Uma enquete promovida pelo CARNAVALESCO no X (antigo Twitter) movimentou os torcedores da Acadêmicos do Grande Rio e apontou quem é a favorita do público para assumir o posto de rainha de bateria da escola de Duque de Caxias no Carnaval 2027. A consulta foi realizada após o anúncio da saída de Virginia Fonseca, que decidiu deixar a função alegando mudanças em sua rotina e a necessidade de dedicar mais tempo à família e aos negócios.
Na pesquisa, a atriz Paolla Oliveira, que reinou à frente dos ritmistas comandados pelo mestre Fafá apareceu na liderança com ampla vantagem, recebendo 48,1% dos votos. Em segundo lugar ficou a atriz Erika Januza, com 26%. A musa da escola, Santinha, somou 17,5%, enquanto Brunna Gonçalves recebeu 8,4% da preferência dos participantes.
O resultado reforça um movimento que já vem ganhando força nas redes sociais desde a despedida de Virginia. Diversos torcedores e componentes da tricolor de Caxias passaram a defender o retorno de Paolla, nome que construiu forte identificação com a comunidade.
A saída de Virginia, anunciada nesta semana, abriu oficialmente a disputa pelo posto mais cobiçado da bateria da Grande Rio. Desde então, diferentes nomes passaram a ser especulados nos bastidores e nas redes sociais, aumentando a expectativa para a decisão da diretoria da escola.
Até o momento, a Grande Rio ainda não se pronunciou sobre quem ocupará o cargo no Carnaval 2027. Enquanto a definição oficial não acontece, o resultado da enquete do CARNAVALESCO mostra que, para grande parte do público, a preferência é clara: Paolla Oliveira segue sendo o nome mais desejado para voltar a reinar à frente da bateria de mestre Fafá.
A Unidos da Tijuca realizou, na última quinta-feira, a terceira noite de disputa pelo samba-enredo do Carnaval 2027. Na segunda eliminatória do concurso, nove parcerias se apresentaram na quadra da escola em busca de uma vaga na próxima fase. A rodada teve obras de forte apelo melódico, diferentes formas de desenvolver a trajetória de Samuel e apresentações que se destacaram pela conexão entre letra, música e enredo. O enredo tijucano para 2027, “A Cabeça do Santo”, é baseado no romance homônimo da escritora cearense Socorro Acioli. A história acompanha Samuel, jovem que parte de Juazeiro do Norte, no Ceará, para cumprir uma promessa feita à mãe antes de sua morte: encontrar a avó e o pai que nunca conheceu. Na caminhada até Candeia, ele encontra abrigo dentro da cabeça abandonada de uma estátua inacabada de Santo Antônio e descobre que, naquele local, consegue ouvir as orações das mulheres que pedem ajuda ao santo casamenteiro. A partir daí, sua trajetória passa a envolver fé, amor, perdão, família e elementos de realismo fantástico. Abaixo, a análise do CARNAVALESCO sobre o desempenho das parcerias.
Parceria de Claudio Mattos: Abrindo a noite de apresentações, a parceria de Claudio Mattos, Gustavinho Oliveira, Anderson Lemos, Daniel Goulart e James Bernardes teve um desempenho seguro, mesmo com a ausência importante de Pitty de Menezes. Rafael Tinguinha conduziu a interpretação e garantiu consistência nas duas primeiras passadas, embora tenha sido percebida uma pequena perda de intensidade na apresentação final. O refrão principal, “Valei-me, Santo Antônio, venha me valer, abençoe a Tijuca que tem sede de vencer, arriégua, faço um pedido ao céu, chegou a hora do milagre do Borel”, funcionou bem como conjunto e apresentou boa capacidade de sustentação durante a execução.
Na primeira parte, a letra reúne passagens de destaque, especialmente nos versos que narram a partida de Juazeiro e a esperança carregada pelo personagem. Há imagens interessantes e uma construção poética que contribui para o desenvolvimento da história. Musicalmente, porém, o trecho apresenta menos impacto nas variações melódicas, fazendo com que alguns momentos percam força.
A segunda metade cresce em relação à primeira, principalmente pela condução da melodia e pela transição para o refrão, que acontece de maneira natural e bem construída. No conjunto, a parceria apresentou um samba equilibrado e competitivo, superando o desafio de abrir a noite e ainda lidar com o desfalque de um de seus principais intérpretes.
Parceria de Dudu Nobre: Com Tinga à frente da interpretação, a parceria formada por Dudu Nobre, Totonho, Fadico, Júlio Alves e Kadu Gomes apresentou um dos sambas mais bem resolvidos musicalmente da noite. O intérprete manteve uma atuação firme e vibrante durante as três passadas, contribuindo para que a obra preservasse sua intensidade do início ao fim. A melodia apresenta boas soluções e conversa de maneira eficiente com a narrativa. O pré-refrão conduz bem para o refrão principal, enquanto o trecho de meio, marcado por uma levada de xote, acrescenta identidade à composição e reforça a ambientação nordestina proposta pelo enredo.
A letra também se destaca pela riqueza de imagens e pela capacidade de transportar a história para o universo do sertão. Há bons momentos na construção da trajetória do personagem, com referências à fé, à peregrinação e à busca por dignidade. A segunda parte ganha um caráter mais lírico, acompanhando o momento de redenção do personagem e criando uma boa ligação entre conteúdo e melodia. O refrão principal mantém o nível, com uma mensagem de amor, reconstrução e valorização do povo nordestino.
A composição, porém, apresenta um ponto que poderia ser melhor amarrado na narrativa. A figura de “João Ninguém”, apresentada inicialmente como representação de tantos pais e famílias brasileiras, perde espaço ao longo da obra, justamente quando a história de Samuel também passa pela busca pelo próprio pai. Essa conexão poderia ser mais clara para reforçar o eixo central da trajetória do personagem. Ainda assim, é um samba de boa construção, com personalidade melódica, letra criativa e forte comunicação com o enredo.
Parceria de Leandro Gaúcho: Wantuir conduziu a apresentação do samba de Leandro Gaúcho, Ailson Picanço, Padre Felipe Calisto, Marcelo Moraes e Ricardo Construção em uma passagem segura. A obra aposta em uma sonoridade fortemente regional, explorando elementos melódicos que remetem ao universo nordestino e ajudam a ambientar a trajetória de Samuel. A primeira parte é o principal destaque. A melodia apresenta bastante fluidez, com uma cadência próxima do arrasta-pé que dá movimento à composição e combina bem com a narrativa. A letra acompanha esse ambiente com expressões e imagens ligadas ao sertão, contribuindo para a construção da atmosfera proposta pelo enredo.
