A São Clemente anunciou Chicão como seu novo intérprete oficial para o Carnaval 2027. Com 18 anos de trajetória no Carnaval, o cantor chega à escola para assumir a responsabilidade de conduzir o canto da agremiação na Marquês de Sapucaí. A história de Chicão no Carnaval começou em 2008, quando ingressou na Imperatriz Leopoldinense como ritmista. Em 2011, passou a integrar o time de canto da escola, onde permanece até hoje como cantor de apoio.
“Chego na São Clemente, completando minha maioridade carnavalesca. Quero agradecer ao presidente Thiago Almeida pela oportunidade e vamos juntos nessa caminhada vitoriosa”, conta o cantor.
Ao longo desses 18 anos, Chicão também passou por diversas agremiações como apoio no carro de som, ampliando sua experiência no Carnaval carioca. Entre elas estão Império Serrano, Unidos do Cabral, Siri de Ramos, Unidos de Lucas, Alegria de Copacabana, Botafogo Samba Clube, Unidos de Bangu, Acadêmicos do Sossego e Acadêmicos de Vigário Geral.
Sua trajetória também ultrapassou os limites do Rio de Janeiro. O intérprete levou seu talento para outras regiões do país, com passagens pela Unidos do Alvorada, de Manaus, e Os Rouxinóis, de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, onde irá permanecer na temporada de 2027.
Faltando um pouco mais de 180 dias para o desfile, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos da Tijuca ganha um reforço de peso: Ana Formighieri, coreógrafa e ensaiadora chega para somar ao trabalho da dupla Marcinho Siqueira e Cristiane Caldas. A escola do Borel será a segunda agremiação a pisar na pista de desfiles da segunda-feira de carnaval, dia 08 de fevereiro na Marquês de Sapucaí.
Formada em Dança pela UFRJ e pós-graduada em Conscientização do Movimento, pela Faculdade Angel Vianna, Ana tem formação técnica nas modalidades jazz, balé clássico, dança contemporânea e vivência em danças populares. Professora regular de dança em academias e escolas do Rio, fez parte da Cia Nós da Dança, sob direção de Regina Sauer, participando como bailarina de grandes espetáculos dentro e fora do país. Foi também assistente de ensaios na Focus Cia de Dança e integrou a comissão artística do Sindicato dos Profissionais de Dança do Rio de Janeiro.
No carnaval, participou de comissões de frente como intérprete e assistente de coreografia. Já coreografou carros e alas em diferentes escolas do Grupo Especial e da Série Ouro. Desde 2012, Ana desenvolve um reconhecido trabalho de coreografia e preparação corporal/artística junto à casais de mestre-sala e porta-bandeira. Por ter o foco nos casais e seus pavilhões, durante esses anos de trabalho desenvolveu um método exclusivo de preparação, técnica e artística, onde prioriza a identidade de cada mestre-sala e de cada porta-bandeira junto ao seu pavilhão e suas tradições. Nessa trajetória, já conquistou importantes prêmios, notas máximas e reconhecimento com os casais que têm trabalhado.
“Estou muito animada com essa chegada na Unidos da Tijuca, acompanhando esse belíssimo casal que tenho muito carinho e que já é cheio de história, bagagem e respeito. Agradeço a confiança do presidente Fernando Horta e me comprometo a entregar à comunidade tijucana, muita dedicação e empenho para alcançarmos a nota máxima”, avisa a coreógrafa.
A vice-presidente de Projetos da Estação Primeira de Mangueira e Presidente da Fundação João Goulart, Rafaela Bastos, foi homenageada na última segunda-feira, com a Medalha Pedro Ernesto, a mais alta honraria concedida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. A cerimônia foi realizada por iniciativa da vereadora Joyce Trindade e celebrou a trajetória de Rafaela e sua atuação em diferentes frentes.
A homenagem foi marcada pela valorização das pessoas e dos encontros que contribuíram para a construção de sua trajetória. Rafaela fez do momento um movimento coletivo para reconhecer instituições culturais, gestores públicos e sambistas.
