho baseado no samba-enredo. O enredista revela que durante todo o processo de pesquisa, a emoção foi o que mais chamou atenção. Para ele, esse é, inclusive, um dos grandes trunfos da Azul e Branca para a Passarela do Samba: “O Gbalá toca muito no interior das pessoas”.

“Acredito que o mais interessante é a memória que os torcedores da Vila Isabel tem com Gbalá. Já sabíamos que era um enredo que marcou muito a história da escola, mas durante o processo de regravar o samba e apresentação da logomarca, a emoção das pessoas foi algo muito marcante. Por isso esse enredo tem a tônica da emoção, porque toca diretamente a memória do torcedor. A emoção, com certeza, será um trunfo muito bom. Durante o documentário ‘Kizomba’ – que fizemos no departamento cultural – o Martinho da Vila falou algo que me marcou muito. Ele disse que as pessoas acreditam que o samba-enredo deve necessariamente fazer as pessoas pularem de alegria. E também deve. Mas, às vezes, emociona”, conta.

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A reedição de um enredo ainda é um certo tabu para algumas pessoas do mundo do samba. Há quem tente evitar repetições por acreditar que não dá certo. Mas afinal, um carnaval reeditado facilita ou dificulta a preparação do trabalho que será apresentado na Avenida? Para Vinícius, o grande segredo para o sucesso é ter a consciência do que a escola precisa no momento. É o caso de Gbalá.

“Tem sido feito um debate muito grande sobre uma reedição ser válida ou não. Acredito que depende. Criou-se um mito de que ela não dá certo, e acho que não é verdade. A Estácio já subiu do Grupo B para o Grupo A com reedição, a Imperatriz recentemente também subiu para o Grupo Especial. A Viradouro já foi terceira colocada reeditando um samba. A reedição é fruto do momento presente da escola. Gratuita talvez não dê certo, mas uma reedição em que a escola abraça e faz com bastante consciência do que quer e precisa, pode dar certo. Como todo enredo, tem seus facilitadores e complicadores”, comenta o enredista.

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Vinícius é cria da Vila e retornou para a agremiação neste Carnaval. Ele ficou entre 2020 e 2023 na Grande Rio, e foi o pesquisador do enredo que levou a primeira estrela para Duque de Caxias, em 2022. Sentindo-se em casa e com a responsabilidade de representar a escola do coração, ele revelou que acompanhou as disputas de samba de 1993. A avó, que é compositora, ficou em segundo lugar na disputa daquele ano.

A relação com o enredo vai além da família. Ele trabalhou com o carnavalesco Edu Gonçalves, que foi assistente de Oswaldo Jardim e contava detalhes de como Gbalá surgiu.

“Eu tenho uma certa lembrança afetiva com esse enredo, porque é uma das primeiras memórias que tenho com a Vila Isabel. Muito pequeno, lembro que ficava brincando durante a disputa de samba. Esse enredo estava na minha cabeça há algum tempo. O Eduardo Gonçalves – que foi um dos caras que me ensinou o que era uma escola de samba pelo ‘lado de dentro’ – era assistente do Oswaldo e sempre contava que viu os primeiros rabiscos do Gbalá. O Oswaldo pegou um pedaço de pão e começou a rabiscar o abre-alas. Ele queria fazer um enredo iorubá, mas que não era uma África com o visual usual. Quando decidimos fazer a reedição, trouxe essas memórias junto com o processo de pesquisa”, revela.

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Principais personagens da história, as crianças vão estar inseridas ao longo de todo o desfile. “Quando depositamos a esperança na criança – lá no início da década de 1990 – estávamos no contexto da constituição de 1988 e do Estatuto da Criança e do Adolescente. Hoje, quais são esses direitos que devem ser assegurados para as elas? Quando olhamos para o hoje, os mesmos problemas daquela época são encontrados também. Esse foco na criança misturado com a narrativa ficcional é fundamental”.

Sob o comando de Paulo Barros, a Vila promete levar para a Passarela do Samba uma releitura bastante autoral, com a essência da escola e de fácil compreensão. O recado para o torcedor é a promessa é de um desfile imponente e que brigará pelo título do Carnaval carioca.

“O Paulo está trazendo uma releitura muito autoral e muito dentro do artista genial que ele é. Acredito que o grande trunfo será a fácil leitura. As pessoas vão bater o olho e entender o que queremos dizer, sem perder o fundamento religioso, a característica visual que o carnavalesco possui e, principalmente, sem perder a característica do que é a Vila Isabel. Podem esperar uma Vila que vai brigar pelo campeonato. Acredito que todo mundo está muito confiante e imbuído em fazer o melhor. Com todo o respeito às nossas coirmãs, acredito que vamos vir para brigar”, afirma o enredista da agremiação.

Conheça o desfile da Vila Isabel

A Vila Isabel será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval. A agremiação vai levar para a Avenida seis alegorias e dois tripés. Ao todo, serão 28 alas e cerca de 2800 componentes, divididos em cinco setores – além da abertura.

Setor 1: “Meu Deus! O grande criador adoeceu!”: “O primeiro setor, intitulado “Meu Deus! O grande criador adoeceu!”, apresenta, de fato, o início de nossa “estória”, onde são representados alguns dos males do mundo causados pelo homem, e, dessa forma, Oxalá adoece junto com a sua própria criação. São apresentados alguns dos motivos que levam o mundo ao seu atual estado de degradação. O setor finaliza quando Exu, orixá da comunicação entre o mundo espiritual e o mundo terreno – Orum e Ayê, na terminologia yorubá –, atendendo a um pedido de Olorum e de todos os outros orixás, desce à Terra e leva crianças de diferentes partes do mundo ao Templo da Criação, para que conheçam como o mundo foi concebido”.

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Setor 2: “Se encantaram com a mãe natureza”. “No segundo setor, já no Templo da Criação, as crianças são levadas pelos orixás para conhecer a natureza, contemplando as águas, os animais, as flores e os frutos. Compreendem a criação do mundo natural como fundamental para a harmonia do planeta e observam, atentamente, como tudo foi concebido.”

Setor 3: “Descobrindo o próprio corpo”. “No terceiro setor, as crianças entendem a importância do corpo humano e algumas de suas partes mais importantes. Veem que cada órgão do ser humano é criado para compor um complexo sistema – o mais perfeito! – e que, do barro, muitos homens são esculpidos e criados”.

Setor 4: “Conheceram os valores…”. “No quarto setor, de acordo com suas essências, os orixás ensinam alguns dos seus principais valores às crianças. Explicam o que deve ser seguido pelos seres humanos para que o mundo não se corrompa com maldade e ganância. Justiça para todos os seres, amor para curar as feridas, trabalho para o progresso e para o bem da Terra, entre outros. Assim, a humanidade entrará em equilíbrio. Esses são alguns dos valores que importam para o bem viver”.

Setor 5: “Gbalá é regastar, salvar!”. “Depois de conhecer o Templo da Criação, as crianças se preparam para retornar à Terra e, então, entendem a sua real missão: voltar e ensinar aos adultos o que aprenderam. Preservar o meio ambiente, lutar pela paz universal e proteger a natureza, os animais e as águas da Terra. Oxalá se levanta e se enche de esperança: as crianças salvarão o planeta. Rebatizadas nas águas sagradas, antes de seu retorno, demonstram que aprenderam a lição. Oxalá está salvo! Viva as crianças! Viva a Unidos de Vila Isabel”.