O pré-refrão é outro momento de destaque, especialmente pela maneira como trabalha a palavra “Rosário”. O termo dialoga tanto com o objeto de devoção religiosa quanto com a personagem que faz parte da busca de Samuel, criando uma interessante camada de interpretação para a narrativa. Na segunda metade, porém, a obra perde parte da energia apresentada inicialmente. A melodia se torna menos envolvente e a passagem acaba sendo um pouco mais arrastada. O refrão principal recupera parte dessa força e fecha o samba com uma mensagem de fé, luta e desejo de vitória para a Tijuca.
No conjunto, é uma composição que encontra sua maior virtude na identidade regional e na boa combinação entre melodia e ambientação nordestina. A primeira parte e o pré-refrão são os momentos de maior destaque, enquanto a segunda metade ainda apresenta espaço para ganhar mais força e dinamismo.
Parceria de Arlindinho: Igor Sorriso comandou a defesa do samba de Arlindinho, Igor Leal, Diego Nicolau, Fred Camacho e Bruno Dallari em uma das apresentações mais fortes da noite. A obra chama atenção desde os primeiros compassos pelo andamento envolvente e por uma melodia que incorpora elementos do forró e do arrasta-pé sem perder a característica de samba-enredo. O refrão do meio é um dos grandes trunfos da composição. A mudança de dinâmica e a maneira como os versos são encaixados na melodia dão movimento à obra, criando um momento de forte comunicação com o público. O samba também utiliza vocalizes e soluções próximas do canto popular, reforçando a atmosfera nordestina que atravessa toda a composição.
A letra é outro ponto de destaque. A parceria consegue transformar passagens da sinopse em versos com liberdade poética, utilizando uma oralidade característica do Nordeste que aparece em expressões como “visagi”, “zói” e “muié”. A abertura sintetiza com eficiência a trajetória de Samuel, apresentando suas dores, sua origem e a condição de um personagem marcado pela falta e pela busca.
Musicalmente, o samba apresenta boas variações e mantém um fluxo bastante agradável. Alguns versos são desenvolvidos de maneira mais acelerada, criando contrastes interessantes dentro da composição, enquanto o refrão principal cresce progressivamente e ganha força a cada passagem. Com boa construção melódica, letra inventiva e um andamento que favorece a condução da narrativa, o samba de Arlindinho foi um dos grandes destaques da noite.
Parceria de Gabriel Machado: Charles Silva conduziu com bastante vigor o samba de Gabriel Machado, Júlio Pagé, Hélio Porto, Serginho Motta e Orlando Ambrósio, garantindo uma apresentação consistente nas três passadas. A interpretação trouxe vivacidade à obra e ajudou a manter o samba em movimento, sem grandes oscilações de rendimento. A melodia é agradável e bem estruturada, com soluções que favorecem a fluidez da composição. O refrão central é um dos momentos mais interessantes nesse aspecto, combinando uma condução melódica envolvente com elementos que reforçam a atmosfera de fé e religiosidade presente no enredo.
O refrão principal também apresenta bastante força, sustentado por uma melodia mais vigorosa e de andamento para frente, que funciona bem como ponto de chegada da composição. É um trecho que ganha ainda mais força pela interpretação de Charles Silva. Na letra, a segunda parte se destaca pela maneira como desenvolve o arrependimento de Samuel e seu encontro com Nossa Senhora do Rosário. O trecho que apresenta o perdão e a fé como caminhos para a transformação do personagem é bem construído, especialmente no jogo de palavras que relaciona a ideia de que “o amor se encontra na fé” com a própria trajetória.
No conjunto, a parceria apresentou um samba bem resolvido, com melodia de fácil assimilação, letra que consegue avançar na narrativa e uma interpretação bastante segura. Uma boa apresentação, que colocou a obra entre os destaques dessa segunda eliminatória.
Parceria de Márcio André: Nêgo foi a voz principal do samba de Márcio André, Daniel Katar, Robson Bastos, Rômulo Massacessi e Gilson Bernini. Em alguns momentos, o intérprete demonstrou dificuldade com determinados trechos da letra, mas contou com bom suporte dos cantores de apoio, o que ajudou a manter a apresentação equilibrada e sem comprometer o rendimento geral da obra. A melodia é um dos pontos positivos do samba, com variações que tornam a condução agradável e envolvente. A composição consegue passear por diferentes momentos da narrativa sem perder fluidez, e a letra acompanha esse percurso, apresentando de maneira clara a trajetória de Samuel.
O refrão do meio é, provavelmente, o maior destaque musical da obra. A levada descontraída de “Vixe Maria” combina com o caráter popular da narrativa e cria um momento bastante agradável de cantar, especialmente pela construção da cena de uma cidade em alvoroço diante do episódio do santo sem cabeça. É um trecho que apresenta personalidade e se comunica facilmente com o público.
A letra também encontra bons momentos ao abordar a peregrinação de Samuel, especialmente na passagem que parte do Cariri e apresenta o sertão transformado em mar. São imagens que ajudam a traduzir poeticamente a dimensão fantástica da história e demonstram boa compreensão do enredo. O principal ponto de atenção está justamente no refrão principal. Apesar de cumprir a função de encerrar a composição, não apresenta a mesma força encontrada no refrão de meio e passou de maneira mais morna durante a apresentação. A sensação é de que o samba perde impacto na reta final.
Ainda assim, a parceria encerrou a noite com uma apresentação segura, sustentada por uma melodia interessante, boa leitura do enredo e um refrão de meio bastante marcante.
Parceria de Samir Trindade: Evandro Malandro e Tem-Tem Jr. defenderam o samba de Samir Trindade, Sandro Nery, Kléber Rodrigues, JP Figueira e Gilberth Castro em uma apresentação bastante equilibrada. A obra se diferencia pela escolha de colocar Samuel como narrador da própria história, em primeira pessoa, aproximando o personagem do público e fazendo com que sua trajetória adquira um caráter mais íntimo e universal. A melodia é bem construída e encontra soluções que favorecem a carga emocional da composição. O refrão do meio é um dos pontos altos, especialmente pela maneira como trabalha imagens de céu, areia, sol e mar para traduzir o ambiente de realismo fantástico presente na narrativa. A repetição dos versos contribui para criar uma atmosfera de busca e incerteza, acompanhando o percurso do personagem.
O pré-refrão é outro grande acerto. A passagem que aproxima Santo Antônio da esperança, relacionando o sertão ao Borel, conduz muito bem a obra e culmina no “Rodeia, rodeia, rodeia, meu Santo Antônio, rodeia”, momento que teve excelente resposta na apresentação e se tornou um dos trechos mais marcantes do samba.