“Essa medalha não representa apenas a minha trajetória, mas também os encontros que tive ao longo dela. Cada pessoa que recebeu esse convite, de alguma forma, contribuiu para quem sou hoje, seja por meio de uma palavra, uma reunião, um projeto, uma marca, uma política pública ou até mesmo um abraço”, afirma Rafaela.
A Medalha Pedro Ernesto, concedida pela Câmara Municipal, é destinada a personalidades que tenham prestado relevantes serviços à sociedade e ao Rio de Janeiro. Para Rafaela, receber a honraria representa também a oportunidade de transformar a celebração individual em um reconhecimento coletivo às pessoas que fizeram parte de sua caminhada.
A venda de ingressos para os desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro para o Carnaval 2027 passou por mais uma etapa, mas, para uma parcela do público, a sensação deixada foi menos de garantia de acesso à Sapucaí e mais de frustração. A terceira etapa colocou à venda, na última segunda-feira, arquibancadas especiais e cadeiras individuais, mas as dúvidas que surgiram nas redes sociais são enormes: quantos ingressos realmente chegam ao público geral, por que eles desaparecem tão rapidamente e o que, de fato, está disponível quando a fila virtual é liberada? O problema é que, para quem está do outro lado, o sambista, a experiência nem sempre parece tão simples quanto é divulgada pela Ticketmaster, empresa responsável pela comercialização dos bilhetes.
Danielle Assis, @inadassis_assis, foi uma das sambistas que questionou o processo em publicação no X (antigo Twitter). “Ontem entrei às 19 horas no Ticketmaster e não consegui comprar os ingressos. Desde 2011 sempre comprei meus ingressos. Esse será o primeiro Carnaval desde a data em que não vou conseguir assistir na Sapucaí. Que falta de organização @RioCarnaval.”
Outra reclamação veio de @luc4s_sg. “Todo ano o @Ticketmaster oferecendo esse serviço de merd4 na compra dos ingressos do Carnaval. E isso é culpa da @RioCarnaval. Ridículo o dia de ontem. Os sambistas fora do Carnaval enquanto isso sites vendendo os setores ‘esgotados’ por milhões de reais. QUE FALTA DE RESPEITO.”
O calendário de vendas do Carnaval 2027 começou ainda no primeiro semestre. Em março, a Liesa comercializou o Passaporte Rio Carnaval, que dava acesso aos três dias de desfiles competitivos. Depois veio o Ingresso Sambista, também com quantidade limitada. A terceira etapa foi destinada à venda tradicional das arquibancadas e cadeiras.
O problema está na percepção de transparência. O consumidor sabe quanto custa o ingresso, sabe onde comprar e sabe que existe uma quantidade limitada. Mas não tem, antes de entrar na fila, uma informação clara sobre quantos lugares efetivamente estão disponíveis por setor e por dia naquela etapa.
Liesa: venda é feita em ambiente de alta demanda
A Liesa sustenta que o processo ocorre dentro de um modelo de alta procura e com estoque limitado. A própria Liga já explicou, em vendas anteriores, que a fila virtual é utilizada para organizar o enorme volume de acessos e impedir compras automatizadas por bots e outros mecanismos. A Ticketmaster também esclarece que os ingressos somente ficam efetivamente reservados após a confirmação da seleção pelo comprador.
O debate não é apenas sobre conseguir ou não conseguir comprar. É sobre como o Carnaval do Rio quer se relacionar com o seu público. O sambista que pretende assistir ao desfile precisa passar por diferentes janelas de comercialização, acompanhar pré-vendas, entender modalidades específicas e disputar um lugar em uma fila virtual sem saber exatamente qual será a oferta encontrada quando finalmente chegar sua vez.
O que o público quer é previsibilidade. Quer saber quantos ingressos estão sendo disponibilizados em cada etapa, quais setores ainda possuem lugares, quantos foram destinados às modalidades anteriores e qual é a expectativa real de disponibilidade quando começa a venda geral.
