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Tomate detalha projetos da Liga-SP para o Carnaval 2027 e reforça foco no conforto dos sambistas

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Foto: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

O presidente da Liga-SP, Renato Remondini (Tomate), conversou com o CARNAVALESCO durante a Festa Julina. O dirigente falou sobre as ações que a entidade pretende implementar visando ao conforto dos sambistas e à melhoria da experiência do público com o carnaval. Entre os temas abordados estiveram a alteração na Festa Julina, a Festa de Lançamento dos Sambas-Enredo, o projeto audiovisual, os ensaios técnicos em dezembro, a seleção de jurados e os critérios de julgamento. Tomate detalhou cada um desses assuntos.

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Alteração na Festa Julina

O dirigente da Liga-SP comentou sobre a mudança da Festa Julina para apenas um dia, já que, nas edições anteriores, o evento era realizado durante todo o fim de semana. “Neste ano tivemos a questão da agenda da Copa do Mundo, que impactou diretamente a disponibilidade dos artistas. Diante desse cenário, optamos por realizar a festa em apenas um dia, mas com uma grande atração, o Péricles. Também valorizamos as apresentações das escolas de samba. Além disso, tivemos shows de sertanejo, forró e quadrilhas, oferecendo atrações para todos os públicos. Também ampliamos o horário da festa, que começou mais cedo e terminou mais tarde, para que todos pudessem aproveitar melhor a programação”, explicou.

Lançamento dos Sambas: objetivo de um conforto maior

Projetando os próximos eventos, Tomate falou sobre a mudança no maior evento realizado na Fábrica do Samba: o Lançamento dos Sambas-Enredo. De acordo com ele, a alteração foi pensada para evitar o desgaste e prestigiar todas as escolas. A proposta foi colocada em votação e aprovada pelos presidentes das 32 agremiações. “O lançamento dos sambas em um único dia sempre foi um sucesso, mas também é um evento muito desgastante. A imprensa acompanha do início ao fim, as equipes trabalham praticamente o dia inteiro e ainda existe toda a preparação, que começa nas primeiras horas da manhã. No total, são quase 16 horas de evento. Também entendemos que colocar uma escola para se apresentar às 14h não é o melhor cenário, tanto para o público quanto para as próprias agremiações. Por isso, decidimos iniciar a programação mais no fim da tarde de sábado, com o sol mais baixo, e dividir as apresentações entre sábado e domingo. Assim conseguiremos manter a Fábrica do Samba cheia nos dois dias e oferecer um evento menos cansativo para o sambista que deseja acompanhar todas as escolas. Essa proposta foi apresentada aos presidentes das 32 agremiações, que aprovaram a mudança. Tenho certeza de que, se o formato de um dia já era um sucesso, o de dois dias também será, respeitando ainda mais o público”, declarou.

Continuação do projeto audiovisual

Sucesso nos últimos anos, acumulando milhões de acessos, o mandatário afirmou que o projeto audiovisual terá continuidade. “O projeto irá continuar. Vamos contemplar novamente as 32 escolas. No ano passado conseguimos incluir o Grupo de Acesso 2 e, neste ano, repetiremos esse formato. Talvez iremos promover algumas mudanças no cenário e na forma de gravação para elevar ainda mais a qualidade do material produzido. Esse é o nosso objetivo”, comentou.

Ensaios técnicos em dezembro

Há bastante tempo o carnaval paulistano não recebia ensaios técnicos no mês de dezembro. Entretanto, na última semana, a Liga-SP divulgou que seis escolas realizarão seus treinos no dia 19 de dezembro. De acordo com Tomate, a medida foi adotada para facilitar a dinâmica das agremiações do Grupo de Acesso 2. “O Grupo de Acesso 2 estava diante de duas possibilidades: realizar ensaios em dezembro e ter poucas datas em janeiro ou deixar de ensaiar para que seus desfiles acontecessem uma semana antes, algo que já se mostrou muito importante para as escolas. Como o Carnaval de 2027 será realizado muito cedo, não havia outra alternativa. Já tivemos ensaios técnicos em dezembro em outros anos e a experiência foi positiva. A expectativa é de um Anhembi lotado, porque o sambista passa praticamente um ano esperando esse momento. Teremos escolas tradicionais, como Nenê de Vila Matilde, Unidos do Peruche e as demais agremiações do Grupo de Acesso 2, proporcionando um grande espetáculo”, afirmou.

