Virginia Fonseca anunciou, nesta quarta-feira, que não é mais rainha de bateria da Grande Rio para o Carnaval 2027. A decisão foi comunicada pela própria influenciadora nas redes sociais, em um longo texto no qual explicou que pretende dedicar mais tempo aos filhos, às empresas e à família. Segundo Virginia, os últimos meses foram marcados por reflexões sobre a nova fase de sua vida e sobre a necessidade de buscar uma rotina mais equilibrada.
“Eu e a minha família conversamos e decidimos que chegou o momento de viver um tempo de qualidade. Os donos do meu tempo serão: meus filhos, minhas empresas e todas as pessoas que hoje arrancam o meu melhor sorriso”, escreveu.
A influenciadora destacou que a decisão não foi tomada de forma simples e relembrou a experiência de ocupar o posto de rainha de bateria da Grande Rio. Virginia afirmou que viveu a função com dedicação e fez questão de ressaltar a importância da experiência em sua trajetória.
“Tudo que vivi até hoje foi de plena entrega, principalmente os desafios: Virginia apresentadora e Virginia rainha de bateria da Grande Rio. Quanta honra! Posso dizer de cabeça erguida: não poupei esforços para entregar o meu melhor”, declarou.
Na sequência, anunciou oficialmente sua despedida do cargo. “Venho com o coração apertado e cheio de verdade me despedir do posto de rainha de bateria da Grande Rio”, afirmou.
Virginia também agradeceu à escola de Duque de Caxias pela oportunidade de viver de perto a experiência do Carnaval. No texto, destacou o acolhimento recebido durante sua passagem pela agremiação e afirmou que se sentiu “em casa, amada, protegida e, acima de tudo, feliz”.
A influenciadora ainda reconheceu a dimensão das responsabilidades de uma rainha de bateria e explicou que a necessidade de presença e comprometimento pesou em sua decisão.
“Reconheço também o peso disso. Sei o quanto é exaustivo, o quanto exige presença, o quanto pede comprometimento e, como disse anteriormente, não sei fazer nada pela metade. Isso é ter respeito por todos os que me apoiaram nessa jornada”, escreveu.
Virginia fez questão de agradecer nominalmente a integrantes da Grande Rio e pessoas que estiveram ao seu lado durante o período em que ocupou o posto. Entre os citados estão Jayder Soares, a Feiticeira, David Brazil, Helinho, Milton Perácio, integrantes da presidência e da diretoria da escola, além do mestre Fafá.
À frente da bateria, Virginia também agradeceu pela parceria e pelo aprendizado. “Obrigada pela paciência, pela disposição de me ensinar e de segurar a minha mão, sempre disposto a me mostrar o caminho”, escreveu para o mestre Fafá.
A influenciadora ainda mencionou Santinha e Carlinhos, responsáveis por momentos de descontração durante sua trajetória como rainha. “Vocês tornaram o meu maior desafio em momentos únicos, alegres e fizeram isso com maestria. O nosso passinho vai ficar marcado”, brincou.
Ao finalizar a publicação, Virginia afirmou que levará consigo as lembranças construídas na Grande Rio e reforçou seu carinho pelo Carnaval e pela escola.
A redução no número de etapas e a antecipação da escolha dos sambas-enredo estão mudando a rotina das escolas de samba do Rio de Janeiro. Se, por um lado, o formato mais enxuto diminui custos, encurta disputas e permite que as obras escolhidas cheguem mais cedo ao público, por outro, há quem veja prejuízos para a qualidade da safra e para o próprio processo de composição. Na última sexta-feira, durante a Noite dos Enredos, na Cidade do Samba, o CARNAVALESCO ouviu quatro sambistas e torcedores para saber o que o público pensa sobre essa nova realidade.
As opiniões são distintas, mas convergem em um ponto: a mudança altera profundamente a relação entre compositor, escola, componente e público. Enquanto alguns defendem que concursos longos perderam sentido diante do número reduzido de obras atualmente inscritas, outros acreditam que o tempo menor para a criação pode comprometer a qualidade dos sambas apresentados.
O que você acha do formato de disputas mais enxutas?
Lucas Silva, 27 anos, historiador e torcedor da Viradouro
“Particularmente, não me agrada. Não me agrada porque acaba refletindo na qualidade da safra, dos sambas. Infelizmente, este ano, as safras não me agradaram em conteúdo de samba, não em conteúdo de enredo. O enredo está muito bom, muito belíssimo. As duas escolas estão muito boas nas suas escolhas, só que, infelizmente, na questão da composição, não me agrada porque os compositores estão com um tempo muito curto e estão entregando 12 sambas para as duas escolas, de qualquer jeito. Infelizmente, os compositores estão tendo que escolher a escola à qual vão dedicar mais atenção, e isso acaba enfraquecendo todo o processo de escolha e de eliminatória”, afirmou Lucas.
Marcelo Macedo, 43 anos, jornalista, roteirista e torcedor da Beija-Flor
“Eu acho legal, porque a gente, durante muito tempo, pedia por algo mais coeso, mais enxuto, porque, às vezes, a disputa era muito cansativa, mesmo você tendo 20, 30 sambas. Isso não é uma realidade de antigamente, quando a gente tinha 100, 110 sambas, como eu lembro que a Beija-Flor já escreveu uma vez. Então, não fazia muito sentido a gente estender uma disputa por três meses tendo 20 sambas, caindo um por dia, às vezes não caindo nenhum, como já acontecia. Então, eu acho que, quando você elimina algumas datas, você ajuda a escola, porque a escola gasta menos, tem uma economia de tempo e de dinheiro. Eu acho que o debate sobre os sambas fica mais quente, porque você condensa tudo num período mais curto de tempo, então você mobiliza melhor a escola, e ela tende a dispersar menos. Enfim, eu gosto desse movimento de tornar tudo mais dinâmico. Eu acho também que é uma conversa com os novos tempos. Tudo é mais urgente, tudo é mais rápido, então é bom. Acho que está funcionando legal”, pontuou Marcelo.
André Guilherme, 28 anos, advogado e torcedor da Imperatriz Leopoldinense
“Eu acho que me agrada, sim, porque antigamente tinha, sei lá, 30 sambas, 40 sambas, e era muito complicado. Eu acho que, por um lado, perde para o compositor a oportunidade de apresentar mais obras, mas, por outro lado, eu acho que dinamiza o processo e facilita. E eu acho que, com essa divulgação que está tendo, está bem legal. Eu gostei do formato”, afirmou André.
