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Análise: Mocidade define seis eliminadas e obras já despontam na disputa por 2027

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Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

A Mocidade Independente de Padre Miguel realizou, no último sábado, a segunda noite de eliminatórias para o Carnaval de 2027, recebendo 15 obras na quadra histórica da Vila Vintém. A noite foi marcada por uma disputa equilibrada, com sambas que já despontam na briga e vão afunilando o caminho até a escolha final: das quinze parcerias, seis foram cortadas logo nesta primeira etapa. A próxima fase do concurso acontece no domingo, dia 16. A Mocidade levará para o Carnaval de 2027 o enredo “Latinamente Independente: Nosso Norte é o Sul em Remanifesto”, assinado pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, com desfile marcado para a segunda-feira de carnaval. Abaixo, o CARNAVALESCO analisa as apresentações das parcerias.

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Parceria de Santana: Defendida por Dowglas Diniz e Leonardo Bessa, a parceria de Santana, Paulo Senna Poeta, Carlos Augusto, Saulinho, Edvaldo Lucas e Everaldo Silva apresenta como ponto alto um refrão do meio de grande potência. “Okê, Okê, Okê Arô! / Okê, Okê, Arô! / Se ontem eu fui a caça / Hoje eu sou caçador” se destaca justamente pela evocação da ancestralidade da escola, o que faz com que o trecho seja bem cantado. Na primeira parte do samba, o trecho “Sempre fomos o topo do mundo / Moldado na rebeldia onde a vida floresceu” esbarra numa pequena dificuldade de compreensão. Já na segunda parte, o verso “Uma obra de arte como nossa gambiarra” refere-se com precisão ao espírito da proposta. O refrão principal, por sua vez, passa com correção, mas sem grande fechamento. De maneira geral, a letra aposta numa narrativa de ponto de vista mais pessoal; “cria de favela”, como o próprio samba diz, o que é interessante e dá especificidade ao tratamento do tema.

Parceria de Leo Peres: Defendida por Igor Pitta, a parceria reúne composições de Leo Peres, Leandro Fregonesi, Felipe Pires, Rogerinho, Wilson Paulino e Bruno Serrinho. O destaque está nos dois refrões, que se complementam no diálogo com a sinopse. O pré-refrão é mais aguerrido, reafirmando o enfrentamento ao colonizador. Já o refrão principal traz um caráter festivo que, somado ao pré-refrão, contempla bem o jogo entre luta e festa que a sinopse propõe. Boa performance, sem grandes variações melódicas, mas que passa bem e sustenta uma apresentação sólida. O aspecto de aguerrimento retorna em outros momentos da segunda parte, que tem bom rendimento e segura bem o samba até o final.

Parceria de Diego Nicolau: Wic Tavares defendeu o samba de Diego Nicolau, Igor Leal, Ricardo Mendonça, Rodolfo Vale, Fabian Juarez e Arlindinho Cruz. Um dos destaques é o jogo do refrão do meio, que mistura português e espanhol. Os trechos em língua estrangeira são bem empregados, não dificultam o canto, nem a compreensão e reforçam a amplitude do tema da latino-americanidade. De modo geral, a letra apresenta grande aderência ao aspecto geopolítico do enredo: a inversão do mapa, fazendo do norte o sul. Outro posicionamento interessante está no pré-refrão principal, “MOCIDADE DESOBEDIENTE DE PADRE MIGUEL / JUNTOS GRITAMOS EM ALTO E BOM TOM / VIVA LA REVOLUCION!”, capaz de aguerrir o canto da Mocidade. O samba teve uma queda na primeira parte, principalmente na segunda passada, com a entrada da bateria. Já o refrão principal, na segunda parte, fecha bem, com uma passagem correta.

Parceria de Jaci Campo Grande: Defendido por Igor Sorriso, Felipe Tinoco e Marcelo Tchakabum, o samba reúne Jaci Campo Grande, Marcelo Tchakabum, Dr. Marcelo, Alex Cruz, Elian Dias e Laio Lopes. De maneira geral, a obra apresenta variações melódicas belíssimas, bem acompanhadas pela interpretação, com bom jogo de cena entre Igor Sorriso, Felipe Tinoco e Tchakabum. O refrão principal traz uma melodia muito bonita, que carrega o sentimento aguerrido com palavras em português e espanhol. Quanto à letra, é uma das obras que melhor equilibra múltiplos eixos da sinopse: há evocação a Oxossi, aos Caetés, a Sardinha, à Pachamama, ao matriarcado e à tecnologia ancestral, incorporando um repertório latino-americano amplo. Essa diversidade presente na letra é um dos pontos altos da parceria: uma apresentação forte, que se destacou na eliminatória.

Parceria de Richard Valença: Defendida por Tinga e Charles Silva, a parceria reúne composições de Richard Valencia, Orlando Brósio, Renan Diniz, Georginho Via 13, W. Correia e Cabeça do Ajax. A apresentação trouxe muita força, mantendo o rendimento do samba em alta durante toda a defesa. Entre os concorrentes, esse é um dos sambas de caráter mais panfletário: traz boa cobertura temática da sinopse, com aguerrimento e posicionamento que resultam num discurso mais combativo do que conciliador. Avança bastante sobre a crítica social, cumprindo com força o espírito de denúncia que a sinopse propõe. O refrão principal carrega bem esse sentimento e fecha com força o samba. Uma grande apresentação, com destaque para a performance de Charles Silva.

Parceria PC Feital: Comandada por Zé Paulo Sierra, a parceria reúne composições de Paulo César Feital, Alex Saraiça, Denilson do Rosário, André Russo, Carlinho da Chácara e Fábio Bueno. Apresentação muito forte; foi o samba mais cantado da noite na quadra, muito por conta da torcida da parceria. Deu para perceber como a obra funciona não apenas na voz de um intérprete, mas em coro coletivo. O samba conta com variações melódicas interessantes. O refrão do meio promove o encontro entre Obatalá e Tupã no Orum, uma imagem poética que materializa bem o encontro das diferentes latinidades. Não é um refrão explosivo, mas tem uma poética muito bonita, bem escrita. O refrão principal, por sua vez, é forte, gostoso de ouvir e encantador; funcionou muito bem na noite, com grande desempenho. Quanto à letra, o destaque fica para a estrutura: pensando no enredo da Mocidade como lugar de remanifesto, de manifesto latino-independente, essa é uma das letras que melhor sustenta essa linguagem, mantendo a estrutura de manifesto do início ao fim. Uma das apresentações de destaque da noite.

Parceria de Ricardo Simpatia: Defendida por Pitty de Menezes e Tem-Tem Jr., a parceria de Ricardo Simpatia, Rodrigo Medeiros, Cristiano Plácido, Guto Listo, Flavinho Avellar e Samir Trindade tem méritos pontuais, mas não fecha como um todo. Na primeira parte, há referências à própria história da Mocidade, já inserido o legado da escola no enredo: “A estrela da revolução / Segue a direção que Fernando Pinto sonhou”. O refrão do meio também funciona bem: “Meu Brasil curumim, nosso verde em protesto volte a ser tupiniquim em seu canto manifesto”. Já no final, na segunda parte, há um trecho forte envolvendo a matriarca da escola, um dos pontos altos da obra: “Tia Nilda é bem melhor que Tio Sam”. Entretanto, o refrão principal passa sem brilho.

Parceria de Franco Cava: Samba de Franco Cava, Juca, Nito de Souza, Marcinho.Com, Anderson Migão e Gulle Machado, a obra apresenta um refrão dolente, tanto em termos de melodia quanto de fluência no canto, e passa com boa desenvoltura. O refrão central também se destaca: “EVOCO OS DONOS DA MATA / JURUPARI É QUEM MANDA / ENQUANTO O BRANCO DESMATA / TUPANA VENCE DEMANDA / O SOL DE MAIO NA PELE MARROM / GUANTANAMERA! É REVOLUÇÃO!”; um trecho de bom rendimento, correto e bem resolvido. De maneira geral, uma performance correta do samba.

Parceria de Jefinho Rodrigues: Comandada por Wander Pires, a parceria reúne composições de Jefinho Rodrigues, Xande de Pilares, Marquinho Índio, Estevão Ciavatta, Cleiton Roberto e Prof. Renato Cunha. O refrão principal, “ARRIBA LA MOCIDADE, LEVA MI CORAZÓN / FAZ VALER TUA VERDADE, TEU CHÃO! / MOSTRA PRO MUNDO O QUE SÓ A GENTE TEM / DALE! RITMO CALIENTE, O MOLHO DA VILA VINTÉM!”, é animado e bem cantado, com bom desempenho na defesa. Quanto à letra, apresenta boa adequação temática com a sinopse, reforçando as características que o enredo vai construindo, com fluência no texto. Um dos versos mais bonitos aparece na segunda parte: “O FUTURO QUE MEREÇO, O PASSADO ME ENSINA / NOSSO JEITO É DAR UM JEITO / QUANDO A VIDA DESATINA / GAMBIARRA CRIATIVA!”, um trecho que sintetiza bem a proposta, com força poética. O samba passa muito bem, bem colocado, com melodia bem feita e variações bonitas. Mais uma grande apresentação da noite.

Análise: Confira como passaram os sambas na primeira eliminatória do Salgueiro para o Carnaval 2027

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Fotos: Mariana Santos/CARNAVALESCO

O Salgueiro deu o pontapé inicial na escolha do samba-enredo para 2027. No próximo ano, a escola levará para a Avenida o enredo “Laroyê, Xica da Silva: A história por trás da história” e será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval. No último sábado, a noite foi de eliminatória da Chapa Vermelha, com nove parcerias se apresentando na quadra da escola, no Andaraí. As classificadas ainda serão anunciadas, e a próxima etapa, com a Chapa Branca, acontecerá no próximo sábado, dia 15. A seguir, o CARNAVALESCO analisa as apresentações da noite.

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Parceria de Raoni Ventapane: Dudah e Zé Paulo defenderam a composição de Raoni Ventapane, Dudah, Thales Nunes, Daniel Guimarães, Clara Ferreira, Denis Moraes, Vitor Menezes, Wibson Fernando, Carlinhos e Hugo Oliveira. O samba traz uma melodia vibrante, especialmente na sustentação do refrão “Arreda homem que aí vem Salgueiro, arreda homem que aí vem Salgueiro, sou a Xica macumbeira, Pambunjila! Mojubá! A faísca que acende a Furiosa no gongá!”. A apresentação teve bom rendimento do início ao fim.

