Rosas de Ouro amanhece com um colorido e tem imediata resposta da arquibancada
Por Gustavo Lima e fotos de Fábio Martins
A Rosas de Ouro fechou a primeira noite de desfiles do Grupo Especial de São Paulo. Amanhecendo com um grande sol, a Roseira teve uma grande arrancada do samba e uma resposta imediata do canto do público, sendo a arquibancada e camarotes. Foi um desfile satisfatório da agremiação e uma justa homenagem para o parque do Ibirapuera, que completa 70 anos e a cidade de São Paulo os seus 70 anos. O destaque ficou justamente para o canto e o grande colorido que a agremiação apresentou. Para o desfile a Roseira apresentou o enredo “Ibira 70”, assinado pelo carnavalesco Paulo Menezes.

Comissão de frente
Como se trata de São Paulo, a Rosas de Ouro uniu a cidade à grande artista Rita Lee. Uma grande homenagem à cantora que nos deixou no ano passado. A coreografia, sob o comando de Helena Figueira, foi realizada na ótica da criança Rita Lee. É uma sacada da coreógrafa, pois a artista tinha uma grande ligação com a cidade de São Paulo.

A apresentação havia vários personagens, como a própria Rita Lee criança e criaturas infantis com fantasias coloridas. Também havia uma família que acenava a todo tempo para o público com o objetivo de saudá-los.
Mestre-sala e Porta-bandeira
O casal Uilian Cesário e Isabel Casagrande bailou na pista com a fantasia representando o beija-flor e a rosa, tendo como nome da vestimenta “Quando o beija-flor beija a rosa”.

Sobre a apresentação, a dupla realizou uma apresentação satisfatória. Em análise nos módulos 1 e 2, observou-se que os movimentos estavam em ótima sincronia, priorizando os giros horário e anti-horário, sem erros.
Enredo
Rosas de Ouro e temas paulistanos, uma união que costumeiramente sempre deu certo, especialmente nos anos 90. Sendo assim, a escola decidiu resgatar essas memórias para apagar os maus resultados que tiveram no último carnaval.
Dentro do desfile, se teve uma leitura clara do tema. Natureza, esporte e muita alegria. As fantasias e alegorias principalmente remetiam a tudo isso.
Alegorias
O abre-alas, intitulado como “Do solo ancestral ao cartão postal: presente que o passado nos deixou”, teve como escultura um grande nativo na frente. O local do parque era habitado por tupi-guarani, ou seja, uma natureza foi colocada no Anhembi como abertura da escola para apresentar o Ibirapuera em forma de alegoria. – Ala das crianças também desfilaram no carro como joaninhas. O diferente do elemento é que havia sons de pássaros cantando e águas caindo – Vale um adendo aqui: Isso podia comprometer a evolução, pois caiu um nível considerável de água na pista dos lados direito e esquerdo.

“Saúde mais pura, corpo e mente sãos” é o nome da segunda alegoria, sendo inspirado em uma frase da segunda parte do samba. O carro representou o esporte que se tanto pratica no Ibirapuera. Várias bicicletas com componentes pedalando formaram o conceito, sendo todo ele em forma de rampa. Os veículos foram postos de cores diferentes na alegoria.

Também feito em forma de samba-enredo, o terceiro carro alegórico da Roseira é chamado de “É tão bonito contemplar o infinito”. Nele, foi retratado o renomado “Planetário do Ibirapuera”. Um local que é visitado várias vezes durante os anos. No centro do carro há o globo terrestre e acima, em forma de bolas, os outros planetas pintados em diversas cores.

Fechando, a quarta e última alegoria, tendo como nome do samba “Rosas pra comemorar, cantar pra você”, relembrou a época em que o ‘Ibira’ servia como desfiles das escolas de samba na década de 50. Para retratar o fato, no topo do carro havia uma escultura de um colorido arlequim.
Contudo, há de se repetir o que foi citado no tópico do enredo. Foi contado tudo de forma bastante clara.
Fantasias
Um colorido de vestimentas forrou o Anhembi a apresentação da Rosas de Ouro. As baianas estavam com uma fantasia incrível nas cores azul e rosa, vestidas de borboletas, e realmente tinham asas perfeitas. Sem dúvidas foi a fantasia destaque do desfile. Além disso, os pequenos costeiros ou quase nenhum, deixaram os componentes mais soltos para desfilar na manhã ensolarada de São Paulo.

