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Águia de Ouro: fotos do desfile no Carnaval 2024

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Com show na arquibancada, comissão de frente fica em evidência no desfile dos Gaviões da Fiel

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Por Gustavo Lima e fotos de Fábio Martins

Quarta agremiação a entrar na passarela, os Gaviões da Fiel levou o infinito para o Anhembi. O desfile foi marcado por uma comissão de frente criativa e um casal com bastante personalidade, visto que a porta-bandeira Carolline Barbosa assumiu o pavilhão faltando pouco tempo para o desfile oficial, perdendo boa parte do pré-carnaval. As alegorias explicaram o enredo de forma satisfatória, mas algumas partes mostraram falhas, além de a evolução ter acelerado consideravelmente no final. Do terceiro módulo para frente, os componentes tiveram que acelerar o passo para fechar o tempo em cima da hora e não estourar. Terminaram o desfile com 01h05. O enredo levado para o desfile é intitulado como “Vou te levar pro infinito”, dos carnavalescos Júlio Poloni, Rodrigo Meiners e Rhayner Pereira.

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Comissão de frente

Comandada por Sérgio Cardoso, a ala desfilou com um tripé e teve como significado “Embarque infinito”. A coreografia tinha como todos os bailarinos com fantasia prateada brilhosa. Eles faziam uma dança robótica evoluindo na pista e em cima do tripé. Esse elemento alegórico era bem volumoso e era uma nave espacial no próprio espaço. Apareceu toda prateada em cima de um suporte preto e roxo.

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Havia cabos onde em determinado ato da comissão de frente, os dançarinos se penduravam e davam salto para simular um breve voo. Toda essa complexidade, dá para concluir que a ala foi o destaque do desfile.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Wagner Lima e Carolline Barbosa, desfilou representando os “Gaviões nas Constelações”. A dupla mostrou sincronismo nos movimentos. A porta-bandeira não sentiu o peso de ter assumido o pavilhão da ‘Fiel Torcida’ já no decorrer do pré-carnaval e se sentiu à vontade. A jovem mostrou uma ótima personalidade. Vale destacar o Wagner, que é um mestre-sala daqueles ‘raízes’, que samba bastante nos atos.

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Enredo

“Vou te levar pro infinito” é um enredo abstrato que a agremiação levou para mudar a sua estratégia de desfile e parar com enredos ‘densos’, à pedido da comunidade. Devido a isso, a frase que intitula o tema é derivada do histórico samba-enredo de 1995, que desperta ótimas memórias no componente da ‘Fiel Torcida’ até hoje.

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Pelo que se viu no desfile, a agremiação quis tratar esse infinito de várias formas. No espaço sideral, em forma de crítica, na natureza, no carnaval e até na paixão pelo Corinthians. Isso tudo entendido principalmente nas alegorias.

Alegorias

O abre-alas simbolizou “A Grande Explosão e o Espaço Sideral”. Consistia uma alegoria na cor preta predominante e roxa, combinando com o elemento alegórico da comissão de frente. No carro, havia outros elementos, como figuras de planetas, só que alguns estavam mal acabados, tendo falta de pintura no isopor.

Tripés juntos foram levados. Animais como onça, arara, girafa, serpente e cavalo-marinho apareceram.

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A segunda alegoria teve como título “Pro futuro renascer”. Era uma crítica, visto que tinha caveiras e pinturas de como se estivesse tudo acabado. Componentes representando ratos saíam das alegorias em alguns momentos. Talvez simbolizando sujeira ou ruínas.

O terceiro carro representou “No infinito carnaval”. Era uma alegoria toda vermelha e dourada com uma escultura de um arlequim no topo. Quis mostrar a felicidade do carnaval.

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Por fim, encerrando o conjunto alegórico, o quarto carro foi intitulado “Eu Sou Fiel, Eu Sou Corinthians!” – trecho dos últimos versos do samba-enredo. Representou o amor corinthiano. Havia um gavião com movimentos no topo do carro. Vale ressaltar que a ave estava com o led defeituoso em um dos olhos. A alegoria ainda tinha esculturas pequenas prateadas de gaviões e um grande símbolo do Corinthians em forma de coração.

Juntando todas as alegorias, analisa-se que elas conseguem explicar bem o enredo. É o quesito que mais faz entende-lo. Porém houve algumas falhas de acabamento, como pinturas no abre-alas e led no olho do gavião do último carro são exemplos.