A segunda parte se destaca pela força narrativa. O arrependimento de Samuel, sua peregrinação, o encontro com a própria fé e, principalmente, o reencontro com o pai são desenvolvidos com sensibilidade. A imagem de que “cabeça e corpo se abraçaram” resume de maneira poética o perdão e a reconciliação que representam o ponto de transformação da trajetória do personagem. A combinação entre uma melodia bem resolvida, uma narrativa envolvente e uma interpretação de alto nível resultou em uma das apresentações mais completas da noite.
Parceria de Lico Monteiro: Wander Pires conduziu o samba de Lico Monteiro, Marcelo Adnet, Marcelo Lepiane, Telmo AG da Estiva e Juca Gomes em uma apresentação de bom nível. O intérprete explorou bem a linha melódica da composição, que aposta na narrativa em formato de “causo” e encontra diferentes maneiras de aproximar o público da trajetória de Samuel. A primeira parte é um dos pontos fortes da obra. Logo no início, a letra apresenta a motivação da jornada do personagem, estabelecendo a promessa feita à mãe e o sentido de sua caminhada. A composição não entrega todas as respostas de imediato, mas oferece ao ouvinte a informação necessária para compreender o que impulsiona Samuel.
A parceria também acerta ao trabalhar uma linguagem popular e bem-humorada em determinados momentos. O trecho que fala em rezar para Santo Antônio, procurar um “cazuá” e fazer uma simpatia para Toinho descansar traz leveza à narrativa e encontra uma melodia bastante agradável, explorada com segurança por Wander. Na segunda parte, a obra ganha ainda mais força musical. A passagem iniciada por “Chorar, chorei” apresenta uma mudança melódica mais dolente, criando um contraste interessante e preparando a chegada do refrão principal. O fechamento retoma a trajetória de Samuel e, ao mesmo tempo, estabelece um diálogo com a própria Tijuca, transformando a missão do personagem em uma espécie de metáfora para a escola. O refrão principal teve boa sustentação nas três passadas e funciona como um encerramento coerente para a história, especialmente pela ideia de luta, fé e cumprimento da missão.
Wander Pires apresentou uma atuação segura, embora tenha optado por uma condução mais contida do que aquela que o público costuma associar ao intérprete. Até algumas de suas marcas tradicionais, como o conhecido “a hora é essa” e o “valeu” ao fim da apresentação, ficaram de fora, com o primeiro momento sendo assumido por Wandinho. Foi uma apresentação um pouco diferente do Wander que estamos acostumados a ver, sem que isso comprometesse o rendimento do samba. No conjunto, a parceria entregou uma obra criativa, bem narrada e musicalmente consistente, com destaque para a primeira parte, a bela virada de “Chorar, chorei” e um refrão principal que sustentou bem a apresentação.
Parceria de Ian Ruas: Dowglas Diniz e Vitor Cunha conduziram o samba de Ian Ruas, Caio Miranda e José Carlos em uma apresentação que encerrou a noite em alta. A obra aposta em uma narrativa sentimental, com forte presença do realismo fantástico e uma melodia que alterna momentos mais líricos com passagens de maior movimento. A primeira parte se destaca pela construção poética dos sentimentos de Samuel. As imagens de terra rachada, estrada, dor e busca pelo amor ajudam a traduzir os medos e as incertezas do personagem, criando uma atmosfera bastante coerente com a proposta do enredo.
O refrão de meio é um dos grandes acertos do samba. A mistura de batuque, arraiá, gingado e elementos da cultura popular nordestina produz uma passagem ritmada e agradável, que ganhou bastante força na interpretação dos cantores. É também um trecho em que a composição consegue unir a dimensão fantástica da história à musicalidade regional. A letra ainda encontra espaço para trabalhar o perdão, elemento importante na trajetória de Samuel, em uma passagem que coloca frente a frente o personagem e seu pai. Esse aspecto ajuda a dar continuidade à narrativa e prepara o terreno para a resolução da história.
O refrão principal funciona bem como encerramento. Com uma melodia bonita e uma condução mais festiva, aproxima a fé da celebração popular e termina a obra com uma sensação de afirmação e esperança.
Durante a apresentação, o microfone de Dowglas Diniz apresentou algumas falhas e precisou ser substituído. A intercorrência, porém, foi rapidamente contornada e não comprometeu o rendimento da obra. No conjunto, foi uma boa apresentação, com andamento para cima, boa variedade melódica e uma letra que desenvolve com sensibilidade os principais elementos da trajetória de Samuel. Uma forma eficiente de fechar a noite.
A disputa de samba da Beija-Flor de Nilópolis afunilou. Na noite da última quinta-feira, sete parcerias se apresentaram na quadra da escola em busca de uma vaga na próxima etapa, e a parceria de Paulo Cesar Feital foi eliminada nessa terceira rodada. Os seis sambas restantes seguem na briga e voltam a se apresentar na quarta eliminatória, marcada para a próxima quinta-feira, dia 20. Em 2027, a “Deusa da Passarela” levará à avenida o enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, em homenagem a Zeneida Lima, a última pajé marajoara. Abaixo, a análise do CARNAVALESCO dos seis sambas classificados.
Parceria de Junior Trindade: O samba 05, de Júnior Trindade, Samir Trindade, Laura Romero, Cleiton Roberto, Doguinha Guaracimir e Marcão da Gráfica, foi defendido pelo cantor Bruno Ribas. A parceria abriu a terceira noite de eliminatória com uma apresentação sem muito brilho. Os dois refrões renovam a vitalidade da obra, que exige canto forte e constante, o que não é uma dificuldade para uma escola como a Beija-Flor. Na segunda parte, os versos “Mãe luz de Nazaré / Me mantém de pé na esperança / Por Deus, pelos ancestrais / Nas lutas sociais, proteja as crianças” demonstram força poética de fino trato em uma melodia que prepara bem o crescimento do refrão principal. Entretanto, os primeiros versos da primeira estrofe soam truncados, dificultando a compreensão da letra. Apesar da animação da torcida no refrão principal, o canto cai consideravelmente no restante do samba. Uma apresentação regular.
Parceria de Márcio França: Segunda parceria a se apresentar, o samba 77, de Márcio França, Fábio Leite, Rodrigo Tinta, Guinho, Cleissinho Teixeira e Eduardo Amsterdam, passou de maneira correta. A letra como um todo é de fácil assimilação, e muito se deve à performance de Ronaldo Júnior, Diego Nascimento, Guinho, Diego Natural e Rodrigo Carvalho. No entanto, a letra pouco desdobra, em termos poéticos, a sinopse da Beija-Flor. Há trechos muito genéricos que não trazem especificidade à personagem que a escola irá homenagear em 2027, o que indica uma perda poética no samba-enredo. Os versos do trecho “Abri os caminhos, minhas ervas têm poder / Folhas caídas fazem a vida rejuvenescer / Invoco a energia ancestral” são uma boa abertura. Já o refrão principal é bem cantado pela torcida presente, que trouxe um grupo de mulheres vestidas com saias de chita, com galhos e cocares nas mãos.