O presidente disse que a Liga-SP enfrentará desafios para deixar o Anhembi preparado nessa data, mas garantiu que a equipe trabalhará para superar essas dificuldades. “A pista já foi totalmente reformada. O principal desafio será a montagem da estrutura complementar do Anhembi, que precisará ser instalada em poucos dias e não vai ser fácil. Vamos nos dedicar em cima disso. Certamente identificaremos alguns pontos que poderão ser ajustados após o primeiro ensaio técnico, mas vamos trabalhar para receber o sambista da melhor maneira possível, oferecendo conforto, organização e respeito”, completou.

Seleção de jurados

Pensando no julgamento do Carnaval 2027, Tomate revelou que a Liga-SP iniciou uma nova etapa para selecionar novos jurados. Poucos deixaram o quadro, e novos julgadores ocuparão essas vagas.

´”Neste momento iniciamos um novo processo de reciclagem e formação dos jurados. Poucos deixaram o quadro. Dois saíram por decisão própria e outros três por entendimento dos presidentes das escolas. Recebemos quase 300 inscrições e, após uma primeira seleção, os candidatos iniciam um período de treinamento. Depois, os aprovados passam a integrar o quadro de jurados e aqueles que obtiverem as melhores avaliações serão escalados para o julgamento oficial. Todo esse processo é acompanhado pelos representantes das 32 escolas, garantindo transparência em todas as etapas”, disse.

Critério de julgamento: poucas mudanças

É sabido que os critérios de julgamento passaram por diversas alterações nos últimos carnavais e, de acordo com o presidente, a Liga-SP pretende dar mais estabilidade ao regulamento. “Em relação ao regulamento, devemos promover pouquíssimas alterações. Nosso objetivo é dar estabilidade aos critérios de julgamento, evitando mudanças frequentes que possam gerar dúvidas aos jurados. Naturalmente, a cada Carnaval surgem apontamentos que indicam ajustes necessários, mas só faremos mudanças quando forem realmente importantes para tornar o julgamento cada vez mais claro, objetivo e compreensível para todos”, concluiu.

Análise: veja como foram os sambas da primeira eliminatória da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2027

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Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

A Unidos da Tijuca realizou a segunda noite de disputa do samba-enredo para o Carnaval 2027, recebendo novamente as 15 parcerias concorrentes na quadra da Francisco Bicalho. A rodada teve algumas apresentações prejudicadas por problemas técnicos nos microfones, ao lado de obras que se destacaram e outras que ainda têm margem para crescer. A escola vai divulgar os 6 sambas eliminados na próxima segunda-feira, às 17h, nas redes sociais da escola. A Tijuca trará, em 2027, o enredo “A Cabeça do Santo”, baseado no livro homônimo de Socorro Acioli, sendo a segunda escola a desfilar na segunda-feira de carnaval. Abaixo, a análise do CARNAVALESCO sobre a apresentação das parcerias.

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Parceria de Marcio André: Nêgo, Art’Samba Júnior e Leozinho Nunes cantaram o samba da parceria de Marcio André, Robson Bastos, Daniel Katar, Romulo Massacessi, Gilson Bernini. O samba abriu a noite com uma melodias interessantes e um andamento envolvente, com destaque para a performance de Art’Samba Júnior e Leozinho Nunes, que deram vitalidade à apresentação. A letra narra bem a trajetória de Samuel, cobrindo diversos momentos da sinopse. O refrão principal não tem muito impacto: sem um fechamento à altura, a sensação é de que falta força justamente na reta final. Já o refrão do meio, “VIXE MARIA, NUNCA TINHA VISTO ISSO / A CIDADE EM REBULIÇO, UM TREMENDO QUIPROCÓ / E QUEM DIRIA POR ASSOMBRO QUE PAREÇA TEM UM SANTO SEM CABEÇA ERA UM FUXICO SÓ”, é bem mais gostoso e divertido de cantar.

Parceria Leandro Gaúcho: Wantuir, Lissandra Oliveira e Hudson Luiz defenderam o samba de Leandro Gaúcho, Padre Felipe Calisto, Marcelo Moraes, Ricardo Construção e Ailson Picanço. A apresentação foi marcada por problemas no microfone de Wantuir, o que gerou uma certa desconcentração tanto na execução quanto na assimilação da letra e da performance pelo público presente. O samba conta a peregrinação de Samuel em terceira pessoa, como se a própria Tijuca estivesse narrando essa trajetória. Um dos pontos altos é o trecho do pré-refrão principal “É HORA, PAI. DE SEGUIR PRO MEU JUAZEIRO / LEVANDO UM ROSÁRIO BATENDO NO PEITO / OUTRO MILAGRE AINDA ESTÁ POR VIR”, de grande beleza poética, que faz um jogo polissêmico entre a devoção ao Rosário como objeto religioso e a dimensão amorosa da personagem Rosário, voz que Samuel busca em sua saga. No geral, foi uma passagem com rendimento regular.