Fantasias

As fantasias da escola foram levadas para a avenida com leveza e permitiram o componente evoluir com tranquilidade. Entretanto, para o contexto do enredo, não havia tanto entendimento na maioria das vestimentas em relação ao tema.

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Harmonia

O canto da escola foi linear. A comunidade entoou forte o refrão de cabeça. O “vai meu gavião” pegou bastante com os desfilantes. O defeito do canto apenas foi a primeira parte do samba. Após, ocorreu de forma fluida.

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Samba-enredo

O intérprete Ernesto Teixeira conduziu perfeitamente o samba-enredo. Impressionante como o longevo cantor incorpora e vira um dos destaques em desfiles oficiais. Consegue colocar a arquibancada abaixo como ninguém. A ala musical, liderada pelo diretor Rafa do Cavaco é algo à parte. Os acordes feitos potencializaram o samba-enredo no desfile.

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Evolução

Os componentes evoluíram soltos no desfile e as fileiras estavam compactas. Por estratégia da equipe de harmonia, quando a bateria estava no recuo, a escola parou por um tempo, sendo aproximadamente dois ou três minutos. Também, por algum motivo, os componentes aceleraram o passo do terceiro módulo para frente. Tal fato deve ter sido pelo tempo fechado, que foi em cima. 01h05 cravado.

Outros destaques

A bateria, regida por mestre Ciro, desfilou simbolizando os “Cientistas”. A batucada executou bossas estratégicas e optou por marcar o samba. As baianas tiveram como fantasia os “Encantos da Imensidão”.

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A rainha de bateria, Sabrina Sato, como sempre arrasa multidões e leva o público à loucura por onde passa. A artista, que já está há muito tempo à frente da “Ritimão”, foi à passarela com a fantasia “Ciência do Infinito”.

Mocidade Alegre desbrava o Brasil com Mario de Andrade em desfile marcado pela coesão do conjunto

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Por Lucas Sampaio e fotos de Fábio Martins

A Mocidade Alegre realizou na noite de sábado seu desfile no Sambódromo do Anhembi no carnaval de 2024. Uma vez mais o conjunto do desfile da Mocidade se destacou e atraiu os olhares atentos do público que compareceu à Passarela do Samba, com elementos visuais de fácil leitura e bem narrados pelo samba da agremiação. A Morada do Samba foi a terceira escola a se apresentar pelo Grupo Especial, fechando os portões após exatamente uma hora.

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Comissão de Frente

A comissão de frente intitulada “Caleidoscópio Paulistano” se apresentou em dois atos marcados por passagens do samba e fez uso de um elemento alegórico simbolizando uma locomotiva que continha bicicletas anexas nas laterais. O grupo cênico foi composto por diversos atores vestidos de arlequins e um protagonista representando Mario de Andrade, interpretado pelo ator Pascoal da Conceição.

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No primeiro ato, a parte frontal da alegoria se abre e revela Mario, que passa a interagir com os animados arlequins. No segundo ato, que simboliza o início da jornada do poeta, ele volta para dentro da locomotiva, os arlequins todos sobem no veículo e passam a manipular o maquinário, parte pedalando as bicicletas, parte movimentando um mecanismo que passa a soltar fumaça. A comissão de frente conseguiu chamar a atenção do público com sua irreverência, e contribuiu positivamente para o início do desfile da Morada do Samba.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal da Mocidade, formado por Diego Motta e Natália Lago, desfilou com fantasias nomeadas de “Desafiando o céu de concreto”, e foram acompanhados de um grupo de guardiões chamados “A Corte Arlequinal”. O casal apostou em uma dança muito fiel à tradição do quesito, cravando seus giros com segurança nos dois primeiros jurados e no último. Uma ressalva, porém, é preciso.

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Em duas oportunidades a dupla ficou diante de módulos de jurado por um período muito superior ao necessário, sendo a primeira, na cabine dois, por conta de a escola ter parado para a coreografia da bateria durante a Monumental, e a segunda no terceiro julgador durante o recuo da bateria. Teoricamente, o casal só pode ser julgado dentro das indicações dadas pelo apresentador, mas não deixa de ser uma exposição excessiva ao júri que poderia ter sido evitada.