Série Barracões: Em Cima da Hora luta por um carnaval com a escola mais impactante

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A Em Cima da Hora levará para a Sapucaí em 2024 uma mensagem muito poderosa: a luta contra a precarização do trabalho, a importância da classe operária e toda a questão do trabalhismo no Brasil com o enredo “A Nossa Luta Continua!”. O desfile, que terá a assinatura dos carnavalescos Rodrigo Almeida e Ricardo Hessez, busca homenagear aqueles que contribuem de maneira significativa para o desenvolvimento do país. O enredo surgiu como uma sugestão da diretoria da escola, e o carnavalesco Rodrigo compartilha como o tema é relevante para o pavilhão que carrega a tradição de abordar questões sociais em seus desfiles. O tema de 2024 destaca a fragilidade da sociedade diante de diversas questões e ressalta a importância de dar voz aos temas abordados. Durante a pesquisa, Rodrigo encontrou elementos que destacam a vulnerabilidade das pessoas diante de diversos desafios, contribuindo para uma análise mais profunda sobre a realidade social.

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“Esse enredo foi solicitado pela escola, pela diretoria da escola na época, e é um enredo que tem muito a ver com a escola, porque a escola tem temas sociais já há muito tempo e a escola tem uma sorte muito grande de falar de alguns lamentos como os sertões, o 33. Então, calhou de ser um enredo que fosse a cara da escola e no momento de retomada foi escolhido para desenvolver esse carnaval. Eu acho que o enredo mostra para gente durante a pesquisa o quanto a gente é frágil perante tanta coisa. A gente acaba não tendo voz para nada, e a gente só consegue enxergar isso quando para e faz uma análise assim, meio que de fora”, comentou Rodrigo.

Rodrigo, em entrevista para o CARNAVALESCO, destaca que o trunfo do desfile deste ano será a busca por uma entrada da escola mais impactante, com alegorias e fantasias de alta qualidade. Ele ressalta que o enredo “A Nossa Luta Continua!” vai além do espetáculo visual, buscando mexer com as emoções do público na Avenida, promovendo uma reflexão sobre os desafios enfrentados pela sociedade.

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“Eu acho que a gente está buscando uma Em Cima da Hora maior, mais competitiva, uma entrada de escola muito forte, alegorias muito bem acabadas, a gente está batendo muito nessa tecla, fantasias com mais volume, mais cores. Eu acho que o trunfo também é o enredo, mexer com as pessoas, cada um se entender e perceber o que está acontecendo de fato com a vida da gente”, compartilhou Rodrigo.

A precarização dos barracões da Série Ouro é apresentada como um grande obstáculo para o desenvolvimento do Carnaval da Em Cima da Hora. Rodrigo compartilha suas experiências, desafios com a umidade nos barracões e a falta de infraestrutura adequada e também expressa seu comprometimento em superar as dificuldades. “Se você olhar ali fora, você vai ver que está chovendo a beça. Já parou de chover na rua, mas vai chover aqui dentro. Acho que questão de altura, largura, saída de carro, esses barracões eles são muito antigos, são muito úmidos, então a gente vai tentar pintar uma escultura, escultura não seca, a escultura mancha, a gente vai empastelar uma escultura, escultura não seca, acaba caindo, escorrendo a fibra, então eu acho que esses são os principais pontos assim, de não ter um local para receber as pessoas, para dar mais conforto aos funcionários, as pessoas que estão trabalhando”.

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Diante dos desafios, o carnavalesco enfatiza que o truque para levar a escola para a avenida é continuar trabalhando incansavelmente, destacando o desejo de transformar a Em Cima da Hora em uma verdadeira obra de arte. Ele ressalta o comprometimento de todos os envolvidos para garantir que a escola se destaque no Carnaval de 2024.

CONHEÇA O DESFILE DA ESCOLA

A Em Cima da Hora será a segunda escola a desfilar no sábado, 10 de fevereiro, usando cinco bases, que são quatro carros alegóricos, um acoplado, mais duas alegorias e um tripé.

Setor 1: “A abertura da escola é uma indagação, na verdade, a todo mundo. A gente se pergunta na abertura da escola, isso foi importante na época de criar o enredo, foi, você viu a sua mãe envelhecer? Se você tiver filho, você viu o seu filho crescer? Você viu o seu pai nesse tempo todo? A gente quer indagar isso. O tempo é o dono de tudo, e o tempo é o primeiro setor da escola. A gente pega essa robotização porque é o robô, porque não é o robô que a gente conhece, futurista, tecnológico. É a alma humana que vai embora e deixa a carcaça meio robotizada. Então, esse é o primeiro setor da escola, essa indagação do homem, do tempo, da robotização, do deixar de ser humano, de se transformar em um zumbi tecnológico que tenha que trabalhar”.

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Setor 2: “No segundo setor, a gente vai narrar, basicamente, as lutas, as revoltas, os manifestos que fizeram nascer a consciência de um socialismo, que fizeram nascer a consciência de um ideário, de que, poxa, se eu trabalho aqui, você trabalha aqui e ele trabalha, todos nós trabalhamos juntos, nós temos direito a alguma coisa. A gente precisa entender, e para isso houveram manifestos, revoltas, revoluções, que foi essa consciência surgindo coletiva. A gente vai encerrar esse setor com os direitos trabalhistas da era Vargas, a manipulação criada por Vargas para conseguir votos e tal, apoio popular, e a gente vai encerrar esse setor com o pau de arara, a imigração do país nesse momento. A imigração do país é importante porque é nesse momento que a gente se conhece como povo, como cultura, é nesse momento que sem internet, sem telefone, sem whatsapp, sem nada, a gente começa a ver o folclore nordestino, a gente começa a ver os folguedos do centro -oeste, esse país começa a se misturar e se reconhecer como país.Então esses trabalhadores não carregam só esse pau de arara, ele não carrega só pessoas, ele carrega sonhos, desejos, saudades e muita cultura”.

Setor 3: “A partir desse setor a gente vai falar um pouco dos tempos um pouco mais atuais, a gente vai narrar a ditadura, as flores vencendo canhões, a gente vai falar do operário do ABC que veio, lutou e foi voz e é voz de uma quantidade imensa de pessoas, apoiados e debruçados sobre a música de Chico Buarque, linha de montagem, nós novamente vemos uma sinfonia de pistões e engrenagens montando coisas na avenida, ou seja, o homem nunca vai deixar de ser robô porque ele precisa permanecer dessa maneira para que ele sustente, a sua família, sua vida. E a gente encerra esse setor com a luta feminista dos direitos trabalhistas para as mulheres, as sufragistas, é um encerramento bem interessante de setor, onde a gente vai mostrar imagem bem impactante, reproduzidas nesse tripé”.