Parceria de Arlindinho: Rodrigo Tinoco, Milena Wainer e Diego Nicolau defenderam o samba da parceria de Arlindinho, Fred Camacho, Bruno Dallari, Igor Leal e Diego Nicolau. A apresentação também sofreu com problemas técnicos, dessa vez no microfone de Diego Nicolau. Ainda assim, o trio abriu de forma muito bonita, com o refrão do meio e o refrão principal bem forrozeados logo de início, criando uma atmosfera que já ambienta bem a entrada no samba. Um dos grandes acertos da letra é a aposta na reconstrução de cenas da sinopse com liberdade poética, valendo-se de uma oralidade nordestina presente em palavras como “visagi”, “zói” e “muié”, sobretudo na primeira parte. Os versos iniciais, “Lá nas entranhas do sertão do meu Ceará, nasceu a história de um menino sonhador, as cicatrizes que a vida tentou me dar, viraram marcas que a alma não curou, sem sorte, sem eira nem beira, errante, distante do quê? O peito vazio, calado no sol de arder”, sintetiza muito bem a saga de Samuel. O andamento é envolvente, com vocalizes como “lalaiê, lalaiá” reforçando a ideia de canto popular, e o refrão principal cresce ao longo da apresentação. Um desempenho ótimo da obra.

Parceria João Estevam: Igor Vianna foi a voz principal do samba da parceria de João Estevam, César Som Livre, Cigano e Odmar do Banjo. Uma apresentação regular, marcada por uma melodia que parece não variar muito ao longo da obra; a sensação é de estar sendo contada uma história sem as nuances melódicas necessárias para traduzir os altos e baixos de uma saga sertaneja, como propõe a sinopse. Essa mesma limitação se reflete na construção da letra, que segue a sinopse de forma muito linear e sequencial, com trechos bastante próximos ao texto original e sem uma reelaboração poética mais autoral, tampouco uma especificidade maior da poética do sertão. O resultado é um samba um tanto inconsistente, apesar da boa defesa de Igor Vianna, mas sem muita sustentação para seguir longe na disputa.

Parceria de Robson Ramos: Niu Souza comandou o trio de vozes que defendeu o samba de Robson Ramos, Gegê Fernandes, Rafael Lopes e Vinicius Xavier, com muito vigor. A letra é entendida com clareza e facilidade, e as variações melódicas são bem executadas ao longo da obra. O refrão do meio, “VALEI-ME, SANTO ANTÔNIO, ATENDA A ORAÇÃO! / A CABEÇA É OCA, MAS QUEM FALA É O CORAÇÃO! /É “VELA” E BUQUÊ NO ALTAR / O GRANDE MATRIMÔNIO VAI COMEÇAR”, é um dos pontos altos, com uma síntese poética interessante e funcionando como uma virada dentro do samba. No final da primeira parte, antes da chegada desse refrão, há uma variação melódica bonita, mas que também traz o risco de uma leve queda de rendimento. Já o refrão principal é aguerrido, conclamando a escola a “levantar poeira”, mas dá a sensação de não fechar o samba; soa mais circular, como uma passagem que devolve a obra ao início do que um desfecho firme. Um ponto a ser observado.

Parceria Henrique Badá: Bico Doce comandou o samba de Henrique Badá, Jailson Taroba, Fernando Mesquita, Marcelo Oliveira e Dionísio. Um samba aguerrido, que cobre bem o arco da sinopse e dá a sensação de acompanhar lado a lado a saga de Samuel. O refrão principal, “ABRE O LIVRO PRA CONTAR, TIJUCA / A HISTÓRIA DO MENINO SAMUEL / E NA QUARTA-FEIRA VER COMEMORAR / A COMUNIDADE DO MORRO DO BOREL”, é animado e dialoga com o contexto de um enredo baseado em adaptação literária. No geral, uma apresentação sem grande destaque.

Parceria de Samir Trindade: Evandro Malandro e Tem Tem Jr. defenderam o samba de Samir Trindade, Kléber Rodrigues, Sandro Nery, JP Figueira e Gilberth Castro. Um samba de grande apelo emocional, que se destaca por ser contado em primeira pessoa; o próprio Samuel narrando sua saga, recurso que convida o público a incorporar a narrativa para si. O refrão do meio, “CÉU, AREIA, SOL E MAR / SE É MIRAGEM OU HORIZONTE, SERÁ QUE EU VOU CHEGAR? / CÉU AREIA, SOL E MAR / PEÇO A DEUS NÃO ME ABANDONE MESMO SEM ACREDITAR”, manifesta de forma precisa certa dimensão do realismo fantástico presente na sinopse. Na segunda parte, o verso “cabeça e corpo se abraçaram” sintetiza com beleza o ato do perdão como chave da história, no reencontro de Samuel com o pai. A apresentação foi muito bem resolvida, com destaque para a performance de Evandro Malandro, que transmite toda a carga emocional do samba sem recorrer a trejeitos ou exageros; uma interpretação expressiva e tecnicamente apurada, tanto na voz quanto na presença de palco. Uma excelente exibição.

