O quarto carro da Viradouro contou sobre a chegada do candomblé Jeje no Brasil, pelas mãos de Ludovina Pessoa, em meados do Século XIX, que tinha missão de perpetuar o culto Jeje e dar acolhimento espiritual aos negros vindos da diáspora africana, oriundo da região da Costa da Mina, especialmente do Daomé.

O carro da escola veio todo trabalhado na cor prata, sendo uma grande oferenda ao Vodum Gu, pai religioso de Ludovina, uma entidade que em outras nações de candomblé, é Ogum, conhecido por ser um exímio ferreiro. Por isso a cor prata no carro e vários elementos simbolizando pregos, Ludovina, com o apoio da religião, construía o candomblé Jeje no Brasil.

“A nossa fantasia vem significando as ferramentas que eles usavam. A fantasia está ótima, leve, muito gostosa, até para a gente ter movimento para poder dançar. Eu acho que esse ano a Viradouro está arrebentando, tanto em fantasia quanto no próprio enredo, na música. Viemos aí para ganhar a nossa terceira estrela”, disse a psicanalista Andrea Ladeslau, de 49 anos.

Segundo a tradição oral recolhida nos terreiros baianos, Ludovina seria uma guerreira Mino, que transitava regularmente da África à Bahia através da transformação em pássaro. Mas a batalha que travaria no Brasil era outra: erguer casas de santo dedicadas aos Voduns em solo baiano. Assim, a líder religiosa teve papel fundamental nos assentamentos do candomblé Jeje entre as cidades de Cachoeira e Salvador.

“Eu achei super confortável. Eu achei bem bonita também, porque o ano passado eu vim de vermelho, aí deu uma diferenciada bem boa, com muito brilho dessa vez. E querendo ou não, é a cara da Viradouro, porque a Viradouro tem sempre muito brilho, muito glamour e eu amo de paixão”, contou o goiano, Edgar Miranda, que colocou até um piercing em forma de cobra para homenagear a escola que traz a cobra, representação de Dangbé, o rei do candomblé Jeje.

O carro é uma grande oferenda a Gu, o senhor do metal e da guerra, sendo o carro um tramado em ferro, ornado com elementos de culto Vodum. A representação do metal permeia toda a base e a decoração da alegoria, que traz a imponente sacerdotisa, cujo corpo surge como uma mística esfinge, figura feminina constituída a partir do ferro.

“As composições estão representando justamente essas riquezas do Vodum Gu, os metais, que é a força ancestral de Gu”, disse o componente Renan do Carmo, de 29 anos.