A composição caracteriza a personagem histórica e controversa de Xica da Silva, estabelecendo paralelos com a Pomba Gira, conforme proposto pelo enredo. Também evoca a relação da personagem com o Salgueiro em “Com Arlindo fiz história, meu torrão eternizei… ôô ôô”, em referência ao samba de 1963, e com a cultura brasileira em “Encarei o preconceito com a força de Taís”. O verso “Ela é Maria, Mariá, na tela incorporei / ‘Ela é Maria, Mariá’, as regras eu rasguei” traz uma boa referência a um ponto de Pomba Gira e força melódica, mas passou atravessado na primeira passada. O mesmo aconteceu com o verso seguinte “A fogueira pra mentira, a coragem que inspira, corpo-espelho da ralé, o retorno que atiça”, na segunda passada.

A parceria levou uma torcida animada à quadra, com bandeiras coloridas e boa troca de energia com os intérpretes, embora o canto tenha se concentrado principalmente no refrão e não contagiasse o restante do público.

Parceria de Filipe Zizou: O samba da parceria de Filipe Zizou, em parceria com Maralhas, Luciano Gomes, Queiroga, Mineiro, Ailtinho, Sérgio Alberto Português, Beto Bombeiro, Micha e Gustavo Mineiro, foi interpretado por Fredy Vianna, Rodrigo Tinoco e Millena Wainer. A composição apresenta uma construção interessante para desenvolver a narrativa proposta pelo enredo. Em sua primeira parte, Xica é apresentada como uma pomba gira e, logo em seguida, contrapõe-se a essa ideia, trazendo a abordagem ao “factual” de Francisca da Silva Oliveira e apresentando a personagem em primeira pessoa em algumas estrofes. Quanto à melodia, faz jus à potência das letras, com destaque para a força dos atabaques, que dão peso e personalidade à obra, especialmente no refrão.

A obra apresentou rendimento regular na primeira passada, especialmente na estrofe “Laroyê nessa gira sem submissão tem gargalhada…”, porém alcança seu momento de maior força no refrão “Giro a saia na encruza tem macumba no terreiro laroyê mojubá! Arreda que lá vem Salgueiro!”, bem sustentado pela melodia envolvente, que abraça bem os versos. Entretanto, em mais de uma passada, o trecho “Força feminina, rebelde ancestral Marias, Pambungila desperta a história” passou truncado, com baixa afinidade melódica.

A parceria veio acompanhada de uma torcida animada, empunhando bandeiras nas cores da escola, apesar da participação inexpressiva no canto, que também não contagiou o restante dos presentes. A defesa foi consistente, ainda que menos empolgada, e ganhou um pouco mais de intensidade ao longo da apresentação.

Parceria de Neth Oliveira: O intérprete Ciganerey apresentou a obra de Neth Oliveira, em parceria com André Damazio, Claudinho do Pagode, Luiz Carpinteiro, Waltinho Raiz, Gabriel Rodrigues, Silvio Villas, André F. Dias, Luiz Carlos Fernandes e Sergio Pugliese. A performance apostou em alguns elementos cênicos, como uma mulher dando vida a uma Xica da Silva “pombo-girada” no palco, junto aos intérpretes, e uma torcida carregando bandeiras nas cores da escola, com baixa participação no canto, que também não influenciou os demais na quadra.

A narrativa da obra traz o ponto de vista de Xica, apresentando-se como uma pomba gira, com versos ousados como “Não sou o mito que o tempo desenhou, nem o adverso minha voz calou”. Entretanto, o refrão “Viva a liberdade, o tambor vai ressoar! Meu terreiro está em festa, vamos celebrar! Sob a carta de alforria, que me presenteou João Fernandes, o contratador” perde um pouco da força criativa que os demais versos carregam. Em contraste, o refrão “Laroyê! Vem girar no meu ilê sou a força preta que eu sempre quis bis sob a luz que alumia, o branco e vermelho sou Xica da Silva….Salgueiro!!” trouxe um momento de mais força à performance, embalado por uma melodia gostosa de ouvir.

No geral, o samba traz uma melodia com um bom “swing”, que deu bom sustento aos versos durante a maior parte da apresentação. A apresentação teve um bom rendimento, apesar de passar com menos brilho.

Parceria de Marcelo Motta: A parceria de Marcelo Motta com Dudu Nobre, Pedrinho da Flor, Leonardo Gallo, Jorge Arthur, Julio Alves, Gilberth Castro, Josy Pereira, Bruno Dallari e André Braga é originalmente defendida por Tinga, Wic e Juan Briggs. Porém, nesta noite, teve a presença apenas de Tinga e Wic, além dos cantores de apoio.

Dentre todos os atributos de ‘Xica’ a serem exaltados pelo enredo, a narrativa do samba 8 destaca a força da negritude de Xica, com letra aguerrida e defendida à altura pelos intérpretes. Os versos “Chama Padilha, Mulambo, que tem demanda” são um destaque da apresentação pela sua repetição e estrutura similar a um ponto afro-religioso, fortalecidos “na palma da mão” pela maioria dos presentes na quadra durante a terceira passada, com uma melodia interessante. Outro destaque foi a interpolação rítmica no trecho “Apesar da dor”, em alusão à melodia do samba da escola, de 1963. Ambos os recursos criativos funcionaram bem e elevaram a potência da apresentação.

A parceria contou com uma torcida animada que preencheu a quadra, entoando o samba do início ao fim. O canto e a animação não se reservaram apenas ao grupo, levantando parte do público já na metade da noite, que encarou as apresentações anteriores com pouco entusiasmo.

Parceria de Liesbeth Nunes: Nil Souza interpretou a obra de Liesbeth Nunes, PJ do Samba, Roberto Felinto, Diego Pomar, Vitor França, PC Lopes, Krys Fonseca, Vera Guedes, Cláudia Rejane e Andressa Castro. A apresentação explorou a força da Pomba Gira tanto na letra quanto nos elementos cênicos, com uma artista caracterizada como a entidade, rodopiando pelo palco e no meio da quadra, entre os torcedores. A composição tem espírito afrontoso e forte carga poética em versos como “Fui encruzilhada entre açoite e liberdade, não se prende na corrente, ideais de majestade…”, como pede a personagem homenageada.

A defesa teve bom rendimento, apesar de uma leve queda na última passada. A apresentação também poderia ter se beneficiado de uma voz feminina no carro de som, recurso presente na maioria das demais parcerias e especialmente adequado ao enredo. A torcida empunhou bandeiras da escola, mas a apresentação passou de forma mais morna para o público.

Parceria de Bernardo Nobre: Com Pitty de Menezes e Igor Vianna como vozes principais, o samba 7 foi um dos grandes destaques da noite. O samba de Bernardo Nobre, em parceria com Thiago Meiners, Leandro Pereira, John Bahiense, João Moreira, André de Souza, Ribeirinho, Diego Alba, Jonathan Tenório e Luiza Vieira, começou a apresentação com o pé direito, ao associar a pomba-gira referenciada neste ano a Xangô, padroeiro da agremiação, em: “Malelê malelê, kaô kabecilê, meu Salgueiro corre gira, mojubá laroyê, toca o barravento, firma o alujá na casa de Xangô, eu vim pombo-girar”, que evoca a identidade salgueirense e provoca o canto.

Outro destaque foi o verso “Tá pra nascer, meu Deus, quem enfrente uma moça igual a ela”, em alusão a um ponto de Pomba Gira, que levou a quadra a acompanhar com palmas. Houve uma leve queda no verso “E pra crer só o quilombo de Francisca ensinou ao escrever, a tinta apagou os moralistas…”, na primeira passada, mas o samba manteve bom rendimento. A defesa foi potente e valorizou os principais momentos da obra.

A torcida apareceu em peso, com blusas e leques personalizados, cantou o samba de cabo a rabo e puxou um bis ao final. Mesmo com a quadra já esvaziada, a apresentação conseguiu reavivar o público.

Parceria de Samir Gil: Marcelo Riva defendeu a obra de Samir Gil, Yuri Gil, Augusto Chaves, Bárbara Bastos, Isaías Demócrito, André Lustosa, Paulo Lima e William Ramos. A melodia funciona bem em sua construção geral, mas faltou maior harmonia do carro de som para sustentar a força da obra em alguns momentos. A composição segue uma estrutura que remete a sambas clássicos da Academia para narrar a história de Xica da Silva.

O refrão “Bate palmas que ela vem, pode chegar! Firma ponto! Pega fogo o gongá! ‘Vestiu’ Salgueiro, a ‘encantada’ não ‘duvida’! Laroyê! Mojubá… Xica!” é interessante, embora, melodicamente, fique aquém do potencial da letra. O trecho “Incorporei na majestosa ‘Isabel’ pro mundo me conhecer, na ‘médium Zezé’, o olhar da ‘tela’, na ‘yaô Taís’, outra história de novela” perdeu força nas duas primeiras passadas, antecedendo o refrão “Me chamou, eu quero festa! Pode tocar! Um atabaque ogã… de arrepiar! A minha história eu vou contar! – Sou ‘Chica da Silva’ – negra ‘sinhá!’”, deixando-o em desvantagem.

Parceria de Moisés Santiago: Tem-Tem Júnior, Rafael Tinguinha, Tuninho Junior, Danilo César e Lissandra Oliveira defenderam a obra de Moisés Santiago, Sereno FDQ, Rodrigo Feijú, Aldir Senna, Mateus Pranto, Marquinho Bombeiro, Marcelo Martins, Alexandre Cabeça, Sandro Nery e Marcelo Batista. Apesar do número de intérpretes, a defesa foi clara e bem dividida, com destaque para Lissandra e sua interpretação da emblemática gargalhada de Pomba Gira, que deu peso e personalidade ao canto do carro de som.

Foi um dos pontos altos da noite em melodia, com boas variações, refrão forte e uma abertura marcada pelo atabaque em “O meu Salgueiro é casa de macumba”. A composição apresenta Xica como uma entidade eternizada pela escola e o Salgueiro como um grande terreiro. O pré-refrão “Axé! Pode preparar a gira, o meu corpo tem dendê… Canjira, magia de enfeitiçar, me chamaram de mucama, mas nasci pra ser sinhá” e o trecho “Eu jamais fui o retrato… que sinhô mandou pintar, todo véu da hipocrisia… eu mandei rasgar” reforçam a força e a subversão da personagem, como bem proposto pela narrativa.

A obra ainda reúne referências históricas, bem conhecidas pelos salgueirenses, ao invocar o nome da escola no verso “Arreda que lá vem Salgueiro… Salgueiro!”, trazendo recurso rítmico próximo a sambas de exaltação e outros clássicos da escola, seguido do emblemático “ôooo” de 1963. A torcida, com perucas de espuma inspiradas nas representações das perucas vitorianas de Xica, cantou a composição inteira e puxou um bis. A defesa teve ótimo rendimento e esquentou a quadra já quase vazia.

