Início Site Página 650

Viradouro: fotos do desfile no Carnaval 2024

0

Viradouro trouxe para a avenida uma alegoria em forma de oferenda à fundadora do candomblé Jeje no Brasil

0

Viradouro Esp01 006O quarto carro da Viradouro contou sobre a chegada do candomblé Jeje no Brasil, pelas mãos de Ludovina Pessoa, em meados do Século XIX, que tinha missão de perpetuar o culto Jeje e dar acolhimento espiritual aos negros vindos da diáspora africana, oriundo da região da Costa da Mina, especialmente do Daomé.

O carro da escola veio todo trabalhado na cor prata, sendo uma grande oferenda ao Vodum Gu, pai religioso de Ludovina, uma entidade que em outras nações de candomblé, é Ogum, conhecido por ser um exímio ferreiro. Por isso a cor prata no carro e vários elementos simbolizando pregos, Ludovina, com o apoio da religião, construía o candomblé Jeje no Brasil.

Viradouro Esp01 007“A nossa fantasia vem significando as ferramentas que eles usavam. A fantasia está ótima, leve, muito gostosa, até para a gente ter movimento para poder dançar. Eu acho que esse ano a Viradouro está arrebentando, tanto em fantasia quanto no próprio enredo, na música. Viemos aí para ganhar a nossa terceira estrela”, disse a psicanalista Andrea Ladeslau, de 49 anos.

Segundo a tradição oral recolhida nos terreiros baianos, Ludovina seria uma guerreira Mino, que transitava regularmente da África à Bahia através da transformação em pássaro. Mas a batalha que travaria no Brasil era outra: erguer casas de santo dedicadas aos Voduns em solo baiano. Assim, a líder religiosa teve papel fundamental nos assentamentos do candomblé Jeje entre as cidades de Cachoeira e Salvador.

Viradouro Esp01 001“Eu achei super confortável. Eu achei bem bonita também, porque o ano passado eu vim de vermelho, aí deu uma diferenciada bem boa, com muito brilho dessa vez. E querendo ou não, é a cara da Viradouro, porque a Viradouro tem sempre muito brilho, muito glamour e eu amo de paixão”, contou o goiano, Edgar Miranda, que colocou até um piercing em forma de cobra para homenagear a escola que traz a cobra, representação de Dangbé, o rei do candomblé Jeje.

O carro é uma grande oferenda a Gu, o senhor do metal e da guerra, sendo o carro um tramado em ferro, ornado com elementos de culto Vodum. A representação do metal permeia toda a base e a decoração da alegoria, que traz a imponente sacerdotisa, cujo corpo surge como uma mística esfinge, figura feminina constituída a partir do ferro.

“As composições estão representando justamente essas riquezas do Vodum Gu, os metais, que é a força ancestral de Gu”, disse o componente Renan do Carmo, de 29 anos.

Paraíso do Tuiuti relembra expedição de João Cândido pela Amazônia

0

Tuiuti Esp04 003A oitava ala do Paraíso do Tuiuti representou a expedição amazônica na missão de demarcação de terras no norte do país, João viveu onze meses na floresta amazônica e participou de luta armada na mata. João Cândido se candidata para uma missão de demarcação de terras no norte do país, quando o Brasil disputava com a Bolívia a posse do território do Acre. De Manaus ruma para o Acre, terra boliviana na época, onde o jovem marinheiro viveu onze meses na floresta amazônica, presenciou e participou de luta armada na mata.

A ala trouxe dois núcleos de fantasias: o primeiro núcleo representa as águas dos rios amazônicos navegados por João Cândido onde o figurino estiliza o “espelho d’água” dos rios com a influência da cultura indígena. O segundo núcleo traz três variações de formas arbóreas para, em conjunto com o primeiro núcleo, comporem as duas experiências de João Cândido na expedição amazônica: a aquática e a terrestre.

Tuiuti Esp04 004“As fantasias estão bem acabadas, elas estão com um movimento legal, porque a gente vai representar as águas da Guanabara. E apesar delas serem grandes, mas foi usado um material reciclável e leve. Então deu para gente evoluir bastante. A coreografia foi fácil, que a gente estava representando mesmo o balanço das águas da Guanabara. Foi fácil para pegar, a gente conseguiu três ensaios e a expectativa mesmo é o primeiro campeonato da Tuiuti. Porque a gente já está esses anos todos no Grupo Especial. E eu acho que a gente estreou no terceiro lugar. E eu acho que a gente está preparada. A gente já tem chão de escola pra descer o Morro do Tuiti e ser campeão de 2024” pontuou Déia de Botafogo de 42 anos.