O torcedor não pode sair de uma fila virtual sem ingresso e simplesmente ouvir que “a demanda era muito grande”. Isso explica o fenômeno, mas não necessariamente resolve a experiência do consumidor. A Liesa tem avançado em tecnologia, segurança e organização das vendas. A própria entidade já adotou medidas para combater fraudes e inconsistências cadastrais em outras modalidades de comercialização. Agora, o próximo passo deveria ser justamente a transparência da oferta.
A Liga emitiu um comunicado sobre a venda de ingressos. Veja abaixo na íntegra.
“A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) acompanha nesta terça-feira, 11, as manifestações do público em relação à venda geral de ingressos para 2027. Diante das dificuldades relatadas por foliões quanto ao processo de compra, a Liga prontamente solicitou à Ticketmaster, operadora contratada para a comercialização, um relatório completo sobre o funcionamento da plataforma durante a venda. O objetivo é apresentar ao público a transparência, a seriedade e o compromisso que os apaixonados pelo maior espetáculo da Terra merecem.
Em paralelo à solicitação do relatório, será conduzida, como em todas as etapas de venda, uma verificação das vendas realizadas. São analisados os limites de aquisição por CPF e o caráter nominal e intransferível dos ingressos. Pedidos que não atendem aos critérios são cancelados, e os ingressos correspondentes retornam à comercialização — conforme aconteceu no ano passado, em outubro.
Ao mesmo tempo, a Liesa conduz uma busca ativa por sites de revenda, bem como perfis em redes sociais, que oferecem ingressos para a Sapucaí por preços superiores aos comercializados pela Liga. Esses casos, assim que identificados pela equipe ou reportados por usuários, são levados ao conhecimento da Ticketmaster para cancelamento das entradas.
A Liesa reforça ainda que novas etapas de venda estão previstas para esta temporada, incluindo frisas e arquibancadas populares, com datas a serem anunciadas em breve. Outras duas etapas já foram realizadas, com as vendas do Passaporte (para os três dias de desfiles competitivos) e do Ingresso Sambista (com escolha livre da data pelo folião).
Consciente da importância do espetáculo para o público carioca e brasileiro, a Liesa acolhe a frustração de quem não conseguiu garantir os ingressos. Seguimos trabalhando para que o acesso à Sapucaí seja o mais amplo e transparente possível”.
A Beija-Flor concluiu a segunda etapa da escolha do samba-enredo para 2027. Na última segunda-feira, 10 parcerias se apresentaram na quadra da escola, em Nilópolis. Destas, três foram cortadas, e a próxima etapa eliminatória acontecerá na quinta-feira. A seguir, o CARNAVALESCO analisa os sete sambas classificados desta noite.
Parceria de Márcio França: O samba 77 foi defendido por Ronaldo Junior, Diego Nascimento, Guinho, Diego Natural e Rodrigo Carvalho. A composição mostra a trajetória de Zeneida como uma mulher nascida para trilhar seu destino como pajé, sendo escolhida desde o ventre da mãe. Um olhar bonito para a narrativa da última pajé marajoara da tribo Sacaca. A defesa foi enérgica e muito segura, respeitando a força e a energia que o samba pedia, e os intérpretes obtiveram um bom rendimento.
Um destaque foi o trecho “destino traçado, forjado”, que traz uma marcação melódica interessante, bem executada pelos intérpretes, além do refrão “respeite meu manto, tem carimbó no quilombo azul e branco” e da força lírica do verso “Minha escola é feitiço, Beija-Flor”. O samba se destaca pela potência melódica que, apesar de não ter gerado grande reação na quadra, fez com que a maioria dos presentes assistisse à apresentação marcando o ritmo com o corpo, batendo os pés e balançando a cabeça.
A animação ficou a cargo da torcida, com dançarinas de carimbó caracterizadas com as longas saias floridas; alguns outros carregavam bandeiras azul e branca e muitos vestiam camisas personalizadas da parceria.
