
A fase de eliminatória de samba-enredo já começou em Nilópolis. Na última quinta-feira, de 16 sambas apresentados, 10 foram classificados para a próxima fase, dando início à busca pelo hino do próximo desfile da Beija-Flor. Em 2027, os nilopolitanos levarão à Sapucaí o enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, uma homenagem à Zeneida Lima, a última pajé marajoara. O enredo trata da força de uma mulher, da misticidade e das encantarias. Abaixo, a análise do CARNAVALESCO dos dez sambas classificados.
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Parceria de Neilson Ribeiro: O samba da parceria de Neilson Ribeiro, Baninho e Rivarola Borges foi interpretado por Marquinhos Silva e foi o segundo a se apresentar na quadra da Beija-Flor. A letra segue o mesmo conceito da sinopse, com a própria Zeneida contando sua história, com ênfase na relação dela com a natureza e a fé. A preparação para o segundo refrão foi o momento que mais chamou atenção: Zeneida se identifica e, em seguida, chega o refrão trazendo referências às vivências dela no Pará. A letra resgata o nome do enredo, citando o pó de louro. Outro momento que chama atenção é a forma como o primeiro refrão se apresenta, com uma melodia mais acelerada. Por ser a primeira apresentação, o carro de som precisou de uma “colinha”, então eles não conseguiram manter todos cantando durante a passagem: um parava e os outros continuavam. Era como se eles ainda estivessem se familiarizando com os versos, o que pode ser prejudicial nas outras fases, caso não treinem.
Parceria de Lucas Gringo: O samba da parceria de Lucas Gringo, Theo M. Netto, Luiz W. e Ricardo Bheringer foi o quinto a se apresentar. Interpretado por Lucas Gringo, a passagem foi consistente, com a potência exigida pelo samba. Seus versos retratam a potência que Zeneida carrega consigo, a forma como seus caminhos já eram predestinados e como, atualmente, ela lida com toda essa responsabilidade. Os versos em destaque são: “Sabedoria da folha sagrada, a voz que me chama ecoa na mata”, “O meu canto viu refúgio no manto de Nazaré. Eu sou Zeneida, força da mulher” e “Fiz da natureza escola”. Além disso, o samba também faz citações à agremiação, o que aproxima os nilopolitanos da obra.
Parceria de Picolé da Beija-Flor: O samba da parceria de Picolé da Beija-Flor, Alencar de Oliveira, André Freitas, Serginho do Porto, André Fullgaz e William Ramos foi o sétimo a se apresentar nesta quinta-feira. Interpretada por Serginho do Porto, ao lado do carro de som, a passagem foi realizada com vigor, mantendo-se firme do início ao fim. A letra explica a representação do pó de louro para Zeneida, quando a homenageada sofreu preconceitos, foi intitulada como bruxa e mostra o papel de Nossa Senhora de Nazaré em sua vida. Entre os versos que se destacam estão: “Pelo conhecimento que o espírito me deu! Abracei o chamado que o tempo escreveu”, que antecede o refrão: “Que Mundico abençoe a minha consagração. Na pajelança, corpo, alma e proteção”.
Parceria de Sidney de Pilares: O samba da parceria de Sidney de Pilares, Pedro Marajoara, Dudu Nobre, Marcelo Lepiane, Salgado Luz e João Conga foi o nono a se apresentar. Interpretado por Igor Vianna e Igor Sorriso, a passagem foi potente, mas também contou com o auxílio da “colinha”. Apesar dos refrões de fácil assimilação, os versos são mais densos, o que exige maior atenção do público durante o aprendizado. O samba se refere a momentos da vida de Zeneida, como a forma como seus caminhos estão interligados com a natureza e quando ela superou e se reergueu do período em que era julgada como bruxa. O segundo refrão é de fácil aprendizado, pois utiliza o recurso da repetição junto com uma melodia mais animada: “De pajé pra pajé vou curar esse mundo repleto de dor”. A melodia do refrão principal lembra um pouco a do refrão principal de “Bembé”, com a sensação de animação e o movimento de giros, sejam eles com o corpo ou com o braço: “Firma a curimba na gira do carimbó! (2x) É a pajelança nilopolitana. O meu Beija-Flor incorpora caruana”.
Parceria de Júnior Trindade: O samba da parceria de Júnior Trindade, Samir Trindade, Laura Romero, Cleiton Roberto, Doguinha Guaracimir e Marcão da Gráfica foi o décimo primeiro a se apresentar. Interpretado por Bruno Ribas, o samba foi mais um destaque, pois se manteve em ritmo potente durante toda a apresentação. Seus versos passam por diversos momentos marcantes da vida espiritual de Zeneida, desde sua experiência com os seres azuis até a sua fé em Nossa Senhora de Nazaré. A melodia é marcante e se destaca no verso: “Mãe luz de Nazaré, me mantém de pé na esperança. Por Deus, pelos ancestrais, nas lutas sociais, proteja as crianças”, pois traz emoção ao cantar, justamente por ser uma oração comum no dia a dia daqueles que buscam forças e abrigo na fé. Além disso, a referência às tradições do Pará no último verso, além de chamar atenção, traz a reflexão de combater o mal com o bem e é fácil de aprender, devido à sua rima: “É carimbó, ô roda saia, é siriá. O canto e dança tradição do meu Pará. Contra a Inquisição, faço ritual, rezo pra quem me fez o mal”.