Rodrigo Sattler de 29 anos e assistente coreográfico da equipe Rodrigo Velar, responsável pela ala, contou ao site CARNAVALESCO como foi a preparação da ala e todo processo até chegar na Sapucaí: “Foi muito legal a preparação desse ala porque assim, as pessoas abraçaram a ala, abraçaram o Tuiuti, a gente marcava ensaio, as pessoas estavam lá no ensaio cansadas de trabalho, as pessoas iam ensaiar de mochila por diversas vezes, então assim, graças a Deus, a gente tem a nossa ala, nossos componentes do nosso lado. A fantasia estava linda com um efeito incrível, um efeito maravilhoso”

Tuiuti Esp04 002“A fantasia estava linda, eu adorei, a fantasia é grande, mas mesmo assim foi tranquilo de levar, tem o pesinho dela, mas ela estava bem tranquila. Eu adorei os ensaios os coreógrafos, foram muito maneiros, foram muito legais. A gente ficou legal, tanto no treinamento que a gente foi fazendo, no ensaio de rua. Foi bem legal, foi bem divertido”, contou Juliana Oliveira de 36 anos.

Paraíso do Tuiuti: fotos do desfile no Carnaval 2024

0

Ala do Tuiuti denuncia abusos da marinha

0

Tuiuti Esp03 001O Paraíso do Tuiuti foi a quinta escola a desfilar, nesta segunda-feira (12), no segundo dia de apresentação do Grupo Especial do Rio. A escola, com o enredo “Glória ao Almirante Negro”, na ala 11 apresentou a fantasia “Comandante Cruel”.

A fantasia retrata o capitão opressor João Batista Neves, um oficial que não hesitava em oprimir marinheiros negros. A parte de cima da roupa é branca e parecida com o uniforme da marinha, com uma âncora em vermelho nas costas dos desfilantes. Na parte de baixo, uma saia preta com detalhes prateados e peças espetadas.

Tuiuti Esp03 002Cristian Bruno, de 27 anos, desfila pela primeira vez na escola. Ele revelou se sentir emocionado por participar em uma ala tão importante. O servidor público relembra que não é o momento de parar de falar sobre racismo:

“Essa ala mostra para o público os crimes cometidos contra o povo preto na Marinha. A Tuiuti está resgatando essa luta para lembrar as pessoas que o racismo ainda existe. Infelizmente, nós temos que estar trazendo as dores que nossos antepassados passaram”.

A revolta da Chibata, que aconteceu de 22 a 27 de novembro de 1910, foi uma manifestação feita por membros da Marinha do Brasil. Os marinheiros se insurgiram contra os superiores em navios localizados na Baía de Guanabara, impulsionados pelo desejo de pôr fim aos castigos corporais aos quais eram submetidos.

Tuiuti Esp03 003“Os marinheiros pretos foram tratados da pior forma possível” disse Lízia Marques, de 30 anos, e emocionada por desfilar pela primeira vez na azul e amarela. A profissional do marketing se sentiu representada por ser negra e se apresentar na ala. “Com certeza me representa. É uma luta de um povo que foi escravizado e é muito justo ter pessoas pretas aqui”, completou.

No carnaval de 2024, o Paraíso do Tuiuti narrou a vida de João Candido, conhecido como o Almirante Negro, que foi o comandante da Revolta da Chibata em 1910. A escola homenageou o líder e o consagrou como um importante herói nacional.

“A história tem um peso muito importante e relevante para o Brasil”, diz Letícia Remigio, de 33 anos, ao ser questionada sobre a importância da ala. “A fantasia é muito linda e bem clara com os elementos que o carnavalesco quer contar.”

Terceiro carro do Tuiuti apresenta de maneira artística a revolta da chibata

0

Tuiuti Esp02 001O Paraíso do Tuiuti foi a quinta escola a desfilar, nesta segunda-feira (12), no segundo dia de apresentação do Grupo Especial do Rio. A escola, com o enredo “Glória ao Almirante Negro”, no seu terceiro carro apresentou a alegoria “O dragão do mar reapareceu na figura de um bravo Marinheiro”.

A alegoria mostra o momento em que João Cândido, inspirado no Dragão do Mar, lidera a revolta da chibata. O carro é vermelho e dourado. Um dragão com os olhos vermelhos aparece na frente do veículo com diversos canhões em volta. No topo da alegoria, componentes levantam a bandeira com os dizeres “escrevidão nunca mais”. A fantasia dos componentes, chamada de “A Revolta do Dragão do Mar”, é uma fantasia em um tom escuro de prata e brilhante.