Parceria Rafa Hecht: Emerson Dias liderou o samba de Rafa Hecht, Shumacker Rocha Jr, Dudu Seixas e Kaleo Augustus. A letra investe na contação de história, acompanhando o enredo, com duas passagens de destaque: o trecho do refrão do meio, “TU PERDEU, FOI A CABEÇA, OH MEU SANTINHO?”, divertido e de fácil assimilação, e o trecho “QUANDO A ÚLTIMA VELA, ENFIM ACENDEU / NO OLHAR DO PASSADO, SE RECONHECEU”, que reforça, como já observado na análise da semana passada, um dos melhores momentos da obra. A primeira parte, porém, é um pouco mais truncada e de compreensão mais difícil. O refrão principal, “A TIJUCA VAI CANTAR, A POEIRA VAI SUBIR / RODEIA A MIM, MEU SANTO ANTÔNIO, RODEIA / NA MINHA FÉ, ESCOLHI ACREDITAR / O MILAGRE MORA NA CORAGEM DE SONHAR!”, é animado e cantado para frente. No geral, uma apresentação irregular, com bons momentos pontuais, mas sem força total, especialmente na primeira parte, ganhando corpo conforme se aproxima do final.

Parceria Paulo César Feital: Pixulé comandou o samba da parceria de Paulo César Feital, Franco Cava, Zeca do Cavaco, Jorge Mathias e Rafa Cria. O intérprete ainda parecia em processo de assimilação da letra, e essa falta de domínio pleno prejudicou a compreensão do samba em sua totalidade, sobretudo nos trechos fora dos refrões; ainda que a potência vocal de Pixulé seja, como já se sabe, indiscutível. A primeira parte é um dos pontos altos da obra: “PARIDO DO BARRO DO CHÃO NO SERTÃO BRASILEIRO / DO VENTRE DIVINO E OFENDIDO DE MÃE MARINHA / …”, versos que sintetizam com riqueza o início da saga, valendo-se de um vocabulário fortemente ligado ao campo da fé. Uma apresentação que, com a letra mais assimilada, tem potencial para render mais do que mostrou.

Parceria Luiz Carlos Máximo: O samba de Luiz Carlos Máximo e Manu da Cuíca é uma das narrativas mais bem construídas dessa safra de sambas da Tijuca, com esmero na construção da letra. Embora bem escrito, a obra se mostra difícil de cantar. A melodia não desperta no canto as nuances de uma saga que, tal como proposta no enredo, é feita de altos e baixos. Essa dificuldade acaba pesando sobre uma obra que começa muito bem construída em termos narrativos.

Parceria Gabriel Machado: Charles Silva fez uma belíssima apresentação do samba de Gabriel Machado, Julio Pagé, Hélio Porto, Serginho Motta e Orlando Ambrósio, trazendo uma vivacidade muito grande à obra. A interpretação tem vigor e resulta em um excelente rendimento nessa primeira eliminatória. O refrão principal traz muita força, com uma melodia vigorosa e pra frente, sustentando bem o samba em todas as passadas. Um dos pontos altos é o trecho do pré-refrão principal “O amor se encontra na fé, onde a história tem pé e cabeça”, que sintetiza poeticamente a saga de Samuel, com um jogo de linguagem muito bem resolvido. Uma apresentação de destaque na noite.

Parceria Ian Ruas: Dowglas Diniz e Victor Cunha defenderam o samba de Ian Ruas, Caio Miranda e José Carlos. O pré-refrão, “Ê, BATUQUE EM TERREIRO DE ARRAIÁ! / GINGADO, BALÃO, FESTIM, PANELA DE MUNGUNZÁ / ABRE A RODA QUE O CABRA INCORPOROU / CABEÇA DO SANTO HERDEI, CABEÇA DO SANTO SOU!”, é muito bonito e foi cantado com bastante vigor pelos intérpretes. Outro trecho de destaque é “DELÍRIOS PLANTADOS EM TERRA RACHADA FLORESCEM / NUM RASTRO DE DOR”, que também já anuncia a proposta de realismo fantástico da obra. Há ainda versos que exploram a questão do perdão, presente na sinopse do enredo, como “Ô TOINHO, MEU PAI, PEÇO PERDÃO! / Ô TOINHO, MEU PAI PEDE PERDÃO!”. O refrão principal, por sua vez, funciona dentro do samba, mas sem grande impacto.