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Setor 4: “O quarto setor vai narrar os dias atuais. Então a gente pega pontos incríveis do Brasil, como por exemplo a construção civil, que cria coisas maravilhosas que só existem aqui, os nossos ambulantes, nossos camelôs, o Rapa, a galera que está na rua, que está fugindo de policial, que está tentando defender o seu. A gente fala dos professores porque sem essa profissão não há mais outra profissão no mundo, não importa se você tem faculdade, se você não tem faculdade, algum tipo de professor na vida você teve, nem que seja sua mãe, seu pai, sua tia, alguém que estava do seu lado, elas te ensinaram alguma coisa e a professora é a base de tudo”.

Setor 5: “A gente vai falar e a gente vai encerrar esse carnaval com a retomada do Morro da Primavera, com essa nova Em Cima da Hora e os trabalhadores da Intendente Magalhães. A gente vai fazer um carro para homenagear essas pessoas que estão lá embaixo e elas precisam sim ser conhecidas. Eu sou um artista que veio da Intendente Magalhães, que estou na Intendente Magalhães e eu quero que esse pessoal seja reconhecido. Vamos dar luz a essa galera, o carro é bem mais com uma pegada luxuosa e é um barracão de escola de samba com coisas acontecendo ao vivo, pinturas, esculturas, costureiras e esse pessoal da Intendente Magalhães sendo homenageado, que para mim é o mais emocionante”.

Bruno Ribas completa 21 anos como cantor e sonha com a consagração da UPM: ‘A gente está lutando para esse objetivo’

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O intérprete Bruno Ribas consagrou o segundo ano na Unidos de Padre Miguel completando 21 anos de carreira em 2024. Ele, que já passou por diversas agremiações, como: Portela, Grande Rio, Império Serrano, Imperatriz e Mocidade, mais um ano desfila na UPM. A vermelho e branco se apresenta no dia 10 de fevereiro, a quinta escola, com o enredo “O Redentor do Sertão”.

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“Sabe aquela questão de você estar bem preparado? E na luta, as pessoas dizem que treino forte, luta fácil. Na verdade, a UPM faz treino forte para fazer um combate árduo, para passar aqui arrancando pedaços do asfalto na Sapucaí. É isso. O que eu espero é a continuidade do que a gente já vem fazendo. A gente está lutando e lutando realmente para chegar a esse objetivo. A gente vai desfilar com muita garra, com muita emoção. Tudo vai gerar um misto de sentimentos”, disse Bruno Ribas.

Para ele, o trabalho do carro de som e da bateria está pronto. E, ainda, brinca sobre o trabalho que será feito na semana que falta para o desfile oficial. O samba de 2024 está na boca da comunidade da Vila Vintém, mas, especialmente, a abertura vem sendo muito elogiado. É um destaque especial do samba que inovou e deu novos olhares à escola.

“A abertura da largada foi feita pelo Caio Pascoal, que é diretor de tamborim. A gente não sabia que ele cantava e um dia ele me ligou, me sugerindo a abertura. E aí eu falei, nada mais justo que você cantar. Botei ele no disco. Essa criação do Caio, é uma grata criação, a gente agradece ao Caio. Nós montamos isso tudo com Júlio Assis que é o nosso diretor musical”, comenta o intérprete.

As trocas na Padre Miguel são muitas, entre o próprio carro de som, mas também com a bateria. Bruno divide a avenida com o mestre Dinho e comenta que há sintonia, tanto pessoalmente quanto profissionalmente.

“Bateria e carro de som são uma coisa só aqui e em termos musicais são uma coisa sem qualquer lugar. Nós temos vários lugares que não tem uma grande oportunidade, mas de toda certa, graças a Deus e a todos os orixás, aqui funciona muito bem. Até porque o meu relacionamento com o Dinho é de muita proximidade, nos tratamos como familiares, como primos. Tem muitos anos que a gente tem vontade de trabalhar um com o outro. O momento chegou e a gente simplesmente cortou essa prática, e está aí, o resultado é esse, bacana”.

Completando a “maioridade” em sua carreira musical, no ano de 2024, o cantor fala que é um prazer comemorar a frente do carro de som da Unidos de Padre Miguel.

“É um motivo de orgulho, festa, alegria, porque eu sempre fui padrinho do carro de som daqui da UPM. Minha vida inteira e nunca consegui trabalhar aqui. Agora eu tenho a oportunidade de estar comemorando a minha maior idade musical aqui dentro, aos 66 anos dessa agremiação. Olha é legal que tudo no seu tempo, não tem não tem como falhar com Deus”.

Bruno Ribas, ainda nas comemorações musicais, comenta como foi fazer a produção da faixa oficial da Unidos para o álbum da Série Ouro, junto com intérpretes renomados do carnaval carioca como: Neguinho da Beija-Flor, Tinga, Ito Melodia, Emerson Dias, Wantuir, Marquinho Art’Samba, Serginho do Porto, Leozinho Nunes, Clovis Pê e o compositor Lequinho.

“A reunião com grandes amigos e meu tio Neguinho que é meu padrinho, foi exatamente pra emplacar os 21 anos. Foi para anunciar que a minha vida toda tá ligada a aquelas pessoas que estavam ali presentes. Todos aqueles que estavam ali presentes têm um sentido muito positivo dentro da minha carreira. Todos contribuíram pra que eu chegasse aqui aos 21 anos, porque várias vezes eu quis parar e teve muito amigo que falou ‘Cara, não faz isso e tal’. Hoje eu tô aqui conseguindo chegar a 21 anos de carreira e é só alegria, só festa”.

Neguinho da Beija-Flor, um grande cantor no mundo do samba e dindo de Bruno Ribas, é uma das maiores inspirações de seu afilhado.

“O Neguinho da Beija-Flor é minha inspiração, em qualquer lugar que eu vá. Em qualquer lugar que eu pense em referência, eu penso em Neguinho da Beija-Flor. Esse cara é minha referência, é minha inspiração, é meu tudo”, finaliza o cantor.

Selminha Sorriso: Uma linda história de 35 anos de Avenida

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O feito notável de Selminha Sorriso, que completa 35 anos desfilando como porta-bandeira neste Carnaval, merece ser celebrado. Em uma entrevista emocionante ao site CARNAVALESCO, ela abriu seu coração, compartilhando detalhes sobre sua longa trajetória, a emoção de atingir esse marco significativo, o desfile que considera o mais marcante de sua vida e sua parceria duradoura com Claudinho.

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Foto: Sad Coxa/Divulgação Rio Carnaval

“Quando eu olho para trás, eu me emociono muito, porque ser porta-bandeira, exercer esse ofício, é meu sonho de menina. Então, imagina você realizar o seu sonho há 35 anos. Cada vez que eu adento na Marquês de Sapucaí, eu lembro dos meus sonhos, da minha infância, da minha história, tantas coisas que eu vivi. Nem tudo é mar de flores. Então, imagina você completar 35 anos, muitas das pessoas que torcem pela Beija-Flor nem eram nascidas, e hoje beijam o pavilhão, tiram foto com a Selminha, participam do projeto social no Instituto Beija-Flor, na modalidade que eu ministro as aulas, que coordeno. Meu filho não era nascido. Então, cada vez desses anos todos, eu falo Deus muito obrigado, Deuses do samba, gratidão, porque é mágico. Você saber que você está todo ano ali, porque é uma função que depende de muitos fatores. Vontade das partes, ou seja, do casal e da escola, saúde, vigor, renovação sem perder as tradições, você manter o padrão de qualidade, respeitar as pessoas e preencher as expectativas delas, então é gratidão”, compartilhou Selminha.