Parceria de Marquinho Beija-Flor: Destaque da noite, o samba 13 começou a ser cantado antes mesmo de Pixulé puxar seu grito de guerra. Excelente apresentação da parceria de Marquinho Beija-Flor, Claudio Russo, Chacal do Sax, Rômulo Massacesi, Julio Alves e Léo Freire. O refrão do meio é um primor, e os versos “É de pena e maracá! / É de pena e maracá! / Eu sou cabocla com herança africana / Mestre Mundico me ensinou a dar o nó em caruá! / Eu tenho a alma nilopolitana” evocam um canto afirmativo e orgulhoso da identidade Beija-Flor. Um prato cheio para a comunidade nilopolitana. Na segunda parte, os versos “Vem no balanço do siriá / Marujada e carimbó / Quem ensina é aguaguara / No curumim vi o futuro no olhar / A Baixada a invocar a força marajoara” fazem uma variação melódica que areja a obra, e o samba explode no refrão principal. Uma grande apresentação de um samba que desponta na disputa.
Parceria de Diogo Rosa: Uma parceria que apresentou ótimo rendimento foi o samba 01, de Diogo Rosa, Julio Assis, Kirraizinho, Manolo, Clay Rodolfo e Dr. Luiz Claudio, defendido por Tinga. A cabeça do samba carrega, nos versos “Moço, espia só / Invisível vira folha / Folha vira pó”, um jeito interessante de entrar no enredo. A obra conta com variações melódicas que evocam o canto da escola. Tanto o refrão do meio quanto o refrão principal crescem e são bem cantados. No entanto, a segunda parte cai um pouco porque está entre dois momentos cantados com muita força. Destaque para os versos “Fiz da vida minha escola, nesse azul que não tem fim / Dedico a poesia em tributo, onde o amor é instituto / que ensina curumim / gratidão que borda o manto e assenta a altivez / evoca o mundo místico outra vez”. Uma ótima apresentação.
Parceria de Sidney de Pilares: O samba 39, de Sidney de Pilares, Pedro Marajoara, Dudu Nobre, Marcelo Lepiane, Salgado Luz e João Conga, foi defendido por Igor Sorriso e Igor Vianna. A obra passou de maneira irregular na terceira noite de eliminatórias. O refrão principal anima, mas o samba como um todo apresenta uma melodia truncada. Problema que se concentra sobretudo na primeira parte, quando a estrofe inicial, extensa, dá lugar a estrofes bem mais curtas, o que compromete a compreensão do canto logo de saída. A torcida presente festejou com bandeiras e cantou animada o refrão, mas não sustentou o samba como um todo. Uma apresentação irregular.
Parceria de Junior PQD: Outro destaque da noite foi o samba 02, de Júnior PQD, Ailson Picanço, Junior Billy Mandy, Geral M., Felício, Marquinho Paloma e Marcelo Moraes, defendido por Pitty de Menezes. A primeira parte da obra conta com belíssimas melodias que evocam os mistérios da floresta, como nos versos “Três luas te aguardam na floresta / pintando a sua tez morena / acende o brasileiro pra aldeia tremer / corre sangue mineira Naê, sem medo nós vamos lutar”. Destaque para os versos “Tecer pelas mãos da curandeira / O azul dessa bandeira que o céu vai colorir”, de encantamento. O refrão principal passa com muito vigor, mérito da construção melódica do samba e da performance de Pitty, que fez a torcida presente cantar muito bem a obra. Excelente apresentação.
O Carnaval 2027 está a pleno vapor. O CARNAVALESCO ouviu o público presente na Festa dos Enredos, na Cidade do Samba, para saber quais foram as escolas que mais se destacaram durante as apresentações e as que deixaram uma pulga atrás da orelha.
O arquiteto Luiz Aguiar, de 50 anos, torcedor do Salgueiro, disse que adorou todas as apresentações, mas que se surpreendeu com a sua escola. Ele também afirmou que todos os enredos deste ano são muito bons.
Arquiteto Luiz Aguiar, torcedor do Salgueiro. Fotos: Victor Busch/CARNAVALESCO
“As apresentações estão sendo maravilhosas. Só tem enredo bom. Este ano só tem enredo maravilhoso. Todos são maravilhosos. Gostei muito de xica da Silva (Salgueiro)”.
O ajudante de técnico, Raphael Santos, de 34 anos, torcedor da Viradouro, gostou muito de todos os enredos e disse que se surpreendeu com a sua escola e também com a Imperatriz.
Ajudante de técnico, Raphael Santos, torcedor da Viradouro
“Achei bonitos todos os enredos, mas o que me deixou muito empolgado, além da minha, com Griô, foi o da Imperatriz, que teve uma linda apresentação. Mas essa noite só mostra como, a cada ano, fica muito competitiva a disputa”.
O ajudante de serviços de exportação, Carlos Silva, de 49 anos, que tem duas paixões, Viradouro e Beija-Flor, se encantou com as apresentações da Imperatriz, Mangueira e Mocidade e se decepcionou com a apresentação da Grande Rio.
Ajudante de serviços de exportação, Carlos Silva tem duas paixões, Viradouro e Beija-Flor
“Me emocionei muito na apresentação da Mangueira, porque o meu orixá é Oyá, me faz lembrar um pouco daquele carnaval da Maria Bethânia, em 2016. Achei também muito linda a Imperatriz, que empolgou demais cantando os sambas clássicos, e a Mocidade, falando da latinidade. Eu esperava um pouco mais da Grande Rio. Não é que estava horrível, mas senti falta de alguns sambas de que eu gosto, como o de 2022”.
A enfermeira, Shirley Costa, de 46 anos, torcedora apaixonada pela Mangueira, se encantou com a apresentação da Verde e Rosa e afirmou que este ano é um dos melhores em relação aos enredos dos últimos tempos.
Enfermeira, Shirley Costa torcedora apaixonada pela Mangueira
“A Mangueira estava muito bonita na apresentação de hoje. A comunidade veio para mostrar que estamos na briga pelo campeonato este ano. Mas este vem para ser um dos melhores anos de enredos dos últimos tempos, porque são todos bonitos e interessantes, pois cada um traz diversos temas que dão alegria e a empolgação de que chegue logo o Carnaval de 2027”.
O assistente social, Douglas Motta, de 32 anos, que possui paixão pelo Salgueiro e pela Mocidade, afirmou que não teve nenhuma apresentação que o decepcionou. Ele ficou encantado com todas as apresentações e acredita que este ano será bastante disputado.