Parceria de Paulo Cesar Feital: A composição da parceria de Paulo Cesar Feital levou uma defesa emocionante e poética à quadra, na voz de Wander Pires. A apresentação se iniciou com o próprio compositor declamando um poema como uma carta de amor da Beija-Flor a Zeneida Lima. A beleza da pequena introdução, com destaque para os versos “Guarda, portanto, querida Zeneida, o mel desta amizade que é nobre e pura, mas que, na verdade, tem todo encanto de um primeiro amor”, sintetiza o carinho e o valor desse “reencontro” com quem, na verdade, nunca foi embora. A letra é descritiva da história de Zeneida, contada em primeira pessoa, e é poética ao trazer sua relação com a encantaria. Um destaque lírico é o refrão “meu Beija-Flor, te amo demais, te entrego minha sorte no altar dos carnavais”, que sela a relação entre a pajé e a escola, permeada pelo sagrado. Apesar de não ser um refrão explosivo, a repetição o torna satisfatório de ouvir.
O samba traz interessantes variações melódicas, em uma crescente, incluindo trechos em um tom mais baixo, que remete a tantos clássicos eternizados por Neguinho da Beija-Flor, que dialogam com a identidade da escola. E foi interpretado com respeito à personalidade da obra, com um bom rendimento em todas as passadas. Entretanto, houve uma leve falha na terceira passada devido a um desencontro melódico no verso “Louvado seja Deus que me criou um dia”: “um dia” constitui a parte mais baixa da frase e acaba sendo mal pronunciado ou atropelado pela rapidez do próximo verso, como ocorreu na terceira passada. Ainda na crescente, versos como “êê jurema, juremá” o levantam novamente e culminam no refrão “meu Beija-Flor, te amo demais, te entrego minha sorte no altar dos carnavais”.
A melodia conseguiu contagiar alguns segmentos da agremiação, com destaque para o verso no refrão “sangue quente, Beija-Flor”, de fácil assimilação e que prende na mente em poucas passadas. A parceria carregou uma torcida numerosa, ainda que descaracterizada em relação à identidade visual da parceria, com um dos membros “coordenando” o desempenho dos apoiadores. Enquanto isso, alguns cantavam acompanhando a letra na folha, e outros se concentravam em cumprir o papel de animação.
Parceria de Junior PQD: Um dos pontos altos de energia da noite, a apresentação do samba 02 foi realizada por Pitty de Menezes e Wic Tavares. A narrativa trazida pela composição se diferencia das demais e do que foi induzido pela sinopse, ao trazer a voz de Zeneida para contar sua história. Apesar disso, é poética e aguerrida na dose certa e pode ser resumida em uma palavra: união.
Celebra a união de Zeneida com a Beija-Flor, e a parceria traz compositores nortistas e nilopolitanos, em uma obra carregada por ambas as identidades, como pode ser visto nos versos: “M’BARAYÓ/POVO SOBERANO NUNCA ANDA SÓ/ERGUE SUAS LANÇAS FEITAS DE CIPÓ/NESSAS ÁGUAS TURVAS PODE APARECER”. Esses primeiros versos são embalados por uma melodia cheia de swing.
Outro destaque é a melodia marcada em “sem medo vamos lutar! (naê, naê)”, que provocou um canto mais forte. Outro destaque de canto é o “ôôô, já chamou na doutrina”, que ganhou boa resposta durante a apresentação. Os intérpretes mantiveram a energia em alta do início ao fim, com ótimo rendimento.
A torcida marcou a animação desde o início da performance. Chegaram com atabaques, fitilhos, coreografia e muito canto. Contagiou alguns dos presentes, incluindo alguns membros da harmonia da escola.
Parceria de Marquinho Beija-Flor: A parceria 13 foi defendida por Pixulé de forma enérgica e segura. A composição é simples, forte e direta ao ponto, cumprindo bem seu papel narrativo sobre o “retorno” da pajé Zeneida ao cenário nilopolitano. Em destaque, o lírico cria uma imagética sobre a trajetória espiritual da pajé em versos como “A PAJERAMA ENTÃO ANHANGA FOI FLECHAR DEZESSETE DIAS AMARRADA NO CIPÓ EU, FILHA DAS ÁGUAS, FLORESCI EM MINHA FÉ FOI O MEU CHAMADO, MAS EU NÃO ESTAVA SÓ A MATA ME ASSENTOU PAJÉ”.