Parceria Dudu Nobre: O próprio Dudu Nobre, com a ajuda de Juan Briggs, defendeu sua parceria com Totonho, Fadico, Kadu Gomes e Júlio Alves. O pré-refrão e o refrão principal funcionam bem, mas a obra deixa pontos da narrativa pouco resolvidos: a letra aborda, na primeira parte, a figura do pai “João Ninguém”, em um comparativo com a realidade de muitas famílias brasileiras, mas essa linha se perde ao longo do samba, já que a saga de Samuel também envolve a busca pelo próprio pai, a pedido da mãe. Falta clareza sobre o que efetivamente move o personagem em sua caminhada, algo que a sinopse deixa explícito. Ainda assim, foi uma apresentação bem cantada, com letra nítida e boa atuação de Juan Briggs.

Parceria Lico Monteiro: Wandinho apresentou uma grande atuação no samba de Lico Monteiro, Marcelo Adnet, Marcelo Lepiane, Telmo AG da Estiva, Juca Gomes. A letra se estrutura como a contação de um “causo”. A primeira parte é um dos pontos altos, deixando evidente a motivação da saga logo de início, no verso “PROMETO MÃE, SEGUIR MEU CAMINHO / BUSCAR SENTIDO QUE ME FALTA DESDE ENTÃO”; mesmo sem revelar exatamente o teor da promessa, o samba já estabelece o que move o personagem em sua jornada. O trecho, “É SÓ REZAR PRA SANTO ANTÔNIO OUVIR / Ô DIACHO, ME ESQUEÇA! VOU ACHAR UM CAZUÁ / ATENDER A SIMPATIA PRA TOINHO DESCANSAR”, é brincante. Já na segunda parte, o trecho “Chorar, chorei…” traz uma variação melódica belíssima, com uma virada mais dolente que prepara a chegada do refrão principal, “EU DIGO AMÉM, O MILAGRE VAI CHEGAR / E MUITO ALÉM, FAÇO O POVO ACREDITAR/ SOU NORDESTINO QUE VAI À LUTA / A MISSÃO SERÁ CUMPRIDA, TIJUCA!”; um fechamento inteligente para essa saga que também é, de certa forma, a da própria Tijuca olhando para si. Uma das apresentações de maior destaque da noite.

Em Cima da Hora: parceria vencedora na disputa de samba para o Carnaval 2027 receberá R$ 100 mil

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A Em Cima da Hora deu início oficialmente à disputa de samba-enredo para o Carnaval 2027. Com o regulamento já disponível e a sinopse divulgada, a agremiação convida compositores de todo o Brasil a participarem do concurso que escolherá o hino oficial do próximo desfile. O grande destaque desta edição é a premiação: a parceria vencedora receberá R$ 100 mil, um dos maiores prêmios oferecidos em disputa de samba-enredo na Série Ouro do carnaval carioca.

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A programação da disputa terá início no próximo 10 de agosto, com a explanação do enredo, leitura da sinopse e entrega oficial do regulamento, no barracão da escola. A presença de, pelo menos, dois representantes de cada parceria é obrigatória. O prazo para inscrição das obras segue até 10 de setembro, às 22h.

As eliminatórias acontecerão em formato online, enquanto a grande final será realizada no dia 27 de setembro, na quadra da Em Cima da Hora, quando será conhecido o samba que defenderá a escola na Marquês de Sapucaí em 2027.

Os compositores interessados podem acessar a sinopse por meio das plataformas oficiais da escola ou solicitar o material diretamente à equipe de Comunicação. Dúvidas sobre o regulamento e o enredo também poderão ser esclarecidas junto aos carnavalescos durante todo o período de preparação.

Com a expectativa de receber obras que traduzam a força do enredo e emocionem a comunidade azul e branca, a Em Cima da Hora inicia mais uma caminhada rumo ao Carnaval 2027, reforçando seu compromisso com a valorização dos compositores e com a construção de um grande desfile.

Daomé, a Esparta Negra das Agojiê será o enredo da Acadêmicos de Santa Cruz para o Carnaval 2027

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Foto: Divulgação/Santa Cruz

A Acadêmicos de Santa Cruz definiu o enredo que defenderá na Marquês de Sapucaí no Carnaval 2027. A escola da Zona Oeste levará para a Avenida “Daomé, a Esparta Negra das Agojiê”, que será desenvolvido pelo carnavalesco Alexandre Louzada, e é uma homenagem ao Reino do Daomé, atual Benim, uma das mais importantes civilizações africanas e de grande influência na formação da identidade cultural brasileira.