Selma de Mattos Rocha, conhecida como Selminha Sorriso, iniciou sua trajetória no Carnaval em 1986, desfilando pelo Império Serrano. Inicialmente, atuando como passista, em 1991 fez sua estreia como porta-bandeira após passar seis meses se apresentando em casas de show no Japão. No ano seguinte, ao lado do mestre-sala Claudinho, desfilou pela Estácio de Sá, contribuindo para a conquista do primeiro título da escola em 1992.

A dupla, Selminha Sorriso e Claudinho, consolidou sua parceria ao longo dos anos e, em 1996, passaram a desfilar pela Beija-Flor. Juntos, conquistaram impressionantes nove títulos para a agremiação, contribuindo significativamente para o sucesso da escola de Nilópolis.

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Foto: Vitor Melo/Divulgação Rio Carnavl

“Tem o Claudinho e a Selminha, mas tem todo um contingente de pessoas que trabalham, daqueles que torcem, os que estão presentes, que estão à distância, então todo esse sentimento é um sentimento que eu agrego na minha dança, entendendo que eu tenho um sonho, mas as pessoas também têm um sonho. E esse pavilhão que eu conduzo representa a coletividade, passado, presente e futuro. Então, imagina quantas histórias nós vivemos, eu e o Claudinho, conduzindo esse manto sagrado. Então, é assim, respeita a minha história, porque é uma história construída com amor. Não é uma história construída na era global, é uma história construída de uma menina que estava com o pé no chão, correndo na comunidade e que viu uma porta-bandeira dançar e disse essa função que eu quero exercer dentro dessa escola de samba”, citou Selminha.

Selminha também compartilhou sobre o que se passa em sua mente, comparando a Selminha do início de sua jornada com a Selminha de hoje. Ela desabafou: “É sempre um sonho. Essa história dessa arte mudou a história da minha vida. Consequentemente, eu mudei a história de algumas pessoas e o meu compromisso cada vez é maior. O meu amor, a minha entrega, a minha responsabilidade de entender que a minha arte é para o coletivo, não é individual, eu acho que é sempre um sonho”.

Sobre o desfile que marcou profundamente sua vida, Selminha conta que foi o realizado em 2001, pela Beija-Flor. Esse desfile foi significativo por unir dois sentimentos essenciais em sua vida: o sonho de ser porta-bandeira e o sonho da maternidade.

“O desfile que eu posso mencionar e que une dois sentimentos, que é o sentimento do sonho da porta -bandeira, de realizar o sonho da menina, mas também o sonho da maternidade, foi em 2001 que foi o meu desfile de sentimento intenso, grau máximo de sentimento, porque eu estava realizando meu sonho depois da gestação, de ter ficado com o meu filhinho guardadinho oito meses, ele nasceu de oito meses, e depois realizar o sonho de estar ali dançando e voltar para casa para abraçar meu filho. Foi uma cesariana, não foi fácil, eu tive dois meses para emagrecer, tive dois meses para me recuperar, tive dois meses para entender que era um trabalho sério que envolvia todo um sentimento de torcedores, de apaixonados, de trabalhadores. Então, eu tinha que responder tudo que a escola fez por mim. A escola me esperou, a escola acreditou que eu me recuperaria”, expressou Selminha.

A grande porta-bandeira de Nilópolis não mediu palavras ao expressar seu amor pelo pavilhão e a importância desse sentimento que a conecta à escola há quase 29 anos: “O meu amor pela Beija-Flor, eu amo todas as escolas por onde eu passei, agradeço todas, e as pessoas que torceram por mim a minha vida inteira e torcem, mas esse sentimento de você defender um pavilhão, na verdade, conduzir e proteger há quase 29 anos, é uma vida”.

A Beija-Flor será a segunda agremiação a passar pelo Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no domingo de Carnaval, sendo a primeira vez na história da escola que ela desfilará nesta posição e Selminha revelou sua expectativa para o desfile, destacou a diferença e o entusiasmo de chegar com a luz do dia na avenida, reconhecendo a oportunidade de fazer história ao desfilar no domingo e, principalmente, nesta posição e compartilhou a emoção de saber que a Beija-Flor tem a chance de entrar para a história, como poucas escolas que ganharam no domingo e em uma posição tão especial.

A mensagem final de Selminha Sorriso é poderosa e carregada de significado. Ela destaca a importância de respeitar sua trajetória, pois é uma história construída com amor. Ao relembrar os primórdios de sua jornada, Selminha enfatiza que sua inspiração veio de uma porta-bandeira de uma escola simples, sem glamour, mas com sonhos e amor.

“Essa é a mensagem que eu deixo, respeitar a minha história, porque é uma história de amor. O mundo não sabia nem quem era o mundo, porque o mundo não conseguia se ver em tempo real, e era o que eu queria exercer. Então, não tinha glamour, tinha sonho, tinha amor, e a minha inspiração foi uma porta-bandeira de uma escola simples, não existia pavão, era um vestido de tecido, mas a porta-bandeira sempre é uma rainha e sempre será. Então, mesmo se ela estiver com o vestido de chita, o tecido mais barato e o sapato mais barato, ela vai ser sempre uma rainha, porque essa função é uma função escolhida pelos deuses”.

Com homenagem a Helena Theodoro, Mocidade Unida da Mooca aposta em conjunto estético

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A Mocidade Unida da Mooca busca seu primeiro acesso na história para o Grupo Especial, para isso, terá o enredo ‘Oyá Helena’, uma homenagem para a Helena Theodoro, uma renomada escritora, pesquisadora e professora do Brasil, além de claro, uma sambista de raiz. A MUM será a última escola a entrar no Anhembi em disputa no carnaval de 2024, será a oitava no Grupo de Acesso I, no domingo, dia 11 de fevereiro. O site CARNAVALESCO visitou o barracão da MUM ainda no fim de 2023, e conversou com o carnavalesco, o jovem Caio Araújo, que vai para o seu segundo trabalho, o primeiro solo, como carnavalesco nas escolas de samba de São Paulo.

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Fotos: Fábio Martins/CARNAVALESCO

‘Oyá Helena’, conheça o enredo da MUM

O enredo da Mocidade Unida da Mooca, vulgo MUM, surgiu através da jornalista esportiva da Rede Globo, Ana Thaís Matos, que é noiva do presidente Rafael Falanga, que inclusive a pediu em casamento na véspera de um ensaio técnico no ano passado. Pois, Helena Theodoro surgiu através da jornalista e aprovada por Falanga e Caio, virou o enredo da escola, seguindo uma linha lógica de enredos há alguns anos, como explicou o carnavalesco da MUM.