Essas características não descredibilizam ou são negativas; pelo contrário, as impulsionam e projetam sua assimilação. Com grande destaque para o refrão “ê, incorpora caboclo! ê, incorpora caboclo! quero ver incorporar!”, chiclete e contagiante.
O samba teve uma defesa boa e enérgica, à altura do samba e da sinergia entre a torcida animada, cantando o samba do início ao fim, e os intérpretes, sendo um dos destaques da noite. Não chegou a levantar o público, mas a composição claramente está na boca do povo, com baianas e alguns membros da harmonia acompanhando o canto. Ao final, a torcida rendeu um bis, cantando o samba mesmo após o fim da apresentação.
Parceria de Diogo Rosa: Outro destaque da noite foi conduzido por Tinga. A composição traz a potência espiritual de Zeneida e brinca com melodias que abraçam o lírico forte e os refrões potentes da obra, como “CHAMA KARUANA QUE A BAIXADA INCORPOROU/CHAMA KARUANA QUE A BAIXADA É BEIJA-FLOR/PAJELANÇA CABOCLA SAWÉ! SAWÉ!!/NA MAGIA DA FLORESTA O SEGREDO PRA VENCER”.
Outro recurso interessante aparece nos trechos “Invisível vira folha, folha vira… pó de louro, caminho aberto” e “mundiada em ventania, o tempo parou… pra ver o Brasil dos maracás”. A composição brinca com o recurso poético entre frase e pausa musical, criando pequenas falsas conclusões: “folha vira pó”, “o tempo parou” para, em seguida, completar o sentido na continuação: “…de louro, caminhos abertos”, “pra ver o Brasil dos maracás”. O recurso provoca uma suspensão de expectativa e dá movimento à construção dos versos.
A defesa foi enérgica, defendendo a obra com justiça e proporcionando um ótimo rendimento. A performance contagiou para além da torcida animada presente, que já cantava desde antes de o samba ser anunciado. A performance mudou a energia da quadra, mesmo no final da noite. Até mesmo alguns membros da equipe criativa e integrantes do carro de som da escola foram “pegos” pelo samba 01.
Parceria de Junior Trindade: O samba foi defendido por Bruno Ribas e Lissandra Oliveira. Nesta composição, Zeneida retorna à Beija-Flor para se apresentar e contar sua história. A ideia pode ser vista nos versos, também como destaque lírico: “Do norte / Sopro pó de louro de minhas mãos / Borboletas revelam voltei nesse chão / Eu sou Zeneida / Energia da natureza / E vim de onde renascemos”, que trazem também um pouco da ligação espiritual que a escola manteve com a pajé.
Já o refrão “Mãe luz de Nazaré / Me mantém de pé na esperança / Por Deus, pelos ancestrais / Nas lutas sociais, proteja as crianças / É o amor o nosso elo em comum / Que meu caboclo outra vez / Firme a vitória do seu Ogum / Ixéa-îkobé, Opáara / Te dei meu poder, se fez vencedor / Meu filho anajá, na mata incorporou / A soberana caruana Beija-Flor” funciona bem ao sintetizar Zeneida e brindar a relação com a comunidade nilopolitana.
No entanto, a obra tem uma melodia mais linear, com pouca variação, o que a faz passar sem brilho. Veio morno até mesmo para os intérpretes, Bruno e Lissandra, que são conhecidos pela intensidade, mas foram tolhidos na interpretação justa que renderam ao samba. Bruno Ribas, entretanto, esqueceu alguns trechos do refrão “Ixéa-îkobé, Opáara / Te dei meu poder, se fez vencedor / Meu filho anajá, na mata incorporou / A soberana caruana Beija-Flor” durante a primeira passada. A torcida, pequena, mas animada, conseguiu contagiar algumas pessoas na quadra.