Anderson do Nascimento Machado, 45 anos, torcedor do Salgueiro
“Eu acredito que, para o compositor, seja mais interessante, até em função dos gastos. Tem escolas até colocando torcida já na semifinal e na final justamente para dar essa condição melhor para o compositor. Para o músico, até afeta um pouco, porque eu cheguei a tocar em disputa na Imperatriz que teve 17 semanas. Mas eu acredito que, para o bem geral, está sendo bom”, avaliou Anderson.
Escolher o samba mais cedo é uma vantagem para o público e para o componente?
Lucas Silva “Sim, com certeza, facilita bastante, porque você ganha um mês, comparado até a anos anteriores, em que a gente tinha, no máximo, dezembro e janeiro para entender a letra e tudo mais. Inclusive, este ano o Carnaval começa no primeiro final de semana de fevereiro, então esse movimento de antecipar a escolha e a divulgação dos sambas no álbum é muito importante. Mas, em contrapartida, eu vejo que, a longo prazo, vai mudar até mesmo a questão da escolha do samba, para um futuro bem próximo, na verdade. A ver o que o pessoal da Liesa vai querer fazer com isso e se vai continuar com essa ideia de lançar álbum em outubro. Em outubro, a gente sequer pensou ainda em Carnaval. A gente, no sentido de público mais amplo, a gente que é sambista, vai pensar em Carnaval do dia 1º de janeiro até o dia 31 de dezembro”, contou Lucas.
Marcelo Macedo “Eu acho que, este ano, a gente teve lançamentos de enredos próximos do desfile passado, mas alguns foram bem mais para cá. Eu acho que isso não muda muito. Eu acho que o componente continua tendo os mesmos desafios para aprender o samba, mas acho que é importante a gente entender que, este ano, o Carnaval é no início de fevereiro. Então, eu acho que antecipar, mais do que facilitar o canto e a memorização do samba, é permitir a fluidez da escola no trato do enredo, do desfile e do projeto. Porque a tendência é ficar acavalado quando você alarga muito. Então, condensar as disputas, escolher o samba antes, facilita os ensaios. A gente está com uma emergência, uma urgência climática que pode cancelar muitos ensaios, isso também é importante observar. Mas, enfim, eu acho que tudo isso, sendo observado, vai ajudar a festa deste ano a ser uma festa melhor, mais bonita, com todo mundo participando mais e melhor, os ingressos se esgotando cada vez mais rápido. Vai ser uma festa bonita, legal”, concluiu Marcelo.
André Guilherme “Vejo, porque o samba circula mais pela cidade, consegue promover mais essa escola e tudo mais, então eu sou super a favor. Mais tempo para o público aprender, para o componente ter mais tempo de aprender a letra, de ensaiar também. Todo mundo se prepara, então eu sou super a favor”, afirmou André.
Anderson do Nascimento Machado “Com certeza, isso aí é o grande boom, o grande lance. Porque, assim como o samba chega mais cedo para a escola, a gente consegue trabalhá-lo um pouco melhor, com mais tempo. E também tem hoje em dia a facilidade das redes sociais e dos streamings. Isso eu acredito que acaba atingindo o grande público”, pontuou Anderson.
São 22 anos à frente da presidência da Rosas de Ouro. Para muitos, Angelina Basílio é uma figura folclórica do carnaval, enquanto, para outros, é reconhecida como uma grande gestora. A presidente da Rosas de Ouro carrega uma extensa trajetória no carnaval, especialmente dentro da própria escola, onde deu continuidade ao legado de seu pai, Eduardo Basílio. À frente da Roseira, Angelina participou de momentos marcantes da agremiação, que revelou diversos nomes para o carnaval de São Paulo e levou enredos memoráveis ao Anhembi. Durante sua gestão, a escola conquistou dois títulos, sendo o mais recente em 2025. No quadro ‘Entrevistão’, do CARNAVALESCO, a presidente conversou com a equipe e abordou temas importantes, entre eles o recente rebaixamento da Rosas de Ouro para o Grupo de Acesso 1.
Falando sobre a sua presidência, o que mais mudou na escola desde que você assumiu, em 2004?
“O carnaval mudou muito. Hoje, quase todos os presidentes consideram que o carnaval está engessado pelos critérios de julgamento. Alguns concordam, outros não. Em 2004, o carnaval era mais solto. Nós estávamos conversando sobre isso outro dia e lembramos que existia, por exemplo, ala de pandeiristas, com quatro ou cinco pessoas tocando pandeiro. Era muito legal. Existem tradições que fazem parte da história e da cultura do carnaval e precisam ser preservadas, como o mestre-sala e a porta-bandeira e as baianas. Ao mesmo tempo, estamos perdendo a espontaneidade do componente. Está ficando até chato desfilar, porque não pode isso, não pode aquilo. Tem que desfilar em fila, tem que contar grade. Isso não é carnaval. O componente precisa cantar o samba. Antigamente, nos anos 1980 e 1990, não era assim. A pessoa vestia a fantasia, se sentia dentro dela e podia se movimentar no ritmo, na cadência do samba, acompanhando a bateria. Hoje, já fizeram até sátiras mostrando um desfile de 7 de Setembro com uma escola de samba. Nós somos uma escola de samba. O componente precisa se sentir leve, espairecer, vestir a fantasia, ser um folião e cantar o samba”.
Uma escola de samba também exige organização e gestão. Qual é o maior desafio de administrar uma estrutura desse tamanho?
“Podemos comparar uma escola de samba a uma empresa em alguns aspectos, principalmente na organização, administração e gestão. Mas existe uma grande diferença: uma empresa pode não ter uma data específica para entregar o seu produto final. No carnaval, temos hora, dia e local determinados para tudo acontecer. Também não dá para comparar o amor à camisa e ao pavilhão. Eu posso vestir a camisa de uma empresa, mas, quando vou embora para casa, não tenho necessariamente o mesmo comprometimento. Em uma escola de samba, existe paixão, existe amor ao pavilhão. Você vive a escola. Hoje estou com a camisa da Rosas de Ouro e será assim 24 horas”.
Depois de 22 anos na presidência e dois títulos conquistados, o que ainda falta realizar na Rosas de Ouro?
“Tenho muitas coisas que ainda quero realizar. A Rosas de Ouro é uma escola tradicionalíssima de São Paulo, e não se trata apenas de conquistar títulos. É preciso formar grandes sambistas, mestres-salas e porta-bandeiras, ritmistas, diretores de carnaval e tantos outros profissionais. A escola precisa revelar pessoas. Hoje, por exemplo, temos os ateliês de volta para a quadra. Eu estava passeando por aqui e encontrei a nossa musinha, a Ana, que deve ter uns seis anos. Olha aí o futuro da Rosas de Ouro! A escola forma passistas, aderecistas e profissionais de diversas áreas. A Rosas de Ouro é uma escola de formação. O mestre da bateria veio do projeto “Samba se Aprende na Escola”, assim como a Isabel Casagrande, nossa primeira porta-bandeira. Esse é o papel de uma escola de samba que eu quero continuar exercendo”.