Assistente social, Douglas Motta possui paixão pelo Salgueiro e pela Mocidade
“Vou te dizer sinceramente: não achei nenhuma apresentação que me decepcionou. Nenhuma me fez pensar diferente, de que, olha, o enredo não vai ser bem mostrado na Sapucaí. Todos conseguiram me mostrar que vem mais um bom ano competitivo e que nenhuma vai querer cair para a Série Ouro no Carnaval de 2028. Teremos uma ótima disputa, e quem ganha com isso somos nós, apaixonados pelo carnaval”.
Com a temporada de escolhas de samba-enredo a todo vapor, as redes sociais viram extensão das quadras. A cada apresentação, surgem análises, torcidas, elogios e, claro, críticas às obras que disputam um lugar na Avenida. Mas, em meio à paixão pelo carnaval, até onde vai a liberdade de opinar? Em conversa com o CARNAVALESCO, sambistas refletem sobre os limites dos comentários nas redes sociais.
Para Rodrigo Nascimento, que torce pela Mangueira, o cuidado com o trabalho das agremiações deve estar presente mesmo quando a opinião não é positiva. Para ele, existe uma diferença entre apontar o que não funcionou em uma obra e simplesmente desqualificar um trabalho que envolve compositores, intérpretes e toda uma preparação para a disputa.
Rodrigo Nascimento torce pela Mangueira
“Tem que ter um certo cuidado e um respeito para poder comentar o trabalho dos outros. Cada um sabe da sua opinião, mas é isso, é o respeito pelo trabalho do próximo. Mesmo com a opinião de que não gostou do samba, teve todo um trabalho, todo um projeto, todo um desgaste para apresentar aquilo para a gente. Eu acho que a crítica é bem-vinda quando serve para alguma coisa, de forma construtiva. Mas, se for só para criticar, acho que às vezes é desnecessário”, afirmou.
Já o salgueirense Kauã Gabriel defendeu que a opinião não deve ser limitada pelo receio da reação. Para ele, a disputa de samba também é um espaço de manifestação do torcedor, que deve poder defender aquilo de que gosta ou apontar o que não o convence sem deixar de participar da discussão.
Salgueirense Kauã Gabriel
“Opinião, assim, sem medo. O importante é você expor as suas ideias e colocar para fora. É isso que eu acho”, declarou.
Para Kauã de Menezes, de 23 anos, torcedor fervoroso da Portela, a crítica também faz parte do processo de construção de um samba. Acostumado a acompanhar de perto as discussões envolvendo a própria escola do coração, o sambista considera que a exposição de diferentes opiniões faz parte da disputa e pode contribuir para o aprimoramento das obras.
Kauã de Menezes, de 23 anos, torcedor fervoroso da Portela
“Eu acho que a crítica é boa, porque ajuda a evoluir e melhorar o samba. E, para mim, está tudo bem. Podem falar à vontade, a Portela ainda é a maior campeã do carnaval mesmo”, avaliou.
A experiência de quem acompanha o carnaval há mais tempo também mostra que a crítica pode fazer parte da relação entre sambista e escola. Maquiador e torcedor da Viradouro, Wagner Matos afirmou que não costuma “passar pano” quando não gosta de uma obra. Para ele, o vínculo com uma agremiação não impede que o torcedor manifeste discordâncias, inclusive, quando elas partem de alguém que está dentro da própria comunidade.
Maquiador e torcedor da Viradouro, Wagner Matos
“Eu sou aquele tipo de sambista que não passa pano. Se não me agradar, se eu vir que não é aquela coisa que representa a escola, eu falo. Já fui criticado por pessoas da minha própria escola, mas falei que achava que não representava. Como muitas outras vezes, eu quebrei a cara, mas acho que vale a pena você expor, falar”, contou.
Neste ano, Wagner viveu o movimento contrário: saiu em defesa da escola do coração na escolha do samba-enredo que homenageou Ciça, mestre de bateria da própria Viradouro. Durante a disputa, o samba que embalou o enredo campeão de 2026 sofreu muitas críticas nas redes sociais.
“No ano passado, todo mundo criticou. Você vai falar de si, vai dizer: ‘Gente, é história do carnaval, é história da vida dela, tem que falar sim’. E o mais bacana é que foi lembrado em vida. É isso que importa”, relembrou.
Gustavo Lacerda, auxiliar administrativo e torcedor da Vila Isabel e da Beija-Flor, considera a crítica exagerada aos sambas como “falta de caráter”, pois, em sua opinião, “sambista mesmo tem que saber se portar legal”.
Gustavo Lacerda, auxiliar administrativo e torcedor da Vila Isabel e da Beija-Flor
Gustavo também chamou atenção para outro efeito que os comentários nas redes podem produzir: a criação de uma espécie de rejeição prévia em torno de uma obra. Para ele, a repercussão negativa durante a disputa pode permanecer mesmo depois que um samba é escolhido, influenciando a forma como a composição será recebida pela comunidade e pela própria escola.
“A pessoa critica muito um samba, aí o samba vai sendo escolhido, mas já fica aquele estigma no samba. Tem escolas que a comunidade escolhe um, mas a presidência vem e escolhe outro…”, afirmou.
Nascida da luta sindical e potente ao trazer narrativas políticas para a Sapucaí, o Império Serrano comemorará seus 80 anos em 2027 fazendo jus à sua essência: levará para a avenida um enredo que exalta a luta pela democracia. “Seja marginal, seja herói: a revolução em sua legítima razão” é assinado pelo carnavalesco Renato Esteves e pelos enredistas Emanuelle Rosa e Jorge Sant’Anna.
“Fazer um enredo político no Império Serrano é reafirmar o DNA da escola. O DNA do imperiano é se manifestar, meter o dedo na ferida e dizer: ‘Estou aqui, sou livre e vou lutar pelos meus direitos e pela minha liberdade’. É isso que o Império vai fazer mais uma vez. Vamos entrar na Avenida dizendo que o desfile de escola de samba também é um posicionamento político. É reafirmar o jeito imperiano de ser”, destacou o carnavalesco.
Conhecida por seus enredos de caráter político e social, a escola foi um dos símbolos de resistência entre as agremiações durante a Ditadura Militar (1964-1985). Como importantes aparelhos culturais do país, as escolas de samba também sofreram com a censura do regime, tendo sambas e enredos submetidos ao controle dos órgãos oficiais. O caso mais emblemático do Império aconteceu em 1969, com o enredo “Heróis da Liberdade”, quando a palavra “revolução” precisou ser substituída por “evolução” por determinação da censura. Neste ano, a frase constitui o título do enredo em sua escrita original, como um resgate histórico.