O vendedor Jeferson Braga desfila na escola há 10 anos. Ele explicou a importância do significado da alegoria no momento atual do país.

“No Brasil ainda existe racismo. O nosso desfile fala sobre isso e é uma forma de protestar contra os racistas, protestar sobre a nossa cor, sobre a nossa dignidade. O povo preto só quer o seu espaço, a gente só quer lutar. A pele negra é isso, ser negro é tudo, ser negro é raiz”, disse emocionado.

Tuiuti Esp02 002A revolta da Chibata, que aconteceu de 22 a 27 de novembro de 1910, foi uma rebelião promovida por membros da Marinha do Brasil. Os marinheiros se insurgiram contra os superiores em navios localizados na Baía de Guanabara, impulsionados pelo desejo de pôr fim aos castigos corporais aos quais eram submetidos.

“É um absurdo que ainda exista racismo. Esse carro representa a luta por um mundo onde todos as pessoas devem ser tratadas como iguais”, defendeu o segurança Eduardo Martins. Ele desfila na escola há 3 anos e se sente emocionado por defender sua agremiação mais uma vez. “A fantasia é perfeita, leve e confortável. Se fosse pesada eu usaria também, eu faço tudo por essa escola.”

No carnaval de 2024, o Paraíso do Tuiuti narrou a vida de João Candido, conhecido como o Almirante Negro, que foi o comandante da Revolta da Chibata em 1910. A escola homenageou o líder e o consagrou como um importante herói nacional.

“A gente tem que falar sobre racismo, a gente tem que lutar contra o racismo e lembrar desses atos que marcaram a história do Brasil”, explicou a operadora de caixa Kelly Medeiros, de 42 anos, ao ser questionada sobre a importância da alegoria. “Não podemos ficar parados enquanto as pessoas ainda estão sofrendo”, completou.

Paraíso do Tuiuti apresenta abre-alas imponente em desfile sobre João Cândido

0

Tuiuti01 01O carro abre alas do Paraíso do Tuiuti veio para Avenida representando a “República. Abre as asas sobre nós, um novo velho por vir”, a história do carro abordou como a escravidão havia sido abolida por lei pouco tempo antes da Proclamação da República brasileira. Ainda ecoava altivamente na sociedade a herança de um período escravista de horror e as consequências de uma abolição que não foi feita de forma correta. O pensamento elitista de exclusão continuou à galope como um soldado fiel do país. O hino da República que se instalava, de autoria de José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque e Leopoldo Miguez, bradava versos como: “Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós! Nós nem cremos que escravos outrora tenha havido em tão nobre País… Hoje o rubro lampejo da aurora Acha irmãos, não tiranos hostis. Somos todos iguais!” Parecia alvissareiro. Mas nem tanto. Os pais de João Cândido Felisberto ainda eram escravizados quando ele nasceu. Mesmo “libertados”, continuaram a viver na mesma fazenda e trabalhando para o mesmo senhor. E essa era a realidade da maioria da população que foi jogada a própria sorte após a assinatura da lei Áurea e que a águia republicana e patriótica não conseguiu, ou nunca quis, acolher e lhes dar condições de dignidade. O poder mudou de mãos, mas a elite do país seguia tendo suas riquezas produzidas e sustentadas pelo povo. Para a população pobre, marginalizada, a república era uma novidade que já raiava velha no horizonte do Brasil.

Tuiuti01 03As esculturas e algumas partes do cortejo do abre-alas tinham um aspecto envelhecido. A coroa, símbolo da agremiação, está presente contextualizando que vários conceitos e símbolos da época colonial e monárquica forma preservadas, como, por exemplo, as cores verdes. O site CARNAVALESCO conversou o diretor de carnaval, André Gonçalves, sobre o Carnaval 2024 da Paraíso do Tuiuti: “É uma nova expectativa para o nosso Paraíso do Tuiuti, mas para sim apresentar também a todos que o Tuiuti chegou, o Tuiuti chegou para fazer um belíssimo carnaval, para se apresentar na posição que ela está. Ela está e apresentar a todos que nós entramos num aquário de tubarões, um peixinho entrando num aquário de tubarões e fazendo bonito, indo lá nas profundezas, junto com o nosso João Cândido.”

Tuiuti01 04A escola de São Cristóvão entrou na avenida homenageando a vida e história de João Cândido, que se empenhou na luta contra os maus-tratos, a má alimentação e as chibatadas sofridas pelos homens negros na Marinha do Brasil.