“Olha, a “Oyá Helena” é uma homenagem para Helena Theodora, e veio de uma ideia do Rafael e da esposa dele, a Ana Thaís, né? A Ana Thaís é uma grande fã do trabalho da Helena e ela foi apresentando para o Rafa, enquanto o Rafa foi apresentando para mim. Quando eu fui conhecendo mais a fundo a obra de Helena e mais do que a obra conhecendo a vida dela. Falei que essa mulher tem que ser enredo. É uma figura muito relevante culturalmente para o país, mas uma figura que também fala muito dos afetos que a gente constrói dentro do samba, sabe? E muito da construção do nosso enredo vai por esse caminho. A Helena está completando 80 anos esse ano. Ela começa a construir o legado do trabalho dela com 13. Então são muitos anos de trabalho para poucos setores de desfile. Então a gente tem que fazer algumas escolhas em como conduzir essa história. O que eu escolhi para contar um pouco desse legado da Helena, foi entender quais eram os pilares principais do trabalho dela. E aí, a partir deste momento entender como a gente dentro do Samba é capaz de conhecer diversas Helenas. E aí no final das contas é onde esse enredo vira uma homenagem para todas as mulheres pretas do carnaval”.

Descobertas na pesquisa

Durante a pesquisa, o que encontrou de interessante, o carnavalesco Caio Araújo nos contou descobertas históricas: “Em todos os setores tem alguma coisinha que inspiraram muito visual da escola e que eram informações que eu desconhecia. Então a origem de onde vão aparecer os primeiros cultos a Iansã, inspiraram muita estética da abre-alas, a relação da Iansã com os elementos, ela não é só o orixá do vento, né? Ela tem também relação com fogo, mas o nome da Iansã vem de um rio. Então ela também tem uma relação com a água e eu desconhecia, isso também vai aparecer de alguma forma no nosso desfile. Inclusive os cultos a Iansã, eles vão começar a nascer justamente nos impérios que cresceram nas margens desses rios, que hoje em dia é o rio Níger, que corta a Nigéria de ponta a ponta. Então todos os impérios que foram crescendo em torno desses foram tipo desenvolvendo cultos a Iansã. E aí tem um império principal ali onde a gente encontra os primeiros relatos de culto a ela, esculturas em homenagem a Iansã e que é esse Império inspirou ali a estética do abre alas. Todo o contexto de estudar revolução salgueirense é apaixonante, é que é isso, você entende, a gente entende o que é o poder numa escola de samba, mas você vê isso acontecendo nos anos 60, é muito potente e o trabalho da Helena, ele está sintetizado no último carro”.

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Revelou também a importância da pesquisa nas obras de Helena, e claro, nas recorrentes conversas feitas com a artista: “Acho que ali eu conversando com ela, lendo as publicações dela. Vem nessa relação que ela estabelece entre homem natureza e orixá, né? O orixá é uma manifestação da natureza e nós enquanto humanidade. Acabamos se afastando muito da natureza, mas somos parte dela também. E aí a Helena tem todo esse esforço de fazer essa aproximação de novo do homem com a natureza, porque aproximar o homem da natureza é aproximar o homem do Orixá, e isso tá ali traduzido também de uma certa forma nessa biblioteca do último carro”.

Alegorias da MUM prometem mais uma vez

Com uma temática que exige um estilo diferente em cores, Caio Araújo revelou que a MUM sairá um pouco das cores do seu pavilhão, vermelho e verde, tem motivos: “Esse ano a MUM vem bem colorida, ela não vem ali muito ligada as cores do pavilhão, elas vão aparecer em determinado momento, principalmente o vermelho, mas não são as cores básicas do nosso desfile. A gente vai abrir baseado na Iansã, mãe do céu do entardecer. Que é uma Iansã que se relaciona mais com o rosa e com laranja. Então a gente vai ter uma abertura que vai puxar para o rosa e para o laranja e para a cor das paramentas dela são cor de cobre na verdade. E aí vamos fazendo uma transição para cores quentes no segundo setor para falar dessa herança toda que a Helena constrói dentro do Salgueiro. E depois vamos fazer uma transição para cores frias, então terminamos o nosso desfile tipo com tons de azul, de roxo, lilás e bastante dourado. Mas fomos para um caminho bem diferente assim de cor esse ano, abandonamos um pouquinho as cores da escola, mas tivemos que dar por enredo as cores que ele pediu. Então abrimos mão um pouquinho ali, tentando colocar onde é possível, mas fomos nessa pegada de levar realmente as cores que o enredo pede”.

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Tradicionalmente a MUM tem feito grandes apostas alegóricas, seja na beleza, riqueza ou no tamanho das estruturas. Para 2024, não será diferente como contou o Caio Araújo: “Vamos vir com as alegorias grandes novamente. É um projeto que é maior que o do ano passado, é maior do que o projeto do Santo Negro da Liberdade, principalmente o abre-alas. Creio que é o segundo maior abre-alas da Mooca, talvez só perca pro abre-alas do de 2019, mas é um carro grande e detalhado, a gente vem com todos os carros tipo grandes assim. Vamos fazer bastante uso de tripé esse ano também que é uma ferramenta que o regulamento proporciona para nós. Dá soluções visuais interessantes na avenida e ajudam a contar histórias. Então vamos ter alegoricamente uma escola grandiosa. Em termos de fantasia também, aumentamos o tamanho do costeiro, deixou as fantasias mais volumosas, a comunidade na Mooca gosta de vir com costeiro grande, eles não curtem quando vem a fantasia ali com costeiro pequenininho ou sem costeiro. Então vamos vir com uma escola grandiosa, volumosa. com volume de desfile, sabe? Vai ser vai ser legal”.

A aposta no conjunto alegórico: Tem um quadripé na abertura da escola. E ao longo do desfile a gente vai ter seis tripés na frente do abre-alas. O abre-alas são dois chassis, mais dois carros e mais quatro tripés que vão vir na cênica que vem na frente do terceiro carro. Então estamos nessa proposta de criar uma dinâmica visual diferente do desfile, sabe… De não ser só ala, ala, ala carro, queremos colocar ali algumas coisinhas, algumas diferenças ali no meio do desfile para deixá-lo mais dinâmico visualmente. As pessoas têm sempre uma novidade para ver ali no desfile”.

Grande aposta do desfile

É difícil perguntar para um carnavalesco da sua maior aposta, entretanto, Caio Araújo apontou dois momentos que considera como diferenciais: “Aposto muito na abertura como um todo, desde a comissão até ela abre-alas. É o trabalho do Nildo na comissão. Então já vocês já sabem como é, dá para esperar um grande espetáculo dele. O coreógrafo Nildo é muito bom. E é muito gostoso trabalhar com Nildo. E o terceiro carro, aposto bastante no terceiro carro. Ele traz uma linguagem um pouco diferente do que estamos acostumados de ver aqui em São Paulo. Então aposto muito no terceiro e nesta abertura, da comissão até abre-alas, vai ser um conjunto bem bonito”.