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Conhecido como a “Esparta Negra”, o Reino do Daomé ganhou notoriedade pela organização militar e pela força de seu exército feminino, formado pelas Agojiê, também conhecidas como as “Amazonas do Daomé”. Essas guerreiras se tornaram um dos maiores símbolos de coragem, disciplina e defesa de seu povo, marcando a história do continente africano.

O enredo da Acadêmicos de Santa Cruz propõe um novo olhar sobre essas mulheres, destacando seu protagonismo histórico e desconstruindo interpretações moldadas pela visão colonialista. A narrativa buscará evidenciar a importância das Agojiê como líderes, estrategistas e referências de resistência, reafirmando sua relevância para a história da humanidade.

A escola também pretende mostrar como, por meio da diáspora africana, o legado do Reino do Daomé atravessou o Atlântico e influenciou profundamente a religiosidade, os costumes, as tradições e a cultura brasileira, especialmente nas manifestações de matriz africana.

Além da abordagem histórica, o desfile fará uma homenagem às mulheres negras de todas as épocas, exaltando valores como sororidade, resiliência, resistência e força. A proposta é transformar a Marquês de Sapucaí em um grande palácio das Mulheres Rei, reverenciando as Agojiê de ontem, de hoje e de sempre.

‘Noite dos Enredos’ é nesta sexta na Cidade do Samba, com entrada gratuita

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Foto: Divulgação/Rio Carnaval

Os enredos preparados pelo Grupo Especial para encantar a Sapucaí em 2027 já têm data para serem oficialmente apresentados ao público: nesta sexta-feira, a Cidade do Samba, na Zona Portuária do Rio, abrirá suas portas a partir das 19h para a tradicional “Noite dos Enredos”. Com entrada gratuita (mediante a doação de 1kg de alimento não perecível), o evento será realizado pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) e reunirá apresentações imersivas das 12 agremiações com uma prévia dos temas nos quais elas escolheram mergulhar daqui até o Rio Carnaval.

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A abertura da noite ficará por conta do grupo Samba Que Elas Querem, um dos principais coletivos femininos do samba na atualidade. O “esquenta” animará os presentes antes das escolas subirem ao palco — ano passado, elas encontraram uma plateia lotada, com cerca de 9 mil pessoas, entre sambistas, dirigentes, segmentos das escolas e apaixonados pela folia. Durante a festa, as escolas e seus artistas se apresentam de maneira lúdica, indicando o que vem por aí durante a temporada.

“A Noite dos Enredos é um momento muito especial porque aproxima o público das escolas e reforça a construção de expectativas para os desfiles. Ela dá continuidade à construção iniciada no sorteio, realizado em abril. Agora, as histórias que veremos na Sapucaí começam a ganhar vida”, afirma Gabriel David, presidente da Liesa.

Retomada em 2025 após um hiato de dez anos, a “Noite dos Enredos” é uma tradição do Carnaval carioca e integra o calendário oficial da folia, da mesma maneira que as escolhas de samba pelas quadras do Rio, os ensaios técnicos e outros grandes eventos.

SERVIÇO
Noite dos Enredos – Rio Carnaval 2027
Data: 7 de agosto (sexta-feira)
Horário: A partir das 19h
Local: Cidade do Samba – Rua Rivadávia Corrêa, 60 – Gamboa
Entrada: 1kg de alimento não perecível
Atrações: Show de abertura com Samba que Elas Querem + apresentação dos enredos das 12 escolas do Grupo Especial para o Rio Carnaval 2027.

Beija-Flor vê enredo ‘com a cara da escola’ e promete disputa de samba em alto nível

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Fotos: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O gás da disputa de samba-enredo para os compositores da Beija-Flor é o enredo com a cara da azul e branco de Nilópolis, que retrata resistência, reparação histórica, apelo social e protagonismo feminino. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o presidente Almir Reis e o diretor de carnaval Marco Marino comentaram as expectativas.

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“Graças a Deus, todos os anos a gente tem tido uma safra muito boa. É difícil os compositores da Beija-Flor não fazerem sambas bons. E este ano não vai ser diferente. Vai ser um ano em que eles vão fazer grandes sambas, até porque a história pede isso. A história da Dona Zeneida é muito bonita, é uma história de guerra, é uma história de resgate, é uma história de luta. Eu tenho certeza de que é a cara da escola e vão sair grandes sambas aí”, contou Almir Reis.

“Acho que os compositores da Beija-Flor têm uma dinâmica deles de melodia, uma cultura de samba-enredo que me agrada muito, isso ao longo de tantos anos. E nunca deixaram a escola na mão. A minha fé é que aconteça novamente o que sempre acontece: grandes sambas, para a gente escolher o melhor”, completou Marino.