O título de 2025 representou um alívio depois de 15 anos sem conquistar o campeonato?
“Foi um alívio muito grande. Eu sempre fui muito perseverante e nunca desisti. Alguns familiares me perguntavam: “Angelina, você acredita que a Rosas de Ouro vai voltar a ser campeã?”, e eu respondia: “Sem dúvidas, acredito”. Eu acreditava porque estávamos formando uma comissão de carnaval e novas lideranças. Também formamos profissionais de harmonia e coordenadores de alegoria. Eu sempre dizia: “Nós vamos ser campeões”. Depois de 15 anos, eu sempre falo para os jovens: acreditem nos seus sonhos, porque eles podem se tornar realidade. Hoje é muito difícil ser campeã, principalmente no Grupo Especial. Em 2025, essa conquista aconteceu porque eu acreditei. Eu acordava e dormia pensando nisso. Chegava a acordar às três horas da manhã, a hora da misericórdia, pensando no título. E a Rosas de Ouro conseguiu ser campeã. É sempre uma questão de acreditar, ajustar a equipe, corrigir as coisas e aprender. Em uma escola de samba, você aprende todos os dias. E nós conseguimos vencer”.
A comunidade da Rosas de Ouro tem demonstrado muito engajamento nos últimos anos. Qual é a importância do projeto “Sou Roseira”?
“Eu amo esse projeto! Quero agradecer toda a minha equipe e minha diretoria, mas o Alan e o Ismael são muito importantes nesse trabalho. O Alan é muito perseverante no projeto “Sou Roseira”. Estamos fazendo um recadastramento, que vai fortalecer ainda mais a relação com a escola. Fazer esse recadastramento antes de iniciar um novo cadastramento é muito importante. Achei excelente”.
No Carnaval 2026, a Rosas de Ouro acabou rebaixada para o Grupo de Acesso 1. O que esse momento representa para você?
“Posso falar sobre o descenso agora. É a primeira vez que falo sobre isso, e é para o CARNAVALESCO. Acho que nada é por acaso e nunca tinha falado isso dessa forma. É algo muito dolorido, porque a Rosas de Ouro estava havia mais de 50 anos no Grupo Especial. É lamentável, mas aconteceu. A Rosas de Ouro estava desde 1975 na elite, mas eu sou uma mulher de muita fé. Somos uma escola muito grande, com um nome muito emblemático. “Rosas de Ouro” já é um nome maravilhoso. Acho que tudo isso é um grande aprendizado. Não vou crucificar nem condenar ninguém. Tenho muita fé e acredito que Deus sabe de todas as coisas. Agora, precisamos corrigir muitas questões administrativas e de gestão dentro da Sociedade Rosas de Ouro”.
A escola acabou sendo rebaixada por uma diferença de pontuação que envolveu a punição de 0,5 ponto pelo prazo de entrega da pasta de jurados. Você considera essa penalização excessiva?
“Estou com o regulamento aqui, mas ainda não terminei de ler. Parece que haverá também uma multa financeira. Na minha opinião, é uma punição muito severa. Ainda preciso terminar a leitura do regulamento, porque já vamos ter que assiná-lo. Acho muito duro, principalmente pelo momento atual do carnaval. A disputa é muito acirrada e os critérios de desempate também são rigorosos. Mas estou preparada para dizer que a Rosas de Ouro continua sendo uma escola tradicional de São Paulo. São oito títulos no Grupo Especial, sendo dois na minha gestão. Quantos presidentes podem dizer que têm isso? Salvo alguns. Acredito que Deus escolhe quem está preparado para passar por determinadas situações”.
E, olhando especificamente para as notas, você considera que a Rosas de Ouro foi avaliada de forma justa em 2026?
“Tivemos um problema pontual. O que aconteceu foi que houve um atraso no desfile porque a escola que veio antes teve um problema. Depois conversei com os presidentes dessa escola e eles disseram que nem sabiam que aquele equipamento, acredito que um gerador, estava soltando óleo. Não fizeram aquilo de propósito. Até o casal de mestre-sala e porta-bandeira caiu. Nós realmente precisávamos esperar, mas essa espera foi muito prejudicial para a Rosas de Ouro. Ficar uma hora e quinze minutos no esquenta não é fácil. Quando voltei do banheiro, as baianas ainda estavam lá. Para quem tem mais idade, ficar tanto tempo esperando na concentração, sem condições adequadas, é muito difícil. Infelizmente, ainda aconteceu um incidente com um menino da comissão de frente, que desmaiou. Não sei se foi por causa da espera, mas foi uma situação muito difícil”.
Você já declarou, no nosso primeiro podcast, que “Mar de Rosas”, de 2005, é um dos seus desfiles favoritos. O que representa a possibilidade de reeditar esse carnaval?
“Você sabe que eu sou muito antiga no carnaval. Na minha época, não existia essa possibilidade de reedição. Hoje podemos fazer tudo novamente, e isso é maravilhoso. Até parece que Deus está dando esse presente para a gente. Quero explicar uma coisa para vocês, que são mais jovens: em 2005 não existia Instagram nem Facebook. O carnaval foi passando pelos anos e, depois, as pessoas começaram a publicar aquele desfile. Eu pensava: “Mas de onde vem isso?”. A gente tinha conquistado o sétimo lugar naquela época, e hoje os jovens que tinham quatro anos estão assistindo ao desfile, Atualmente, todo mundo assiste ao YouTube e às redes sociais. Somos muito dependentes da internet. Mas, apesar da dor que estamos vivendo, vejo tudo isso como um aprendizado. Estamos aqui para aprender todos os dias, e acredito que Deus escolheu a Rosas de Ouro para que aprendêssemos ainda mais”.
Para esse desafio, a escola promoveu Yago, que era projetista, a carnavalesco e trouxe Bruno Oliveira. O que pesou nessa escolha e na formação da dupla?
“Eu brinco com eles, chamando de “Zé Marmita e Passa-Fome”, “Cibalena e São João”. Foi um casamento perfeito, muito bacana. O Yago já conhecia a comunidade e todo mundo dentro da escola. Para o Bruno, ficou mais fácil. O Yago também tem um status de carnavalesco, e os projetos dele mostram isso. Eu me sinto muito feliz, apesar da dor que venho sentindo desde fevereiro e que estou aprendendo a superar, assim como nossos componentes. Vamos ensaiar mais para voltar ao Grupo Especial. Foi muito bom conhecer o Bruno, que é um grande profissional”.