Harmonia
O canto da comunidade fluiu no desfile. As alas foram cantando o samba de forma satisfatória. A estratégia de escolher um samba com melodia para cima e um refrão que cita o amanhecer foi uma grande estratégia da Roseira. O ‘mini’ apagão na parte do “Rosas pra comemorar” foi o destaque no canto.

Samba-enredo
O desempenho do carro de som, liderado por Carlos Júnior, teve um válido desempenho. O cantor mudou o seu estilo de desfile nessa apresentação. O ‘Carlão’ é conhecido por fazer vários cacos chamando a comunidade o tempo todo, mas hoje pouco fez isso e optou por cantar em linha reta junto à sua ala musical.

Evolução
O quesito se comportou bem. Desfilou com leveza nesta manhã. Dentro do desfile, há uma coreografia em todo o refrão do meio, onde os componentes evoluem de um lado para o outro com o braço para cima. Tal movimento foi feito de forma correta entre todas as alas, além de as fileiras ficarem bem compactadas.

O recuo da “Bateria com Identidade” foi repetido como em todos os desfiles e virou tradição. Os ritmistas entram e saem do box por três ou quatro vezes. É uma liberdade que a escola dá ao mestre Rafa.
Outros destaques
A “Bateria com Identidade”, de mestre Rafa realizou bossas em número considerável e o instrumento destaque foram os surdos, especialmente o de terceira. Bem afinado, se ouvia durante toda a avenida.

A ala das baianas viera logo atrás do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, ainda no começo do desfile, após o abre-alas. As fantasias das mães do samba era em um azul e rosa, cores da escola e nomeada “Revoada das borboletas”. A parte de trás realmente era um destaque, com asas de borboleta.

A rainha de bateria, Ana Beatriz Godoi, desfilou com uma fantasia em rosa e prata, intitulada como “O Sabiá do Ibira”.
Agropecuária inspira Mancha Verde em desfile marcado pelo alto nível técnico
Por Lucas Sampaio e fotos de Fábio Martins
A Mancha Verde realizou na noite de sexta-feira seu desfile no Sambódromo do Anhembi no carnaval de 2024. Novamente a técnica irretocável foi o principal destaque da agremiação, que contou com boa leitura dos quesitos visuais. A substituição de última hora ocorrida no casal de mestre-sala e porta-bandeira, porém, gerou problemas para o quesito. A Mais Querida foi a sexta escola a se apresentar pelo Grupo Especial, fechando os portões após uma hora e quatro minutos.

Comissão de Frente
A comissão de frente intitulada “Olubajé, o grande banquete a Omolu” se apresentou em três atos marcados pelo samba, fazendo uso de um tripé com a escultura de Obaluaê que carregava alimentos. Através dos atos, o grupo cênico simbolizou a lenda do orixá Ocô, que recebe a missão de tirar o alimento da terra para o banquete que será servido a Omolu. A coreografia é marcada por diversos passos de dança típicas dos orixás dos componentes em geral, tendo a atuação coadjuvante de representações de outros orixás como Oxóssi. A comissão cumpriu bem a missão de apresentar a escola e saudar o público, iniciando de forma positiva o desfile da escola.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O primeiro casal da Mancha no desfile foi formado por Thiago Bispo e Adriana Gomes, e desfilaram com fantasias representando as “Sementes que Olorum criou”. Thiago substituiu às pressas o mestre-sala oficial da escola, Marcelo Luiz, afastado de última hora por motivos de saúde.

Não dá para se esperar uma atuação irretocável de uma parceria formada a poucas horas do desfile começar. Para um casal chegar pronto à Avenida, é preciso um trabalho árduo através de treinos realizados ao longo de muito tempo, e por conta disso a falta de sintonia da dupla foi percebida em determinados momentos. Thiago tentou acompanhar os passos da espetacular Adriana, mas por vários momentos ao longo do desfile os giros não cravavam ou os movimentos ocorriam de forma descoordenada.
Enredo
O enredo da Mancha Verde em 2024 foi “Do Nosso Solo Para o Mundo”, assinado pelo carnavalesco André Machado. A proposta da escola foi retratar como a produção do campo no Brasil abastece há muito tempo boa parte do mundo. O desfile começa apresentando como a prática de se tirar o alimento da terra iniciou de acordo com a crença iorubá, passando por diferentes práticas agropecuárias ao longo da história, a tecnologia no campo e finalizando com o meio rural nos tempos atuais, a fé a São José, padroeiro da agricultura, e as festas das colheitas.