Parceria de Sidney de Pilares: O samba da parceria campeã de 2026 foi defendido por Igor Vianna e Igor Sorriso, um encontro de potências que rendeu lindas harmonias vocais. Destaque para o show de interpretação no verso “no rio-mar do Marajó, do Marajó”. A defesa fez brilhar o potencial melódico e de canto da obra.
O samba, por si só, já carrega poesia ao falar da trajetória de Zeneida e destacar seu encontro, marcado pela espiritualidade, com a Beija-Flor. O samba traz o tom um pouco mais baixo, mas que funciona com a comunidade da Beija-Flor. O verso “de pajé pra pajé vou curar” se destaca pelo swing e pela marcação melódica, que abre a possibilidade criativa para a musicalidade.
Outro destaque é o potente refrão “FIRMA A CURIMBA NA GIRA DO CARIMBÓ! FIRMA A CURIMBA NA GIRA DO CARIMBÓ! É A PAJELANÇA NILOPOLITANA O MEU BEIJA-FLOR INCORPORA CARUANA”. O samba contagiou alguns dos presentes, incluindo membros da equipe criativa da escola.
Marcada para a noite desta segunda-feira, a venda geral de ingressos para o Rio Carnaval 2027 está esgotada. Mais de 15 mil interessados estiveram on-line a partir das 19h para adquirir entradas para as arquibancadas especiais da Marquês de Sapucaí (Setores 2 ao 11, exceto o 9) e cadeiras individuais (Setor 12). O dado inédito é da Ticketmaster, plataforma responsável pelo processo, que englobou os três dias de desfiles competitivos e o Sábado das Campeãs. Como nos outros anos, houve limitação de até quatro ingressos por CPF.
Esta foi a terceira etapa de vendas para a temporada de 2027. Antes dela, foram disponibilizadas a modalidade Passaporte Rio Carnaval (para os três dias de desfiles competitivos) e Ingresso Sambista (compra seguida da escolha do dia). Adiante, novas janelas de oportunidade vão incluir frisas e arquibancadas populares (Setores 12 e 13).
A alta demanda em todas as fases de comercialização reforça o impacto da festa das escolas de samba no imaginário popular brasileiro. Ela se soma a outros superlativos recentes: na última sexta-feira, 7, cerca de 8,2 mil pessoas prestigiaram presencialmente a Noite dos Enredos na Cidade do Samba, no Rio de Janeiro. O evento, uma prévia dos temas escolhidos pelas agremiações nesta temporada, foi prestigiado por outras dez mil pessoas por meio da Rio Carnaval TV, projeto pioneiro que está levando o calendário da folia para milhares de brasileiros.
Em 2027, o Rio Carnaval acontecerá nos dias 7, 8 e 9 de fevereiro, com as seis melhores colocadas retornando ao Sambódromo no dia 13. Informações sobre ingressos são sempre divulgadas pelos canais oficiais da marca e da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), responsável pelos desfiles.
A União da Ilha do Governador anunciou nesta segunda-feira a saída de Gracyanne Barbosa do posto de rainha de bateria para o Carnaval 2027. A escola comunicou a decisão por meio de uma publicação nas redes sociais e fez questão de destacar a relação construída entre a musa e a comunidade insulana ao longo dos anos.
Gracyanne ocupou o posto de rainha de bateria da União da Ilha nos Carnavais de 2018, 2019 e 2020. Após um período afastada da função, ela retornou à frente da bateria da agremiação para o Carnaval de 2026, retomando uma parceria que, segundo a escola, foi marcada por “entrega, dedicação e amor pelo pavilhão azul, vermelho e branco”.
Na mensagem publicada, a União da Ilha agradeceu à rainha pelo período à frente da bateria e ressaltou características como carisma, samba no pé, beleza e simpatia no relacionamento com a comunidade.
“Há histórias que deixam marcas para sempre. E a sua, Gracyanne, é uma delas”, afirmou a escola na abertura da publicação.
A agremiação também destacou o retorno da musa em 2026 como mais um capítulo de uma história iniciada anos antes e fez questão de afirmar que a saída do posto não representa um rompimento dos laços com Gracyanne.