Enredo

O enredo da Mocidade Alegre em 2024 foi “Brasiléia Desvairada: a busca de Mário de Andrade por um país”, assinado pelo carnavalesco Jorge Silveira. A Morada retratou em seu desfile a viagem pioneira do escritor paulistano para conhecer e registrar as manifestações culturais brasileiras. Dessa expedição, iniciada com a companhia de modernistas geniais, como a pintora Tarsila do Amaral, surgiu a inspiração para várias obras de Mario, em especial o livro “O turista aprendiz”. Após relatar momentos da jornada, como o testemunho de manifestações como a arte barroca, carimbó, maracatu e o frevo, Mario de Andrade volta para São Paulo onde, batizado no samba rural de Pirapora do Bom Jesus, que é berço do samba no estado, escreve a história com os registros de suas pesquisas.

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A facilidade com a qual o enredo foi lido surpreende. É uma temática densa e complexa, que exigiu do carnavalesco Jorge Silveira muita perícia para encaixar os elementos sem gerar dúvidas ou confusão da narrativa. O samba ajudou a leitura das alegorias e fantasias, formando um conjunto primoroso de apresentação.

Alegorias

A Morada do Samba se apresentou com quatro carros alegóricos e um quadripé. O Abre-alas foi intitulado “Paulicéia Desvairada”, enquanto o segundo carro recebeu o nome de “As riquezas do Barroco Nacional”, a terceira se chamou “Pelo Amazonas até dizer chega” e a última foi batizada de “O samba rural de Pirapora do Bom Jesus – o berço do samba paulista”. O quadripé, que veio entre os carros dois e três, representou o “Maracatu”. Os nomes dos carros são inspirados em trabalhos frutos das pesquisas realizadas por Mario de Andrade ao longo da viagem retratada pelo enredo.

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O conjunto alegórico conseguiu não apenas retratar os elementos do enredo com clareza, como o impacto causado por cada uma das alegorias imergiu o público na viagem pelo Brasil proposta pela Mocidade. Destaque para a representação do famoso Viaduto Santa Ifigênia no carro Abre-Alas, que gera rápida identificação a qualquer cidadão paulistano que o viu. Alguns detalhes de acabamento, como uma faixa de LED do para-choques do caminhão presente no primeiro carro desalinhada e um detalhe na escultura de uma das santas do segundo cabem aos jurados interpretarem se comprometeram o conjunto.

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Fantasias

As fantasias da Mocidade representaram os diferentes registros feitos por Mario de Andrade ao longo da viagem pelo Brasil. Ritos folclóricos como o Carimbó e a Chegança, a arte barroca que inspirou a Ala das Baianas, passagens da jornada pelo Rio Amazonas e a famosa ferrovia Madeira-Mamoré, e danças presentes no carnaval brasileiro como maracatu e frevo, marcaram presença nas alas do desfile da Morada do Samba.

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A leveza para os componentes brincarem o carnaval associada com a fácil leitura marcou todo o conjunto de fantasias da Mocidade Alegre. A comunidade pode evoluir com alegria pela Avenida, resultando em um desfile culturalmente agregador e agradável de se assistir em todos os momentos. Destaque especial para a criativa Ala das Baianas, que representou esculturas barrocas esculpidas em pedra-sabão e veio toda em um único tom de cinza.

Harmonia

Quesito que costuma ser muito forte na Morada do Samba, a harmonia teve desempenho correto ao longo de toda a Avenida. Os desfilantes clamaram o samba em um nível compreensível, sem deixar clarões audíveis. Os apagões apostados pela bateria “Ritmo Puro” demonstraram que a comunidade sabe responder nos momentos necessários, e sempre que exigida conseguiram entregar mais vigor. Destaque para a ala “Caboclinhos”, que se manteve muito animada por toda a apresentação.

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Samba-Enredo

O samba da Mocidade Alegre foi composto por Biro Biro, Turko, Gui Cruz, Rafa Do Cavaco, Minuetto, João Osasco, Imperial, Maradona, Portuga, Fábio Souza, Daniel Katar e Vitor Gabriel, e foi defendido na Avenida pela ala musical liderada pelo intérprete Igor Sorriso. O samba narra a jornada de Mario de Andrade para registrar a cultura brasileira começando por Minas Gerais, onde pesquisou sobre a arte barroca, passando pela região Amazônica, o Nordeste e retornando à São Paulo para transformar o material colhido em obras que marcaram a literatura brasileira.

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Um samba funcional com elementos inconfundíveis de sambas da história da Morada do Samba, que gosta de letras com desfechos crescentes na segunda parte da obra. Se o nome “Mocidade” do refrão principal fosse retirado, ainda assim seria fácil saber que se trata de um samba da escola. A obra funcionou para atrair a atenção do público, ajudou na leitura dos elementos visuais e teve grande desempenho nas vozes do competente carro de som liderado por Igor Sorriso.