Proposta de temas fortes

O carnavalesco Caio Araújo ressaltou a sequência de escolhas de enredo como foi no caso de ‘Oya Helena’, e o momento vivido pela MUM que busca o primeiro acesso à elite em sua história: “É importante olharmos para escola de samba e sempre tirar coisas boas de dentro dela, sabe? A Mooca é uma escola que está construindo um caminho muito legal e desde antes de vir para a Mooca já tava tipo de olho nela e admirando o trabalho estava sendo feito aqui dentro de resgate de bons enredos e de entender a importância de você contar uma boa história na avenida e de entender a importância de você ter um grande samba. A Mooca é essa escola que é corajosa no sentido de bancar decisões que favoreçam o espetáculo, que favoreçam o show do carnaval. É sempre importante ressaltar e exaltar isso de como a Mooca está construindo a história dela dentro do carnaval. Isso é uma escola que entende os quesitos de base, que os mais importantes são o samba e a história que estamos contando na Avenida. Se não tivermos uma boa história e um bom samba, podemos passar com o desfile mais lindo do mundo que ainda assim ele não vai ser relevante. Ele vai ser ali um momento de uma hora e cinco que vai estar passando na Avenida, pode ser campeão, até, mas que no final das contas não vale a pena. É isso, entender a relevância, o poder de uma escola de uma escola de samba e levar isso para frente. Isso é muito bonito na Mooca, é um projeto de escola, não é um projeto de carnavalesco e não é um projeto de pessoas que passaram por aqui ou que vão passar por aqui. É um projeto da diretoria e de como a diretoria entende que deveria ser o carnaval, essa necessidade de sempre dar um espetáculo grande pro público. É muito legal, eu acho que sempre tem que ser exaltado. E ouçam bastante Samba da Mooca que tá belíssimo, ‘Oya Helena’ vai dar muito certo na avenida”.

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E agradeceu o artista André Rodrigues pelo início do trabalho na agremiação da Zona Leste de São Paulo: “O André faz um trabalho muito importante aqui, né, André Rodrigues que agora tá lá na Portela quando ele faz primeiro ali a ‘Santíssima Trindade de Oyo’, depois ele vai fazer ‘Abdias do Nascimento’ e acho que isso também ajuda a escola a entender muita coisa. Fica essa semente dele aqui que agora está germinando. O André é um artista tão potente por conta disso também, ele sabe plantar sementes ali nos lugares certos e a Mooca foi a escola certa para essa semente que ele plantou germinar e no final das contas é carnaval, tem que ser do jeito que a Mooca propõe assim, pensa esse espetáculo. Tem que olhar para trás, tem que olhar para frente. A Mooca é essa escola que equilibra muito bem a tradição com um novo”.

Conheça o desfile

Setor 1: “Vamos descobrindo que a Helena desde criança já recebe esse estímulo do pai e da mãe, a educação, a frequentar a escola de samba e os terreiros. Então ela tem essa religiosidade, essa relação com samba construída muito estreitamente desde muito cedo. Isso vai construir todo o repertório dela que vai mais tarde se transformar no trabalho acadêmico da Helena, então a gente começa o desfile justamente falando dessa mulher que nasce nesse contexto de país que introduziram ela já essa herança preta ancestral que existe aqui no Brasil. E a partir disso, a gente vai mostrando o legado da Helena. E aí a ideia é que na nossa abertura colocamos essa coisa do nascimento de Helena sob as bençãos de Iansã, como uma tempestade de mudança no dentro do da cultura e da construção do academicismo intelectual do Brasil. O nosso abre-alas é justamente isso, é sobre a filha de Iansã, a tempestade da mudança e a gente faz essa relação muito estreita também por dois fatores, né. Helena, filha de Iansã, tem um livro que é todo dedicado a falar sobre a Orixá. E por conta do que aconteceu conosco no ano passado, né? Depois do desabamento dos carros por conta da ventania, então a gente achava que também era importante homenagear Iansã e Oyá no nosso enredo. E aí no ano passado a gente fala desta tempestade que veio para o mal que nos prejudicou, mas essa tempestade também pode vir para o bem e aí a gente coloca a Helena como a grande tempestade que vem pro bem, ela foi um agente de transformação. Foi a primeira mulher preta a fazer mestrado no Brasil. Foi a mulher preta que colocou conhecimentos pretos dentro da Universidade do Brasil, antes dela isso não existia. Então essa é a grande mudança que ela vai propor, sobre as bênçãos de Iansã, ela vai promover essa mudança dentro do ensino do Brasil. E aí esse repertório se constrói dentro do terreiro, então vamos valorizar neste primeiro momento, a Helena dentro do terreiro descobrindo a religiosidade e a relação dos orixás com a natureza. E como a força deles age ali dentro do nosso mundo.

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Setor 2: “A partir deste momento que a gente passa do nascimento da Helena para a juventude adolescência dela, vamos ter essa Helena crescendo literalmente dentro do Salgueiro. Então é uma mulher que vai pegar ali toda revolução salgueirense dos anos 60, onde começam a aparecer personagens importantes da história preta do país, Zumbi, Chica da Silva, Chico Rei, são personagens que o samba popularizou, não foram os livros de história, não foram as academias. Foi o samba e o Salgueiro ali nos anos 60 que traz esses personagens pro imaginário popular. E aí paramos para pensar numa criança preta dentro de tudo isso e crescendo com essas referências, então vemos a escola de samba, realmente é exercendo o seu papel de escola. Daí entendemos toda a potência que uma escola de samba tem, a escola de samba não é só uma festa que a gente faz uma vez por ano em fevereiro. Ela é também produtora de um conteúdo intelectual tão relevante quanto qualquer universidade. Se a gente não tivesse Salgueiro nos anos 60, talvez não tivéssemos ainda descoberto esses personagens ou teria descoberto eles por outras fontes, mas é importante entender a revolução cultural que uma escola de samba é capaz de propor e a Helena aprende isso na adolescência dela e vai transportar isso mais tarde para o trabalho que é quando a gente já vai chegar no desfile na vida adulta de Helena. Que Helena pega a Academia do Samba e vai levar um samba para academia, né? Então, Helena vai pegar todos esses conhecimentos que ela adquiriu ao longo da vida nas escolas de samba e nos terreiros vai levar para dentro de uma faculdade que é absolutamente embranquecida. Onde só existiam referências europeias e aí ela vai falar ‘não essas referências não começam ali na Europa’. Se falarmos de filosofia, que é ali a primeira formação de Helena, a filosofia não começa na Grécia, os filósofos gregos foram estudar no Egito, um país africano com dinastias pretas e que construiu boa parte da base do conhecimento ocidental.

Setor 3: “E aí a gente passa neste último setor por esse processo de empretecimento da academia onde Helena vai tirando essas referências brancas e vai colocando referências pretas dentro do Imaginário do Brasil. Aí a gente chega no último carro que é uma celebração ao trabalho da Helena e que é também um grande resumo do nosso enredo. O carro é uma grande biblioteca, mas não é uma biblioteca como a gente conhece porque esses conceitos mudam também com a Helena, então não era simplesmente colocar um monte de estante com livrinhos ali, que iam dar conta de falar de tudo que o trabalho de Helena representa e do que a figura dela representa. O que acho muito interessante na figura dela, é isso a gente conhece dentro dos sambas, muitas mulheres pretas que começaram a frequentar terreiros muito cedo, que entendem o poder de uma escola de samba e a ideia que todas essas mulheres olhem para Helena Teodoro, conheçam o trabalho dela e se identifiquem. Ali que a gente vai ver que dentro de cada escola de samba de São Paulo e do Rio de Janeiro vai ter muitas Helenas Teodoros, muita mulher preta foda ali pra gente admirar e tomar como um norte sabe que são verdadeiros agentes de transformação da mesma maneira que Helena foi. E acho importante a gente falar da Helena, porque é isso ela fez essa mudança tão grande dentro da do ensino brasileiro e ainda assim ela não é uma figura extremamente popular. Ela é mais popular dentro do nicho do samba. É legal que a gente populariza o nome dela, entenda a importância e relevância dessa mulher que desde cedo ali, desde os 13 anos, ela já começou a colocar os dois pés no peito ali para falar ‘ó a herança do povo preto é tão relevante tão importante quanto qualquer outra que a gente a valoriza nesse país’. E é esse o caminho que a gente vai levar. Vamos falar muito do legado dela para construir esse imaginário de quem é Helena Theodoro e do porque ela é tão relevante e tão importante no nosso país”.