A leitura do enredo ocorreu com clareza ao longo de todos os elementos apresentados pela escola no desfile e eram de fácil compreensão. As fantasias das alas simbolizavam bem a proposta de conexão de cada segmento, conseguindo chegar nas alegorias de forma bem representada. Destaque para a ala “Ogun forja as ferramentas para o agricultor plantar”, composta por várias fantasias diferentes e cuja formação tomava boa parte do espaço entre os carros um e dois.
Alegorias
A Mancha se apresentou com quatro alegorias. O Abre-alas foi intitulado como “A Colmeia”, enquanto a segunda alegoria foi nomeada “Agricultura no Brasil Colonial – As Missões Jesuíticas e os ciclos de exportação”, a terceira se chamou “Teu Celeiro Partilha” e a última recebeu o nome de “Do nosso Solo, para o Mundo”.

As alegorias apresentaram bom acabamento e ilustraram bem a proposta do enredo. O destaque ficou para o terceiro carro, que contou com um grande contingente de crianças e esculturas caricatas de porquinhos fazendeiros, chamando a atenção do público. O último carro contava na parte superior ao centro com um globo terrestre que se abria, revelando pessoas que fizeram uma atuação nos momentos em que eram visíveis.
Fantasias
O conjunto de fantasias da Mancha costurou através das alas a linha cronológica da narrativa do enredo proposto pela escola. A separação dos setores ocorreu de maneira clara, com destaque para a ala que veio após o carro Abre-alas que entregou de forma criativa a saída do setor inicial, que abordou a prática agrícola na crença iorubá, com o setor seguinte que começou a contar a história da agricultura no Brasil colonial. Os desfilantes conseguiram evoluir de forma leve e animada, contribuindo positivamente para o conjunto do desfile da Mancha.

Harmonia
A comunidade da Mancha Verde provou mais uma vez o comprometimento que possuem com o bom desempenho da escola na Avenida. O coral da Mais Querida ecoou ao longo de todo o desfile, se destacando especialmente nos vários apagões praticados pela bateria “Puro Balanço”. A ala “Meu São José, nos dê a sua proteção” se destacou com canto vigoroso e animado.

Samba-Enredo
O samba da Mancha Verde foi composto por Tinga, Marcelo, Lepiane, Lico, Leandro, Richard, Jefferson, Telmo, João, Lucas, Alison, Rodrigo, Deivid, Tiago e Paulo, e foi defendido na Avenida pela ala musical liderada pelo intérprete Fredy Vianna. De letra curta, a obra da escola narra o enredo de forma clara e objetiva, e o canto da comunidade mostrou que o samba é capaz de manter o andamento harmônico do desfile sem comprometer.

Evolução
Tradicionalmente um quesito forte da Mancha Verde, a evolução teve bom comportamento ao longo de todo o desfile. A escola procurou ocupar com rapidez o espaço do primeiro setor, para garantir que a fluidez da apresentação transcorresse sem percalços. A única ressalva foi a demora para a conclusão da manobra de recuo da bateria, o que fez com que a Mancha ficasse muito tempo parada na Avenida antes de voltar a prosseguir. Nada que prejudicasse o encerramento do desfile, ocorrido com os portões fechados com uma hora e quatro minutos.

Outros Destaques
Estrando no comando da bateria “Puro Balanço”, os mestres Cabral e Viny conseguiram conduzir bem a atuação dos ritmistas e garantiram boas bossas e retornos dos apagões aplicados. A Rainha Viviane Araujo foi soberana vestindo sua fantasia representando uma cantora sertaneja. Ao seu lado, a Princesa Duda Serdan representou o “Orvalho de Oxumaré”.

Acadêmicos de Niterói tem desfile marcado pela boa plástica, mas apresenta canto irregular e peca em evolução
Por Raphael Lacerda e fotos de Nelson Malfacini
A Acadêmicos de Niterói foi a penúltima escola a entrar na Marquês de Sapucaí nesta sexta-feira de desfiles da Série Ouro. Com o enredo “Catopês – Um céu de fitas”, do carnavalesco Tiago Martins, a agremiação se destacou pela boa plástica, mas teve um canto irregular e apresentou diversas falhas em evolução – que resultaram em buracos ao longo da Passarela do Samba. A agremiação também foi prejudicada pelo vazamento de áudio que ocorreu no som oficial da Sapucaí, em pleno desfile.