Parceria de Marquinhos Beija-Flor: O samba da parceria de Marquinhos Beija-Flor, Cláudio Russo, Chacal do Sax, Rômulo Massacesi, Júlio Alves e Léo Freire foi um dos destaques da noite. Interpretado por Pixulé, o samba foi o décimo segundo a se apresentar e foi bem recebido pela comunidade nilopolitana. Sua alta energia contagiou os presentes. O refrão principal tem efeito chiclete, ou seja, fica guardado na memória com maior facilidade devido à repetição de “Incorpora, Caboclo”. Nesse mesmo verso, há referências ao pó de louro e à comunidade da agremiação, reafirmando o pertencimento deles. Ainda seguindo essa lógica de pertencimento, o verso que antecede o refrão também segue essa proposta: “Zeneida, soberana, campeã”, fazendo referência ao legado da homenageada e da agremiação. O samba cumpre o pedido da escola de ser uma obra forte, que interligue a vida da pajé com os nilopolitanos e mostre a potência feminina que Zeneida representa.
Parceria de Diogo Rosa: A parceria de Diogo Rosa, Júlio Assis, Kirraizinho, Manolo, Clay Ridolf e Dr. Luiz Claudio foi a décima terceira a se apresentar nesta quinta-feira. O samba, interpretado por Tinga, manteve alta energia durante toda a apresentação. A melodia se encaixou com a letra e a obra cumpre o pedido da agremiação de ser um samba de identificação. A letra conta a relação de Zeneida com a educação e com a fé, além de interligar o Marajó com a Baixada, sendo um ponto alto para a forma como a comunidade nilopolitana o receberá, pois é clássico nos sambas da agremiação reafirmar o pertencimento da região: “Chama Karuana, que a Baixada incorporou. Chama Karuana, que a Baixada é Beija-Flor”. Outro momento que se destacou foi o verso antes do primeiro refrão, em que Tinga, junto ao carro de som, foi elevando a energia e acelerando gradativamente até o refrão. Além de serem complementares, o refrão é a continuação do que foi dito antes, o que facilita a compreensão dos ouvintes.
Parceria de Junior PQD: O samba da parceria de Júnior PQD, Ailson Picanço, Junior Billy Mandy, Geraldo M. Felício, Marquinho Paloma e Marcelo Moraes foi o décimo quarto a se apresentar na quadra da agremiação. Interpretado por Pitty de Menezes e Wic Tavares, esse samba também foi um dos destaques da noite. Os cantores mantiveram a energia em alta durante toda a apresentação, todos sabendo a letra de cor. O samba tem muitas referências ao Marajó e retrata, principalmente, a relação de Zeneida com a natureza e a fé. Isso é percebido nos versos: “Sem medo nós vamos lutar, ela que vem aos saberes da mata por seus caruanas, letrada… anunciar” e “Peço à mãe de todos a bravura de Zeneida”. O refrão principal é fácil de aprender, porque, além da repetição de “Ê pajé! Traz a força de auí”, há uma rima que facilita a compreensão.
Parceria de PC Feital: O samba da parceria de PC Feital, Igor Leal, Maicon Willian, Fabian Juarez, Eli Penteado, Dinho PQD, Neilson Ribeiro, Baninho e Rivarola Borges foi o décimo quinto samba a se apresentar. Devido à ausência do intérprete oficial, os cantores Paulo Bisto, Wander Timbalada e Roberta Barreto fizeram a interpretação e entregaram o que o samba pede: canto contido, um sentimento mais maduro e uma entonação que atrai à reflexão. A letra retrata a posição de Zeneida como curandeira, a maneira como a natureza anda lado a lado com a homenageada e a esperança que as crianças trazem. Essas características são perceptíveis nos versos: “Abençoando essas crianças, que são o futuro do Brasil” e “Sou eu, que incorporo a cura das ervas, que protege a floresta das trevas”. O trecho antes do segundo refrão também é um dos pontos altos desse samba: é um aviso de que o refrão (momento de festejar) está chegando: “Assim me tornei pajé, com as bênçãos de Nazaré, a pajelança vai começar”.
Parceria de Márcio França: O samba da parceria de Márcio França, Fábio Leite, Rodrigo Tinta, Guinho, Cleissinho Teixeira e Eduardo Amsterdam encerrou a primeira noite da disputa de sambas da Beija-Flor. Interpretado por Ronaldo Junior, com apoio do carro de som, a passagem manteve alta energia do início ao fim, dando destaque ao refrão principal. Assim como a sinopse, os versos são em primeira pessoa: é Zeneida, mais uma vez, contando sua história de vida. Os versos destacam a relação da homenageada com a natureza e Nossa Senhora de Nazaré, além de citar como superou a maldade: “Sou filha da mata, a cura, o vento”, “Não me curvei sob a maldade, não sucumbi à perseguição”, seguido de “Protegi minhas verdades, carregando minha fé, nos braços de Mãe Nazaré”.