Evolução

Acompanhar a evolução da Mocidade Alegre em um desfile é como ler poesia em forma de técnica. A facilidade com a qual os representantes do segmento se comunicam mesmo à longa distância chama atenção e não é de hoje, e resulta há anos em desfiles fluídos e despreocupados para a Morada do Samba. A escola parou na Avenida em duas oportunidades, sendo uma para a apresentação da bateria diante da Monumental e outra para o recuo da mesma. Fora esses momentos, todo o cortejo da Mocidade transcorreu com leveza, sendo que a escola arrancou com o samba já com o relógio correndo e mesmo assim fechou os portões tranquilamente após uma hora exata de desfile.

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Outros Destaques

A bateria “Ritmo Puro” novamente fez uma apresentação especial para o público da arquibancada Monumental, dessa vez utilizando-se de uma pequena alegoria em forma de locomotiva. Por sinal, “Fascinante Locomotiva: em busca de novos Brasis” era o nome da criativa fantasia da Rainha Aline Oliveira, que chamou atenção com um adereço de cabeça que continha um farol aceso. A campeã do BBB e musa da Morada Thelminha também atraiu olhares com a bela fantasia representando “São Paulo, a musa inspiradora do poeta”.

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Gaviões da Fiel: fotos do desfile no Carnaval 2024

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São Clemente: fotos do desfile no Carnaval 2024

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Freddy Ferreira analisa a bateria da Unidos de Padre Miguel no desfile

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Um desfile muito bom da bateria “Guerreiros” da Unidos de Padre Miguel, comandada por mestre Dinho. Um ritmo marcado pelo equilíbrio e pela fluência entre os naipes, provocada pela boa equalização entre os timbres. Uma bateria da UPM com levada nordestina em arranjos, conectando sua sonoridade ao tema da agremiação.

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Uma bateria da Unidos muito bem afinada foi percebida. Marcadores de primeira e segunda foram firmes, além de seguros, durante todo o cortejo da vermelha e branca da Vila Vintém. Surdos de terceira ficaram responsáveis pelo bom balanço dos graves. Já pelos naipes médios, repiques coesos tocaram integrados a um ressonante e sólido naipe de caixas de guerra. Frigideiras também auxiliaram com toque metálico, na cozinha da bateria.

Na cabeça da bateria da UPM, uma ala de cuícas segura tocou junto de um naipe de agogôs correto, com um desenho rítmico simples, mas eficiente. Um naipe de tamborins extremamente acima da média se exibiu de modo entrelaçado com uma ala de chocalhos simplesmente sublime. Os tamborins, inclusive, pareciam um só durante o desfile. Em homenagem ao eterno e saudoso ex-diretor Eduardo Amorim, é possível dizer que o “Bonde dos Patetas” desfilou com Alegria nos Punhos.

Bossas profundamente vinculadas ao tema da escola foram exibidas. Repletas de bom gosto e por vezes contribuindo com uma levada pautada pela nordestinidade, a concepção criativa se mostrou bastante apropriada. Arranjos musicais que se aproveitavam das nuances melódicas do belo samba-enredo da Unidos de Padre Miguel mostraram funcionalidade na prática, a cada execução bem feita pela bateria “Guerreiros”.

A apresentação na primeira cabine (módulo duplo) foi muito boa e equilibrada. Já na segunda cabine, além da boa fluência, o impacto sonoro contagiou o público, garantindo uma passagem interativa pelo módulo. No último módulo de julgamento, mais uma exibição enxuta e explosiva, que arrancou gritos eufóricos da plateia, fechando com chave de ouro o belo desfile da bateria “Guerreiros” da Unidos de Padre Miguel, dirigida por mestre Dinho.

Com as bênçãos de Padre Cícero, Unidos de Padre Miguel faz desfile irretocável, com visual caprichado e se credencia ao título da Série Ouro

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Por Luan Costa e fotos de Nelson Malfacini

A Unidos de Padre Miguel foi a quinta escola a pisar na avenida no segundo dia de desfiles da Série Ouro. A escola entrou na avenida com gritos de ‘é campeã’ e saiu aclamada após realizar um desfile irretocável. O impacto visual esteve presente desde o início do desfile com a comissão de frente, o enorme tripé chamou atenção e mostrou que a escola estava disposta a conquistar o tão sonhado acesso ao Grupo Especial, na sequência, o casal de mestre-sala e porta-bandeira Vinícius Antunes e Jéssica Ferreira mantiveram o padrão. O que se viu em seguida foi uma escola extremamente bem vestida, com apuro estético de impressionar e acabamento de primeira. O conjunto alegórico manteve o nível e se destacou pelos detalhes. O único senão ficou por conta do som da avenida que esteve mais baixo que o normal, mesmo assim, o canto da comunidade, apesar de não ser explosivo, não foi afetado.