Comissão de Frente
Sob o comando do coreógrafo Fábio Batista, a comissão de frente representou o “corpo de fitas” e contou com um tripé. A equipe foi composta por 17 componentes – sendo dez homens e sete mulheres -, e apresentou uma coreografia bem entrosada, que contou com a nova iluminação do Sambódromo. Ao longo dos quatro módulos, o segmento se saiu bem e fez uma apresentação positiva.

Mestre-sala e Porta-Bandeira
A dupla formada por Vinícius Pessanha e Jack Pessanha desfilou com uma fantasia bem acabada, batizada de “Pluralidades” – representou as diversidades culturais religiosas dos negros às manifestações das congadas das Minas Gerais. A dupla fez uma boa apresentação na primeira cabine de jurados, com um bailado clássico e com pouca coreografia. A iluminação da Sapucaí também foi utilizada na apresentação do pavilhão. Já no terceiro módulo, o mestre-sala falhou e não conseguiu pegar a bandeira. Nos demais módulos, a conexão e sintonia entre a dupla foi positiva.

Enredo
A escola de Niterói levou para a Avenida o enredo “Catopês – Um céu de fitas”, e exaltou a fé e a cultura popular da Festa e Catopês, da cidade de Montes Claros, em Minas Gerais. A festa, que completa mais de 180 anos, teve início nas mãos dos negros das antigas fazendas na região do antigo Arraial das Formigas. Para abordar o tema, o carnavalesco Tiago Martins dividiu o desfile em três setores: “Andando pelas dobras do tempo”; “Fazer promessas em nome da fé” e “O legado da alma de Catopê”.

Alegorias
A escola desfilou com três alegorias e um tripé. O abre-alas, que representou os quilombos e as irmandades negras para a coroação dos reis e rainhas do congado e a religiosidade africana. O bom acabamento e a beleza da alegoria chamou a atenção. Apesar dos problemas na evolução dos carros, a estética deles foi um dos destaques do desfile. A plástica foi o auge da agremiação.

Fantasias
A escola levou para a avenida um desfile bastante colorido e com fantasias bem acabadas e bonitas. Entre elas, vale o destaque para a ala das baianas, que representou “O império do divino”. A ala oito, que representou “Os porta estandarte”, também se destacou com sua luxuosidade.

Harmonia
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a Acadêmicos de Niterói teve a harmonia prejudicada e foi desrespeitada por seguidos vazamentos de áudio no som oficial do Sambódromo. Sob o comando do intérprete Tuninho Jr, o carro de som de Niterói fez o seu papel e mostrou um bom entrosamento com a bateria do mestre Demétrius Luiz. A ótima condução do intérprete foi um dos pontos altos da escola. Apesar disso, o samba não teve um bom rendimento entre os componentes, que cantaram apenas alguns trechos. Alguns componentes chegavam a “pescar” os finais dos versos.

Samba-enredo
A obra foi composta por Júnior Fionda, Tem-Tem Jr., Júlio Pagé, Rod Torres, Marcelinho Santos, JB Oliveira, Marcus Lopes, Gilson Silva, Edu Casa Leme e Richard Valença. O samba-enredo não funcionou na avenida, e muitos componentes não cantavam. Apesar disso, o refrão principal “Niterói em louvação” marcava um ápice entre as alas e parte do público.

Evolução
O principal problema da Acadêmicos de Niterói nesta noite. Desde o início, o desfile foi marcado por problemas de evolução que resultaram em buracos. A última alegoria apresentou problemas ainda no início da Sapucaí, e ocasionou um buraco no primeiro módulo de jurados. A alegoria precisou ser empurrada em vários momentos ao longo da Avenida. Já na altura do setor 7, a agremiação novamente teve problemas e abriu mais um buraco, desta vez entre a ala 11 e a segunda alegoria. Por fim, no último módulo, o abre-alas e a segunda alegoria demoraram a evoluir, o que ocasionou mais dois espaços. As falhas impactaram no andamento da escola e no desempenho dos componentes.