A disputa de samba deste ano será mais curta. De acordo com o diretor de carnaval, eles terão duas semanas a menos em relação ao ano passado. Ele destacou que essa será a única diferença.

“A única mudança é que a gente vai diminuir um pouco o tempo. Do ano passado para cá, são duas semanas a menos. E a escolha do samba vai ser bem antecipada, vai ser no dia 10 de setembro. É só uma disputa mais curta, o resto continua tudo igual”, contou Marco Marino.

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A Ilha de Marajó, no Pará, não é uma novidade para os nilopolitanos, visto que, em 1998, a agremiação foi campeã abordando a narrativa do livro “O Mundo Místico dos Caruanas”. A proposta para 2027 é retornar à região, mas com uma abordagem diferente, dando protagonismo à Dona Zeneida Lima, última pajé marajoara.

“A gente vai falar sobre a história da Dona Zeneida, a história de tudo pelo que ela luta, que é a educação, o combate ao preconceito e, principalmente, essa reparação histórica relacionada às mulheres. É uma história muito rica e muito bonita. Não tem nada igual ao ano de 98, é completamente diferente. O lugar é o mesmo, mas a história é outra”, destacou o presidente Almir Reis.

Marino, por sua vez, destacou a satisfação com o enredo e com o andamento do projeto nos bastidores. “O enredo já está desenvolvido, as fantasias estão desenhadas. Eu estou bem satisfeito. A escola vem forte novamente e a gente vai para a disputa com o mesmo pensamento de todos os anos, que é buscar o título respeitando as escolas coirmãs”, afirmou Marino.

Para ambos, a identidade da comunidade nilopolitana precisa estar presente no samba. O presidente Almir Reis listou os principais pontos do enredo que não podem ficar de fora da obra. “O reconhecimento das mulheres; a preocupação de todos nós com a natureza, pois ela luta demais pela proteção da natureza; a educação, que é outra coisa pela qual ela também luta; e as transgressões pelas quais passamos. Eu acho que os nossos compositores têm noção de como isso funciona e eles são muito bons nisso. As histórias que a gente já contou até hoje são o espelho da escola. A Beija-Flor vem lutando por isso há muito tempo: pelo reconhecimento, contra a discriminação, pela educação e pelas transgressões. Está dentro da nossa casa, tudo com o que a gente já está acostumado”, disse Almir Reis.

Já o diretor de carnaval, Marco Marino, concluiu defendendo que o sucesso de um samba surge na liberdade criativa do compositor. “Eu acho que não pode faltar a característica da escola. Toda vez que a Beija-Flor escolhe um samba que tenha a ver com a discografia dela, que tenha a ver com a forma como a comunidade gosta de defender, sempre dá certo. Eu costumo dizer para os compositores o seguinte: a gente não tem uma receita de bolo pronta, depende muito do sentimento de cada compositor, e eles são livres para criar o que acharem melhor. Se eles querem um samba descritivo, ou se querem um samba mais poético, ou cronológico, ou com a melodia mais clássica ou mais para frente, acho que isso tem que vir de cada compositor, e a gente tem que entender cada obra e escolher a melhor, porque temos uma pluralidade de obras quando há um enredo dessa forma. Eu acho que exigir que o compositor tenha uma linha melódica toda igual restringe muito a criatividade de cada um, e a escola, no final, perde”, completou Marino.

Niterói anuncia enredo ‘A Rosa do Impossível’ e levará a história de Santa Rita de Cássia para a Marquês de Sapucaí no Carnaval 2027

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Foto: Divulgação/Niterói

A Acadêmicos de Niterói revelou oficialmente o enredo que defenderá no Carnaval de 2027. Com o título “A Rosa do Impossível”, a agremiação levará para a Marquês de Sapucaí a trajetória de Santa Rita de Cássia, uma das figuras mais populares da fé cristã e conhecida mundialmente como a Santa das Causas Impossíveis. A proposta da escola vai muito além de uma homenagem religiosa. O enredo convida o público a percorrer uma narrativa que une fé, história, cultura e identidade, tendo como fio condutor a vida de uma mulher marcada pela coragem, pelo perdão, pela perseverança e pela confiança inabalável diante das maiores adversidades. Valores que ultrapassam os limites da religião e dialogam de forma universal com diferentes culturas e gerações.

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“Nosso tema é mais do que um enredo, é reafirmar o papel do Carnaval como uma das maiores manifestações culturais do país, capaz de preservar memórias, valorizar patrimônios e transformar conhecimento em espetáculo. A Marquês de Sapucaí torna-se também espaço para contar histórias que atravessam séculos e permanecem vivas no cotidiano do povo”, revela o enredista Igor Ricardo.