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Apresentando o enredo “O Redentor do Sertão”, desenvolvido pelos carnavalescos Lucas Milato e Edson Pereira, a escola da Zona Oeste se apoiou na figura de Padre Cícero para viajar no imaginário místico popular do povo nordestino, pautado em três sentimentos: esperança, medo e fé. A narrativa trouxe luz às emoções do sertanejo, evidenciando a ligação de suas histórias de vida com as benfeitorias e obras do padre. A agremiação terminou sua apresentação com 53 minutos.

Comissão de Frente

A comissão de frente coreografada por David Lima foi intitulada “Anunciação do Deus Menino” e representou o nascimento do menino Cícero. Crenças e relatos da região relacionam a figura de Ciço com a encarnação de Cristo, a volta do Deus vivo à Terra. Além dos bailarinos, a comissão veio acompanhada de um tripé, ele inclusive evidenciou todo o cuidado da escola com o quesito, extremamente bem acabado e com inúmeros detalhes, ele contribuiu diretamente para que as apresentações fossem excelentes.

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Os quatorze componentes da comissão representaram a grande luz que irradiou durante o parto do personagem central do enredo. A indumentária toda em dourada brilhou na avenida e foi peça fundamental para dança, os componentes estavam em total sincronia e tudo deu certo. O grande ápice foi no momento que o nascimento de Cícero acontece, na parte da letra que diz “Chegou o Redentor da Zona Oeste”, a figura materna surge no tripé segurando um boneco nos braços.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Verdadeiros donos do pavilhão vermelho e branco da Unidos, a dupla Vinícius Antunes e Jéssica Ferreira mais uma vez mostrou porque são considerados um dos melhores casais do grupo, extremamente seguros e com muita personalidade, eles encantaram o público presente na Sapucaí. A fantasia representou “A Sagrada Família”, fazendo uma alusão à imagem de José e Maria na história original do nascimento de Cristo em analogia com a história de Cícero.

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Com a função de proteger o casal, os guardiões representaram os anjos da guarda. O bailado vigoroso em todas as apresentações, a garra e determinação estavam presentes no rosto da dupla, assim como o sorriso. Na parte do samba que diz “Pra vitória alcançar”, eles davam as mãos e levantavam, o gesto, feito com muita empolgação, animou o público.

Enredo

Coube a dupla de carnavalescos Lucas Milato e Edson Pereira desenvolverem o enredo “O Redentor do Sertão”, o boi vermelho exaltou um dos maiores símbolos de identificação e devoção do povo nordestino, Padre Cícero, no ano em que completaria 180 anos. O enredo apresentou uma narrativa a partir da visão do imaginário popular sobre a vida do religioso, com grande influência da literatura de cordel. O desfile foi desenvolvido a partir de três manifestações do povo sertanejo: a esperança, o medo e a fé. A leitura foi extremamente fácil e se mostrou acertada, a temática nordestina, apesar de passar com frequência na Avenida, foi mostrada de uma forma fora do habitual.

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Alegorias e Adereços

O Boi Vermelho da Zona Oeste desfilou com três alegorias e dois tripés – sendo um da comissão de frente. Como de costume, o conjunto alegórico foi impactante, seja pelas formas, cores, volume e acabamento.

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O abre-alas representou a visão que mudaria para sempre o povoado de Juazeiro: a Santa Ceia do Agreste, a escultura de Padre Cícero chamou atenção pelo tamanho, traços e movimento, o carro também contou com outras esculturas com excelente acabamento. A segunda alegoria, “O Apocalipse do Sertão”, teve uma estética oposta ao que vimos na abertura, mais soturna, ela retratou a seca que assolou o Cariri. A última alegoria, “O Redentor do Sertão”, acompanhou o nível das anteriores e finalizou o desfile com chave de ouro.