“Então essa aí foi uma grande surpresa da Paraíso do Tuiuti, viemos esse ano numa posição que teríamos que apresentar um belíssimo carnaval, e esse belíssimo carnaval já começa sendo apresentado pelo nosso abre-alas. Essa proporção aí de 140 metros, são três acoplados, três de pés na frente do carro, praticamente eu vou pegar todo o setor um ali para poder fazer essa montagem desses carros”, comentou André.

Tuiuti01 02Sobre as suas expectativas para o resultado do carnaval, André revelou: “Expectativa está muito grande, não vou mentir, a gente fica um pouquinho nervoso com aquele calafrio, mas está tudo certo, vamos embora, Papai do Céu vai nos ajudar, nossos orixás vão estar à frente, exu abrindo os caminhos, vai dar tudo certo.”

Freddy Ferreira analisa a bateria do Tuiuti no desfile

0

Um desfile muito bom da bateria “Super Som” do Paraíso do Tuiuti, sob a regência de mestre Marcão. Uma conjunção sonora pautada pelo equilíbrio, boa equalização de timbres e andamento confortável foi produzida. Bossas dançantes foram apresentadas com segurança, no que tem tudo para ser um dos mais fortes quesitos da escola.

Uma cozinha da bateria do Tuiuti com uma afinação muito boa foi notada. Marcadores de primeira e segunda pulsaram com firmeza, mas sem excesso de força, garantindo a manutenção do andamento com eficácia. Surdos de terceira contribuíram com um balanço exemplar na parte de trás do ritmo da escola do bairro de São Cristóvão, tanto em ritmo, quanto nas bossas. Repiques coesos tocaram integrados a um naipe de caixas de guerra consistente e com boa ressonância.

Na parte da frente da bateria “Super Som”, uma ala de cuícas de elevada técnica ajudou no preenchimento sonoro das peças leves. Uma primorosa ala de chocalhos se exibiu com classe tocando entrelaçado com um naipe de tamborins de nítida virtude musical. É possível dizer que o casamento rítmico entre tamborins e chocalhos foi um dos pontos altos do Tuiuti, inclusive numa bossa arriscada em que fazem solo juntos.

Bossas altamente musicais possibilitaram apresentações potentes em cabines de jurados. Os arranjos com bastante entrosamento com a melodiosa canção do Paraíso, aproveitavam as nuances para consolidar o ritmo. No geral, se trata de um leque de bossas com certo refino, com destaque para o solo com tamborins e chocalhos, com surdo marcando. O arranjo desafiador e atrevido produziu uma sonoridade simplesmente sublime pela pista, sempre que exibido.

A apresentação na primeira cabine (módulo duplo) foi fabulosa, com direito a boa receptividade dos julgadores e certa ovação do público. Na segunda cabine, outra exibição enxuta e segura foi realizada, com direito a aplauso por parte do jurado. No último julgador, com tempo escasso para uma apresentação de todo o leque de paradinhas, somente uma bossa foi exibida, mas com firmeza, coroando o desfile muito bom da “Super Som” do Tuiuti, sob o comando de mestre Marcão.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Mangueira no desfile

0

Um excelente desfile da bateria da Estação Primeira de Mangueira, sob o comando da dupla de mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto. Uma conjunção sonora de raro valor foi produzida. Permitida graças a um andamento confortável, num ritmo marcado pelo equilíbrio sonoro. De muito bom gosto o respeito a cada solo das peças leves, num trabalho que destaca a educação musical dos ritmistas mangueirenses. Um leque de bossas musicalmente recheado possibilitou apresentações potentes para julgadores.

mangueira desfile24 064

Na parte de trás do ritmo mangueirense, a tradicional afinação de surdos foi percebida. O timbre grave autêntico da primeira marcação contou com ritmistas firmes e precisos. Ritmistas tocando surdo mor ficaram responsáveis pelo balanço envolvente. Repiques coesos e bastante integrados foram soberbos. Caixas de Guerra com a genuína batida rufada da Verde e Rosa estiveram sublimes, dando base sólida de sustentação para os demais naipes. Timbaques também desfilaram em meio ao ritmo, preenchendo a sonoridade da cozinha da bateria da Mangueira.

Na cabeça da bateria da Estação Primeira, uma ala de xequerês auxiliou de forma primorosa, tanto no ritmo, quanto dançando e trazendo leveza à parte da frente da bateria. Os ganzás da Mangueira tocaram de modo entrelaçado com um naipe de tamborins absurdamente potente. Simplesmente incrível a musicalidade do desenho rítmico dos tamborins. Mesmo com complexidade foi executado com precisão cirúrgica. Uma ala de cuícas de virtude técnica também contribuiu no trabalho de alto nível envolvendo as peças leves. Agogôs de duas campanas (bocas) corretos também mostraram seu valor, adicionando um tom metálico num ritmo de predominância do timbre grave.