“A União da Ilha é a sua casa. As portas estarão sempre abertas para recebê-la em nossos ensaios, eventos e desfiles”, escreveu a escola.
Ao encerrar a homenagem, a União da Ilha reforçou o agradecimento à musa e afirmou que sua passagem pela agremiação permanecerá registrada na história da escola.
“Obrigado por tudo, Gracyanne. Sua história estará para sempre escrita na União da Ilha”, concluiu a publicação.
Após 29 anos, a Beija-Flor de Nilópolis retorna à Ilha de Marajó, mas, dessa vez, para contar a história de Zeneida Lima, a última pajé marajoara. O enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, idealizado pelo carnavalesco João Vitor Araújo, faz com que o maior espetáculo da Terra permita que Dona Zeneida Lima seja protagonista e contadora absoluta de sua própria história. Em entrevista ao CARNAVALESCO, João Vitor Araújo detalhou como o projeto ganhou vida. Segundo ele, a ideia surgiu após um breve e marcante encontro.
“Eu já conhecia bem o enredo de 1998. Eu sabia que ela era uma pessoa muito presente no dia a dia da Beija-Flor desde aquele ano. Ela costuma fazer visitas ao barracão, principalmente quando o carnaval vai chegando perto, para levar as bênçãos dela. Esse ano eu tive a oportunidade de conversar com ela por um instante, porque eu lembro que eu tinha um compromisso fora, um programa ao vivo. Quando ela começa a contar um pouco da história dela para mim, eu fico muito encantado, porque era uma história que se distanciava do enredo de 98. Ela estava contando a história da Zeneida Lima e eu fiquei com aquilo na cabeça. Quando passou o carnaval, surgiu a oportunidade de lançar mais um enredo autoral, eu sugeri na pauta: ‘Por que não falar de Zeneida Lima?’. O pouco que eu escutei da história dela, uma história incrível que dá um, dois, três enredos. E foi assim que tudo aconteceu”, contou o carnavalesco.
Se, em 1998, a escola focou na narrativa literária de “O Mundo Místico dos Caruanas”, em 2027 a proposta é mergulhar na biografia de dona Zeneida, que carrega multifacetas, apresentando suas diversas áreas de atuação: “pajé, educadora, compositora e ambientalista”, de acordo com João. Apesar disso, não se engane: João afirma que o livro ainda é uma fonte de pesquisa, repleto de detalhes e curiosidades.
“Eu acho importante a gente estar sempre revisitando histórias. É um livro que foi lançado em 1992, que chegou às mãos da equipe da comissão de carnaval e apresentou para a escola. Se não me falha a memória, foi através de um concurso de enredos que esse enredo foi escolhido. E, para fazer Zeneida agora em 27, obviamente nós recorremos ao livro para tirar boas histórias, entender curiosidades, coisas até então esquecidas. Até porque nem tudo o que está no livro foi retratado no carnaval de 98 porque não caberia, porque o livro é muito grande. Por isso que eu acho que ali tem enredo para um, dois, três, quatro anos, se deixar”, comentou João.
Ao CARNAVALESCO, João Vitor destacou que tem que ser um samba que evoque a mesma energia dos últimos anos.
“Essa alma e esse espírito que a Beija-Flor tem trazido nos seus últimos sambas, essa energia. Assim como em 1998, um samba que é cantado e é amado pela torcida, até para aqueles que não gostam da Beija-Flor. Eu peço que tenhamos aí um samba à altura do samba de 98, à altura do samba do Laíla, à altura do samba do Empretecer, do Bembé, porque a Beija-Flor de Nilópolis sabe fazer samba”, concluiu João Vitor Araújo.
Marcelo Plácido, diretor de carnaval da agremiação. Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO
A Mocidade Independente de Padre Miguel está implementando uma série de inovações tecnológicas em sua quadra para as disputas de samba-enredo, visando profissionalizar ainda mais o espetáculo e melhorar a logística de palco. Sob a liderança de Marcelo Plácido, diretor de carnaval da agremiação, a escola introduziu o uso de monitores de LED com as letras dos sambas e cronômetros para a passagem de som.