Parceria de Rafa Hecht: A obra composta em parceria por Rafa Hecht e Samir Trindade, Thiago Daniel, Deco, JP Figueira, Clairton Fonseca, Laura Roméro, Guiga Corrêa, Geraldo M. Felicio e Jefinho Rodrigues foi defendida por Pixulé, Marquinhos Art Samba e Leonardo Bessa.

A composição carrega qualidade inegável, com boas variações melódicas e destaque para o trecho “Ninguém faz macumba como meu Salgueiro”, que chama a torcida e evoca a alma salgueirense. A obra também coloca Xica como uma entidade do terreiro do Salgueiro.

Apesar da força da obra e da qualidade dos intérpretes, faltou maior intimidade e segurança com a letra durante a apresentação. Na tentativa de evitar papéis nas mãos durante a apresentação, uma folha com a letra foi deixada no chão como guia. Entretanto, os três intérpretes passaram boa parte da apresentação concentrados no papel, o que comprometeu a presença e o domínio do palco. Em alguns momentos, a atenção voltada à letra também prejudicou a execução melódica, fazendo com que trechos como “É pembelê, iaiá conguê, é orerê Da Costa da Mina, os meus Francisca da Silva, sou eu Da arte dos catopês, da elite e das ralés” e o refrão “Faz ebó, veste vermelho….”, na primeira passada, e “Dona 7 incorporada na beleza de Zezé, Virei Taís, afrontei o país” fossem executados de forma um pouco truncada. O trecho “Furiosa vai passar” também destoou da construção melódica e chegou a provocar uma perda de controle momentânea de um dos intérpretes na última passada. Entretanto, o refrão “Faz ebó, veste vermelho e firma o ponto, Deixa que o meu segredo eu conto, A dona da casa protege o terreiro, Ninguém faz macumba igual meu Salgueiro” funcionou bem melodicamente.

A parceria e sua torcida estavam trajadas com uma blusa vinho, com a frase-chave “Ninguém faz macumba como meu Salgueiro” circundando a logo da Academia do Samba. A pequena e tímida torcida assistiu à apresentação empunhando bandeiras alvirrubras com o símbolo da escola. A apresentação conseguiu se sustentar bem; entretanto, não conseguiu provocar na quadra o mesmo nível de agitação dos principais destaques da noite.

Mangueira esquenta disputa pelo samba de 2027 com noite de apresentações de alto nível

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Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO

A Mangueira realizou no último sábado mais uma eliminatória de sambas-enredo para o Carnaval 2027. Numa disputa que está se afunilando, seis obras se apresentaram na quadra da Verde e Rosa, com apresentações quentes e de ótima qualidade. Cinco sambas se classificaram para a próxima semana, e o samba da parceria de Bete da Mangueira foi cortado da disputa. Abaixo, a análise do CARNAVALESCO sobre as apresentações das parcerias classificadas.

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Parceria de Chacal do Sax: Pixulé e Rafael Tinguinha comandaram o samba da parceria de Chacal do Sax, Verônica dos Tambores, Laura Romero, Rafael Capiberibe, Giovani e Ronnie Machado. Um grande desempenho da dupla de intérpretes, levando a obra com maestria. O refrão principal, “Ô ô ogã, bate o aro ogã, eu sou Mangueira, ventania de Yansã, iluminando essa favela inteira, Oyá por nós da Estação Primeira”, é extremamente envolvente melodicamente e tem um canto fácil, chamando o componente a clamar pela escola, obtendo ótimo desempenho em todas as passadas. O início da primeira parte segue o interessante caminho melódico, nos versos “vento que sopra e abre os caminhos, é gira de Ketu pro povo passar, a força que vai conduzir meu destino, relampejou, vai clarear”. O samba mantém uma pegada muito forte nos versos seguintes, culminando no bis “Oyá te te, Oyá te te Ayabá, Oyá te te Oloyá, Oyá te te”, versos que exaltam Oyá como mãe divindade e citam sua força, também muito bem sustentado durante toda a apresentação, levantando os torcedores da parceria. A segunda parte também apresenta uma melodia de qualidade, esta soa mais poética, trilhando os ritos do Candomblé, como o Ajeum e suas danças, tendo um desempenho menos quente, mas sem arrastar. O estilo aguerrido é retomado no trecho que antecede o refrão principal, cujos versos “quando ela passa, nada fica no lugar, incendeia, mãe, incendeia”, “eu não seria nada sem Oyá, quem é do fogo tem dendê na veia” sintetizam o poder da Orixá rainha do dendê e entregam pro refrão com a força em cima. Uma ótima apresentação.

Parceria de Lequinho: Tinga defendeu o samba de Lequinho, Junior Fionda, Gabriel Machado, Orlando Ambrósio, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim. A torcida levou o samba todo no gogó já antes da apresentação no palco começar. E, quando iniciou, a temperatura se manteve alta. Uma apresentação com a força da deusa da tempestade. O começo da obra já retrata Oyá como a representação feminina nos versos “Quando toca o adaró, somos tantas numa só, a nação evoca minha mãe Iansã, vira tempo, tempestade”. Na sequência, a narrativa segue forte e dissecando a multiplicidade da rainha das tempestades, presente nas mais diferentes formas, como no trecho “sou rebeldia de Oluafefé, pele de búfalo no corpo de mulher”. O refrão central “Ya Mesan Orun, treme terra, desce o morro, sobe o run, é guerra, bate o Oguê que o sangue tem Dendê, tá pra nascer quem manda nela” retrata bem a linguagem mais visceral e direta que o samba possui, e o trecho obteve ótimo rendimento. A segunda parte apresenta uma ruptura melódica arriscada e interessante no trecho “é que eu sou preta, macumbeira e de Oyá, sou ventania que ninguém pode afrontar, colo de Ketu, solo do gueto, força de Orixá”, que sucede o verso “porque não existe macho que levante a mão pra mim”, que possui uma enorme força semântica, a despeito de uma estranheza causada pela linguagem literal e menos poética da frase, mas que se alinha com o trecho seguinte e foi muito cantado, inclusive por segmentos e público fora da torcida. O refrão principal “Oyá Tetê Oyá Tetê Oyá, Oyá Tetê Oyá Mangueira Yabá, Ê mamãe, traz de novo teu axé, relampejou pra vitória, Motumba Lè” levantou a quadra em todas as passadas. Um desempenho que impressionou.

Parceria de Gilson Bernini: Pitty de Menezes e Ito Melodia foram as vozes principais do samba da parceria de Gilson Bernini, Beto Savanna, Xande de Pilares, Karinah, Gustavo Clarão e Felipe Mussili, e conduziram uma forte apresentação, de muita energia, com uma pequena queda nos minutos finais. Começando pelo refrão principal “Toca o aguerê, vim pra guerrear, queima no dendê Epahey Oyá, Oyá por nós, minha mãe, com o seu axé, Mangueira é terreiro de candomblé”, que é aguerrido em letra e melodia e passou muito bem. A primeira parte inicia com o refrão de cabeça “Oyá de Olúafefé, Oyá Oyá Eparrey Oyá”. A melodia norteia bem a obra e mantém o bom nível, apesar de uma leve queda no desempenho durante as passadas. O refrão central “ergue o Eruxim que o ogã no xirê dobra o run, toda Obirin sacode a poeira, é guerreira, Iyá Mesan Orum, okutá de oguê, ajeum, é fundamento da Estação Primeira” é poderoso em sua narrativa, apesar da linha melódica semelhante ao refrão principal. A melodia possui mais lirismo na segunda parte, combinando bem com versos como “voa no rosa do amanhecer, pousa no verde sagrado de Ewê, preta do ventre de Oyá, não vai se curvar, senhora menina de fé”. A melodia apresenta variações interessantes, como no trecho “corre na veia ancestralidade, trago no peito a honra e a coragem”. Os versos finais “Ô, Iyá em cada herdeira, que desce a ladeira e vem sambar, é um furacão que incendeia a quarta-feira, só quem é Mangueira pode confirmar” jogam o samba em uma crescente para entrar no refrão, potencializando o trecho e a valentia no desempenho.

Parceria de Arlindinho: Evandro Malandro e Bruno Ribas comandaram o samba de Arlindinho, Paulo César Feital, Pedro Terra, Tomaz Miranda, Herval Neto e Igor Leal. Um samba que, assim como Oyá, une força com um toque de sutileza e poesia. A apresentação começou visceral, com duas passadas espetaculares. O refrão principal “Ah, epahey, ela é Oyá, a bela Oyá, ah, Epahey, a minha mãe é Iansã, é quarta-feira, tem macumba na Mangueira, batuquei a noite inteira, amanheci campeã” tem uma estrutura curiosa. Ele é entrecortado por outra estrofe que também tem bis, “dobra o adaró, rufa o alujá, no toque de guerra a Mangueira vai passar”. A solução deixou o samba envolvente, diferente e teve excelente funcionalidade durante toda a passagem da obra. A primeira parte explora a força da feminilidade de Oyá, com versos muito bem construídos, como no trecho “é fogo o amor de Xangô, esquenta o Ajerê, banha o casal do Dendê de verde e rosa, na fúria de um furacão a fera vai se transformar, asas de labá-labá, larô, Exu Elegbara”, e se sustentou com categoria. O refrão central “O gira a saia vai começar o xirê, bate cabeça, é noite de tempestade, varre a maldade, derrama o poder, Oyá Tetê é tempo de liberdade” é bonito e possui boa melodia, porém passou de forma mais apagada em relação a outros momentos da obra. A segunda parte segue a narrativa muito bem construída, descritiva com clareza, sem perder o senso poético, e com uma linha melódica que possui poucas variações, mas conduz bem a obra e é bem amarrada, sem quebras. O desempenho terminou sem a pujança do início, mas foi mais uma apresentação de muita qualidade, também com a adesão de pessoas fora da torcida da parceria.

Parceria de Gustavo Louzada: Zé Paulo liderou a apresentação do samba da parceria de Gustavo Louzada, Dulce Santos, Alexandre Naval, Valtinho Botafogo e Raimundo Santa Rosa. A primeira parte começa forte, com versos anunciando a chegada de Oyá, com ótima melodia: “Rasgou o céu, o raio anunciou, Oyá Dewo, força descomunal, a dona do temporal, Oyá Dewo, Oyá Dewo, Dewo”. O refrão central “os tambores quarta-feira, nos terreiros em Mangueira, ajerê carrega a chama, preceito do candomblé, faz um banho de erva-prata, põe dendê no acarajé” possui uma variação melódica gostosa e que teve boa fluidez na apresentação, além de uma narrativa bem feita sobre os ritos para Oyá. Aliás, a linha melódica apresenta vários passeios ao longo do samba. Na segunda parte, ela soa um pouco mais truncada, e o samba mostra uma grande irregularidade em seu rendimento, sobretudo nos versos “inspiradora de mães protetoras, avassaladoras filhas de Iansã”. O refrão principal “Oyá Tete, Oyá Tete Aiyagbá, Oyá Tete Omo Oloyá, Oyá Tete Aiyagbá, Epahei Iansã, Oyá por nós, a poeira vai subir, é bom se segurar, cuidado que a Mangueira vem aí” foi arrefecendo com o passar da apresentação, que foi instável e não teve maior sustentação após as primeiras passadas.