Outros Destaques
Destaque para o entrosamento entre o carro de som e a bateria do mestre Demétrius Luiz, que apresentou um bom desempenho ao longo de toda a Marquês de Sapucaí.
Freddy Ferreira analisa a bateria da Niterói no desfile
Um desfile muito bom da bateria da Acadêmicos de Niterói, comandada pelo consolidado mestre Demétrius. Uma conjunção sonora pautada pelo andamento confortável pelo equilíbrio foi produzida. É possível dizer, inclusive, que a base de trabalho de mestre Demétrius na “Cadência de Niterói” é a valorização do ritmo. Suas bossas costumas ser simples e práticas, todas intuitivas, além de bem ligados ao samba-enredo da agremiação. Uma pena somente um chapéu volumoso, desconfortável e alto que a bateria usou. O chapéu com volume acima do ideal impediu que as peças leves, que ficam na frente da bateria, tocassem no primeiro recuo. Pela pista, diretores e ritmistas foram aguerridos, garantindo a visualização de sinais com muito esforço e comprometimento.

Uma cozinha da bateria “Cadência de Niterói” com afinação privilegiada foi notada. Surdos de primeira e segunda foram educados e e precisos durante o desfile. Os surdos de terceira contribuíram com um balanço acima da média. Repiques coesos e ressonantes tocaram conectados a um naipe de caixa de guerras bastante sólido.
Na parte da frente do ritmo, uma ala de cuícas consistente foi percebida. Um naipe de chocalhos de qualidade técnica tocou interligado a uma ala de tamborins de nítida virtude musical, que executou um desenho rítmico simples, mas com bastante precisão.
Bossas simples, mas altamente funcionais foram exibidas. Arranjos com integração musical demonstrando bom gosto aliado a praticidade, que teve execuções impecáveis pelo ritmo da bateria da Niterói. Destaque para a bossa da cabeça do samba, tanto pelo impacto sonoro dos surdos, como pelo bom balanço produzido durante o arranjo musical.
A apresentação no primeiro módulo (cabine dupla) foi segura. A exibição no segundo módulo foi até superior que a anterior, com uma fluência rítmica notável entre os naipes. Já a última apresentação em cabine, mesmo ligeira, foi correta. Inclusive, deu a impressão de que era possível deixar a bateria mais alguns minutos em frente ao módulo. Um ritmo muito bom da “Cadência de Niterói”, em noite de bastante equilíbrio e consistência. Mestre Demétrius têm motivos de sobra para sair feliz da Sapucaí, com um grande desempenho de seu ritmo.
Freddy Ferreira analisa a bateria da Ponte no desfile
Um grande desfile da bateria da Unidos da Ponte, sob o comando de mestre Branco Ribeiro. Uma conjunção sonora de bastante qualidade foi apresentada. Incluindo bossas potentes que acrescentaram sonoridade baiana à “Ritmo Meritiense”.