O enredo “Heróis da Liberdade” foi uma das referências principais na idealização do tema de 2027, complementado pelo desejo de abordar a trajetória de Hélio Oiticica. O artista foi expoente da contracultura e autor da bandeira-poema “Seja marginal, seja herói”, que dá título ao enredo. Renato Esteves conta que a aproximação com a União Nacional dos Estudantes, a UNE, instituição com papel importante na resistência contra a ditadura, que completará 90 anos em 2027 e também será celebrada na ocasião, foi essencial para selar a escolha. Começaram a pesquisar movimentos estudantis, até que surgiu a contracultura, movimento que foi impulsionado pelos estudantes e, assim, se tornou “a menina dos olhos” da equipe criativa.
Carnavalesco Renato Esteves
“O enredo mostra como as artes foram fundamentais como manifestação política, sobretudo por meio da contracultura. Começa na ditadura, chega aos dias de hoje e projeta o futuro, porque a luta pelas liberdades nunca termina. O sambista faz arte, faz samba, e a nossa maneira de lutar é cantando e fazendo carnaval”, explicou o carnavalesco.
Por outro lado, ter um forte rol de enredos políticos no Reizinho de Madureira não torna a tarefa mais fácil. Renato conta que o desafio é fugir do padrão do que se entende como enredo político e voltar o recorte da temática às artes.
“A arte não fala apenas pelo discurso, mas também pelas entrelinhas. Muitas vezes, ela diz mais do que a própria boca. Fazer arte é, de alguma forma, fazer política. Escolhemos a contracultura justamente porque ela nos permite expressar esse posicionamento por meio da poesia, das artes plásticas, do teatro e do cinema”, pontuou Renato Esteves.
Nesse sentido, a arte como instrumento de resistência e contestação é um dos motes do enredo. O carnavalesco garante que o protesto estará presente durante todo o desfile de uma maneira que permite que o público tenha fácil leitura da mensagem, mas que também aprecie a manifestação artística.
“Buscamos referências em Hélio Oiticica para mostrar que a arte pode ser um instrumento de manifestação política. Não será um desfile de cartazes ou uma passeata tradicional. O desfile de escola de samba já é, por si só, a nossa passeata”, ressaltou.
Transformar esse universo artístico variado e denso em desfile tem sido uma das missões da equipe. O carnavalesco conta que o desafio de trazer essa visão à vida é filtrar e compactar as inúmeras referências dentro do limite das três alegorias e vinte alas permitidas ao Grupo Ouro.
“O desafio é reunir essa gama de artistas e manifestações em poucos elementos e transformar tudo em um discurso linear. Queremos que as pessoas entendam que não se trata de uma lista de obras de arte, mas de uma narrativa construída a partir delas. Esse é o nosso maior desafio, mas está sendo um processo muito prazeroso”, explicou.
Com tantas referências artísticas pulsantes no período abordado, o carnavalesco conta que Cinema Novo, o Teatro Experimental do Negro, o Teatro Oficina, Lygia Clark, Hélio Oiticica e Ferreira Gullar pintarão na Sapucaí no segundo dia de desfiles do Grupo Ouro, o que renderá um belo trabalho plástico para a escola.
“O carnaval é feito de imagens. O grande desafio do carnavalesco é transformar um discurso em imagem, e a contracultura já fazia isso naturalmente. Esse recorte aproxima a mensagem do público, porque a arte aproxima as pessoas. Tenho certeza de que conseguiremos comunicar tudo isso visualmente na Avenida”, concluiu.
O mestre Marcão já iniciou o trabalho de preparação da bateria do Paraíso do Tuiuti para o Carnaval 2027. Durante o lançamento do samba-enredo da escola, o diretor de bateria comentou as primeiras impressões sobre a obra escolhida e revelou que algumas bossas já estão sendo desenvolvidas para o próximo desfile. Segundo ele, o primeiro ponto analisado ao receber o samba foi o refrão. Para o comandante da “SuperSom”, a força do trecho abre possibilidades para o trabalho da bateria, que ainda está em fase de testes e ajustes.
“Quando vem a primeira audição, a gente analisa primeiro o refrão. E o refrão é excepcional. Depois vamos desenvolvendo, lapidando, para chegar onde a gente pode chegar. Ainda estamos dentro da quadra, não na rua, que é um ambiente aberto e permite uma análise diferente. Estamos avaliando principalmente o andamento. Algumas bossas já estão prontas, mas ainda faltam detalhes para colocar”, compartilhou.
Bossas são construídas a partir do samba
O mestre explicou que o processo de criação das bossas parte diretamente da letra e da melodia do samba-enredo. A ideia, neste primeiro momento, é experimentar diferentes possibilidades até encontrar aquilo que melhor valorize a obra.
“Fica mais fácil porque a gente pega a letra e a melodia e trabalha em cima delas. Tudo o que fazemos nasce da letra e da melodia. A gente não pode tocar para o santo errado. Estamos num processo de tirar, colocar, testar o que funciona e o que não funciona. É a primeira vez que estamos passando juntos, mas, no decorrer dos ensaios, vai ficar cada vez melhor”, analisou.
Marcão também destacou a importância de o samba estar definido com antecedência para que a bateria tenha tempo de amadurecer as ideias antes do desfile oficial. Para o diretor, o período maior de preparação permite testar os recursos musicais com tranquilidade.
“Isso dá tempo para trabalhar. Dá tempo para analisar, ver o que a gente pode fazer e o que não pode. Recebemos uma demo, começamos a trabalhar em cima dela antes mesmo da gravação oficial. Assim a gente já vai construindo as ideias, fazendo ‘um negocinho para não passar em branco’”, contou.
Se você já compartilha ofertas, dicas de compras ou recomendações de produtos na internet, pode ser um excelente candidato para o Programa de Afiliados da Temu. Diferente de modelos de afiliados voltados principalmente para grandes criadores de conteúdo ou publishers profissionais, este programa também está disponível para usuários comuns que participam ativamente de comunidades, grupos de ofertas e plataformas de discussão.
Isso o torna especialmente relevante para pessoas que costumam publicar achados úteis em grupos sociais, canais de cupons e fóruns. Em muitos casos, os melhores resultados como afiliado da Temu não vêm de conteúdos elaborados para vender. Eles surgem de recomendações simples e oportunas, compartilhadas em locais onde as pessoas já estão procurando promoções e ideias de produtos.
O Programa de Afiliados da Temu foi criado para pessoas que desejam promover ofertas, produtos e promoções para novos usuários por meio de links de afiliado ou códigos de indicação. Os participantes podem receber comissões quando usuários qualificados se cadastram, fazem pedidos ou concluem outras ações válidas previstas pelo programa.
O grande diferencial desse modelo é sua acessibilidade. Segundo a página oficial de recrutamento de afiliados da Temu, o programa é gratuito para participar e foi desenvolvido para ser fácil de começar, mesmo para quem não possui experiência anterior ou uma grande base de seguidores. Isso abre espaço para afiliados que atuam de forma prática dentro de comunidades, em vez de limitar a participação apenas a profissionais do marketing.