Tatuapé apresenta samba-enredo para o Carnaval 2027 com linda festa na quadra

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Por Gustavo Lima e Almir Aprígio

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Fotos: Gustavo Lima e Almir Aprígio/CARNAVALESCO

Entre batuques, emoção e celebração, o Acadêmicos do Tatuapé deu o primeiro passo rumo ao Carnaval 2027. A escola reuniu a comunidade na quadra para apresentar o samba-enredo que levará à Avenida a história da República Democrática do Congo, em uma obra que, segundo seus responsáveis, aposta em um andamento diferente e em uma forte identidade africana. O samba pretende levar para a Avenida uma narrativa sobre a origem, a cultura, a espiritualidade, as manifestações culturais e as heranças deixadas pelo país, estabelecendo também uma relação com a formação cultural brasileira. Assinam os compositores Márcio André, Thiago Morganti, Thiago Meiners, Claudio Mattos, Shumacker, Wilson Mineiro, Herval Neto, André Valencio, Vitor Roblanco, Aranha Wilpz, JP Orlow e Tubino.

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O carnavalesco da escola, Wagner Santos, mostrou estar feliz com a escolha do samba, pois a obra casa bem com o que a escola pretende mostrar na Avenida. A agremiação pretende mostrar a origem do Congo até os dias atuais. O carnavalesco destacou a importância do enredo, que também irá abordar como o Congo foi importante para o Brasil, pois agregou às nossas heranças culturais, comunidades folclóricas e festividades.

“Olha, pelo que eu já vi, o que me apresentaram do samba, eu gostei muito. Ele retrata o que a gente vai apresentar na Avenida. Nós vamos falar da origem do Congo, desde a sua origem até os dias atuais, e vamos trazer também as heranças que o Congo nos trouxe: heranças culturais, comunidades folclóricas, festividades. E a gente vai fazer um belo trabalho”, disse Wagner.

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O carnavalesco prometeu um belo desfile da agremiação, com muita teatralidade, tanto nas composições quanto nos componentes.

“O que a gente pretende, nesse enredo, é trazer diversos momentos coreografados em todo o decorrer do desfile. Teremos várias coreografias dos carros e vamos trazer muitas informações através dos elementos que vamos fazer nas nossas decorações”, afirmou Wagner.

Escolha diferente para o Carnaval 2027

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A escolha do samba passou por um processo que envolveu dezenas de obras. Segundo os presidentes do Acadêmicos do Tatuapé, Erivelto Coelho e Eduardo Santos, a escola recebeu por volta de 18 sambas para a disputa deste ano. A avaliação foi realizada inicialmente por um grupo formado por integrantes do Departamento Cultural, diretoria e equipe de criação. O objetivo era encontrar uma obra capaz de traduzir musicalmente o enredo e explorar os elementos apresentados na sinopse.

Depois da seleção, os sambas finalistas foram submetidos à avaliação dos departamentos da escola. A comunidade também participou do processo, podendo ouvir e votar na obra que considerasse mais adequada para representar o enredo. Neste ano, a escola decidiu ainda antecipar o anúncio do vencedor. Segundo Erivelto, a divulgação ocorreu dez dias antes do evento para que fosse possível preparar a gravação e realizar os ajustes necessários.

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“Não queríamos que nenhum componente se sentisse traído ao descobrir, por terceiros, que determinado samba havia vencido”, explicou o presidente.

A preocupação da diretoria foi garantir que a comunidade acompanhasse o processo desde o início e pudesse conhecer a obra vencedora antes da apresentação oficial. Eduardo Santos também detalhou como foi o processo da escolha do samba do Acadêmicos do Tatuapé e comentou como funciona o processo de mudança dentro de um samba. O presidente informou que mudanças são necessárias, mas afirmou que é contra processos em que é escolhido um samba e, nas mudanças, acaba-se construindo outro.

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“Algumas alterações são necessárias. Às vezes, existe alguma palavra que precisa ser colocada e a gente tenta encontrar um lugar adequado para ela”, disse Eduardo.

“Também existem palavras de difícil pronúncia ou que acabam trazendo alguma dificuldade para cantar. Às vezes, não é apenas uma questão de léxico; pode ser uma palavra que destoa um pouco da melodia”, concluiu Eduardo.

Vitória depois de várias tentativas

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Para os compositores, a escolha do samba representa também o resultado de uma trajetória marcada por tentativas e derrotas. Um dos vencedores, Shumaker, contou que a parceria chegou à sua décima tentativa na escola até finalmente conquistar a vitória.

“Algumas vezes até pensamos em desistir, mas, graças a Deus, conseguimos cumprir essa missão”, afirmou.

A conquista ganhou um significado ainda maior por acontecer em uma escola que, segundo o compositor, sempre representou um desafio importante para a parceria.

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Shumaker também destacou a preocupação de apresentar uma obra diferente do modelo tradicional de samba-enredo.

“A gente sempre tenta sair um pouco do comum. (…) O difícil é sair da caixinha”.

Segundo ele, a composição já nasceu com uma proposta musical diferente. A equipe sabia que apostar em uma estrutura menos convencional poderia trazer riscos, mas a receptividade da comunidade mostrou que a escolha funcionou.

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“Quando você apresenta algo novo, existe sempre a preocupação de causar estranhamento ou de as pessoas não entenderem. Mas, graças a Deus, tivemos uma aceitação muito boa”.

Identidade afro na composição

Outro compositor vencedor, André Valencio, também destacou a relação entre a obra e a identidade musical de sua parceria. Segundo ele, o grupo possui uma trajetória ligada a sambas afro e a temas relacionados às religiões de matriz africana. A identificação com o enredo, portanto, aconteceu desde o momento em que a proposta foi apresentada pela escola.

“A gente tem uma linha muito voltada para o samba afro e para os sambas de cunho religioso de matriz africana”, afirmou.

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Para André, a vitória no Tatuapé tem um significado especial. Foi a primeira vez que a parceria conseguiu vencer uma disputa na escola, depois de diversas participações.

A força da competição também foi lembrada pelo compositor. Segundo ele, algumas das principais parcerias do Carnaval de São Paulo participaram da disputa deste ano.

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“É diferente ganhar em uma escola nova, com a tradição e a potência que o Tatuapé tem. Se Deus quiser, com esse samba o Tatuapé pode conquistar um título neste ano”, destacou.

Emoção de Celsinho ao cantar a história do Congo

Celsinho Mody, intérprete do Acadêmicos do Tatuapé, destacou que defender o samba-enredo na Avenida representa muito mais do que a responsabilidade de interpretar a obra. Para o cantor, o enredo sobre a República Democrática do Congo também estabelece uma conexão com sua própria história familiar e com suas raízes culturais.

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O cantor revelou sua identificação com a cultura banto e afirmou que essa relação torna a interpretação ainda mais especial.

“Isso me emociona muito porque sou um homem de cultura banto. Minha família é banto, da Bahia, formada por negros que chegaram escravizados ao Brasil”, contou.

A ligação pessoal com o tema também aparece na forma como o intérprete avalia o samba. Celsinho comparou a experiência de defender a obra no Tatuapé à sensação de cantar em uma escola que admira e destacou a influência de um dos grandes nomes do carnaval brasileiro em sua trajetória. Para ele, o samba é um verdadeiro fenômeno e desperta a sensação de interpretar uma obra à altura de grandes referências do carnaval.

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“É um samba em que eu me sinto o Neguinho da Beija-Flor, que é o grande mestre que tenho”, afirmou Celsinho, fazendo questão de enviar uma homenagem ao intérprete.

Bateria prepara ritmos inspirados na cultura congolesa

O mestre de bateria, Cassiano Andrade, explicou que a escola pretende incorporar o djembé à bateria no Carnaval 2027, criando ritmos relacionados ao enredo sobre a República Democrática do Congo. O trabalho também já envolve a construção das bossas e a integração entre a bateria e o Grupo Vocal (GV).

“A gente vai trabalhar com o djembé neste ano. Pretendemos inseri-lo na bateria para fazer alguns ritmos relacionados ao próprio enredo. Será tudo muito tranquilo, dentro do que já trabalhamos nos últimos carnavais. Já estamos desenvolvendo esse trabalho com as bossas também. Nossa resposta está alinhada entre GV e bateria, então acredito que vai dar um bom casamento”.

Segundo o mestre, a construção das bossas e convenções parte da própria melodia e da letra do samba, respeitando a métrica e buscando espaço para a criatividade da bateria.

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“Quem manda é a melodia, é o samba. A letra também já indica o que precisa ser feito. A gente segue essa orientação, coloca dentro da métrica e atende ao que é necessário. Claro que existe espaço para criatividade: a gente corta aqui, fecha ali, faz de outra forma, mas sempre pensando no conjunto”.

O mestre também avaliou positivamente o samba-enredo escolhido pelo Tatuapé e destacou um dos momentos da obra que mais chamaram sua atenção.

“Eu gosto muito do samba. Na hora em que vem a caída de Deus, gosto bastante. É um samba muito legal e acredito que temos um potencial muito grande para fazer um bom trabalho com ele”.

Samba do Pérola Negra para Jovelina nasce rápido e já provoca grandes expectativas para o Carnaval 2027

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Por Will Ferreira e Ana Carla Dias

Fazendo mais uma homenagem a uma grande personalidade feminina, o Pérola Negra lançou o samba-enredo que levará para a avenida em 2027 no último sábado. A agremiação fez a apresentação da obra que embalará o desfile de “Sem Vacilar, Sem me Exibir – Sou Jovelina, a Pérola Negra”, assinado pelo carnavalesco André Machado. A Joia Rara encomendou a canção para a parceria que tem como integrantes Lucas Donato, Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Marcos Vinícius, Mateus Pranto, Salgado Luz, Fábio Gonçalves, Leandro Flecha, Cabide, Wagner Forte e Chico Maia. Sempre presente em eventos importantes do carnaval paulistano, o CARNAVALESCO marcou presença no lançamento do samba-enredo e conversou com diversos nomes importantes da agremiação. O Pérola Negra será a primeira escola a desfilar na sexta-feira do Grupo Especial de São Paulo.