Bossas que exploraram as variações do melodioso samba mangueirense conduziram a bateria da Manga a apresentações consistentes em módulos. Destaque para uma bossa onde ritmistas tocam matracas e pandeirões, com o surdo Maracanã ecoando, numa grande homenagem à musicalidade dos bois do Maranhão. Um leque de paradinhas refinado, que com muito êxito atrelou o enredo sobre a ilustre maranhense à sonoridade produzida pela bateria da Mangueira.

Na primeira cabine, uma apresentação praticamente apoteótica foi realizada, arrancando aplausos de julgadores e ovação popular. A exibição na segunda cabine teve nível de excelência semelhante a primeira, em mais um verdadeiro show da bateria da Mangueira. Na última cabine de julgamento, é possível dizer que uma apresentação simplesmente mágica foi realizada, finalizando de forma monstruosa o grande sacode dado pela bateria da Estação Primeira de Mangueira, dirigida pelos mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto. A “Tem que Respeitar Meu Tamborim” fez um desfile magistral, com totais condições de garantir a almejada pontuação máxima.

Presentão: Em família, Martinho da Vila vive reedição de ‘Gbalá’ no dia de seu aniversário

0

Martinho003Presidente de Honra da Vila Isabel, baluarte do Carnaval e um dos maiores artistas do país. Martinho da Vila completou 86 anos nesta segunda-feira e ganhou um presente especial da Azul e Branca do bairro de Noel: viu seu histórico Gbalá ecoar pela Passarela do samba, após 30 anos.

O sambista desfilou no último carro da agremiação, que retratou “O sagrado batismo”, uma representação das crianças purificadas após voltarem do Templo da Criação. Confiante no título, Martinho contou que o retorno à Passarela do Samba após 30 anos – e justamente no dia de seu aniversário – é motivo de muita felicidade.

Martinho004“Para mim é algo impressionante, porque a Vila trouxe isso há 30 anos. O presente que espero será dado pela Vila Isabel: vamos ganhar o Carnaval. Gbalá é a salvação (risos). É o que diz o samba: é resgatar, salvar, socorrer e ajudar”, disse o baluarte.

A agremiação do bairro de Noel levou para a avenida o enredo “Gbalá – viagem ao templo da criação”. A obra, desenvolvida pelo carnavalesco Paulo Barros, foi uma reedição de um desfile que marcou o coração de uma geração de torcedores. À época criado pelo carnavalesco Oswaldo Jardim, o primeiro desfile foi comprometido por uma forte chuva que atingiu a região do Sambódromo. Segundo o presidente de honra, se não fosse o mau tempo, a escola brigaria pelo título.

“Se não fosse a chuva, teríamos chegado na frente. Foi um desfile muito bonito, mas caiu um temporal, e a escola também não estava com uma situação financeira muito boa. Mesmo assim fizemos um desfile que foi uma maravilha. Hoje, está tudo à favor da Vila”, contou.

Martinho001O artista pôde reviver, em família, uma de suas maiores composições: seus filhos e netos desfilaram na Vila – cada um em uma ala. Para Mart’nália, que atravessou a Passarela do Samba tocando na Swingueira de Noel, participar da reedição de Gbalá foi a realização de um sonho. Em 1993 ela desfilou como puxadora do samba, junto aos irmãos.

“É uma segunda realização, porque da outra vez eu também desfilei. Também é um grande presente para o meu pai, o aniversariante do dia. É muito gratificante poder tocar um samba lindo como esse. Vai ser o samba de uma pessoa só que vai passar na Avenida. O grande presente dele foi o Gbalá na Sapucaí”, comentou a artista, que é filha do sambista.

Já a geração mais nova da família viveu pela primeira vez a emoção de Gbalá. Guido Ventapane, neto de Martinho, é ritmista da Swingueira de Noel e apaixonado por Carnaval. Segundo ele, tocar o samba do avô na avenida representou vivenciar a experiência vivida por sua mãe e seus tios.

“O presente do meu avô foi aqui na avenida e, se Deus quiser, na quarta-feira. Estar na bateria tocando um samba-enredo do meu avô é muito importante para mim, porque tive a oportunidade que a minha tia e a minha mãe tiveram em 1993. Hoje foi a minha vez de viver essa emoção. Foi um desfile muito importante para a Vila, espero que a gente consiga levar o caneco para Vila Isabel”, comentou Guido.