Ficha técnica
3 alegorias
15 alas
10 tripés (um quadripé)
1300 componentes
Diretor de barracão – Diego Falanga
Diretor de ateliê – Cristiano

Com perfeição nos quesitos, caravana cigana da Imperatriz mostra escola pronta para brigar pelo bicampeonato

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Por Lucas Santos, Allan Duffes, Luan Costa, Maria Clara Marcelo e fotos de Nelson Malfacini

Optchá! A caravana da Imperatriz está em festa! E não é só pela honra de fechar os ensaios técnicos como campeã do carnaval passado, mas por ser hoje uma escola que tem trabalhado profundamente para não só se contentar pelo título e pela virada positiva que a escola tem passado nos últimos anos, mas, principalmente, por continuar brigando lá em cima e voltar a almejar o desejo de empilhar conquistas como no início dos anos 2000. Nesta noite de alto nível no sambódromo em que Mangueira e Viradouro já haviam realizados grandes ensaios técnicos, a Imperatriz não se intimidou e mostrou porque é a atual campeã, apresentando excelência e correção nos quesitos, um canto muito forte da comunidade, uma evolução fluída e cadenciada, mas, tudo isso, com uma dose de picardia, de emoção, de troca com o público, elementos que o carnavalesco Leandro Vieira prometeu trazer para a escola desde o ano passado e que é cada vez mais realidade na Rainha de Ramos. Apelidada pelo carnavalesco em suas redes como “ex-certinha” de Ramos para não rotular a Imperatriz como uma agremiação fria e de qualidades somente técnicas, a escola ainda continua desfilando muito bem como no final dos anos 90, início dos anos 2000, mas agora cada vez mais quente na Avenida. O bicampeonato, que nenhuma escola conquista desde a Beija-Flor em 2007/2008 é um objetivo palpável para a Verde e Branca da Leopoldina. O sonho pode virar realidade mais uma vez.

Em 2024, a Imperatriz vai levar para a Sapucaí o enredo “Com a sorte virada pra lua segundo o testamento da cigana Esmeralda”, do carnavalesco Leandro Vieira. Buscando o bicampeonato, a Verde e Branca de Ramos irá encerrar a primeira noite dos desfiles do Grupo Especial.

“Hoje foi o retrato do tanto que a gente trabalha e trabalha. É ensaio na chuva, ensaio sem chuva, ensaio sexta, ensaio domingo, é trabalho mesmo. E esse belo ensaio que fizemos hoje é realmente reflexo de tudo que a gente faz na Rua Professor Lacê. A escola está muito bem em harmonia. A escola está feliz, o povo abraçou o samba, aqui é um retrato disso. Faltando uma semana a gente vai trabalhar, trabalhar, trabalhar até fechar o portão”, disse emocionado, Mauro Amorim, diretor de carnaval.

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“O que a gente viu aqui hoje é o reflexo de quase três meses de rua, de ensaio, ou seja, as pessoas dominam o andamento naturalmente, a evolução foi boa, a harmonia foi boa, o samba funcionou, a bateria funcionou, pode vir o dia 11 de fevereiro que a gente está preparado para brigar por esse campeonato. Eu tenho um olhar desse ensaio, o Mauro (Amorim) tem outro, a Cátia tem outro, o João tem outro. Amanhã a gente vai se reunir e vai afinar algumas coisas que alguém achar que pode não ter sido da melhor maneira. Mas o meu retorno, o feedback que eu estou tendo, é que foi tudo certinho. Agora só falta aparecer aqui na Avenida as fantasias e as alegorias que já estão prontas, só faltam participarem do desfile. Estou confiante no trabalho, estou confiante na briga por esse título, respeitando todo mundo, é uma briga no bom sentido. Mas a gente confia muito no nosso trabalho”, completou André Bonatte, também da direção de carnaval.

Comissão de frente

Marcelo Misailidis procurou mais uma vez manter os segredos da comissão e apostou em uma apresentação mais dançante, marcada pela elegância de vestimenta dos bailarinos e pela elegância também nos movimentos em uma dança cigana. Seis casais se apresentavam com muita doçura e altivez, enquanto outros quatro bailarinos faziam passos solos, mas integrados com o restante da exibição. Nos movimentos da cigana, o tom misterioso e a sedução. Um dos pontos de maior destaque acontecia quando as ciganas eram erguidas no ar por seus pares em um momento de maior intensidade da coreografia. Algumas partes do samba eram pontuadas pelos movimentos dos bailarinos como o “Vai Clarear” em que os componentes erguiam os braços ao céu. No trecho “a caravana está em festa” todos os integrantes estão mais juntos como que formando este grande grupo de ciganos dançando. A frente da comissão e do lado do coreógrafo Marcelo Misailidis, o cachorrinho da comissão de 2023, divertia o público antes da apresentação propriamente dita do quesito.

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“Foi super válido, acho que isso é um termômetro de emoção, é um termômetro de entrega, então é um ajuste de projeto de desfile, tudo isso correu super bem e agora a expectativa é a melhor possível, a gente percebe uma escola que canta do início ao fim, que tem essa entrega maravilhosa, e o público vai participando porque o samba é contagiante”, disse o coreógrafo.

Mestre-sala e Porta-bandeira

É incrível ver a cada dia o entrosamento da dupla que ficou alguns anos dançando com outros parceiros e que desde o retorno no carnaval passado parece que não houve nenhum hiato na parceria, e hoje com a coordenação de Ana Botafogo tem elevado o padrão de suas apresentações. Phelipe Lemos estava trajado de um elegante terno branco enquanto Rafaela Theodoro atraiu os holofotes todos com um até ousado, mas muito bonito vestido com a parte de cima em renda branca e a saia toda colorida em retalhos, finalizado com tiara de rosas na cabeça. Rafaela mostrou bastante intensidade sem perder a delicadeza e postura que lhe é conhecida. A dupla mesclou passos mais tradicionais com algumas pontuações do samba em movimentos. Os giros foram bem sincronizados e em grande velocidade. Não se observou nenhuma falta ou imprecisão. Phelipe e Rafaela demonstraram muita segurança daquilo que trouxeram para a Sapucaí.