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Direção dos compositores

Para um compositor, falar de uma artista que tantas músicas compôs é ainda mais especial. Lucas Donato, um dos compositores da obra e também intérprete da agremiação, contou como foi o processo de criação da obra: “Para mim, o samba é emoção. É muito emocionante falar da maior partideira de todos os tempos; para mim, ela e a Dona Ivone Lara são as maiores mulheres do samba, com todo o respeito à madrinha Beto Carvalho, que faz parte disso, também. Foi muito rápido para fazer o samba, assim como todos os sambas do Pérola que a gente fez: em um ou dois encontros a gente conclui. A gente mais vai se encontrar para se ver e para resenhar do que para fazer samba. Sempre foi rápido, a sinopse é boa, o enredo é bom”, comemorou.

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Ao falar sobre a obra, Mateus Pranto deu uma abordagem importante sobre o enredo da escola: “Para a gente, o que tinha que estar no samba eram as músicas dela. Geralmente, a gente fala da Jovelina naturalmente, mas tem que saber que o enredo é praticamente uma roda de samba. Essa foi a grande chave pra conseguir desenvolver tudo, pensando sempre numa roda de samba”, comentou.

Salgado Luz revelou que a obra em questão teve uma única inserção mais tardia, se é que dá para chamar dessa maneira: “Absolutamente tudo que a gente pensou no início da construção do samba está presente na versão finalizada do samba. A gente só acrescentou, só acrescentou. A única coisa que não tinha no samba no início da composição era o trecho do ‘Sou Joia Rara’, no último encontro a gente foi lá e botou esse trecho. Último encontro de dois, no caso”, relembrou.

Leandro Flecha comemorou a dinâmica da composição: “O samba do Pérola foi num caminho natural do que tem que ser. Cada um vem com uma ideia, fomos investindo nelas e deu isso. O segundo encontro foi só para a gente cantar o samba ao vivo”, divertiu-se.

Parte favorita

Embora uma parte da obra seja muito citada como a favorita, existem outros trechos que são citados. Lucas inicia: “Eu adoro muito a parte do partideiro. É o que vai ser o ponto X do desfile do Pérola. Vai ser o que vai levantar, igual foi o ‘olê mulher rendeira’ em 2026 ou o refrão do Exu Mulher em 2025. O ‘samba aqui, samba ali, samba lá’ todo mundo sabe e é fácil, a arte do partideiro também”, comentou.

Salgado completou: “Eu acho a preparação para o refrão muito bonita, também. O ’Pérola Negra chegou por aqui, passou por aqui’ também é legal, acho bem bacana”, disse.

Presidente satisfeita

Sheila Mônaco, mandatária do Pérola Negra, mostrou bastante felicidade ao falar da obra apresentada à comunidade: “O samba-enredo foi algo que me surpreendeu muito. A gente vai acabar apresentando um carnaval muito alegre e muito característico da Jovelina. O André está me surpreendendo a cada dia, estou mega feliz!”, destacou.

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A presidente aproveitou para revelar como funciona o relacionamento entre os compositores e a direção da escola: “Eu não tive participação alguma na composição. Eles só vieram com o samba pronto, para aprovação ou não. Mas, como o samba era muito gostoso, não precisou mudar uma vírgula, não precisei nem de muito esforço”, explicou.

Direção animada

Gabriel Ferreira, popularmente conhecido como Gabiru, diretor de Harmonia do Pérola Negra, trouxe uma visão interessante sobre a canção: “É um samba muito bom e muito fácil porque traz várias músicas dela. É um samba em primeira pessoa, que foca em como ela está interpretando o samba. É um samba que vai crescer muito. Tenho certeza que vai marcar o Carnaval de São Paulo porque é um partido alto repleto de citações das músicas dela. Vai ser um samba muito positivo”, destacou.

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O diretor também destacou o que a agremiação pediu para o grupo de compositores: “Pedimos para eles um samba dinâmica e fácil. A gente escolheu o refrão do meio com um pedido que eu fiz para o carnavalesco, que encaixasse no refrão do meio. Isso fez com que o samba crescesse ainda mais. A gente passou todas as dicas do que precisávamos ter no samba. E, aí, a caneta correu. A gente nem imaginava que ia chegar esse samba tão bom”, comemorou.

Idealizador e conhecedor

Mente responsável pelo enredo, André Machado foi mais um integrante da escola a ter um sentimento especial em relação à obra apresentada neste sábado: “Eu estou muito feliz com o resultado. Quando eu apresentei o enredo para os compositores, eles foram muito felizes na letra, na melodia. Eu cheguei a postar na internet o quanto me emocionou, eles foram no ponto certinho: eles conseguiram fazer um samba com a cara da Jovelina, com a cara do nosso enredo. As pessoas que gostam de partido-alto vão se sentir nesse ambiente acolhedor, no qual todo mundo pode participar, nem que seja só na palma da mão. E eles conseguiram fazer isso: trazer o que a Jovelina fez em relação à melodia e à métrica da letra. Eu estou muito contente. Eu não sei se vai ser o melhor samba do Carnaval, mas com certeza vai estar entre eles”, exaltou.

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Músicos felizes

Os responsáveis pela parte musical da Joia Rara elogiaram bastante a obra. Carlos Augusto Rezende, popularmente conhecido como Sombrinha, mestre de bateria da “Swing da Madá”, foi um deles: “O samba do Pérola é um dos melhores sambas da história da escola, sem exagero. É um sambaço, gostei demais. É muito representativo para o enredo e remete às obras da Jovelina. Na verdade, o samba é baseado inteiramente nisso. O samba faz a gente viajar, principalmente a gente que gosta de samba e de partido alto, que é a cara da Jovelina. É um baita samba do Pérola”, afirmou.

A dupla de intérpretes também foi só elogios à obra: “Foi impossível não ter gostado! Quando a gente estava fazendo o samba, eu sempre mandava umas coisas pra o Juan. Mesmo ele não ser o compositor, ele também é cantor. Tem que ficar de agrado dos dois, e eu tentei ir para o lado mais próximo da gente. Eu tenho certeza que esse samba vai ser um dos sambas do Carnaval”, comemorou Donato.

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Mais que concordar, Juan Briggs revelou um sentimento de gratidão em relação aos compositores: “Eu já agradeci muito à parceria, já agradeci muito o Lucas pelo samba. É bacana que os sambas do Pérola têm vindo numa crescente: ‘Exu Mulher’ é bom para caramba, com ‘Maria Bonita’ a gente volta para o Especial. E, agora, com a Jovelina Pérola Negra, é mais outro sambaço que eles conseguiram acertar na veia. Está muito bom o samba, está muito bacana. E vai ser muito funcional. Como o Lucas disse, vai ser um dos sambas do Carnaval de São Paulo nesse ano”, disse.

Reflexões do mestre

O ritmista-mor do Pérola elogiou a encomenda de sambas-enredo e a dinâmica da escola em relação à obra: “Prefiro que seja essa forma de apresentação, assim a gente consegue se preparar um pouco mais. A gente acaba ganhando um pouquinho mais de tempo, já tendo a definição do que a gente vai tocar, do que a gente vai apresentar de arranjo e de bossa. Para hoje, a bateria já preparou alguma coisa para mostrar junto com o samba do ano que vem. Isso ajuda muito no start do nosso trabalho”, comentou.

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A imaginação de Sombrinha já está a mil por hora: “Já temos arranjos para o samba do ano que vem. O Pérola não vai fugir muito do que deu certo nos últimos dois anos em relação a BPM e andamento: a gente costuma vir com andamento bem mais para trás, para exaltar bastante o samba, mesmo. Acho que o estilo da bateria do Pérola é esse, mas também tem relação com esse samba de 2027, que pede para que seja um samba mais para trás”, disse.
Ao falar para a expectativa em relação à escola em 2027, o mestre de bateria propôs uma reflexão: “Graças a Deus as expectativas são gigantes e enormes, sempre. A gente trabalha muito para isso. Na verdade, a gente não só não ilude a nossa expectativa: a gente trabalha o máximo para que a gente consiga tornar ela real. Vamos seguir, na luta, com muita humildade, pé no chão e trabalhar bastante”, prometeu.

Samba que facilita a dança

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira do Pérola Negra foi enfático ao falar da obra: “A gente já tinha ouvido o samba antes. Teve uma reunião e chamaram todos os setores e apresentaram ele para a gente. E, de início, logo de cara, a gente já gostou muito. Nos identificamos muito porque a gente já estava trabalhando na coreografia sobre o enredo. É um samba muito bom e forte. A minha expectativa é muito grande em cima dele. Eu tenho certeza de que vai ser um lindo desfile”, destacou Kawê Lacorte.

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Já Nathalia Bete mostrou conhecer a discografia da homenageada: “É um samba muito emocionante, do começo ao fim. Ele nos emociona porque conta a história da Jovelina e, conforme a gente vai ouvindo a história, a gente vai se sentindo parte dela, porque todas as grandes músicas vêm embutidas nesse samba. Partes da nossa vida vão sendo revividas na nossa memória, porque trazem momentos marcantes para nós também. A nossa expectativa é que seja algo maravilhoso, porque o samba está muito lindo. Esse é um samba muito bom, que vai agradar a todo mundo, também”, refletiu.

Alê Batista, coreógrafo da comissão de frente do Pérola Negra, confessou-se exigente, mas destacou a força da obra: “O samba-enredo é maravilhoso, e olha que tenho muita dificuldade de gostar logo de cara. Mesmo os sambas que mais gosto eu demorei um pouco para gostar. Esse não: ele já veio, já bateu e ficou. Vejo muitas oportunidades e, ao mesmo tempo, é um desafio, porque é um samba alegre, é um samba para cima, e estou pensando que a velocidade da nossa comissão vai ter que ser um pouquinho mais acelerada”, adiantou.

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Planejamento em dia

A dupla responsável por conduzir o pavilhão principal da escola já destacou que a apresentação para o desfile já está sendo treinada: “A nossa cabeça está cheia de ideias, mas, com a nossa preparadora Ana Reis, a gente vai ensaiar, montar e elaborar essa coreografia para, na próxima vez que a gente for dançar, já ter essa coreografia montada. Hoje, a gente vai só no balanço, mesmo: para sentir mais a comunidade, a energia que eles vão passar para a gente. Aqui, tudo é uma união”, comentou Kawê.

Novamente mostrando empolgação com o enredo, Nathalia comentou o quanto faixas da cantora irão se mostrar presentes na dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira: “Para o próximo desfile, a gente separou algumas músicas que ouvimos, gostamos, os identificamos e trabalhamos em cima delas. Dentro da nossa coreografia, já na pista, a gente colocou algumas coisas que remetem a isso. E, mais uma vez, se for uma coisa simples, não é a nossa cara. A gente vai inovar!”, prometeu.

Evento especial

A Feijoada de Aniversário do Pérola Negra teve diversas atrações. Para celebrar os 53 anos da agremiação, o evento começou com o prato típico de celebrações de sambistas ao som de Pê Santana e Fabiano Sorriso em apresentação especial; logo depois, foi a vez do grupo Segunda Sem Lei.