Fantasias

A escola levou para avenida 24 alas e o conjunto foi de tirar o folêgo, o capricho e cuidado em cada fantasia foi visto em toda a escola. O volume das fantasias impressionou, algumas alas tinham costeiros tão grandes que batiam na grade. O luxo e beleza não foi apenas jogado, todas as fantasias tinham fácil leitura e explicavam o enredo de forma didática. O encanto foi apresentado por todas as alas, do início ao fim, assim como o ótimo uso de cores. Destaca-se o cuidado com as baianas, as senhoras representaram a capela de Nossa Senhora das Dores e a roupa merece aplausos por tamanho capricho. Outra ala muito bem vestida foi a das crianças, a roupa que fez menção ao lobisomem parecia estar quente, mas causou um ótimo efeito.

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Harmonia

O conjunto harmônico da vermelha e branca da Zona Oeste foi extremamente satisfatório, a presença de Bruno Ribas no comando do microfone principal foi um dos pontos positivos da noite, juntamente com a bateria de mestre Dinho que realizou diversas bossas, além de um enorme paradão. Apesar de coeso, o canto da comunidade não foi explosivo, o componente cantou o suficiente, mas ficou a sensação de que faltou algo a mais, as fantasias eram muito volumosas e foi observado que alguns componentes tiveram dificuldade para desfilar, por exemplo no início, com a primeira ala, “Menino Jesus do Sertão” e ala 17, “A cura vem da fé”.

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Samba-Enredo

O samba de autoria de Cabeça do Ajax, Claudio Russo, Lico Monteiro, Miguel Dibo, Orlando Ambrósio, Richard Valença, Thiago Vaz e Waldir Corrêa passou pela avenida de forma satisfatória e a letra do samba contou com perfeição a narrativa do desfile, o começo da obra versou sobre o nascimento de Padre Cícero, os versos seguintes preveem o grande ícone que o menino Cícero se tornaria, o fim da primeira parte versa sobre o momento em que Cícero foi ordenado padre. Os dois últimos versos do samba citam um dos milagres mais simbólicos do padre, fato que fez com que ele fosse reconhecido internacionalmente. Interpretado por Bruno Ribas, o grande destaque ficou pelo trecho “Chegou o Redentor da Zona Oeste, traz um tanto do Nordeste, e tem o encanto popular, em romaria das candeias e das dores, vou curar os dissabores, pra vitória alcançar”.

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Evolução

Um dos pontos altos do desfile da UPM foi a evolução, apesar de extremamente numerosa, a agremiação passou pela avenida de forma fluida, com alas compactas e organizadas. O andamento do desfile não foi comprometido em nenhum momento, o ritmo do início acompanhou o final. Sem sustos, a escola finalizou sua apresentação aos 53 minutos.

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Outros Destaques

A Unidos se tornou uma escola muito aguardada e festejada pelo público, o esquenta da escola deu o tom de como seria o desfile, a comunicação da escola foi boa e contribuiu para o excelente desfile apresentado. Ao final do desfile foi observado que as arquibancadas gritavam ‘é campeã’ com muita empolgação.

São Clemente celebrou a obra de Zé Katimba e levou a velha-guarda da Imperatriz para a Avenida em uma linda homenagem ao pavilhão

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Sao Clemente Esp01 005A São Clemente celebrou a vida e a obra do compositor Zé Katimba com o enredo “Que grande destino reservaram para você” do carnavalesco Bruno de Oliveira. Reverenciar Zé Katimba é cantar as raízes desse Brasil, refletindo sua essência na mistura das raças e das cores, enaltecendo todos os compositores de samba-enredo, os verdadeiros poetas que entrelaçam com sua arte a musicalidade do Carnaval.

A trajetória artística e as premiações de Zé Katimba como compositor da Imperatriz Leopoldinense foram representadas no segundo carro da escola “Ramos minha raiz” que levou a velha-guarda da Imperatriz. Em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO alguns componentes expressaram a emoção dessa homenagem e a importância de Zé Katimba para a escola.

Sao Clemente Esp01 006“Muita emoção, estou emocionadíssima em passar em um carro homenageando o Zé Katimba. Sou da velha-guarda da Imperatriz há uns cinco anos, mas eu sou da escola faz tempo, eu já perdi as contas”, comentou Tereza Maria de 74 anos .

As composições de Zé Katimba ultrapassam fronteiras, alcançando uma diversidade de intérpretes e consolidando sua influência no cenário musical brasileiro. O título do enredo desse ano da São Clemente foi retirado de um grande sucesso, “Martim Cererê”, que em 1972 elevou a visibilidade de Zé Katimba a ponto de torná-lo personagem na novela “Bandeira 2,” escrita por Dias Gomes e exibida pela Rede Globo.