A ideia surgiu da vasta experiência de Marcelo no setor de eventos e rodas de samba antes de sua chegada à escola da Vila Vintém. Ao observar a dinâmica do palco no carnaval, o diretor percebeu que os cantores tinham pouco tempo para decorar novos sambas, o que dificultava a performance.
“Esse monitor facilitaria muito essa logística de palco, facilitando a comunicação com o público. Ele não precisa ficar segurando papel; ali ele está mais solto, podendo ver as telas na frente dele e cantar o samba”.
A iniciativa foi amplamente elogiada por intérpretes renomados, como Pit e Wander Pires. Para Marcelo, oferecer essa estrutura é o básico para quem comanda o espetáculo. “Eles são artistas ali no palco e acho que é o mínimo que a gente pode fazer por eles: dar condições para se apresentarem. Ali ele está fazendo um show. Isso aí até ajuda os compositores também, que têm um gasto toda semana imprimindo letras para distribuir na quadra. O painel de LED para o público facilita que a torcida também cante o samba”, afirma o diretor, destacando que muitos intérpretes precisam gerenciar letras de diversas escolas simultaneamente.
Além das letras, a tecnologia passou a ser usada para o controle rigoroso do tempo. Agora, os monitores exibem uma contagem regressiva de 5 minutos para a passagem de som, garantindo que o cronograma do evento seja seguido à risca. “Eu lembro que às vezes ficava até 10 minutos passando o som… vozes, depois cordas. Agora isso facilitou porque tem a regressiva lá dentro de 5 minutos. Eles têm que começar, o pedal vai começar e tem que seguir”, detalha Marcelo.
Por Júnior Azevedo, Juliane Barbosa e Miguel Correia
A Estácio de Sá definiu no último sábado o hino que embalará seu desfile histórico no próximo Carnaval. A obra vitoriosa é assinada pelos compositores Samir Trindade, Jeiffer, Deiny, Deco, Victor Rangel, JP Figueira, Ricardo Castanheira e Gabriel Aganett. O samba terá a missão de celebrar o enredo “Centenário do Berço do Samba: Onde o Samba Virou Escola e o Brasil se Fez Carnaval”, que comemora os 100 anos de história da agremiação e a fundação da pioneira Deixa Falar. Para o compositor Samir Trindade, um dos expoentes da parceria vencedora, a conquista possui um valor sentimental único devido ao marco histórico da escola.
“Ganhar na Estácio já seria uma honra muito grande, mesmo se não fosse um ano comum; no centenário tem uma representatividade maior ainda. É uma parceria que a gente se fala o ano inteiro, somos amigos… já fomos parceiros em outras escolas também, ganhamos, perdemos e é uma honra ganhar com esse pessoal”.
Fotos: CARNAVALESCO
O sentimento de pertencimento e a consciência da importância do pavilhão vermelho e branco permearam todo o processo de criação. Segundo Samir, saber que o nome dos compositores estará gravado na história do “berço do samba” é motivo de grande emoção. Entre os trechos da obra que mais tocam a parceria, ele destaca a sensibilidade da letra: “‘Me perdoe se eu chorar, te amo tanto, me coloco aos teus pés, sigo o teu manto’. É uma parte que nos emocionou desde a feitura do samba e acho que toca muito quem é estaciano”.
Outro ponto alto da composição é o refrão, que carrega uma mensagem de afirmação e orgulho para a comunidade: “‘Tem que respeitar e peça bênção, tem que respeitar e dê licença’. A Estácio hoje está no Grupo de Acesso, mas nunca deixou de ser uma grande escola, uma das maiores escolas de samba do Brasil e uma das pioneiras no carnaval carioca”, afirma Samir.
A Estácio de Sá será a 3ª escola a desfilar no sábado de carnaval, dia 6 de fevereiro de 2027, pela Série Ouro, na Marquês de Sapucaí. A expectativa é de um desfile inesquecível para todos os torcedores, honrando o legado de um século de samba. Com a vitória garantida, Samir Trindade resume o sentimento do grupo: “Agora é só comemorar”.