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“O coração está muito feliz, radiante, acho que, acho não, eu tenho certeza que nós conseguimos fazer o nosso melhor, fizemos o que nós nos preparamos esse tempo todo para fazer, utilizamos vários movimentos da nossa coreografia, então agora é só se resguardar essa última semana que falta, esperar o grande dia, para quem sabe é isso, se Deus quiser, e a cigana também, buscar o bicampeonato na Imperatriz. A gente não está 100% porque não chegou o dia. Sempre está precisando aprimorar, mas eu acho que o mais importante a gente apresentou que é a alegria, a leveza, o amor por essa arte e o amor que a gente tem nessa parceria. Essa aqui é minha irmã, uma guerreira, a melhor porta-bandeira que o carnaval carioca já viu”, disse o mestre-sala.

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“A gente só tem que agradecer primeiramente a Deus, os orixás, todo povo cigano que esteve presente aqui, com toda a sua alegria, com toda a sua luz, com todo o seu axé, porque eu acho que é isso que o povo cigano traz, e combina perfeitamente com o carnaval, o samba cura, o samba tira toda a tristeza. Aqui a gente é feliz e é assim que a gente tem que levar o carnaval, com toda a felicidade, com amor no coração e transmitir isso para que cada um de nós consiga enxergar que a gente pode muito mais e que o samba com toda certeza ele tem que ser respeitado, tem que ser cultivado. Eu acho que essa semana é para a gente tentar manter o foco, a concentração. A gente vem ensaiando exaustivamente todos os dias e tudo o que a gente planejou saiu dentro do esperado, para isso que serve os ensaios de rua, os ensaios noturnos aqui na avenida, para que hoje a gente tivesse pisando aqui nessa avenida com a sensação de dever cumprido. Ajuste ele sempre vai ser necessário, mas que graças a Deus é o ajuste da mente e do corpo, porque a gente tem que controlar toda a ansiedade”, completou a porta-bandeira.

Harmonia

O canto foi, mais uma vez, um ponto alto e é a prova de uma escola que vive um momento muito diferente. A comunidade não só tem comprado a briga e cantado muito, como isso se tornou algo orgânico, não é mecânico, pois é espontâneo, é feito com muito gosto, com muita alegria, os componentes estão incorporando a cigana Esmeralda, e estão entrando no personagem. Cantam ao mesmo tempo que brincam, seduzem, dão o ar de mistério próprios da gente cigana, estão totalmente mergulhados no enredo. E gostam do samba. Isso é claro e evidente, e são os principais ativos hoje para defender essa obra na Avenida, ainda que a escola conte com um craque no comando do carro de som e com excelentes vozes de apoio, que hoje mais uma vez dominaram o samba, reproduzindo tudo aquilo que ensaiam e já exibem em Ramos todos os domingos. Aliás, esse alto rendimento do canto dos componentes também é, entre outros ativos da agremiação, mérito de Pitty de Menezes. Com o carisma e talento, foi conquistando o povo de Ramos e hoje o que ele canta eles vão juntos, sorte que o samba da Imperatriz ficou muito bom pelo trabalho musical da escola.Cantar o hino da agremiação em 2024 não é um sacrifício, é um prazer.

Evolução

A Imperatriz ontem parecia que estava realizando mais um dos seus ensaios na Rua Professor Lacê de tão fluída que foi a evolução da escola. Técnica, sem deixar buracos, sem correr, com um andamento que permitia com que o componente se divertisse e ao mesmo tempo que o público apreciasse o que foi preparado neste ensaio, a Rainha de Ramos, em quase 1h10 de treino, teve total controle de suas ações e não se pode observar nada que pudesse citar que deu errado ou que tenha atrapalhado a passagem da “caravana” verde e branca até a Praça da Apoteose. Destaque também para algumas alas que vinham coreografadas, em movimentos bem pertinentes e que não faziam com que o componentes perdesse muito da sua espontaneidade. A primeira ala da Imperatriz era um primor de colorido e criatividade com a caravana cigana que continha muito colorido nas roupas, muito brilho e algumas mulheres em pernas de pau. A escola também trouxe um tripé com a coroa da Imperatriz.

Samba-enredo

Talvez, ninguém se lembre mais de que o samba da Imperatriz para o carnaval 2024 foi resultado de uma junção de duas obras. Isso porque a escola trabalhou para que ficasse um resultado natural e o processo de ensaios com a comunidade, tanto na rua como na quadra, trouxeram para a veia da comunidade gresiliense o samba-enredo escolhido pela diretoria e ajeitado em estúdio com presença dos principais quadros da agremiação. Pontos altos mais uma vez neste ensaio, os refrões “Vai Clarear..” e ” O destino é traçado na palma da mão” (esse último já extremamente natural sem o “se’ da versão original), além do “o que é meu é da cigana..” com seu jeito mais malandreado, e o “prenúncio da sina …” que vem logo antes e é um primazia em termos de melodia. A introdução da obra com todos os componentes batendo palmas, mestre Lolo subindo a bateria até o “verde-esmeralda é vitória que virá para entrar no “Vai Clarear…” mostrou que não havia necessidade de surpresa, era só treinar esta entrada, como foi feito, que já tem a qualidade necessária para a escola começar o desfile com a energia lá em cima. O ensaio técnico, então, provou, a qualidade do trabalho feito pela Imperatriz com as duas obras escolhidas no concurso. É dos melhores deste carnaval.

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“O samba foi nota mil. O samba está na boca do povo, na boca da comunidade. A comunidade está muito feliz, está leve. A gente cantou esse samba com uma leveza, a sapucaí toda cantando. Então é nota mil nessa avaliação, não tem outra nota, nota dez, nota mil. Essa bateria maravilhosa, o mestre Lolo, maravilhosa. Vamos rumo ao bicampeonato. Eu acho que a gente tem sempre algo para aprimorar, mas eu acho que a escola está pronta. A gente já sabe o que tem que fazer. A escola já sabe, já está ensaiando há tanto tempo. É chegar no dia aqui e praticar tudo que a gente estava ensaiando. Cantar com essa bateria é muito fácil. Ela leva a gente, ela conduz a gente. Então, carro de som maravilhoso que eu tenho. Rapaziada canta muito, as cordas. Mas cantar com mestre Lolo, com essa bateria, é muito fácil”, garantiu o intérprete Pitty de Menezes.

Outros destaques

A rainha de bateria Maria Mariá estava deslumbrante com uma brilhosa fantasia dourada. A vestimenta representava o amor, as nuances, a força , a vitalidade e o magnetismo único e matriarcal. O carnavalesco Leandro Vieira desfilou com seu tradicional chapéu de pirata. No esquenta, o samba campeão de 2023 sobre Lampião puxado por Pitty e com boa resposta do público. Logo depois, o intérprete também cantou “Pode chorar” que é cantado pelo Cacique de Ramos, além da música “Barracão Velha” que é da umbanda.

O diretor de carnaval João Drummond em seu discurso agradeceu a comunidade e convocou-os a lutar pelo bicampeonato lembrando que “nós somos do tamanho de nossos sonhos”. A musa Rafa Kalimann desfilou neste treino com uma roupa usada em 2011 pela ex-rainha de bateria da Imperatriz Luiza Brunet. O mimo foi um presente da antiga rainha. O clima cigano estava presente em cada acessório e bijuteria que as pessoas resolveram colocar no corpo para desfilar na Marquês de Sapucaí neste teste oficial.