O show da agremiação começou com o esquenta da Swing da Madá e com a apresentação de nomes importantes para o próximo ciclo. Joyce Rocha e Tácia Gonçalves seguem como Rainha de Bateria e Musa da Ala Musical, e elas terão a companhia de Raíla Aguiar como Musa da Bateria, Ana Pentz como Madrinha da Bateria e Milene Gonzalez como Rainha da Escola. Destaques de Chão também foram apresentados, e os segmentos da agremiação (Velha Guarda, Baianas, Comissão de Frente e Passistas) também se fizeram presentes. Após a despedida de “Valei-me cangaceira arretada, Maria que abala é gira valente e Bonita que vence demanda” e da troca do pavilhão de enredo, a escola apresentou os protótipos para o desfile de 2027.

Sambistas avaliam estrutura e organização da Noite dos Enredos na Cidade do Samba

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Foto: Divulgação/Rio Carnaval

Para o sambista de coração, carnaval é todo dia, independentemente das condições climáticas. A Cidade do Samba recebeu, na última sexta-feira, a “Noite dos Enredos”, evento em que as 12 escolas do Grupo Especial mostram o que vão apresentar no próximo ano na Marquês de Sapucaí. Os alertas de ventos fortes e seus impactos não atrapalharam o público de vivenciar esse momento tão especial. A entrada foi a doação de 1kg de alimento não perecível para curtir um pedaço desse carnaval fora de época. Para Lina Sodré, de 41 anos, gerente em uma corretora de seguros e torcedora da Vila Isabel, algumas mudanças já na entrada do evento chamaram atenção, como a organização das filas, a entrega dos alimentos e a distribuição de brindes.

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“Desde o início, quando eu cheguei, para quem tem ingresso, o acesso é bem rápido, um pouco diferente para quem iria fornecer ali o alimento. A organização também está bem diferente do outro ano. Tem uma situação ali na entrada que é muito diferente dos outros. Com distribuição de brindes, falando dos enredos, apresentando mais as escolas para dar aquele primeiro impacto do que vai ser apresentado na avenida”, disse.

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Lina Sodré, de 41 anos, gerente em uma corretora de seguros e torcedora da Vila Isabel, algumas mudanças já na entrada do evento chamaram atenção. Fotos: Victor Correia/CARNAVALESCO

Emerson Felipe, de 22 anos, apaixonado por todas as escolas, sentiu uma diferença no público do evento. Para o ator, em 2026, o evento estava bem mais cheio, o que atrapalhou em alguns momentos, como nas filas e na limpeza, mas não o impediu de aproveitar a noite.

* VEJA AQUI: Quem mostrou que pode chegar forte? Festa dos Enredos deixa recados importantes para o Carnaval 2027

“A questão dos banheiros e da limpeza, eu acho que, da mesma coisa do ano passado, não está muito limpo, mas também parece que, este ano, está tudo muito mais cheio e acaba impactando nos outros pontos. As filas ficaram mais demoradas para pegar uma água ou outra coisa para beber, assim como você me perguntou das filas do ano passado. As filas aparentavam ser mais fluidas no ano passado, poderiam ter corrido melhor, mas não é algo que dê para controlar tanto”.

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Emerson Felipe, de 22 anos, apaixonado por todas as escolas, sentiu uma diferença no público do evento

A portelense há quase duas décadas, Camila Rodrigues, de 41 anos, compartilhou que a estrutura do evento para o componente aprimorou muito, além do espetáculo visual das escolas, ampliando a experiência do evento.

“A grandiosidade também do espetáculo, que, por si só, já é maravilhosa, ficou muito boa. A gente tem esses eventos aqui na Cidade do Samba, e poder viver o carnaval 100% igual desfilante não tem preço. A estrutura no geral melhorou. Feliz de estar aqui e que venham mais eventos como esse”.

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Camila Rodrigues, de 41 anos, compartilhou que a estrutura do evento para o componente aprimorou muito

Outro ponto que os sambistas frisaram bastante foi a questão da decoração do evento. O produtor, torcedor da Grande Rio, Victor Lorencini, de 32 anos, destacou esse ponto. A inspiração artística na Cidade do Samba atraía o olhar de quem chegava.

* VEJA AQUI: Gabriel David recebe bem sugestão de Capitão Guimarães para mudar ordem do Sábado das Campeãs

“Estou achando tudo muito lindo. Desde a entrada, dá para ver a grande infraestrutura. Eles capricharam na decoração e já dá um gostinho para a gente começar o varnaval, mesmo em agosto. Em comparação a outros eventos aqui na Cidade do Samba, aos quais já vim, eu senti uma crescente na organização. Com o passar dos eventos, a estrutura foi se aprimorando para se encaixar na demanda do público”.

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Produtor, torcedor da Grande Rio, Victor Lorencini, de 32 anos, destacou decoração

A “Noite dos Enredos” foi apenas um dos primeiros “gostinhos” para o carnaval de 2027. Além da apresentação das escolas, o evento contou com rodas de samba e stands das agremiações, com itens para venda e brindes. A festa terminou só na madrugada do dia seguinte, do jeito que o sambista gosta.

Monarco faz Portela viver emoção nos bastidores: ‘A gente chora muito’, diz diretora de carnaval

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Foto: Victor Busch/CARNAVALESCO

A diretora de carnaval da Portela, Elisa Fernandes, revelou durante o “Samba-Enreda”, deste sábado, no Renascença Clube, uma emoção enorme ao fazer o carnaval da escola para o próximo ano, quando a agremiação de Oswaldo Cruz e Madureira homenageará mestre Monarco, de quem é afilhada musical.

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“Tenho uma relação profundamente pessoal com ele. Monarco foi meu padrinho musical, uma figura que acompanhou minha trajetória desde a adolescência, ocupando um lugar quase ancestral em minha vida””, disse.

Elisa falou também sobre a importância que o homenageado tem para a escola, em que foi presidente de honra até o seu falecimento, em 2021.

“Para a Portela, ele representa muito mais do que um nome; era a figura acolhedora, o mestre que orientava com rigor quando necessário, sempre zelando pela excelência da escola”.

A diretora portelense também falou sobre a renovação que a Portela está passando após o carnaval de 2026, quando a escola ficou na 10ª colocação, após uma transição de gestão, fazendo com que a azul e branca abra a última noite de desfiles na terça-feira de carnaval.

“Portela vive hoje um momento de renovação sob uma nova gestão, que assume o desafio de realizar um carnaval de transição, um processo sempre complexo. O projeto atual é a oportunidade de consolidar um ciclo de trabalho e mostrar a que veio essa nova administração”.

E, quando foi comentar a preparação para o carnaval do próximo ano, ela se emocionou ao falar de como está sendo preparado o desfile da escola e que, a cada dia, é um choro no barracão. Ela brincou que, se não tivesse saído da Unidos da Tijuca, onde era diretora de carnaval em 2026, iria pedir ao presidente Fernando Horta uma licença para desfilar pela Portela por causa do enredo sobre o baluarte.

“Não sei se essa emoção vai ser dimensionada. A gente chora muito lá na Portela, está difícil, porque são muitos os momentos de emoção. Eu acho que até o carnaval a gente vai estar um pouco mais equilibrado, eu acho”.

Eisa citou o “quesito” emoção que vem sendo tocado pelas escolas, dando como exemplo a Beija-Flor e a Viradouro, que falaram sobre Laíla e Ciça, em 2025 e 2026, respectivamente, dizendo que são pessoas do samba.

“Eu acho que o diferencial do Laíla, do Ciça e agora do Monarco é que são realmente pessoas nossas. E a gente se vê nessa distância, nesses elementos. Isso pode trazer uma emoção a mais”.

Gabriel David recebe bem sugestão de Capitão Guimarães para mudar ordem do Sábado das Campeãs

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Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

A abertura para novas ideias e o debate entre diferentes gerações são, para Gabriel David, parte do processo de evolução do Carnaval. O presidente da Liesa contou ao CARNAVALESCO que recebeu de forma positiva a sugestão do Capitão Guimarães para alterar a ordem dos Desfiles das Campeãs e defendeu que propostas que possam contribuir para a festa sejam discutidas pela instituição.

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Atualmente, as escolas entram na Avenida em ordem inversa à classificação, com a sexta colocada abrindo a noite e a campeã encerrando o desfile. O patrono da Unidos de Vila Isabel e um dos fundadores da Liesa, Capitão Guimarães, propôs uma mudança na ordem de apresentação. A ideia é que a quarta, a terceira, a segunda e a primeira colocadas desfilem no início da noite, enquanto a quinta e a sexta escolas encerrem a programação. A sugestão busca evitar que o público, que paga valores altos pelos ingressos, se canse antes da “principal” atração da noite: a escola campeã.

“Eu acho que todas as sugestões de alteração sempre têm que ser debatidas. Tudo que é de evolução para o carnaval é superimportante. É muito legal a gente ter pessoas de tantas gerações diferentes, principalmente o Capitão, que é um cara que conhece não só a Liesa, mas o carnaval e a escola de samba profundamente, pensando em escola de samba até hoje. Isso é o que permite que a Liesa possa estar sempre evoluindo”, afirmou o presidente da Liga.

É esse contraste entre diferentes gerações que Gabriel considera importante para o carnaval, não apenas dentro da Liesa, mas também nas quadras das escolas.

“A velha guarda sempre tem que ser ouvida, respeitada e ter o seu lugar de protagonismo. Mas que legal que a gente também pode estar sempre impulsionando para que novos sambistas, ritmistas e passistas possam surgir. Acho que esse é o universo do carnaval. Essa é a verdade que o carnaval tem que ter. E não pode ser diferente na Liesa”, analisou.

Novidades no Rio Carnaval

Com o início dos eventos oficiais do Carnaval 2027, como as disputas dos sambas-enredo nas quadras das escolas, a Noite dos Enredos e o lançamento do samba do Tuiuti, realizado na Cidade do Samba, a Rio Carnaval lançou uma nova plataforma de transmissão de eventos dentro do YouTube, voltada à divulgação dessas programações. E o presidente garante que os sambistas apaixonados por carnaval podem esperar a maior produção de conteúdo carnavalesco já realizada.

“É o principal investimento do ano que a LIiesa está fazendo, com o objetivo principal não só de mostrar os bastidores do carnaval, mas mostrar quem faz os bastidores, os artistas invisíveis dessa festa. Quem está aqui no barracão ninguém vê, quem está nas quadras todos os dias ninguém vê. E comprovar algo que todos nós que estamos no carnaval já sabemos, mas, para quem não é tão próximo assim, ter certeza absoluta de que o carnaval não se faz de novembro para frente. O carnaval não para, senão não entrega esse nível de espetáculo que a gente está vendo todos os anos”, compartilhou.