Quem Pode Participar do Programa de Afiliados da Temu
Na prática, o Programa de Afiliados da Temu é ideal para três grandes perfis de usuários:
Pessoas ativas em grupos nas redes sociais e comunidades online
Compartilhadores de ofertas e cupons
Participantes de fóruns e comunidades de nicho
Esses grupos já realizam naturalmente o comportamento que gera resultados como afiliado: compartilhar informações úteis com um público que confia em suas recomendações.
1. Grupos em Redes Sociais e Comunidades Online
Você participa ativamente de grupos ou comunidades na internet? Essa é uma das maiores oportunidades dentro do ecossistema de afiliados da Temu.
O que você pode fazer:
Compartilhar ofertas para novos usuários
Explicar como funcionam os códigos de indicação
Destacar produtos em alta ou com desconto
Publicar suas próprias experiências de compra
Onde você pode compartilhar:
Grupos do Facebook
X (Twitter)
Grupos e canais do Telegram
Grupos e canais do WhatsApp
Servidores do Discord
Grupos do LINE
Por que funciona:
As pessoas confiam nas recomendações feitas dentro das comunidades das quais já fazem parte. Se você compartilha ofertas úteis de forma consistente, seu público terá mais chances de clicar — e converter.
2. Compartilhadores de Ofertas e Publicadores de Cupons
Se você gosta de encontrar promoções e descontos, esse caminho dentro do Programa de Afiliados da Temu é perfeito para você.
O que você pode fazer:
Encontrar produtos com descontos em alta
Compartilhar promoções por tempo limitado
Publicar ofertas com alto potencial de conversão
Otimizar títulos e horários das publicações para aumentar a visibilidade
Plataformas populares:
HotUKDeals
Mydealz
Referralcodes
Outras comunidades de compartilhamento de cupons
Por que funciona?
Plataformas de ofertas já concentram usuários com forte intenção de compra. As pessoas acessam esses sites justamente para encontrar descontos, o que tende a gerar taxas de conversão mais altas para seus esforços como afiliado da Temu.
3. Usuários de Fóruns e Comunidades de Nicho
Os fóruns costumam ser subestimados, mas podem ser extremamente eficazes.
Se você costuma:
Responder perguntas
Compartilhar dicas de compras
Recomendar produtos
Você pode inserir naturalmente seus links de afiliado da Temu em suas publicações.
Exemplos:
Comunidades no Reddit
Naver Cafe e Naver Blog
Fóruns especializados em hobbies e nichos específicos
O segredo é a autenticidade. Publicações realmente úteis convertem muito mais do que promoções excessivamente agressivas.
O Que Faz um Afiliado da Temu Ter Sucesso
O sucesso no Programa de Afiliados da Temu não vem do spam, mas sim da capacidade de gerar valor para seu público. Em vez de bombardear as pessoas com inúmeros links, uma promoção eficiente é útil, relevante e feita no momento certo.
Veja o que realmente funciona:
1. Consistência
Compartilhar conteúdo de forma regular ajuda a construir visibilidade e confiança ao longo do tempo. Seja publicando ofertas diariamente ou fazendo um resumo semanal das melhores promoções, manter uma presença constante mantém seu público engajado sem parecer insistente.
2. Relevância
Ofertas precisam fazer sentido para o seu público. Um desconto em produtos de tecnologia pode agradar entusiastas da área, mas não necessariamente pessoas que procuram soluções simples para o escritório em casa. Quanto melhor você conhece sua audiência, mais naturais e personalizadas serão suas recomendações.
3. Timing
Promoções por tempo limitado apresentam melhor desempenho quando são divulgadas rapidamente. Ser uma das primeiras pessoas a compartilhar uma oferta relâmpago ou uma promoção para novos usuários pode aumentar significativamente suas conversões. Agilidade faz toda a diferença, especialmente em comunidades focadas em ofertas.
4. Simplicidade
Explicações claras e objetivas reduzem as dúvidas, principalmente para quem ainda não conhece a Temu ou o funcionamento dos links de afiliado. Um pequeno guia ou alguns passos simples podem ser suficientes para transformar um clique em um cadastro.
Por Que o Programa de Afiliados da Temu se Destaca
Em comparação com outros programas de afiliados, o Programa de Afiliados da Temu oferece:
Fácil para iniciantes — não exige configuração técnica
Flexibilidade — compartilhe quando e onde quiser
Escalabilidade — comece em pequenos grupos e expanda para grandes comunidades
Alta demanda — os usuários já adoram encontrar boas ofertas
O programa combina perfeitamente com a forma como as pessoas já utilizam a internet: compartilhando descobertas úteis com outras pessoas.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Quem pode participar do Programa de Afiliados da Temu?
O programa possui uma barreira de entrada extremamente baixa. Se você participa de grupos em redes sociais, comunidades de ofertas ou fóruns online, já pode participar. Não existem requisitos rígidos — basta ter a capacidade de compartilhar conteúdo útil com outras pessoas.
2. Quais são os canais de entrada? Qual é a diferença entre eles?
A Temu oferece suporte para uma ampla variedade de plataformas, incluindo grupos em redes sociais, fóruns e sites de cupons. A lógica de ganhos é semelhante em todos eles, porém o processo de cadastro, as ferramentas disponíveis, o foco das campanhas e até os requisitos de verificação podem variar. Se você não sabe qual canal escolher, opte pelo que melhor corresponde à sua principal fonte de tráfego ou ao perfil do seu público.
3. Preciso ter um público grande para obter resultados?
Não. Mesmo grupos pequenos, desde que ativos e engajados, podem gerar excelentes resultados. O nível de engajamento é mais importante do que o tamanho da audiência.
4. É gratuito participar?
Sim. O Programa de Afiliados da Temu é totalmente gratuito.
5. Como recebo comissões?
As comissões são obtidas por meio do compartilhamento de links ou códigos de indicação. Quando novos usuários se cadastram e realizam uma compra utilizando seu link ou código, o participante que fez a indicação recebe uma comissão.
Além disso, os participantes também podem conquistar recompensas extras por meio de rankings regionais, competições de indicações e campanhas especiais de convite. As promoções disponíveis variam conforme cada região.
Comece Sua Jornada como Afiliado da Temu Hoje
Se você já compartilha ofertas, está no caminho certo. Transforme essas recomendações em renda com o Programa de Afiliados da Temu.