O encontro da última terça-feira foi marcado por celebração e expectativa para o Carnaval 2027 na Inocentes de Belford Roxo. Em um chá da tarde ao lado de Camila Beatriz, a rainha de bateria viveu um dos primeiros momentos da nova fase que começa a construir à frente da “Cadência da Baixada”. Após desfilar como rainha da Inocentes em 2026, Camila assumirá agora o posto à frente da bateria, sucedendo Carolaine Silva e passando a comandar, junto aos ritmistas do mestre Washington Paz, um dos segmentos mais importantes do desfile.
A coroação oficial acontecerá no dia 30 de agosto, durante uma grande feijoada na quadra da agremiação. A celebração contará ainda com a presença de escolas coirmãs, entre elas, Salgueiro e Em Cima da Hora, reforçando o clima de confraternização e marcando oficialmente o início desse novo capítulo para a rainha.
Para Camila, a mudança representa muito mais do que a troca de uma faixa. O novo posto traz uma responsabilidade maior, principalmente pelo tempo de avenida e pela necessidade de manter uma entrega constante diante dos ritmistas e do público.
“Quando recebi o convite para ser rainha da escola, me senti honrada e, ao receber o convite para ser rainha da bateria, me senti ainda mais honrada, porque é uma responsabilidade muito maior. É uma nova fase, e o que muda bastante nesse processo é a performance, que precisa ter uma entrega maior, além de um tempo de avenida muito mais longo. Confesso que isso deu aquele pânico no primeiro momento, porque a gente pensa em como fazer e como se preparar para entregar um Carnaval de excelência, um trabalho bonito. É uma responsabilidade que tem provocado uma mudança um pouco maior na minha vida, mas, de modo geral, a experiência continua sendo muito gostosa”, afirmou.
A preparação também passa pela inspiração encontrada em outras mulheres que ocupam espaços de destaque no carnaval. Camila prefere não escolher apenas um nome, justamente pela diversidade de talentos que observa entre as rainhas e passistas. A performance de Mayara Lima, a evolução de outras representantes e, principalmente, a trajetória de Carolaine Silva, antecessora no posto da Inocentes, aparecem como referências para o novo momento.
“Hoje temos tantas mulheres maravilhosas dentro do carnaval que fica muito difícil dizer que uma é a nossa maior inspiração. Quando vejo todas, fico admirando cada detalhe, porque cada uma tem uma característica diferente. A performance da Mayara Lima, por exemplo, é surreal. Também acompanho outras rainhas que vêm fazendo trabalhos muito bonitos. É muito legal poder observar cada detalhe e aprender com todas. E não posso deixar de falar da Carolaine, que era a antiga rainha da nossa escola e foi maravilhosa. Inclusive, já falei com a Carol para marcarmos uma aula. É uma mulher que tem muito samba, é bailarina, tem leveza, é chique e elegante. São mulheres maravilhosas dentro do Carnaval que admiro muito”, disse.
A nova rainha também terá pela frente o desafio de se preparar para um desfile mais intenso. A rotina de ensaios, a preparação física e o contato constante com a bateria serão fundamentais para transformar a expectativa em segurança quando chegar o momento de atravessar a Marquês de Sapucaí.
“Meu professor sempre fala que tudo é muito treino e muita dedicação. Então, estou entendendo que é um processo de preparação mesmo. O ensaio é muito gostoso, porque tem aquela energia do público que prepara bastante para a Sapucaí, mas, quando chegamos na avenida, aquela energia não tem igual. É um contato direto com milhares de pessoas olhando, admirando, vibrando e mandando uma energia muito boa”, comentou.
Ainda sem acesso à fantasia que será usada no desfile, Camila adiantou apenas que o Carnaval 2027 da Inocentes promete ser grandioso. A escola passou por mudanças recentes, inclusive na proposta do enredo, mas o tempo disponível até o desfile permite que a equipe desenvolva o projeto com cuidado. A nova rainha também elogiou o trabalho do carnavalesco Wagner e revelou expectativa com o que será apresentado na avenida.
“Não tive acesso a nenhum spoiler ainda. Tivemos alguns esboços do que foi apresentado e, mesmo com a mudança do enredo em cima da hora, ainda temos bastante tempo para trabalhar. Tenho certeza de que será um Carnaval de excelência. O nosso carnavalesco, Wagner, está arrasando, é muito criativo. Pelo que já vi nos croquis, achei tudo muito bacana e acredito que será uma coisa grandiosa”, declarou.
Mais do que a fantasia ou a posição diante da bateria, o grande desejo de Camila para 2027 é chegar à Sapucaí com a sensação de dever cumprido. A expectativa é transformar todo o período de preparação em um desfile marcado por entrega, conexão e orgulho de representar a Inocentes de Belford Roxo.
“Minha expectativa para esse grande dia é que seja um desfile grandioso, um momento de fechar o carnaval com aquela sensação de que todo o trabalho foi feito e entregue. Quando chegamos na Sapucaí, queremos ter a certeza de que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Então, espero chegar no nosso grande desfile com essa sensação de trabalho cumprido, de entrega e de um Carnaval vitorioso”, finalizou.
A conexão de Sávia David com a Estrela do Terceiro Milênio foi imediata. Coroada Rainha da Pegada da Coruja, bateria da agremiação, em junho de 2025, ela segue para o Carnaval de 2027 cada vez mais presente não apenas na agremiação, mas no cotidiano do Extremo Sul de São Paulo como um todo. Para saber mais detalhes da integração de Sávia David à escola, a reportagem do CARNAVALESCO conversou com a rainha de bateria na final de samba-enredo da Estrela do Terceiro Milênio para 2027, em que foi definida a canção que irá embalar o desfile de “Incrível! Fantástico! Extraordinário!”, assinado por Paulo Barros.
Quando perguntada o quão presente no Carnaval paulistano estava, a reportagem brincou perguntando se ela já teria esquecido a cidade da Baixada Fluminense em que começou. Muito bem humorada, ela respondeu: “Esquecer Nilópolis eu não consigo! É a minha base, é onde eu consegui ter o primeiro contato com o Carnaval e me apaixonar de fato. Mas eu confesso que São Paulo ganhou de assalto o meu coração. E a Estrela do Terceiro Milênio, que não é minha primeira escola aqui, é onde eu planejo aposentar o meu salto alto. O dia que eu não for mais rainha de bateria da Pegada da Coruja, nem que eu seja Harmonia, presidente de escola mirim ou diretora de alguma coisa, eu pretendo continuar aqui na escola”, disse.