Entre as próximas programações do calendário carnavalesco carioca estão os minidesfiles, realizados em comemoração ao Dia Nacional do Samba, no fim de novembro. Gabriel conta que as novidades para o evento ficarão a cargo das escolas, garantindo o suporte da instituição às ideias que forem apresentadas.

“O nosso trabalho é evoluir a produção, como a gente tem evoluído. Se você comparar a Noite dos Enredos do ano passado para este ano, vai ver ali a lojinha, a ativação das escolas, tudo o que está acontecendo. É essa evolução que vai ter na Noite dos Enredos. Mas as surpresas estão com as escolas”, esclareceu.

Regulamento e acesso ao Grupo Especial

O Carnaval de 2027 já está em pauta muito antes do início oficial dos desfiles. Desde o fim do Carnaval de 2026, a Liesa, a Liga-RJ e a Prefeitura do Rio iniciaram uma série de discussões sobre o rebaixamento das escolas do Grupo Especial e o acesso da Série Ouro, tendo em pauta o número de escolas que subiriam ou seriam rebaixadas.

O acordo definiu uma mudança gradual na estrutura do Grupo Especial, que seguirá com 12 escolas em 2027 e será ampliado progressivamente até chegar a 15 agremiações em 2030. A partir da mudança, duas escolas da Série Ouro passarão a subir para o Grupo Especial, enquanto uma será rebaixada.

Gabriel afirma que o regulamento do Carnaval 2027 já está aprovado e que, neste momento, não há nenhuma alteração em pauta. Quanto à subida de escolas do Grupo de Acesso, o presidente reforça que a definição atual segue o que está previsto no regulamento e que a instituição não mudou de opinião acerca da decisão.

“Antes era um convite para aquele momento. Agora a gente vai se basear no resultado do próximo ano. Foi uma mudança de regulamento, conversaram com o prefeito, hoje está aprovado. É a subida das duas primeiras colocadas ao Grupo de Acesso”, defendeu.

Possível reeleição

Apesar da aprovação das lideranças do Grupo Especial à atual gestão, Gabriel afirma que o foco, neste momento, está no Carnaval de 2027. Sobre uma possível permanência à frente da Liesa, diz que a eleição será discutida somente após os desfiles.

“A gente sempre tem que planejar o futuro, mas eu acho que o momento de planejamento é do Carnaval de 2027. Depois do Carnaval de 2027, vamos pensar em eleição da Liesa. Mas hoje eu estou na minha diretoria e só estou pensando em fazer o melhor carnaval da história, que é o de 2027”, refletiu.

Quem mostrou que pode chegar forte? Festa dos Enredos deixa recados importantes para o Carnaval 2027

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A festa dos enredos para o Carnaval 2027 mostrou que as escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro estão dispostas a transformar as apresentações de seus projetos em verdadeiros espetáculos. Entre emoção, teatralidade, dança, cenografia e recursos tecnológicos, as agremiações apostaram em diferentes caminhos para apresentar ao público as histórias que levarão à Marquês de Sapucaí. Algumas foram além da missão de explicar o enredo e entregaram momentos de forte impacto artístico, enquanto outras deixaram a sensação de que poderiam ter explorado ainda mais a riqueza de suas narrativas.

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UNIÃO DE MARICÁ: Abriu a noite na Cidade do Samba e pisou forte! Um componente representou Darcy Ribeiro, homenageado no enredo. A escola optou por contar o enredo de forma linear e didática. Ponto favorável, já que essa é a principal função do evento. Quem esperava uma extravagância de luxo e efeitos pirotécnicos viu uma escola de samba focada em mostrar que tem orgulho do enredo que levará para a Avenida em 2027. Uso muito bem feito do telão, com imagens que remetiam ao tema. Bonito o encontro do personagem Darcy com o casal Julinho e Rute. Promessa de uma estreia inesquecível no Grupo Especial do Rio de Janeiro.

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BEIJA-FLOR: O portal Caruana e Nilópolis segue aberto. A entrada de Dona Zeneida, aos 92 anos, homenageada do enredo, levou os presentes na Cidade do Samba às lágrimas. Sem dúvida, foi o momento mais emocionante da noite. Os componentes juntos no palco, cantando “Deusa da Passarela”, proporcionaram outro momento espetacular. É a família 100% Beija-Flor, a comunidade mais forte e representativa do carnaval, com Pinah e Neguinho presentes. O samba de 1998 funcionou como trilha da apresentação nilopolitana. Um grande trabalho artístico, tanto de figurino quanto de cenário. Porém, a exibição foi mais baseada na dança. Inclusive, teve o carimbó, do Pará, mas poderia explorar mais a teatralização do grande enredo para o Carnaval 2027.

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PARAÍSO DO TUIUTI: A escola de São Cristóvão caprichou no cenário da apresentação, levando grandes esculturas para o palco. Impecável! Uso muito bom do telão para explicar o enredo. A leitura do enredo é uma das mais fáceis para o desfile do ano que vem. Houve muita dança, mas poderia ter mais teatralização, aproveitando melhor a história de Tia Ciata. Acerto total fechar a apresentação com o samba-enredo oficial para 2027. Sem dúvida, a obra já desponta como uma das melhores do ano.

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VILA ISABEL: Trabalho cênico magnífico. Ficou clara a potência plástica que os carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad poderão utilizar em 2027. Uso bonito da iluminação e da projeção dos integrantes no palco. Porém, houve muita dança, mas a teatralização e a oportunidade de contar o belo enredo para o desfile de 2027 foram pouco exploradas. Torto Arado oferece uma grande proposta estética e, acima de tudo, uma história densa e muito cultural. Muito bonito o intérprete Gera, no encerramento, cantando os sambas de 1989 e 1990. Sinal de que a Vila está engajada e voltada para si e para sua história de enredos e sambas políticos.

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MOCIDADE: Proposta muito atual da Estrela Guia de Padre Miguel. Defesa e orgulho do Sul. Proposta de marcar posição que cai perfeitamente no trabalho do carnavalesco Jack Vasconcelos. A escola formou o mapa invertido e trouxe bandeiras dos países latinos para o palco da Cidade do Samba. Um dos pontos altos foi a performance de uma cantora caracterizada como Gal Costa, cantando “Brasil, Mostra a Sua Cara”. Espetáculo do intérprete Evandro Malandro cantando “País Tropical” para a dança do casal Diogo e Rafaela.

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UNIDOS DA TIJUCA: Como no ano passado, mais uma vez, a escola do Borel faz uma apresentação técnica, explicativa e com emoção. A missão foi 100% cumprida: apresentou o enredo para o desfile do ano que vem. Uso muito adequado da teatralização e da dança. Um realismo fantástico. Trabalho potente, em um outro estilo, diferente de 2026, mas ainda seguro e que atende perfeitamente ao discurso que o carnaval pede atualmente. Novamente, entrou no grupo das melhores da noite.

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SALGUEIRO: Exibição espetacular da Academia do Samba. Recordar é viver, e o Salgueiro foi além. Aula técnica e com emoção, inclusive, lembrando o samba histórico de 1963. Abriu com a Xica que foi consagrada na Avenida, mostrou toda a potência da pombagira e encerrou com “sangue novo”, vitória e discurso forte e superadequado ao momento. A Xica que muitos não conhecem promete ser uma oportunidade salgueirense para fazer história na Marquês de Sapucaí. O Salgueiro deu o recado de que o sonho do décimo título não é utopia. Pelo contrário, é real. Afinal, Xica pode tudo!

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IMPERATRIZ: Deixou claro para todos que é uma das favoritas aos primeiros lugares em 2027. O estilo avassalador segue presente. Trabalho harmônico impecável. Pitty de Menezes e a ala musical foram fundamentais para o sucesso da apresentação. A cada laroyê do intérprete, a boneca respondia. Arrepiante! Dona Júlia, em uma caixa com a palavra “frágil”, arrancou suspiros do público. Ela evoluiu, dançou e fez a saudação para o pavilhão gresilense. Figurinos exuberantes. Qualidade padrão da gestão da presidente Cátia Drumond. Encerramento no nível mais alto possível, com os potentes sambas da escola de Ramos. A “macumbada de Leandro Vieira” desponta como um dos desfiles mais aguardados de 2027.

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PORTELA: Paulo Barros está em casa na Águia. A ideia do uso de IA (Inteligência Artificial) funcionou muito bem na “conversa” entre o carnavalesco e Monarco. Impactante! Ousado! Moderno! Foi Paulo Barros na veia. Em nenhum momento desrespeitoso. Pelo contrário, foi visível a emoção do artista e da esposa do homenageado, Olinda, presente no palco. A Velha-Guarda portelense cantou e emocionou. A exibição poderia abrir mais a setorização do desfile e a história que será abordada pela escola. Paulo Barros, artista que revolucionou os desfiles, não entra apenas para participar: ele mexe com todos e gera debates e mais debates. O ano de 2027 será de pura emoção!

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VIRADOURO: Tem que aturar! A atual campeã do Grupo Especial fez uma exibição brilhante. Seguiu a cartilha da nota 10 perfeita. Apresentou o enredo com muitos detalhes explicativos. Deu sinal de que o bi é muito possível. Um componente representando o griô comandou a apresentação. Fundamental a entrada de Exu, Nanã e Iroko para contextualizar a cultura de contar histórias. A rainha de bateria, Bellinha Delfim, participou ativamente, sambando em todos os sambas cantados como homenagem às outras 11 escolas do Grupo Especial. Ciça, homenageado de 2026, acompanhou tudo do palco. Lindo reconhecimento da Viradouro para todos os sambistas, que um dia vão ser baluartes, e da importância das escolas em contarem suas histórias. Todos os logos dos enredos de 2027 fecharam a exibição.

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GRANDE RIO: Linda imagem no telão na abertura. O pássaro abraçando o retorno. A escola trabalhou mais a dança do que a teatralização. Houve capricho nos figurinos. Linda entrada do casal Daniel e Taciana. A bandeira de Gana esteve presente com os componentes de Duque de Caxias. Foi possível ver a diversidade plástica que poderá ser utilizada pelo carnavalesco Antônio Gonzaga. Promessa de um banho de africanidade. O intérprete Ito Melodia cantou forte e mostrou que está totalmente adaptado ao sentimento caxiense. O histórico samba de 2022 não podia faltar no encerramento da exibição.