Sao Clemente Esp01 004Vânia Maria de 69 anos, é da velha-guarda da Imperatriz e completa 52 anos com a escola nesse carnaval, ela contou a emoção de desfilar no carro que homenageou a trajetória de Zé Katimba na sua escola e também revelou a sua emoção com o enredo já que seu primeiro desfile foi com o Martim Cererê: “Eu acho o enredo perfeito, porque eu acho que a gente tem que homenagear as pessoas em vida, e o Zé Katimba tem tudo a ver com o Carnaval, ele realmente merecia ter um enredo para ele, e nós virmos no carro é maravilhoso, porque nós acompanhamos a trajetória do Zé Katimba, o pessoal da velha-guarda, ou pelo menos as pessoas que estão na escola há muito tempo, como nós, acompanhamos a trajetória do Zé, por isso é tão emocionante. Nesse Carnaval eu faço 52 anos de Imperatriz, e o meu primeiro desfile foi o Martim Cererê, então eu estou emocionadíssima, assim, você perguntou qual é o samba do Katimba que eu mais gosto, eu gosto muito de um samba Brasil de todos os deuses, um samba lindíssimo, mas esse Martim Cererê foi meu primeiro desfile, está no sangue, é maravilhoso.”

“É um fato muito importante estar nesse carro e a homenagem que eles fizeram para o Zé Katimba é uma homenagem justa, porque ele merece. Ele é muito merecedor disso tudo. Eu tenho 56 anos de Imperatriz e sou porta-bandeira da velha-guarda e coração está a mil”, contou Roseli Neto de 63 anos.

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Comissão de frente ilusória e abre-alas impactante são destaques do desfile da Tom Maior

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Por Gustavo Lima e fotos de Fábio Martins

Segunda escola a desfilar na noite deste sábado, a Tom Maior mostrou um desfile totalmente indígena para o público. A comissão de frente foi um ponto destaque, além do abre-alas, que esteticamente estava impecável e era praticamente uma réplica perfeita de uma mata. A bateria de mestre Carlão e o carro de som liderado pelo intérprete Gilsinho mostraram um grande entrosamento. Entretanto, a agremiação teve problemas em evolução, deixando buracos, especialmente em frente ao módulo três. “Aysú – uma história de amor” foi o enredo apresentado, sendo idealizado pelo carnavalesco Flávio Campello.

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Comissão de frente

Comandada por André Almeida, a comissão da Tom representou “As Três Faces de um Mito”. Na dança, havia uma maioria de personagens que vestiam uma fantasia que misturava o sol com a lua. Na parte da frente, a parte amarela remetia ao sol e, quando os bailarinos viravam, aparecia o azul da lua. Tal vestimenta dava um efeito praticamente ilusório.

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A coreografia também tinha dois indígenas vestidos de vermelho que interagiam entre si e outras como sambistas. Uma apresentação complexa que contava a lenda.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Ruhanan Pontes e Ana Paula, desfilaram simbolizando o “Alvorecer de Aysú”. A dupla teve um desempenho satisfatório nos módulos, fazendo as coreografias e os movimentos com sincronia. Entretanto, vale ressaltar que o saiote da porta-bandeira estava um pouco danificado na parte esquerda na parte de baixo. Era nítida a falha na vestimenta, mas isso não apagou o brilho do casal, que desfilou pelo segundo ano pela vermelho e amarelo.

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Enredo

Para 2024, a escola levou para a avenida a lenda de Orfeu e intitulou o enredo como “Aysú – uma história de amor”. Um tema indígena que misturou a história com o lúdico. A história foi bem contada. A abertura feita pela comissão de frente e abre-alas já indicou o que viria no desfile. Uma apresentação totalmente oriunda de nativos, apesar da lenda.

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Alegorias

Como foi citado acima, todas passaram a mensagem que a escola queria com o tema, que era mostrar um enredo totalmente indígena. Tudo foi visto desta forma, principalmente no abre-alas, que mostrou uma mata completa. Parecia uma exposição de tão realista.

A primeira alegoria, simbolizou o “Yby Perfeito”. O gigantesco carro era uma réplica praticamente perfeita de uma mata. Havia esculturas de onças e crocodilos se movendo e nativos em uma canoa. De fato, a Tom Maior tem um enredo indígena, e este carro foi a personificação perfeita disso.

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O segundo carro alegórico remeteu ao “O Castigo de Monã”, onde havia a mesma escultura em cores diferentes, como o laranja, azul e rosa. No centro, giravam entre si. Na mesma alegoria veio a velha-guarda.