Uma bateria da Ponte muito bem afinada foi notada. Marcadores de primeira e segunda foram precisos durante o desfile. Já os surdos de terceira contribuíram com uma sonoridade envolvente. Pelos médios, um naipe de repiques coeso se exibiu em conjunto com caixas de guerra altamente ressonantes. É importante, inclusive, destacar o trabalho brilhante das caixas em bossas. Foi ela a cereja do bolo de um trabalho de concepção musical criativa de muito bom gosto, que conectou a “Ritmo Meritiense” à baianidade pedida pelo tema sobre o Dendê.
Uma parte da frente do ritmo com um desempenho elevado e a altura da cozinha da bateria da Ponte foi percebida. Um naipe de tamborins de alta profundidade técnica tocou entrelaçada com uma ala de chocalhos igualmente poderosa. A convenção rítmica dos tamborins tinha uma conexão louvável com a obra da escola e também buscava levadas baianas em alguns trechos. É possível dizer, inclusive, que o casamento musical entre tamborim e chocalho foi um ponto alto da cabeça da bateria. Cuícas sólidas e agogôs corretos, com batida pautada pela melodia, também auxiliaram no preenchimento da sonoridade das peças leves.
Bossas intimamente ligadas ao samba-enredo da escola de São João de Meriti foram exibidas com bastante capricho. Uma criação musical privilegiada foi apresentada, se aproveitando bastante da levada baiana que atrelou o ritmo da Ponte ao enredo do Dendê, numa escolha que poder ser considerada sábia.
A apresentação no primeiro módulo de julgadores (cabine dupla) foi satisfatória. Já na segunda cabine, a fluência rítmica foi até maior, garantindo uma exibição enxuta. A melhor apresentação se deu no encerramento, no último módulo de julgamento, onde com tempo de sobra por não ter entrado no recuo, a bateria da Ponte deu um verdadeiro e autêntico sacode. Mestre Branco Ribeiro, diretores e ritmistas certamente saíram satisfeitos após um grande desfile da “Ritmo Meritiense”.
Unidos da Ponte encerra primeira noite de desfiles com força da bateria, mas canto e evolução oscilam durante cortejo
Por Luan Costa e fotos de Nelson Malfacini
A Unidos da Ponte foi a última escola a pisar na avenida na primeira noite de desfiles da Série Ouro. Impulsionado pela força da bateria, a azul e branca passou pela avenida de forma aguerrida e conseguiu levantar o público presente na Sapucaí, os ritmistas comandados pelo mestre Branco Ribeiro entraram na avenida dispostos a não deixar ninguém parado, a ver pela reação da galera, o objetivo foi alcançado. A bateria ainda ajudou a impulsionar o samba da escola, porém, mesmo assim o canto oscilou entre as alas, outro ponto de atenção foi a evolução que se mostrou problemática durante todo o desfile e alguns buracos foram observados em frente aos módulos de julgamento.
Apresentando o enredo “Tendendém – O axé do epô pupá”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Esteves, a escola de São João de Meriti levou para a avenida a saga do dendê desde a sua origem mítica em terras africanas até a chegada ao Brasil. A agremiação terminou sua apresentação com 53 minutos.
Comissão de Frente
A comissão de frente coreografada por Déia Rocha foi intitulada “Padê: O ponto de encontro afro-brasileiro na encruzilhada do Atlântico” e composta por 15 componentes. Através de uma visão lúdica a comissão de frente apresentou o prelúdio do enredo, onde Oyá demanda seus espectros do bambuzal e seus búfalos a missão de encontrar Elegbara para levar a mensagem e pedir permissão para que o desfile da Unidos da Ponte fosse de muito Axé. Por fim, Elegbara recebe o padê como forma de agradecimento. A fantasia foi simples, os componentes usaram um macacão preto com detalhes em laranja, já os pivôs tiveram a indumentária mais trabalhada, principalmente Elegbara. O tripé utilizado representou um bambuzal, os componentes saíram de dentro dele e no final, Oyá foi elevada, ganhando todo o destaque.

Mestre-sala e Porta-bandeira
Os defensores do pavilhão azul e branco da ponte foram Emanuel Lima e Thainara Matias, o Casal de mestre-sala e porta-bandeira apresentou um dos reis do dendê Xangô em seu ritual sagrado do Ajerê, a fogueira de Xangô, a fantasia foi predominante vermelha, com detalhes em laranja e a leitura foi imediata. Ele representou o próprio Xangô e ela a faísca do ayê. A dança foi clássica, mas esbanjou força e ainda utilizou partes do samba para realizar pequenas coreografias, como na parte “Ê capoeira, ê meu ogum”, em que o mestre-sala apresentou movimentos oriundos da capoeira. A apresentação foi bem executada em todos os módulos de julgamento, vale ressaltar que em alguns momentos a iluminação cênica foi utilizada.

Enredo
O carnavalesco Renato Esteves foi o responsável por desenvolver o enredo “Tendendém – O axé do epô pupá”, se mantendo Fiel à tradição de enredos afros, a Ponte levou para a avenida a saga do dendê, desde sua origem mística em terras africanas, até a chegada ao Brasil através da diáspora. Essa história foi distribuída em quatro setores, o primeiro, denominado “Epô pupa derrama no candeal”, falou sobre a África Tribal e apresentou os reis do Dendê: Exu, Xangô, Ogum e Iansã, que são o grande panteão do Dendê. Em seguida veio o setor que falou sobre o Dendezeiro e todos os seus derivados que são utilizados nos cultos africanos, ele foi denominado “Igi-Opê, a faísca do Ayê”. O terceiro setor “Negrume, ajerê do mandingueiro” mostrou o plantio do Dendê na Bahia e como ele foi importante no processo de alforria dos escravizados, para finalizar, “Oferendas ao meu santo, o samba que desata o nó” que é quando a escola dá um salto no tempo até chegar nas Baianas Quituteiras do Acarajé e do comércio na Feira de São Joaquim.

