Por Gustavo Lima e fotos de Fábio Martins

A Rosas de Ouro fechou a primeira noite de desfiles do Grupo Especial de São Paulo. Amanhecendo com um grande sol, a Roseira teve uma grande arrancada do samba e uma resposta imediata do canto do público, sendo a arquibancada e camarotes. Foi um desfile satisfatório da agremiação e uma justa homenagem para o parque do Ibirapuera, que completa 70 anos e a cidade de São Paulo os seus 70 anos. O destaque ficou justamente para o canto e o grande colorido que a agremiação apresentou. Para o desfile a Roseira apresentou o enredo “Ibira 70”, assinado pelo carnavalesco Paulo Menezes.

Comissão de frente

Como se trata de São Paulo, a Rosas de Ouro uniu a cidade à grande artista Rita Lee. Uma grande homenagem à cantora que nos deixou no ano passado. A coreografia, sob o comando de Helena Figueira, foi realizada na ótica da criança Rita Lee. É uma sacada da coreógrafa, pois a artista tinha uma grande ligação com a cidade de São Paulo.

A apresentação havia vários personagens, como a própria Rita Lee criança e criaturas infantis com fantasias coloridas. Também havia uma família que acenava a todo tempo para o público com o objetivo de saudá-los.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Uilian Cesário e Isabel Casagrande bailou na pista com a fantasia representando o beija-flor e a rosa, tendo como nome da vestimenta “Quando o beija-flor beija a rosa”.

Sobre a apresentação, a dupla realizou uma apresentação satisfatória. Em análise nos módulos 1 e 2, observou-se que os movimentos estavam em ótima sincronia, priorizando os giros horário e anti-horário, sem erros.

Enredo

Rosas de Ouro e temas paulistanos, uma união que costumeiramente sempre deu certo, especialmente nos anos 90. Sendo assim, a escola decidiu resgatar essas memórias para apagar os maus resultados que tiveram no último carnaval.

Dentro do desfile, se teve uma leitura clara do tema. Natureza, esporte e muita alegria. As fantasias e alegorias principalmente remetiam a tudo isso.

Alegorias

O abre-alas, intitulado como “Do solo ancestral ao cartão postal: presente que o passado nos deixou”, teve como escultura um grande nativo na frente. O local do parque era habitado por tupi-guarani, ou seja, uma natureza foi colocada no Anhembi como abertura da escola para apresentar o Ibirapuera em forma de alegoria. – Ala das crianças também desfilaram no carro como joaninhas. O diferente do elemento é que havia sons de pássaros cantando e águas caindo – Vale um adendo aqui: Isso podia comprometer a evolução, pois caiu um nível considerável de água na pista dos lados direito e esquerdo.

“Saúde mais pura, corpo e mente sãos” é o nome da segunda alegoria, sendo inspirado em uma frase da segunda parte do samba. O carro representou o esporte que se tanto pratica no Ibirapuera. Várias bicicletas com componentes pedalando formaram o conceito, sendo todo ele em forma de rampa. Os veículos foram postos de cores diferentes na alegoria.

Também feito em forma de samba-enredo, o terceiro carro alegórico da Roseira é chamado de “É tão bonito contemplar o infinito”. Nele, foi retratado o renomado “Planetário do Ibirapuera”. Um local que é visitado várias vezes durante os anos. No centro do carro há o globo terrestre e acima, em forma de bolas, os outros planetas pintados em diversas cores.

Fechando, a quarta e última alegoria, tendo como nome do samba “Rosas pra comemorar, cantar pra você”, relembrou a época em que o ‘Ibira’ servia como desfiles das escolas de samba na década de 50. Para retratar o fato, no topo do carro havia uma escultura de um colorido arlequim.

Contudo, há de se repetir o que foi citado no tópico do enredo. Foi contado tudo de forma bastante clara.

Fantasias

Um colorido de vestimentas forrou o Anhembi a apresentação da Rosas de Ouro. As baianas estavam com uma fantasia incrível nas cores azul e rosa, vestidas de borboletas, e realmente tinham asas perfeitas. Sem dúvidas foi a fantasia destaque do desfile. Além disso, os pequenos costeiros ou quase nenhum, deixaram os componentes mais soltos para desfilar na manhã ensolarada de São Paulo.

Harmonia

O canto da comunidade fluiu no desfile. As alas foram cantando o samba de forma satisfatória. A estratégia de escolher um samba com melodia para cima e um refrão que cita o amanhecer foi uma grande estratégia da Roseira. O ‘mini’ apagão na parte do “Rosas pra comemorar” foi o destaque no canto.

Samba-enredo

O desempenho do carro de som, liderado por Carlos Júnior, teve um válido desempenho. O cantor mudou o seu estilo de desfile nessa apresentação. O ‘Carlão’ é conhecido por fazer vários cacos chamando a comunidade o tempo todo, mas hoje pouco fez isso e optou por cantar em linha reta junto à sua ala musical.

Evolução

O quesito se comportou bem. Desfilou com leveza nesta manhã. Dentro do desfile, há uma coreografia em todo o refrão do meio, onde os componentes evoluem de um lado para o outro com o braço para cima. Tal movimento foi feito de forma correta entre todas as alas, além de as fileiras ficarem bem compactadas.

O recuo da “Bateria com Identidade” foi repetido como em todos os desfiles e virou tradição. Os ritmistas entram e saem do box por três ou quatro vezes. É uma liberdade que a escola dá ao mestre Rafa.

Outros destaques

A “Bateria com Identidade”, de mestre Rafa realizou bossas em número considerável e o instrumento destaque foram os surdos, especialmente o de terceira. Bem afinado, se ouvia durante toda a avenida.

A ala das baianas viera logo atrás do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, ainda no começo do desfile, após o abre-alas. As fantasias das mães do samba era em um azul e rosa, cores da escola e nomeada “Revoada das borboletas”. A parte de trás realmente era um destaque, com asas de borboleta.

A rainha de bateria, Ana Beatriz Godoi, desfilou com uma fantasia em rosa e prata, intitulada como “O Sabiá do Ibira”.