O enredo também resgata uma importante passagem da história do Rio de Janeiro. Pouco conhecida pelo grande público, a então capital do Brasil recebeu a primeira igreja dedicada a Santa Rita de Cássia construída fora da Itália, tornando-se protagonista na expansão internacional de sua devoção. A devoção à santa reúne milhões de fiéis em diversas partes do mundo e tem no Brasil uma de suas maiores expressões. Anualmente, igrejas dedicadas a Santa Rita recebem multidões que encontram em sua história inspiração, acolhimento e esperança para enfrentar os desafios da vida.

“Nosso objetivo é transformar toda essa força popular e essa devoção em um desfile capaz de emocionar o público por meio da arte, da música e da linguagem do Carnaval. Na Avenida, Santa Rita de Cássia não será apresentada apenas como uma figura religiosa, mas como um símbolo universal da esperança que permanece viva quando tudo parece impossível”, destaca o carnavalesco Tiago Martins.

A Acadêmicos de Niterói será a 5ª escola a desfilar na sexta-feira de carnaval pela Série Ouro, na Marquês de Sapucaí.

Inocentes de Belford Roxo troca enredo para o Carnaval 2027 e anuncia novo tema

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A Inocentes de Belford Roxo anunciou, nesta quarta-feira, a mudança do enredo que defenderá no Carnaval 2027. Após uma criteriosa análise interna, a diretoria da agremiação decidiu substituir o projeto inicialmente previsto e confirmou que o novo tema será “ANARRIÊ, ALAVANTU: O GRANDE AUTO DE MARACANAU”. O enredo será desenvolvido pelo carnavalesco Wagner Gonçalves, profissional que marcou a história da Caçulinha da Baixada ao conduzir a escola ao Grupo Especial em 2012.

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A agremiação também confirmou que o lançamento oficial do samba-enredo acontecerá no dia 30 de agosto, durante a tradicional feijoada realizada em sua quadra. O evento, com início às 15h, contará ainda com a coroação da nova rainha de bateria, Camila Beatriz.

Com a alteração, a Inocentes inicia uma nova etapa na preparação para o desfile da Série Ouro de 2027, apostando no novo projeto desenvolvido por Wagner Gonçalves para buscar um desfile competitivo na Marquês de Sapucaí.

Beija-Flor 2027: samba da parceria de Luizinho Moura

COMPOSITORES: LUIZINHO MOURA, SILVA DA VG E NEIVO CRAVO

MOÇO, SOU A ÚLTIMA SACACA
PAJERAMA DO MEU POVO, ASSENTADA PELO GIRADOR
MOÇO, REFLETI NA PASSARELA
A NOBREZA DO MEU SANGUE, CARUANA BEIJA-FLOR
(NAÊ)
QUANDO GITA, FOI SUMIDA
POR ANHANGA ATINGIDA, ENROLADA NO CIPÓ
VI A FLORESTA TER AZUL INCANDESCENTE
RELUZINDO NAS RAÍZES, POR TODO MARAJÓ
MESTRE MUNDICO, PROFESSOR DO FUNDAMENTO
ILUMINA O ENSINAMENTO GUARDADO NOS MARACÁS
INCORPORA A MISSÃO DOS LIVRAMENTOS
CURA QUE ATRAVESSA RITUAIS

DANÇA COBRA NORATO
CANTA PRA AGRADECER
CARIMBÓ TAMBÉM É REZA
NO SAMBA VAI RENASCER

MAS PELO AVESSO ME FIZERAM FEITICEIRA
MEU SABER VIROU TRINCHEIRA
CONTRA QUEM NÃO ENTENDEU
SOU BRAVA, SOU FORTE, JAMAIS SUCUMBI
MEU CANTO DE VIDA, CARUANAS OUVI
SOU FILHA DO NORTE, JAMAIS SUCUMBI
POR NOSSA VERDADE, NÃO VOU DESISTIR

QUANDO O LOURO ME ENCANTAR
EM UM SOPRO ESTAREI LÁ
EVOCANDO A ESPERANÇA
NA FOLHA DO MUCAJÁ
NA ESCOLA DA FLORESTA
NA VOZ DE TODA CRIANÇA
QUANDO O LOURO ME ENCANTAR
EM UM SOPRO ESTAREI LÁ
QUAL FRUTA QUE DÁ NO PÉ
EM LEGÍTIMA DEFESA
ZENEIDA, MULHER PAJÉ

SEMENTE DO BRASIL
DE UMA FORÇA TÃO VALENTE
SOU ZENEIDA BEIJA-FLOR
A LUZ PARA NOSSA GENTE
SEMENTE DO BRASIL
FORÇA NILOPOLITANA
SENHORA DE NAZARÉ
SUA BÊNÇÃO SOBERANA