Alegorias e Adereços
O carnavalesco Renato Esteves abusou do uso de cores em suas alegorias, o início do desfile da Ponte foi pautado nas cores quentes justamente para transportar o público para o universo do dendê. No total, foram três alegorias, que apesar de simples, contaram o enredo de forma clara. A primeira foi intitulada “Afefé de Eruexim” e trouxe a figura de Oyá, rainha do dendê na narrativa do enredo, a alegoria teve problemas para manter a direção no setor três, principalmente a parte da frente do carro, a escultura presente na parte traseira passou caída por toda a avenida. A segunda alegoria, “Yá é quituteira em São Joaquim” mostrou o encontro do dendê com a Bahia e o povo baiano, o carro retratou um grande mercado, o uso de materiais alternativos foi bem empregado, com destaque para garrafas plásticas penduradas na parte traseira . O último foi chamado de “Oferendas traz a Ponte em louvor aos orixás” e representou um grande terreiro, ele entrou na avenida ja com o dia claro e abusou do uso de estamparias, algo positivo. Porém, o acabamento apresentou falhas na parte superior.

Fantasias
A Ponte levou para avenida 17 alas, seguindo a estética vista nas alegorias, o carnavalesco Renato Esteves optou pelo uso de cores fortes na abertura da escola, o uso de materiais alternativos foi uma boa sacada para driblar as dificuldades impostas pelo orçamento, na ala 10, “Oxumarê creme de arroz e milho”, foram utilizadas colheres plásticas na cabeça. O bom uso de cores esteve presente durante todo o desfile, na ala nove, “Pra Exu e Pombagira tem marafo e dendê”, o vermelho tomou conta, já na ala 16, “Pra Nanã sarapatel”, o uso do lilás de fez presente. Apesar de materias alternativos, o conjunto de fantasias apresentado contou o enredo de forma clara, o destaque negativo ficou por conta da dificuldade que alguns passistas tiveram para sambar por conta da cabeça da fantasia, apesar de não ser pesada, ela era grande e em alguns momentos eles precisavam segurar para que ela não caísse.

Harmonia
A performance do intérprete Kleber Simpatia foi satisfatória, ele em todo momento incentivou o canto da comunidade e conduziu o microfone principal com muita garra, o entrosamento com a bateria também se mostrou eficiente, porém, nem isso foi o suficiente para que a harmonia dos componentes fosse a altura, o início do desfile se mostrou frio, nas alas do final o clima foi outro e os componentes passaram cantando, destaque para as alas 15, “Mamãe Oxum Omolocum”, e 16, “Pra Nanã sarapatel”. O grande destaque harmônico do desfile foi a bateria de mestre Branco Ribeiro, ele conduziu com maestria seus ritmistas, abusou das bossas e coreografias, o público foi junto.

Samba-Enredo
O samba de de autoria de Junior Fionda, Tem-Tem Jr., Carlos Kind, Léo Freire, Vitor Hugo, Léo berê, Marcelinho Santos, Jefferson Oliveira, Alexandre Araujo e Valtinho Botafogo passou pela avenida de forma eficiente, impulsionado pela bateria, a obra teve momentos de grande explosão, principalmente o refrão principal “Exu Obá… Laroyê! É a Ponte sem quizila, na mandinga do dendê”.

Evolução
Durante todo o desfile a agremiação sofreu com a evolução, problemas no carro abre-alas fez com que um buraco fosse aberto na altura do setor três (módulos um e dois de julgamento), logo depois, foi observado que os componentes não evoluíam de forma fluida, em alguns momentos a escola andava mais rápido, em outros mais lento. O maior problema da escola ainda viria, durante a apresentação da bateria no setor três, os componentes das alas da frente seguiram normalmente e um grande clarão foi deixado, a rainha Lili Tudão tentou ocupar o espaço, mas foi em vão. O mesmo erro se repetiu no módulo seguinte. A bateria não entrou no recuo e a apresentação na última cabine foi mais longa do que o habitual.

Outros Destaques
Na segunda alegoria da escola a presença dos carnavalesco da Grande Rio, Leonardo Bora e Gabriel Haddad, e da Beija-Flor, João Victor Araújo, chamou atenção, os três estavam muito animados e cantaram o samba com extrema empolgação.

