A Em Cima da Hora levará para a Sapucaí em 2024 uma mensagem muito poderosa: a luta contra a precarização do trabalho, a importância da classe operária e toda a questão do trabalhismo no Brasil com o enredo “A Nossa Luta Continua!”. O desfile, que terá a assinatura dos carnavalescos Rodrigo Almeida e Ricardo Hessez, busca homenagear aqueles que contribuem de maneira significativa para o desenvolvimento do país. O enredo surgiu como uma sugestão da diretoria da escola, e o carnavalesco Rodrigo compartilha como o tema é relevante para o pavilhão que carrega a tradição de abordar questões sociais em seus desfiles. O tema de 2024 destaca a fragilidade da sociedade diante de diversas questões e ressalta a importância de dar voz aos temas abordados. Durante a pesquisa, Rodrigo encontrou elementos que destacam a vulnerabilidade das pessoas diante de diversos desafios, contribuindo para uma análise mais profunda sobre a realidade social.

“Esse enredo foi solicitado pela escola, pela diretoria da escola na época, e é um enredo que tem muito a ver com a escola, porque a escola tem temas sociais já há muito tempo e a escola tem uma sorte muito grande de falar de alguns lamentos como os sertões, o 33. Então, calhou de ser um enredo que fosse a cara da escola e no momento de retomada foi escolhido para desenvolver esse carnaval. Eu acho que o enredo mostra para gente durante a pesquisa o quanto a gente é frágil perante tanta coisa. A gente acaba não tendo voz para nada, e a gente só consegue enxergar isso quando para e faz uma análise assim, meio que de fora”, comentou Rodrigo.

Rodrigo, em entrevista para o CARNAVALESCO, destaca que o trunfo do desfile deste ano será a busca por uma entrada da escola mais impactante, com alegorias e fantasias de alta qualidade. Ele ressalta que o enredo “A Nossa Luta Continua!” vai além do espetáculo visual, buscando mexer com as emoções do público na Avenida, promovendo uma reflexão sobre os desafios enfrentados pela sociedade.

“Eu acho que a gente está buscando uma Em Cima da Hora maior, mais competitiva, uma entrada de escola muito forte, alegorias muito bem acabadas, a gente está batendo muito nessa tecla, fantasias com mais volume, mais cores. Eu acho que o trunfo também é o enredo, mexer com as pessoas, cada um se entender e perceber o que está acontecendo de fato com a vida da gente”, compartilhou Rodrigo.

A precarização dos barracões da Série Ouro é apresentada como um grande obstáculo para o desenvolvimento do Carnaval da Em Cima da Hora. Rodrigo compartilha suas experiências, desafios com a umidade nos barracões e a falta de infraestrutura adequada e também expressa seu comprometimento em superar as dificuldades. “Se você olhar ali fora, você vai ver que está chovendo a beça. Já parou de chover na rua, mas vai chover aqui dentro. Acho que questão de altura, largura, saída de carro, esses barracões eles são muito antigos, são muito úmidos, então a gente vai tentar pintar uma escultura, escultura não seca, a escultura mancha, a gente vai empastelar uma escultura, escultura não seca, acaba caindo, escorrendo a fibra, então eu acho que esses são os principais pontos assim, de não ter um local para receber as pessoas, para dar mais conforto aos funcionários, as pessoas que estão trabalhando”.

Diante dos desafios, o carnavalesco enfatiza que o truque para levar a escola para a avenida é continuar trabalhando incansavelmente, destacando o desejo de transformar a Em Cima da Hora em uma verdadeira obra de arte. Ele ressalta o comprometimento de todos os envolvidos para garantir que a escola se destaque no Carnaval de 2024.

CONHEÇA O DESFILE DA ESCOLA

A Em Cima da Hora será a segunda escola a desfilar no sábado, 10 de fevereiro, usando cinco bases, que são quatro carros alegóricos, um acoplado, mais duas alegorias e um tripé.