É importante relembrar que durante sete anos, Sávia David foi rainha de bateria da Unidos de Vila Maria.
Pensamento além
A reportagem ficou assustada com a declaração de que ela pretendia se assustar na Estrela do Terceiro Milênio. Ela própria tratou de tranquilizar a todos: “Não, não vislumbro aposentar meu salto alto! Mas eu tenho meus pés no chão, a vida é cíclica e eu sou uma gestora de amor. Eu tenho muitos planos para o Carnaval como uma empreendedora e como uma apaixonada. Falei no Conasamba, em que tive a oportunidade de ser embaixadora do maior congresso de Carnaval do mundo, que a gente precisa ver o Carnaval como algo maior do que uma manifestação cultural e uma festa. A gente consegue, sim, mudar vidas através da nossa arte. Sendo assim, por que não empreender e fomentar a economia criativa?”, indagou.
Ligação com o Extremo Sul
Desde quando chegou à Estrela do Terceiro Milênio, Sávia David parece bastante à vontade na comunidade. Mais que confirmar a impressão, ela própria exemplificou: “De fato, eu me dou bem com todos os segmentos da escola! O que acontece: no meu ponto de vista, rainha de bateria é muito mais do que abrilhantar uma bateria, é muito mais do que um corpo bonito e um samba no pé. Ela tem que ter afinidade e envolvimento não só com a escola de samba, mas com a comunidade – no caso, do Grajaú. É isso que eu busco fazer. No último final de semana eu tive a felicidade de me unir junto com alguns segmentos e algumas personalidades aqui da Estrela do Terceiro Milênio para gravar um clipe para a Cop. É muito bacana ver que os vizinhos e as pessoas que moram próximo à escola abraçaram a causa, até mesmo ajudaram a varrer a rua. Isso é Carnaval: é o coletivo. Uma andorinha só não faz Verão!”, brincou.
Coruja com sotaque
Diversas movimentações da Estrela do Terceiro Milênio chamaram atenção para o Carnaval 2027. A contratação de Paulo Barros é uma delas, tal qual outra chegada bastante badalada: a de Marcelo Misailidis para atuar como coreógrafo de comissão de frente ao lado de Régis Santos. Solo, ele foi bicampeão do Estrela do Carnaval (organizado e concedido pelo CARNAVALESCO) do Grupo Especial, em 2023 e 2025.
Perguntada se tinha algo a ver com a chegada de ambos, ela não desconversou: “Eu não tenho participação na chegada deles, mas eu preciso falar que eu fiquei muito feliz porque o Paulo Barros é uma pessoa que eu conheço fora do Carnaval. Quando eu morava em Ipanema, ele morava no mesmo bairro, e às vezes eu estava almoçando num restaurante na esquina e ele passava; às vezes eu estava treinando na academia e ele chegava. É uma pessoa que eu admiro demais. Fora o profissionalismo, admiro como pessoa. Já com o Marcelo Misailidis eu tive o prazer e a oportunidade de desfilar com ele na Beija-Flor. São dois grandes profissionais, e eu tenho certeza que a Estrela do Terceiro Milênio fez uma grande aposta”, finalizou.
O Carnaval de 2027 terá um significado especial para o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Estácio de Sá. A agremiação prepara uma celebração marcada pelo peso de sua história, e Raphaela e Feliciano vivem de maneira intensa a oportunidade de defender o pavilhão no desfile do centenário. Para ela, a responsabilidade ganha uma dimensão ainda maior justamente pelo legado construído pela Estácio ao longo de sua trajetória. A porta-bandeira destacou a importância de fazer parte de uma escola por onde passaram grandes nomes do carnaval.
“Se eu morrer amanhã… Não, mentira, que eu vou passar primeiro. Mas, sem dúvida, pelo peso histórico. A Estácio é a primeira centenária, por onde passaram grandes nomes e grandes jovens. Eu acabei de falar: hoje nós temos um pavilhão que o Bixo Novo já defendeu”, afirmou a porta-bandeira.
A experiência também se soma à trajetória pessoal de Raphaela. Com 25 desfiles, ela ressalta que cada apresentação possui um significado próprio, mas admite que a proximidade do centenário já provoca uma emoção diferente.
“Fico muito feliz, muito motivada. Acho que, assim, traz um plus. Porque cada ano é um ano. Eu tenho 25 desfiles, e cada um é tão especial quanto o outro. Cada um é único. Mas, ano que vem, com certeza, eu tô toda arrepiada”, contou Raphaela.
Sonho de menino no centenário
Para Feliciano, a oportunidade de defender a Estácio no ano em que a escola completa um século representa a realização de uma história construída desde a infância. O mestre-sala revelou que conheceu o carnaval por meio da agremiação e que estar agora à frente do pavilhão é uma forma de retribuir tudo o que a escola representa em sua trajetória.
“Gente, acho que hoje você vai ter a oportunidade de sentir o que é essa escola, o que é o estilo da Estácio. Assim, é a realização do menino que começou, que conheceu o carnaval através da Estácio. Hoje, poder retribuir esse sentimento e participar como sambista desse centenário é muito gratificante. É fora do normal o sentimento. É surreal”, declarou.
O mestre-sala também falou sobre a emoção de viver o processo de preparação para o desfile. Segundo Feliciano, a relação com a escola e com o pavilhão faz com que o momento tenha um impacto emocional ainda maior.
“E, de verdade, eu, como sambista, como mestre-sala, não tenho palavras para expressar o carinho de poder estar retribuindo esse momento da escola, sabe? Eu tô muito emocionado mesmo. Ao decorrer desse processo, está mexendo muito com o meu emocional por conta disso. Por conta do sentimento que eu tenho pelo pavilhão, pela escola”, completou.
Dedicação e busca pela inovação
A preparação do casal também passa pela parceria construída ao longo do trabalho. Raphaela destacou a dedicação de Feliciano e a disposição do mestre-sala em buscar novas possibilidades para a apresentação. Para ela, a participação da coreógrafa completa esse processo.
“Nossa, o mais difícil! Mas eu posso dizer que o Feliciano é dedicado ao máximo. E ele é tão dedicado que chega a ser chato, porque ele não desiste. E aí que entra o papel do terceiro elemento, que é a nossa coreógrafa”, brincou.
Raphaela também elogiou a criatividade do parceiro e ressaltou que a preocupação dele vai além da própria apresentação.