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MANGUEIRA: Abertura impactante da Verde e Rosa. Teve trovoada e o búfalo. Feroz e, ao mesmo tempo, protetor. Sinal da Mangueira de que representatividade não faltará no desfile do ano que vem. Trabalho cenográfico de alto gabarito, e a performance na dança também merece elogios. Poderia explorar mais a teatralização. Um dos momentos mais emocionantes da noite foi Oyá abençoando o pavilhão e entregando-o para a porta-bandeira Cintya Santos. Simbolismo espetacular! Poderosa, a rainha de bateria Evelyn Bastos surgiu e deu espetáculo no palco. A Cidade do Samba explodiu de felicidade quando o intérprete Dowglas Diniz cantou o samba de exaltação para encerrar o show da Estação Primeira.

Análise: Veja como se saíram os 10 sambas classificados para a próxima fase da Beija-Flor de Nilópolis

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Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A fase de eliminatória de samba-enredo já começou em Nilópolis. Na última quinta-feira, de 16 sambas apresentados, 10 foram classificados para a próxima fase, dando início à busca pelo hino do próximo desfile da Beija-Flor. Em 2027, os nilopolitanos levarão à Sapucaí o enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, uma homenagem à Zeneida Lima, a última pajé marajoara. O enredo trata da força de uma mulher, da misticidade e das encantarias. Abaixo, a análise do CARNAVALESCO dos dez sambas classificados.

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Parceria de Neilson Ribeiro: O samba da parceria de Neilson Ribeiro, Baninho e Rivarola Borges foi interpretado por Marquinhos Silva e foi o segundo a se apresentar na quadra da Beija-Flor. A letra segue o mesmo conceito da sinopse, com a própria Zeneida contando sua história, com ênfase na relação dela com a natureza e a fé. A preparação para o segundo refrão foi o momento que mais chamou atenção: Zeneida se identifica e, em seguida, chega o refrão trazendo referências às vivências dela no Pará. A letra resgata o nome do enredo, citando o pó de louro. Outro momento que chama atenção é a forma como o primeiro refrão se apresenta, com uma melodia mais acelerada. Por ser a primeira apresentação, o carro de som precisou de uma “colinha”, então eles não conseguiram manter todos cantando durante a passagem: um parava e os outros continuavam. Era como se eles ainda estivessem se familiarizando com os versos, o que pode ser prejudicial nas outras fases, caso não treinem.

Parceria de Lucas Gringo: O samba da parceria de Lucas Gringo, Theo M. Netto, Luiz W. e Ricardo Bheringer foi o quinto a se apresentar. Interpretado por Lucas Gringo, a passagem foi consistente, com a potência exigida pelo samba. Seus versos retratam a potência que Zeneida carrega consigo, a forma como seus caminhos já eram predestinados e como, atualmente, ela lida com toda essa responsabilidade. Os versos em destaque são: “Sabedoria da folha sagrada, a voz que me chama ecoa na mata”, “O meu canto viu refúgio no manto de Nazaré. Eu sou Zeneida, força da mulher” e “Fiz da natureza escola”. Além disso, o samba também faz citações à agremiação, o que aproxima os nilopolitanos da obra.

Parceria de Picolé da Beija-Flor: O samba da parceria de Picolé da Beija-Flor, Alencar de Oliveira, André Freitas, Serginho do Porto, André Fullgaz e William Ramos foi o sétimo a se apresentar nesta quinta-feira. Interpretada por Serginho do Porto, ao lado do carro de som, a passagem foi realizada com vigor, mantendo-se firme do início ao fim. A letra explica a representação do pó de louro para Zeneida, quando a homenageada sofreu preconceitos, foi intitulada como bruxa e mostra o papel de Nossa Senhora de Nazaré em sua vida. Entre os versos que se destacam estão: “Pelo conhecimento que o espírito me deu! Abracei o chamado que o tempo escreveu”, que antecede o refrão: “Que Mundico abençoe a minha consagração. Na pajelança, corpo, alma e proteção”.

Parceria de Sidney de Pilares: O samba da parceria de Sidney de Pilares, Pedro Marajoara, Dudu Nobre, Marcelo Lepiane, Salgado Luz e João Conga foi o nono a se apresentar. Interpretado por Igor Vianna e Igor Sorriso, a passagem foi potente, mas também contou com o auxílio da “colinha”. Apesar dos refrões de fácil assimilação, os versos são mais densos, o que exige maior atenção do público durante o aprendizado. O samba se refere a momentos da vida de Zeneida, como a forma como seus caminhos estão interligados com a natureza e quando ela superou e se reergueu do período em que era julgada como bruxa. O segundo refrão é de fácil aprendizado, pois utiliza o recurso da repetição junto com uma melodia mais animada: “De pajé pra pajé vou curar esse mundo repleto de dor”. A melodia do refrão principal lembra um pouco a do refrão principal de “Bembé”, com a sensação de animação e o movimento de giros, sejam eles com o corpo ou com o braço: “Firma a curimba na gira do carimbó! (2x) É a pajelança nilopolitana. O meu Beija-Flor incorpora caruana”.

Parceria de Júnior Trindade: O samba da parceria de Júnior Trindade, Samir Trindade, Laura Romero, Cleiton Roberto, Doguinha Guaracimir e Marcão da Gráfica foi o décimo primeiro a se apresentar. Interpretado por Bruno Ribas, o samba foi mais um destaque, pois se manteve em ritmo potente durante toda a apresentação. Seus versos passam por diversos momentos marcantes da vida espiritual de Zeneida, desde sua experiência com os seres azuis até a sua fé em Nossa Senhora de Nazaré. A melodia é marcante e se destaca no verso: “Mãe luz de Nazaré, me mantém de pé na esperança. Por Deus, pelos ancestrais, nas lutas sociais, proteja as crianças”, pois traz emoção ao cantar, justamente por ser uma oração comum no dia a dia daqueles que buscam forças e abrigo na fé. Além disso, a referência às tradições do Pará no último verso, além de chamar atenção, traz a reflexão de combater o mal com o bem e é fácil de aprender, devido à sua rima: “É carimbó, ô roda saia, é siriá. O canto e dança tradição do meu Pará. Contra a Inquisição, faço ritual, rezo pra quem me fez o mal”.

Parceria de Marquinhos Beija-Flor: O samba da parceria de Marquinhos Beija-Flor, Cláudio Russo, Chacal do Sax, Rômulo Massacesi, Júlio Alves e Léo Freire foi um dos destaques da noite. Interpretado por Pixulé, o samba foi o décimo segundo a se apresentar e foi bem recebido pela comunidade nilopolitana. Sua alta energia contagiou os presentes. O refrão principal tem efeito chiclete, ou seja, fica guardado na memória com maior facilidade devido à repetição de “Incorpora, Caboclo”. Nesse mesmo verso, há referências ao pó de louro e à comunidade da agremiação, reafirmando o pertencimento deles. Ainda seguindo essa lógica de pertencimento, o verso que antecede o refrão também segue essa proposta: “Zeneida, soberana, campeã”, fazendo referência ao legado da homenageada e da agremiação. O samba cumpre o pedido da escola de ser uma obra forte, que interligue a vida da pajé com os nilopolitanos e mostre a potência feminina que Zeneida representa.

Parceria de Diogo Rosa: A parceria de Diogo Rosa, Júlio Assis, Kirraizinho, Manolo, Clay Ridolf e Dr. Luiz Claudio foi a décima terceira a se apresentar nesta quinta-feira. O samba, interpretado por Tinga, manteve alta energia durante toda a apresentação. A melodia se encaixou com a letra e a obra cumpre o pedido da agremiação de ser um samba de identificação. A letra conta a relação de Zeneida com a educação e com a fé, além de interligar o Marajó com a Baixada, sendo um ponto alto para a forma como a comunidade nilopolitana o receberá, pois é clássico nos sambas da agremiação reafirmar o pertencimento da região: “Chama Karuana, que a Baixada incorporou. Chama Karuana, que a Baixada é Beija-Flor”. Outro momento que se destacou foi o verso antes do primeiro refrão, em que Tinga, junto ao carro de som, foi elevando a energia e acelerando gradativamente até o refrão. Além de serem complementares, o refrão é a continuação do que foi dito antes, o que facilita a compreensão dos ouvintes.

Parceria de Junior PQD: O samba da parceria de Júnior PQD, Ailson Picanço, Junior Billy Mandy, Geraldo M. Felício, Marquinho Paloma e Marcelo Moraes foi o décimo quarto a se apresentar na quadra da agremiação. Interpretado por Pitty de Menezes e Wic Tavares, esse samba também foi um dos destaques da noite. Os cantores mantiveram a energia em alta durante toda a apresentação, todos sabendo a letra de cor. O samba tem muitas referências ao Marajó e retrata, principalmente, a relação de Zeneida com a natureza e a fé. Isso é percebido nos versos: “Sem medo nós vamos lutar, ela que vem aos saberes da mata por seus caruanas, letrada… anunciar” e “Peço à mãe de todos a bravura de Zeneida”. O refrão principal é fácil de aprender, porque, além da repetição de “Ê pajé! Traz a força de auí”, há uma rima que facilita a compreensão.

Parceria de PC Feital: O samba da parceria de PC Feital, Igor Leal, Maicon Willian, Fabian Juarez, Eli Penteado, Dinho PQD, Neilson Ribeiro, Baninho e Rivarola Borges foi o décimo quinto samba a se apresentar. Devido à ausência do intérprete oficial, os cantores Paulo Bisto, Wander Timbalada e Roberta Barreto fizeram a interpretação e entregaram o que o samba pede: canto contido, um sentimento mais maduro e uma entonação que atrai à reflexão. A letra retrata a posição de Zeneida como curandeira, a maneira como a natureza anda lado a lado com a homenageada e a esperança que as crianças trazem. Essas características são perceptíveis nos versos: “Abençoando essas crianças, que são o futuro do Brasil” e “Sou eu, que incorporo a cura das ervas, que protege a floresta das trevas”. O trecho antes do segundo refrão também é um dos pontos altos desse samba: é um aviso de que o refrão (momento de festejar) está chegando: “Assim me tornei pajé, com as bênçãos de Nazaré, a pajelança vai começar”.

Parceria de Márcio França: O samba da parceria de Márcio França, Fábio Leite, Rodrigo Tinta, Guinho, Cleissinho Teixeira e Eduardo Amsterdam encerrou a primeira noite da disputa de sambas da Beija-Flor. Interpretado por Ronaldo Junior, com apoio do carro de som, a passagem manteve alta energia do início ao fim, dando destaque ao refrão principal. Assim como a sinopse, os versos são em primeira pessoa: é Zeneida, mais uma vez, contando sua história de vida. Os versos destacam a relação da homenageada com a natureza e Nossa Senhora de Nazaré, além de citar como superou a maldade: “Sou filha da mata, a cura, o vento”, “Não me curvei sob a maldade, não sucumbi à perseguição”, seguido de “Protegi minhas verdades, carregando minha fé, nos braços de Mãe Nazaré”.