Depois de estrear na Sapucaí em 2025 e ser anunciada musa da Imperatriz Leopoldinense, Agnes Pimentel dá continuidade a essa relação por um caminho que vai além da avenida. A modelo, com carreira construída entre Rio de Janeiro, Londres, Milão, Istambul e Nova York, idealiza e conduz um projeto de capacitação profissional voltado a mulheres da Zona da Leopoldina, região onde parte de sua família vive e onde estão suas primeiras memórias de convivência e afeto.
A iniciativa nasce de uma escolha pessoal de Agnes e ganha corpo institucional em parceria com o Instituto Imperatriz, braço social da escola, e com o Voz das Comunidades, referência em comunicação comunitária no Rio de Janeiro, sob liderança de Rene Silva.
Além de musa, Agnes assume a função de embaixadora do Instituto Imperatriz, formalizando um vínculo de trabalho contínuo com a comunidade.
“Quero levar minha experiência de vida para uma comunidade que me abraçou demais”.
O projeto parte de uma lógica de reciprocidade. Agnes foi descoberta ainda adolescente, em um desfile em Itaboraí, e transformou aquela oportunidade em quase uma década de trabalho internacional na moda e na publicidade. A proposta agora é abrir a mesma porta para outras mulheres, colocando à disposição delas o repertório prático que construiu: imagem, postura, comportamento de mercado, entendimento de agenciamento e leitura de carreira.
AS PARCERIAS
O Instituto Imperatriz entra como base territorial e institucional do projeto, cedendo a quadra da escola para o encontro de seleção e conectando a iniciativa à rede de moradores da Zona da Leopoldina. A escolha reforça a compreensão de que o carnaval é também estrutura social, e não apenas espetáculo.
O Voz das Comunidades assume a frente de alcance e comunicação, garantindo que a chamada chegue de fato às mulheres da região e que a cobertura do processo seja feita de dentro para fora. A presença do veículo assegura que a narrativa do projeto seja construída com a comunidade, no lugar de ser construída sobre ela.
COMO FUNCIONA
A seleção é aberta a mulheres da Zona da Leopoldina, com foco em jovens interessadas em moda, imagem e carreira de modelo. Os critérios de inscrição são simples e não exigem experiência anterior, condição pensada para eliminar a principal barreira de entrada do setor.
As inscrições ficam abertas até 7 de setembro, passam por triagem e o processo se encerra em um encontro presencial na quadra da Imperatriz, com apresentação do projeto, fala de Agnes e seleção das participantes. As selecionadas recebem a camiseta oficial da iniciativa, que leva a assinatura do projeto e do Instituto Imperatriz.
A participante vencedora desfila em um carro alegórico daImperatriz Leopoldinense no Carnaval 2027.
Inscrições: até 7 de setembro de 2026 // Data: 12 de setembro de 2026
Local: Quadra da Imperatriz Leopoldinense, Zona da Leopoldina, Rio de Janeiro- Rua Professor Lacé, 235- Ramos
Realização: Agnes Pimentel, com Instituto Imperatriz e Voz das Comunidades
PARA MARCAS E EMPRESAS
O projeto está aberto a empresas interessadas em associar sua marca a uma ação de formação profissional feminina com origem, território e continuidade definidos. As frentes de apoio incluem estrutura do evento de seleção, material das participantes, conteúdo formativo e desdobramentos ao longo do ciclo até o Carnaval 2027.
A associação acontece em um contexto de alta visibilidade editorial, somando o alcance da Imperatriz Leopoldinense, do Voz das Comunidades e da própria trajetória de Agnes na moda nacional e internacional.
SOBRE AGNES PIMENTEL
Modelo brasileira com atuação em moda, publicidade e carnaval, Agnes Pimentel começou a carreira ainda na adolescência e trabalhou em países como Alemanha, Itália, Inglaterra, Turquia e Estados Unidos. Consolidou sua atuação em Londres, onde viveu por quase uma década, e participou da London Fashion Week e da New York Fashion Week, além de campanhas internacionais. Voltou ao Brasil em 2023 e, em 2026, foi anunciada musa da Imperatriz
A parceria responsável pelo samba nº 3 da Estação Primeira de Mangueira decidiu retirar a obra da disputa de samba-enredo para o Carnaval 2027. O anúncio foi feito nesta quarta-feira e, segundo os compositores, a decisão foi tomada pela maioria dos integrantes da parceria. Assinam o samba Gilson Bernini, Beto Savanna, Xande de Pilares, Karinah, Gustavo Clarão e Felipe Mussili. Em comunicado divulgado nas redes sociais, a parceria informou que Karinah não concordou com a retirada.
“Para fins de esclarecimento, a compositora Karinah não aderiu à decisão de retirada, mantendo sua posição pessoal pela continuidade do samba na disputa”, informou a parceria.
Os compositores optaram por não revelar os motivos que levaram à decisão. No comunicado, afirmaram que a escolha foi tomada “por respeito à escola, à comunidade e a todos os envolvidos”. “Hoje encerramos nossa participação na disputa da Mangueira para o Carnaval de 2027. Nosso profundo agradecimento a cada um que esteve conosco até aqui. Imprensa, torcida, músicos, intérpretes e profissionais que deram voz, ritmo e verdade ao nosso samba”, afirmou a parceria.
O grupo também destacou que a retirada não representa o fim do vínculo com a obra construída para o concurso. “O Samba 03 deixa a disputa. A arte que construímos juntos permanece”, finalizaram os compositores.
Mangueira lamenta condução da retirada
Em posicionamento oficial, a Estação Primeira de Mangueira confirmou que tomou conhecimento da decisão por meio das redes sociais. A escola ressaltou que a retirada partiu exclusivamente da parceria e afirmou manter, desde o início do concurso, um canal direto de diálogo com os compositores. A agremiação reconheceu a qualidade do samba e a relevância dos integrantes da parceria, mas lamentou não ter sido comunicada previamente sobre a decisão.
“A Mangueira lamenta a forma como a retirada foi conduzida, sem que fosse previamente informada ou tivesse a oportunidade de construir um comunicado sendo ouvida, como preza os princípios éticos das comunicações institucionais”, afirmou a escola.
A Mangueira também esclareceu que a saída do samba nº 3 não provocará alterações na realização das eliminatórias para o Carnaval 2027. “A Mangueira ressalta que a decisão da parceria do Samba 3 não interfere na logística ou processo de realização no concurso de Eliminatórias de Samba-Enredo para o Carnaval 2027”, informou.
Por fim, a escola reforçou que não participou da decisão e repudiou qualquer tentativa de atribuir à agremiação responsabilidade pela retirada. “A Estação Primeira de Mangueira reforça que a decisão foi tomada unilateralmente pela parceria e, por óbvio, não teve qualquer participação ou interferência na decisão de retirada do samba concorrente e repudia qualquer tentativa de atribuir à agremiação a responsabilidade do fato ocorrido”, concluiu a nota.