“Ele, graças a Deus, é muito criativo. Na minha opinião, é um dos melhores, mas tá sendo o melhor em atividade. Muito obrigada por poder ser conduzida por você. E, assim, a mente dele fervilha. Ele quer sempre inovar e fazer coisas nobres, sempre muito preocupado em estar apresentando o melhor”, afirmou.
Para a porta-bandeira, essa busca pela excelência tem como principal objetivo honrar o pavilhão da Estácio. “O melhor não só por ele, não só por nós, mas pelo pavilhão que ele defende. Especialmente você, no coração dele. Ele é isso: ele é amor, ele é dedicação, ele é entrega”, destacou.
Feliciano, por sua vez, retribuiu os elogios ao falar sobre as características de Raphaela como porta-bandeira. Segundo ele, a parceira reúne força, determinação e a essência necessária para defender um pavilhão. “Assim, a Rafa é uma mulher determinada, forte, aguerrida. Aquela que chega, coloca o pavilhão e todos olham, porque já tem cara de porta-bandeira. Já tem a essência da porta-bandeira”, definiu.
Raphaela e Feliciano também destacaram a fantasia que será utilizada pelo casal no Carnaval de 2027. Sem revelar detalhes que possam antecipar o visual da apresentação, os dois fizeram elogios ao figurino.
“Posso dizer que está belíssimo”, afirmou Raphaela.
Feliciano ressaltou especialmente o significado presente na roupa e destacou que nunca havia vestido um figurino com tamanho peso simbólico.
“Olha, o que eu posso dizer é que eu nunca vesti uma roupa com tanta representatividade”, declarou o mestre-sala.
As empresas de apostas ganharam espaço entre os grandes patrocinadores do esporte e do entretenimento brasileiro. No Carnaval, essa presença aparece em festas de rua, trios elétricos, blocos, camarotes e programações promovidas por prefeituras.
A expansão acompanha o amadurecimento do mercado regulado, mas também aumenta a cobrança por publicidade responsável, transparência contratual e proteção ao consumidor.
Para as marcas, o Carnaval oferece audiência nacional, forte circulação nas redes sociais e contato direto com milhões de pessoas.
Para quem pesquisa casas de apostas com depósito mínimo de R$5, regras de promoções e limites de participação, conforme o depoimento apresentado em um guia especializado do setor, é essencial verificar autorização federal, termos de uso e ferramentas de controle antes de depositar qualquer valor.
Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento. +18.
Como as bets ampliaram sua presença em grandes eventos?
O patrocínio cultural permite que uma operadora ultrapasse o ambiente esportivo e associe sua marca a música, turismo e celebrações populares. Em 2025, festas de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Olinda receberam apoio direto ou indireto de empresas do setor. Em Olinda, uma plataforma destinou R$1,67 milhão ao Carnaval, enquanto Recife teve a mesma empresa como patrocinadora master pelo terceiro ano consecutivo.
A estratégia busca reconhecimento de marca e relacionamento de longo prazo. Ao ocupar palcos, ativações e materiais de divulgação, as empresas alcançam públicos que talvez não acompanhem diariamente campeonatos esportivos. Essa exposição, porém, exige cuidado para que o patrocínio institucional não seja confundido com promessa de lucro ou incentivo ao jogo impulsivo.
Qual é o impacto econômico desses investimentos?
Recursos privados podem ajudar a financiar cachês, estrutura de palcos, segurança, comunicação, transporte e ações culturais. Também reduzem parte da pressão sobre o orçamento público e fortalecem fornecedores locais, incluindo produtores, montadores, costureiras, técnicos, bares, hotéis e serviços de mobilidade.
O efeito ocorre dentro de uma economia carnavalesca ampla. Segundo o Ministério do Turismo, o setor turístico brasileiro faturou R$18 bilhões em março de 2025, mês marcado pelo Carnaval, com crescimento de 6,6% em relação ao mesmo período anterior. Os dados estão na análise oficial sobre o recorde de faturamento do turismo nacional.
Apesar dos benefícios, a transparência continua sendo um desafio. Reportagens sobre o Carnaval de 2025 mostraram que alguns valores de patrocínio não foram divulgados inicialmente por empresas ou administrações públicas.
Sem contratos acessíveis, fica mais difícil avaliar quanto foi investido, quais contrapartidas foram oferecidas e como o recurso beneficiou a festa.
Como incentivar o jogo responsável?
A presença das marcas em eventos populares precisa ser acompanhada de educação financeira. Apostar deve ser tratado como entretenimento, nunca como renda, investimento ou solução para dívidas. O consumidor deve definir antecipadamente um limite compatível com seu orçamento e não utilizar dinheiro reservado para alimentação, moradia ou contas.
Também é importante evitar apostas durante momentos de euforia, frustração ou consumo de álcool, situações comuns em grandes festas. Tentar recuperar perdas com novos depósitos amplia o risco financeiro. Limites de tempo e dinheiro, pausas e autoexclusão são ferramentas necessárias quando o controle começa a diminuir.
Qual é o papel da regulamentação?
A Portaria SPA/MF nº 1.231/2024 estabeleceu diretrizes para jogo responsável, comunicação e publicidade. As regras exigem mensagens de alerta, restringem conteúdos enganosos e reforçam que apostas são permitidas apenas para maiores de 18 anos.
Em 2026, novas medidas ampliaram a proteção de crianças e adolescentes e determinaram identificação mais clara dos anunciantes autorizados.
O debate também chegou aos eventos culturais. Uma análise do Carnavalesco sobre as restrições à publicidade de apostas mostrou como propostas em discussão no Congresso podem afetar futuros contratos. O desafio é preservar fontes legítimas de financiamento sem normalizar mensagens que associem apostas a sucesso pessoal ou enriquecimento.
O que esperar do futuro dos patrocínios das bets?
A tendência é que os patrocínios continuem relevantes, mas com contratos mais fiscalizados e ativações menos agressivas. Operadoras, organizadores e poder público precisarão divulgar valores, contrapartidas e critérios de responsabilidade. O consumidor, por sua vez, deve reconhecer que visibilidade cultural não substitui licença, segurança ou controle financeiro.
A presença das bets no Carnaval pode contribuir para a organização da festa e para a economia local. A sustentabilidade dessas parcerias, contudo, dependerá do equilíbrio entre investimento comercial, transparência, educação financeira e proteção ao público.