A terceira alegoria teve como título “A Morada das Boiunas e O Abismo da Saudade” – enormes esculturas de serpentes em prata se movendo de um lado para o outro deram o tom do carro.

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Por fim, fechando o conjunto alegórico, o quarto carro representou “O sonhado paraíso”, todo em dourado e esculturas também que remeteram aos indígenas

Fantasias

As fantasias tiveram um desempenho correto nesta noite. A Tom Maior apresentou algo colorido, além de um acabamento satisfatório, sem percalços, apesar da falha na fantasia do casal, o que não despontua dentro desse quesito. As vestimentas também estavam leves e permitiram os componentes a dançarem e cantarem tranquilamente.

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Harmonia

Os componentes repetiram a dose dos ensaios técnicos e cantaram o samba com força em seu desfile. Apesar da melodia do samba ser para baixo, deu para ouvir que a harmonia dos componentes estava fluida e o canto seguiu naturalmente. O refrão de cabeça e do meio se destacam, além do verso onde começa na palavra “Abaeté”, que era entoado com força. Foi um dos quesitos destaque da escola.

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Samba-enredo

O desempenho do carro de som, liderado pelo intérprete Gilsinho, teve um grande desempenho. O cantor, que desfilou pelo terceiro ano consecutivo com a Tom Maior, seguiu o andamento do samba em linha reta e executou poucos cacos. As vozes femininas com a melodia da obra também combinaram perfeitamente.

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Evolução

Esse quesito foi o grande problema da escola. O andamento parava toda hora e abriu buracos em alguns momentos, especialmente no terceiro módulo, onde as alas tiveram um clarão, se confundiram e não sabiam o que fazer. Andaram para frente e depois voltaram atrás. Certamente será um quesito que sofrerá deduções, principalmente na altura do módulo três.

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Outros destaques

A bateria “Tom 30”, regida pelo mestre Carlão, teve como fantasia “O Deus do Aysú”. Executou bossas e teve um andamento cadenciado. As caixas foi o instrumento destaque. Dava aquele balanço maior para a bateria da vermelho e amarelo.

A ala das baianas desfilaram representando “Anahy”.

Com fé em padre Cícero e na santa, as baianas da UPM sonham com a vitória da escola

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UPM Esp01 001Intitulada como “Mãe das Dores”, a fantasia das baianas da Unidos de Padre Miguel personifica o lugar onde Padre Cícero teve uma das suas mais importantes visões, que foi na Capela de Nossa Senhora das Dores. Sendo uma fantasia majoritariamente feita de renda branca, com detalhes ornamentados em dourado e detalhes vermelhos, as baianas estavam radiantes na concentração.

“A gente vem representando Nossa Senhora das Dores, uma das favoritas de padre Ciço, ele gostava muito e era devoto a ela. E essa fantasia está linda, desfilo de baiana há mais de 20 anos e essa é uma das fantasias mais lindas que eu já usei”, disse Rosana do Carmo, de 47 anos.

UPM Esp01 002Um detalhe que chamou muito a atenção na fantasia das baianas era o coração vermelho com led dentro que elas traziam no peitoral da fantasia. Ao desfilarem, esse coração brilhava. Além disso, outro detalhe interessante era que o mesmo coração estava espetado por 7 espadas, assim como o coração da Nossa Senhora das Dores que elas traziam desenhadas em suas saias, essas 7 espadas simbolizam as 7 dores que a Virgem Maria sentiu em sua vida, principalmente nos momentos da Paixão de Cristo.

Para a professora aposentada Nilce dos Santos, de 65 anos, homenagear Nossa Senhora das Dores significa representar o sofrimento de mães nordestinas.

UPM Esp01 003“Porque lá no sertão, o sofrimento era muito grande porque a tecnologia não existia, sofria-se muito, então as pessoas tinham uma devoção divina direta E havia muitas dores, muitas dores por fome, pela sede, pela violência que existia, pelas maldades, pela falta de comida e, principalmente, a seca, que sempre assolou muito o sertão brasileiro”, afirmou a professora.

A gaúcha Eulice Terra, que veio de Porto Alegre para desfilar pela UPM, se apega na fé na santa para que a escola consiga o acesso ao Grupo Especial.

“Nós viemos representando uma santa, Maria das Dores, e para mim é um prazer, que os anjos digam amém e que na quarta-feira nós ganhemos o carnaval. É um privilégio vestir uma fantasia tão representativa, leve, confortável e linda. Que a santa ajude a escola? ir atrás do nosso campeonato”, contou a funcionária pública de 62 anos.