Setor 1: “A abertura da escola é uma indagação, na verdade, a todo mundo. A gente se pergunta na abertura da escola, isso foi importante na época de criar o enredo, foi, você viu a sua mãe envelhecer? Se você tiver filho, você viu o seu filho crescer? Você viu o seu pai nesse tempo todo? A gente quer indagar isso. O tempo é o dono de tudo, e o tempo é o primeiro setor da escola. A gente pega essa robotização porque é o robô, porque não é o robô que a gente conhece, futurista, tecnológico. É a alma humana que vai embora e deixa a carcaça meio robotizada. Então, esse é o primeiro setor da escola, essa indagação do homem, do tempo, da robotização, do deixar de ser humano, de se transformar em um zumbi tecnológico que tenha que trabalhar”.

Setor 2: “No segundo setor, a gente vai narrar, basicamente, as lutas, as revoltas, os manifestos que fizeram nascer a consciência de um socialismo, que fizeram nascer a consciência de um ideário, de que, poxa, se eu trabalho aqui, você trabalha aqui e ele trabalha, todos nós trabalhamos juntos, nós temos direito a alguma coisa. A gente precisa entender, e para isso houveram manifestos, revoltas, revoluções, que foi essa consciência surgindo coletiva. A gente vai encerrar esse setor com os direitos trabalhistas da era Vargas, a manipulação criada por Vargas para conseguir votos e tal, apoio popular, e a gente vai encerrar esse setor com o pau de arara, a imigração do país nesse momento. A imigração do país é importante porque é nesse momento que a gente se conhece como povo, como cultura, é nesse momento que sem internet, sem telefone, sem whatsapp, sem nada, a gente começa a ver o folclore nordestino, a gente começa a ver os folguedos do centro -oeste, esse país começa a se misturar e se reconhecer como país.Então esses trabalhadores não carregam só esse pau de arara, ele não carrega só pessoas, ele carrega sonhos, desejos, saudades e muita cultura”.

Setor 3: “A partir desse setor a gente vai falar um pouco dos tempos um pouco mais atuais, a gente vai narrar a ditadura, as flores vencendo canhões, a gente vai falar do operário do ABC que veio, lutou e foi voz e é voz de uma quantidade imensa de pessoas, apoiados e debruçados sobre a música de Chico Buarque, linha de montagem, nós novamente vemos uma sinfonia de pistões e engrenagens montando coisas na avenida, ou seja, o homem nunca vai deixar de ser robô porque ele precisa permanecer dessa maneira para que ele sustente, a sua família, sua vida. E a gente encerra esse setor com a luta feminista dos direitos trabalhistas para as mulheres, as sufragistas, é um encerramento bem interessante de setor, onde a gente vai mostrar imagem bem impactante, reproduzidas nesse tripé”.

Setor 4: “O quarto setor vai narrar os dias atuais. Então a gente pega pontos incríveis do Brasil, como por exemplo a construção civil, que cria coisas maravilhosas que só existem aqui, os nossos ambulantes, nossos camelôs, o Rapa, a galera que está na rua, que está fugindo de policial, que está tentando defender o seu. A gente fala dos professores porque sem essa profissão não há mais outra profissão no mundo, não importa se você tem faculdade, se você não tem faculdade, algum tipo de professor na vida você teve, nem que seja sua mãe, seu pai, sua tia, alguém que estava do seu lado, elas te ensinaram alguma coisa e a professora é a base de tudo”.

Setor 5: “A gente vai falar e a gente vai encerrar esse carnaval com a retomada do Morro da Primavera, com essa nova Em Cima da Hora e os trabalhadores da Intendente Magalhães. A gente vai fazer um carro para homenagear essas pessoas que estão lá embaixo e elas precisam sim ser conhecidas. Eu sou um artista que veio da Intendente Magalhães, que estou na Intendente Magalhães e eu quero que esse pessoal seja reconhecido. Vamos dar luz a essa galera, o carro é bem mais com uma pegada luxuosa e é um barracão de escola de samba com coisas acontecendo ao vivo, pinturas, esculturas, costureiras e esse pessoal da Intendente Magalhães sendo homenageado, que para mim é o mais emocionante”.