A terceira etapa de venda de ingressos para os desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro no Carnaval 2027 terminou cercada de reclamações e questionamentos dos sambistas. O CARNAVALESCO procurou a Liesa para esclarecer pontos relacionados ao funcionamento da plataforma, à quantidade de ingressos disponibilizada em cada fase, ao combate à revenda irregular e à possibilidade de uma nova comercialização de entradas após a identificação de eventuais fraudes. A Ticketmaster, empresa responsável pela comercialização dos ingressos, também foi procurada pela reportagem, mas não enviou resposta até a publicação desta matéria. Caso a empresa se manifeste, o texto será atualizado.
Um dos principais questionamentos apresentados pelo público está relacionado ao funcionamento da plataforma durante a compra. Há relatos de pessoas que conseguem selecionar e reservar determinado ingresso, mas, no momento de concluir o pagamento, recebem a informação de que aquele ingresso já não está mais disponível. O CARNAVALESCO perguntou à Liesa como funciona esse sistema e por que uma entrada pode aparecer disponível para seleção e desaparecer no momento da confirmação do pagamento. A entidade informou que, diante das dificuldades relatadas pelos foliões, solicitou à Ticketmaster um relatório completo sobre o funcionamento da plataforma durante a terceira etapa de vendas.
“A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) acompanha nesta terça-feira, 11, as manifestações do público em relação à venda geral de ingressos para 2027. Diante das dificuldades relatadas por foliões quanto ao processo de compra, a Liga prontamente solicitou à Ticketmaster, operadora contratada para a comercialização, um relatório completo sobre o funcionamento da plataforma durante a venda”, informou a Liesa, segunda a entidade, o objetivo é apresentar ao público informações com transparência sobre a operação.
Quantos ingressos foram vendidos em cada etapa?
Outro ponto levantado pelo público diz respeito à quantidade de ingressos efetivamente disponibilizada nesta terceira fase. Nas redes sociais, houve questionamentos sobre a informação de que cerca de 15 mil pessoas (sendo 4 por CPF) teriam demonstrado interesse nos ingressos, enquanto o Sambódromo possui capacidade para um público muito superior. O CARNAVALESCO questionou a Liesa sobre quantos ingressos foram vendidos em cada uma das etapas realizadas até agora e como é feita a distribuição dos ingressos entre as diferentes modalidades de comercialização.
A entidade, porém, não informou os números de ingressos comercializados em cada etapa. A Liga explicou que duas etapas anteriores já foram realizadas: a venda do Passaporte Rio Carnaval, com acesso aos três dias de desfiles competitivos, e o Ingresso Sambista, que permite ao folião escolher livremente a data. A terceira etapa foi destinada à venda de arquibancadas especiais e cadeiras individuais. A Liesa também reforçou que novas etapas ainda serão realizadas para o Carnaval 2027, incluindo a comercialização de frisas e arquibancadas populares, com datas que ainda serão anunciadas.
Revenda de ingressos preocupa sambistas
Outro questionamento apresentado pelo CARNAVALESCO foi sobre a atuação da Liesa diante dos sites e perfis nas redes sociais que já anunciam ingressos para os desfiles de 2027 por valores superiores aos praticados oficialmente. A preocupação aumentou entre os sambistas diante da rapidez com que determinados setores aparecem como esgotados na plataforma oficial e, posteriormente, surgem em anúncios de revenda. A Liesa afirmou que mantém uma busca ativa por sites e perfis que comercializam ingressos acima dos valores oficiais.
“Esses casos, assim que identificados pela equipe ou reportados por usuários, são levados ao conhecimento da Ticketmaster para cancelamento das entradas”, afirmou a entidade. A Liga destacou ainda que os ingressos são nominais e intransferíveis e que são analisados os limites de aquisição por CPF.
Ingressos podem voltar à venda?
O CARNAVALESCO também questionou se existe a possibilidade de a Liesa identificar, após a venda, compras fraudulentas, irregularidades cadastrais ou problemas relacionados aos cartões utilizados na aquisição e, consequentemente, colocar novamente esses ingressos à disposição do público.
A resposta da entidade foi positiva. Segundo a Liesa, uma verificação das vendas realizadas é feita em todas as etapas. São analisados os limites de aquisição por CPF e o caráter nominal e intransferível dos ingressos.
“Pedidos que não atendem aos critérios são cancelados, e os ingressos correspondentes retornam à comercialização, conforme aconteceu no ano passado, em outubro”, explicou a Liga.
A informação abre a possibilidade de uma nova oferta de ingressos caso sejam identificadas irregularidades nas compras realizadas nesta terceira etapa.
Liesa reconhece frustração do público
A Liesa afirmou que acompanha as manifestações dos foliões e reconheceu a frustração de quem não conseguiu comprar ingressos.
“Consciente da importância do espetáculo para o público carioca e brasileiro, a Liesa acolhe a frustração de quem não conseguiu garantir os ingressos. Seguimos trabalhando para que o acesso à Sapucaí seja o mais amplo e transparente possível”, afirmou.
Apesar da resposta, alguns dos principais questionamentos levantados pelo público ainda dependem das informações que serão apresentadas pela Ticketmaster no relatório solicitado pela Liesa, especialmente em relação ao funcionamento da fila e à dinâmica de disponibilidade dos ingressos durante a confirmação da compra. A empresa foi procurada pelo CARNAVALESCO para esclarecer esses pontos, mas não respondeu até a publicação desta matéria. Caso a Ticketmaster envie um posicionamento, a reportagem será atualizada.
A União de Maricá recebeu em seu barracão na Cidade do Samba, a visita do cineasta Piratá Waurá, representante do povo Wauja, do Xingu. O encontro promoveu uma troca de conhecimentos sobre a cultura dos povos originários e a trajetória de Darcy Ribeiro. Durante a visita, Piratá conheceu o projeto do Carnaval 2027, os protótipos de fantasias e detalhes da construção do desfile ao lado do carnavalesco Edson Pereira e do enredista Mauro Cordeiro.
Durante a passagem pelo barracão, o representante do povo Wauja também conversou com integrantes da equipe responsável pelo desenvolvimento do projeto e conheceu as diferentes etapas de preparação do desfile. A visita integra o processo de aproximação da União de Maricá com representantes dos povos indígenas, buscando estabelecer um diálogo direto sobre as culturas, histórias e saberes que fazem parte da narrativa desenvolvida pela escola.
“Fico muito impressionado em ver de perto a construção desse trabalho e ainda mais feliz por saber que a escola vai homenagear Darcy Ribeiro, uma grande referência e um grande mentor na defesa da vida, da proteção do meio ambiente e dos povos indígenas. É muito importante dar visibilidade não apenas a uma história, mas também ao que acontece atualmente, trazendo um olhar sobre a cultura de outros povos e mostrando os conhecimentos que foram aprendidos e compartilhados com os povos indígenas”, disse Piratá Waurá.
A presença de Piratá no barracão também permitiu ao carnavalesco apresentar referências utilizadas na construção do desfile e ampliar o diálogo sobre a representação dos povos indígenas no projeto. Para a União de Maricá, o contato com pessoas que vivenciam diretamente essas culturas é parte importante do processo de desenvolvimento de um trabalho que respeite suas referências e conhecimentos. A visita também fortaleceu o intercâmbio estabelecido pela escola durante a preparação para o Carnaval 2027.
“A gente fica muito feliz em ter a presença do Piratá aqui, validando o nosso trabalho, mostrando esse lugar de pertencimento e vendo esse projeto ser reconhecido. Ninguém melhor do que ele para chancelar o nosso trabalho e estamos muito felizes em recebê-lo. Em breve, estaremos lá (no Xingu) também, dando continuidade a essa troca”, afirmou o carnavalesco Edson Pereira.
A visita de Piratá Waurá faz parte do processo de construção do enredo “Utopia Brasil: Darcy Ribeiro”, que será apresentado pela União de Maricá na Marquês de Sapucaí. Ao longo da preparação para o Carnaval, a escola tem promovido encontros e atividades de pesquisa com pessoas e instituições relacionadas à trajetória de Darcy Ribeiro e aos povos originários. A proposta é transformar essas conexões em elementos do desfile e ampliar a abordagem sobre o pensamento, o legado e a visão de Brasil defendida pelo antropólogo.
A União de Maricá abrirá os desfiles do Grupo Especial no domingo, 7 de fevereiro de 2027. Com o enredo “Utopia Brasil: Darcy Ribeiro”, a escola homenageará um dos principais intelectuais brasileiros e abordará sua atuação em defesa da educação, da cultura, do meio ambiente e dos povos originários. O desfile também apresentará a visão de Darcy Ribeiro sobre um Brasil mais justo, democrático e consciente de sua própria identidade.
A toalhinha voltou! No último sábado, a Dragões da Real anunciou o retorno de Jorginho Soares ao seu quadro de intérpretes. A informação foi revelada no palco da “Caverna do Dragão” pelo presidente Renato Remondini, o Tomate, durante a semifinal de samba-enredo da escola, que visa ao Carnaval 2027. O momento em que a comunidade soube da volta de Jorginho foi carregado de emoção e alegria. Ao ser anunciado pelo presidente Tomate, o intérprete, que defendeu a Dragões da Real por 13 anos, foi ovacionado e teve seu nome gritado pelos presentes na quadra. O CARNAVALESCO ouviu do cantor o que significa essa recepção calorosa e sua relação afetiva com a escola.
“Você estava aqui, você viu como foi a explosão na quadra? Modestamente dizendo, quando eu entrei na quadra, ninguém sabia o que aconteceria. Só sabiam que eu ia defender algum samba. E a recepção foi gigantesca, sem saberem que eu ia retornar. Quando o presidente anunciou o meu retorno, você viu como foi. Só posso agradecer. Eu sou feliz demais por ter a oportunidade de cantar em duas grandes escolas de São Paulo e ter a função de ser o segundo intérprete nas duas escolas e segurar o show e apresentações na ausência do Tinga e na ausência do Émerson. Só posso agradecer ao presidente Tomate e ao presidente Fabinho por confiarem no meu trabalho”, explicou.
O Carnaval paulistano vive hoje uma evolução sólida e estrutural como produto. Por trás do ápice da técnica, do método, da organização e do profissionalismo, ainda há, e ainda bem, espaço para a amizade cumprir seu papel central nas motivações humanas. Segundo Jorginho, que defenderá em 2027 as escolas Dragões da Real, Império de Casa Verde e Unidos de Santa Bárbara, sua saída e a costura de sua reentrada na caverna tricolor passaram intrinsecamente por esse fator.
“Dragões, assim como o Império, é minha casa. Quando eu fui para o Império, fui atender ao pedido de um grande amigo. Na verdade, o presidente é meu amigo, o Fabinho, o Fabiano Sorriso, o PH, mas eu fui principalmente atender ao pedido do Tinga, que é um grande irmão que eu tenho. No primeiro momento, a intenção já era ficar nas duas. Mas, naquele momento, a diretoria achou que não era interessante e eu segui meu caminho. Com o problema que teve o Renê Sobral, o Emerson veio, mas, mesmo assim, foram três peças que saíram: o Renê Sobral, eu já tinha saído e o Fernando. E a escola, mesmo com a reposição, entendeu como necessária a minha volta. Tomate me procurou, e eu disse: ‘Agora conversa com o outro presidente, com o Fabinho’. Só que eles são amigos e, como era a minha intenção ficar nas duas, o Fabinho não colocou empecilho e, dessa forma, foi. Entraram em comum acordo e falaram: ‘Dragões ensaia de sábado e desfila na sexta de Carnaval. Império de Casa Verde ensaia de domingo e desfila no sábado de Carnaval; não tem problema nenhum’. Eu ainda tenho Santa Bárbara, que desfila uma semana antes”, contextualizou.
A semifinal de samba-enredo não foi um mero pretexto para o cantor revelar que estava de volta. Ele não só defendeu um dos sambas concorrentes, como também abriu o gogó em quatro dos cinco semifinalistas. O enredo “Sob as bênçãos de Xangô, a coroação do príncipe Reinaldo” está próximo de conhecer seu samba. Os sambas finalistas 03, 77 e 90 serão interpretados justamente por Jorginho Soares na finalíssima, e ele comentou não apenas sua expectativa, mas também como o enredo que homenageia o Príncipe do Pagode, Reinaldo, influenciou seu regresso e mexe diretamente com sua trajetória artística.
“Na conversa que eu tive com o Tomate para retornar, eu falei: ‘Tomate, eu tinha que cantar esse! Eu tinha que desfilar cantando esse samba-enredo, esse enredo, porque eu participei do DVD do Reinaldo. Eu fui backing vocal do DVD do Reinaldo em 2007. Ou seja, 20 anos depois, poder cantar Reinaldo na avenida, para mim, é muito emocionante. O cara fez a trilha sonora da minha vida também. Cresci ouvindo o cara toda a minha adolescência. É emocionante demais! Tinham grandes obras que ficaram pelo caminho, porque as cinco que vieram para o palco são gigantescas. Eu não crio expectativa porque eu vou cantar as três finalistas; os sambas 04, 77 e 90 são três grandes obras. A diretoria está maluca e vai esperar sábado que vem para ver quem leva”, concluiu.